Viu Review - ml-celebridade

Schumacher

"Schumacher" é muito mais uma homenagem ao piloto do que um documentário com passagens inéditas ou curiosidades de bastidores - como atleta ou sobre seu acidente. Na verdade, talvez o momento mais marcante do filme seja justamente quando vemos a relação entre ele e Senna, antes e depois do acidente -  eu diria até que esse é o ponto alto do documentário, o que para mim, amante da Fórmula 1, é pouco perante o tamanho que foi Michael Schumacher.

A Netflix apresentou o projeto da seguinte maneira: "Schumacher" é o documentário definitivo sobre um dos maiores nomes da Fórmula 1. O único filme aprovado pela família do piloto, traz entrevistas raras e imagens de arquivos nunca antes reveladas, para traçar um sensível perfil do homem que foi 7 vezes campeão mundial. Confira o trailer:

Dirigido porHanns-Bruno Kammertöns, Michael Wech e Vanessa Nöcke (todos responsáveis pelo documentários de outro ídolo do esporte alemão "Boris Becker: Der Spieler"), "Schumacher" tem uma narrativa dinâmica e para quem acompanha Fórmula 1 há alguns bons anos, certamente vai trazer uma sensação de nostalgia bastante interessante. É preciso dizer, porém, que o documentário não tem a qualidade cinematográfica de "Senna" e muito menos de "Formula 1: Dirigir para Viver" - é como se os diretores e roteiristas não quisesse arriscar em nenhum momento. Veja, a forma cronológica e linear como a carreira de Schumacher é construída, se apoia muito mais no seu envolvimento com o automobilismo do que na construção de um ícone do esporte - e aqui a comparação com "Senna" (o documentário) é ainda mais cruel.

Desde muito cedo, Michael se dedicou ao automobilismo, começou em uma equipe pequena (no caso a Jordan), logo depois chamou a atenção da Benetton - na época a quarta força do circuito, até ser o piloto mais jovem a vencer uma corrida e depois levar a equipe ao título em 1994. Tudo isso nós já sabemos, então o que esperávamos era um pouco mais de intimidade, dos bastidores - e por esse caminho, vemos muito pouco. Mesmo com depoimentos de pilotos como o irmão Ralf Schumacher, o ex-companheiro Eddie Irvine, David Coulthard, Mika Hakkinen e Sebastian Vettel, faltam informações, histórias. Por isso comentei acima: o tom é tão leve, mesmo nas explosões e nas atitudes anti-desportivas que marcaram a trajetória do piloto, que tudo não passa de uma grande homenagem.

É natural a curiosidade sobre o acidente - não que se esperasse mostrar a situação atual do piloto, longe disso; mas apenas citar o acidente nos dez minutos finais do documentário, me soou decepcionante, confesso. Os poucos relatos mais íntimos da família, especialmente deCorinna, esposa de Michael, e dos filhos, Gina-Maria e Mick trazem um pouco de emoção ao documentário, mas é tão rápido que não dá nem tempo de mergulhamos no drama e na saudade.

"Schumacher" é um documentário imperdível? Não. Merece ser assistido? Não tenha a menor dúvida - principalmente para os amantes do esporte!

PS: Nem Barrichello e muito menos Massa (um dos melhores amigos do piloto) inexplicavelmente sequer são citados em todo documentário.

Assista Agora

"Schumacher" é muito mais uma homenagem ao piloto do que um documentário com passagens inéditas ou curiosidades de bastidores - como atleta ou sobre seu acidente. Na verdade, talvez o momento mais marcante do filme seja justamente quando vemos a relação entre ele e Senna, antes e depois do acidente -  eu diria até que esse é o ponto alto do documentário, o que para mim, amante da Fórmula 1, é pouco perante o tamanho que foi Michael Schumacher.

A Netflix apresentou o projeto da seguinte maneira: "Schumacher" é o documentário definitivo sobre um dos maiores nomes da Fórmula 1. O único filme aprovado pela família do piloto, traz entrevistas raras e imagens de arquivos nunca antes reveladas, para traçar um sensível perfil do homem que foi 7 vezes campeão mundial. Confira o trailer:

Dirigido porHanns-Bruno Kammertöns, Michael Wech e Vanessa Nöcke (todos responsáveis pelo documentários de outro ídolo do esporte alemão "Boris Becker: Der Spieler"), "Schumacher" tem uma narrativa dinâmica e para quem acompanha Fórmula 1 há alguns bons anos, certamente vai trazer uma sensação de nostalgia bastante interessante. É preciso dizer, porém, que o documentário não tem a qualidade cinematográfica de "Senna" e muito menos de "Formula 1: Dirigir para Viver" - é como se os diretores e roteiristas não quisesse arriscar em nenhum momento. Veja, a forma cronológica e linear como a carreira de Schumacher é construída, se apoia muito mais no seu envolvimento com o automobilismo do que na construção de um ícone do esporte - e aqui a comparação com "Senna" (o documentário) é ainda mais cruel.

Desde muito cedo, Michael se dedicou ao automobilismo, começou em uma equipe pequena (no caso a Jordan), logo depois chamou a atenção da Benetton - na época a quarta força do circuito, até ser o piloto mais jovem a vencer uma corrida e depois levar a equipe ao título em 1994. Tudo isso nós já sabemos, então o que esperávamos era um pouco mais de intimidade, dos bastidores - e por esse caminho, vemos muito pouco. Mesmo com depoimentos de pilotos como o irmão Ralf Schumacher, o ex-companheiro Eddie Irvine, David Coulthard, Mika Hakkinen e Sebastian Vettel, faltam informações, histórias. Por isso comentei acima: o tom é tão leve, mesmo nas explosões e nas atitudes anti-desportivas que marcaram a trajetória do piloto, que tudo não passa de uma grande homenagem.

É natural a curiosidade sobre o acidente - não que se esperasse mostrar a situação atual do piloto, longe disso; mas apenas citar o acidente nos dez minutos finais do documentário, me soou decepcionante, confesso. Os poucos relatos mais íntimos da família, especialmente deCorinna, esposa de Michael, e dos filhos, Gina-Maria e Mick trazem um pouco de emoção ao documentário, mas é tão rápido que não dá nem tempo de mergulhamos no drama e na saudade.

"Schumacher" é um documentário imperdível? Não. Merece ser assistido? Não tenha a menor dúvida - principalmente para os amantes do esporte!

PS: Nem Barrichello e muito menos Massa (um dos melhores amigos do piloto) inexplicavelmente sequer são citados em todo documentário.

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A Mente do Assassino: Aaron Hernandez

"A Mente do Assassino: Aaron Hernandez" é mais um daqueles documentários que nos fazem refletir sobre a verdadeira condição humana como reflexo de uma sociedade doente, onde os valores são facilmente subvertidos e uma família desestruturada só colabora para essa quebra de confiança e afeto. Claro que existia uma patologia, a encefalopatia traumática crônica - uma doença que causa trauma cerebral em jogadores de futebol americano, resultado de concussões repetidas na cabeça e que merece nossa atenção; mas o fato é que alguns (ou a combinação) desses fatores transformaram um jovem jogador da NFL em um frio assassino! Aaron Hernandez já era uma realidade do esporte com pouco mais de 20 anos, jogava no New England Patriots com Tom Brady e ao lado de Rob Gronkowski, tinha acabado de jogar um Super Bowl onde, inclusive, marcou um Touchdown, tinha um contrato de 40 milhões de dólares garantidos, uma esposa e uma filha recém nascida! Tudo caminhava bem até que o corpo de Ortiz Lloyd é encontrado em North Attleboro, próximo a mansão de Aaron. Lloyd era namorado da irmã de sua esposa e foi só a investigação começar que o jogador  já foi preso graças as inúmeras evidências que o colocavam como principal suspeito!

A série da Netflix, destrincha essas evidências ao mesmo tempo em que reconstrói a caminhada esportiva e social de Aaron Hernandez até o dia do seu suicídio. São três episódios de uma hora, com uma dinâmica bastante interessante que não se propõem em inocentar o atleta e sim tentar descobrir as razões que o levaram a cometer o crime! Olha, se você gostou de "O.J.: Made in America", não perca tempo, dê o play porque você não vai se arrepender! Confira o trailer:

O diretor de "A Mente do Assassino: Aaron Hernandez" é Geno McDermott, o produtor responsável por "The Murder Tapes". Ele foi muito inteligente em construir uma narrativa fácil de acompanhar, até para quem não conhece muito dos bastidores do futebol americano. Desde a infância de Aaron Hernandez em Connecticut, passando pela escolha de estudar (e jogar) na Universidade da Flórida, até seus últimos dias no melhor time da NFL, o New England Patriots; a série estabelece uma linha temporal que, embora não seja tão linear, equilibra muito bem vida pessoal e esportiva com depoimentos de fãs, colegas de trabalho, familiares, jornalistas e advogados, com imagens do julgamento, de reportagens da época e até uma ou outra cena dramatizada - o fato é que o documentário poderia ser um filme de ficção tranquilamente de tão potente que é a história - a dinâmica e o storytelling construído estão perfeitos! Algumas fotografias, vídeos, imagens de vigilância e até alguns telefonemas gravados enquanto Aaron Hernandez estava na prisão ajudam a construir um personagem extremamente complexo e uma história surreal, que nos convida ao julgamento a cada nova informação - muito na linha do que aprendemos a amar com "Making a Murderer". 

"A Mente do Assassino:Aaron Hernandez" é uma série documental para quem gosta do gênero. Não é um projeto tão complexo como o já citado "Making a Murderer" que acompanha a investigação, o julgamento e busca pela inocência do protagonista; também não tem tantas reviravoltas e, poucas vezes, a história nos deixa alguma dúvida, mas, certamente, tem um valor enorme como o relato de uma vida que se perde dentro das suas próprias conquistas. Tomei muito cuidado durante minha escrita para não entrar em detalhes do caso e para não estragar a sua experiência de descobertas, mas quero deixar claro que existem pontos obscuros, versões nebulosas sobre certas passagens e até algumas especulações que seriam impossíveis de se comprovar nesse momento - o que torna a série da Netflix viciante como todas as outras desse mesmo estilo - para quem gosta, claro!

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"A Mente do Assassino: Aaron Hernandez" é mais um daqueles documentários que nos fazem refletir sobre a verdadeira condição humana como reflexo de uma sociedade doente, onde os valores são facilmente subvertidos e uma família desestruturada só colabora para essa quebra de confiança e afeto. Claro que existia uma patologia, a encefalopatia traumática crônica - uma doença que causa trauma cerebral em jogadores de futebol americano, resultado de concussões repetidas na cabeça e que merece nossa atenção; mas o fato é que alguns (ou a combinação) desses fatores transformaram um jovem jogador da NFL em um frio assassino! Aaron Hernandez já era uma realidade do esporte com pouco mais de 20 anos, jogava no New England Patriots com Tom Brady e ao lado de Rob Gronkowski, tinha acabado de jogar um Super Bowl onde, inclusive, marcou um Touchdown, tinha um contrato de 40 milhões de dólares garantidos, uma esposa e uma filha recém nascida! Tudo caminhava bem até que o corpo de Ortiz Lloyd é encontrado em North Attleboro, próximo a mansão de Aaron. Lloyd era namorado da irmã de sua esposa e foi só a investigação começar que o jogador  já foi preso graças as inúmeras evidências que o colocavam como principal suspeito!

A série da Netflix, destrincha essas evidências ao mesmo tempo em que reconstrói a caminhada esportiva e social de Aaron Hernandez até o dia do seu suicídio. São três episódios de uma hora, com uma dinâmica bastante interessante que não se propõem em inocentar o atleta e sim tentar descobrir as razões que o levaram a cometer o crime! Olha, se você gostou de "O.J.: Made in America", não perca tempo, dê o play porque você não vai se arrepender! Confira o trailer:

O diretor de "A Mente do Assassino: Aaron Hernandez" é Geno McDermott, o produtor responsável por "The Murder Tapes". Ele foi muito inteligente em construir uma narrativa fácil de acompanhar, até para quem não conhece muito dos bastidores do futebol americano. Desde a infância de Aaron Hernandez em Connecticut, passando pela escolha de estudar (e jogar) na Universidade da Flórida, até seus últimos dias no melhor time da NFL, o New England Patriots; a série estabelece uma linha temporal que, embora não seja tão linear, equilibra muito bem vida pessoal e esportiva com depoimentos de fãs, colegas de trabalho, familiares, jornalistas e advogados, com imagens do julgamento, de reportagens da época e até uma ou outra cena dramatizada - o fato é que o documentário poderia ser um filme de ficção tranquilamente de tão potente que é a história - a dinâmica e o storytelling construído estão perfeitos! Algumas fotografias, vídeos, imagens de vigilância e até alguns telefonemas gravados enquanto Aaron Hernandez estava na prisão ajudam a construir um personagem extremamente complexo e uma história surreal, que nos convida ao julgamento a cada nova informação - muito na linha do que aprendemos a amar com "Making a Murderer". 

"A Mente do Assassino:Aaron Hernandez" é uma série documental para quem gosta do gênero. Não é um projeto tão complexo como o já citado "Making a Murderer" que acompanha a investigação, o julgamento e busca pela inocência do protagonista; também não tem tantas reviravoltas e, poucas vezes, a história nos deixa alguma dúvida, mas, certamente, tem um valor enorme como o relato de uma vida que se perde dentro das suas próprias conquistas. Tomei muito cuidado durante minha escrita para não entrar em detalhes do caso e para não estragar a sua experiência de descobertas, mas quero deixar claro que existem pontos obscuros, versões nebulosas sobre certas passagens e até algumas especulações que seriam impossíveis de se comprovar nesse momento - o que torna a série da Netflix viciante como todas as outras desse mesmo estilo - para quem gosta, claro!

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A Voz Suprema do Blues

Se você gostou de "Uma noite em Miami..." certamente você vai gostar de "A Voz Suprema do Blues" já que ambos os filmes possuem elementos narrativos muito similares, embora com abordagens diferentes, um mais politico e o outro mais musical, as tramas giram em torno de diálogos muito bem construídos e de personagens cheios de camadas que interagem entre sim, em poucas locações, para que as discussões não se dissipem e ganhem o valor exato do seu propósito!

Também baseada na peça de teatro, dessa vez do premiado dramaturgo August Wilson, cujos textos são conhecidos por representarem os aspectos cômicos e trágicos da experiência dos africanos-americanos no século XX, "A Voz Suprema do Blues" se passa em Chicago de 1927 e volta sua atenção para dentro de um antigo estúdio de gravação da cidade. Lá, Ma Rainey (Viola Davis) e sua banda estão prontos para gravar mais um disco. Só que no estúdio o clima começa a esquentar quando a tensão aumenta entre a cantora, seu ambicioso trompista Levee (Chadwick Boseman) e a gerência branca determinada a controlar uma incontrolável “Mãe do Blues”. Confira o trailer:

Todo filme que possui bons personagens, a matéria prima para o ator bilhar, cria uma perspectiva de muito reconhecimento e, pode apostar, ele virá! Esse foi o último filme de Chadwick Boseman e sua performance está simplesmente magnífica, perfeita, no tom exato, com um range de interpretação impressionante, digno de Oscar! Visivelmente debilitado, sua postura praticamente transforma um problema em diferencial - tudo se encaixa tão perfeitamente que é triste condicionar esse reconhecimento em respeito por sua carreira: não é e não deveria ser o caso! Viola Davis é outra força da natureza, que nos tira o equilíbrio e explode na tela! Coberta de uma pesada maquiagem, roupas extravagantes e uma postura imponente, carregada de suor e arrogância, a atriz entrega um Ma Rainey digna de sua importância na música!

Com uma direção muito competente do George C. Wolfe (de Noites de Tormenta) e uma belíssima fotografia do Tobias Schliessler (de A Grande Mentira), o filme cria uma atmosfera desconfortável, angustiante, como se estivéssemos assistindo uma bomba prestes a explodir! O texto chega a nos provocar certa aflição e é muito inteligente ao pontuar os problemas sociais da época como racismo estrutural e todo o descaso com o negro de forma mais orgânica que ideológica.

“A Voz Suprema do Blues” é um daqueles filmes surpreendentes que usa de longos monólogos para evidenciar a força do seu texto e que transforma o ator em uma espécie de mensageiro e de ações muito mais internas do que impactantes - e o final é a maior prova disso! Filme para quem gosta do profundo, ao som de uma bela trilha sonora e daquela atmosfera nostálgica e sexy do blues bem tocado e interpretado com alma!

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Se você gostou de "Uma noite em Miami..." certamente você vai gostar de "A Voz Suprema do Blues" já que ambos os filmes possuem elementos narrativos muito similares, embora com abordagens diferentes, um mais politico e o outro mais musical, as tramas giram em torno de diálogos muito bem construídos e de personagens cheios de camadas que interagem entre sim, em poucas locações, para que as discussões não se dissipem e ganhem o valor exato do seu propósito!

Também baseada na peça de teatro, dessa vez do premiado dramaturgo August Wilson, cujos textos são conhecidos por representarem os aspectos cômicos e trágicos da experiência dos africanos-americanos no século XX, "A Voz Suprema do Blues" se passa em Chicago de 1927 e volta sua atenção para dentro de um antigo estúdio de gravação da cidade. Lá, Ma Rainey (Viola Davis) e sua banda estão prontos para gravar mais um disco. Só que no estúdio o clima começa a esquentar quando a tensão aumenta entre a cantora, seu ambicioso trompista Levee (Chadwick Boseman) e a gerência branca determinada a controlar uma incontrolável “Mãe do Blues”. Confira o trailer:

Todo filme que possui bons personagens, a matéria prima para o ator bilhar, cria uma perspectiva de muito reconhecimento e, pode apostar, ele virá! Esse foi o último filme de Chadwick Boseman e sua performance está simplesmente magnífica, perfeita, no tom exato, com um range de interpretação impressionante, digno de Oscar! Visivelmente debilitado, sua postura praticamente transforma um problema em diferencial - tudo se encaixa tão perfeitamente que é triste condicionar esse reconhecimento em respeito por sua carreira: não é e não deveria ser o caso! Viola Davis é outra força da natureza, que nos tira o equilíbrio e explode na tela! Coberta de uma pesada maquiagem, roupas extravagantes e uma postura imponente, carregada de suor e arrogância, a atriz entrega um Ma Rainey digna de sua importância na música!

Com uma direção muito competente do George C. Wolfe (de Noites de Tormenta) e uma belíssima fotografia do Tobias Schliessler (de A Grande Mentira), o filme cria uma atmosfera desconfortável, angustiante, como se estivéssemos assistindo uma bomba prestes a explodir! O texto chega a nos provocar certa aflição e é muito inteligente ao pontuar os problemas sociais da época como racismo estrutural e todo o descaso com o negro de forma mais orgânica que ideológica.

“A Voz Suprema do Blues” é um daqueles filmes surpreendentes que usa de longos monólogos para evidenciar a força do seu texto e que transforma o ator em uma espécie de mensageiro e de ações muito mais internas do que impactantes - e o final é a maior prova disso! Filme para quem gosta do profundo, ao som de uma bela trilha sonora e daquela atmosfera nostálgica e sexy do blues bem tocado e interpretado com alma!

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Allen contra Farrow

"Allen contra Farrow" é mais um soco no estômago - provavelmente tão intenso quando "Deixando Neverland". Talvez porquê o Woody Allen seja uma espécie Michael Jackson do cinema, se não para o público, certamente para toda classe cinematográfica de Hollywood. Não sei até que ponto a grandiosidade artística de um profissional como Allen interferiu na quantidade avassaladora de criticas que esse documentário em 4 partes da HBO recebeu, mas o fato é que, para mim e independente das minhas convicções como ser humano, a série é muito boa - mas é preciso dizer: existe uma certa espetacularização ao melhor estilo "American Crime Story" de um assunto bastante sensível.

A série mergulha nos bastidores de um dos escândalos mais notórios de Hollywood: a denúncia de abuso sexual que recaiu sobre o diretor Woody Allen em 1992, levada a público por Dylan Farrow, sua filha adotiva com a atriz Mia Farrow. Dylan tinha apenas sete anos quando acusou o pai de molestá-la dentro da casa de sua mãe, no estado americano de Connecticut. Deu-se início, em seguida, a um turbulento processo de custódia que ganhou as manchetes do mundo todo. Na época, Allen e Mia viviam um relacionamento de 12 anos e tinham três filhos – dois adotivos, Dylan e Moses, e um biológico, Satchel (agora conhecido como Ronan Farrow). Na esteira das alegações feitas por Dylan, veio à tona o fato de que Allen também se relacionava com outra filha de Mia, Soon-Yi Previn, sem que ninguém soubesse. Confira o trailer:

Se você espera um documentário marcado por uma investigação jornalística profunda e uma narrativa menos cinematográfica, pode esquecer, "Allen contra Farrow" não é para você. A série traz para a discussão temas pesados e quase sempre pautados por imagens bastante perturbadoras, porém o conceito narrativo é extremamente voltado para o entretenimento, com uma edição dinâmica, uma direção claramente orientada para manipulação de sentimentos, apoiada em artifícios dramáticos e, claro, que explora apenas um lado da história - mesmo citando o outro lado em todos os episódios, mas sem a mesma força de contra-argumentação.

O que pode incomodar, é o fato dos diretores Kirby Dick (duas vezes indicado ao Oscar - "The Invisible War" e "Twist of Faith") e Amy Ziering (com uma indicação por "The Invisible War"), e que repetem a parceria no assunto depois do aclamado "The Hunting Ground", escancararem suas opiniões sobre o caso e com isso desacreditarem nas provas contrárias à acusação, como por exemplo um depoimento de Moses Farrow (filho adotivo de Mia), que diz ter sofrido abuso físico pelas mãos de sua mãe. A impressão de que foi "dois pesos duas medidas" não para por aí - Ronan Farrow (filho biológico do casal) alega ter sido orientado pelo pai para defende-lo publicamente em troca de dinheiro para faculdade, porém em nenhum momento do documentário é abordado o fato de que Mia Farrow tenha feito uma oferta para Woody Allen em troca de abafar o caso mediante ao pagamento. Esse tipo de atitude, aliás, acaba desqualificando algo muito sério, como o filme que Farrow fez com Dylan dias depois dela ter, supostamente, sofrido abuso.

Ao se pautar apenas pelo documentário, qualquer ser humano será incapaz de dar um play em qualquer outro filme do Woody Allen, mas, sinceramente, não sei se seria esse o caso - muita coisa fica no ar, é pouco conclusivo e até os fatos são confusos. Cabe a quem assiste interpretar os fatos e tentar se abster da manipulação emocional que a própria história propõe. Tecnicamente, o documentário merece elogios, aproveitando muito bem os filmes caseiros da família, depoimentos de muitas pessoas que estiveram envolvidos com aquela situação, cenas de arquivo dos noticiários da época, ilustrações dos julgamentos pela guarda dos filhos, gravações telefônicas inéditas, enfim, é um show de montagem e de conexão dos fatos - algumas forçando demais a barra (como a que tenta encontrar padrões nos filmes de Allen para justificar suas atitudes pessoais) e outras completamente coerentes com a visão de quem sofreu durante anos com o fato - o encontro de Dylan com o promotor do caso é rápido, mas muito humano!

Olha, mesmo sabendo que vai dividir opiniões eu indico "Allen contra Farrow" de olhos fechados, mas aviso: não será uma jornada fácil (principalmente nos episódios 2 e 3)!

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"Allen contra Farrow" é mais um soco no estômago - provavelmente tão intenso quando "Deixando Neverland". Talvez porquê o Woody Allen seja uma espécie Michael Jackson do cinema, se não para o público, certamente para toda classe cinematográfica de Hollywood. Não sei até que ponto a grandiosidade artística de um profissional como Allen interferiu na quantidade avassaladora de criticas que esse documentário em 4 partes da HBO recebeu, mas o fato é que, para mim e independente das minhas convicções como ser humano, a série é muito boa - mas é preciso dizer: existe uma certa espetacularização ao melhor estilo "American Crime Story" de um assunto bastante sensível.

A série mergulha nos bastidores de um dos escândalos mais notórios de Hollywood: a denúncia de abuso sexual que recaiu sobre o diretor Woody Allen em 1992, levada a público por Dylan Farrow, sua filha adotiva com a atriz Mia Farrow. Dylan tinha apenas sete anos quando acusou o pai de molestá-la dentro da casa de sua mãe, no estado americano de Connecticut. Deu-se início, em seguida, a um turbulento processo de custódia que ganhou as manchetes do mundo todo. Na época, Allen e Mia viviam um relacionamento de 12 anos e tinham três filhos – dois adotivos, Dylan e Moses, e um biológico, Satchel (agora conhecido como Ronan Farrow). Na esteira das alegações feitas por Dylan, veio à tona o fato de que Allen também se relacionava com outra filha de Mia, Soon-Yi Previn, sem que ninguém soubesse. Confira o trailer:

Se você espera um documentário marcado por uma investigação jornalística profunda e uma narrativa menos cinematográfica, pode esquecer, "Allen contra Farrow" não é para você. A série traz para a discussão temas pesados e quase sempre pautados por imagens bastante perturbadoras, porém o conceito narrativo é extremamente voltado para o entretenimento, com uma edição dinâmica, uma direção claramente orientada para manipulação de sentimentos, apoiada em artifícios dramáticos e, claro, que explora apenas um lado da história - mesmo citando o outro lado em todos os episódios, mas sem a mesma força de contra-argumentação.

O que pode incomodar, é o fato dos diretores Kirby Dick (duas vezes indicado ao Oscar - "The Invisible War" e "Twist of Faith") e Amy Ziering (com uma indicação por "The Invisible War"), e que repetem a parceria no assunto depois do aclamado "The Hunting Ground", escancararem suas opiniões sobre o caso e com isso desacreditarem nas provas contrárias à acusação, como por exemplo um depoimento de Moses Farrow (filho adotivo de Mia), que diz ter sofrido abuso físico pelas mãos de sua mãe. A impressão de que foi "dois pesos duas medidas" não para por aí - Ronan Farrow (filho biológico do casal) alega ter sido orientado pelo pai para defende-lo publicamente em troca de dinheiro para faculdade, porém em nenhum momento do documentário é abordado o fato de que Mia Farrow tenha feito uma oferta para Woody Allen em troca de abafar o caso mediante ao pagamento. Esse tipo de atitude, aliás, acaba desqualificando algo muito sério, como o filme que Farrow fez com Dylan dias depois dela ter, supostamente, sofrido abuso.

Ao se pautar apenas pelo documentário, qualquer ser humano será incapaz de dar um play em qualquer outro filme do Woody Allen, mas, sinceramente, não sei se seria esse o caso - muita coisa fica no ar, é pouco conclusivo e até os fatos são confusos. Cabe a quem assiste interpretar os fatos e tentar se abster da manipulação emocional que a própria história propõe. Tecnicamente, o documentário merece elogios, aproveitando muito bem os filmes caseiros da família, depoimentos de muitas pessoas que estiveram envolvidos com aquela situação, cenas de arquivo dos noticiários da época, ilustrações dos julgamentos pela guarda dos filhos, gravações telefônicas inéditas, enfim, é um show de montagem e de conexão dos fatos - algumas forçando demais a barra (como a que tenta encontrar padrões nos filmes de Allen para justificar suas atitudes pessoais) e outras completamente coerentes com a visão de quem sofreu durante anos com o fato - o encontro de Dylan com o promotor do caso é rápido, mas muito humano!

Olha, mesmo sabendo que vai dividir opiniões eu indico "Allen contra Farrow" de olhos fechados, mas aviso: não será uma jornada fácil (principalmente nos episódios 2 e 3)!

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Arremesso Final

Arremesso Final

Tão sensacional quanto "Formula 1: Dirigir para Sobreviver", "Arremesso Final" tem dois diferenciais que precisam ser destacados, o primeiro é para o lado bom: dentro de uma história narrativamente muito bem construída temos um personagem que é simplesmente único e certamente está entre os três maiores gênios de todos os esportes em todos os tempos - Michael Jordan. Já o segundo não é tão bom assim: o projeto se trata de uma minissérie de apenas 10 episódios - é impossível não querer saber mais de todas aquelas histórias, seja você um amante de basquete ou só um curioso em conhecer os bastidores da criação de um mito! Confira o trailer: 

"Last Dance", título original e infinitamente mais coerente que "Arremesso Final", é um registro imperdível de um dos períodos mais importantes da história do basquete americano e da NBA, onde o Chicago Bulls (saco de pancadas da Liga) vai se transformando em no time quase imbatível que alcançou a incrível marca de seis títulos em oito anos, depois da chegada de Jordan, um atleta que além de fenômeno no esporte, alcançou patamares inimagináveis até aquele momento no que diz respeito a influência cultural e poder de marketing! O mais sensacional disso tudo é que o diretor Jason Hehir conseguiu construir uma narrativa tão dinâmica e coerente para contar essa história que temos a sensação de estar revivendo aqueles momentos como se fosse hoje! 

Embora seja impossível desassociar o sucesso dos Bulls com a ascensão esportiva de Michael Jordan, "Arremesso Final" vai muito além ao contar histórias bastante peculiares tanto dos bastidores do time (nas temporadas que ganharam e que perderam), quanto das pessoas que rodeavam o grande astro. Rodman, Kerr, Paxton, Pippen e até Phil Jackson foram de extrema importância em momentos-chaves de toda essa jornada que começou em 1985 com a terceira escolha no draft. O bacana é que são tantas curiosidades, muitas delas contadas pela primeira vez e pelos próprios personagens, que não conseguimos parar de assistir os episódios - mesmo sofrendo por saber que são apenas 10!

Esse projeto começou durante a temporada 1997/98 daNBA, quando uma equipe de filmagem ganhou total acesso aos bastidores do Chicago Bulls para registrar as coletivas de imprensa, as conversas de vestiários e todo o cotidiano de treinos e viagens do time. O material de mais de um ano de gravações ficou guardado por duas décadas, até que produtores da NBA em parceria com a ESPN entraram em contato com o próprio Jordan, dono dos direitos, e prometeram um verdadeiro tratado sobre sua carreira para que as novas gerações pudessem conhecer o seu legado no esporte e na cultura pop.

Um dos (vários) postos-altos da minissérie é a forma como Hehir equilibra a construção da jornada esportiva de MJ com a transformação cultural dos anos 90 - sempre pontuada por uma trilha sonora nostálgica! A edição tem um papel fundamental nesse trabalho - ela usa dos noticiários da época para ilustrar algumas passagens como o atentado terrorista que matou o pai de Steve Kerr ou os possíveis indícios da relação de Jordan com o vício em jogos de azar que poderiam, inclusive, ter sido a razão da sua primeira aposentadoria e, para quem gosta de teorias da conspiração, a causa da morte de seu pai. Já pelo lado esportivo, o diretor se baseia no sexto (e último) título dos Bulls para desconstruir todas as demais campanhas até ali, indo e voltando na linha do tempo, para justificar algumas dificuldades pontais, aumentar a força dramática e relacionar causas com efeitos para que a audiência entenda perfeitamente o valor de cada conquista.

"Arremesso Final" é uma daquelas relíquias que, graças a Deus, foram produzidas e democratizadas pelo streaming! Uma aula de história esportiva e um mergulho no dia a dia de um atleta que para muitos pertencia a um outro planeta, mas que na verdade foi uma pessoa como nós, com todas as imperfeições e angustias, mas que se dedicou e buscou seus objetivos com muita resiliência, treinamento e talento. Olha, a minissérie é, de fato, imperdível! Play now!!!!

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Tão sensacional quanto "Formula 1: Dirigir para Sobreviver", "Arremesso Final" tem dois diferenciais que precisam ser destacados, o primeiro é para o lado bom: dentro de uma história narrativamente muito bem construída temos um personagem que é simplesmente único e certamente está entre os três maiores gênios de todos os esportes em todos os tempos - Michael Jordan. Já o segundo não é tão bom assim: o projeto se trata de uma minissérie de apenas 10 episódios - é impossível não querer saber mais de todas aquelas histórias, seja você um amante de basquete ou só um curioso em conhecer os bastidores da criação de um mito! Confira o trailer: 

"Last Dance", título original e infinitamente mais coerente que "Arremesso Final", é um registro imperdível de um dos períodos mais importantes da história do basquete americano e da NBA, onde o Chicago Bulls (saco de pancadas da Liga) vai se transformando em no time quase imbatível que alcançou a incrível marca de seis títulos em oito anos, depois da chegada de Jordan, um atleta que além de fenômeno no esporte, alcançou patamares inimagináveis até aquele momento no que diz respeito a influência cultural e poder de marketing! O mais sensacional disso tudo é que o diretor Jason Hehir conseguiu construir uma narrativa tão dinâmica e coerente para contar essa história que temos a sensação de estar revivendo aqueles momentos como se fosse hoje! 

Embora seja impossível desassociar o sucesso dos Bulls com a ascensão esportiva de Michael Jordan, "Arremesso Final" vai muito além ao contar histórias bastante peculiares tanto dos bastidores do time (nas temporadas que ganharam e que perderam), quanto das pessoas que rodeavam o grande astro. Rodman, Kerr, Paxton, Pippen e até Phil Jackson foram de extrema importância em momentos-chaves de toda essa jornada que começou em 1985 com a terceira escolha no draft. O bacana é que são tantas curiosidades, muitas delas contadas pela primeira vez e pelos próprios personagens, que não conseguimos parar de assistir os episódios - mesmo sofrendo por saber que são apenas 10!

Esse projeto começou durante a temporada 1997/98 daNBA, quando uma equipe de filmagem ganhou total acesso aos bastidores do Chicago Bulls para registrar as coletivas de imprensa, as conversas de vestiários e todo o cotidiano de treinos e viagens do time. O material de mais de um ano de gravações ficou guardado por duas décadas, até que produtores da NBA em parceria com a ESPN entraram em contato com o próprio Jordan, dono dos direitos, e prometeram um verdadeiro tratado sobre sua carreira para que as novas gerações pudessem conhecer o seu legado no esporte e na cultura pop.

Um dos (vários) postos-altos da minissérie é a forma como Hehir equilibra a construção da jornada esportiva de MJ com a transformação cultural dos anos 90 - sempre pontuada por uma trilha sonora nostálgica! A edição tem um papel fundamental nesse trabalho - ela usa dos noticiários da época para ilustrar algumas passagens como o atentado terrorista que matou o pai de Steve Kerr ou os possíveis indícios da relação de Jordan com o vício em jogos de azar que poderiam, inclusive, ter sido a razão da sua primeira aposentadoria e, para quem gosta de teorias da conspiração, a causa da morte de seu pai. Já pelo lado esportivo, o diretor se baseia no sexto (e último) título dos Bulls para desconstruir todas as demais campanhas até ali, indo e voltando na linha do tempo, para justificar algumas dificuldades pontais, aumentar a força dramática e relacionar causas com efeitos para que a audiência entenda perfeitamente o valor de cada conquista.

"Arremesso Final" é uma daquelas relíquias que, graças a Deus, foram produzidas e democratizadas pelo streaming! Uma aula de história esportiva e um mergulho no dia a dia de um atleta que para muitos pertencia a um outro planeta, mas que na verdade foi uma pessoa como nós, com todas as imperfeições e angustias, mas que se dedicou e buscou seus objetivos com muita resiliência, treinamento e talento. Olha, a minissérie é, de fato, imperdível! Play now!!!!

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Bohemian Rhapsody

É incrível como a música ativa os gatilhos das lembranças e das emoções com tanta força!!! E como o cinema potencializa isso!!! Acho que um dos trunfos de "Bohemian Rhapsody" é justamente esse: nos levar para uma época que deixou muita saudade (se você tem mais de 35 anos), tendo como trilha sonora uma das maiores bandas de todos os tempos, o Queen! 

"Bohemian Rhapsody" conta a história por trás da ascensão do Queen, através de seu estilo próprio, da sua música que oscilava entre o rock e o pop capaz, e dos enormes sucessos como a própria canção que da nome ao filme. "Bohemian Rhapsody" é inteligente ao relatar também as tensões da banda, o estilo de vida de Freddie Mercury e passagens emblemáticas como a reunião na véspera do festival Live Aid (organizado por Bob Geldof, em Wembley, no ano de 1985), onde cantor, compositor e pianista do Queen, já lidando com a realidade da sua doença, conduziu a sua banda em um dos concertos mais lendários da história da música!

De fato, a história do Freddie Mercury merecia ser contada, ele era um gênio, muito a frente do seu tempo e não consigo imaginar o tamanho que seria se ainda estivesse vivo; mas tenho que dizer que, como filme em si, o roteiro deixa um pouco a desejar. Ele nos passa a impressão de já termos assistido algo parecido, pois a estrutura narrativa segue a mesma fórmula de vários outros filmes biográficos de um Rock Star. Claro que isso não prejudica a experiência, mas também não coloca o filme como uma obra a ser referenciada ou inovadora. Faça o exercício de assistir "Cazuza" ou "Elis" antes de assistir "Bohemian Rhapsody" e você vai entender o que eu estou falando.  O filme é grandioso sim, mas não é um grande filme! Ele tinha potencial para provocar mais, mas aliviaram!

Na minha opinião "Quase Famosos" e "Ray" são melhores como obras cinematográficas, mas isso pouco vai importar porque o diretor Bryan Singer (Os Suspeitos e X-men) entrega o que promete com muita maestria: um filme dinâmico, bem realizado e, principalmente, nostálgico! É impossível não destacar o 3º ato para ilustrar minha afirmação - ele é alucinante!!!! Singer trás a atmosfera grandiosa de um show histórico como nunca tinha visto; ele nos coloca no palco, junto com a banda, e no meio do publico em um Wembley lotado - tudo ao mesmo tempo! Ele mexe com nossa fantasia de subir no palco e ver um Estádio com mais de 100 mil pessoas esperando para cantar sua música - mais ou menos como o Aronofsky fez em Cisne Negro ou como o Oliver Stone fez em "Any Given Sunday". É muito bacana! Fiquei imaginando esse filme em Imax!!! A fotografia também merece um destaque especial. Belo trabalho do Newton Thomas Sigel (Tom Sigel). Rami Malek como Freddie Mercury tem seus bons momentos - tem uma cena que ele fala com os olhos que é sensacional!! É possível sentir sua dor sem ele dizer uma só palavra - digna de prêmios!!! A direção de arte e maquiagem eu achei mediana, não compromete, mas também não salta aos olhos. 

O fato é que mesmo, com algumas limitações de roteiro, "Bohemian Rhapsody" merece ser visto, com o som lá no alto! É divertido, emocionante e justifica o Hype!!!!

Up-date: "Bohemian Rhapsody" ganhou em quatro categorias no Oscar 2019: Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem, Melhor Montagem e Melhor Ator!

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É incrível como a música ativa os gatilhos das lembranças e das emoções com tanta força!!! E como o cinema potencializa isso!!! Acho que um dos trunfos de "Bohemian Rhapsody" é justamente esse: nos levar para uma época que deixou muita saudade (se você tem mais de 35 anos), tendo como trilha sonora uma das maiores bandas de todos os tempos, o Queen! 

"Bohemian Rhapsody" conta a história por trás da ascensão do Queen, através de seu estilo próprio, da sua música que oscilava entre o rock e o pop capaz, e dos enormes sucessos como a própria canção que da nome ao filme. "Bohemian Rhapsody" é inteligente ao relatar também as tensões da banda, o estilo de vida de Freddie Mercury e passagens emblemáticas como a reunião na véspera do festival Live Aid (organizado por Bob Geldof, em Wembley, no ano de 1985), onde cantor, compositor e pianista do Queen, já lidando com a realidade da sua doença, conduziu a sua banda em um dos concertos mais lendários da história da música!

De fato, a história do Freddie Mercury merecia ser contada, ele era um gênio, muito a frente do seu tempo e não consigo imaginar o tamanho que seria se ainda estivesse vivo; mas tenho que dizer que, como filme em si, o roteiro deixa um pouco a desejar. Ele nos passa a impressão de já termos assistido algo parecido, pois a estrutura narrativa segue a mesma fórmula de vários outros filmes biográficos de um Rock Star. Claro que isso não prejudica a experiência, mas também não coloca o filme como uma obra a ser referenciada ou inovadora. Faça o exercício de assistir "Cazuza" ou "Elis" antes de assistir "Bohemian Rhapsody" e você vai entender o que eu estou falando.  O filme é grandioso sim, mas não é um grande filme! Ele tinha potencial para provocar mais, mas aliviaram!

Na minha opinião "Quase Famosos" e "Ray" são melhores como obras cinematográficas, mas isso pouco vai importar porque o diretor Bryan Singer (Os Suspeitos e X-men) entrega o que promete com muita maestria: um filme dinâmico, bem realizado e, principalmente, nostálgico! É impossível não destacar o 3º ato para ilustrar minha afirmação - ele é alucinante!!!! Singer trás a atmosfera grandiosa de um show histórico como nunca tinha visto; ele nos coloca no palco, junto com a banda, e no meio do publico em um Wembley lotado - tudo ao mesmo tempo! Ele mexe com nossa fantasia de subir no palco e ver um Estádio com mais de 100 mil pessoas esperando para cantar sua música - mais ou menos como o Aronofsky fez em Cisne Negro ou como o Oliver Stone fez em "Any Given Sunday". É muito bacana! Fiquei imaginando esse filme em Imax!!! A fotografia também merece um destaque especial. Belo trabalho do Newton Thomas Sigel (Tom Sigel). Rami Malek como Freddie Mercury tem seus bons momentos - tem uma cena que ele fala com os olhos que é sensacional!! É possível sentir sua dor sem ele dizer uma só palavra - digna de prêmios!!! A direção de arte e maquiagem eu achei mediana, não compromete, mas também não salta aos olhos. 

O fato é que mesmo, com algumas limitações de roteiro, "Bohemian Rhapsody" merece ser visto, com o som lá no alto! É divertido, emocionante e justifica o Hype!!!!

Up-date: "Bohemian Rhapsody" ganhou em quatro categorias no Oscar 2019: Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem, Melhor Montagem e Melhor Ator!

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Deixando Neverland

Olha, o documentário da HBO "Deixando Neverland" é uma das coisas mais perturbadoras que eu assisti nos últimos anos. "Um soco no estômago", eu definiria! São pouco mais de 4 horas, divididas em 2 partes, contando como Michael Jackson se relacionava com algumas crianças (e com suas famílias) durante sua vida adulta. O grande problema é que essa "relação" quase sempre se transformava em abuso sexual infantil (pedofilia mesmo!!!!) e o relato impressionante de duas dessas vitimas  desconstrói a figura da maior estrela pop da história de uma forma avassaladora! 

"Deixando Neverland" mostra as histórias de Wade Robson e James Safechuck, duas crianças que por circunstâncias diferentes passaram grande parte da sua infância como amigos íntimos de Michael Jackson, muito antes de estourar as acusações de pedofilia que ele sofreu em 1993. O interessante do documentário é que o Diretor Dan Reed cria uma estrutura narrativa onde, paralelamente, essas duas histórias vão se encontrando naturalmente e pior, validando os padrões de comportamento do próprio Michael Jackson de forma independente. São depoimentos fortes, chocantes até, ilustrados com recados em secretária eletrônica, reportagens da época, gravações de shows e bilhetes escritos pelo próprio Michael.

Outro fator que ajuda a embrulhar o estômago é como as famílias desses dois garotos se deixam levar pela vida de glamour que o astro proporcionava para eles. Com depoimentos dos próprios envolvidos fica fácil criar um desenho de como tudo que envolvia Jackson se tornava tentador e influenciava na estrutura familiar ou no cotidiano dessas pessoas. Como cada um via a sua relação com o astro e, principalmente, com enxergava a maneira como ele se relacionava com as crianças. Sob o pretexto da ingenuidade, o documentário aponta como cada decisão era tomada e como isso repercutiu na vida de todos a partir daí! Sério, é um exercício de auto-controle e de projeção, pois fica muito (mas muito) difícil não julgar determinadas atitudes de todos os envolvidos e isso acaba sendo tão genuíno que tira quem assiste da zona de conforto em vários momentos.

Vale dizer que o documentário não se preocupa em ser investigativo ou buscar provas desses relatos como muitas séries documentais que fizeram sucesso recentemente. Sua proposta, acertada na minha opinião, tenta muito mais se aprofundar em toda a polêmica que envolveu Michael Jackson através da história desses dois personagens do que propriamente demonizar o cantor ou diminuir seu talento e até importância no cenário do entretenimento mundial. É perceptível a preocupação do diretor de se manter isento, mas é claro também, que o tom desses relatos provocam uma confusão mental sobre o que viveram essas pessoas em uma época onde o poder e a influência eram intocáveis. Aliás, Michael Jackson era intocável mas depois de assistir essas 4 horas fica impossível defendê-lo!!!!

Vale muito esse play, mas se prepare para lidar com as mais diferentes sensações que um excelente documentário é capaz de causar!

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Olha, o documentário da HBO "Deixando Neverland" é uma das coisas mais perturbadoras que eu assisti nos últimos anos. "Um soco no estômago", eu definiria! São pouco mais de 4 horas, divididas em 2 partes, contando como Michael Jackson se relacionava com algumas crianças (e com suas famílias) durante sua vida adulta. O grande problema é que essa "relação" quase sempre se transformava em abuso sexual infantil (pedofilia mesmo!!!!) e o relato impressionante de duas dessas vitimas  desconstrói a figura da maior estrela pop da história de uma forma avassaladora! 

"Deixando Neverland" mostra as histórias de Wade Robson e James Safechuck, duas crianças que por circunstâncias diferentes passaram grande parte da sua infância como amigos íntimos de Michael Jackson, muito antes de estourar as acusações de pedofilia que ele sofreu em 1993. O interessante do documentário é que o Diretor Dan Reed cria uma estrutura narrativa onde, paralelamente, essas duas histórias vão se encontrando naturalmente e pior, validando os padrões de comportamento do próprio Michael Jackson de forma independente. São depoimentos fortes, chocantes até, ilustrados com recados em secretária eletrônica, reportagens da época, gravações de shows e bilhetes escritos pelo próprio Michael.

Outro fator que ajuda a embrulhar o estômago é como as famílias desses dois garotos se deixam levar pela vida de glamour que o astro proporcionava para eles. Com depoimentos dos próprios envolvidos fica fácil criar um desenho de como tudo que envolvia Jackson se tornava tentador e influenciava na estrutura familiar ou no cotidiano dessas pessoas. Como cada um via a sua relação com o astro e, principalmente, com enxergava a maneira como ele se relacionava com as crianças. Sob o pretexto da ingenuidade, o documentário aponta como cada decisão era tomada e como isso repercutiu na vida de todos a partir daí! Sério, é um exercício de auto-controle e de projeção, pois fica muito (mas muito) difícil não julgar determinadas atitudes de todos os envolvidos e isso acaba sendo tão genuíno que tira quem assiste da zona de conforto em vários momentos.

Vale dizer que o documentário não se preocupa em ser investigativo ou buscar provas desses relatos como muitas séries documentais que fizeram sucesso recentemente. Sua proposta, acertada na minha opinião, tenta muito mais se aprofundar em toda a polêmica que envolveu Michael Jackson através da história desses dois personagens do que propriamente demonizar o cantor ou diminuir seu talento e até importância no cenário do entretenimento mundial. É perceptível a preocupação do diretor de se manter isento, mas é claro também, que o tom desses relatos provocam uma confusão mental sobre o que viveram essas pessoas em uma época onde o poder e a influência eram intocáveis. Aliás, Michael Jackson era intocável mas depois de assistir essas 4 horas fica impossível defendê-lo!!!!

Vale muito esse play, mas se prepare para lidar com as mais diferentes sensações que um excelente documentário é capaz de causar!

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Diana

"Diana", filme que erroneamente foi vendido como uma cinebiografia, é uma espécie de "Um Lugar Chamado Notting Hill" da vida real - e não falo isso com demérito algum, mas é preciso alinhar as expectativas para que você não se decepcione com o recorte (e o caminho) escolhido para contar como foram os dois últimos anos de vida da princesa Diana, entre sua chocante entrevista para e jornalista Martin Bashir do programaPanorama, da BBC, em novembro de 1995 até sua morte em 31 de agosto de 1997, em Paris.

O filme mostra, basicamente, a princesa Diana (Naomi Watts), a mulher mais famosa do mundo na época, embarcando em um caso de amor complicado com um homem simples e reservado, o cirurgião cardíaco paquistanês Hasnat Khan (Naveen Andrews). Confira o trailer (em inglês):

Dirigido por Oliver Hirschbiegel (de "A Queda! As Últimas Horas de Hitler"), "Diana" é um filme agradável de assistir, mas funciona muito mais como curiosidade do que por sua narrativa dramática e cheia de camadas de uma protagonista complexa que todos conhecem seu destino. "Diana" é um sopro do que poderia representar uma cinebiografia de uma personalidade com esse tamanho, embora o roteiro Stephen Jeffreys, inspirado no livro de Kate Snell, "Diana Her Last Love'", deixe claro isso desde o seu início, ou seja, em hipótese nenhuma, depois do play, pode-se dizer que a audiência foi enganada. Tirando algumas passagens como quando Diana cruza o olhar com o médico Hasnat Khan e na cena seguinte ela já está sonhando com a cabeça no travesseiro, toda apaixonada; Hirschbiegel e Jeffreys foram muito felizes em expor alguns detalhes da intimidade da princesa sem precisar coloca-la em um pedestal. Se sua fama destruiu sua privacidade, afastou o que seria seu grande amor e a separou de seus filhos, seu ativismo em causas nobres e a forma como ela manipulava a imprensa também ajudou a transformar sua vida - a passagem que mostra sua relação com o repórter do "The Sun" para vazar as famosas fotos dela com Dodi Fayed (Cas Anvar) em seu iate, é um bom exemplo disso.

Muito bem fotografado pelo suíço Rainer Klausmann (do excelente "Em Pedaços"), "Diana" não compromete em absolutamente nenhum elemento técnico ou artístico. Naomi Watts fez um excelente trabalho - uma construção de personagem que merece elogios e, principalmente, com uma consciência corporal bastante competente, trazendo para tela vários trejeitos da Diana que, ao lado da maquiagem, facilmente nos transportam para o passado.

O farto é que "Diana" deixa um gostinho de "quero mais" por imaginarmos que sua vida seria muito mais interessante do que a que foi retratada no filme - mas repito, isso não diminui o valor da historia já que esse não era o objetivo e ponto final! Talvez em "The Crown" ou em "Spencer", filme dirigido por Pablo Larraín e com Kristen Stewart como protagonista, tenhamos isso. A questão do desejo das pessoas em viver uma vida através das atitudes de seus ídolos e o papel da mídia sensacionalista inglesa nisso tudo é até mencionada, mas sem muita força. Então lembre-se: "Diana" é "Um Lugar Chamado Notting Hill" da vida real e mais nada!

Dito isso, vale o play tranquilamente!

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"Diana", filme que erroneamente foi vendido como uma cinebiografia, é uma espécie de "Um Lugar Chamado Notting Hill" da vida real - e não falo isso com demérito algum, mas é preciso alinhar as expectativas para que você não se decepcione com o recorte (e o caminho) escolhido para contar como foram os dois últimos anos de vida da princesa Diana, entre sua chocante entrevista para e jornalista Martin Bashir do programaPanorama, da BBC, em novembro de 1995 até sua morte em 31 de agosto de 1997, em Paris.

O filme mostra, basicamente, a princesa Diana (Naomi Watts), a mulher mais famosa do mundo na época, embarcando em um caso de amor complicado com um homem simples e reservado, o cirurgião cardíaco paquistanês Hasnat Khan (Naveen Andrews). Confira o trailer (em inglês):

Dirigido por Oliver Hirschbiegel (de "A Queda! As Últimas Horas de Hitler"), "Diana" é um filme agradável de assistir, mas funciona muito mais como curiosidade do que por sua narrativa dramática e cheia de camadas de uma protagonista complexa que todos conhecem seu destino. "Diana" é um sopro do que poderia representar uma cinebiografia de uma personalidade com esse tamanho, embora o roteiro Stephen Jeffreys, inspirado no livro de Kate Snell, "Diana Her Last Love'", deixe claro isso desde o seu início, ou seja, em hipótese nenhuma, depois do play, pode-se dizer que a audiência foi enganada. Tirando algumas passagens como quando Diana cruza o olhar com o médico Hasnat Khan e na cena seguinte ela já está sonhando com a cabeça no travesseiro, toda apaixonada; Hirschbiegel e Jeffreys foram muito felizes em expor alguns detalhes da intimidade da princesa sem precisar coloca-la em um pedestal. Se sua fama destruiu sua privacidade, afastou o que seria seu grande amor e a separou de seus filhos, seu ativismo em causas nobres e a forma como ela manipulava a imprensa também ajudou a transformar sua vida - a passagem que mostra sua relação com o repórter do "The Sun" para vazar as famosas fotos dela com Dodi Fayed (Cas Anvar) em seu iate, é um bom exemplo disso.

Muito bem fotografado pelo suíço Rainer Klausmann (do excelente "Em Pedaços"), "Diana" não compromete em absolutamente nenhum elemento técnico ou artístico. Naomi Watts fez um excelente trabalho - uma construção de personagem que merece elogios e, principalmente, com uma consciência corporal bastante competente, trazendo para tela vários trejeitos da Diana que, ao lado da maquiagem, facilmente nos transportam para o passado.

O farto é que "Diana" deixa um gostinho de "quero mais" por imaginarmos que sua vida seria muito mais interessante do que a que foi retratada no filme - mas repito, isso não diminui o valor da historia já que esse não era o objetivo e ponto final! Talvez em "The Crown" ou em "Spencer", filme dirigido por Pablo Larraín e com Kristen Stewart como protagonista, tenhamos isso. A questão do desejo das pessoas em viver uma vida através das atitudes de seus ídolos e o papel da mídia sensacionalista inglesa nisso tudo é até mencionada, mas sem muita força. Então lembre-se: "Diana" é "Um Lugar Chamado Notting Hill" da vida real e mais nada!

Dito isso, vale o play tranquilamente!

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Estados Unidos vs Billie Holiday

"Estados Unidos vs Billie Holiday" é mais um soco no estômago que acompanha a tendência audiovisual de discutir o racismo estrutural que foi se construindo durante as gerações e que não perdoava nem as celebridades de sua época, no caso uma das maiores vozes do jazz americano. Inegavelmente que o filme funciona muito mais como uma apresentação biográfica bastante relevante na história do que como uma obra cinematográfica inesquecível, porém é de se elogiar alguns pontos importantes, entre eles o incrível trabalho de Andra Day como protagonista - que lhe rendeu uma indicação ao Oscar 2021 de Melhor Atriz.

No filme, Billie Holiday é investigada pela Agência Americana de Narcóticos no auge do seu sucesso. A entidade suspeitava que a cantora recebia drogas como retribuição por seu ativismo político. Voz do sucesso "Strange Fruit", cuja letra denunciava o linchamento que os negros sofriam na época e que incomodava a elite (criando a sensação da insegurança de que através da música surgisse uma revolução de cobrança aos direitos civis dos negros), Holiday sofreu uma intensa perseguição com o claro objetivo de impedir suas apresentações, sempre lotadas. No entanto, o responsável pelo caso, o agente Jimmy Fletcher (Trevante Rhodes), acaba trocando de lado após se apaixonar pela cantora. Confira o trailer (em inglês):

Talvez o ponto que mais incomode quem assiste "Estados Unidos vs Billie Holiday" é seu ritmo. A dinâmica narrativa imposta pelo roteiro, de fato, não é das mais fluídas, nos causando uma ligeira sensação de cansaço, já que o eventos se tornam repetitivos. Por outro lado, existem duas jornadas de personagens, de Holiday e de Fletcher, que vão se transformando com o passar dos atos e que nos mantém ligados na história, torcendo para que tudo possa ser resolvido e ambos tenham paz. Me parece, mais uma vez, que o tempo de tela jogou contra - o filme do diretor Lee Daniels (indicado ao Oscar por "Preciosa") merecia um roteiro melhor, com um recorte mais cirúrgico da vida de Holiday para se encaixar melhor no formato, talvez como  aconteceu em Judy ou, melhor ainda, em "Uma noite em Miami..." e em "A Voz Suprema do Blues".

Se desconectar do impacto psicológico e político do Estado norte-americano sobre a cantora é praticamente impossível, algo muito próximo do que passou a atriz Seberg alguns anos mais tarde, porém é preciso que se diga que a proximidade ideológica do diretor traz um sentimentalismo um pouco exagerado para o filme, como se fosse necessário bater sempre na mesma tecla para alcançar a empatia de quem assiste. Definitivamente, Billie Holiday não precisava disso! Quando Daniels se propõe a explorar sua capacidade como cineasta, ele entrega um plano sequência belíssimo no final do segundo ato, com uma fotografia linda e uma construção cênica exuberante que nos causa um impacto bastante profundo ao ver aquela cruz queimando - o que prova que faltou mais equilíbrio, mais roteiro e mais sensibilidade.

"Estados Unidos vs Billie Holiday" é filme didático, importante culturalmente e denso! Vai agradar quem gosta de cinebiografias musicais - inclusive as cenas em que Andra Day está cantando e uma narrativa é construída em segundo plano para sobrepor as letras das músicas, são lindas! Vale como entretenimento para aqueles se identificam com o tema e com o gênero. O filme é uma mistura de "Small Axe"com a já citada, "Judy"!

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"Estados Unidos vs Billie Holiday" é mais um soco no estômago que acompanha a tendência audiovisual de discutir o racismo estrutural que foi se construindo durante as gerações e que não perdoava nem as celebridades de sua época, no caso uma das maiores vozes do jazz americano. Inegavelmente que o filme funciona muito mais como uma apresentação biográfica bastante relevante na história do que como uma obra cinematográfica inesquecível, porém é de se elogiar alguns pontos importantes, entre eles o incrível trabalho de Andra Day como protagonista - que lhe rendeu uma indicação ao Oscar 2021 de Melhor Atriz.

No filme, Billie Holiday é investigada pela Agência Americana de Narcóticos no auge do seu sucesso. A entidade suspeitava que a cantora recebia drogas como retribuição por seu ativismo político. Voz do sucesso "Strange Fruit", cuja letra denunciava o linchamento que os negros sofriam na época e que incomodava a elite (criando a sensação da insegurança de que através da música surgisse uma revolução de cobrança aos direitos civis dos negros), Holiday sofreu uma intensa perseguição com o claro objetivo de impedir suas apresentações, sempre lotadas. No entanto, o responsável pelo caso, o agente Jimmy Fletcher (Trevante Rhodes), acaba trocando de lado após se apaixonar pela cantora. Confira o trailer (em inglês):

Talvez o ponto que mais incomode quem assiste "Estados Unidos vs Billie Holiday" é seu ritmo. A dinâmica narrativa imposta pelo roteiro, de fato, não é das mais fluídas, nos causando uma ligeira sensação de cansaço, já que o eventos se tornam repetitivos. Por outro lado, existem duas jornadas de personagens, de Holiday e de Fletcher, que vão se transformando com o passar dos atos e que nos mantém ligados na história, torcendo para que tudo possa ser resolvido e ambos tenham paz. Me parece, mais uma vez, que o tempo de tela jogou contra - o filme do diretor Lee Daniels (indicado ao Oscar por "Preciosa") merecia um roteiro melhor, com um recorte mais cirúrgico da vida de Holiday para se encaixar melhor no formato, talvez como  aconteceu em Judy ou, melhor ainda, em "Uma noite em Miami..." e em "A Voz Suprema do Blues".

Se desconectar do impacto psicológico e político do Estado norte-americano sobre a cantora é praticamente impossível, algo muito próximo do que passou a atriz Seberg alguns anos mais tarde, porém é preciso que se diga que a proximidade ideológica do diretor traz um sentimentalismo um pouco exagerado para o filme, como se fosse necessário bater sempre na mesma tecla para alcançar a empatia de quem assiste. Definitivamente, Billie Holiday não precisava disso! Quando Daniels se propõe a explorar sua capacidade como cineasta, ele entrega um plano sequência belíssimo no final do segundo ato, com uma fotografia linda e uma construção cênica exuberante que nos causa um impacto bastante profundo ao ver aquela cruz queimando - o que prova que faltou mais equilíbrio, mais roteiro e mais sensibilidade.

"Estados Unidos vs Billie Holiday" é filme didático, importante culturalmente e denso! Vai agradar quem gosta de cinebiografias musicais - inclusive as cenas em que Andra Day está cantando e uma narrativa é construída em segundo plano para sobrepor as letras das músicas, são lindas! Vale como entretenimento para aqueles se identificam com o tema e com o gênero. O filme é uma mistura de "Small Axe"com a já citada, "Judy"!

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Fake Famous

Até que ponto o "marketing de percepção" pode se tornar relevante em uma rede social? A reposta é simples: se não houver conteúdo que justifique aquela exposição, não vale a pena! Mas, será mesmo?

Esse documentário da HBOmostra como é possível construir uma influenciadora mesmo que seja completamente falsa a vida que ela leva. Em "Fake Famous" acompanhamos 3 cobaias escolhidas para um experimento onde são usados todos os truques possíveis para torná-las famosas - da compra de seguidores, likes e comentários no Instagram, até a produção de fotos falsas ou a criação de relações com patrocinadores que não existem comercialmente. Confira o trailer:

A ideia nasceu quando o jornalista Nick Bilton, em sua estreia como documentarista, depois de passar pelo The New York Times e depois pela Vanity Fair como repórter especializado em tecnologia, falou para um de seus editores que conseguiria transformar uma pessoa comum em um influenciador em 10 minutos. A resposta foi positiva, dizendo que o conceito poderia gerar um documentário bastante interessante. A partir daí, Bilton começou a colocar seu projeto em prática. Ele realizou um longo processo de pesquisa e escolha de elenco até encontrar seus três objetos de estudo: Dominique, uma carismática funcionária de uma loja de roupas e aspirante a atriz; Chris, um estilista iniciante recém chegado à Los Angeles; e Wylie, um jovem, gay, assistente em uma empresa do mercado imobiliário.

O interessante do documentário é justamente entender até que ponto o volume de seguidores reflete a relevância que um influenciador pode ter. Ao acompanhar os três personagens, temos a imediata percepção que com os números (na maioria falsos e comprados) vem um bônus, mas também o ônus. Criar algo inexistente pode funcionar, mas o teste prova que não é uma matemática exata e expõe diversos fatores - o impacto na vida desses personagens, certamente, é o que mais impressiona ou você conhece alguém que quer ter uma vida de mentira? Ops, não precisa responder!

Em uma sociedade pautada pelo que é visto e não pelo que é falado, "Fake Famous - uma experiência surreal nas redes" é uma provocação inteligente, com uma narrativa fácil, dinâmica e muito interessante, que nos prende e nos provoca a cada fase do processo. São atalhos que brincam com a percepção de quem acompanha a vida de personalidades nas redes sociais, mais precisamente o Instagram, e como isso vem se transformando em um problema para toda uma jovem geração - e aqui cabe minha única critica ao documentário: faltou se aprofundar nesse problema com uma proposta mais séria de informação e estatística. 

Tirando esse detalhe, é impossível não indicar "Fake Famous" por levantar questões importantes sobre esse recorte social tão atual e, claro, pelo entretenimento bastante curioso e instigante que a experiência proporciona para quem vive e assiste. Vale muito a pena!

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Até que ponto o "marketing de percepção" pode se tornar relevante em uma rede social? A reposta é simples: se não houver conteúdo que justifique aquela exposição, não vale a pena! Mas, será mesmo?

Esse documentário da HBOmostra como é possível construir uma influenciadora mesmo que seja completamente falsa a vida que ela leva. Em "Fake Famous" acompanhamos 3 cobaias escolhidas para um experimento onde são usados todos os truques possíveis para torná-las famosas - da compra de seguidores, likes e comentários no Instagram, até a produção de fotos falsas ou a criação de relações com patrocinadores que não existem comercialmente. Confira o trailer:

A ideia nasceu quando o jornalista Nick Bilton, em sua estreia como documentarista, depois de passar pelo The New York Times e depois pela Vanity Fair como repórter especializado em tecnologia, falou para um de seus editores que conseguiria transformar uma pessoa comum em um influenciador em 10 minutos. A resposta foi positiva, dizendo que o conceito poderia gerar um documentário bastante interessante. A partir daí, Bilton começou a colocar seu projeto em prática. Ele realizou um longo processo de pesquisa e escolha de elenco até encontrar seus três objetos de estudo: Dominique, uma carismática funcionária de uma loja de roupas e aspirante a atriz; Chris, um estilista iniciante recém chegado à Los Angeles; e Wylie, um jovem, gay, assistente em uma empresa do mercado imobiliário.

O interessante do documentário é justamente entender até que ponto o volume de seguidores reflete a relevância que um influenciador pode ter. Ao acompanhar os três personagens, temos a imediata percepção que com os números (na maioria falsos e comprados) vem um bônus, mas também o ônus. Criar algo inexistente pode funcionar, mas o teste prova que não é uma matemática exata e expõe diversos fatores - o impacto na vida desses personagens, certamente, é o que mais impressiona ou você conhece alguém que quer ter uma vida de mentira? Ops, não precisa responder!

Em uma sociedade pautada pelo que é visto e não pelo que é falado, "Fake Famous - uma experiência surreal nas redes" é uma provocação inteligente, com uma narrativa fácil, dinâmica e muito interessante, que nos prende e nos provoca a cada fase do processo. São atalhos que brincam com a percepção de quem acompanha a vida de personalidades nas redes sociais, mais precisamente o Instagram, e como isso vem se transformando em um problema para toda uma jovem geração - e aqui cabe minha única critica ao documentário: faltou se aprofundar nesse problema com uma proposta mais séria de informação e estatística. 

Tirando esse detalhe, é impossível não indicar "Fake Famous" por levantar questões importantes sobre esse recorte social tão atual e, claro, pelo entretenimento bastante curioso e instigante que a experiência proporciona para quem vive e assiste. Vale muito a pena!

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Framing Britney Spears

"Framing Britney Spears", que aqui no Brasil ganhou o subtítulo de "A vida de uma estrela", é mais um documentário produzido pelo The New York Times para a plataforma Hulu. De imediato, temos a sensação de que se trata de mais uma história de construção de um fenômeno pop americano que acaba despencando depois de decisões e atitudes bastante questionáveis. De fato esse arco narrativo está no filme, mas o interessante é a perspectiva que a diretora Samantha Stark nos mostra - o que acaba destruindo aquele pré conceito que tomamos como a mais absoluta verdade sem ao menos nos aprofundar ou procurar entender o outro lado da história.

O documentário acompanha a ascensão de Britney Spears como um fenômeno global até sua queda, considerado até hoje como uma espécie de esporte nacional da mais cruel das formas. A partir de depoimentos de pessoas próximas a ela e de advogados que, de alguma maneira, estavam envolvidos no mistério da tutela legal exercida por seu pai e que gerou um movimento popular importante no país: o Free Britney. Confira o teaser: 

A carreira de Britney Spears é um case de sucesso em um período onde as "boys bands" dominavam as paradas e os corações adolescentes. Sua chegada no cenário musical criou um enorme desconforto, pela forma como ela se apresentava, mas por outro lado provocou um sentimento de identificação que subverteu as inúmeras manifestações machistas, hipócritas e conservadoras, tão comum na sociedade americana. O fato é que Britney venceu, marcou uma geração e o documentário é muito feliz em resumir essa jornada de forma direta, sem perder muito tempo. Hoje, quase 13 anos depois de um surto registrado pelas câmeras e virar piada no mundo inteiro, sua vida é controlada pelo seu pai - mesmo ela sendo considerada capaz de tomar suas próprias decisões. É incrível como muitas pessoas ainda consideram a cantora como uma artista de sucesso que simplesmente surtou e nem se preocupam em entender como a vida dela chegou neste ponto. É exatamente esse o objetivo de "Framing Britney Spears": dar voz à Britney, sem necessariamente poder contar com ela no documentário. 

Veja, não se trata de um documentário com um conceito narrativo inovador ou visualmente inesquecível, digno de Oscar ou muitos prêmios, "Framing Britney Spears" é quase uma reportagem especial de qualquer programa jornalístico com um arco narrativo, digamos, mais cinematográfico - mas isso não deve incomodar, pois a história é realmente muito boa e a maneira como a diretora nos apresenta essa jornada, cria um vinculo emocional com a protagonista que fica difícil não defende-la. Os que antes a consideravam uma louca, certamente vão enxergar a situação com outros olhos.

O documentário é superficial, está longe de ter a qualidade narrativa e a pesquisa de "Sandy & Junior: A História", por exemplo; mas atinge seu objetivo e nos entretem ao mesmo temo que nos faz refletir sobre como existe um certo prazer sádico em endeusar um artista (ou esportista) durante o seu ápice, para depois sacramentar sua queda, transformando sua vida em um verdadeiro inferno - como em "Tiger" da HBO, para citar outra produção na mesma linha.

A verdade é que esse é outro documentário onde final não é tão feliz, mas que pelo menos ainda nos deixa uma esperança. Vale o play!

Assista Agora

"Framing Britney Spears", que aqui no Brasil ganhou o subtítulo de "A vida de uma estrela", é mais um documentário produzido pelo The New York Times para a plataforma Hulu. De imediato, temos a sensação de que se trata de mais uma história de construção de um fenômeno pop americano que acaba despencando depois de decisões e atitudes bastante questionáveis. De fato esse arco narrativo está no filme, mas o interessante é a perspectiva que a diretora Samantha Stark nos mostra - o que acaba destruindo aquele pré conceito que tomamos como a mais absoluta verdade sem ao menos nos aprofundar ou procurar entender o outro lado da história.

O documentário acompanha a ascensão de Britney Spears como um fenômeno global até sua queda, considerado até hoje como uma espécie de esporte nacional da mais cruel das formas. A partir de depoimentos de pessoas próximas a ela e de advogados que, de alguma maneira, estavam envolvidos no mistério da tutela legal exercida por seu pai e que gerou um movimento popular importante no país: o Free Britney. Confira o teaser: 

A carreira de Britney Spears é um case de sucesso em um período onde as "boys bands" dominavam as paradas e os corações adolescentes. Sua chegada no cenário musical criou um enorme desconforto, pela forma como ela se apresentava, mas por outro lado provocou um sentimento de identificação que subverteu as inúmeras manifestações machistas, hipócritas e conservadoras, tão comum na sociedade americana. O fato é que Britney venceu, marcou uma geração e o documentário é muito feliz em resumir essa jornada de forma direta, sem perder muito tempo. Hoje, quase 13 anos depois de um surto registrado pelas câmeras e virar piada no mundo inteiro, sua vida é controlada pelo seu pai - mesmo ela sendo considerada capaz de tomar suas próprias decisões. É incrível como muitas pessoas ainda consideram a cantora como uma artista de sucesso que simplesmente surtou e nem se preocupam em entender como a vida dela chegou neste ponto. É exatamente esse o objetivo de "Framing Britney Spears": dar voz à Britney, sem necessariamente poder contar com ela no documentário. 

Veja, não se trata de um documentário com um conceito narrativo inovador ou visualmente inesquecível, digno de Oscar ou muitos prêmios, "Framing Britney Spears" é quase uma reportagem especial de qualquer programa jornalístico com um arco narrativo, digamos, mais cinematográfico - mas isso não deve incomodar, pois a história é realmente muito boa e a maneira como a diretora nos apresenta essa jornada, cria um vinculo emocional com a protagonista que fica difícil não defende-la. Os que antes a consideravam uma louca, certamente vão enxergar a situação com outros olhos.

O documentário é superficial, está longe de ter a qualidade narrativa e a pesquisa de "Sandy & Junior: A História", por exemplo; mas atinge seu objetivo e nos entretem ao mesmo temo que nos faz refletir sobre como existe um certo prazer sádico em endeusar um artista (ou esportista) durante o seu ápice, para depois sacramentar sua queda, transformando sua vida em um verdadeiro inferno - como em "Tiger" da HBO, para citar outra produção na mesma linha.

A verdade é que esse é outro documentário onde final não é tão feliz, mas que pelo menos ainda nos deixa uma esperança. Vale o play!

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Geração Riqueza

"Geração Riqueza" é um excelente (e duro) documentário da Amazon Studios sobre uma realidade social praticamente isenta de equilíbrio. Embora não seja uma experiência como "Fake Famous", o propósito é basicamente o mesmo: mostrar como valores essenciais estão subvertidos pelo dinheiro, a fama, a aparência e o sexo, sob o ponto de vista antropológico.

O documentário é parte de um projeto de 20 anos da fotógrafa Lauren Greenfield e mostra os excessos da cultura americana, compartilhada em grande parte do mundo em decorrência da globalização, onde o exagero de estilos de vida, movidos a muito dinheiro, que levam à compra de imensas casas, carros luxuosos e os mais supérfluos tipos de gastos, sempre com a intenção de impressionar o próximo, de chamar a atenção nas redes sociais e ainda massagear o ego. Lauren apresenta, por meio de personagens muito interessantes – da mãe que transformou a filha em modelo com apenas 3 anos de idade até a executiva que deixou a vida pessoal de lado por muitos anos e quis recuperar o tempo perdido gastando mais de meio milhão de dólares para tentar engravidar. "Geração Riqueza" é um reflexo da obsessão por riqueza e status social que, embora seja o principal combustível responsável por mover a economia do país, destrói as referências mais profundas de bom senso. Confira o trailer (em inglês):

“Generation Wealth” (no original) é muito feliz ao conduzir sua narrativa a partir das histórias de vida de jovens ricos em Los Angeles nos anos 90. Lauren Greenfield nos apresenta, com muita sensibilidade, o destino de muitos personagens, que naquela época possuíam um estilo de vida extravagante, e se tornaram agora pais de famílias e questionadores do seu comportamento no passado. Abrindo espaço para análises sociológicas, mas sem soar didático demais, o documentário faz uma radiografia de como o sonho americano se transformou em algo tão superficial como na busca de fama, fortuna (independente dos meios) e status social a partir dos anos 1970 e 1980 quando o crédito passou a ser facilitado pelos bancos - o que anos mais tarde culminou em uma grave crise imobiliária, diga-se de passagem exemplificada pela própria Islândia como vimos em "Trabalho Interno".

Relacionando o sucesso e dinheiro com a cultura da perfeição estética através de caros (e rentáveis) tratamentos com cosméticos e cirurgias plásticas, a valorização e o acesso à pornografia, jovens que transformam seus corpos em busca de reconhecimento masculino ou da mídia inspirados por celebridades como as Kardashians, vemos histórias sobre escolhas profissionais e pessoais que priorizam a fantasiosa sensação de bem estar que o dinheiro provoca, muitas vezes a partir de depoimentos surreais, tristes, reveladores e emocionantes, o roteiro facilmente nos convida para uma profunda reflexão crítica: como parte da sociedade vive alienada sem conseguir separar a realidade da ficção trazida por redes sociais e pela TV!

Olha, é um documentário tão impressionante quanto assustador - pela humanidade das histórias e pelo peso da realidade de uma geração que não tem a menor noção dos limites para alcançar um determinado status ou conseguir chamar a atenção pelo que se tem e não pelo que se é! Quando um filme "vazado", contendo uma relação sexual, transforma uma mulher em celebridade e passa a ser referência para muitos jovens, temos a exata ideia de como essa sociedade está doente e perdeu completamente a noção do respeito.

Realmente imperdível!

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"Geração Riqueza" é um excelente (e duro) documentário da Amazon Studios sobre uma realidade social praticamente isenta de equilíbrio. Embora não seja uma experiência como "Fake Famous", o propósito é basicamente o mesmo: mostrar como valores essenciais estão subvertidos pelo dinheiro, a fama, a aparência e o sexo, sob o ponto de vista antropológico.

O documentário é parte de um projeto de 20 anos da fotógrafa Lauren Greenfield e mostra os excessos da cultura americana, compartilhada em grande parte do mundo em decorrência da globalização, onde o exagero de estilos de vida, movidos a muito dinheiro, que levam à compra de imensas casas, carros luxuosos e os mais supérfluos tipos de gastos, sempre com a intenção de impressionar o próximo, de chamar a atenção nas redes sociais e ainda massagear o ego. Lauren apresenta, por meio de personagens muito interessantes – da mãe que transformou a filha em modelo com apenas 3 anos de idade até a executiva que deixou a vida pessoal de lado por muitos anos e quis recuperar o tempo perdido gastando mais de meio milhão de dólares para tentar engravidar. "Geração Riqueza" é um reflexo da obsessão por riqueza e status social que, embora seja o principal combustível responsável por mover a economia do país, destrói as referências mais profundas de bom senso. Confira o trailer (em inglês):

“Generation Wealth” (no original) é muito feliz ao conduzir sua narrativa a partir das histórias de vida de jovens ricos em Los Angeles nos anos 90. Lauren Greenfield nos apresenta, com muita sensibilidade, o destino de muitos personagens, que naquela época possuíam um estilo de vida extravagante, e se tornaram agora pais de famílias e questionadores do seu comportamento no passado. Abrindo espaço para análises sociológicas, mas sem soar didático demais, o documentário faz uma radiografia de como o sonho americano se transformou em algo tão superficial como na busca de fama, fortuna (independente dos meios) e status social a partir dos anos 1970 e 1980 quando o crédito passou a ser facilitado pelos bancos - o que anos mais tarde culminou em uma grave crise imobiliária, diga-se de passagem exemplificada pela própria Islândia como vimos em "Trabalho Interno".

Relacionando o sucesso e dinheiro com a cultura da perfeição estética através de caros (e rentáveis) tratamentos com cosméticos e cirurgias plásticas, a valorização e o acesso à pornografia, jovens que transformam seus corpos em busca de reconhecimento masculino ou da mídia inspirados por celebridades como as Kardashians, vemos histórias sobre escolhas profissionais e pessoais que priorizam a fantasiosa sensação de bem estar que o dinheiro provoca, muitas vezes a partir de depoimentos surreais, tristes, reveladores e emocionantes, o roteiro facilmente nos convida para uma profunda reflexão crítica: como parte da sociedade vive alienada sem conseguir separar a realidade da ficção trazida por redes sociais e pela TV!

Olha, é um documentário tão impressionante quanto assustador - pela humanidade das histórias e pelo peso da realidade de uma geração que não tem a menor noção dos limites para alcançar um determinado status ou conseguir chamar a atenção pelo que se tem e não pelo que se é! Quando um filme "vazado", contendo uma relação sexual, transforma uma mulher em celebridade e passa a ser referência para muitos jovens, temos a exata ideia de como essa sociedade está doente e perdeu completamente a noção do respeito.

Realmente imperdível!

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Hebe - A estrela do Brasil

É impossível assistir "Hebe - A estrela do Brasil" e não imaginar qual seria seu discurso ou sua postura ao acompanhar tudo o que vem acontecendo no mundo atualmente. De fato, Hebe era uma comunicadora à frente do seu tempo e, realmente, sua história merecia ser contada; mas qual delas? O grande acerto do filme dirigido pelo Maurício Farias, foi entender que uma vida tão intensa como a que Hebe viveu, poderia ser facilmente comprimida em menos de duas horas de projeção desde que se encontrasse o recorte perfeito - e foi o que a aconteceu! O recorte escolhido foi capaz de mostrar toda sua personalidade, sua enorme capacidade profissional, suas convicções pessoais, sua relação com os amigos, filho, marido e companheiros de trabalho, mas acima de tudo, foi certeiro ao mostrar a forma como ela se comportava perante as mais diversas situações onde uma mulher precisava se impor para conquistar seu lugar!

O Brasil dos anos 80 vivia uma de suas piores crises econômicas e politicas da história. Era um período de transição, onde os limites ainda estavam sendo restabelecidos e a maneira como as celebridades da TV se mostravam influenciava ativamente sua enorme audiência. Eram outros tempos, onde apenas a TV consumia toda a atenção de milhões de pessoas durante a noite - o chamado horário nobre. É nesse contexto que Hebe surgia na tela: exuberante! Era a imagem perfeita do poder e do sucesso. Ao completar 40 anos de profissão, perto de chegar aos 60 de vida, Hebe estava madura e já não aceitava ser apenas um produto do seu sucesso. Mais do que isso, já não suportava mais ser uma mulher submissa ao marido, ao salário e ao governo. O filme acompanha justamente o período de abertura política do país, essa transição entre a ditadura militar e a democracia, período onde Hebe resolveu trocar de emissora e se colocar ativamente como a voz dos brasileiros! 

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É impossível assistir "Hebe - A estrela do Brasil" e não imaginar qual seria seu discurso ou sua postura ao acompanhar tudo o que vem acontecendo no mundo atualmente. De fato, Hebe era uma comunicadora à frente do seu tempo e, realmente, sua história merecia ser contada; mas qual delas? O grande acerto do filme dirigido pelo Maurício Farias, foi entender que uma vida tão intensa como a que Hebe viveu, poderia ser facilmente comprimida em menos de duas horas de projeção desde que se encontrasse o recorte perfeito - e foi o que a aconteceu! O recorte escolhido foi capaz de mostrar toda sua personalidade, sua enorme capacidade profissional, suas convicções pessoais, sua relação com os amigos, filho, marido e companheiros de trabalho, mas acima de tudo, foi certeiro ao mostrar a forma como ela se comportava perante as mais diversas situações onde uma mulher precisava se impor para conquistar seu lugar!

O Brasil dos anos 80 vivia uma de suas piores crises econômicas e politicas da história. Era um período de transição, onde os limites ainda estavam sendo restabelecidos e a maneira como as celebridades da TV se mostravam influenciava ativamente sua enorme audiência. Eram outros tempos, onde apenas a TV consumia toda a atenção de milhões de pessoas durante a noite - o chamado horário nobre. É nesse contexto que Hebe surgia na tela: exuberante! Era a imagem perfeita do poder e do sucesso. Ao completar 40 anos de profissão, perto de chegar aos 60 de vida, Hebe estava madura e já não aceitava ser apenas um produto do seu sucesso. Mais do que isso, já não suportava mais ser uma mulher submissa ao marido, ao salário e ao governo. O filme acompanha justamente o período de abertura política do país, essa transição entre a ditadura militar e a democracia, período onde Hebe resolveu trocar de emissora e se colocar ativamente como a voz dos brasileiros! 

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Isabel

Olha, é impossível começar a análise de "Isabel" (que no original tem o subtítulo "La Historia Íntima de la Escritora Isabel Allende") sem dizer que essa minissérie chilena de 3 episódios é um verdadeiro soco no estômago e daqueles "sem dó"! Embora a produção esteja longe de ser um primor, a história de Allende é incrível, se confunde com suas obras de um forma completamente visceral e isso nos provoca uma série de sensações que, sinceramente, nos tira do eixo - especialmente no terceiro episódio. 

Como é de se pressupor, "Isabel" conta a jornada da chilena Isabel Allende, a autora de língua espanhola mais lida do mundo com mais de 74 milhões de exemplares vendidos. Da infância marcada pelo sumiço do Pai, a importância do avô em sua educação, as citações do tio Salvador Allende (padrinho dela) que tentou mudar o Chile e o mundo com a implantação de um governo de extrema esquerda, a influência e o medo da ditadura na sua vida, a militância pela defesa dos direitos humanos, seus amores e decepções até o sucesso mundial de seus livros e a morte da sua filha Paula. Confira o trailer (em espanhol):

Produzida pela CNTV, emissora de TV chilena, "Isabel" tem um roteiro muito competente por se tratar de uma biografia - embora alguns assuntos importantes sejam apenas pontuados, as escolhas das passagens marcantes da vida da escritora dão uma exata noção do que foi sua jornada. Com um conceito interessante onde a quebra de linearidade temporal vai construindo a narrativa e a personalidade da protagonista, seu único deslize está na necessidade quase didática de querer explicar demais - alguns planos são completamente descartáveis e deixam pouco para nossa imaginação. Talvez o grande culpado seja o próprio diretor Rodrigo Bazes, que construíu sua carreira como diretor de arte, passou a escrever roteiros e agora migra para o comando da produção. Sua inexperiência é visível principalmente quando suas escolhas conceituais partem para o lugar comum, forçando um certo sentimentalismo com o apoio incondicional de uma trilha sonora um pouco exagerada. Porém, nada disso impacta na nossa experiência como audiência, mas é inegável que essa história na mão de um diretor mais talentoso colocaria a minissérie em outro patamar.

A atriz Daniela Ramirez no papel da escritora, entrega ótimos momentos -  sua relação com a filha, desde o inicio até sua condição antes da morte é de cortar o coração - pela sinceridade e profundidade da relação que ela mesmo estabeleceu com todas as atrizes que interpretaram Paula. Tenho certeza de que aqueles que conhecem a obra de Allende vão identificar na tela muitas referências de sua obra, mas isso é só um bônus, pois toda jornada é muito bem conduzida e facilmente absorvida - sua relação espiritual que guiou sua obra "A Casa dos Espíritos" é um ótimo exemplo de como o roteiro acerta quando apenas sugere.

"Isabel" pode até começar um pouco morna, mas vai ganhando força e criando um vínculo emocional impressionante. Os vídeos pessoais de Allende ou os arquivos históricos da época são bem aproveitados na narrativa e trazem uma realidade bem interessante para a minissérie - é a cereja do bolo! O fato é que "Isabel - La Historia Íntima de la Escritora Isabel Allende" é imperdível para quem gosta de biografia, de literatura e de uma personagem feminina forte - nos seus erros e acertos!

Vale muito o seu play!

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Olha, é impossível começar a análise de "Isabel" (que no original tem o subtítulo "La Historia Íntima de la Escritora Isabel Allende") sem dizer que essa minissérie chilena de 3 episódios é um verdadeiro soco no estômago e daqueles "sem dó"! Embora a produção esteja longe de ser um primor, a história de Allende é incrível, se confunde com suas obras de um forma completamente visceral e isso nos provoca uma série de sensações que, sinceramente, nos tira do eixo - especialmente no terceiro episódio. 

Como é de se pressupor, "Isabel" conta a jornada da chilena Isabel Allende, a autora de língua espanhola mais lida do mundo com mais de 74 milhões de exemplares vendidos. Da infância marcada pelo sumiço do Pai, a importância do avô em sua educação, as citações do tio Salvador Allende (padrinho dela) que tentou mudar o Chile e o mundo com a implantação de um governo de extrema esquerda, a influência e o medo da ditadura na sua vida, a militância pela defesa dos direitos humanos, seus amores e decepções até o sucesso mundial de seus livros e a morte da sua filha Paula. Confira o trailer (em espanhol):

Produzida pela CNTV, emissora de TV chilena, "Isabel" tem um roteiro muito competente por se tratar de uma biografia - embora alguns assuntos importantes sejam apenas pontuados, as escolhas das passagens marcantes da vida da escritora dão uma exata noção do que foi sua jornada. Com um conceito interessante onde a quebra de linearidade temporal vai construindo a narrativa e a personalidade da protagonista, seu único deslize está na necessidade quase didática de querer explicar demais - alguns planos são completamente descartáveis e deixam pouco para nossa imaginação. Talvez o grande culpado seja o próprio diretor Rodrigo Bazes, que construíu sua carreira como diretor de arte, passou a escrever roteiros e agora migra para o comando da produção. Sua inexperiência é visível principalmente quando suas escolhas conceituais partem para o lugar comum, forçando um certo sentimentalismo com o apoio incondicional de uma trilha sonora um pouco exagerada. Porém, nada disso impacta na nossa experiência como audiência, mas é inegável que essa história na mão de um diretor mais talentoso colocaria a minissérie em outro patamar.

A atriz Daniela Ramirez no papel da escritora, entrega ótimos momentos -  sua relação com a filha, desde o inicio até sua condição antes da morte é de cortar o coração - pela sinceridade e profundidade da relação que ela mesmo estabeleceu com todas as atrizes que interpretaram Paula. Tenho certeza de que aqueles que conhecem a obra de Allende vão identificar na tela muitas referências de sua obra, mas isso é só um bônus, pois toda jornada é muito bem conduzida e facilmente absorvida - sua relação espiritual que guiou sua obra "A Casa dos Espíritos" é um ótimo exemplo de como o roteiro acerta quando apenas sugere.

"Isabel" pode até começar um pouco morna, mas vai ganhando força e criando um vínculo emocional impressionante. Os vídeos pessoais de Allende ou os arquivos históricos da época são bem aproveitados na narrativa e trazem uma realidade bem interessante para a minissérie - é a cereja do bolo! O fato é que "Isabel - La Historia Íntima de la Escritora Isabel Allende" é imperdível para quem gosta de biografia, de literatura e de uma personagem feminina forte - nos seus erros e acertos!

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Jeffrey Epstein: Poder e Perversão

"Jeffrey Epstein: Poder e Perversão" é mais uma daquelas histórias, como a que vimos em "Deixando Neverland" (da HBO), que nos embrulha o estômago a cada minuto ou a cada descoberta. Como comentamos em um artigo no nosso blog no começo de 2020, chamado: "Jeffrey Epstein, guardem esse nome", a Netflix seguiu a tendência e resolveu produzir um documentário dividido em quatro episódios sobre os detalhes mais secretos do esquema de pirâmide sexual com menores de Epstein, que envolviam poderosos políticos, empresários, acadêmicos e até celebridades. O livro de James Patterson “Filthy Rich: The Shocking True Story of Jeffrey Epstein” serviu como base para o desenvolvimento da minissérie onde nos deparamos com o lado mais sombrio de um ser humano que acreditava que, com sua fortuna, sairia ileso de qualquer situação que o comprometesse (e ele não era o único!). Confira o trailer:

Se no documentário da HBO o incômodo vinha dos depoimentos impressionantes dos jovens abusados por uma celebridade tão importante como Michael Jackson, já em "Jeffrey Epstein: Poder e Perversão", vemos claramente o mindset de impunidade que o dinheiro, o poder e a influência causam no ser humano e as marcas que deixam nas suas vítimas. O mais interessante desse roteiro da dupla John Connolly e Tom Malloy,  é a forma como a história vai se construindo através de uma narrativa não linear - um conceito que vimos recentemente em outra produção da Netflix: "Arremesso Final" e que funcionou muito bem em uma jornada tão carregada de drama como essa. O "vai e volta" dos fatos vai nos situando em uma linha do tempo cheia de recortes e fatos isolados que, juntos, vão nos corroendo com uma força absurda - são tantos detalhes que fica impossível não reconstruir as cenas de abuso e perversão mentalmente - e isso é extremamente cruel. Imaginar crianças de 12, 14 anos, compradas com duzentos dólares, sendo abusadas por Epstein com tanta recorrência, chega parecer mentira. E não era!

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"Jeffrey Epstein: Poder e Perversão" é mais uma daquelas histórias, como a que vimos em "Deixando Neverland" (da HBO), que nos embrulha o estômago a cada minuto ou a cada descoberta. Como comentamos em um artigo no nosso blog no começo de 2020, chamado: "Jeffrey Epstein, guardem esse nome", a Netflix seguiu a tendência e resolveu produzir um documentário dividido em quatro episódios sobre os detalhes mais secretos do esquema de pirâmide sexual com menores de Epstein, que envolviam poderosos políticos, empresários, acadêmicos e até celebridades. O livro de James Patterson “Filthy Rich: The Shocking True Story of Jeffrey Epstein” serviu como base para o desenvolvimento da minissérie onde nos deparamos com o lado mais sombrio de um ser humano que acreditava que, com sua fortuna, sairia ileso de qualquer situação que o comprometesse (e ele não era o único!). Confira o trailer:

Se no documentário da HBO o incômodo vinha dos depoimentos impressionantes dos jovens abusados por uma celebridade tão importante como Michael Jackson, já em "Jeffrey Epstein: Poder e Perversão", vemos claramente o mindset de impunidade que o dinheiro, o poder e a influência causam no ser humano e as marcas que deixam nas suas vítimas. O mais interessante desse roteiro da dupla John Connolly e Tom Malloy,  é a forma como a história vai se construindo através de uma narrativa não linear - um conceito que vimos recentemente em outra produção da Netflix: "Arremesso Final" e que funcionou muito bem em uma jornada tão carregada de drama como essa. O "vai e volta" dos fatos vai nos situando em uma linha do tempo cheia de recortes e fatos isolados que, juntos, vão nos corroendo com uma força absurda - são tantos detalhes que fica impossível não reconstruir as cenas de abuso e perversão mentalmente - e isso é extremamente cruel. Imaginar crianças de 12, 14 anos, compradas com duzentos dólares, sendo abusadas por Epstein com tanta recorrência, chega parecer mentira. E não era!

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Judy - Muito além do Arco-Íris

"Judy" é uma adaptação da peça teatral “End of the Rainbow” de Peter Quilte e mostra o último ano de vida de Judy Garland durante uma turnê de shows em Londres, no inverno de 1968. Com sérios problemas financeiros e sofrendo com os recentes divórcios, Judy se apoiava em remédios e álcool para lidar com a depressão e, principalmente, com a ausência dos filhos.

O filme é muito feliz ao buscar as razões e mostrar os reflexos que uma vida sem amor, sem infância e sob muita pressão pode causar em um ser humano - chega a ser cruel! De fato "Judy" não é uma novidade e muitas outras cinebiografias (como "Elis") e documentários (como "Amy") se apoiam no mesmo tema e entregam o mesmo final, mas é impossível não se emocionar com o excelente trabalho que Renée Zellweger faz no filme - visceral eu diria! Ela está irreconhecível no papel da protagonista, o que resultou nas duas indicações que o filme teve ao Oscar 2020: Melhor Atriz e Melhor Maquiagem e Penteado!

Já na primeira cena do filme temos a real noção da grandiosidade que foi a carreira Judy Garland. O diretor Rupert Goold, de "A História Verdadeira" de 2015, usa de um movimento de câmera bastante inventivo para nos mostrar o contraponto entre a maneira como Judy via sua vida e o que realmente representava sua carreira logo após ganhar o papel de Dorothy em "‘O Mágico de Oz" de 1939. O salto temporal para mais de 30 anos depois mostra o resultado dessa magnitude e é aí que Renée Zellweger chama o filme para ela - esse é o tipo do papel que todo atriz sonha em fazer, pois se trata de uma personagem complexa, afogada pelos fantasmas do passado e sem nenhuma noção da realidade. É um turbilhão de emoções, de fraquezas e de sentimentos que se dissolvem em um único momento: no prazer de ser quem é e de fazer o que quer, aproveitando de um talento muito (mas muito) acima da média - aliás, o roteiro constrói muito bem essa realidade quando o executivo da MGM diz que existiam meninas tão lindas quanto Judy em qualquer lugar dos Estados Unidos, mas com uma voz igual...

A fotografia de Ole Bratt Birkeland (The Crown) é belíssima e aproveita muito bem o trabalho do departamento de arte com cenários luxuosos e um figurino cheio de extravagâncias - mas, detalhe: sem nunca sair fora do tom! O filme trabalha muito bem o colorido do showbiz com a monocromática tristeza de Judy e isso gera uma angústia enorme em quem assiste, pois nunca sabemos quando uma vai se sobrepor a outra - é como se estivéssemos sempre tensos observando uma bomba prestes à explodir. Judy Garland era uma bomba relógio, para o bem e para o mal! É possível observar no roteiro de Tom Edge (também de "The Crown") elementos extremamente teatrais como quando os fãs de Judy ajudam ela a cantar em um dos shows, mas isso não estraga a experiência de quem assiste, pois a Renée Zellweger nos convida a mergulhar naquela história que nem nos incomodamos com a forma, apenas nos emocionamos com o conteúdo!

"Judy" é um filme que já vimos, mas que servirá para sacramentar o renascimento de Zellweger - uma atriz que teve grandes momentos com o "Diário de Bridget Jones", com "Chicago" e o seu ápice com "Cold Mountain" (que, inclusive, lhe rendeu o Oscar de atriz coadjuvante em 2004). Mesmo exagerada e muitas vezes caricata, sua expressão corporal é impressionante - ela se contorce em sua dor íntima ao mesmo tempo em que se impõe na força de quem ainda tem um talento absurdo, mesmo insegura, mesmo infeliz! Renée Zellweger é tão favorita quanto Joaquin Phoenix com "Coringa" e é a principal razão para assistir "Judy"!

Up-date: "Judy" ganhou em uma categoria no Oscar 2020: Melhor Atriz!

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"Judy" é uma adaptação da peça teatral “End of the Rainbow” de Peter Quilte e mostra o último ano de vida de Judy Garland durante uma turnê de shows em Londres, no inverno de 1968. Com sérios problemas financeiros e sofrendo com os recentes divórcios, Judy se apoiava em remédios e álcool para lidar com a depressão e, principalmente, com a ausência dos filhos.

O filme é muito feliz ao buscar as razões e mostrar os reflexos que uma vida sem amor, sem infância e sob muita pressão pode causar em um ser humano - chega a ser cruel! De fato "Judy" não é uma novidade e muitas outras cinebiografias (como "Elis") e documentários (como "Amy") se apoiam no mesmo tema e entregam o mesmo final, mas é impossível não se emocionar com o excelente trabalho que Renée Zellweger faz no filme - visceral eu diria! Ela está irreconhecível no papel da protagonista, o que resultou nas duas indicações que o filme teve ao Oscar 2020: Melhor Atriz e Melhor Maquiagem e Penteado!

Já na primeira cena do filme temos a real noção da grandiosidade que foi a carreira Judy Garland. O diretor Rupert Goold, de "A História Verdadeira" de 2015, usa de um movimento de câmera bastante inventivo para nos mostrar o contraponto entre a maneira como Judy via sua vida e o que realmente representava sua carreira logo após ganhar o papel de Dorothy em "‘O Mágico de Oz" de 1939. O salto temporal para mais de 30 anos depois mostra o resultado dessa magnitude e é aí que Renée Zellweger chama o filme para ela - esse é o tipo do papel que todo atriz sonha em fazer, pois se trata de uma personagem complexa, afogada pelos fantasmas do passado e sem nenhuma noção da realidade. É um turbilhão de emoções, de fraquezas e de sentimentos que se dissolvem em um único momento: no prazer de ser quem é e de fazer o que quer, aproveitando de um talento muito (mas muito) acima da média - aliás, o roteiro constrói muito bem essa realidade quando o executivo da MGM diz que existiam meninas tão lindas quanto Judy em qualquer lugar dos Estados Unidos, mas com uma voz igual...

A fotografia de Ole Bratt Birkeland (The Crown) é belíssima e aproveita muito bem o trabalho do departamento de arte com cenários luxuosos e um figurino cheio de extravagâncias - mas, detalhe: sem nunca sair fora do tom! O filme trabalha muito bem o colorido do showbiz com a monocromática tristeza de Judy e isso gera uma angústia enorme em quem assiste, pois nunca sabemos quando uma vai se sobrepor a outra - é como se estivéssemos sempre tensos observando uma bomba prestes à explodir. Judy Garland era uma bomba relógio, para o bem e para o mal! É possível observar no roteiro de Tom Edge (também de "The Crown") elementos extremamente teatrais como quando os fãs de Judy ajudam ela a cantar em um dos shows, mas isso não estraga a experiência de quem assiste, pois a Renée Zellweger nos convida a mergulhar naquela história que nem nos incomodamos com a forma, apenas nos emocionamos com o conteúdo!

"Judy" é um filme que já vimos, mas que servirá para sacramentar o renascimento de Zellweger - uma atriz que teve grandes momentos com o "Diário de Bridget Jones", com "Chicago" e o seu ápice com "Cold Mountain" (que, inclusive, lhe rendeu o Oscar de atriz coadjuvante em 2004). Mesmo exagerada e muitas vezes caricata, sua expressão corporal é impressionante - ela se contorce em sua dor íntima ao mesmo tempo em que se impõe na força de quem ainda tem um talento absurdo, mesmo insegura, mesmo infeliz! Renée Zellweger é tão favorita quanto Joaquin Phoenix com "Coringa" e é a principal razão para assistir "Judy"!

Up-date: "Judy" ganhou em uma categoria no Oscar 2020: Melhor Atriz!

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Minha História

Antes de mais nada é preciso dizer que "Minha História" ("Becoming", título original) é mais uma peça importante na campanha de marketing do livro de Michelle Obama do que uma obra que possa ser considerada uma profunda biografia ou até mesmo um retrato isento de uma fase da vida da ex-primeira dama. Dito isso, fico muito a vontade em dizer que esse documentário, dirigido pela Nadia Hallgren, é ótimo! O fato da diretora e roteirista usar a turnê de lançamento da auto-biografia de Michelle como pano de fundo, não diminui a importância dos comentários e sentimentos da protagonista sobre sua jornada ao lado do marido na Casa Branca durante 8 anos. O uso de filmagens exclusivas dos bastidores dessa turnê, assim como o formato do evento (com perguntas e respostas ao melhor estilo talk show) funcionam como fio condutor da narrativa que vai pontuando alguns assuntos importantes como o empoderamento feminino, discussões raciais e até comentários sobre dinâmica familiar e educação do filhos, que Michelle expõe com a maior naturalidade e simpatia em escolas, igrejas e em reuniões com sua família e equipe. Confira o trailer:

É claro que o maior mérito do documentário é a presença forte e carismática de Michelle Obama - e como seu próprio marido comentou na rápida aparição que fez em um dos eventos: "Michelle sabe contar boas histórias" - ela tem o dom da oratória e sua inteligência fica absurdamente clara perante a forma como ela conduz os assuntos e se posiciona sem ofender quem assiste, mesmo que a opinião seja contrária. Olha, é impressionante como sua posição de liderança simplesmente flui durante os 90 minutos que a acompanhamos. É claro que vale o play, mas vai soar muito mais agradável fazer um convite: assista "Minha História" e veja como respeito não se impõe, se conquista!

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Antes de mais nada é preciso dizer que "Minha História" ("Becoming", título original) é mais uma peça importante na campanha de marketing do livro de Michelle Obama do que uma obra que possa ser considerada uma profunda biografia ou até mesmo um retrato isento de uma fase da vida da ex-primeira dama. Dito isso, fico muito a vontade em dizer que esse documentário, dirigido pela Nadia Hallgren, é ótimo! O fato da diretora e roteirista usar a turnê de lançamento da auto-biografia de Michelle como pano de fundo, não diminui a importância dos comentários e sentimentos da protagonista sobre sua jornada ao lado do marido na Casa Branca durante 8 anos. O uso de filmagens exclusivas dos bastidores dessa turnê, assim como o formato do evento (com perguntas e respostas ao melhor estilo talk show) funcionam como fio condutor da narrativa que vai pontuando alguns assuntos importantes como o empoderamento feminino, discussões raciais e até comentários sobre dinâmica familiar e educação do filhos, que Michelle expõe com a maior naturalidade e simpatia em escolas, igrejas e em reuniões com sua família e equipe. Confira o trailer:

É claro que o maior mérito do documentário é a presença forte e carismática de Michelle Obama - e como seu próprio marido comentou na rápida aparição que fez em um dos eventos: "Michelle sabe contar boas histórias" - ela tem o dom da oratória e sua inteligência fica absurdamente clara perante a forma como ela conduz os assuntos e se posiciona sem ofender quem assiste, mesmo que a opinião seja contrária. Olha, é impressionante como sua posição de liderança simplesmente flui durante os 90 minutos que a acompanhamos. É claro que vale o play, mas vai soar muito mais agradável fazer um convite: assista "Minha História" e veja como respeito não se impõe, se conquista!

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Miss Americana

"Miss Americana" é um excelente documentário, principalmente se você tomar o cuidado de olhar com mais profundidade para toda aquela história que mais parece um conto de fadas - não se engane, não trata de um entretenimento construído apenas para agradar aos fãs; sinceramente eu acho que o filme vai muito, mas muito, além do processo de construção de uma estrela da música country, trata-se de uma jornada de amadurecimento, com suas dores e alegrias, dificuldades e vitórias, que assombram cada um de nós durante a vida, em diferentes níveis, e em momentos distintos. 

O filme cobre uma série de eventos na vida e na carreira de Taylor Swift, incluindo a criação de seu sétimoálbum de estúdio,Lover (2019), sua anterior batalha com umdistúrbio alimentar, seu julgamento por agressão sexual, o diagnóstico decâncer de sua mãe e a decisão da cantora se posicionar para assuntos mais polêmicos e tornar público sua visão política. Confira o trailer:

Um dos pontos altos de "Miss Americana" é a maneira pouco intrusiva como a diretora Lana Wilson (de The Departure”) registra os momentos mais íntimos de Swift sem a necessidade de construir um ícone pop invencível e segura de todos os seus passos - esse, aliás, é um dos assuntos do documentário: ser tão organizada e planejar cada um dos seus passos tornou sua carreira muito mais densa do que realmente precisava ser? Certamente sim. Pelo que assistimos "não errar" era tão importante quanto "melhorar sempre", e a constante falta de posicionamento perante algumas situações ajudaram a protagonista estacionar em uma zona de conforto perigosa e traiçoeira. Em um mundo em evolução (e muitas vezes cruel) seria preciso reencontrar seu caminho como ser humano e artista que influencia milhões de pessoas mundo a fora. Como disse no início: é preciso olhar além, conectar algumas posturas que vamos conhecer às atitudes que nós mesmos temos (ou teríamos) perante a vida pessoal e, principalmente, profissional.

Ao tocar em pontos sensíveis, Wilson equilibra perfeitamente várias faces da cantora - ao ter acesso a uma enorme quantidade de imagens de arquivos pessoais, a diretora consegue unificar tudo, deixando a narrativa fluida, orgânica, de uma forma que não nos damos conta sobre quem é a figura pública e o que pode refletir profundamente na vida privada de Taylor Swift - ela é basicamente uma só, e isso é incrível! Veja, são passagens que humanizam a personagem, com imagens do primeiro violão, das primeiras apresentações, até quando ela resolve migrar do country para o pop, depois de já ser um nome conhecido na indústria e de ter que engolir a falta de educação de uma figura desprezível como a de Kanye West.

O filme tem tantos pontos que merecem nosso elogio, da edição à direção, passando por um roteiro bem estruturado, que eu diria que "Miss Americana" vai trazer ótimos insights até para aqueles que nem conhecem a cantora (o que deve ser raro) ou que não acompanham sua carreira (isso mais comum entre nossos usuários). Ser treinada para atender expectativas, para sorrir ao receber elogios e para não se envolver em discussões que não lhe pertencem, até  lidar com a necessidade de se provar constantemente e não se permitir errar, transforma “Miss Americana” em um relato sincero e importante para quem admira e a analisa a construção de uma carreira de sucesso.

Vale muito a pena, mesmo!

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"Miss Americana" é um excelente documentário, principalmente se você tomar o cuidado de olhar com mais profundidade para toda aquela história que mais parece um conto de fadas - não se engane, não trata de um entretenimento construído apenas para agradar aos fãs; sinceramente eu acho que o filme vai muito, mas muito, além do processo de construção de uma estrela da música country, trata-se de uma jornada de amadurecimento, com suas dores e alegrias, dificuldades e vitórias, que assombram cada um de nós durante a vida, em diferentes níveis, e em momentos distintos. 

O filme cobre uma série de eventos na vida e na carreira de Taylor Swift, incluindo a criação de seu sétimoálbum de estúdio,Lover (2019), sua anterior batalha com umdistúrbio alimentar, seu julgamento por agressão sexual, o diagnóstico decâncer de sua mãe e a decisão da cantora se posicionar para assuntos mais polêmicos e tornar público sua visão política. Confira o trailer:

Um dos pontos altos de "Miss Americana" é a maneira pouco intrusiva como a diretora Lana Wilson (de The Departure”) registra os momentos mais íntimos de Swift sem a necessidade de construir um ícone pop invencível e segura de todos os seus passos - esse, aliás, é um dos assuntos do documentário: ser tão organizada e planejar cada um dos seus passos tornou sua carreira muito mais densa do que realmente precisava ser? Certamente sim. Pelo que assistimos "não errar" era tão importante quanto "melhorar sempre", e a constante falta de posicionamento perante algumas situações ajudaram a protagonista estacionar em uma zona de conforto perigosa e traiçoeira. Em um mundo em evolução (e muitas vezes cruel) seria preciso reencontrar seu caminho como ser humano e artista que influencia milhões de pessoas mundo a fora. Como disse no início: é preciso olhar além, conectar algumas posturas que vamos conhecer às atitudes que nós mesmos temos (ou teríamos) perante a vida pessoal e, principalmente, profissional.

Ao tocar em pontos sensíveis, Wilson equilibra perfeitamente várias faces da cantora - ao ter acesso a uma enorme quantidade de imagens de arquivos pessoais, a diretora consegue unificar tudo, deixando a narrativa fluida, orgânica, de uma forma que não nos damos conta sobre quem é a figura pública e o que pode refletir profundamente na vida privada de Taylor Swift - ela é basicamente uma só, e isso é incrível! Veja, são passagens que humanizam a personagem, com imagens do primeiro violão, das primeiras apresentações, até quando ela resolve migrar do country para o pop, depois de já ser um nome conhecido na indústria e de ter que engolir a falta de educação de uma figura desprezível como a de Kanye West.

O filme tem tantos pontos que merecem nosso elogio, da edição à direção, passando por um roteiro bem estruturado, que eu diria que "Miss Americana" vai trazer ótimos insights até para aqueles que nem conhecem a cantora (o que deve ser raro) ou que não acompanham sua carreira (isso mais comum entre nossos usuários). Ser treinada para atender expectativas, para sorrir ao receber elogios e para não se envolver em discussões que não lhe pertencem, até  lidar com a necessidade de se provar constantemente e não se permitir errar, transforma “Miss Americana” em um relato sincero e importante para quem admira e a analisa a construção de uma carreira de sucesso.

Vale muito a pena, mesmo!

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Nasce uma Estrela

"Nasce uma Estrela" começa com um jeitão de comédia romântica, meio que no estilo "Nothing Hill" sabe?!!! Vem com aquela levada de "conto de fadas moderno" adaptada para universo da música, onde o Pop Star (famoso, rico e bonito) se apaixona pela garota normal, mas muito talentosa, que canta nos bares da noite após dar um duro danado durante o dia inteiro, aguentando o chefe idiota e a difícil batalha cotidiana da vida normal!!! Sim, eu sei que, pela rápida sinopse, parece o típico filme "Sessão da Tarde" que já cansamos de assistir... mas, te garanto, a superficialidade do enredo acaba justamente por aí, ou melhor, ela vai se transformando em algo muito mais intenso!!! "Nasce uma Estrela" tem o mérito de revisitar uma história que já foi contada no cinema pelo menos três vezes, mas vem com um novo olhar e, principalmente, com uma sensibilidade muito interessante, diferente. Com o desenrolar do filme, vamos sendo apresentados às várias camadas dos personagens e das situações que os rodeiam e conforme você vai conhecendo cada uma delas, vai se aprofundando e entendendo dramas mais complexos do que parecem - aí fica fácil perceber porque ganhou mais de 50 prêmios em Festivais ao redor do Mundo e porque está indicado em 8 categorias do Oscar, inclusive como melhor filme!!!

O Filme traz em primeiro plano o sonho de um amor improvável, da imperdível chance de mostrar um talento escondido, mas logo trás à tona o drama do alcoolismo, da insegurança da perda de personalidade. Ao mesmo tempo que trás a sedução do sucesso, mostra o constrangimento do fracasso. Fala sobre cumplicidade familiar, mas  também escancara as feridas de um passado marcado por decepções. O genial é que tudo isso está personificado nos dois personagens principais e em duas excelentes atuações: Bradley Cooper como Jack e Lady Gaga como Allie - aliás, Lady Gaga foi uma notável surpresa... a primeira cena dela mostra até um pouco de insegurança, mas depois ela vai ganhando força, encontrando o caminho, o tom certo! Já o Bradley Cooper, talvez tenha feito o melhor papel dele.

"Nasce uma Estrela" ainda tem "Shallow" concorrendo como Melhor Canção (e tem tudo para levar), Melhor Edição de Som (esquece) , Melhor Roteiro Adaptado (aqui também pode levar), Melhor Fotografia (duvido) e Melhor Ator Coadjuvante, com o também excelente Sam Elliott (que corre por fora, mas não seria uma surpresa se levasse). Uma categoria que senti falta na indicação foi a de Melhor Diretor - talvez por puro preconceito (e eu também sempre fico com o pé atrás quando um ator que está em cena quer dirige). Bradley Cooper fez um excelente trabalho, foi indicado em todos os prêmios até agora e, para mim, foi até melhor que o Bryan Singer em Bohemian Rhapsody, principalmente nas cenas de palco onde a comparação é inevitável. Está certo que são câmeras diferentes: a do Cooper é mais solta, mais orgânica; a do Singer, é mais fixa, ensaiada, porém muito inventiva - pessoalmente, gosto mais da escolha do Cooper: tem uns planos sequência, onde ele deixa aquele flare das luzes do palco interferirem na lente no meio da narrativa, de uma forma tão natural, que fica lindo!!!

Enfim, "Nasce uma Estrela" é um filme que transita por um universo bastante seguro, porque é praticamente impossível, quem assiste, não se importar (e não sofrer) com a história da protagonista. Cooper sabia disso e conduziu a história de uma maneira bem bacana - tecnicamente é muito bem realizado - até melhor que Bohemian.

Olha, é um excelente entretenimento, fácil de se emocionar!

Up-date: "Nasce uma Estrela" ganhou em uma categoria no Oscar 2019: Melhor Canção!

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"Nasce uma Estrela" começa com um jeitão de comédia romântica, meio que no estilo "Nothing Hill" sabe?!!! Vem com aquela levada de "conto de fadas moderno" adaptada para universo da música, onde o Pop Star (famoso, rico e bonito) se apaixona pela garota normal, mas muito talentosa, que canta nos bares da noite após dar um duro danado durante o dia inteiro, aguentando o chefe idiota e a difícil batalha cotidiana da vida normal!!! Sim, eu sei que, pela rápida sinopse, parece o típico filme "Sessão da Tarde" que já cansamos de assistir... mas, te garanto, a superficialidade do enredo acaba justamente por aí, ou melhor, ela vai se transformando em algo muito mais intenso!!! "Nasce uma Estrela" tem o mérito de revisitar uma história que já foi contada no cinema pelo menos três vezes, mas vem com um novo olhar e, principalmente, com uma sensibilidade muito interessante, diferente. Com o desenrolar do filme, vamos sendo apresentados às várias camadas dos personagens e das situações que os rodeiam e conforme você vai conhecendo cada uma delas, vai se aprofundando e entendendo dramas mais complexos do que parecem - aí fica fácil perceber porque ganhou mais de 50 prêmios em Festivais ao redor do Mundo e porque está indicado em 8 categorias do Oscar, inclusive como melhor filme!!!

O Filme traz em primeiro plano o sonho de um amor improvável, da imperdível chance de mostrar um talento escondido, mas logo trás à tona o drama do alcoolismo, da insegurança da perda de personalidade. Ao mesmo tempo que trás a sedução do sucesso, mostra o constrangimento do fracasso. Fala sobre cumplicidade familiar, mas  também escancara as feridas de um passado marcado por decepções. O genial é que tudo isso está personificado nos dois personagens principais e em duas excelentes atuações: Bradley Cooper como Jack e Lady Gaga como Allie - aliás, Lady Gaga foi uma notável surpresa... a primeira cena dela mostra até um pouco de insegurança, mas depois ela vai ganhando força, encontrando o caminho, o tom certo! Já o Bradley Cooper, talvez tenha feito o melhor papel dele.

"Nasce uma Estrela" ainda tem "Shallow" concorrendo como Melhor Canção (e tem tudo para levar), Melhor Edição de Som (esquece) , Melhor Roteiro Adaptado (aqui também pode levar), Melhor Fotografia (duvido) e Melhor Ator Coadjuvante, com o também excelente Sam Elliott (que corre por fora, mas não seria uma surpresa se levasse). Uma categoria que senti falta na indicação foi a de Melhor Diretor - talvez por puro preconceito (e eu também sempre fico com o pé atrás quando um ator que está em cena quer dirige). Bradley Cooper fez um excelente trabalho, foi indicado em todos os prêmios até agora e, para mim, foi até melhor que o Bryan Singer em Bohemian Rhapsody, principalmente nas cenas de palco onde a comparação é inevitável. Está certo que são câmeras diferentes: a do Cooper é mais solta, mais orgânica; a do Singer, é mais fixa, ensaiada, porém muito inventiva - pessoalmente, gosto mais da escolha do Cooper: tem uns planos sequência, onde ele deixa aquele flare das luzes do palco interferirem na lente no meio da narrativa, de uma forma tão natural, que fica lindo!!!

Enfim, "Nasce uma Estrela" é um filme que transita por um universo bastante seguro, porque é praticamente impossível, quem assiste, não se importar (e não sofrer) com a história da protagonista. Cooper sabia disso e conduziu a história de uma maneira bem bacana - tecnicamente é muito bem realizado - até melhor que Bohemian.

Olha, é um excelente entretenimento, fácil de se emocionar!

Up-date: "Nasce uma Estrela" ganhou em uma categoria no Oscar 2019: Melhor Canção!

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Ninguém sabe que estou aqui

"Ninguém sabe que estou aqui" provavelmente vai te surpreender! Embora tenha uma narrativa sem muita dinâmica, com pouquíssimos diálogos e uma história, digamos, previsível, o filme entrega um final onde tudo se encaixa de uma maneira muito correta - o que nos proporciona uma sensação de alivio muito particular e acaba sobrepondo as inúmeras fraquezas do roteiro. De fato, eu diria que "Ninguém sabe que estou aqui" é um filme que se apoia na empatia do protagonista para nos mover por um drama pessoal profundo sobre injustiça e as marcas que ela deixa na vida!

Memo (Jorge Garcia - Hurley de "Lost"), quando criança, foi um candidato a se tornar um fenômeno da música pop, porém os padrões da indústria do entretenimento dos anos 90 exigia um visual diferente - não havia espaço para uma criança como ele, mesmo com seu talento. Por ter uma voz incrível e uma afinação acima da média, os produtores resolveram fabricar uma "estrela" de sucesso internacional, usando a voz de Memo, mas o visual de outra criança. Traumatizado por esses (e outros importantes) acontecimentos do passado, Memo resolveu se isolar do mundo, indo morar com o tio em uma fazenda no interior do Chile, até que uma mulher da região lhe oferece a chance de encontrar a paz que ele procurou por tantos anos. Confira o trailer:

É verdade que no inicio do filme temos a impressão de estarmos assistindo algo mais cadenciado como "Sob a Pele do Lobo" até que ele vai evoluindo, pegando no tranco e nos trazendo alguns elementos bem emocionais que nos provocam a torcer pelo protagonista como em "Nasce uma Estrela" por exemplo! Essa dinâmica exige um pouco de paciência, mas o ótimo trabalho do Jorge Garcia e um direção muito competente do estreante Gaspar Antillo, nos conquista e vai nos entretendo até que finalmente encontramos a paz junto com o protagonista em uma cena ao melhor estilo "Judy"! É isso: se você gostou dessas referências que acabei de citar, sua diversão está garantida, mesmo que de uma forma um pouco menos hollywoodiana e mais autoral, mas que de qualquer modo, vai valer muito a pena!

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"Ninguém sabe que estou aqui" provavelmente vai te surpreender! Embora tenha uma narrativa sem muita dinâmica, com pouquíssimos diálogos e uma história, digamos, previsível, o filme entrega um final onde tudo se encaixa de uma maneira muito correta - o que nos proporciona uma sensação de alivio muito particular e acaba sobrepondo as inúmeras fraquezas do roteiro. De fato, eu diria que "Ninguém sabe que estou aqui" é um filme que se apoia na empatia do protagonista para nos mover por um drama pessoal profundo sobre injustiça e as marcas que ela deixa na vida!

Memo (Jorge Garcia - Hurley de "Lost"), quando criança, foi um candidato a se tornar um fenômeno da música pop, porém os padrões da indústria do entretenimento dos anos 90 exigia um visual diferente - não havia espaço para uma criança como ele, mesmo com seu talento. Por ter uma voz incrível e uma afinação acima da média, os produtores resolveram fabricar uma "estrela" de sucesso internacional, usando a voz de Memo, mas o visual de outra criança. Traumatizado por esses (e outros importantes) acontecimentos do passado, Memo resolveu se isolar do mundo, indo morar com o tio em uma fazenda no interior do Chile, até que uma mulher da região lhe oferece a chance de encontrar a paz que ele procurou por tantos anos. Confira o trailer:

É verdade que no inicio do filme temos a impressão de estarmos assistindo algo mais cadenciado como "Sob a Pele do Lobo" até que ele vai evoluindo, pegando no tranco e nos trazendo alguns elementos bem emocionais que nos provocam a torcer pelo protagonista como em "Nasce uma Estrela" por exemplo! Essa dinâmica exige um pouco de paciência, mas o ótimo trabalho do Jorge Garcia e um direção muito competente do estreante Gaspar Antillo, nos conquista e vai nos entretendo até que finalmente encontramos a paz junto com o protagonista em uma cena ao melhor estilo "Judy"! É isso: se você gostou dessas referências que acabei de citar, sua diversão está garantida, mesmo que de uma forma um pouco menos hollywoodiana e mais autoral, mas que de qualquer modo, vai valer muito a pena!

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