Viu Review - AppleTV+

11/9: Dentro da Sala de Guerra do Presidente

"9/11: Inside the President's War Room" (no original), documentário da BBC Films em parceria com a Apple, é simplesmente imperdível - pelas imagens dramáticas, pelos depoimentos de quem esteve ao lado do presidente Bush naquele dia e, principalmente, pela forma como a linha do tempo foi construída. Eu diria que esse documentário da AppleTV+ é um dos melhores do ano e certamente vai te colocar naquela atmosfera tão marcante de 20 anos atrás.

Em pouco mais de 90 minutos experimentamos os eventos de 11 de setembro de 2001 através dos olhos do presidente Bush e de seus assessores mais próximos, enquanto eles detalham pessoalmente alguns momentos cruciais e as principais decisões daquele dia histórico. O documentário cobre as primeiras 12 horas de terror e desinformação de uma forma avassaladora. Confira o trailer (em inglês):

O diferencial desse documentário com relação aos vários outros que já assisti, sem dúvida, diz respeito aos personagens que dão depoimentos: são entrevistas exclusivas com o presidente George W. Bush, com o vice Dick Cheney, com a conselheira de segurança nacional Condoleezza Rice, com o secretário de Estado Colin Powell, ente outros - inclusive profissionais da imprensa que cobriam a agenda do presidente na Flórida e que, indiretamente, viveram aquele dia histórico ao lado dele.

É muito interessante a proposta do diretor Adam Wishart em nos posicionar na linha do tempo em relação as (des)informações do staff do presidente em paralelo aos acontecimentos de Nova York e Washington, em tempo real. A forma como os personagens se dividem nas ações em resposta aos relatórios iniciais, primeiro descartando um acidente com um avião de pequeno porte e depois quando os ataques foram confirmados como uma atividade terrorista - as reações, a tensão, tudo está ali. É muito curioso como cada personagem assume uma posição hierárquica perante o caos e como algumas deficiências tecnológicas da época impactaram nas tomadas de decisões - a ordem para abater o United 93 é um ótimo exemplo e sem dúvida um dos momentos que mais embrulha o estômago. 

"9/11: Inside the President's War Room" é uma aula de narrativa que equilibra perfeitamente entrevistas, cenas de arquivo e imagens inéditas dos ataques, incluindo uma quantidade enorme de fotos de dentro da própria "sala de guerra" do presidente (e de seu vice) que passou o dia entre o Air Force One e vários Bunkers, até chegar na Casa Branca para um pronunciamento emocionante e histórico.

Em tempo, se você gosta do assunto eu sugiro que você assista dois títulos antes de chegar no documentário (nessa ordem): "The Looming Tower" com Jeff Daniels (que inclusive é o narrador de "9/11: Inside the President's War Room") e depois "O Relatório"com Adam Driver - tenha certeza que a experiência será incrível pelo encaixe das narrativas e visões dos seus personagens.

Imperdível!

Assista Agora

 

"9/11: Inside the President's War Room" (no original), documentário da BBC Films em parceria com a Apple, é simplesmente imperdível - pelas imagens dramáticas, pelos depoimentos de quem esteve ao lado do presidente Bush naquele dia e, principalmente, pela forma como a linha do tempo foi construída. Eu diria que esse documentário da AppleTV+ é um dos melhores do ano e certamente vai te colocar naquela atmosfera tão marcante de 20 anos atrás.

Em pouco mais de 90 minutos experimentamos os eventos de 11 de setembro de 2001 através dos olhos do presidente Bush e de seus assessores mais próximos, enquanto eles detalham pessoalmente alguns momentos cruciais e as principais decisões daquele dia histórico. O documentário cobre as primeiras 12 horas de terror e desinformação de uma forma avassaladora. Confira o trailer (em inglês):

O diferencial desse documentário com relação aos vários outros que já assisti, sem dúvida, diz respeito aos personagens que dão depoimentos: são entrevistas exclusivas com o presidente George W. Bush, com o vice Dick Cheney, com a conselheira de segurança nacional Condoleezza Rice, com o secretário de Estado Colin Powell, ente outros - inclusive profissionais da imprensa que cobriam a agenda do presidente na Flórida e que, indiretamente, viveram aquele dia histórico ao lado dele.

É muito interessante a proposta do diretor Adam Wishart em nos posicionar na linha do tempo em relação as (des)informações do staff do presidente em paralelo aos acontecimentos de Nova York e Washington, em tempo real. A forma como os personagens se dividem nas ações em resposta aos relatórios iniciais, primeiro descartando um acidente com um avião de pequeno porte e depois quando os ataques foram confirmados como uma atividade terrorista - as reações, a tensão, tudo está ali. É muito curioso como cada personagem assume uma posição hierárquica perante o caos e como algumas deficiências tecnológicas da época impactaram nas tomadas de decisões - a ordem para abater o United 93 é um ótimo exemplo e sem dúvida um dos momentos que mais embrulha o estômago. 

"9/11: Inside the President's War Room" é uma aula de narrativa que equilibra perfeitamente entrevistas, cenas de arquivo e imagens inéditas dos ataques, incluindo uma quantidade enorme de fotos de dentro da própria "sala de guerra" do presidente (e de seu vice) que passou o dia entre o Air Force One e vários Bunkers, até chegar na Casa Branca para um pronunciamento emocionante e histórico.

Em tempo, se você gosta do assunto eu sugiro que você assista dois títulos antes de chegar no documentário (nessa ordem): "The Looming Tower" com Jeff Daniels (que inclusive é o narrador de "9/11: Inside the President's War Room") e depois "O Relatório"com Adam Driver - tenha certeza que a experiência será incrível pelo encaixe das narrativas e visões dos seus personagens.

Imperdível!

Assista Agora

 

2 Outonos e 3 Invernos

"2 Outonos e 3 Invernos" é um premiado filme francês dirigido pelo Sébastien Betbeder que fala, basicamente, sobre os ciclos de um relacionamento. Com um conceito narrativo e visual bem particular, Betbeder nos entrega um filme leve, mas não por isso superficial, que nos provoca a entender como cada um dos personagens se relaciona com o amor.

Na história, Arman, um jovem de  33 anos, está querendo mudar seu estilo de vida e para começar, ele resolve correr no parque aos sábados. É lá que ele conhece Amélie, uma linda parisiense que parece não ser muito, digamos, feliz na escolha de seus relacionamentos. Ao se esbarrem, a primeira impressão causa um choque, porém é no segundo encontro casual que eles realmente se dão uma chance. Benjamin, melhor amigo de Arman, também está no inicio de relacionamento depois de se recuperar de um AVC e ambos vão trocando experiências para tentar encontrar o caminho da felicidade. Entre dois outonos e três invernos, as vidas de Amélie, Arman e Benjamin se cruzam em encontros, desencontros, acidentes e muitas memórias, em um cenário belíssimo! Confira o trailer:

Embora "2 Outonos e 3 Invernos" tenha muitos elementos que o confundem com uma comédia romântica, eu diria que sua história está mais para um leve drama com toques de romance e bem pouco de comédia - um típico filme francês de relações, eu diria: simpático e muito gostoso de assistir! Vale muito o seu play se você estiver no clima, se gostar do estilo Woody Allen e se curtiu a série da Prime Video, "Modern Love"!

Não por acaso citei o estilo Woody Allen de fazer um filme, pois  "2 Outonos e 3 Invernos" claramente bebe da mesma fonte que "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" (1977), principalmente ao permitir que os personagens quebrem a quarta parede, encarando diretamente a audiência, para comentar várias das circunstâncias que o filme está mostrando, quase como um narrador onipresente, com o intuito de facilitar o entendimento das complexidades sentimentais que estão vivendo. Ao escolher o aspecto 4:3 (que nos remete ao antigo estilo das telas de TV quadradas), a câmera na mão e uma quantidade enorme de grãos, praticamente "sujando" várias cenas, o diretor Sébastien Betbeder ao lado do fotógrafo Sylvain Verdet, trás um conceito muito documental para o filme - tanto que ele chegou a filmar algumas passagens com uma câmera 16mm. Esse conceito visual nos dá a ideia de se tratar de testemunhos pessoais dos casais, contrastando com uma espécie de "esquetes" que pontuam os três atos do filme. Enquanto assistia, em vários momentos tive a impressão que o roteiro mais parceria ser de uma peça de teatro do que cinema em si - e isso não é demérito, apenas um estilo narrativo que aqui funcionou perfeitamente.

Betbeder também assina o roteiro e com isso fica claro o alinhamento entre o estilo visual e o narrativo. Basicamente o que encontramos é uma história focada nos atores, no texto e com pouquíssima ação - o que para muitos pode dar a impressão de uma certa verborragia. Não foi o meu caso! Porém é preciso dizer que 90 minutos é pouco tempo de tela para abordar com profundidade as nuances e detalhes de dois casais. Quando o roteiro escorrega para os coadjuvantes, Benjamin (Bastien Bouillon) e Katia (Audrey Bastien), o filme perde força - não pela qualidade dos atores, mas pela dispersão, pela falta de foco. Tanto Vincent Macaigne (Arman), quanto Maud Wyler (Amélie) tinham qualidades suficientes para segurar a história tranquilamente - a impressão que ficou é que algo se perdeu nesse vai e volta de tramas e sub-tramas (que pouco acrescentam uma na outra, diga-se de passagem).

"2 Outonos e 3 Invernos" foi bem em bons festivais como Torino e RiverRun - o que já justificaria sua atenção, caso você tenha uma inclinação para filmes independentes, Mas essa produção francesa trás um pouco mais: ela vem para provar que é possível discutir assuntos pesados sem a necessidade vital de nos destruir emocionalmente, mesmo que em alguns momentos possamos sentir o vazio de uma relação fadada ao término, o resultado é extremamente agradável - um ótimo entretenimento!

"2 Outonos e 3 Invernos" é um premiado filme francês dirigido pelo Sébastien Betbeder que fala, basicamente, sobre os ciclos de um relacionamento. Com um conceito narrativo e visual bem particular, Betbeder nos entrega um filme leve, mas não por isso superficial, que nos provoca a entender como cada um dos personagens se relaciona com o amor.

Na história, Arman, um jovem de  33 anos, está querendo mudar seu estilo de vida e para começar, ele resolve correr no parque aos sábados. É lá que ele conhece Amélie, uma linda parisiense que parece não ser muito, digamos, feliz na escolha de seus relacionamentos. Ao se esbarrem, a primeira impressão causa um choque, porém é no segundo encontro casual que eles realmente se dão uma chance. Benjamin, melhor amigo de Arman, também está no inicio de relacionamento depois de se recuperar de um AVC e ambos vão trocando experiências para tentar encontrar o caminho da felicidade. Entre dois outonos e três invernos, as vidas de Amélie, Arman e Benjamin se cruzam em encontros, desencontros, acidentes e muitas memórias, em um cenário belíssimo! Confira o trailer:

Embora "2 Outonos e 3 Invernos" tenha muitos elementos que o confundem com uma comédia romântica, eu diria que sua história está mais para um leve drama com toques de romance e bem pouco de comédia - um típico filme francês de relações, eu diria: simpático e muito gostoso de assistir! Vale muito o seu play se você estiver no clima, se gostar do estilo Woody Allen e se curtiu a série da Prime Video, "Modern Love"!

Não por acaso citei o estilo Woody Allen de fazer um filme, pois  "2 Outonos e 3 Invernos" claramente bebe da mesma fonte que "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" (1977), principalmente ao permitir que os personagens quebrem a quarta parede, encarando diretamente a audiência, para comentar várias das circunstâncias que o filme está mostrando, quase como um narrador onipresente, com o intuito de facilitar o entendimento das complexidades sentimentais que estão vivendo. Ao escolher o aspecto 4:3 (que nos remete ao antigo estilo das telas de TV quadradas), a câmera na mão e uma quantidade enorme de grãos, praticamente "sujando" várias cenas, o diretor Sébastien Betbeder ao lado do fotógrafo Sylvain Verdet, trás um conceito muito documental para o filme - tanto que ele chegou a filmar algumas passagens com uma câmera 16mm. Esse conceito visual nos dá a ideia de se tratar de testemunhos pessoais dos casais, contrastando com uma espécie de "esquetes" que pontuam os três atos do filme. Enquanto assistia, em vários momentos tive a impressão que o roteiro mais parceria ser de uma peça de teatro do que cinema em si - e isso não é demérito, apenas um estilo narrativo que aqui funcionou perfeitamente.

Betbeder também assina o roteiro e com isso fica claro o alinhamento entre o estilo visual e o narrativo. Basicamente o que encontramos é uma história focada nos atores, no texto e com pouquíssima ação - o que para muitos pode dar a impressão de uma certa verborragia. Não foi o meu caso! Porém é preciso dizer que 90 minutos é pouco tempo de tela para abordar com profundidade as nuances e detalhes de dois casais. Quando o roteiro escorrega para os coadjuvantes, Benjamin (Bastien Bouillon) e Katia (Audrey Bastien), o filme perde força - não pela qualidade dos atores, mas pela dispersão, pela falta de foco. Tanto Vincent Macaigne (Arman), quanto Maud Wyler (Amélie) tinham qualidades suficientes para segurar a história tranquilamente - a impressão que ficou é que algo se perdeu nesse vai e volta de tramas e sub-tramas (que pouco acrescentam uma na outra, diga-se de passagem).

"2 Outonos e 3 Invernos" foi bem em bons festivais como Torino e RiverRun - o que já justificaria sua atenção, caso você tenha uma inclinação para filmes independentes, Mas essa produção francesa trás um pouco mais: ela vem para provar que é possível discutir assuntos pesados sem a necessidade vital de nos destruir emocionalmente, mesmo que em alguns momentos possamos sentir o vazio de uma relação fadada ao término, o resultado é extremamente agradável - um ótimo entretenimento!

A Forma da Água

Já na maratona do Oscar 2018, assisti "A Forma da Água" e gostei - uma mistura de "Amélie Poulain" com a "Bela e a Fera"! Em 1963, durante o auge da Guerra Fria, Elisa (Sally Hawkins), uma solitária funcionária responsável pela limpeza em laboratório ultra-secreto do governo, vê a sua vida mudar para sempre quando ela descobre a existência de um estranho ser aquático que vive isolado dentro de um tanque. Para executar um arriscado e apaixonado resgate, ela recorre ao melhor amigo Giles (Richard Jenkins) e à colega de turno Zelda (Otavia Spencer), em uma aventura que pode custar muito mais do que o seu emprego. Confira o lindo trailer:

Admito que não me impressionei o bastante para apostar em "A Forma da Água" como o grande vencedor da noite. Claro que se ganhar não será nenhum absurdo, mas, pra mim, são nas indicações do Departamento de Arte que o filme vai disputar prêmio a prêmio com "O Destino de Uma Nação". Já nos prêmios técnicos, Dunkirk me pareceu um trabalho mais complexo, embora o trabalho do diretor Guillermo del Toro tenha sido primoroso - existem duas ou três cenas que equilibra tão bem a fantasia com a realidade que chegamos a acreditar que tudo aquilo seria possível - olha, Del Toro tem boas chances! Prestem atenção na trilha sonora e no trabalho Otavia Spencer indicada como atriz coadjuvante - ambos podem surpreender. Na categoria de "Atriz Principal" a Sally Hawkins mandou muito bem, mas está tão disputado que fica difícil arriscar - eu não apostaria! Dan Laustsen na fotografia também pode levar - embora com "Dunkirk" na disputa complica um pouco.

Das incríveis 13 indicações, se levar 4 ou 5 estará de bom tamanho - e aproveito para dizer, o filme merece cada uma delas e seu play só vai comprovar a enorme qualidade do filme!

Up-date: "A Forma da Água" ganhou em quatro categorias no Oscar 2020: Melhor Trilha Sonora, Melhor Desenho de Produção, Melhor Diretor e Melhor Filme!

Assista Agora

Já na maratona do Oscar 2018, assisti "A Forma da Água" e gostei - uma mistura de "Amélie Poulain" com a "Bela e a Fera"! Em 1963, durante o auge da Guerra Fria, Elisa (Sally Hawkins), uma solitária funcionária responsável pela limpeza em laboratório ultra-secreto do governo, vê a sua vida mudar para sempre quando ela descobre a existência de um estranho ser aquático que vive isolado dentro de um tanque. Para executar um arriscado e apaixonado resgate, ela recorre ao melhor amigo Giles (Richard Jenkins) e à colega de turno Zelda (Otavia Spencer), em uma aventura que pode custar muito mais do que o seu emprego. Confira o lindo trailer:

Admito que não me impressionei o bastante para apostar em "A Forma da Água" como o grande vencedor da noite. Claro que se ganhar não será nenhum absurdo, mas, pra mim, são nas indicações do Departamento de Arte que o filme vai disputar prêmio a prêmio com "O Destino de Uma Nação". Já nos prêmios técnicos, Dunkirk me pareceu um trabalho mais complexo, embora o trabalho do diretor Guillermo del Toro tenha sido primoroso - existem duas ou três cenas que equilibra tão bem a fantasia com a realidade que chegamos a acreditar que tudo aquilo seria possível - olha, Del Toro tem boas chances! Prestem atenção na trilha sonora e no trabalho Otavia Spencer indicada como atriz coadjuvante - ambos podem surpreender. Na categoria de "Atriz Principal" a Sally Hawkins mandou muito bem, mas está tão disputado que fica difícil arriscar - eu não apostaria! Dan Laustsen na fotografia também pode levar - embora com "Dunkirk" na disputa complica um pouco.

Das incríveis 13 indicações, se levar 4 ou 5 estará de bom tamanho - e aproveito para dizer, o filme merece cada uma delas e seu play só vai comprovar a enorme qualidade do filme!

Up-date: "A Forma da Água" ganhou em quatro categorias no Oscar 2020: Melhor Trilha Sonora, Melhor Desenho de Produção, Melhor Diretor e Melhor Filme!

Assista Agora

À Sombra de Duas Mulheres

"À Sombra de Duas Mulheres" é um filme francês de 2015 com uma carreira bastante interessante em festivais independentes pelo mundo. Mas mais importante que isso, certamente é a forma magistral como o diretor Philippe Garrel foi capaz de construir um relação completamente destruída pelo dia a dia e como a confiança passa a ser o maior problema de um casal, visivelmente frágil. Reparem que Garrel vai nos direcionando por um caminho, de repente ele quebra nossa expectativa e aí ele sugere uma solução que parece menos provável até que ele encontra seu ponto final - ele, de fato, brinca com nossa percepção ao nos colocar no papel dos protagonistas!

Pierre (Stanislas Merhar) e Manon (Clotilde Courau) formam um casal de documentaristas que sobrevivem fazendo trabalhos temporários para poder dar suporte aos filmes que desejam realizar. Cansado do cotidiano e de suas dificuldades e mesmo, aparentemente, apaixonado por Manon, Pierre acaba se aproximando de Elizabeth (Lena Paugam) uma estágiaria de cinema formada em história e, a partir daí, passa a manter um relacionamento constante com as duas mulheres. Acontece que a atração sexual do primeiro contato vai se transformando e o que parecia um caso passageiro, passa a complicar a relação de todos os envolvidos e mesmo sem ao menos se conhecerem, muitas verdades começam vir à tona. Confira o trailer:

Para quem assistiu o recente "Malcolm e Marie""À Sombra de Duas Mulheres" vai cair como uma luva! O filme francês é notavelmente mais profundo ao discutir as camadas de uma relação fragilizada pela convivência. Se pela sinopse e pelo trailer temos a impressão que o assunto abordado é a traição, eu já te aviso: traição é só o "fim", porque o "meio" mesmo, são as pequenas situações que nos levam, justamente, praticar a traição - e o bacana é que o roteiro nos mostra ambos os lados e é assim que julgamos muitas atitudes, seja se baseando no gênero, seja quando percebemos que na verdade, cada um dos personagens sempre foi incapaz de enxergar o que o outro precisava ou estava sentindo.

Diferente da produção da Netflix, Philippe Garrel usa e abusa do silêncio propositalmente - e isso é cruel para quem assiste, pois nos dá o tempo suficiente para visitarmos nossas lembranças, recapitular algumas de nossas atitudes durante a vida e ainda espelhar nossas fraquezas nos personagens. Se no inicio temos uma visão machista de um relacionamento falido, logo entendemos o lado da mulher e suas necessidades, mesmo sem levantar nenhuma bandeira, todos podem errar -  quando se trata de discutir a igualdade com isenção, na alegria e na tristeza, as consequências são para todos!

"À Sombra de Duas Mulheres" é um filme muito cadenciado, focado no que é dito e no que é sentido, sem nenhuma dinâmica cênica que nos impacte visualmente, porém é tão profundo na sua proposta, que rapidamente somos fisgados e nem vemos o tempo passar - que diga-se de passagem é o ideal para uma narrativa com esse  conceito: não cansa, é objetivo e nos faz refletir intensamente sobre "escolhas"! Não é um filme fácil, mas para quem for capaz de perceber a sensibilidade nos pequenos atos e entender onde esses mesmos atos podem nos levar, certamente a experiência vai valer a pena!

Vale seu play!

Assista Agora

"À Sombra de Duas Mulheres" é um filme francês de 2015 com uma carreira bastante interessante em festivais independentes pelo mundo. Mas mais importante que isso, certamente é a forma magistral como o diretor Philippe Garrel foi capaz de construir um relação completamente destruída pelo dia a dia e como a confiança passa a ser o maior problema de um casal, visivelmente frágil. Reparem que Garrel vai nos direcionando por um caminho, de repente ele quebra nossa expectativa e aí ele sugere uma solução que parece menos provável até que ele encontra seu ponto final - ele, de fato, brinca com nossa percepção ao nos colocar no papel dos protagonistas!

Pierre (Stanislas Merhar) e Manon (Clotilde Courau) formam um casal de documentaristas que sobrevivem fazendo trabalhos temporários para poder dar suporte aos filmes que desejam realizar. Cansado do cotidiano e de suas dificuldades e mesmo, aparentemente, apaixonado por Manon, Pierre acaba se aproximando de Elizabeth (Lena Paugam) uma estágiaria de cinema formada em história e, a partir daí, passa a manter um relacionamento constante com as duas mulheres. Acontece que a atração sexual do primeiro contato vai se transformando e o que parecia um caso passageiro, passa a complicar a relação de todos os envolvidos e mesmo sem ao menos se conhecerem, muitas verdades começam vir à tona. Confira o trailer:

Para quem assistiu o recente "Malcolm e Marie""À Sombra de Duas Mulheres" vai cair como uma luva! O filme francês é notavelmente mais profundo ao discutir as camadas de uma relação fragilizada pela convivência. Se pela sinopse e pelo trailer temos a impressão que o assunto abordado é a traição, eu já te aviso: traição é só o "fim", porque o "meio" mesmo, são as pequenas situações que nos levam, justamente, praticar a traição - e o bacana é que o roteiro nos mostra ambos os lados e é assim que julgamos muitas atitudes, seja se baseando no gênero, seja quando percebemos que na verdade, cada um dos personagens sempre foi incapaz de enxergar o que o outro precisava ou estava sentindo.

Diferente da produção da Netflix, Philippe Garrel usa e abusa do silêncio propositalmente - e isso é cruel para quem assiste, pois nos dá o tempo suficiente para visitarmos nossas lembranças, recapitular algumas de nossas atitudes durante a vida e ainda espelhar nossas fraquezas nos personagens. Se no inicio temos uma visão machista de um relacionamento falido, logo entendemos o lado da mulher e suas necessidades, mesmo sem levantar nenhuma bandeira, todos podem errar -  quando se trata de discutir a igualdade com isenção, na alegria e na tristeza, as consequências são para todos!

"À Sombra de Duas Mulheres" é um filme muito cadenciado, focado no que é dito e no que é sentido, sem nenhuma dinâmica cênica que nos impacte visualmente, porém é tão profundo na sua proposta, que rapidamente somos fisgados e nem vemos o tempo passar - que diga-se de passagem é o ideal para uma narrativa com esse  conceito: não cansa, é objetivo e nos faz refletir intensamente sobre "escolhas"! Não é um filme fácil, mas para quem for capaz de perceber a sensibilidade nos pequenos atos e entender onde esses mesmos atos podem nos levar, certamente a experiência vai valer a pena!

Vale seu play!

Assista Agora

A Tragédia de Macbeth

A Tragédia de Macbeth

"A Tragédia de Macbeth" é um filmaço, mas não assista com sono!

Brincadeiras à parte, é preciso que se diga que essa produção original para a AppleTV+, com Denzel Washington eFrances McDormand, usa de uma linguagem cinematográfica extremamente poética para adaptar a obra de William Shakespeare, respeitando prioritariamente o seu texto - e quando pontuo esse elemento narrativo tão importante, coloco o roteiro, do também diretor Joel Coen, em um outro patamar, mesmo com uma linguagem clássica de difícil entendimento, mas que está completamente alinhada com uma fotografia deslumbrante do diretor Bruno Delbonnel (cinco vezes indicado ao Oscar, sendo a última por "A Hora mais Escura"), performances no limiar entre a impostação teatral (de corpo e voz) e a profundidade emocional do cinema, e ainda uma construção cênica incrivelmente criativa e dinâmica.

O filme conta a história de Macbeth (Denzel Washington), homem poderoso que é convencido por um trio de bruxas que se tornará o rei da Escócia. Essa visão porém, o toma pela ganância do poder. Rapidamente, o protagonista fica obcecado em fazer com que a profecia se torne realidade, mesmo que para isso ele tenha que eliminar todos aqueles se coloquem entre ele e o trono do seu país. Confira o trailer:

Veja, é bem possível que poucos se encantem com "A Tragédia de Macbeth". De fato o filme é difícil e, embora fabuloso visualmente, as escolhas estéticas e narrativas de Coen e Delbonnel tendem a afastar o, digamos, grande público - dadas as devidas diferenças, inclusive de gênero, se você não gostou de "O Farol", você não vai gostar de "A Tragédia de Macbeth". Ambos os filmes têm diálogos rebuscados, profundos e que aqui ainda carregam o peso do "inglês clássico shakesperiano". Cada linha dita pelos atores estão repletas de metáforas e referências de época, característica do texto do dramaturgo inglês, e brilhantemente preservado por Cohen. Ao dar o play, a tela da TV praticamente se transforma em uma janela para um palco teatral, em preto e branco e com um aspecto 4:3 (aquele quadrado de antigamente). Os ambientes onde as cenas acontecem vão se transformando durante as transições, como um jogo de luz (do teatro) e de imagem (do cinema) e praticamente não temos objetos de cena, mesmo em ambientes tão amplos e imponentes - o que acaba criando uma sensação de vazio avassalador, reparem.

Toda essa ambientação é só parte do contexto para uma história potente e muito bem adaptada. A sensação da existência de um “palco” é tão clara quanto importante para que o filme Coen se torne único - todas as filmagens foram feitas em estúdio, com cenários especialmente construídos para a produção, o que imediatamente nos remete a sensação de artificialidade e, acreditem, de claustrofobia e ansiedade. As soluções criativas do roteiro, como o mergulho nas mentes perturbadas do casal Macbeth e a relação dos personagens com as bruxas, dão exatamente o tom obscuro da obra - é como se víssemos um "Game of Thrones" mais adulto, depressivo, visceral!

"A Tragédia de Macbeth" é um filme impositivo, potente, poético ao extremo, verdadeiramente lindo e bem realizado. Tecnicamente perfeito! Artisticamente irretocável e muito criativo - mas não vai ganhar o Oscar de melhor do ano por ser um clássico, quase inacessível, de William Shakespeare. Uma pena! Embora inicialmente você perceba essa certa estranheza pelo texto rebuscado, logo a trama de traição vai ganhando corpo e nossa percepção vai se acostumando com todo aquele movimento estético. Por isso eu digo sem medo de errar: se você estiver disposto a enfrentar um texto pesado, sua experiência visual será inesquecível!

Vale muito a pena!

Assista Agora

"A Tragédia de Macbeth" é um filmaço, mas não assista com sono!

Brincadeiras à parte, é preciso que se diga que essa produção original para a AppleTV+, com Denzel Washington eFrances McDormand, usa de uma linguagem cinematográfica extremamente poética para adaptar a obra de William Shakespeare, respeitando prioritariamente o seu texto - e quando pontuo esse elemento narrativo tão importante, coloco o roteiro, do também diretor Joel Coen, em um outro patamar, mesmo com uma linguagem clássica de difícil entendimento, mas que está completamente alinhada com uma fotografia deslumbrante do diretor Bruno Delbonnel (cinco vezes indicado ao Oscar, sendo a última por "A Hora mais Escura"), performances no limiar entre a impostação teatral (de corpo e voz) e a profundidade emocional do cinema, e ainda uma construção cênica incrivelmente criativa e dinâmica.

O filme conta a história de Macbeth (Denzel Washington), homem poderoso que é convencido por um trio de bruxas que se tornará o rei da Escócia. Essa visão porém, o toma pela ganância do poder. Rapidamente, o protagonista fica obcecado em fazer com que a profecia se torne realidade, mesmo que para isso ele tenha que eliminar todos aqueles se coloquem entre ele e o trono do seu país. Confira o trailer:

Veja, é bem possível que poucos se encantem com "A Tragédia de Macbeth". De fato o filme é difícil e, embora fabuloso visualmente, as escolhas estéticas e narrativas de Coen e Delbonnel tendem a afastar o, digamos, grande público - dadas as devidas diferenças, inclusive de gênero, se você não gostou de "O Farol", você não vai gostar de "A Tragédia de Macbeth". Ambos os filmes têm diálogos rebuscados, profundos e que aqui ainda carregam o peso do "inglês clássico shakesperiano". Cada linha dita pelos atores estão repletas de metáforas e referências de época, característica do texto do dramaturgo inglês, e brilhantemente preservado por Cohen. Ao dar o play, a tela da TV praticamente se transforma em uma janela para um palco teatral, em preto e branco e com um aspecto 4:3 (aquele quadrado de antigamente). Os ambientes onde as cenas acontecem vão se transformando durante as transições, como um jogo de luz (do teatro) e de imagem (do cinema) e praticamente não temos objetos de cena, mesmo em ambientes tão amplos e imponentes - o que acaba criando uma sensação de vazio avassalador, reparem.

Toda essa ambientação é só parte do contexto para uma história potente e muito bem adaptada. A sensação da existência de um “palco” é tão clara quanto importante para que o filme Coen se torne único - todas as filmagens foram feitas em estúdio, com cenários especialmente construídos para a produção, o que imediatamente nos remete a sensação de artificialidade e, acreditem, de claustrofobia e ansiedade. As soluções criativas do roteiro, como o mergulho nas mentes perturbadas do casal Macbeth e a relação dos personagens com as bruxas, dão exatamente o tom obscuro da obra - é como se víssemos um "Game of Thrones" mais adulto, depressivo, visceral!

"A Tragédia de Macbeth" é um filme impositivo, potente, poético ao extremo, verdadeiramente lindo e bem realizado. Tecnicamente perfeito! Artisticamente irretocável e muito criativo - mas não vai ganhar o Oscar de melhor do ano por ser um clássico, quase inacessível, de William Shakespeare. Uma pena! Embora inicialmente você perceba essa certa estranheza pelo texto rebuscado, logo a trama de traição vai ganhando corpo e nossa percepção vai se acostumando com todo aquele movimento estético. Por isso eu digo sem medo de errar: se você estiver disposto a enfrentar um texto pesado, sua experiência visual será inesquecível!

Vale muito a pena!

Assista Agora

Azul é a cor mais quente

"La vie d'Adèle" (que internacionalmente recebeu o terrível título de "Azul é a cor mais quente") é excelente, embora seja, notavelmente, pesado!

Baseado em uma graphic novel francesa da autora Julie Maroh que a escreveu quando tinha 19 anos e levou cinco anos para terminar, o filme é uma bela história de amor, amadurecimento e se concentra nos primeiros anos da relação entre Adèle (Adèle Exarchopoulos), uma estudante que está descobrindo o sexo, e a pintora Emma (Léa Seydoux), poucos anos mais velha - sim, o filme, como o próprio nome original adianta, é sobre a vida de Adèle e nada mais, mas não se engane: o roteiro é cheio de camadas e tem uma profundidade impressionante! Confira o trailer:

O filme foi o vencedor da "Palme d'Or" em Cannes (2013) na categoria "Melhor Direção" e, pela primeira vez na história do Festival, o prêmio de "Melhor Atriz" foi dividido entre as duas protagonistas. De fato "Azul é a Cor Mais Quente" é muito bem dirigido pelo tunisiano Abdellatif Kechiche - ele usa e abusa dos planos fechados e foi capaz de tirar uma naturalidade impressionante com esse tipo de lente mais introspectiva, mesmo que as vezes possa nos chocar pela proximidade exagerada. As duas atrizes também estão simplesmente perfeitas, mas o trabalho de Adèle Exarchopoulos me chamou mais atenção - o papel dela é dificílimo e ela, além de corajosa, foi capaz de construir uma personagem com alma, intensa e delicada ao mesmo tempo. 

Olha, para quem gosta de filmes de relações esse filme é simplesmente imperdível, mas saiba que não se trata de uma história fácil, seu conceito narrativo é denso e o roteiro não alivia. Vale muito a pena - esse é um dos melhores filmes de 2013 com a mais absoluta certeza e só não foi mais longe em algumas premiações pela ousadia de algumas cenas.

PS: O filme levou mais de 80 prêmios enquanto fazia carreira por vários festivais do mundo em que foi selecionado!

Assista Agora

"La vie d'Adèle" (que internacionalmente recebeu o terrível título de "Azul é a cor mais quente") é excelente, embora seja, notavelmente, pesado!

Baseado em uma graphic novel francesa da autora Julie Maroh que a escreveu quando tinha 19 anos e levou cinco anos para terminar, o filme é uma bela história de amor, amadurecimento e se concentra nos primeiros anos da relação entre Adèle (Adèle Exarchopoulos), uma estudante que está descobrindo o sexo, e a pintora Emma (Léa Seydoux), poucos anos mais velha - sim, o filme, como o próprio nome original adianta, é sobre a vida de Adèle e nada mais, mas não se engane: o roteiro é cheio de camadas e tem uma profundidade impressionante! Confira o trailer:

O filme foi o vencedor da "Palme d'Or" em Cannes (2013) na categoria "Melhor Direção" e, pela primeira vez na história do Festival, o prêmio de "Melhor Atriz" foi dividido entre as duas protagonistas. De fato "Azul é a Cor Mais Quente" é muito bem dirigido pelo tunisiano Abdellatif Kechiche - ele usa e abusa dos planos fechados e foi capaz de tirar uma naturalidade impressionante com esse tipo de lente mais introspectiva, mesmo que as vezes possa nos chocar pela proximidade exagerada. As duas atrizes também estão simplesmente perfeitas, mas o trabalho de Adèle Exarchopoulos me chamou mais atenção - o papel dela é dificílimo e ela, além de corajosa, foi capaz de construir uma personagem com alma, intensa e delicada ao mesmo tempo. 

Olha, para quem gosta de filmes de relações esse filme é simplesmente imperdível, mas saiba que não se trata de uma história fácil, seu conceito narrativo é denso e o roteiro não alivia. Vale muito a pena - esse é um dos melhores filmes de 2013 com a mais absoluta certeza e só não foi mais longe em algumas premiações pela ousadia de algumas cenas.

PS: O filme levou mais de 80 prêmios enquanto fazia carreira por vários festivais do mundo em que foi selecionado!

Assista Agora

Boys State

Eu sou capaz de cravar que "Boys State" estará na disputa do próximo Oscar na categoria "Melhor Documentário"! Dito isso, é preciso ressaltar que o belíssimo trabalho do premiado diretor Jesse Moss e da sua parceira Amanda McBaine, traz um recorte bastante interessante do momento politico que vivemos no mundo, muitas vezes pautado no ataque em detrimento ao diálogo, com uma polarização que parece fazer mais sentido para muitos e onde os assuntos polêmicos, normalmente apoiados no extremismo, impactam fortemente nos resultados das urnas. Na verdade, "Boys State" trás para o debate a força da democracia como "fim", mas o que nos incomoda de verdade é o "meio" que as pessoas resolvem seguir - graças aos recentes péssimos exemplos que toda uma geração aprendeu a observar!

"Boys State" acompanha um programa de verão que funciona como uma espécie de preparação para uma nova geração de líderes políticos. Cada um desses eventos recebem centenas de alunos, todos indicados pelas suas escolas, e lá eles simulam todo o processo democrático americano, desde a formação de dois partidos até a eleição de um governador, seguindo exatamente as regras eleitorais do país. Confira o trailer:

Vencedor em festivais importantes como Sundance e South By Southwest em 2020, "Boys State" é, de fato, imperdível. Com uma dinâmica narrativa bastante interessante, fica impossível não se envolver com aquela disputa fictícia como se estivéssemos assistindo uma competição esportiva real - e como no esporte, a política envolve paixão e é incrível como "apenas" 1.200 jovens podem representar uma parcela bastante fiel da sociedade americana atual e isso é assustador! Olha, vale muito a pena, até para aquele que não faz tanta questão de refletir sobre o momento politico que muitos países estão vivendo!

Assista Agora ou

Eu sou capaz de cravar que "Boys State" estará na disputa do próximo Oscar na categoria "Melhor Documentário"! Dito isso, é preciso ressaltar que o belíssimo trabalho do premiado diretor Jesse Moss e da sua parceira Amanda McBaine, traz um recorte bastante interessante do momento politico que vivemos no mundo, muitas vezes pautado no ataque em detrimento ao diálogo, com uma polarização que parece fazer mais sentido para muitos e onde os assuntos polêmicos, normalmente apoiados no extremismo, impactam fortemente nos resultados das urnas. Na verdade, "Boys State" trás para o debate a força da democracia como "fim", mas o que nos incomoda de verdade é o "meio" que as pessoas resolvem seguir - graças aos recentes péssimos exemplos que toda uma geração aprendeu a observar!

"Boys State" acompanha um programa de verão que funciona como uma espécie de preparação para uma nova geração de líderes políticos. Cada um desses eventos recebem centenas de alunos, todos indicados pelas suas escolas, e lá eles simulam todo o processo democrático americano, desde a formação de dois partidos até a eleição de um governador, seguindo exatamente as regras eleitorais do país. Confira o trailer:

Vencedor em festivais importantes como Sundance e South By Southwest em 2020, "Boys State" é, de fato, imperdível. Com uma dinâmica narrativa bastante interessante, fica impossível não se envolver com aquela disputa fictícia como se estivéssemos assistindo uma competição esportiva real - e como no esporte, a política envolve paixão e é incrível como "apenas" 1.200 jovens podem representar uma parcela bastante fiel da sociedade americana atual e isso é assustador! Olha, vale muito a pena, até para aquele que não faz tanta questão de refletir sobre o momento politico que muitos países estão vivendo!

Assista Agora ou

Calls

"Calls" é uma das melhores séries de ficção científica que já assisti - e o que poderia ser apenas uma opinião pontual acaba ganhando muito peso quando definimos o que essa experiência audiovisual inovadora representa através de um conceito narrativo bastante antigo: "para que uma história seja uma boa história, ela precisa apenas ser sentida"! Mas como isso é possível? Simples, porém genial: em "Calls" o que interessa são os diálogos que ouvimos e não a ação que poderíamos ver -na tela, só assistimos algumas animações que pontuam criativamente uma conversa pelo telefone ou pelo celular. 

Essa série originalmente francesa foi criada porTimothée Hochet, teve sua versão americana adaptada pelo excelente diretor uruguaio Fede Álvarez (de "O Homem nas Trevas") para oApple TV+. Sem entrar em muitos detalhes para não estragar a experiência sensorial que é assistir "Calls", sua premissa é enganosamente simples, ou seja, em cada episódio (aparentemente independente) temos acesso as conversas telefônicas entre duas ou mais pessoas lidando com uma situação aparentemente casual, mas que vai ganhando contornos (literalmente) fantásticos, recheados de suspense e drama. Confira o trailer:

Antes de mais nada eu preciso dizer que "Calls" pode até causar um estranhamento inicial, mas se você gosta de ficção cientifica, não desista! É claro que o fato de não podermos assistir o que está sendo captado pelo áudio das ligações, naturalmente, nos gera certa ansiedade e angustia. Ao acreditar em uma experiência imersiva e sensorial como essa, só nos resta imaginar - como nos bons tempos da rádio e mais recentemente como alguns audiobooks ou podcasts recheados de stroytelling.

Os episódios de 15 minutos em média são extremamente bem dirigidos! Os atores são incríveis e aqui cabe um conselho: não assista dublado em hipótese alguma! No elenco temos ótimos atores como Aaron Taylor-Johnson,  Pedro Pascal, Aubrey Plaza, Mark Duplass, Rosario Dawson, Nick Jonas. Outro elemento técnico que salta aos olhos, ou melhor, "aos ouvidos", é o desenho de som e a mixagem da série - é o equilíbrio perfeito entre efeitos, trilha e voz! É impressionante como essa arte é levada para outro patamar com o objetivo claro de mexer com nossas sensações - e consegue!

Não se enganem: o diretor, todo elenco e as soluções técnicas e artísticas da série evitam que "Calls" possa ser classificada como um simples podcast ou ou até uma radionovela. As imagens que transitam entre o abstrato e o realismo tecnológico das ondas sonoras, de fato, contam ou ajudam a contar uma história extremamente bem construída e cheia de detalhes assustadores - mesmo sendo apenas retas, pontos e distorções, essas animações estão completamente alinhadas com o tom da narrativa e elas transformam a maneira com que vivenciamos todo mistério - é como se estivéssemos ouvindo a conversa alheia ou, por curiosidade, a caixa preta de uma avião antes de um acidente fatal! Emocionante e Angustiante, com o mesmo peso dramático!

Vale muito a pena: pela experiência, pela inovação e pela história bem amarrada!

Assista Agora

"Calls" é uma das melhores séries de ficção científica que já assisti - e o que poderia ser apenas uma opinião pontual acaba ganhando muito peso quando definimos o que essa experiência audiovisual inovadora representa através de um conceito narrativo bastante antigo: "para que uma história seja uma boa história, ela precisa apenas ser sentida"! Mas como isso é possível? Simples, porém genial: em "Calls" o que interessa são os diálogos que ouvimos e não a ação que poderíamos ver -na tela, só assistimos algumas animações que pontuam criativamente uma conversa pelo telefone ou pelo celular. 

Essa série originalmente francesa foi criada porTimothée Hochet, teve sua versão americana adaptada pelo excelente diretor uruguaio Fede Álvarez (de "O Homem nas Trevas") para oApple TV+. Sem entrar em muitos detalhes para não estragar a experiência sensorial que é assistir "Calls", sua premissa é enganosamente simples, ou seja, em cada episódio (aparentemente independente) temos acesso as conversas telefônicas entre duas ou mais pessoas lidando com uma situação aparentemente casual, mas que vai ganhando contornos (literalmente) fantásticos, recheados de suspense e drama. Confira o trailer:

Antes de mais nada eu preciso dizer que "Calls" pode até causar um estranhamento inicial, mas se você gosta de ficção cientifica, não desista! É claro que o fato de não podermos assistir o que está sendo captado pelo áudio das ligações, naturalmente, nos gera certa ansiedade e angustia. Ao acreditar em uma experiência imersiva e sensorial como essa, só nos resta imaginar - como nos bons tempos da rádio e mais recentemente como alguns audiobooks ou podcasts recheados de stroytelling.

Os episódios de 15 minutos em média são extremamente bem dirigidos! Os atores são incríveis e aqui cabe um conselho: não assista dublado em hipótese alguma! No elenco temos ótimos atores como Aaron Taylor-Johnson,  Pedro Pascal, Aubrey Plaza, Mark Duplass, Rosario Dawson, Nick Jonas. Outro elemento técnico que salta aos olhos, ou melhor, "aos ouvidos", é o desenho de som e a mixagem da série - é o equilíbrio perfeito entre efeitos, trilha e voz! É impressionante como essa arte é levada para outro patamar com o objetivo claro de mexer com nossas sensações - e consegue!

Não se enganem: o diretor, todo elenco e as soluções técnicas e artísticas da série evitam que "Calls" possa ser classificada como um simples podcast ou ou até uma radionovela. As imagens que transitam entre o abstrato e o realismo tecnológico das ondas sonoras, de fato, contam ou ajudam a contar uma história extremamente bem construída e cheia de detalhes assustadores - mesmo sendo apenas retas, pontos e distorções, essas animações estão completamente alinhadas com o tom da narrativa e elas transformam a maneira com que vivenciamos todo mistério - é como se estivéssemos ouvindo a conversa alheia ou, por curiosidade, a caixa preta de uma avião antes de um acidente fatal! Emocionante e Angustiante, com o mesmo peso dramático!

Vale muito a pena: pela experiência, pela inovação e pela história bem amarrada!

Assista Agora

Casa Gucci

"Casa Gucci" é um bom filme, mas poderia ser uma temporada sensacional de "American Crime Story", tranquilamente. Se você assistiu a série, vai entender o que estou afirmando: todos os elementos dramáticos da série estão no roteiro de Becky Johnston e Roberto Bentivegna, porém sem muito aprofundamento devido ao tempo limitado de tela. - embora o filme tenha mais que duas horas e meia. Justamente por isso, a trama oscila e se em muitos momentos nos envolvemos com uma dinâmica narrativa interessante e direta, em outros temos e exata sensação de muita pressa para chegar em determinado ponto da história. Veja, se na segunda temporada da série vimos o que aconteceu com Gianni Versace, sua relação familiar, profissional e até com seu assassino, aqui o conceito é exatamente o mesmo, mas com Maurizio Gucci e Patrizia Reggiani, cercados de dinheiro, fama, glamour, poder, traição e, óbvio, morte!

O filme acompanha a ambiciosa Patrizia Reggiani (Lady Gaga) e seu inesperado romance com Maurizio Gucci (Adam Driver). Eles se conhecem meio que por acaso, se apaixonam, se casam, e ela entra na dinâmica familiar, dona de uma das marcas mais luxuosas da Itália. Quando Patrizia percebe que os negócios da família não atraem Maurizio e vê que o verdadeiro poder está nas mãos de seu sogro, Rodolfo (Jeremy Irons), e do irmão dele, Aldo (Al Pacino), ela tenta ganhar a confiança de todos para que seu marido passe a ser considerado um nome forte dentro do império Gucci, já que o outro herdeiro, seu primo Paolo (Jared Leto), exala mediocridade. O problema é que Patrizia escolhe uma tática bastante arriscada para isso: colocar a família uns contra os outros - mas vida dá voltas e acaba cobrando seu preço. Confira o trailer:

Visualmente bellissimo, resultado da longa parceira entre o fotógrafo Dariusz Wolsk (Prometheus) e Ridley Scott, "Casa Gucci" convence ao estabelecer aquela atmosfera quase caótica que sempre envolveu a família Gucci - sinônimo de riqueza e opulência, característico dos anos 70 e 80, onde a Máfia impactava diretamente na herança cultural dos italianos vindos da Sicília. E de fato, alguns bons personagens do filme como Rodolfo (em mais um competente trabalho de Jeremy Irons) e Aldo (aquele Al Pacino que conhecemos) parecem ter acabado de sair de uma reunião da "Cosa Nostra".

É inegável também, que o elenco se sobressai em relação ao roteiro. Lady Gaga merece uma indicação ao Oscar pela sua Patrizia Reggiani e Jared Leto, com seu Paolo, vai chegar como fortíssimo concorrente nas premiações de 2022 - ele, irreconhecível, está impecável, além de funcionar como um essencial alívio cômico em muitos momentos. Adam Driver é outro que brilha, embora mais contido, seu personagem não exige tanto do seu talento. Outro ponto que merece sua atenção e muitos elogios, diz respeito a todo departamento de arte, do Desenho de Produção de Arthur Max (Gladiador) até o Figurino de Janty Yates (também de "Gladiador") - todos ganhadores ou indicados ao Oscar. A maquiagem, especialmente de Leto, também está um espetáculo e a trilha sonora que mistura da ópera ao pop americano, perfeita.

É até interessante como Ridley Scott impõe um certo estilo mais novelesco ao filme - existe um sotaque italiano que soa forçado e o próprio Jared Leto parece sempre estar um tom acima, exagerado. Essa escolha conceitual do diretor cria um certo clima familiar para a história e o roteiro se aproveita desse dramalhão que durou quase 30 anos para expor um recorte importante da sociedade da época que se baseava na ganância e no poder para forma de conquistar sua (falsa) felicidade. 

"Casa Gucci" é um filme sobre falsidade, que chega fácil, de uma forma divertida e equilibrando muito bem uma história interessante com um bom entretenimento. Vale a pena!

Assista Agora

"Casa Gucci" é um bom filme, mas poderia ser uma temporada sensacional de "American Crime Story", tranquilamente. Se você assistiu a série, vai entender o que estou afirmando: todos os elementos dramáticos da série estão no roteiro de Becky Johnston e Roberto Bentivegna, porém sem muito aprofundamento devido ao tempo limitado de tela. - embora o filme tenha mais que duas horas e meia. Justamente por isso, a trama oscila e se em muitos momentos nos envolvemos com uma dinâmica narrativa interessante e direta, em outros temos e exata sensação de muita pressa para chegar em determinado ponto da história. Veja, se na segunda temporada da série vimos o que aconteceu com Gianni Versace, sua relação familiar, profissional e até com seu assassino, aqui o conceito é exatamente o mesmo, mas com Maurizio Gucci e Patrizia Reggiani, cercados de dinheiro, fama, glamour, poder, traição e, óbvio, morte!

O filme acompanha a ambiciosa Patrizia Reggiani (Lady Gaga) e seu inesperado romance com Maurizio Gucci (Adam Driver). Eles se conhecem meio que por acaso, se apaixonam, se casam, e ela entra na dinâmica familiar, dona de uma das marcas mais luxuosas da Itália. Quando Patrizia percebe que os negócios da família não atraem Maurizio e vê que o verdadeiro poder está nas mãos de seu sogro, Rodolfo (Jeremy Irons), e do irmão dele, Aldo (Al Pacino), ela tenta ganhar a confiança de todos para que seu marido passe a ser considerado um nome forte dentro do império Gucci, já que o outro herdeiro, seu primo Paolo (Jared Leto), exala mediocridade. O problema é que Patrizia escolhe uma tática bastante arriscada para isso: colocar a família uns contra os outros - mas vida dá voltas e acaba cobrando seu preço. Confira o trailer:

Visualmente bellissimo, resultado da longa parceira entre o fotógrafo Dariusz Wolsk (Prometheus) e Ridley Scott, "Casa Gucci" convence ao estabelecer aquela atmosfera quase caótica que sempre envolveu a família Gucci - sinônimo de riqueza e opulência, característico dos anos 70 e 80, onde a Máfia impactava diretamente na herança cultural dos italianos vindos da Sicília. E de fato, alguns bons personagens do filme como Rodolfo (em mais um competente trabalho de Jeremy Irons) e Aldo (aquele Al Pacino que conhecemos) parecem ter acabado de sair de uma reunião da "Cosa Nostra".

É inegável também, que o elenco se sobressai em relação ao roteiro. Lady Gaga merece uma indicação ao Oscar pela sua Patrizia Reggiani e Jared Leto, com seu Paolo, vai chegar como fortíssimo concorrente nas premiações de 2022 - ele, irreconhecível, está impecável, além de funcionar como um essencial alívio cômico em muitos momentos. Adam Driver é outro que brilha, embora mais contido, seu personagem não exige tanto do seu talento. Outro ponto que merece sua atenção e muitos elogios, diz respeito a todo departamento de arte, do Desenho de Produção de Arthur Max (Gladiador) até o Figurino de Janty Yates (também de "Gladiador") - todos ganhadores ou indicados ao Oscar. A maquiagem, especialmente de Leto, também está um espetáculo e a trilha sonora que mistura da ópera ao pop americano, perfeita.

É até interessante como Ridley Scott impõe um certo estilo mais novelesco ao filme - existe um sotaque italiano que soa forçado e o próprio Jared Leto parece sempre estar um tom acima, exagerado. Essa escolha conceitual do diretor cria um certo clima familiar para a história e o roteiro se aproveita desse dramalhão que durou quase 30 anos para expor um recorte importante da sociedade da época que se baseava na ganância e no poder para forma de conquistar sua (falsa) felicidade. 

"Casa Gucci" é um filme sobre falsidade, que chega fácil, de uma forma divertida e equilibrando muito bem uma história interessante com um bom entretenimento. Vale a pena!

Assista Agora

Cherry

"Cherry - Inocência Perdida", novo filme dos irmão Russo para o AppleTV+, vem dividindo opiniões graças a quantidade enorme de elementos que os diretores Anthony e Joe escolheram para compor, tanto o conceito visual como o narrativo. Eu, pessoalmente, gostei muito do filme - especialmente do trabalho do Tom Holland que desde "O diabo de cada dia"vem se mostrando cada vez mais maduro e consciente do seu talento.

O fato é que "Cherry" não é linear como obra, sua cadência varia muito entre os "capítulos" (cinco no total + prólogo e epílogo) que pontuam a jornada do protagonista e, talvez por isso, tenha encontrado ainda mais resistência - acho até que se o filme tivesse poucas intervenções gráficas e vinte minutos a menos, tirando um epílogo completamente dispensável, a percepção pudesse até ser outra - e aqui estou falando de percepção mesmo, porque o filme está longe de ser ruim como vou explicar abaixo.

Holland é Cherry (algo como "cabaço" - em um jogo de palavras também usado para definir alguém fraco de cabeça e de postura perante a vida) é um jovem americano que se alista no Exército depois que sua namorada resolve estudar no Canadá apenas para se afastar dele. Nessa mistura entre o luto emocional e a busca por um novo propósito, Cherry acaba descobrindo o horror na Guerra do Iraque e seus terríveis reflexos pós-traumáticos. Essa ruína física e mental culmina em um profundo vicio, primeiro em remédios contra a ansiedade e depois em heroína, transformando sua vida em um verdadeiro caos - uma bola de neve que mistura drogas, crimes e solidão. Confira o trailer:

Primeiro a quebra da quarta parede (aquele artifício narrativo onde o personagem fala diretamente para câmera, no meio da ação, quase como um confidente para quem assiste - tão bem utilizada por Frank Underwood de "House of Cards", diga-se de passagem) e depois muita narração em off, passam a impressão de um filme com muita identidade logo de cara. O problema é que identidade demais pode ter justamente o efeito contrário e os irmão Russo sentem isso na pele ao se perderem em decisões um pouco ingênuas e na necessidade de ganhar dinâmica reproduzindo uma estética de videoclipe dos anos 90. O curioso, porém, é que o trabalho dos irmãos no set é irretocável! Tanto a direção de cena como na de atores, eles merecem muitos elogios - eles entregam um filme muito bonito, bem fotografado e com personagens interessantes! Aliás, não é só o Tom Holland (esse digno de Oscar) que está voando, destaco também o trabalho da ótima Ciara Bravo (como Emily).

Misturando vários gêneros, muitos sem nenhuma conexão, que vão do romance ao drama de guerra, "Cherry - Inocência Perdida" é um filme (propositalmente) caótico que cobre um período gigantesco da vida de um personagem bem complexo, um homem que definha por conta do sistema que ele claramente não estava preparado para lidar, sem nenhum apoio, e que é incapaz de encontrar uma oportunidade para tentar sair desse caos que ele mesmo entrou - mais ou menos como aconteceu com os irmão Russo na direção tentando ser os irmãos Cohen.

Eu recomendo "Cherry", é ótimo entretenimento, uma produção de extrema qualidade técnica e que tem um trabalho que chancela Tom Holland como um grande ator; mas aquele potencial de Oscar que tanto se comentou, pode até ter pesado no final - exatamente como aconteceu com "Malcolm e Marie".

Vale muito o play, mesmo assim.

Assista Agora

"Cherry - Inocência Perdida", novo filme dos irmão Russo para o AppleTV+, vem dividindo opiniões graças a quantidade enorme de elementos que os diretores Anthony e Joe escolheram para compor, tanto o conceito visual como o narrativo. Eu, pessoalmente, gostei muito do filme - especialmente do trabalho do Tom Holland que desde "O diabo de cada dia"vem se mostrando cada vez mais maduro e consciente do seu talento.

O fato é que "Cherry" não é linear como obra, sua cadência varia muito entre os "capítulos" (cinco no total + prólogo e epílogo) que pontuam a jornada do protagonista e, talvez por isso, tenha encontrado ainda mais resistência - acho até que se o filme tivesse poucas intervenções gráficas e vinte minutos a menos, tirando um epílogo completamente dispensável, a percepção pudesse até ser outra - e aqui estou falando de percepção mesmo, porque o filme está longe de ser ruim como vou explicar abaixo.

Holland é Cherry (algo como "cabaço" - em um jogo de palavras também usado para definir alguém fraco de cabeça e de postura perante a vida) é um jovem americano que se alista no Exército depois que sua namorada resolve estudar no Canadá apenas para se afastar dele. Nessa mistura entre o luto emocional e a busca por um novo propósito, Cherry acaba descobrindo o horror na Guerra do Iraque e seus terríveis reflexos pós-traumáticos. Essa ruína física e mental culmina em um profundo vicio, primeiro em remédios contra a ansiedade e depois em heroína, transformando sua vida em um verdadeiro caos - uma bola de neve que mistura drogas, crimes e solidão. Confira o trailer:

Primeiro a quebra da quarta parede (aquele artifício narrativo onde o personagem fala diretamente para câmera, no meio da ação, quase como um confidente para quem assiste - tão bem utilizada por Frank Underwood de "House of Cards", diga-se de passagem) e depois muita narração em off, passam a impressão de um filme com muita identidade logo de cara. O problema é que identidade demais pode ter justamente o efeito contrário e os irmão Russo sentem isso na pele ao se perderem em decisões um pouco ingênuas e na necessidade de ganhar dinâmica reproduzindo uma estética de videoclipe dos anos 90. O curioso, porém, é que o trabalho dos irmãos no set é irretocável! Tanto a direção de cena como na de atores, eles merecem muitos elogios - eles entregam um filme muito bonito, bem fotografado e com personagens interessantes! Aliás, não é só o Tom Holland (esse digno de Oscar) que está voando, destaco também o trabalho da ótima Ciara Bravo (como Emily).

Misturando vários gêneros, muitos sem nenhuma conexão, que vão do romance ao drama de guerra, "Cherry - Inocência Perdida" é um filme (propositalmente) caótico que cobre um período gigantesco da vida de um personagem bem complexo, um homem que definha por conta do sistema que ele claramente não estava preparado para lidar, sem nenhum apoio, e que é incapaz de encontrar uma oportunidade para tentar sair desse caos que ele mesmo entrou - mais ou menos como aconteceu com os irmão Russo na direção tentando ser os irmãos Cohen.

Eu recomendo "Cherry", é ótimo entretenimento, uma produção de extrema qualidade técnica e que tem um trabalho que chancela Tom Holland como um grande ator; mas aquele potencial de Oscar que tanto se comentou, pode até ter pesado no final - exatamente como aconteceu com "Malcolm e Marie".

Vale muito o play, mesmo assim.

Assista Agora

Corra

"Get Out" (título original) talvez seja o maior exemplo recente de um marketing mal feito: o cartaz e o nome em português, "Corra", devem ter afastado muita gente (inclusive eu), o que é uma pena porque o filme é muito mais do que aquela estrutura superficial de humor negro que foi apresentada.

Chris (Daniel Kaluuya) e Rose (Allison Williams) são namorados há já algum tempo. Com o evoluir da relação, ela acha que chegou o momento de apresentar o namorado para os pais, Missy (Catherine Keener) e Dean (Bradley Whitford). Ela, então, resolve convidá-lo para uma reunião familiar que todos os anos os pais organizam em sua casa, numa zona rural dos EUA. Apesar de alguma relutância por parte de Chris, Rose acha que não há a menor necessidade de avisar seus pais, que ela considera cultos e esclarecidos, o fato de que ele é negro. Quando chegam ao evento, apesar de toda a simpatia com que é tratado, Chris percebe que algo de muito estranho se passa naquela casa e com aqueles convidados. Quando ele resolve fugir daquele ambiente bizarro e um pouco claustrofóbico, percebe que ninguém está interessado em deixá-lo partir e isso é só o começo de uma longa jornada. Confira o trailer:

"Corra" é muito bem dirigido pelo excelente Jordan Peele que estreia na função - ele foi capaz que trazer muito de um conceito que estava em alta na época: um suspense independente com um roteiro bem inteligente, cheio de críticas sociais e ideológicas e com momentos completamente non-sense. De fato, Jordan Peele representou muito bem uma nova geração de diretores e roteiristas de gênero que estão bombando atualmente!

O filme foi muito bem de publico, não nos patamares de "Bruxa de Blair" como muita gente falou, mas teve um lucro de respeito: custou 5 milhões de dólares e já faturou quase 250 milhões - foi um bom investimento ou não? O filme tem um roteiro muito bem estruturado, com bons plots e muito, mas muito, criativo - o que lhe rendeu o Oscar de Melhor Roteiro Original em 2018.

"Corra" é um suspense muito bem realizado, sai do lugar comum, passa sua mensagem sem parecer enfadonho e para quem gosta do gênero, é uma ótima pedida! Vale seu play tranquilamente!

Assista Agora

"Get Out" (título original) talvez seja o maior exemplo recente de um marketing mal feito: o cartaz e o nome em português, "Corra", devem ter afastado muita gente (inclusive eu), o que é uma pena porque o filme é muito mais do que aquela estrutura superficial de humor negro que foi apresentada.

Chris (Daniel Kaluuya) e Rose (Allison Williams) são namorados há já algum tempo. Com o evoluir da relação, ela acha que chegou o momento de apresentar o namorado para os pais, Missy (Catherine Keener) e Dean (Bradley Whitford). Ela, então, resolve convidá-lo para uma reunião familiar que todos os anos os pais organizam em sua casa, numa zona rural dos EUA. Apesar de alguma relutância por parte de Chris, Rose acha que não há a menor necessidade de avisar seus pais, que ela considera cultos e esclarecidos, o fato de que ele é negro. Quando chegam ao evento, apesar de toda a simpatia com que é tratado, Chris percebe que algo de muito estranho se passa naquela casa e com aqueles convidados. Quando ele resolve fugir daquele ambiente bizarro e um pouco claustrofóbico, percebe que ninguém está interessado em deixá-lo partir e isso é só o começo de uma longa jornada. Confira o trailer:

"Corra" é muito bem dirigido pelo excelente Jordan Peele que estreia na função - ele foi capaz que trazer muito de um conceito que estava em alta na época: um suspense independente com um roteiro bem inteligente, cheio de críticas sociais e ideológicas e com momentos completamente non-sense. De fato, Jordan Peele representou muito bem uma nova geração de diretores e roteiristas de gênero que estão bombando atualmente!

O filme foi muito bem de publico, não nos patamares de "Bruxa de Blair" como muita gente falou, mas teve um lucro de respeito: custou 5 milhões de dólares e já faturou quase 250 milhões - foi um bom investimento ou não? O filme tem um roteiro muito bem estruturado, com bons plots e muito, mas muito, criativo - o que lhe rendeu o Oscar de Melhor Roteiro Original em 2018.

"Corra" é um suspense muito bem realizado, sai do lugar comum, passa sua mensagem sem parecer enfadonho e para quem gosta do gênero, é uma ótima pedida! Vale seu play tranquilamente!

Assista Agora

Depois da Festa

"Depois da Festa", produção original da Apple, é muito divertida e, sem a menor dúvida, veio para beber na mesma fonte de "Only Murders in the Building"- na sua forma e no seu conteúdo. Embora sejam histórias completamente diferentes, a série parte do mesmo principio: um assassinato onde todos são suspeitos (conteúdo). Misturando comédia com investigação (forma), "Depois da Festa" usa um conceito narrativo muito interessante: cada um dos interrogados conta sua versão da história respeitando as características de um determinado gênero de TV ou do cinema, criando uma dinâmica surpreendentemente criativa que vai do suspense à animação.

Na história acompanhamos a detetive Danner (Tiffany Haddish) que é chamada para investigar o assassinato do astro pop, Xavier (Dave Franco), morto em sua mansão durante uma festa entre amigos realizada após um evento de reencontro de 15 anos da sua turma do colégio. Confira o trailer:

Criada por Chris Miller, mente por trás do sucesso "Homem-Aranha no Aranhaverso"(2018), "Depois da Festa" agrada logo de cara, com sacadas muito bem inseridas no roteiro e com uma proposta narrativa das mais interessantes. O sucesso foi tão grande que mesmo antes do aguardado final da primeira temporada, a Apple já havia dado o sinal verde para uma segunda e confirmado o retorno de Haddish como detetive Danner para tentar desvendar o mistério de outro caso.

Veja, em um primeiro momento você pode até estranhar a forma como a história está sendo contada, com alguns erros de continuidade grosseiros e um certo descompasso entre os personagens e a trama que movimenta a história, porém logo percebemos que tudo isso faz parte da proposta - afinal as histórias são contadas pelo ponto de vista de quem viveu aquilo tudo e isso lhe dá o direito de construir a sua versão dos fatos, mesmo que soe fantasioso demais. A mudança de gênero que cada personagem escolhe para contar essa sua versão colabora para uma experiência única: o de tentar encontrar o assassino com as peças que nos são mostradas - e não se engane, essa peças são mostradas em todo momento, então preste muita atenção - o último episódio, inclusive, faz uso de uma montagem sensacional para nos provar que "quase" tudo foi realmente mostrado antes.

"The AfterParty" (no original) tem o mistério, ao melhor estilo "quem matou?", na sua essência, mas é durante a jornada que a série brilha (e brilha muito). Até o sétimo episódio, o mais fraco na minha opinião e que conta a história da detetive Danner, tem conexão com o arco central e se justifica logo no episódio seguinte. Esse cuidado em amarrar todas as pontas é uma aula de planejamento narrativo e faz de toda série imperdível - é impossível não ficar ansioso para conhecer as próximas pistas e assim construir a sua própria versão para o caso! Olha, se comentei no review de "Only Murders in the Building" que ao lado de "Ted Lasso" e "O Método Kominsky", aquela tinha sido a série que mais trouxe um frescor narrativo nos últimos anos, fico muito a vontade em adicionar mais um título nessa prateleira: "Depois da Festa"!

Vale muito o seu play!

Assista Agora

"Depois da Festa", produção original da Apple, é muito divertida e, sem a menor dúvida, veio para beber na mesma fonte de "Only Murders in the Building"- na sua forma e no seu conteúdo. Embora sejam histórias completamente diferentes, a série parte do mesmo principio: um assassinato onde todos são suspeitos (conteúdo). Misturando comédia com investigação (forma), "Depois da Festa" usa um conceito narrativo muito interessante: cada um dos interrogados conta sua versão da história respeitando as características de um determinado gênero de TV ou do cinema, criando uma dinâmica surpreendentemente criativa que vai do suspense à animação.

Na história acompanhamos a detetive Danner (Tiffany Haddish) que é chamada para investigar o assassinato do astro pop, Xavier (Dave Franco), morto em sua mansão durante uma festa entre amigos realizada após um evento de reencontro de 15 anos da sua turma do colégio. Confira o trailer:

Criada por Chris Miller, mente por trás do sucesso "Homem-Aranha no Aranhaverso"(2018), "Depois da Festa" agrada logo de cara, com sacadas muito bem inseridas no roteiro e com uma proposta narrativa das mais interessantes. O sucesso foi tão grande que mesmo antes do aguardado final da primeira temporada, a Apple já havia dado o sinal verde para uma segunda e confirmado o retorno de Haddish como detetive Danner para tentar desvendar o mistério de outro caso.

Veja, em um primeiro momento você pode até estranhar a forma como a história está sendo contada, com alguns erros de continuidade grosseiros e um certo descompasso entre os personagens e a trama que movimenta a história, porém logo percebemos que tudo isso faz parte da proposta - afinal as histórias são contadas pelo ponto de vista de quem viveu aquilo tudo e isso lhe dá o direito de construir a sua versão dos fatos, mesmo que soe fantasioso demais. A mudança de gênero que cada personagem escolhe para contar essa sua versão colabora para uma experiência única: o de tentar encontrar o assassino com as peças que nos são mostradas - e não se engane, essa peças são mostradas em todo momento, então preste muita atenção - o último episódio, inclusive, faz uso de uma montagem sensacional para nos provar que "quase" tudo foi realmente mostrado antes.

"The AfterParty" (no original) tem o mistério, ao melhor estilo "quem matou?", na sua essência, mas é durante a jornada que a série brilha (e brilha muito). Até o sétimo episódio, o mais fraco na minha opinião e que conta a história da detetive Danner, tem conexão com o arco central e se justifica logo no episódio seguinte. Esse cuidado em amarrar todas as pontas é uma aula de planejamento narrativo e faz de toda série imperdível - é impossível não ficar ansioso para conhecer as próximas pistas e assim construir a sua própria versão para o caso! Olha, se comentei no review de "Only Murders in the Building" que ao lado de "Ted Lasso" e "O Método Kominsky", aquela tinha sido a série que mais trouxe um frescor narrativo nos últimos anos, fico muito a vontade em adicionar mais um título nessa prateleira: "Depois da Festa"!

Vale muito o seu play!

Assista Agora

Em defesa de Jacob

É preciso entender que a AppleTV+ está apenas no começo da sua jornada e talvez por isso eu fique muito tranquilo em afirmar: de tudo que assisti até agora no serviço de streaming da Apple, "Em defesa de Jacob" é disparado o melhor titulo - não que os outros sejam ruins, mas essa minissérie é impecável, no seu roteiro, na sua produção e no seu elenco! 

Baseada no livro de 2012 do americano William Landay, "Em Defesa de Jacob" conta a história do promotor Andy Barber (Chris Evans), um homem que acreditava ter uma vida perfeita ao lado de sua esposa Laurie (Michelle Dockery) e do filho Jacob (Jaeden Martell). Porém quando Barber é escalado para investigar o assassinato de um adolescente de 14 anos que foi encontrado esfaqueado em um parque da pequena cidade de Massachusetts onde moram, ele começa a enfrentar um verdadeiro pesadelo. O garoto estudava com seu filho que, pouco tempo depois, passa a ser apontado como o principal suspeito de ter cometido o crime. A partir daí, a vida da família Barber vira de ponta-cabeça, sua intimidade é completamente exposta, a repercussão da acusação destrói seu convívio social e a dúvida sobre o que realmente aconteceu transforma a relação entre eles em um verdadeiro jogo de verdades e mentiras! Confira o trailer:

Antes de seguir, eu preciso dizer que "Em Defesa de Jacob" já começa genial pelo duplo sentido do seu título - isso só ficará claro no último episódio, porém o que você vai assistir nos outros sete que compõem a minissérie, é uma história dinâmica que, mesmo com algumas escolhas óbvias, nos mantém envolvidos e cheio de dúvidas sobre os fatos que levaram o crime ser cometido e sobre quem cometeu! É um verdadeiro exercício de adivinhação constante, mas que o roteiro insiste em nos afastar da solução a cada nova descoberta! Olha, vale muito a pena mesmo, entretenimento de primeira linha, nível HBO, mas na AppleTV+!

Assista Agora ou

É preciso entender que a AppleTV+ está apenas no começo da sua jornada e talvez por isso eu fique muito tranquilo em afirmar: de tudo que assisti até agora no serviço de streaming da Apple, "Em defesa de Jacob" é disparado o melhor titulo - não que os outros sejam ruins, mas essa minissérie é impecável, no seu roteiro, na sua produção e no seu elenco! 

Baseada no livro de 2012 do americano William Landay, "Em Defesa de Jacob" conta a história do promotor Andy Barber (Chris Evans), um homem que acreditava ter uma vida perfeita ao lado de sua esposa Laurie (Michelle Dockery) e do filho Jacob (Jaeden Martell). Porém quando Barber é escalado para investigar o assassinato de um adolescente de 14 anos que foi encontrado esfaqueado em um parque da pequena cidade de Massachusetts onde moram, ele começa a enfrentar um verdadeiro pesadelo. O garoto estudava com seu filho que, pouco tempo depois, passa a ser apontado como o principal suspeito de ter cometido o crime. A partir daí, a vida da família Barber vira de ponta-cabeça, sua intimidade é completamente exposta, a repercussão da acusação destrói seu convívio social e a dúvida sobre o que realmente aconteceu transforma a relação entre eles em um verdadeiro jogo de verdades e mentiras! Confira o trailer:

Antes de seguir, eu preciso dizer que "Em Defesa de Jacob" já começa genial pelo duplo sentido do seu título - isso só ficará claro no último episódio, porém o que você vai assistir nos outros sete que compõem a minissérie, é uma história dinâmica que, mesmo com algumas escolhas óbvias, nos mantém envolvidos e cheio de dúvidas sobre os fatos que levaram o crime ser cometido e sobre quem cometeu! É um verdadeiro exercício de adivinhação constante, mas que o roteiro insiste em nos afastar da solução a cada nova descoberta! Olha, vale muito a pena mesmo, entretenimento de primeira linha, nível HBO, mas na AppleTV+!

Assista Agora ou

Em Pedaços

"Em Pedaços" conta a história de Katia Sekerci (Diane Kruger), uma alemã que leva uma vida normal ao lado do marido turco Nuri (Numan Acar), e do filho de 7 anos. Certo dia, ela é surpreendida ao descobrir que ambos morreram devido a uma bomba colocada na frente do escritório do marido. Desesperada, Katia decide lutar por justiça ao descobrir que os responsáveis foram integrantes de um grupo neonazista. Veja o trailer:

Olha, "In the Fade" foi o vencedor do Golden Globe de 2018, foi indicado ao Palme d'Or e vencedor da categoria melhor atriz com Diane Kruger em Cannes. Sério, o filme é imperdível! Tenso do começo ao fim, é extremamente bem dirigido pelo alemão com descendência turca Fatih Akin, e tem um roteiro redondinho. Chega ser inacreditável que a Diane Kruger não tenha sido indicada ao Oscar de 2008 - ela está perfeita no filme!

A experiência de assistir esse filme sem saber muito sobre ele, é única!!! Faça isso que você não vai se arrepender!

Assista Agora

"Em Pedaços" conta a história de Katia Sekerci (Diane Kruger), uma alemã que leva uma vida normal ao lado do marido turco Nuri (Numan Acar), e do filho de 7 anos. Certo dia, ela é surpreendida ao descobrir que ambos morreram devido a uma bomba colocada na frente do escritório do marido. Desesperada, Katia decide lutar por justiça ao descobrir que os responsáveis foram integrantes de um grupo neonazista. Veja o trailer:

Olha, "In the Fade" foi o vencedor do Golden Globe de 2018, foi indicado ao Palme d'Or e vencedor da categoria melhor atriz com Diane Kruger em Cannes. Sério, o filme é imperdível! Tenso do começo ao fim, é extremamente bem dirigido pelo alemão com descendência turca Fatih Akin, e tem um roteiro redondinho. Chega ser inacreditável que a Diane Kruger não tenha sido indicada ao Oscar de 2008 - ela está perfeita no filme!

A experiência de assistir esse filme sem saber muito sobre ele, é única!!! Faça isso que você não vai se arrepender!

Assista Agora

Encontros

"Encontros", novo filme do diretor francês Cédric Klapisch (Paris) parece um drama mais profundo sobre relações (ou a falta delas) ao melhor estilo "Encontros e Desencontros", mas no final não passa de uma comédia romântica com pitadas de drama, tipo "La délicatesse" ("A Delicadeza do Amor") - não que isso seja ruim, muito pelo contrário, acho que até funcionou, mas é preciso assistir preparado para não se decepcionar.

O filme conta a história de Mélanie (Ana Girardot), uma jovem de 30 anos que se apoia em um app de encontros para superar a solidão após o termino do seu mais recente relacionamento e, principalmente, por ter se distanciado tanto da sua família, ou melhor, da sua mãe que mora em uma outra cidade. Já Rémi (François Civil) carrega a dor de uma perda pessoal e está passando por uma transição profissional pouco inspiradora. Sua enorme dificuldade com o sono o coloca em um estado depressivo que dificulta seus relacionamentos - ele também vive sozinho! O interessante é que Mélanie e Rémi são vizinhos, frequentam o mesmo mercado, tem horários parecidos, mas nunca se conheceram! É nesse contexto que "Encontros" acompanha a vida desses dois jovens tão próximos geograficamente, mas tão distantes fisicamente. Suas histórias são contatadas de forma independente, mostrando os dois juntos apenas nos desencontros pontuais e deixando claro que, "sim", eles vão se encontrar e se conhecer em algum momento, mas que isso na verdade não é o mais importante e sim a jornada de auto-conhecimento que os dois estão passando para poder seguir seus respectivos caminhos - juntos ou separados.

Assista Agora ou

"Encontros", novo filme do diretor francês Cédric Klapisch (Paris) parece um drama mais profundo sobre relações (ou a falta delas) ao melhor estilo "Encontros e Desencontros", mas no final não passa de uma comédia romântica com pitadas de drama, tipo "La délicatesse" ("A Delicadeza do Amor") - não que isso seja ruim, muito pelo contrário, acho que até funcionou, mas é preciso assistir preparado para não se decepcionar.

O filme conta a história de Mélanie (Ana Girardot), uma jovem de 30 anos que se apoia em um app de encontros para superar a solidão após o termino do seu mais recente relacionamento e, principalmente, por ter se distanciado tanto da sua família, ou melhor, da sua mãe que mora em uma outra cidade. Já Rémi (François Civil) carrega a dor de uma perda pessoal e está passando por uma transição profissional pouco inspiradora. Sua enorme dificuldade com o sono o coloca em um estado depressivo que dificulta seus relacionamentos - ele também vive sozinho! O interessante é que Mélanie e Rémi são vizinhos, frequentam o mesmo mercado, tem horários parecidos, mas nunca se conheceram! É nesse contexto que "Encontros" acompanha a vida desses dois jovens tão próximos geograficamente, mas tão distantes fisicamente. Suas histórias são contatadas de forma independente, mostrando os dois juntos apenas nos desencontros pontuais e deixando claro que, "sim", eles vão se encontrar e se conhecer em algum momento, mas que isso na verdade não é o mais importante e sim a jornada de auto-conhecimento que os dois estão passando para poder seguir seus respectivos caminhos - juntos ou separados.

Assista Agora ou

Eu, Tonya

"Eu, Tonya" acompanha a vida da ex-patinadora no gelo Tonya Harding. Durante a década de 1990, ela conseguiu superar sua infância pobre e surgir como uma verdadeira campeã no campeonato nacional americano e ainda conquistar a medalha de prata no Campeonato Mundial de 1991. Porém, ela ficou realmente conhecida quando seu marido, Jeff Gilloly, e dois "supostos" ladrões tentaram incapacitar uma de suas principais adversárias, Nancy Kerrigan (Caitlin Carver) quebrando a perna dela durante a preparação para as Olimpíadas de Inverno na Noruega em 1994.

Eu gostei muito do filme, muito mesmo! Talvez porque eu me lembrar perfeitamente do que aconteceu na época e como aquilo tomou conta da mídia (ao melhor estilo O.J. Simpson). O diretor Craig Gillespie foi capaz de fazer um filme biográfico com muita inteligência. Usou de vários artifícios narrativos para costurar a história desde de Tonya ainda criança até a sua apresentação nas Olimpíadas de Inverno aos 23 anos de idade. Ele brincou com as mídias da época, usou vários recursos estéticos e narrativos com total equilíbrio e propriedade. O filme tem alguns planos sequências belíssimos. Ele fez uma espécie de "Cisne Negro" no gelo - aplicou o conceito que o Aronofsky usou na dança para dar a leveza e o movimento das apresentações no gelo e ficou lindo!!! Margot Robbie mais uma vez provou ser uma ótima atriz e não fosse pelo show da Frances McDormand, seria minha favorita para o Oscar 2018! Ela é linda e estava completamente desconstruída para o papel - demais!!! Allison Janney vai levar melhor atriz coadjuvante - pode me cobrar!!! Grande trabalho!!! O trabalho de montagem, terceira e última indicação, também é muito bom, mas acho que não vai levar!!!

Olha, grande filme - acho até um pecado não estar entre os 9 finalistas!!! Vale muito seu play!

Up-date: "Eu, Tonya"ganhou em uma categorias no Oscar 2018: Melhor Atriz Coadjuvante!

Assista Agora

"Eu, Tonya" acompanha a vida da ex-patinadora no gelo Tonya Harding. Durante a década de 1990, ela conseguiu superar sua infância pobre e surgir como uma verdadeira campeã no campeonato nacional americano e ainda conquistar a medalha de prata no Campeonato Mundial de 1991. Porém, ela ficou realmente conhecida quando seu marido, Jeff Gilloly, e dois "supostos" ladrões tentaram incapacitar uma de suas principais adversárias, Nancy Kerrigan (Caitlin Carver) quebrando a perna dela durante a preparação para as Olimpíadas de Inverno na Noruega em 1994.

Eu gostei muito do filme, muito mesmo! Talvez porque eu me lembrar perfeitamente do que aconteceu na época e como aquilo tomou conta da mídia (ao melhor estilo O.J. Simpson). O diretor Craig Gillespie foi capaz de fazer um filme biográfico com muita inteligência. Usou de vários artifícios narrativos para costurar a história desde de Tonya ainda criança até a sua apresentação nas Olimpíadas de Inverno aos 23 anos de idade. Ele brincou com as mídias da época, usou vários recursos estéticos e narrativos com total equilíbrio e propriedade. O filme tem alguns planos sequências belíssimos. Ele fez uma espécie de "Cisne Negro" no gelo - aplicou o conceito que o Aronofsky usou na dança para dar a leveza e o movimento das apresentações no gelo e ficou lindo!!! Margot Robbie mais uma vez provou ser uma ótima atriz e não fosse pelo show da Frances McDormand, seria minha favorita para o Oscar 2018! Ela é linda e estava completamente desconstruída para o papel - demais!!! Allison Janney vai levar melhor atriz coadjuvante - pode me cobrar!!! Grande trabalho!!! O trabalho de montagem, terceira e última indicação, também é muito bom, mas acho que não vai levar!!!

Olha, grande filme - acho até um pecado não estar entre os 9 finalistas!!! Vale muito seu play!

Up-date: "Eu, Tonya"ganhou em uma categorias no Oscar 2018: Melhor Atriz Coadjuvante!

Assista Agora

Ferrugem e Osso

"Ferrugem e Osso" é uma adaptação do livro homónimo do canadense Craig Davidson. Ele foi um filme premiadíssimo na temporada de 2012 em vários festivais importantes e que rendeu a indicação de melhor atriz no Globo de Ouro para Marion Cotillard, 4 anos depois dela ter ganho o Oscar com "Piaf". 

Alain (Matthias Schoenaerts) está desempregado e vive com o filho, de apenas cinco anos. Fracassado, ele parte para a casa da irmã em busca de ajuda e logo consegue um emprego como segurança de boate. Um dia, ao apartar uma confusão, ele acaba conhecendo Stéphanie (Marion Cotillard), uma bela treinadora de baleias que trabalha em um parque aquático da cidade. Alain leva Stéphanie para casa e acaba deixando seu cartão, caso ela precise de algum serviço. O que eles não imaginavam é que, pouco tempo depois, ela sofreria um grave acidente que mudaria sua vida para sempre. Confira o lindo trailer:

Olha, esse tipo tema os franceses dominam: o filme é muito bom, mas realmente quem rouba a cena é a Marion Cotillard com um trabalho sensível, profundo nas emoções, na entrega! A direção do Jacques Audiard ("O profeta") é impecável - sua capacidade de trabalhar as cenas mais delicadas do filme com uma certa poesia, não tirou sua dramaticidade e imprimiu uma atmosfera incrível para a história. Outro elemento que merece destaque é a Trilha Sonora do Alexandre Desplat - 11 vezes indicado ao Oscar e Vencedor com a "A Forma da Água"!

"Ferrugem e Osso" não é um "O Escafandro e a Borboleta", nem um "Intocáveis", mas caminha na mesma direção! Vale o seu  play.

Assista Agora

"Ferrugem e Osso" é uma adaptação do livro homónimo do canadense Craig Davidson. Ele foi um filme premiadíssimo na temporada de 2012 em vários festivais importantes e que rendeu a indicação de melhor atriz no Globo de Ouro para Marion Cotillard, 4 anos depois dela ter ganho o Oscar com "Piaf". 

Alain (Matthias Schoenaerts) está desempregado e vive com o filho, de apenas cinco anos. Fracassado, ele parte para a casa da irmã em busca de ajuda e logo consegue um emprego como segurança de boate. Um dia, ao apartar uma confusão, ele acaba conhecendo Stéphanie (Marion Cotillard), uma bela treinadora de baleias que trabalha em um parque aquático da cidade. Alain leva Stéphanie para casa e acaba deixando seu cartão, caso ela precise de algum serviço. O que eles não imaginavam é que, pouco tempo depois, ela sofreria um grave acidente que mudaria sua vida para sempre. Confira o lindo trailer:

Olha, esse tipo tema os franceses dominam: o filme é muito bom, mas realmente quem rouba a cena é a Marion Cotillard com um trabalho sensível, profundo nas emoções, na entrega! A direção do Jacques Audiard ("O profeta") é impecável - sua capacidade de trabalhar as cenas mais delicadas do filme com uma certa poesia, não tirou sua dramaticidade e imprimiu uma atmosfera incrível para a história. Outro elemento que merece destaque é a Trilha Sonora do Alexandre Desplat - 11 vezes indicado ao Oscar e Vencedor com a "A Forma da Água"!

"Ferrugem e Osso" não é um "O Escafandro e a Borboleta", nem um "Intocáveis", mas caminha na mesma direção! Vale o seu  play.

Assista Agora

Finch

"Finch" é para você que procura entretenimento leve, com algum laço emocional e um toque de reflexão sobre as relações humanas, mesmo que, mais uma vez, Tom Hanks esteja praticamente sozinho em cena. Veja, se em "Náufrago" (de 2000), Hanks se relacionou com uma bola de vôlei e provou ser possível sobreviver em uma ilha deserta após um acidente aéreo, em "Finch" o conceito é praticamente o mesmo, mas dessa vez o personagem nos entrega uma espécie de manual de sobrevivência no fim do mundo e seus companheiros de jornada são: um cachorro (muito simpático por sinal) e um robô (muito bem desenhado) que está aprendendo a viver.

Na trama, Hanks interpreta Finch, um engenheiro de robótica e um dos poucos sobreviventes de um evento solar cataclísmico que praticamente dizimou a humanidade. Ao adquirir uma doença terminal, ele decide criar um robô (vivido por Caleb Landry Jones) para que ele possa cuidar do seu cachorro, Goodyear, quando morrer. Ao perceber que uma enorme tempestade se aproxima, os três embarcam em uma peculiar jornada de sobrevivência em meio a uma América completamente destruída, onde Finch precisa ensinar para um robô o real significado de ser um humano e como as relações de confiança podem criar laços tão profundos e sentimentais que nos movem na busca de algo maior, e muitas vezes inexplicável. Confira o trailer (em inglês):

Miguel Sapochnik (o cara por trás da Batalha dos Bastardos em "Game of Thrones"), dirige um filme que tinha tudo para ser "mais do mesmo", mas que não é, pela enorme habilidade de um roteiro aqui assinado por Craig Luck e Ivor Powell, que usa de alegorias para construir uma relação imperfeita entre os personagens - como aliás, é na vida real. Se em "Náufrago" o diretor Robert Zemeckis ("De volta para o Futuro") preferiu buscar na fantasia uma condição realista e dramática, Sapochnik faz justamente o caminho inverso ao respeitar a história como uma fantástica jornada de descobertas sem a necessidade de trazer o peso ou impacto dramático além do universo onde os personagens estão inseridos. Como em "O Mágico de Óz", vamos descobrindo os motivos da transformação do mundo em um caos junto com um dos personagens - nossa Dorothy é o robô Jeff. E aqui cabe um elogio: o ator Caleb Landry Jones que dá voz (e vida) ao robô, juntamente com o time de design de produção e de efeitos especiais, conseguem entregar um personagem com verdade, ingênuo até, mas divertido - basicamente um bebê robô perfeito que precisa aprender a se virar em um mundo imperfeito.

Embora você vá encontrar uma ou outra cena com mais ação (eu destacaria a cena do tornado e do hospital), "Finch" é essencialmente um drama existencial dentro de um road movie - um "Amor e Monstros"mais adulto e menos blockbuster. O fato é que Tom Hanks impulsiona a história com sua enorme capacidade de nos tocar, enquanto um time excepcional cria personagens coadjuvantes encantadores, dando um ar de leveza para a trama, mesmo nos momentos mais sensíveis. Sapochnik que sai das grandes séries e praticamente estreia em um longa-metragem, mostra que sua capacidade de construir narrativas visuais que vão além do "movimento"e da "ação" - existe "alma" e "reflexão" no seu trabalho!

Vale o play!

Assista Agora

"Finch" é para você que procura entretenimento leve, com algum laço emocional e um toque de reflexão sobre as relações humanas, mesmo que, mais uma vez, Tom Hanks esteja praticamente sozinho em cena. Veja, se em "Náufrago" (de 2000), Hanks se relacionou com uma bola de vôlei e provou ser possível sobreviver em uma ilha deserta após um acidente aéreo, em "Finch" o conceito é praticamente o mesmo, mas dessa vez o personagem nos entrega uma espécie de manual de sobrevivência no fim do mundo e seus companheiros de jornada são: um cachorro (muito simpático por sinal) e um robô (muito bem desenhado) que está aprendendo a viver.

Na trama, Hanks interpreta Finch, um engenheiro de robótica e um dos poucos sobreviventes de um evento solar cataclísmico que praticamente dizimou a humanidade. Ao adquirir uma doença terminal, ele decide criar um robô (vivido por Caleb Landry Jones) para que ele possa cuidar do seu cachorro, Goodyear, quando morrer. Ao perceber que uma enorme tempestade se aproxima, os três embarcam em uma peculiar jornada de sobrevivência em meio a uma América completamente destruída, onde Finch precisa ensinar para um robô o real significado de ser um humano e como as relações de confiança podem criar laços tão profundos e sentimentais que nos movem na busca de algo maior, e muitas vezes inexplicável. Confira o trailer (em inglês):

Miguel Sapochnik (o cara por trás da Batalha dos Bastardos em "Game of Thrones"), dirige um filme que tinha tudo para ser "mais do mesmo", mas que não é, pela enorme habilidade de um roteiro aqui assinado por Craig Luck e Ivor Powell, que usa de alegorias para construir uma relação imperfeita entre os personagens - como aliás, é na vida real. Se em "Náufrago" o diretor Robert Zemeckis ("De volta para o Futuro") preferiu buscar na fantasia uma condição realista e dramática, Sapochnik faz justamente o caminho inverso ao respeitar a história como uma fantástica jornada de descobertas sem a necessidade de trazer o peso ou impacto dramático além do universo onde os personagens estão inseridos. Como em "O Mágico de Óz", vamos descobrindo os motivos da transformação do mundo em um caos junto com um dos personagens - nossa Dorothy é o robô Jeff. E aqui cabe um elogio: o ator Caleb Landry Jones que dá voz (e vida) ao robô, juntamente com o time de design de produção e de efeitos especiais, conseguem entregar um personagem com verdade, ingênuo até, mas divertido - basicamente um bebê robô perfeito que precisa aprender a se virar em um mundo imperfeito.

Embora você vá encontrar uma ou outra cena com mais ação (eu destacaria a cena do tornado e do hospital), "Finch" é essencialmente um drama existencial dentro de um road movie - um "Amor e Monstros"mais adulto e menos blockbuster. O fato é que Tom Hanks impulsiona a história com sua enorme capacidade de nos tocar, enquanto um time excepcional cria personagens coadjuvantes encantadores, dando um ar de leveza para a trama, mesmo nos momentos mais sensíveis. Sapochnik que sai das grandes séries e praticamente estreia em um longa-metragem, mostra que sua capacidade de construir narrativas visuais que vão além do "movimento"e da "ação" - existe "alma" e "reflexão" no seu trabalho!

Vale o play!

Assista Agora

For All Mankind

Seguindo a linha "e se...", que colocou "The Man in the High Castle" como uma das séries mais cultuadas da Amazon Prime Vídeo, "For All Mankind" bebe da mesma fonte, porém explorando uma das épocas mais controvérsas da politica mundial: quando EUA e URSS disputavam a tão falada "corrida espacial". Tudo o que eu escrever aqui pode soar como spoiler, então vou me limitar em dizer que a série mostra o que teria acontecido se os soviéticos tivessem liderado (ou pelo menos saído na frente) na conquista do espaço, em meio a Guerra Fria do final dos anos 60. Do ponto de vista dos americanos, é curioso reparar como a simples possibilidade de terminar esse cabo de guerra em segundo lugar, poderia ter impactado na história - e isso fica claro quando, com muita inteligência, o roteiro insere gravações reais de autoridades discutindo sobre o programa espacial sem a certeza de seu sucesso ou com a insegurança de quem não sabe muito bem como reagir perante a possibilidade de fracasso. O próprio presidente Nixon acaba se tornando um personagem onipresente sem ao menos aparecer na série.

É preciso destacar dois fatores: a qualidade da produção e as inúmeras possibilidades de tramas que o tema permite, mas por sua vez, um outro detalhe muito importante incomoda: faltam personagens mais carismáticos, ou pelo menos conflitos que possam inserir esses personagens em histórias sem a necessidade de criar novos núcleos de interação. De fato "For All Mankind" começa irregular, com alguns personagens sumindo, outros aparecendo, mas talvez, entendendo a proposta, seja a série de maior potencial do serviço até agora.    

"For All Mankind" tem uma estrutura narrativa bastante interessante: ela divide a temporada por episódios quase que independentes, que servem de escudo para um arco maior ainda sem muita relevância. O que eu quero dizer é que, em cada episódio, o conflito central praticamente se resolve (quase como um procedural) deixando pouco tempo para o desenvolvimento dos personagens e de suas tramas pessoais. Com isso a série precisa fazer alguns saltos temporais que, mesmo sendo limitados a um determinado período, dá a sensação que a história está sendo atropelada - é como se tudo tivesse que caber nos 60 minutos de duração do episódio a qualquer custo. O personagem de Joel Kinnaman, o astronauta Edward Baldwin, sente essa falta de linearidade e com isso não conquista a audiência. Outro núcleo que parece mal desenvolvido devido essa dinâmica do roteiro é o da família mexicana que entra ilegalmente nos EUA - essa trama está tão deslocada que se tirássemos todas as cenas, não sentiríamos a menor falta. É claro que existe uma razão deles estarem lá, mas, sinceramente, até agora, não interferiram em nada no andamento da série desde o primeiro episódio. 

É fácil notar que algumas discussões politicas são muito bem inseridas dentro do contexto da série, outras já soam um pouco mais forçadas: o caso de nazismo do segundo episódio é um exemplo. Agora, quando entendemos que o objetivo da série é pegar um fato histórico, fazer uma releitura ou uma diferente interpretação para finalizar em, no máximo, dois episódios, fica mais fácil aceitar algumas inconsistências do roteiro, mas confesso que no início me causou muita estranheza! A direção do ótimo Seth Gordon tenta minimizar essa "correria" dos episódios com cenas um pouco mais introspectivas, dando a entender que o desenvolvimento dos personagens devem ganhar mais força e atenção que as próprias apresentações dos mesmos - em "See" vemos algo bem parecido e por consequência a dúvida é a mesma: quem assiste terá paciência para esperar os personagens (ou o arco maior) se estabelecerem? 

"For All Mankind" é bom, e vai melhorando conforme os episódios vão passando. A série cresce com as intervenções na história baseada em fatos isolados que poderiam ter acontecido - e a sensação de conclusão que a série trás ajuda na experiência, isso é um fato! É perceptível o investimento da Apple na produção, trazendo elementos históricos (mesmo que destorcidos) no estilo Chernobyl ao mesmo tempo em que brinca com elementos mais hypados de filmes como "Top Gun" ou "Armagedom". Minha conclusão é a seguinte: a série já é boa, divertida e tende a melhorar, mas não deve se tornar inesquecível! Vale o play pelo entretenimento e pela qualidade da produção!

Assista Agora 

Seguindo a linha "e se...", que colocou "The Man in the High Castle" como uma das séries mais cultuadas da Amazon Prime Vídeo, "For All Mankind" bebe da mesma fonte, porém explorando uma das épocas mais controvérsas da politica mundial: quando EUA e URSS disputavam a tão falada "corrida espacial". Tudo o que eu escrever aqui pode soar como spoiler, então vou me limitar em dizer que a série mostra o que teria acontecido se os soviéticos tivessem liderado (ou pelo menos saído na frente) na conquista do espaço, em meio a Guerra Fria do final dos anos 60. Do ponto de vista dos americanos, é curioso reparar como a simples possibilidade de terminar esse cabo de guerra em segundo lugar, poderia ter impactado na história - e isso fica claro quando, com muita inteligência, o roteiro insere gravações reais de autoridades discutindo sobre o programa espacial sem a certeza de seu sucesso ou com a insegurança de quem não sabe muito bem como reagir perante a possibilidade de fracasso. O próprio presidente Nixon acaba se tornando um personagem onipresente sem ao menos aparecer na série.

É preciso destacar dois fatores: a qualidade da produção e as inúmeras possibilidades de tramas que o tema permite, mas por sua vez, um outro detalhe muito importante incomoda: faltam personagens mais carismáticos, ou pelo menos conflitos que possam inserir esses personagens em histórias sem a necessidade de criar novos núcleos de interação. De fato "For All Mankind" começa irregular, com alguns personagens sumindo, outros aparecendo, mas talvez, entendendo a proposta, seja a série de maior potencial do serviço até agora.    

"For All Mankind" tem uma estrutura narrativa bastante interessante: ela divide a temporada por episódios quase que independentes, que servem de escudo para um arco maior ainda sem muita relevância. O que eu quero dizer é que, em cada episódio, o conflito central praticamente se resolve (quase como um procedural) deixando pouco tempo para o desenvolvimento dos personagens e de suas tramas pessoais. Com isso a série precisa fazer alguns saltos temporais que, mesmo sendo limitados a um determinado período, dá a sensação que a história está sendo atropelada - é como se tudo tivesse que caber nos 60 minutos de duração do episódio a qualquer custo. O personagem de Joel Kinnaman, o astronauta Edward Baldwin, sente essa falta de linearidade e com isso não conquista a audiência. Outro núcleo que parece mal desenvolvido devido essa dinâmica do roteiro é o da família mexicana que entra ilegalmente nos EUA - essa trama está tão deslocada que se tirássemos todas as cenas, não sentiríamos a menor falta. É claro que existe uma razão deles estarem lá, mas, sinceramente, até agora, não interferiram em nada no andamento da série desde o primeiro episódio. 

É fácil notar que algumas discussões politicas são muito bem inseridas dentro do contexto da série, outras já soam um pouco mais forçadas: o caso de nazismo do segundo episódio é um exemplo. Agora, quando entendemos que o objetivo da série é pegar um fato histórico, fazer uma releitura ou uma diferente interpretação para finalizar em, no máximo, dois episódios, fica mais fácil aceitar algumas inconsistências do roteiro, mas confesso que no início me causou muita estranheza! A direção do ótimo Seth Gordon tenta minimizar essa "correria" dos episódios com cenas um pouco mais introspectivas, dando a entender que o desenvolvimento dos personagens devem ganhar mais força e atenção que as próprias apresentações dos mesmos - em "See" vemos algo bem parecido e por consequência a dúvida é a mesma: quem assiste terá paciência para esperar os personagens (ou o arco maior) se estabelecerem? 

"For All Mankind" é bom, e vai melhorando conforme os episódios vão passando. A série cresce com as intervenções na história baseada em fatos isolados que poderiam ter acontecido - e a sensação de conclusão que a série trás ajuda na experiência, isso é um fato! É perceptível o investimento da Apple na produção, trazendo elementos históricos (mesmo que destorcidos) no estilo Chernobyl ao mesmo tempo em que brinca com elementos mais hypados de filmes como "Top Gun" ou "Armagedom". Minha conclusão é a seguinte: a série já é boa, divertida e tende a melhorar, mas não deve se tornar inesquecível! Vale o play pelo entretenimento e pela qualidade da produção!

Assista Agora 

Greyhound

"Greyhound" merecia ser visto no cinema - de preferência em um IMax! Esse novo filme do Tom Hanks, que inclusive assina o roteiro, é uma adaptação o livro "The Good Shepherd", escrito em 1955 pelo autor C.S. Forester, e mostra a jornada do capitão Ernest Krause (Hanks) que, durante a Segunda Guerra Mundial, recebe a difícil missão de levar 37 navios aliados dos EUA até o Reino Unido, pelo Atlântico, em uma região repleta de submarinos U-Boats alemães. Confira o trailer (em inglês): 

Embora o filme tenha uma dinâmica narrativa focada em um único personagem e nas decisões que ele precisa tomar para cumprir sua missão (e sobreviver), durante os 90 minutos de história, "Greyhound" está longe de ser um grande filme como "1917" - que se apoia na mesma premissa, porém em outro cenário! É claro que a tensão existe, que o visual é incrível e que o desenho de som e a mixagem criam um ambiente bastante interessante, como era de se esperar, mas o fato é que "Greyhound" não trás o diferencial estético que supere um roteiro sem muitos atrativos. O filme é um ótimo entretenimento, tem a ação que o gênero pede, mas no final não passa de mais um filme americano sobre a jornada do seu herói que luta com todas as adversidades e vence de maneira improvável seus inimigos - e fique tranquilo, isso não é spoiler, é só a constatação de um estilo de filme que se aproxima muito mais da estrutura de "Armagedom" ou "Pearl Harbor" do que de um genial "Dunkirk", por exemplo! Claro que "Greyhound" vale a pena, mas muito mais pela diversão e entretenimento, do que pela representatividade que o filme poderia ter na história!

Assista Agora ou

"Greyhound" merecia ser visto no cinema - de preferência em um IMax! Esse novo filme do Tom Hanks, que inclusive assina o roteiro, é uma adaptação o livro "The Good Shepherd", escrito em 1955 pelo autor C.S. Forester, e mostra a jornada do capitão Ernest Krause (Hanks) que, durante a Segunda Guerra Mundial, recebe a difícil missão de levar 37 navios aliados dos EUA até o Reino Unido, pelo Atlântico, em uma região repleta de submarinos U-Boats alemães. Confira o trailer (em inglês): 

Embora o filme tenha uma dinâmica narrativa focada em um único personagem e nas decisões que ele precisa tomar para cumprir sua missão (e sobreviver), durante os 90 minutos de história, "Greyhound" está longe de ser um grande filme como "1917" - que se apoia na mesma premissa, porém em outro cenário! É claro que a tensão existe, que o visual é incrível e que o desenho de som e a mixagem criam um ambiente bastante interessante, como era de se esperar, mas o fato é que "Greyhound" não trás o diferencial estético que supere um roteiro sem muitos atrativos. O filme é um ótimo entretenimento, tem a ação que o gênero pede, mas no final não passa de mais um filme americano sobre a jornada do seu herói que luta com todas as adversidades e vence de maneira improvável seus inimigos - e fique tranquilo, isso não é spoiler, é só a constatação de um estilo de filme que se aproxima muito mais da estrutura de "Armagedom" ou "Pearl Harbor" do que de um genial "Dunkirk", por exemplo! Claro que "Greyhound" vale a pena, mas muito mais pela diversão e entretenimento, do que pela representatividade que o filme poderia ter na história!

Assista Agora ou