Viu Review - ml-ff

A Falha

"A Falha" (ou "The Flaw" no original) é um documentário dos mais interessantes, principalmente para aqueles que se interessam por economia e por história. É um verdadeiro estudo sobre o capitalismo, mas partindo de um ponto marcante da história moderna dos EUA: a crise de 2008 - e aqui é preciso fazer um comentário pertinente: o filme não tem a pretensão de ser um manifesto ou uma crítica superficial sobre o capitalismo, ele é mais um recorte sobre os erros do sistema financeiro nos últimos 20 anos.

O premiado diretor David Sington apresenta a história da crise de crédito financeiro de 2008 que trouxe sofrimento para milhões de americanos. Abandonando explicações fáceis de banqueiros gananciosos e reguladores incompetentes, esta investigação vai às raízes da crença iludida dos EUA e do Reino Unido de que todos poderiam ser ricos e que os preços dos imóveis subiriam para sempre. Confira o trailer (em inglês):

Embora interessante, a abordagem de Sington para contar essa história pode soar um pouco mais técnica, embora o diretor se esforce muito para deixar sua mensagem a mais clara possível - em alguns momentos ele consegue, em outros nem tanto.  Quando Alan Greenspan, ex-presidente da Reserva Federal norte-americana, em uma declaração no Congresso, admitiu uma "falha" ao ter acreditado no poder de auto-correção dos mercados, um enorme estrago já tinha acontecido. Muitos documentários, inclusive, partem do mesmo principio para tentar explicar as causas da crise, mas em "A Falha" o que assistimos é um mergulho quase antropológico na raiz do problema e não nas suas ramificações.

Alguns dos economistas mais importantes do mundo, incluindo Joseph Stiglitz, Robert Wade, Louis Hyman e Robert Shiller, oferecem suas perspectivas sobre o que causou a crise, a enorme desigualdade presente na sociedade americana até hoje e como a ideologia do mercado livre de Alan Greenspan levou as pessoas acreditarem que todos poderiam estar sempre em uma melhor situação, mesmo sem nenhum ajuste em seus recebimentos. É muito interessante como Sington intercala esses depoimentos com cenas de desenhos animados utilizados como propaganda anticomunista para os soldados norte-americanos dos anos 50 e 60. 

“É uma crise de dívida, mas também é uma crise de teoria econômica” - assim definiu o diretor na época do lançamento do seu documentário indicado ao prêmio máximo do Festival de Sundance em 2011. Além de muito inteligente, "A Falha" provoca algumas reflexões sobre o momento que estamos vivendo e o que pode vir pela frente se ganância continuar pontuando as decisões pouco empáticas de quem está no 1% do topo da pirâmide.

Vale o play e vale a discussão para aqueles que não se contentam com o óbvio!

Assista Agora

"A Falha" (ou "The Flaw" no original) é um documentário dos mais interessantes, principalmente para aqueles que se interessam por economia e por história. É um verdadeiro estudo sobre o capitalismo, mas partindo de um ponto marcante da história moderna dos EUA: a crise de 2008 - e aqui é preciso fazer um comentário pertinente: o filme não tem a pretensão de ser um manifesto ou uma crítica superficial sobre o capitalismo, ele é mais um recorte sobre os erros do sistema financeiro nos últimos 20 anos.

O premiado diretor David Sington apresenta a história da crise de crédito financeiro de 2008 que trouxe sofrimento para milhões de americanos. Abandonando explicações fáceis de banqueiros gananciosos e reguladores incompetentes, esta investigação vai às raízes da crença iludida dos EUA e do Reino Unido de que todos poderiam ser ricos e que os preços dos imóveis subiriam para sempre. Confira o trailer (em inglês):

Embora interessante, a abordagem de Sington para contar essa história pode soar um pouco mais técnica, embora o diretor se esforce muito para deixar sua mensagem a mais clara possível - em alguns momentos ele consegue, em outros nem tanto.  Quando Alan Greenspan, ex-presidente da Reserva Federal norte-americana, em uma declaração no Congresso, admitiu uma "falha" ao ter acreditado no poder de auto-correção dos mercados, um enorme estrago já tinha acontecido. Muitos documentários, inclusive, partem do mesmo principio para tentar explicar as causas da crise, mas em "A Falha" o que assistimos é um mergulho quase antropológico na raiz do problema e não nas suas ramificações.

Alguns dos economistas mais importantes do mundo, incluindo Joseph Stiglitz, Robert Wade, Louis Hyman e Robert Shiller, oferecem suas perspectivas sobre o que causou a crise, a enorme desigualdade presente na sociedade americana até hoje e como a ideologia do mercado livre de Alan Greenspan levou as pessoas acreditarem que todos poderiam estar sempre em uma melhor situação, mesmo sem nenhum ajuste em seus recebimentos. É muito interessante como Sington intercala esses depoimentos com cenas de desenhos animados utilizados como propaganda anticomunista para os soldados norte-americanos dos anos 50 e 60. 

“É uma crise de dívida, mas também é uma crise de teoria econômica” - assim definiu o diretor na época do lançamento do seu documentário indicado ao prêmio máximo do Festival de Sundance em 2011. Além de muito inteligente, "A Falha" provoca algumas reflexões sobre o momento que estamos vivendo e o que pode vir pela frente se ganância continuar pontuando as decisões pouco empáticas de quem está no 1% do topo da pirâmide.

Vale o play e vale a discussão para aqueles que não se contentam com o óbvio!

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A História da Pixar

"A História da Pixar" é um ótimo documentário de 2007, dirigido pela mesma diretora que lançou recentemente, "A História do Imagineering", também pela Disney+. O fato é que Leslie Iwerks construiu um material histórico importantíssimo para os dias de hoje, captando depoimentos raros de gênios como Steve Jobs, George Lucas, Michael Eisner, Roy Disney; sem falar no próprio Bob Iger, John Lasseter e Ed Catmull. 

"A História da Pixar" (ou The Pixar Story) é um olhar curioso sobre os primeiros anos do Estúdio. Desde a época em que era apenas um braço experimental da "Industrial Light & Magic" de George Lucas, passando pelo sucesso de "Toy Story" até a construção de seu enorme campus em East Bay e na relação de sucesso que culminou na aquisição pela Disney. Não é exagero dizer que sua notável sequência sucessos é só a ponta do iceberg de uma jornada muito pessoal de Lasseter, Catmull e Jobs e o documentário detalha muito bem como essas peças se encaixaram. O interessante, e hoje fica mais fácil perceber isso, é que a história da Pixar se confunde com o próprio caminho que a animação veio a percorrer através dos anos e mesmo se tratando de um documentário datado, é impossível não valorizar a aula de inovação, gestão e cultura que ele nos oferece a partir das histórias de cada um dos protagonistas e da paixão por algo que parecia tão distante.

Para quem é empreendedor ou amante do cinema de animação, esse documentário é simplesmente imperdível. São tantos elementos que nos inspiram que fica até difícil pontuar. Pode ter certeza que você vai querer se aprofundar, já que o documentário não tem essa preocupação, então eu aproveito para sugerir o livro "Criatividade S.A." do Ed Catmull - lá você vai encontrar muitas das passagens do documentário um pouco mais desenvolvidas.Olha, se assistir esse documentário e depois ler o livro, acredite, você terá um verdadeiro estudo de caso nas mãos, digno dos melhores cursos de pós-gradução do planeta. Vale muito a pena!

Assista Agora 

"A História da Pixar" é um ótimo documentário de 2007, dirigido pela mesma diretora que lançou recentemente, "A História do Imagineering", também pela Disney+. O fato é que Leslie Iwerks construiu um material histórico importantíssimo para os dias de hoje, captando depoimentos raros de gênios como Steve Jobs, George Lucas, Michael Eisner, Roy Disney; sem falar no próprio Bob Iger, John Lasseter e Ed Catmull. 

"A História da Pixar" (ou The Pixar Story) é um olhar curioso sobre os primeiros anos do Estúdio. Desde a época em que era apenas um braço experimental da "Industrial Light & Magic" de George Lucas, passando pelo sucesso de "Toy Story" até a construção de seu enorme campus em East Bay e na relação de sucesso que culminou na aquisição pela Disney. Não é exagero dizer que sua notável sequência sucessos é só a ponta do iceberg de uma jornada muito pessoal de Lasseter, Catmull e Jobs e o documentário detalha muito bem como essas peças se encaixaram. O interessante, e hoje fica mais fácil perceber isso, é que a história da Pixar se confunde com o próprio caminho que a animação veio a percorrer através dos anos e mesmo se tratando de um documentário datado, é impossível não valorizar a aula de inovação, gestão e cultura que ele nos oferece a partir das histórias de cada um dos protagonistas e da paixão por algo que parecia tão distante.

Para quem é empreendedor ou amante do cinema de animação, esse documentário é simplesmente imperdível. São tantos elementos que nos inspiram que fica até difícil pontuar. Pode ter certeza que você vai querer se aprofundar, já que o documentário não tem essa preocupação, então eu aproveito para sugerir o livro "Criatividade S.A." do Ed Catmull - lá você vai encontrar muitas das passagens do documentário um pouco mais desenvolvidas.Olha, se assistir esse documentário e depois ler o livro, acredite, você terá um verdadeiro estudo de caso nas mãos, digno dos melhores cursos de pós-gradução do planeta. Vale muito a pena!

Assista Agora 

A História do Imagineering

"A História do Imagineering" é uma série documental de seis episódios de 60 minutos, em média, do Disney+, que mais parece um curso de MBA em empreendedorismo e inovação - e isso é incrível! Sem exageros, a forma como o documentário dirigido pela Leslie Iwerks, indicada ao Oscar de 2007 pelo curta documental "Recycled Life" e também responsável pelo excelente "A História da Pixar", é simplesmente sensacional - são tantos elementos inseridos organicamente no processo de construção de um império do entretenimento pelos olhos da força mais criativa da empresa, que fica até difícil citá-los sem correr o risco de esquecer algo importante!

Mesmo que você seja uma das milhões de pessoas que tiveram a oportunidade de visitar algum dos parques temáticos da Disney em todo o mundo, você pode não ter a noção e até não conhecer sobre um dos conceitos culturais mais importantes que a empresa até estabeleceu como profissão: a do Imagineer. A palavra foi criada para designar os criadores de tudo que está nos seus parques temáticos, da idealização à construção de várias das atrações. O documentário tem, entre outras coisas, o objetivo de mostrar um lado secreto que a Disney habitualmente não revelaria e a relação mágica entre a criação e o público que já começa com seu criador Walt, o primeiro dos Imagineers. Confira o trailer:

Da criação da Disneylândia original em Anaheim, na Califórnia, passando pela da Euro Disney em Paris, até chegar nos parques mais recentes, como o de Xangai, a série percorre os altos e baixos destas tarefas gigantescas e dá voz aos seus protagonistas em uma verdadeira radiografia que expõe os bastidores da empresa, tanto criativo como corporativo - e é aqui que o documentário ganha em conteúdo, pois Iwerks mostra um material riquíssimo de arquivo, com conversas de Walt e seu irmão Roy, depoimentos dos primeiros Imagineers, CEOs e executivos da empresa como Michael Eisner, Frank Wells e Bob Iger, além de figuras quase míticas como Steve Jobs, George Lucas e James Cameron.   

"A História do Imagineering" é muito mais que uma série que fala sobre um legado, ela é a mais espetacular análise sobre o real significado de empreendedorismo na prática, uma aula de cultura, gestão, propósito, criatividade, inovação, growth, customer experience, internacionalização, propriedade intelectual, etc. Sério, é simplesmente imperdível e me desculpem a redundância, mas talvez seja o melhor conteúdo sobre o assunto disponível atualmente nos serviços de streaming.

Como de costume nesse tipo de review focado em empreendedorismo, seguem algumas indicações bibliográficas que vão te ajudar a se aprofundar no conteúdo que a série cobre. O primeiro chama "Se você pode sonhar, pode fazer"- esse é um livro de consulta, bem fácil, com vários conceitos dos Imagineers que ajudam a impulsionar a criatividade. A segunda indicação já é um pouco mais complexa, "Disney War" mostra os bastidores da Era Eisner na Disney e como ele foi capaz de recuperar uma empresa quase falida e transformar em uma potencia global do entretenimento. Existem mais dois livros que também podem interessar: "A Magia do Império Disney"de Ginha Nader é basicamente o conteúdo que você vai assistir no documentário e "Criando Magia" do Lee Cockerell que enumera dez estratégias de liderança disseminadas no Disney Institute.

Agora vamos ao que interessa! Só dar o play e ser feliz!

Assista Agora

"A História do Imagineering" é uma série documental de seis episódios de 60 minutos, em média, do Disney+, que mais parece um curso de MBA em empreendedorismo e inovação - e isso é incrível! Sem exageros, a forma como o documentário dirigido pela Leslie Iwerks, indicada ao Oscar de 2007 pelo curta documental "Recycled Life" e também responsável pelo excelente "A História da Pixar", é simplesmente sensacional - são tantos elementos inseridos organicamente no processo de construção de um império do entretenimento pelos olhos da força mais criativa da empresa, que fica até difícil citá-los sem correr o risco de esquecer algo importante!

Mesmo que você seja uma das milhões de pessoas que tiveram a oportunidade de visitar algum dos parques temáticos da Disney em todo o mundo, você pode não ter a noção e até não conhecer sobre um dos conceitos culturais mais importantes que a empresa até estabeleceu como profissão: a do Imagineer. A palavra foi criada para designar os criadores de tudo que está nos seus parques temáticos, da idealização à construção de várias das atrações. O documentário tem, entre outras coisas, o objetivo de mostrar um lado secreto que a Disney habitualmente não revelaria e a relação mágica entre a criação e o público que já começa com seu criador Walt, o primeiro dos Imagineers. Confira o trailer:

Da criação da Disneylândia original em Anaheim, na Califórnia, passando pela da Euro Disney em Paris, até chegar nos parques mais recentes, como o de Xangai, a série percorre os altos e baixos destas tarefas gigantescas e dá voz aos seus protagonistas em uma verdadeira radiografia que expõe os bastidores da empresa, tanto criativo como corporativo - e é aqui que o documentário ganha em conteúdo, pois Iwerks mostra um material riquíssimo de arquivo, com conversas de Walt e seu irmão Roy, depoimentos dos primeiros Imagineers, CEOs e executivos da empresa como Michael Eisner, Frank Wells e Bob Iger, além de figuras quase míticas como Steve Jobs, George Lucas e James Cameron.   

"A História do Imagineering" é muito mais que uma série que fala sobre um legado, ela é a mais espetacular análise sobre o real significado de empreendedorismo na prática, uma aula de cultura, gestão, propósito, criatividade, inovação, growth, customer experience, internacionalização, propriedade intelectual, etc. Sério, é simplesmente imperdível e me desculpem a redundância, mas talvez seja o melhor conteúdo sobre o assunto disponível atualmente nos serviços de streaming.

Como de costume nesse tipo de review focado em empreendedorismo, seguem algumas indicações bibliográficas que vão te ajudar a se aprofundar no conteúdo que a série cobre. O primeiro chama "Se você pode sonhar, pode fazer"- esse é um livro de consulta, bem fácil, com vários conceitos dos Imagineers que ajudam a impulsionar a criatividade. A segunda indicação já é um pouco mais complexa, "Disney War" mostra os bastidores da Era Eisner na Disney e como ele foi capaz de recuperar uma empresa quase falida e transformar em uma potencia global do entretenimento. Existem mais dois livros que também podem interessar: "A Magia do Império Disney"de Ginha Nader é basicamente o conteúdo que você vai assistir no documentário e "Criando Magia" do Lee Cockerell que enumera dez estratégias de liderança disseminadas no Disney Institute.

Agora vamos ao que interessa! Só dar o play e ser feliz!

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A Melhor Ideia

"A Melhor Ideia" é um documentário produzido pela National Geographic que você vai poder assistir pelo Disney+, que tem uma estrutura muito mais próxima de um reality show de competição do que propriamente de um projeto jornalístico. Essa escolha conceitual tem seus prós e seus contras, mas antes de discutir sobre isso, talvez o que mais importe nessa jornada é a reflexão que o filme nos provoca: existem mentes brilhantes em todos os lugares do mundo, de Nairobi à Nova York, e esse processo de inovação e empreendedorismo, tema discutido aqui, precisa ser fomentado, são esses jovens que vão transformar esse planeta para todas as gerações que virão! Esse documentário é um recorte do que acredito ser o caminho ideal e por isso fiz questão de dividir com vocês!

Em pouco mais de 90 minutos, acompanhamos cinco estudantes de diferentes cantos do planeta que levam suas grandes ideias a uma das competições para empreendedores mais prestigiadas do mundo. Além de todas as dificuldades inerentes ao empreendedorismo, cada um deles superou imensos obstáculos em busca do sonho de transformar seu propósito em um grande negócio: foram furacões, dificuldades econômicas, guerras civis, etc; e foi essa resiliência que os trouxeram até aqui! É aí que surge a questão: essas ideias já mudaram suas vidas, mas será que elas estão prontas para mudar o mundo? Confira o trailer:

Agora vamos entender o que a escolha conceitual de "A Melhor Ideia" tem de bom - o melhor de um reality são seus personagens e a maneira como a narrativa é construída que nos faz torcer por eles. Aqui, Santosh vem de uma pequena cidade agrícola do Nepal,  Alondra trabalha como caixa da padaria de sua família em Porto Rico, Henry é um gênio da programação de Nairóbi, Jason é uma máquina de marketing da Grécia e Daniela, uma imigrante que foge da crise na Venezuela, estuda química na Universidade de Nova York - cada um deles é apresentado com muita competência, seguindo dois caminhos: o primeiro, claro, que conta suas histórias de vida e as dificuldades que os levaram até aquele momento e o segundo, foca na forma como eles acreditam poder resolver uma dor do mercado. A jornada de cada um deles funciona como entretenimento, mas falta tempo para unir esses dois caminhos de uma maneira mais profunda - o famoso "CPF com CNPJ". O "contra" se encaixa justamente aí: o lado empreendedor de cada um deles, suas soluções, desafios, perrengues, vitórias, derrotas, pivotadas; tudo isso soa muito superficial, é pouquíssimo explorado - talvez se fosse uma série de 6 episódios, com um episódio para cada personagem e um sexto com a final da competição em si, seria o ideal!

 "A Melhor Ideia" é gostoso de assistir, mesmo sem essa profundidade empreendedora ou discussões mais fundamentadas nas dificuldades e na capacidade de enxergar uma oportunidade em meio ao ambiente que estão inseridos. Criar a expectativa sobre quem vai vencer uma competição importante funciona pela empatia e pela emoção, mas equilibrar uma assunto importante com a razão poderia funcionar muito melhor. O que, de fato, o filme tem de sobra é humanidade e isso é transformador, motivador e provoca reflexões pertinentes com o momento que estamos vivendo. 

 "A Melhor Ideia" é mais um convite para transformarmos o mundo em um lugar melhor e como citou Henry: "Se a oportunidade não bater na sua porta, quebre a parede!"

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"A Melhor Ideia" é um documentário produzido pela National Geographic que você vai poder assistir pelo Disney+, que tem uma estrutura muito mais próxima de um reality show de competição do que propriamente de um projeto jornalístico. Essa escolha conceitual tem seus prós e seus contras, mas antes de discutir sobre isso, talvez o que mais importe nessa jornada é a reflexão que o filme nos provoca: existem mentes brilhantes em todos os lugares do mundo, de Nairobi à Nova York, e esse processo de inovação e empreendedorismo, tema discutido aqui, precisa ser fomentado, são esses jovens que vão transformar esse planeta para todas as gerações que virão! Esse documentário é um recorte do que acredito ser o caminho ideal e por isso fiz questão de dividir com vocês!

Em pouco mais de 90 minutos, acompanhamos cinco estudantes de diferentes cantos do planeta que levam suas grandes ideias a uma das competições para empreendedores mais prestigiadas do mundo. Além de todas as dificuldades inerentes ao empreendedorismo, cada um deles superou imensos obstáculos em busca do sonho de transformar seu propósito em um grande negócio: foram furacões, dificuldades econômicas, guerras civis, etc; e foi essa resiliência que os trouxeram até aqui! É aí que surge a questão: essas ideias já mudaram suas vidas, mas será que elas estão prontas para mudar o mundo? Confira o trailer:

Agora vamos entender o que a escolha conceitual de "A Melhor Ideia" tem de bom - o melhor de um reality são seus personagens e a maneira como a narrativa é construída que nos faz torcer por eles. Aqui, Santosh vem de uma pequena cidade agrícola do Nepal,  Alondra trabalha como caixa da padaria de sua família em Porto Rico, Henry é um gênio da programação de Nairóbi, Jason é uma máquina de marketing da Grécia e Daniela, uma imigrante que foge da crise na Venezuela, estuda química na Universidade de Nova York - cada um deles é apresentado com muita competência, seguindo dois caminhos: o primeiro, claro, que conta suas histórias de vida e as dificuldades que os levaram até aquele momento e o segundo, foca na forma como eles acreditam poder resolver uma dor do mercado. A jornada de cada um deles funciona como entretenimento, mas falta tempo para unir esses dois caminhos de uma maneira mais profunda - o famoso "CPF com CNPJ". O "contra" se encaixa justamente aí: o lado empreendedor de cada um deles, suas soluções, desafios, perrengues, vitórias, derrotas, pivotadas; tudo isso soa muito superficial, é pouquíssimo explorado - talvez se fosse uma série de 6 episódios, com um episódio para cada personagem e um sexto com a final da competição em si, seria o ideal!

 "A Melhor Ideia" é gostoso de assistir, mesmo sem essa profundidade empreendedora ou discussões mais fundamentadas nas dificuldades e na capacidade de enxergar uma oportunidade em meio ao ambiente que estão inseridos. Criar a expectativa sobre quem vai vencer uma competição importante funciona pela empatia e pela emoção, mas equilibrar uma assunto importante com a razão poderia funcionar muito melhor. O que, de fato, o filme tem de sobra é humanidade e isso é transformador, motivador e provoca reflexões pertinentes com o momento que estamos vivendo. 

 "A Melhor Ideia" é mais um convite para transformarmos o mundo em um lugar melhor e como citou Henry: "Se a oportunidade não bater na sua porta, quebre a parede!"

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Altos Negócios

Altos Negócios

"Altos Negócios" é uma espécie de "Shiny Flakes" do golpe imobiliário e embora um seja ficção e o outro documentário, os elementos narrativos são praticamente idênticos e, por coincidência, ambas as produções são alemãs. Embora nenhum dos dois títulos sejam inesquecíveis, é impossível negar que além de curiosos, estamos falando de ótimos entretenimentos onde as discussões morais são completamente substituídas por sensações bastante peculiares - então não se assuste se, mais uma vez, você estiver torcendo para os "bandidos"!

"Altos Negócios" conta a história de Viktor Stein (David Kross), um garoto que deixa a casa de seu pai e parte para a cidade grande para se tornar um empresário de sucesso. Não demora muito para que o rapaz descubra que precisa quebrar algumas regras e assim se infiltrar em um ramo disputado como o imobiliário. Após uma parceria inesperada com o malandro Gerry Falkland (Frederick Lau) e a bancária Nicole Kleber (Janina Uhse), Stein entra em uma jornada repleta de dinheiro, glamour, álcool e drogas que não demora para fugir do seu controle. Confira o trailer (dublado):

Se em "Breaking Bad" aprendemos a olhar as motivações dos personagens por um outro ponto de vista e assim colocar em julgamento suas atitudes com a desculpa que o "fim" pode justificar os "meios", nessa produção alemã voltamos justamente para essa interpretação. O roteiro deCüneyt Kaya, que também assina a direção, parece ter uma certa dificuldade em assumir que Viktor pode ser corrompido, deixando sempre uma leve impressão de que o rapaz tem um bom coração, ou seja, mesmo sendo um mau-caráter, Viktor parece sofrer com certo arrependimento e que em algum momento isso poderá se tornar sua redenção. Dito isso, o filme me soou conformista demais, como se não tivesse coragem para expor o mal que um personagem como esse pode causar para a sociedade - e a mesma critica se extende para o próprio "Shiny Flakes".

Embora completamente linear e seguro dessa postura narrativa, é impossível não se envolver com as falcatruas do protagonista (e de seus parceiros) e assim desfrutar do sucesso e da vingança perante o "sistema" (em algum momento do filme você vai escutar exatamente isso). Será natural uma leve lembrança com o estilo e a ambientação de "O Lobo de Wall Street" - a edição ágil intercalada com a narrativa focada no ponto de vista do protagonista colabora com essa memória (quase) emotiva, mas as semelhanças tendem a parar por aí - no contexto e na qualidade como obra.

"Altos Negócios" perdeu a oportunidade de mergulhar na ganância e na maneira egocêntrica como esses tipos de personagens enxergam o mundo (como assistimos recentemente em "A Bad Boy Billionaires"), por outro lado entregou um filme dinâmico, sem muita enrolação, divertido e honesto. Muito bem produzido, dirigido e fotografado pelo Sebastian Bäumler, que construiu sua carreira nos documentários, "Betonrausch" (título original) é uma ótima recomendação para quem gosta de tramas realistas e subvertidas na linha de "Ozark" ou de "O Primeiro Milhão".

Vale o play!

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"Altos Negócios" é uma espécie de "Shiny Flakes" do golpe imobiliário e embora um seja ficção e o outro documentário, os elementos narrativos são praticamente idênticos e, por coincidência, ambas as produções são alemãs. Embora nenhum dos dois títulos sejam inesquecíveis, é impossível negar que além de curiosos, estamos falando de ótimos entretenimentos onde as discussões morais são completamente substituídas por sensações bastante peculiares - então não se assuste se, mais uma vez, você estiver torcendo para os "bandidos"!

"Altos Negócios" conta a história de Viktor Stein (David Kross), um garoto que deixa a casa de seu pai e parte para a cidade grande para se tornar um empresário de sucesso. Não demora muito para que o rapaz descubra que precisa quebrar algumas regras e assim se infiltrar em um ramo disputado como o imobiliário. Após uma parceria inesperada com o malandro Gerry Falkland (Frederick Lau) e a bancária Nicole Kleber (Janina Uhse), Stein entra em uma jornada repleta de dinheiro, glamour, álcool e drogas que não demora para fugir do seu controle. Confira o trailer (dublado):

Se em "Breaking Bad" aprendemos a olhar as motivações dos personagens por um outro ponto de vista e assim colocar em julgamento suas atitudes com a desculpa que o "fim" pode justificar os "meios", nessa produção alemã voltamos justamente para essa interpretação. O roteiro deCüneyt Kaya, que também assina a direção, parece ter uma certa dificuldade em assumir que Viktor pode ser corrompido, deixando sempre uma leve impressão de que o rapaz tem um bom coração, ou seja, mesmo sendo um mau-caráter, Viktor parece sofrer com certo arrependimento e que em algum momento isso poderá se tornar sua redenção. Dito isso, o filme me soou conformista demais, como se não tivesse coragem para expor o mal que um personagem como esse pode causar para a sociedade - e a mesma critica se extende para o próprio "Shiny Flakes".

Embora completamente linear e seguro dessa postura narrativa, é impossível não se envolver com as falcatruas do protagonista (e de seus parceiros) e assim desfrutar do sucesso e da vingança perante o "sistema" (em algum momento do filme você vai escutar exatamente isso). Será natural uma leve lembrança com o estilo e a ambientação de "O Lobo de Wall Street" - a edição ágil intercalada com a narrativa focada no ponto de vista do protagonista colabora com essa memória (quase) emotiva, mas as semelhanças tendem a parar por aí - no contexto e na qualidade como obra.

"Altos Negócios" perdeu a oportunidade de mergulhar na ganância e na maneira egocêntrica como esses tipos de personagens enxergam o mundo (como assistimos recentemente em "A Bad Boy Billionaires"), por outro lado entregou um filme dinâmico, sem muita enrolação, divertido e honesto. Muito bem produzido, dirigido e fotografado pelo Sebastian Bäumler, que construiu sua carreira nos documentários, "Betonrausch" (título original) é uma ótima recomendação para quem gosta de tramas realistas e subvertidas na linha de "Ozark" ou de "O Primeiro Milhão".

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Arremesso Final

Tão sensacional quanto "Formula 1: Dirigir para Sobreviver", "Arremesso Final" tem dois diferenciais que precisam ser destacados, o primeiro é para o lado bom: dentro de uma história narrativamente muito bem construída temos um personagem que é simplesmente único e certamente está entre os três maiores gênios de todos os esportes em todos os tempos - Michael Jordan. Já o segundo não é tão bom assim: o projeto se trata de uma minissérie de apenas 10 episódios - é impossível não querer saber mais de todas aquelas histórias, seja você um amante de basquete ou só um curioso em conhecer os bastidores da criação de um mito! Confira o trailer: 

"Last Dance", título original e infinitamente mais coerente que "Arremesso Final", é um registro imperdível de um dos períodos mais importantes da história do basquete americano e da NBA, onde o Chicago Bulls (saco de pancadas da Liga) vai se transformando em no time quase imbatível que alcançou a incrível marca de seis títulos em oito anos, depois da chegada de Jordan, um atleta que além de fenômeno no esporte, alcançou patamares inimagináveis até aquele momento no que diz respeito a influência cultural e poder de marketing! O mais sensacional disso tudo é que o diretor Jason Hehir conseguiu construir uma narrativa tão dinâmica e coerente para contar essa história que temos a sensação de estar revivendo aqueles momentos como se fosse hoje! 

Embora seja impossível desassociar o sucesso dos Bulls com a ascensão esportiva de Michael Jordan, "Arremesso Final" vai muito além ao contar histórias bastante peculiares tanto dos bastidores do time (nas temporadas que ganharam e que perderam), quanto das pessoas que rodeavam o grande astro. Rodman, Kerr, Paxton, Pippen e até Phil Jackson foram de extrema importância em momentos-chaves de toda essa jornada que começou em 1985 com a terceira escolha no draft. O bacana é que são tantas curiosidades, muitas delas contadas pela primeira vez e pelos próprios personagens, que não conseguimos parar de assistir os episódios - mesmo sofrendo por saber que são apenas 10!

Esse projeto começou durante a temporada 1997/98 daNBA, quando uma equipe de filmagem ganhou total acesso aos bastidores do Chicago Bulls para registrar as coletivas de imprensa, as conversas de vestiários e todo o cotidiano de treinos e viagens do time. O material de mais de um ano de gravações ficou guardado por duas décadas, até que produtores da NBA em parceria com a ESPN entraram em contato com o próprio Jordan, dono dos direitos, e prometeram um verdadeiro tratado sobre sua carreira para que as novas gerações pudessem conhecer o seu legado no esporte e na cultura pop.

Um dos (vários) postos-altos da minissérie é a forma como Hehir equilibra a construção da jornada esportiva de MJ com a transformação cultural dos anos 90 - sempre pontuada por uma trilha sonora nostálgica! A edição tem um papel fundamental nesse trabalho - ela usa dos noticiários da época para ilustrar algumas passagens como o atentado terrorista que matou o pai de Steve Kerr ou os possíveis indícios da relação de Jordan com o vício em jogos de azar que poderiam, inclusive, ter sido a razão da sua primeira aposentadoria e, para quem gosta de teorias da conspiração, a causa da morte de seu pai. Já pelo lado esportivo, o diretor se baseia no sexto (e último) título dos Bulls para desconstruir todas as demais campanhas até ali, indo e voltando na linha do tempo, para justificar algumas dificuldades pontais, aumentar a força dramática e relacionar causas com efeitos para que a audiência entenda perfeitamente o valor de cada conquista.

"Arremesso Final" é uma daquelas relíquias que, graças a Deus, foram produzidas e democratizadas pelo streaming! Uma aula de história esportiva e um mergulho no dia a dia de um atleta que para muitos pertencia a um outro planeta, mas que na verdade foi uma pessoa como nós, com todas as imperfeições e angustias, mas que se dedicou e buscou seus objetivos com muita resiliência, treinamento e talento. Olha, a minissérie é, de fato, imperdível! Play now!!!!

Assista Agora

Tão sensacional quanto "Formula 1: Dirigir para Sobreviver", "Arremesso Final" tem dois diferenciais que precisam ser destacados, o primeiro é para o lado bom: dentro de uma história narrativamente muito bem construída temos um personagem que é simplesmente único e certamente está entre os três maiores gênios de todos os esportes em todos os tempos - Michael Jordan. Já o segundo não é tão bom assim: o projeto se trata de uma minissérie de apenas 10 episódios - é impossível não querer saber mais de todas aquelas histórias, seja você um amante de basquete ou só um curioso em conhecer os bastidores da criação de um mito! Confira o trailer: 

"Last Dance", título original e infinitamente mais coerente que "Arremesso Final", é um registro imperdível de um dos períodos mais importantes da história do basquete americano e da NBA, onde o Chicago Bulls (saco de pancadas da Liga) vai se transformando em no time quase imbatível que alcançou a incrível marca de seis títulos em oito anos, depois da chegada de Jordan, um atleta que além de fenômeno no esporte, alcançou patamares inimagináveis até aquele momento no que diz respeito a influência cultural e poder de marketing! O mais sensacional disso tudo é que o diretor Jason Hehir conseguiu construir uma narrativa tão dinâmica e coerente para contar essa história que temos a sensação de estar revivendo aqueles momentos como se fosse hoje! 

Embora seja impossível desassociar o sucesso dos Bulls com a ascensão esportiva de Michael Jordan, "Arremesso Final" vai muito além ao contar histórias bastante peculiares tanto dos bastidores do time (nas temporadas que ganharam e que perderam), quanto das pessoas que rodeavam o grande astro. Rodman, Kerr, Paxton, Pippen e até Phil Jackson foram de extrema importância em momentos-chaves de toda essa jornada que começou em 1985 com a terceira escolha no draft. O bacana é que são tantas curiosidades, muitas delas contadas pela primeira vez e pelos próprios personagens, que não conseguimos parar de assistir os episódios - mesmo sofrendo por saber que são apenas 10!

Esse projeto começou durante a temporada 1997/98 daNBA, quando uma equipe de filmagem ganhou total acesso aos bastidores do Chicago Bulls para registrar as coletivas de imprensa, as conversas de vestiários e todo o cotidiano de treinos e viagens do time. O material de mais de um ano de gravações ficou guardado por duas décadas, até que produtores da NBA em parceria com a ESPN entraram em contato com o próprio Jordan, dono dos direitos, e prometeram um verdadeiro tratado sobre sua carreira para que as novas gerações pudessem conhecer o seu legado no esporte e na cultura pop.

Um dos (vários) postos-altos da minissérie é a forma como Hehir equilibra a construção da jornada esportiva de MJ com a transformação cultural dos anos 90 - sempre pontuada por uma trilha sonora nostálgica! A edição tem um papel fundamental nesse trabalho - ela usa dos noticiários da época para ilustrar algumas passagens como o atentado terrorista que matou o pai de Steve Kerr ou os possíveis indícios da relação de Jordan com o vício em jogos de azar que poderiam, inclusive, ter sido a razão da sua primeira aposentadoria e, para quem gosta de teorias da conspiração, a causa da morte de seu pai. Já pelo lado esportivo, o diretor se baseia no sexto (e último) título dos Bulls para desconstruir todas as demais campanhas até ali, indo e voltando na linha do tempo, para justificar algumas dificuldades pontais, aumentar a força dramática e relacionar causas com efeitos para que a audiência entenda perfeitamente o valor de cada conquista.

"Arremesso Final" é uma daquelas relíquias que, graças a Deus, foram produzidas e democratizadas pelo streaming! Uma aula de história esportiva e um mergulho no dia a dia de um atleta que para muitos pertencia a um outro planeta, mas que na verdade foi uma pessoa como nós, com todas as imperfeições e angustias, mas que se dedicou e buscou seus objetivos com muita resiliência, treinamento e talento. Olha, a minissérie é, de fato, imperdível! Play now!!!!

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Bad Boys e Bilionários: Índia

No esporte existe uma máxima que diz: "chegar ao topo pode até ser fácil, se manter lá que é o complicado" - e me parece que nos negócios não é muito diferente, pois interferências bastante particulares começam a fazer muita diferença. Se você gostou de "Mito e Magnata: John Delorean", não deixe de assistir "Bad Boys e Bilionários: Índia". Essa série de três episódios da Netflix mostra de uma forma brutal como o ser humano pautado pela ganância e pelo ego, é capaz de transformar oportunidades raras de sucesso nos negócios em cases de corrupção, estelionato, desvio de dinheiro e muitos outros crimes que eu nem tenho vocabulário para listar.

Em "A Bad Boy Billionaires"(no original) conhecemos a  história de três magnatas indianos: Vijay Mallya, conhecido como “Rei da Farra”, Nirav Modi e Subrata Roy, que alcançaram sucesso absurdo em seus negócios antes de serem acusados de fraudes financeiras e corrupção que culminou na queda de seus impérios. Confira os teasers originais de cada um deles, na ordem dos episódios da série: 

Vijay Mallya (64), conhecido como o “Rei da Farra”, é o presidente do conselho de administração da United Beverages Group, um conglomerado com atuação nas áreas de bebidas alcoólicas, infraestrutura de aviação, imóveis e fertilizantes. Herdeiro do industrial Vittal Mallya, desde que assumiu a presidência viu o faturamento anual do grupo aumentar em 64%. A cerveja Kingfisher, por exemplo, tem uma participação de mercado superior a 50% na Índia - o que faz da Uniteda maior empresa de bebidas do mundo em volume. Ao assistir o episódio, os mais atentos podem reconhecer Mallya graças a sua equipe de Fórmula 1 - a Force India (patrocinada e depois adquirida pela Sahara de Subrata Roy - personagem do último episódio). Aparentemente um gênio dos negócios, Mallya começou a assistir sua queda ao tomar decisões erradas em sua gestão, principalmente no que diz respeito a Kingfisher Airlines - mas isso o episódio conta em detalhes, inclusive com a participação do filho de Mallya dando depoimentos que transitam entre a total falta de noção da realidade com a recorrente mania de perseguição de que não enxerga fora da bolha.

Já Nirav Deepak Modi (49) é um empresário indiano que está sendo investigado por um caso de fraude de mais de US$ 2 bilhões ao Punjab National Bank (PNB). Modi que já tinha um histórico familiar no mercado de pedras preciosas, surgiu de repente no universo da moda ao criar uma marca forte e respeitada graças a qualidade de seus diamantes e o design inovador de suas peças. Rapidamente ele abriu lojas nos destinos mais badalados do mundo e tinha planos audaciosos para sua empresa quando descobriram que a forma usada para financiar essa expansão não era legal (entre outras jogadas que ele fazia com empresas de fachada para desviar muito dinheiro para o próprio bolso). 

E finalmente Subrata Roy (72), o fundador e presidente da Sahara India Pariwar, um conglomerado indiano com negócios diversificados e interesses de propriedade que incluem até o Plaza Hotel de Nova Iorque, talvez seja o mais mal caráter de todos - se assim pudermos listar com base em impacto na sociedade. A Sahara é um espécie de "pirâmide de investimentos" que prometeu para 30 milhões de indianos de baixa renda e quase nenhuma instrução, um resultado financeiro expressivo em pouco tempo, desde que o dinheiro fosse reinvestido e aportes mensais fosse realizados para manter a operação. Vale lembrar que em 2013, Roy figurou entre as 10 pessoas mais poderosas da Índia - um país com 1.3 bilhões de pessoas.

Embora embrulhe o estômago em muitos momentos, o documentário tem uma dinâmica bastante interessante como entretenimento - ele usa vários materiais de arquivo para ilustrar depoimentos de pessoas que, de alguma forma, estiveram muito próximas de cada um dos personagens. O diretor e roteirista Dylan Mohan Gray (do premiado "Fire in the Blood") foi de fato muito feliz em construir uma linha temporal simples de entender, que exalta as qualidades de cada um dos empreendedores para, na segunda metade, indicar onde e quando as coisas começaram a desandar - inclusive com depoimentos de especialistas em negócios e ex-executivos das empresas.

Olá, é um super estudo de caso! Vale muito a pena!

Antes de finalizar uma curiosidade: Assim que a Netflix lançou o trailer oficial da série, ela precisou remover um dos episódios do projeto - inicialmente seriam 4 e não 3 histórias; graças a uma ação judicial de B Ramalinga Raju, fundador da Satyam Computers. Reparem que no cartaz, é possível localizar esse personagem.

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No esporte existe uma máxima que diz: "chegar ao topo pode até ser fácil, se manter lá que é o complicado" - e me parece que nos negócios não é muito diferente, pois interferências bastante particulares começam a fazer muita diferença. Se você gostou de "Mito e Magnata: John Delorean", não deixe de assistir "Bad Boys e Bilionários: Índia". Essa série de três episódios da Netflix mostra de uma forma brutal como o ser humano pautado pela ganância e pelo ego, é capaz de transformar oportunidades raras de sucesso nos negócios em cases de corrupção, estelionato, desvio de dinheiro e muitos outros crimes que eu nem tenho vocabulário para listar.

Em "A Bad Boy Billionaires"(no original) conhecemos a  história de três magnatas indianos: Vijay Mallya, conhecido como “Rei da Farra”, Nirav Modi e Subrata Roy, que alcançaram sucesso absurdo em seus negócios antes de serem acusados de fraudes financeiras e corrupção que culminou na queda de seus impérios. Confira os teasers originais de cada um deles, na ordem dos episódios da série: 

Vijay Mallya (64), conhecido como o “Rei da Farra”, é o presidente do conselho de administração da United Beverages Group, um conglomerado com atuação nas áreas de bebidas alcoólicas, infraestrutura de aviação, imóveis e fertilizantes. Herdeiro do industrial Vittal Mallya, desde que assumiu a presidência viu o faturamento anual do grupo aumentar em 64%. A cerveja Kingfisher, por exemplo, tem uma participação de mercado superior a 50% na Índia - o que faz da Uniteda maior empresa de bebidas do mundo em volume. Ao assistir o episódio, os mais atentos podem reconhecer Mallya graças a sua equipe de Fórmula 1 - a Force India (patrocinada e depois adquirida pela Sahara de Subrata Roy - personagem do último episódio). Aparentemente um gênio dos negócios, Mallya começou a assistir sua queda ao tomar decisões erradas em sua gestão, principalmente no que diz respeito a Kingfisher Airlines - mas isso o episódio conta em detalhes, inclusive com a participação do filho de Mallya dando depoimentos que transitam entre a total falta de noção da realidade com a recorrente mania de perseguição de que não enxerga fora da bolha.

Já Nirav Deepak Modi (49) é um empresário indiano que está sendo investigado por um caso de fraude de mais de US$ 2 bilhões ao Punjab National Bank (PNB). Modi que já tinha um histórico familiar no mercado de pedras preciosas, surgiu de repente no universo da moda ao criar uma marca forte e respeitada graças a qualidade de seus diamantes e o design inovador de suas peças. Rapidamente ele abriu lojas nos destinos mais badalados do mundo e tinha planos audaciosos para sua empresa quando descobriram que a forma usada para financiar essa expansão não era legal (entre outras jogadas que ele fazia com empresas de fachada para desviar muito dinheiro para o próprio bolso). 

E finalmente Subrata Roy (72), o fundador e presidente da Sahara India Pariwar, um conglomerado indiano com negócios diversificados e interesses de propriedade que incluem até o Plaza Hotel de Nova Iorque, talvez seja o mais mal caráter de todos - se assim pudermos listar com base em impacto na sociedade. A Sahara é um espécie de "pirâmide de investimentos" que prometeu para 30 milhões de indianos de baixa renda e quase nenhuma instrução, um resultado financeiro expressivo em pouco tempo, desde que o dinheiro fosse reinvestido e aportes mensais fosse realizados para manter a operação. Vale lembrar que em 2013, Roy figurou entre as 10 pessoas mais poderosas da Índia - um país com 1.3 bilhões de pessoas.

Embora embrulhe o estômago em muitos momentos, o documentário tem uma dinâmica bastante interessante como entretenimento - ele usa vários materiais de arquivo para ilustrar depoimentos de pessoas que, de alguma forma, estiveram muito próximas de cada um dos personagens. O diretor e roteirista Dylan Mohan Gray (do premiado "Fire in the Blood") foi de fato muito feliz em construir uma linha temporal simples de entender, que exalta as qualidades de cada um dos empreendedores para, na segunda metade, indicar onde e quando as coisas começaram a desandar - inclusive com depoimentos de especialistas em negócios e ex-executivos das empresas.

Olá, é um super estudo de caso! Vale muito a pena!

Antes de finalizar uma curiosidade: Assim que a Netflix lançou o trailer oficial da série, ela precisou remover um dos episódios do projeto - inicialmente seriam 4 e não 3 histórias; graças a uma ação judicial de B Ramalinga Raju, fundador da Satyam Computers. Reparem que no cartaz, é possível localizar esse personagem.

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Batalha Bilionária

"Batalha Bilionária: O Caso Google Earth" é um verdadeiro estudo de caso para empreendedores e suas startups - são tantas lições inseridas em um ótimo roteiro que fica até difícil classificar a minissérie de 4 episódios da Netflix em "apenas" um excelente entretenimento - embora o seja! A título de referência, ele segue bem a linha de "A Rede Social", filme de 2010, dirigido por David Fincher.

Baseada em fatos reais, "Batalha Bilionária: O Caso Google Earth" conta a história de dois jovens empreendedores, Juri Müller (Marius Ahrendt/Misel Maticevic) e Carsten Schlüter (Leonard Scheicher/Mark Waschke), criadores da startup "ART + COM", com sede em Berlim, que foram buscar na justiça seus direitos para serem reconhecidos como os verdadeiros inventores do algoritmo que deu origem ao Google Earth após uma violação de patente há 25 anos atrás. Confira o trailer:

Criada por Oliver Ziegenbalg e Robert Thalheim, essa produção alemã fez uma escolha muito interessante ao priorizar o lado mais fraco da disputa. Se em "A Rede Social" a trama trouxe a perspectiva do vencedor, no caso Mark Zuckerberg, em "Batalha Bilionária" é como se o foco fosse os irmãos Winklevoss. 

Veja, embora o roteiro tenha sido muito feliz ao trazer para a tela muitos diálogos fiéis aos testemunhos judiciais, os protagonistas em si, Juri Müller e Carsten Schlüter, são apenas personagens fictícios - na verdade eles servem como representação dos quatro desenvolvedores alemães reais que criaram o "TerraVision" (base do Google Earth). Outro personagem importante, Brian Anderson (Lukas Loughran), a pessoa que supostamente copiou o algoritmo dos alemães antes de se tornar funcionário Google, também só existe na ficção, mesmo sendo fielmente baseado em uma pessoa real. O fato é que essas escolhas tinham tudo para desqualificar a sensação de veracidade da minissérie, mas o diretor Robert Thalheim conseguiu justamente o contrário - brilhantemente, ele criou uma dinâmica narrativa que absorve o lado humano da jornada, gerando uma identificação imediata com os protagonistas e uma relação de empatia muito profunda para depois, pouco a pouco, ir inserindo as discussões técnicas em si.

As sacadas do roteiro são ótimas - mas aqueles que estão mais envolvidos com empreendedorismo certamente vão aproveitar melhor dessa particularidade. Da idéia, passando pelo sonho, a luta por investimento, inúmeras apresentações, o medo do fracasso, a busca por mais investimentos, outro sonho - agora da venda da empresa; enfim, tudo está em "Batalha Bilionária: O Caso Google Earth" que ainda chega embalada por uma competente reconstrução de época de uma Berlin underground do inicio dos anos 90, do surgimento do Vale do Silício nos EUA e de sua cativante atmosfera empreendedora. Aqui cabe uma observação: apesar da Netflix ter apresentado a minissérie como um drama de tribunal, é apenas no último episódio que esse subgênero ganha força. Ele vai servir como aquele grande final que todos estão esperando: o embate decisivo entre David e Golias - mas a verdade é que toda a jornada vale a pena.

"Batalha Bilionária: O Caso Google Earth" vai te surpreender!

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"Batalha Bilionária: O Caso Google Earth" é um verdadeiro estudo de caso para empreendedores e suas startups - são tantas lições inseridas em um ótimo roteiro que fica até difícil classificar a minissérie de 4 episódios da Netflix em "apenas" um excelente entretenimento - embora o seja! A título de referência, ele segue bem a linha de "A Rede Social", filme de 2010, dirigido por David Fincher.

Baseada em fatos reais, "Batalha Bilionária: O Caso Google Earth" conta a história de dois jovens empreendedores, Juri Müller (Marius Ahrendt/Misel Maticevic) e Carsten Schlüter (Leonard Scheicher/Mark Waschke), criadores da startup "ART + COM", com sede em Berlim, que foram buscar na justiça seus direitos para serem reconhecidos como os verdadeiros inventores do algoritmo que deu origem ao Google Earth após uma violação de patente há 25 anos atrás. Confira o trailer:

Criada por Oliver Ziegenbalg e Robert Thalheim, essa produção alemã fez uma escolha muito interessante ao priorizar o lado mais fraco da disputa. Se em "A Rede Social" a trama trouxe a perspectiva do vencedor, no caso Mark Zuckerberg, em "Batalha Bilionária" é como se o foco fosse os irmãos Winklevoss. 

Veja, embora o roteiro tenha sido muito feliz ao trazer para a tela muitos diálogos fiéis aos testemunhos judiciais, os protagonistas em si, Juri Müller e Carsten Schlüter, são apenas personagens fictícios - na verdade eles servem como representação dos quatro desenvolvedores alemães reais que criaram o "TerraVision" (base do Google Earth). Outro personagem importante, Brian Anderson (Lukas Loughran), a pessoa que supostamente copiou o algoritmo dos alemães antes de se tornar funcionário Google, também só existe na ficção, mesmo sendo fielmente baseado em uma pessoa real. O fato é que essas escolhas tinham tudo para desqualificar a sensação de veracidade da minissérie, mas o diretor Robert Thalheim conseguiu justamente o contrário - brilhantemente, ele criou uma dinâmica narrativa que absorve o lado humano da jornada, gerando uma identificação imediata com os protagonistas e uma relação de empatia muito profunda para depois, pouco a pouco, ir inserindo as discussões técnicas em si.

As sacadas do roteiro são ótimas - mas aqueles que estão mais envolvidos com empreendedorismo certamente vão aproveitar melhor dessa particularidade. Da idéia, passando pelo sonho, a luta por investimento, inúmeras apresentações, o medo do fracasso, a busca por mais investimentos, outro sonho - agora da venda da empresa; enfim, tudo está em "Batalha Bilionária: O Caso Google Earth" que ainda chega embalada por uma competente reconstrução de época de uma Berlin underground do inicio dos anos 90, do surgimento do Vale do Silício nos EUA e de sua cativante atmosfera empreendedora. Aqui cabe uma observação: apesar da Netflix ter apresentado a minissérie como um drama de tribunal, é apenas no último episódio que esse subgênero ganha força. Ele vai servir como aquele grande final que todos estão esperando: o embate decisivo entre David e Golias - mas a verdade é que toda a jornada vale a pena.

"Batalha Bilionária: O Caso Google Earth" vai te surpreender!

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Boys State

Eu sou capaz de cravar que "Boys State" estará na disputa do próximo Oscar na categoria "Melhor Documentário"! Dito isso, é preciso ressaltar que o belíssimo trabalho do premiado diretor Jesse Moss e da sua parceira Amanda McBaine, traz um recorte bastante interessante do momento politico que vivemos no mundo, muitas vezes pautado no ataque em detrimento ao diálogo, com uma polarização que parece fazer mais sentido para muitos e onde os assuntos polêmicos, normalmente apoiados no extremismo, impactam fortemente nos resultados das urnas. Na verdade, "Boys State" trás para o debate a força da democracia como "fim", mas o que nos incomoda de verdade é o "meio" que as pessoas resolvem seguir - graças aos recentes péssimos exemplos que toda uma geração aprendeu a observar!

"Boys State" acompanha um programa de verão que funciona como uma espécie de preparação para uma nova geração de líderes políticos. Cada um desses eventos recebem centenas de alunos, todos indicados pelas suas escolas, e lá eles simulam todo o processo democrático americano, desde a formação de dois partidos até a eleição de um governador, seguindo exatamente as regras eleitorais do país. Confira o trailer:

Vencedor em festivais importantes como Sundance e South By Southwest em 2020, "Boys State" é, de fato, imperdível. Com uma dinâmica narrativa bastante interessante, fica impossível não se envolver com aquela disputa fictícia como se estivéssemos assistindo uma competição esportiva real - e como no esporte, a política envolve paixão e é incrível como "apenas" 1.200 jovens podem representar uma parcela bastante fiel da sociedade americana atual e isso é assustador! Olha, vale muito a pena, até para aquele que não faz tanta questão de refletir sobre o momento politico que muitos países estão vivendo!

Assista Agora ou

Eu sou capaz de cravar que "Boys State" estará na disputa do próximo Oscar na categoria "Melhor Documentário"! Dito isso, é preciso ressaltar que o belíssimo trabalho do premiado diretor Jesse Moss e da sua parceira Amanda McBaine, traz um recorte bastante interessante do momento politico que vivemos no mundo, muitas vezes pautado no ataque em detrimento ao diálogo, com uma polarização que parece fazer mais sentido para muitos e onde os assuntos polêmicos, normalmente apoiados no extremismo, impactam fortemente nos resultados das urnas. Na verdade, "Boys State" trás para o debate a força da democracia como "fim", mas o que nos incomoda de verdade é o "meio" que as pessoas resolvem seguir - graças aos recentes péssimos exemplos que toda uma geração aprendeu a observar!

"Boys State" acompanha um programa de verão que funciona como uma espécie de preparação para uma nova geração de líderes políticos. Cada um desses eventos recebem centenas de alunos, todos indicados pelas suas escolas, e lá eles simulam todo o processo democrático americano, desde a formação de dois partidos até a eleição de um governador, seguindo exatamente as regras eleitorais do país. Confira o trailer:

Vencedor em festivais importantes como Sundance e South By Southwest em 2020, "Boys State" é, de fato, imperdível. Com uma dinâmica narrativa bastante interessante, fica impossível não se envolver com aquela disputa fictícia como se estivéssemos assistindo uma competição esportiva real - e como no esporte, a política envolve paixão e é incrível como "apenas" 1.200 jovens podem representar uma parcela bastante fiel da sociedade americana atual e isso é assustador! Olha, vale muito a pena, até para aquele que não faz tanta questão de refletir sobre o momento politico que muitos países estão vivendo!

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Chef's Table

"Chef's Table" é uma série documental produzido pela Netflix que estreiou em 2015 sem muito alarde, mas que virou um fenômeno - tanto que a Netflix já disponibiliza 6 temporadas!  Idéia é muito simples: são de 4 a 6 episódios por temporada, com uma média de 45 minutos cada, que contam as histórias de 4 (ou 6) grandes chef's do mundo inteiro e, claro, os desafios e os diferenciais de sua arte e de seus respectivos restaurantes. O mais interessante, porém, é que o Formato não é propriamente sobre gastronomia em si, mas sobre pessoas, na verdade sobre gênios, que inovaram, que criaram um conceito e que aplicaram com maestria em seus restaurantes. Confira o trailer:

Pelo trailer já dá para perceber que além de boas histórias, a direção se preocupa com alguns elementos que colocam essa série documental em um outro patamar: a qualidade absurda da fotografia e da sua trilha sonora. Eu diria que "Chef's Table" é uma delicia de se assistir, é uma aula de história da gastronomia e uma referência multicultural impressionante, tanto que a série já foi indicada para 8 Emmys desde sua estréia!

Para não estragar a surpresa, comento sobre o primeiro episódio da primeira temporada que conta a história do italiano Massimo Bottura, top 5 no The World's 50 Best Restaurants Awards desde 2010, que quase faliu por acreditar que as tradições da gastronomia de Modenna mereciam ser modernizadas! Imagine isso em uma cidade super tradicional italiana!!! O cara é uma espécie de Steve Jobs da gastronomia! A história do Massimo Bottura é incrível e o que ele faz na cozinha é surreal, mas não é o único grande nome que encontramos, temos também o Francis Mallman, o Magnus Nilsson, o Grant Achatz, o Virgilio Martinez e até o nosso Alex Atala.

Olha, se você gosta de gastronomia, de conhecer as histórias de profissionais referência na sua profissão, não deixe de assistir essa série porque vale muito a pena!!!! 

Indico de olhos fechados!!!!

PS: Alguns podem achar os episódios um pouco lento demais e de fato não é um narrativa muito dinâmica, até porque o conceito usa da gastronomia para se fazer uma espécie de poesia visual. Eu sugiro sempre um ou dois episódios por vez e pode ter certeza que você vai parecer um grande conhecedor da gastronomia no final das temporadas!

Assista Agora

"Chef's Table" é uma série documental produzido pela Netflix que estreiou em 2015 sem muito alarde, mas que virou um fenômeno - tanto que a Netflix já disponibiliza 6 temporadas!  Idéia é muito simples: são de 4 a 6 episódios por temporada, com uma média de 45 minutos cada, que contam as histórias de 4 (ou 6) grandes chef's do mundo inteiro e, claro, os desafios e os diferenciais de sua arte e de seus respectivos restaurantes. O mais interessante, porém, é que o Formato não é propriamente sobre gastronomia em si, mas sobre pessoas, na verdade sobre gênios, que inovaram, que criaram um conceito e que aplicaram com maestria em seus restaurantes. Confira o trailer:

Pelo trailer já dá para perceber que além de boas histórias, a direção se preocupa com alguns elementos que colocam essa série documental em um outro patamar: a qualidade absurda da fotografia e da sua trilha sonora. Eu diria que "Chef's Table" é uma delicia de se assistir, é uma aula de história da gastronomia e uma referência multicultural impressionante, tanto que a série já foi indicada para 8 Emmys desde sua estréia!

Para não estragar a surpresa, comento sobre o primeiro episódio da primeira temporada que conta a história do italiano Massimo Bottura, top 5 no The World's 50 Best Restaurants Awards desde 2010, que quase faliu por acreditar que as tradições da gastronomia de Modenna mereciam ser modernizadas! Imagine isso em uma cidade super tradicional italiana!!! O cara é uma espécie de Steve Jobs da gastronomia! A história do Massimo Bottura é incrível e o que ele faz na cozinha é surreal, mas não é o único grande nome que encontramos, temos também o Francis Mallman, o Magnus Nilsson, o Grant Achatz, o Virgilio Martinez e até o nosso Alex Atala.

Olha, se você gosta de gastronomia, de conhecer as histórias de profissionais referência na sua profissão, não deixe de assistir essa série porque vale muito a pena!!!! 

Indico de olhos fechados!!!!

PS: Alguns podem achar os episódios um pouco lento demais e de fato não é um narrativa muito dinâmica, até porque o conceito usa da gastronomia para se fazer uma espécie de poesia visual. Eu sugiro sempre um ou dois episódios por vez e pode ter certeza que você vai parecer um grande conhecedor da gastronomia no final das temporadas!

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Console Wars

Costumamos dizer que o maior ativo de uma empresa são as pessoas; o grande problemas é que as mesmas pessoas que transformam um negócio, podem simplesmente destruí-lo pelos motivos mais egoístas e egocêntricos que você pode imaginar!

É isso que encontramos em "Console Wars", produção da CBS All Access, serviço de streaming da americana CBS que ainda não está disponível no Brasil, mas que tem distribuição da HBO por aqui: erros e acertos de profissionais que se tornaram protagonistas de um mercado movido pela paixão e pela polaridade! Toda história de como a Sega, até então uma produtora de fliperamas, resolveu investir no mercado de videogames domésticos e bater de frente com a Nintendo, que dominava o segmento com 95% de market share, está lá e são os detalhes criativos, as nuances de relacionamentos e as sacadas de marketing que fazem dessa produção um material importante para quem gosta de empreendedorismo. Confira o trailer:

Baseado no livro "A Guerra dos Consoles: Sega, Nintendo e a Batalha que Definiu uma Geração" (2014), "Console Wars" é para você que acompanhou toda revolução de um mercado que hoje fatura mais que o de Cinema e de Música juntos. Embora o documentário se proponha a mostrar a enorme transformação desse segmento, no fundo, ele acaba focando muito mais no processo de ascensão, e depois de queda, da Sega of America, colocando a Nintendo "quase" como a grande vilã da história. São muitas entrevistas, com executivos dos dois lados, algumas imagens de arquivos e até uma ou outra animação para ilustrar algumas situações bastante curiosas.

Para os entusiastas, será uma conexão imediata com a história, que traz elementos muito nostálgicos ao conceito narrativo e que só potencializa a boa experiência de assistir "Console Wars", porém, vale reparar: são tantas lições de marketing, gestão, liderança e vendas; que eu diria que o filme funciona "quase" como um estudo de caso de uma boa pós-graduação! 

"Console Wars" foi dirigido pelo Blake J. Harris, autor da obra, e pelo Jonah Tulis, e é justamente por isso que temos um roteiro que se apoia nas mesmas entrevistas e nos principais personagens que encontramos no livro, como Tom Kalinske, o lendário CEO da Sega ou Peter Main, então VP de Vendas e Marketing da divisão americana da Nitendo.

O filme tem uma dinâmica muito interessante, é muito bem produzido por nomes como Seth Rogen (The Boys) e Evan Goldberg (Preacher), e nos fisga muito rapidamente (por todos aqueles elementos emocionais que já citei), porém, independente disso, encontramos uma narrativa bem construída, fácil e que transforma os 90 minutos de história em um profundo mergulho nos bastidores da Sega, nas estratégias da Nitendo e na chegada de uma nova era com a Sony!

Olha, é o tipo de documentário que deixa aquele gosto de "quero mais". Talvez por isso, a idéia inicial era que "Console Wars" fosse uma série - e acho que essa proposta não está totalmente descartada ou pelo menos uma continuação parece ser o caminho, já que no final do filme surgiu um "continue" bastante sugestivo! Vamos torcer!

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Costumamos dizer que o maior ativo de uma empresa são as pessoas; o grande problemas é que as mesmas pessoas que transformam um negócio, podem simplesmente destruí-lo pelos motivos mais egoístas e egocêntricos que você pode imaginar!

É isso que encontramos em "Console Wars", produção da CBS All Access, serviço de streaming da americana CBS que ainda não está disponível no Brasil, mas que tem distribuição da HBO por aqui: erros e acertos de profissionais que se tornaram protagonistas de um mercado movido pela paixão e pela polaridade! Toda história de como a Sega, até então uma produtora de fliperamas, resolveu investir no mercado de videogames domésticos e bater de frente com a Nintendo, que dominava o segmento com 95% de market share, está lá e são os detalhes criativos, as nuances de relacionamentos e as sacadas de marketing que fazem dessa produção um material importante para quem gosta de empreendedorismo. Confira o trailer:

Baseado no livro "A Guerra dos Consoles: Sega, Nintendo e a Batalha que Definiu uma Geração" (2014), "Console Wars" é para você que acompanhou toda revolução de um mercado que hoje fatura mais que o de Cinema e de Música juntos. Embora o documentário se proponha a mostrar a enorme transformação desse segmento, no fundo, ele acaba focando muito mais no processo de ascensão, e depois de queda, da Sega of America, colocando a Nintendo "quase" como a grande vilã da história. São muitas entrevistas, com executivos dos dois lados, algumas imagens de arquivos e até uma ou outra animação para ilustrar algumas situações bastante curiosas.

Para os entusiastas, será uma conexão imediata com a história, que traz elementos muito nostálgicos ao conceito narrativo e que só potencializa a boa experiência de assistir "Console Wars", porém, vale reparar: são tantas lições de marketing, gestão, liderança e vendas; que eu diria que o filme funciona "quase" como um estudo de caso de uma boa pós-graduação! 

"Console Wars" foi dirigido pelo Blake J. Harris, autor da obra, e pelo Jonah Tulis, e é justamente por isso que temos um roteiro que se apoia nas mesmas entrevistas e nos principais personagens que encontramos no livro, como Tom Kalinske, o lendário CEO da Sega ou Peter Main, então VP de Vendas e Marketing da divisão americana da Nitendo.

O filme tem uma dinâmica muito interessante, é muito bem produzido por nomes como Seth Rogen (The Boys) e Evan Goldberg (Preacher), e nos fisga muito rapidamente (por todos aqueles elementos emocionais que já citei), porém, independente disso, encontramos uma narrativa bem construída, fácil e que transforma os 90 minutos de história em um profundo mergulho nos bastidores da Sega, nas estratégias da Nitendo e na chegada de uma nova era com a Sony!

Olha, é o tipo de documentário que deixa aquele gosto de "quero mais". Talvez por isso, a idéia inicial era que "Console Wars" fosse uma série - e acho que essa proposta não está totalmente descartada ou pelo menos uma continuação parece ser o caminho, já que no final do filme surgiu um "continue" bastante sugestivo! Vamos torcer!

Assista Agora

Dinheiro à Mesa

Recentemente a Netflix lançou um Formato, em parceria com a BBC, bastante interessante, pois junta dois temas muito em voga na TV mundial: Gastronomia e Empreendedorismo. "Dinheiro à Mesa" é quase um up grade de um outro Formato chamado "Best New Restaurant". Como uma espécie de competição, em cada episódio, duas idéias de restaurantes são colocadas à prova perante o público e para alguns investidores. Seguindo o principio "Shark Tank", os investidores interessados nessas idéias avaliam a viabilidade do negócio e decidem se querem ou não colocar seu dinheiro no projeto. Confira o trailer:

O Formato tem uma dinâmica legal, com elementos muito bem definidos, um apresentador muito discreto, mas ao mesmo tempo, inteligente e pertinente nas suas observações; mas o ponto forte mesmo é a relação que os participantes tem com suas idéias (muitas delas até malucas como um restaurante vegetariano cheio de frituras, nada saudável, por exemplo) e como elas são aplicadas na prática com toda pressão de acertar no serviço, no cardápio, no sabor e não perder a grande chance de investimento e mentoria - uma espécie de smart money!!!

É bem divertido, excelente entretenimento.

Assista Agora

Recentemente a Netflix lançou um Formato, em parceria com a BBC, bastante interessante, pois junta dois temas muito em voga na TV mundial: Gastronomia e Empreendedorismo. "Dinheiro à Mesa" é quase um up grade de um outro Formato chamado "Best New Restaurant". Como uma espécie de competição, em cada episódio, duas idéias de restaurantes são colocadas à prova perante o público e para alguns investidores. Seguindo o principio "Shark Tank", os investidores interessados nessas idéias avaliam a viabilidade do negócio e decidem se querem ou não colocar seu dinheiro no projeto. Confira o trailer:

O Formato tem uma dinâmica legal, com elementos muito bem definidos, um apresentador muito discreto, mas ao mesmo tempo, inteligente e pertinente nas suas observações; mas o ponto forte mesmo é a relação que os participantes tem com suas idéias (muitas delas até malucas como um restaurante vegetariano cheio de frituras, nada saudável, por exemplo) e como elas são aplicadas na prática com toda pressão de acertar no serviço, no cardápio, no sabor e não perder a grande chance de investimento e mentoria - uma espécie de smart money!!!

É bem divertido, excelente entretenimento.

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Educação Americana

"Educação Americana - Fraude e Privilégio" é um docudrama da Netflix do mesmo diretor dos excelentes "Fyre Festival: Fiasco no Caribe" e do "O Desaparecimento de Madeleine McCann". Para quem não sabe, docudrama é aquele tipo de documentário que usa de encenações com atores para construir uma narrativa visual que sente a falta de um bom material de arquivo para ilustrar o texto sobre uma determinada passagem da história.

O filme mostra os detalhes de uma investigação do FBI que desvendou um enorme esquema de suborno que simplesmente desqualificava todos os meios legais que um jovem tinha para ingressar em grandes universidades dos EUA. "Operation Varsity Blues: The College Admissions Scandal" (título original) coloca Rick Singer no centro de uma verdadeira conspiração mafiosa que usava da credibilidade de "Life Planner" do seu idealizador, para criar oportunidades para jovens de famílias muito ricas nos programas esportivos de instituições como Georgetown, Yale, Stanford, entre outras. A grande questão, no entanto, era que esses jovens nunca foram esportistas de verdade e muito menos tinham notas que justificassem uma admissão genuína. Confira o trailer:

O grande problema de "Educação Americana" é justamente o conceito narrativo escolhido para contar essa história impressionante - o docudrama, por si só, não possui o orçamento compatível com os recursos que uma obra dessa magnitude merece. O que eu quero dizer é que as encenações soam falsas, já que os atores são fracos, a produção das cenas são medianas e a direção está completamente fora de sua zona de conforto. Porém, quando o diretor Chris Smith consegue montar as cenas fictícias dentro de um contexto histórico real, usando o audio original das conversas telefônicas e depois mesclando com os depoimentos de personagens que, de alguma forma, participaram daquele universo, tudo funciona muito melhor e acaba ganhando um ritmo bem interessante.

O próprio Rick Singer é um personagem dos mais interessantes, já que consegue unir na mesma pessoa, uma capacidade de comunicação absurda, inteligência acima da média e excelente visão de negócios com um caráter dos mais desprezíveis - o cara além de ser um bandido, ainda é um grande traidor! Quanto ao roteiro, senti que ele talvez tenha derrapado um pouco, pois da forma como é contada a história, faltam algumas explicações de como os esquemas eram construídos em detalhes - só as conversas telefônicas criaram a linha narrativa, mas faltaram elementos que pudessem unir os casos particulares de cada uma das "vítimas" com o esquema como um todo. O próprio modus operandi vai se transformando durante a linha temporal e isso acaba sendo pouco explorado: reparem no personagem que fazia os testes para os alunos incapazes de conseguir a nota exigida pela Universidade - ele entra, sai da história e nem nos relacionamos com ele!

"Educação Americana - Fraude e Privilégio" serve muito como critica ao sistema educacional americano, a sociedade e a hipocrisia do ser humano, e nesse ponto alcançou seu objetivo. O documentário também funciona como um excelente entretenimento, cheio de informações pontuais e relevantes para quem quer ampliar sua visão de mundo.

Enfim, vale o play? Claro que sim!

Assista Agora

"Educação Americana - Fraude e Privilégio" é um docudrama da Netflix do mesmo diretor dos excelentes "Fyre Festival: Fiasco no Caribe" e do "O Desaparecimento de Madeleine McCann". Para quem não sabe, docudrama é aquele tipo de documentário que usa de encenações com atores para construir uma narrativa visual que sente a falta de um bom material de arquivo para ilustrar o texto sobre uma determinada passagem da história.

O filme mostra os detalhes de uma investigação do FBI que desvendou um enorme esquema de suborno que simplesmente desqualificava todos os meios legais que um jovem tinha para ingressar em grandes universidades dos EUA. "Operation Varsity Blues: The College Admissions Scandal" (título original) coloca Rick Singer no centro de uma verdadeira conspiração mafiosa que usava da credibilidade de "Life Planner" do seu idealizador, para criar oportunidades para jovens de famílias muito ricas nos programas esportivos de instituições como Georgetown, Yale, Stanford, entre outras. A grande questão, no entanto, era que esses jovens nunca foram esportistas de verdade e muito menos tinham notas que justificassem uma admissão genuína. Confira o trailer:

O grande problema de "Educação Americana" é justamente o conceito narrativo escolhido para contar essa história impressionante - o docudrama, por si só, não possui o orçamento compatível com os recursos que uma obra dessa magnitude merece. O que eu quero dizer é que as encenações soam falsas, já que os atores são fracos, a produção das cenas são medianas e a direção está completamente fora de sua zona de conforto. Porém, quando o diretor Chris Smith consegue montar as cenas fictícias dentro de um contexto histórico real, usando o audio original das conversas telefônicas e depois mesclando com os depoimentos de personagens que, de alguma forma, participaram daquele universo, tudo funciona muito melhor e acaba ganhando um ritmo bem interessante.

O próprio Rick Singer é um personagem dos mais interessantes, já que consegue unir na mesma pessoa, uma capacidade de comunicação absurda, inteligência acima da média e excelente visão de negócios com um caráter dos mais desprezíveis - o cara além de ser um bandido, ainda é um grande traidor! Quanto ao roteiro, senti que ele talvez tenha derrapado um pouco, pois da forma como é contada a história, faltam algumas explicações de como os esquemas eram construídos em detalhes - só as conversas telefônicas criaram a linha narrativa, mas faltaram elementos que pudessem unir os casos particulares de cada uma das "vítimas" com o esquema como um todo. O próprio modus operandi vai se transformando durante a linha temporal e isso acaba sendo pouco explorado: reparem no personagem que fazia os testes para os alunos incapazes de conseguir a nota exigida pela Universidade - ele entra, sai da história e nem nos relacionamos com ele!

"Educação Americana - Fraude e Privilégio" serve muito como critica ao sistema educacional americano, a sociedade e a hipocrisia do ser humano, e nesse ponto alcançou seu objetivo. O documentário também funciona como um excelente entretenimento, cheio de informações pontuais e relevantes para quem quer ampliar sua visão de mundo.

Enfim, vale o play? Claro que sim!

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Fake Famous

Até que ponto o "marketing de percepção" pode se tornar relevante em uma rede social? A reposta é simples: se não houver conteúdo que justifique aquela exposição, não vale a pena! Mas, será mesmo?

Esse documentário da HBOmostra como é possível construir uma influenciadora mesmo que seja completamente falsa a vida que ela leva. Em "Fake Famous" acompanhamos 3 cobaias escolhidas para um experimento onde são usados todos os truques possíveis para torná-las famosas - da compra de seguidores, likes e comentários no Instagram, até a produção de fotos falsas ou a criação de relações com patrocinadores que não existem comercialmente. Confira o trailer:

A ideia nasceu quando o jornalista Nick Bilton, em sua estreia como documentarista, depois de passar pelo The New York Times e depois pela Vanity Fair como repórter especializado em tecnologia, falou para um de seus editores que conseguiria transformar uma pessoa comum em um influenciador em 10 minutos. A resposta foi positiva, dizendo que o conceito poderia gerar um documentário bastante interessante. A partir daí, Bilton começou a colocar seu projeto em prática. Ele realizou um longo processo de pesquisa e escolha de elenco até encontrar seus três objetos de estudo: Dominique, uma carismática funcionária de uma loja de roupas e aspirante a atriz; Chris, um estilista iniciante recém chegado à Los Angeles; e Wylie, um jovem, gay, assistente em uma empresa do mercado imobiliário.

O interessante do documentário é justamente entender até que ponto o volume de seguidores reflete a relevância que um influenciador pode ter. Ao acompanhar os três personagens, temos a imediata percepção que com os números (na maioria falsos e comprados) vem um bônus, mas também o ônus. Criar algo inexistente pode funcionar, mas o teste prova que não é uma matemática exata e expõe diversos fatores - o impacto na vida desses personagens, certamente, é o que mais impressiona ou você conhece alguém que quer ter uma vida de mentira? Ops, não precisa responder!

Em uma sociedade pautada pelo que é visto e não pelo que é falado, "Fake Famous - uma experiência surreal nas redes" é uma provocação inteligente, com uma narrativa fácil, dinâmica e muito interessante, que nos prende e nos provoca a cada fase do processo. São atalhos que brincam com a percepção de quem acompanha a vida de personalidades nas redes sociais, mais precisamente o Instagram, e como isso vem se transformando em um problema para toda uma jovem geração - e aqui cabe minha única critica ao documentário: faltou se aprofundar nesse problema com uma proposta mais séria de informação e estatística. 

Tirando esse detalhe, é impossível não indicar "Fake Famous" por levantar questões importantes sobre esse recorte social tão atual e, claro, pelo entretenimento bastante curioso e instigante que a experiência proporciona para quem vive e assiste. Vale muito a pena!

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Até que ponto o "marketing de percepção" pode se tornar relevante em uma rede social? A reposta é simples: se não houver conteúdo que justifique aquela exposição, não vale a pena! Mas, será mesmo?

Esse documentário da HBOmostra como é possível construir uma influenciadora mesmo que seja completamente falsa a vida que ela leva. Em "Fake Famous" acompanhamos 3 cobaias escolhidas para um experimento onde são usados todos os truques possíveis para torná-las famosas - da compra de seguidores, likes e comentários no Instagram, até a produção de fotos falsas ou a criação de relações com patrocinadores que não existem comercialmente. Confira o trailer:

A ideia nasceu quando o jornalista Nick Bilton, em sua estreia como documentarista, depois de passar pelo The New York Times e depois pela Vanity Fair como repórter especializado em tecnologia, falou para um de seus editores que conseguiria transformar uma pessoa comum em um influenciador em 10 minutos. A resposta foi positiva, dizendo que o conceito poderia gerar um documentário bastante interessante. A partir daí, Bilton começou a colocar seu projeto em prática. Ele realizou um longo processo de pesquisa e escolha de elenco até encontrar seus três objetos de estudo: Dominique, uma carismática funcionária de uma loja de roupas e aspirante a atriz; Chris, um estilista iniciante recém chegado à Los Angeles; e Wylie, um jovem, gay, assistente em uma empresa do mercado imobiliário.

O interessante do documentário é justamente entender até que ponto o volume de seguidores reflete a relevância que um influenciador pode ter. Ao acompanhar os três personagens, temos a imediata percepção que com os números (na maioria falsos e comprados) vem um bônus, mas também o ônus. Criar algo inexistente pode funcionar, mas o teste prova que não é uma matemática exata e expõe diversos fatores - o impacto na vida desses personagens, certamente, é o que mais impressiona ou você conhece alguém que quer ter uma vida de mentira? Ops, não precisa responder!

Em uma sociedade pautada pelo que é visto e não pelo que é falado, "Fake Famous - uma experiência surreal nas redes" é uma provocação inteligente, com uma narrativa fácil, dinâmica e muito interessante, que nos prende e nos provoca a cada fase do processo. São atalhos que brincam com a percepção de quem acompanha a vida de personalidades nas redes sociais, mais precisamente o Instagram, e como isso vem se transformando em um problema para toda uma jovem geração - e aqui cabe minha única critica ao documentário: faltou se aprofundar nesse problema com uma proposta mais séria de informação e estatística. 

Tirando esse detalhe, é impossível não indicar "Fake Famous" por levantar questões importantes sobre esse recorte social tão atual e, claro, pelo entretenimento bastante curioso e instigante que a experiência proporciona para quem vive e assiste. Vale muito a pena!

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Fyre Festival

"Fyre Festival" é o Instagram da vida real!!!! Só por essa frase eu te digo: "não deixe de assistir esse documentário da Netflix!!!!"

Agora vamos lá: em meados de 2017, o empresário Billy McFarland teve a brilhante idéia de fazer um Festival de Música em uma ilha particular, que ele supostamente havia comprado nas Bahamas, para promover um app que ele também tinha acabado de lançar. Para isso, Billy se associou ao rapper Ja Rule e começaram, juntos, a organizar o que viria a ser o maior fiasco da história dos Festivais. O projeto era grandioso, caro, difícil de realizar, mas inicialmente pareceu verdadeiro e incrivelmente tentador - alguns investidores e milhares de pessoas que compraram o ingresso caríssimo que o digam!!! Bom, como dizem por aí: o papel aceita tudo!!! Era óbvio que seria impossível transformar aquela idéia megalomaníaca em realidade em tão pouco tempo (e sem uma equipe experiente por trás)! Em todas as reuniões eles estavam sempre com uma cerveja na mão, o clima já era de festa, quase irresponsável... e todo mundo se envolvia com essa atmosfera!!! Surreal demais!!!

Feita essa introdução, já se pode imaginar o que aconteceu, certo? Errado!!! É muito pior... e é justamente por isso que o documentário é imperdível, pois a maneira como o diretor Chris Smith (de “Jim & Andy”) vai desvendando os bastidores do evento faz surgir uma quantidade tão grande de sensações em quem assiste que não tem como você não se envolver com a história ou com aquela situação constrangedora. Chega ser inacreditável!!! Outro ponto alto é a construção do "personagem McFarland" - ela é tão precisa que em um determinado momento do filme você acaba torcendo para ele!!! Juro!!! Meu amigo, o cara é um poço de carisma, de auto-confiança e é aí que a comparação com o Instagram faz todo sentido, porque vamos descobrindo que aquilo que vemos é tudo fachada!!!!! E pode ficar tranquilo, isso não é spoiler e não vai atrapalhar em nada sua experiência, porque o objetivo do filme é justamente esse: entender em qual momento que as máscaras começam a cair e quando um projeto legítimo se transforma em uma fralde!!! Lembram da história do cara que se passou pelo dono da Gol e que foi até entrevistado pelo Amaury Jr. no camarote do carnaval de salvador alguns anos atrás? Pois é, Billy McFarland coloca esse cara no chinelo em proporções inimagináveis!!!

"Fyre Festival" é um documentário que deveria ser obrigatório para quem trabalha com eventos, mas também um material de reflexão para todos nós, pois o que acontece ali é só o reflexo dessa "sociedade de faz de conta" que vivemos hoje em dia, onde a superficialidade de uma "imagem" (desde que seja bonita ou ostensiva, claro) vale muito mais do que a verdade em si - e olha que essa critica não é minha, é só uma das muitas discussões levantadas por pessoas que estiveram envolvidas de alguma forma nesse evento ou com o próprio Billy. 

Pode apertar o play tranquilamente, mas se prepare para o turbilhão de emoções que o documentário vai te propor...

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"Fyre Festival" é o Instagram da vida real!!!! Só por essa frase eu te digo: "não deixe de assistir esse documentário da Netflix!!!!"

Agora vamos lá: em meados de 2017, o empresário Billy McFarland teve a brilhante idéia de fazer um Festival de Música em uma ilha particular, que ele supostamente havia comprado nas Bahamas, para promover um app que ele também tinha acabado de lançar. Para isso, Billy se associou ao rapper Ja Rule e começaram, juntos, a organizar o que viria a ser o maior fiasco da história dos Festivais. O projeto era grandioso, caro, difícil de realizar, mas inicialmente pareceu verdadeiro e incrivelmente tentador - alguns investidores e milhares de pessoas que compraram o ingresso caríssimo que o digam!!! Bom, como dizem por aí: o papel aceita tudo!!! Era óbvio que seria impossível transformar aquela idéia megalomaníaca em realidade em tão pouco tempo (e sem uma equipe experiente por trás)! Em todas as reuniões eles estavam sempre com uma cerveja na mão, o clima já era de festa, quase irresponsável... e todo mundo se envolvia com essa atmosfera!!! Surreal demais!!!

Feita essa introdução, já se pode imaginar o que aconteceu, certo? Errado!!! É muito pior... e é justamente por isso que o documentário é imperdível, pois a maneira como o diretor Chris Smith (de “Jim & Andy”) vai desvendando os bastidores do evento faz surgir uma quantidade tão grande de sensações em quem assiste que não tem como você não se envolver com a história ou com aquela situação constrangedora. Chega ser inacreditável!!! Outro ponto alto é a construção do "personagem McFarland" - ela é tão precisa que em um determinado momento do filme você acaba torcendo para ele!!! Juro!!! Meu amigo, o cara é um poço de carisma, de auto-confiança e é aí que a comparação com o Instagram faz todo sentido, porque vamos descobrindo que aquilo que vemos é tudo fachada!!!!! E pode ficar tranquilo, isso não é spoiler e não vai atrapalhar em nada sua experiência, porque o objetivo do filme é justamente esse: entender em qual momento que as máscaras começam a cair e quando um projeto legítimo se transforma em uma fralde!!! Lembram da história do cara que se passou pelo dono da Gol e que foi até entrevistado pelo Amaury Jr. no camarote do carnaval de salvador alguns anos atrás? Pois é, Billy McFarland coloca esse cara no chinelo em proporções inimagináveis!!!

"Fyre Festival" é um documentário que deveria ser obrigatório para quem trabalha com eventos, mas também um material de reflexão para todos nós, pois o que acontece ali é só o reflexo dessa "sociedade de faz de conta" que vivemos hoje em dia, onde a superficialidade de uma "imagem" (desde que seja bonita ou ostensiva, claro) vale muito mais do que a verdade em si - e olha que essa critica não é minha, é só uma das muitas discussões levantadas por pessoas que estiveram envolvidas de alguma forma nesse evento ou com o próprio Billy. 

Pode apertar o play tranquilamente, mas se prepare para o turbilhão de emoções que o documentário vai te propor...

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GDLK

Se em "Console Wars", citamos na análise que o filme funcionava "quase" como um estudo de caso (Nintendo X Sega) de uma boa pós-graduação, então posso dizer tranquilamente que "GDLK" é um overview bastante interessante de como o mercado de games foi se transformando, pelo ponto de vista de vários personagens que atuaram ativamente nesse processo. Diferente do documentário da HBO, essa série de seis episódios da Netflix não se preocupa tanto com decisões corporativas, de marketing ou de gestão, mas sim com o fator humano e como o setor foi inovando, respeitando uma cronologia temporal bem pontuada, com ótimas histórias e muitas curiosidades, como essa, por exemplo:

"GDLK" é uma série documental que não se obriga a fazer um mergulho profundo nos temas mais marcantes de uma revolução mercadológica, mas sim em discutir a era dourada dos videogames, em uma época onde surgiram clássicos como Pac-Man ou Doom. Focando no talento (e muita força de vontade), esses pioneiros da computação e artistas visionários de todo o mundo deram vida aos icônicos jogos: Space Invaders, Final Fantasy, Street Fighter II, Mortal Kombat, Sonic the Hedgehog, John Madden Football e muitos outros. Sem regras ou orientações, jogadores e desenvolvedores descobriram novas formas de se entreter e, claro, ganhar muito dinheiro, destruir rivais e conquistar milhões de fãs e é assim, ponto a ponto, que "High Score" (título original) conta a história das mentes por trás dos pixels e de como essas invenções construíram uma indústria multibilionária — quase por acidente.

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Se em "Console Wars", citamos na análise que o filme funcionava "quase" como um estudo de caso (Nintendo X Sega) de uma boa pós-graduação, então posso dizer tranquilamente que "GDLK" é um overview bastante interessante de como o mercado de games foi se transformando, pelo ponto de vista de vários personagens que atuaram ativamente nesse processo. Diferente do documentário da HBO, essa série de seis episódios da Netflix não se preocupa tanto com decisões corporativas, de marketing ou de gestão, mas sim com o fator humano e como o setor foi inovando, respeitando uma cronologia temporal bem pontuada, com ótimas histórias e muitas curiosidades, como essa, por exemplo:

"GDLK" é uma série documental que não se obriga a fazer um mergulho profundo nos temas mais marcantes de uma revolução mercadológica, mas sim em discutir a era dourada dos videogames, em uma época onde surgiram clássicos como Pac-Man ou Doom. Focando no talento (e muita força de vontade), esses pioneiros da computação e artistas visionários de todo o mundo deram vida aos icônicos jogos: Space Invaders, Final Fantasy, Street Fighter II, Mortal Kombat, Sonic the Hedgehog, John Madden Football e muitos outros. Sem regras ou orientações, jogadores e desenvolvedores descobriram novas formas de se entreter e, claro, ganhar muito dinheiro, destruir rivais e conquistar milhões de fãs e é assim, ponto a ponto, que "High Score" (título original) conta a história das mentes por trás dos pixels e de como essas invenções construíram uma indústria multibilionária — quase por acidente.

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Geração Riqueza

"Geração Riqueza" é um excelente (e duro) documentário da Amazon Studios sobre uma realidade social praticamente isenta de equilíbrio. Embora não seja uma experiência como "Fake Famous", o propósito é basicamente o mesmo: mostrar como valores essenciais estão subvertidos pelo dinheiro, a fama, a aparência e o sexo, sob o ponto de vista antropológico.

O documentário é parte de um projeto de 20 anos da fotógrafa Lauren Greenfield e mostra os excessos da cultura americana, compartilhada em grande parte do mundo em decorrência da globalização, onde o exagero de estilos de vida, movidos a muito dinheiro, que levam à compra de imensas casas, carros luxuosos e os mais supérfluos tipos de gastos, sempre com a intenção de impressionar o próximo, de chamar a atenção nas redes sociais e ainda massagear o ego. Lauren apresenta, por meio de personagens muito interessantes – da mãe que transformou a filha em modelo com apenas 3 anos de idade até a executiva que deixou a vida pessoal de lado por muitos anos e quis recuperar o tempo perdido gastando mais de meio milhão de dólares para tentar engravidar. "Geração Riqueza" é um reflexo da obsessão por riqueza e status social que, embora seja o principal combustível responsável por mover a economia do país, destrói as referências mais profundas de bom senso. Confira o trailer (em inglês):

“Generation Wealth” (no original) é muito feliz ao conduzir sua narrativa a partir das histórias de vida de jovens ricos em Los Angeles nos anos 90. Lauren Greenfield nos apresenta, com muita sensibilidade, o destino de muitos personagens, que naquela época possuíam um estilo de vida extravagante, e se tornaram agora pais de famílias e questionadores do seu comportamento no passado. Abrindo espaço para análises sociológicas, mas sem soar didático demais, o documentário faz uma radiografia de como o sonho americano se transformou em algo tão superficial como na busca de fama, fortuna (independente dos meios) e status social a partir dos anos 1970 e 1980 quando o crédito passou a ser facilitado pelos bancos - o que anos mais tarde culminou em uma grave crise imobiliária, diga-se de passagem exemplificada pela própria Islândia como vimos em "Trabalho Interno".

Relacionando o sucesso e dinheiro com a cultura da perfeição estética através de caros (e rentáveis) tratamentos com cosméticos e cirurgias plásticas, a valorização e o acesso à pornografia, jovens que transformam seus corpos em busca de reconhecimento masculino ou da mídia inspirados por celebridades como as Kardashians, vemos histórias sobre escolhas profissionais e pessoais que priorizam a fantasiosa sensação de bem estar que o dinheiro provoca, muitas vezes a partir de depoimentos surreais, tristes, reveladores e emocionantes, o roteiro facilmente nos convida para uma profunda reflexão crítica: como parte da sociedade vive alienada sem conseguir separar a realidade da ficção trazida por redes sociais e pela TV!

Olha, é um documentário tão impressionante quanto assustador - pela humanidade das histórias e pelo peso da realidade de uma geração que não tem a menor noção dos limites para alcançar um determinado status ou conseguir chamar a atenção pelo que se tem e não pelo que se é! Quando um filme "vazado", contendo uma relação sexual, transforma uma mulher em celebridade e passa a ser referência para muitos jovens, temos a exata ideia de como essa sociedade está doente e perdeu completamente a noção do respeito.

Realmente imperdível!

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"Geração Riqueza" é um excelente (e duro) documentário da Amazon Studios sobre uma realidade social praticamente isenta de equilíbrio. Embora não seja uma experiência como "Fake Famous", o propósito é basicamente o mesmo: mostrar como valores essenciais estão subvertidos pelo dinheiro, a fama, a aparência e o sexo, sob o ponto de vista antropológico.

O documentário é parte de um projeto de 20 anos da fotógrafa Lauren Greenfield e mostra os excessos da cultura americana, compartilhada em grande parte do mundo em decorrência da globalização, onde o exagero de estilos de vida, movidos a muito dinheiro, que levam à compra de imensas casas, carros luxuosos e os mais supérfluos tipos de gastos, sempre com a intenção de impressionar o próximo, de chamar a atenção nas redes sociais e ainda massagear o ego. Lauren apresenta, por meio de personagens muito interessantes – da mãe que transformou a filha em modelo com apenas 3 anos de idade até a executiva que deixou a vida pessoal de lado por muitos anos e quis recuperar o tempo perdido gastando mais de meio milhão de dólares para tentar engravidar. "Geração Riqueza" é um reflexo da obsessão por riqueza e status social que, embora seja o principal combustível responsável por mover a economia do país, destrói as referências mais profundas de bom senso. Confira o trailer (em inglês):

“Generation Wealth” (no original) é muito feliz ao conduzir sua narrativa a partir das histórias de vida de jovens ricos em Los Angeles nos anos 90. Lauren Greenfield nos apresenta, com muita sensibilidade, o destino de muitos personagens, que naquela época possuíam um estilo de vida extravagante, e se tornaram agora pais de famílias e questionadores do seu comportamento no passado. Abrindo espaço para análises sociológicas, mas sem soar didático demais, o documentário faz uma radiografia de como o sonho americano se transformou em algo tão superficial como na busca de fama, fortuna (independente dos meios) e status social a partir dos anos 1970 e 1980 quando o crédito passou a ser facilitado pelos bancos - o que anos mais tarde culminou em uma grave crise imobiliária, diga-se de passagem exemplificada pela própria Islândia como vimos em "Trabalho Interno".

Relacionando o sucesso e dinheiro com a cultura da perfeição estética através de caros (e rentáveis) tratamentos com cosméticos e cirurgias plásticas, a valorização e o acesso à pornografia, jovens que transformam seus corpos em busca de reconhecimento masculino ou da mídia inspirados por celebridades como as Kardashians, vemos histórias sobre escolhas profissionais e pessoais que priorizam a fantasiosa sensação de bem estar que o dinheiro provoca, muitas vezes a partir de depoimentos surreais, tristes, reveladores e emocionantes, o roteiro facilmente nos convida para uma profunda reflexão crítica: como parte da sociedade vive alienada sem conseguir separar a realidade da ficção trazida por redes sociais e pela TV!

Olha, é um documentário tão impressionante quanto assustador - pela humanidade das histórias e pelo peso da realidade de uma geração que não tem a menor noção dos limites para alcançar um determinado status ou conseguir chamar a atenção pelo que se tem e não pelo que se é! Quando um filme "vazado", contendo uma relação sexual, transforma uma mulher em celebridade e passa a ser referência para muitos jovens, temos a exata ideia de como essa sociedade está doente e perdeu completamente a noção do respeito.

Realmente imperdível!

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Grande demais para Quebrar

"Grande demais para Quebrar" é um filmaço, mas não é nada fácil - embora tenha alguns diálogos bastante didáticos como o que define a crise de 2008 enquanto a equipe do governo se preparava para emitir um comunicado para a imprensa no inicio do terceiro ato. É preciso que se diga que o filme, uma ficção baseada em fatos reais, não é, nem de longe, uma narrativa fluida e auto-explicativa para quem conhece pouco do assunto ou da dinâmica econômica da época. O vencedor do Oscar de 2011, "Trabalho Interno" é quase um pré-requisito para assistir "Grande demais para Quebrar". Sim, o assunto é exatamente o mesmo, mas dessa vez acompanhamos a bomba explodindo pelos olhos de Henry Paulson, secretário do Tesouro dos Estados Unidos e na época o grande responsável pela saúde da economia do governo Bush.

O mercado financeiro era, há poucos anos, um paraíso: salários multimilionários, bônus exagerados e lucros astronômicos. Tudo começou a ruir em 2008. O filme retrata a crise econômica que até hoje afeta a economia dos EUA, tomando como tema central os esforços do então secretário do tesouro americano, Henry Paulson (William Hurt), para controlar os danos a partir de conversas com Richard Fuld, Ben Bernanke, Warren Buffett e Tim Geithner, e assim tentar salvar o Lehman Brothers. Durante as negociações, buscava-se uma solução privada envolvendo banqueiros de investimento e membros do Congresso para preservar a empresa sediada em Nova York, mas, como se sabe, o problema era muito mais complexo. Confira o trailer, em inglês:

"Grande demais para Quebrar" foi indicado para 3 Globos de Ouro em 2012: Melhor Filme para TV, Melhor Ator (William Hurt) e Melhor ator Coadjuvante (Paul Giamatti), sem contar a indicação para, acreditem, 11 Emmys em 2011 - e provavelmente você não assistiu a essa obra de arte!

O que salta aos olhos logo de cara, sem a menor dúvida, é o elenco: William Hurt, Paul Giamatti, James Woods, Cynthia Nixon, Billy Crudup - só para citar alguns! A direção de Curtis Hanson de "L.A. Confidential", a fotografia de Kramer Morgenthau (Creed II) e o roteiro de Peter Gould (Breaking Bad) terminam de compor esse perfeito Dream Team! Mas vamos aos fatos: o maior mérito do filme é o de não demonizar seus personagens, deixando o julgamento exclusivamente para quem assiste. É possível perceber em algumas cenas, todo o mindset daquele grupo de executivos e membros do governo, mas será preciso alguma sensibilidade para separar os sentimentos mais íntimos em um momento conturbado da economia com sua postura maniqueísta como tomador de decisões no ambiente corporativo - e isso humaniza os personagens de tal forma, que temos a exata impressão que não se trata de uma ficção (o prólogo do filme e as cenas de arquivo, normalmente da imprensa falada, inseridas na narrativa, ajudam muito nessa percepção).

Como todos os filmes e documentários sobre o tema, "Grande demais para Quebrar" é um retrato da hipocrisia corporativa e de como o descaso do mercado financeiro, historicamente tão em evidência, podem gerar consequências catastróficas. O diferencial está na forma como o filme mostra, por dentro e de maneira inteligente, as tentativas e equívocos do governo durante o caos financeiro – lidando com egos de grandes executivos que só pensaram em si, mesmo assistindo de camarote suas empresas afundarem após conscientes vendas de derivativos e títulos podres.

Vale muito o seu play!

Assista Agora

"Grande demais para Quebrar" é um filmaço, mas não é nada fácil - embora tenha alguns diálogos bastante didáticos como o que define a crise de 2008 enquanto a equipe do governo se preparava para emitir um comunicado para a imprensa no inicio do terceiro ato. É preciso que se diga que o filme, uma ficção baseada em fatos reais, não é, nem de longe, uma narrativa fluida e auto-explicativa para quem conhece pouco do assunto ou da dinâmica econômica da época. O vencedor do Oscar de 2011, "Trabalho Interno" é quase um pré-requisito para assistir "Grande demais para Quebrar". Sim, o assunto é exatamente o mesmo, mas dessa vez acompanhamos a bomba explodindo pelos olhos de Henry Paulson, secretário do Tesouro dos Estados Unidos e na época o grande responsável pela saúde da economia do governo Bush.

O mercado financeiro era, há poucos anos, um paraíso: salários multimilionários, bônus exagerados e lucros astronômicos. Tudo começou a ruir em 2008. O filme retrata a crise econômica que até hoje afeta a economia dos EUA, tomando como tema central os esforços do então secretário do tesouro americano, Henry Paulson (William Hurt), para controlar os danos a partir de conversas com Richard Fuld, Ben Bernanke, Warren Buffett e Tim Geithner, e assim tentar salvar o Lehman Brothers. Durante as negociações, buscava-se uma solução privada envolvendo banqueiros de investimento e membros do Congresso para preservar a empresa sediada em Nova York, mas, como se sabe, o problema era muito mais complexo. Confira o trailer, em inglês:

"Grande demais para Quebrar" foi indicado para 3 Globos de Ouro em 2012: Melhor Filme para TV, Melhor Ator (William Hurt) e Melhor ator Coadjuvante (Paul Giamatti), sem contar a indicação para, acreditem, 11 Emmys em 2011 - e provavelmente você não assistiu a essa obra de arte!

O que salta aos olhos logo de cara, sem a menor dúvida, é o elenco: William Hurt, Paul Giamatti, James Woods, Cynthia Nixon, Billy Crudup - só para citar alguns! A direção de Curtis Hanson de "L.A. Confidential", a fotografia de Kramer Morgenthau (Creed II) e o roteiro de Peter Gould (Breaking Bad) terminam de compor esse perfeito Dream Team! Mas vamos aos fatos: o maior mérito do filme é o de não demonizar seus personagens, deixando o julgamento exclusivamente para quem assiste. É possível perceber em algumas cenas, todo o mindset daquele grupo de executivos e membros do governo, mas será preciso alguma sensibilidade para separar os sentimentos mais íntimos em um momento conturbado da economia com sua postura maniqueísta como tomador de decisões no ambiente corporativo - e isso humaniza os personagens de tal forma, que temos a exata impressão que não se trata de uma ficção (o prólogo do filme e as cenas de arquivo, normalmente da imprensa falada, inseridas na narrativa, ajudam muito nessa percepção).

Como todos os filmes e documentários sobre o tema, "Grande demais para Quebrar" é um retrato da hipocrisia corporativa e de como o descaso do mercado financeiro, historicamente tão em evidência, podem gerar consequências catastróficas. O diferencial está na forma como o filme mostra, por dentro e de maneira inteligente, as tentativas e equívocos do governo durante o caos financeiro – lidando com egos de grandes executivos que só pensaram em si, mesmo assistindo de camarote suas empresas afundarem após conscientes vendas de derivativos e títulos podres.

Vale muito o seu play!

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High Flying Bird

"High Flying Bird" é, antes de mais nada, um filme de reflexão! Aí você me pergunta: como um filme sobre basquete pode ser um filme para reflexão? Vamos lá: "High Flying Bird" não é sobre basquete, é sobre disrupção!!! E o genial do projeto é que essa disrupção sai da tela, vem para o processo de produção do filme e termina na maneira como o filme está sendo distribuído! Ok, vamos por partes...

O filme fala sobre um "lockout" da NBA.  "Lockout" para quem não sabe, é uma espécie de greve ao contrário, onde quem contrata impede que os contratados exerçam seu trabalho, normalmente, porque estão buscando uma melhor negociação em benefício próprio ou do negócio em si, porém durante todo esse período em que ninguém trabalha, os salários são suspensos e uma grande bola de neve começa se formar forçando a corda estourar sempre do lado mais fraco. Na NBA, para os cartolas, o lado mais fraco são os jogadores! E é aí que o filme ganha força, pois o protagonista, um agente de jovens atletas e potenciais estrelas, trabalha 72 horas para provar que o lado mais fraco, na verdade, é o sistema que a NBA insiste em exaltar e que está ficando cada vez mais ultrapassado - afinal as novas tecnologias estão aí e se você tem a matéria prima, no caso os jogadores, o show está garantido basta as pessoas saberem onde assistir. 

O Steven Soderbergh é um Diretor "a frente do seu tempo" - desde suas estreia em 89 com "Sexo, Mentiras e Videotape", filme que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Original, até o ano 2000 onde foi indicado duas vezes na mesma categoria de Melhor Diretor: uma com "Erin Brockovich" e outra com "Traffic" . Aliás o que esse cara fez em "Traffic" há 19 anos atrás foi um absurdo (se você ainda não assistiu, assista e repare no que eu estou falando!!!): ele dividiu o filme em três pontos de vista diferentes para um mesmo assunto: as drogas. E conceituou cada um desses olhares com uma gramática cinematográfica diferente, apoiado em conceitos emocionais e sensoriais! Incrível, inteligente, criativo e mais quantos adjetivos couberem na mesma frase para justificar esse trabalho!!!

Bom, continuando, Soderberg, então, seguindo o mesmo conceito disruptivo do roteiro (escrito pelo Tarell Alvin McCraney de "Moonlight"), resolve filmar com um Iphone 8 e assim mostrar, mais uma vez, que com a matéria prima, o equipamento é o que menos importa: é possível fazer um filme bom até com um telefone celular que tenha uma boa câmera!!! Isso já tinha acontecido lá atrás com o movimento "Dogma" (no início da mini-DV contra o altíssimo custo da película) mas agora ele dá um passo além, tira do bolso seu iPhone, coloca uma adaptador anamórfico que custa 180 dólares e filma (em 2.35) seu projeto sem a necessidade de um Estúdio bancar o projeto! Claro que tecnicamente o filme é limitado, principalmente na óptica (lentes realmente boas e caras fazem muita falta!), mas de maneira alguma prejudica a experiência de quem assiste. Ok, mas e para distribuir um filme feito com iPhone? Tem uma melhor plataforma para bancar esse marketing disruptivo e atingir tantas pessoas no mundo inteiro, ao mesmo tempo, melhor que a Netflix? Entendem como essa cadeia foi totalmente reinterpretada nesse projeto????

"High Flying Bird" é um filme bom, inteligente e por todos esses fatores merece ser assistido! Sobre a reflexão, eu deixo para cada um buscar dentro do seu universo as respostas para mudar um sistema que não se sustenta mais com imposições ou controle financeiro - sem a matéria prima, tudo isso vira fumaça!!! 

Vale o play!!! Vale a reflexão!!!

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"High Flying Bird" é, antes de mais nada, um filme de reflexão! Aí você me pergunta: como um filme sobre basquete pode ser um filme para reflexão? Vamos lá: "High Flying Bird" não é sobre basquete, é sobre disrupção!!! E o genial do projeto é que essa disrupção sai da tela, vem para o processo de produção do filme e termina na maneira como o filme está sendo distribuído! Ok, vamos por partes...

O filme fala sobre um "lockout" da NBA.  "Lockout" para quem não sabe, é uma espécie de greve ao contrário, onde quem contrata impede que os contratados exerçam seu trabalho, normalmente, porque estão buscando uma melhor negociação em benefício próprio ou do negócio em si, porém durante todo esse período em que ninguém trabalha, os salários são suspensos e uma grande bola de neve começa se formar forçando a corda estourar sempre do lado mais fraco. Na NBA, para os cartolas, o lado mais fraco são os jogadores! E é aí que o filme ganha força, pois o protagonista, um agente de jovens atletas e potenciais estrelas, trabalha 72 horas para provar que o lado mais fraco, na verdade, é o sistema que a NBA insiste em exaltar e que está ficando cada vez mais ultrapassado - afinal as novas tecnologias estão aí e se você tem a matéria prima, no caso os jogadores, o show está garantido basta as pessoas saberem onde assistir. 

O Steven Soderbergh é um Diretor "a frente do seu tempo" - desde suas estreia em 89 com "Sexo, Mentiras e Videotape", filme que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Original, até o ano 2000 onde foi indicado duas vezes na mesma categoria de Melhor Diretor: uma com "Erin Brockovich" e outra com "Traffic" . Aliás o que esse cara fez em "Traffic" há 19 anos atrás foi um absurdo (se você ainda não assistiu, assista e repare no que eu estou falando!!!): ele dividiu o filme em três pontos de vista diferentes para um mesmo assunto: as drogas. E conceituou cada um desses olhares com uma gramática cinematográfica diferente, apoiado em conceitos emocionais e sensoriais! Incrível, inteligente, criativo e mais quantos adjetivos couberem na mesma frase para justificar esse trabalho!!!

Bom, continuando, Soderberg, então, seguindo o mesmo conceito disruptivo do roteiro (escrito pelo Tarell Alvin McCraney de "Moonlight"), resolve filmar com um Iphone 8 e assim mostrar, mais uma vez, que com a matéria prima, o equipamento é o que menos importa: é possível fazer um filme bom até com um telefone celular que tenha uma boa câmera!!! Isso já tinha acontecido lá atrás com o movimento "Dogma" (no início da mini-DV contra o altíssimo custo da película) mas agora ele dá um passo além, tira do bolso seu iPhone, coloca uma adaptador anamórfico que custa 180 dólares e filma (em 2.35) seu projeto sem a necessidade de um Estúdio bancar o projeto! Claro que tecnicamente o filme é limitado, principalmente na óptica (lentes realmente boas e caras fazem muita falta!), mas de maneira alguma prejudica a experiência de quem assiste. Ok, mas e para distribuir um filme feito com iPhone? Tem uma melhor plataforma para bancar esse marketing disruptivo e atingir tantas pessoas no mundo inteiro, ao mesmo tempo, melhor que a Netflix? Entendem como essa cadeia foi totalmente reinterpretada nesse projeto????

"High Flying Bird" é um filme bom, inteligente e por todos esses fatores merece ser assistido! Sobre a reflexão, eu deixo para cada um buscar dentro do seu universo as respostas para mudar um sistema que não se sustenta mais com imposições ou controle financeiro - sem a matéria prima, tudo isso vira fumaça!!! 

Vale o play!!! Vale a reflexão!!!

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Império dos Sonhos

Se tem uma coisa que o Disney+ vem nos proporcionando, é o acesso a documentários raros e que, embora muitos deles naturalmente datados, tem um conteúdo simplesmente espetacular. O "Império dos Sonhos: A História da Trilogia Star Wars" entra nessa prateleira e te adianto: é mais um daqueles "estudos de caso" que mais parecem um curso de MBA em empreendedorismo - mais ou menos como "A História do Imagineering". Emboraproduzido em 2004 para compor os “extras” do lançamento de uma edição especial da Trilogia Star Wars ainda em DVD, o documentário é mais uma imersão na visão e no comportamento de George Lucas do que uma história construída para os fãs da franquia. 

Em pouco menos de 150 minutos, os diretores Edith Becker e Kevin Burns, ambos de "Playboy: Inside the Playboy Mansion", nos conduzem pelos bastidores da criação da Trilogia Original de Star Wars, focando no processo de desenvolvimento, produção e lançamento de "Guerra nas Estrelas", o filme original de 1977, e depois, com um pouco menos de profundidade, mas não menos interessante, nas histórias de O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi. Confira o trailer:

A partir do acesso aos arquivos da Lucasfilm e do próprio Lucas, Becker e Burns desenvolvem uma narrativa dinâmica e inteligente, mas sem inventar muita moda, ou seja, a partir de uma montagem cronológica simples, os diretores contam a história pelos olhos do seu criador e de vários personagens que transitaram pelas produções dos três filmes. O interessante - e aqui cabe um elogio: é que o documentário parte da visão inovadora, mas também estratégica de Lucas para pontuar a mudança dos paradigmas de Hollywood no início da década de 70, passando pelo seu trabalho na Universidade com o curta-metragem THX-1138 (que depois se transformou em um longa), depois pela pré-produção, produção e pós-produção de Guerra nas Estrelas, seguido pelo receio do seu lançamento até a transformação em uma espécie de fenômeno mundial instantâneo - o roteiro, aliás, é muito feliz ao fazer paralelos com a realidade social e cultural da época e assim tentar explicar toda essa jornada.

O roteirista Ed Singer também foi muito inteligente ao estabelecer sua linha narrativa em cima de uma novidade que foi o "Guerra nas Estrelas" e tudo que envolveu sua produção, para depois simplesmente pontuar o documentário com curiosidades dos outros dois filmes, como a criação do Mestre Yoda, as estratégias para evitar que vazasse a informação sobre a revelação de quem era o pai de Luke, os Ewoks, etc. Singer aproveita e traz para a história nomes como Ralph McQuarrie - artista que trabalhou na Boeing e foi capaz de criar o conceito visual para Gorge Lucas tentar convencer os Estúdios que valia a pena apoiar seu projeto eAlan Ladd Jr., então presidente da Fox, que convenceu a diretoria do Estúdio em financiar o primeiro filme (pouco mais de 8 milhões de dólares) e quem segurou as pontas quando o orçamento e os prazos estouraram nas mãos daquele jovem diretor.

O fato é que o "Império dos Sonhos: A História da Trilogia Star Wars" é um rico e delicioso documentário sobre uma franquia que ultrapassou os limites do cinema e se transformou em um dos mais festejados produtos da cultura pop através dos tempos. Da genialidade de George Lucas, conseguimos entender seu propósito como cineasta, mas também sua visão de negócios e de mercado como poucos tiveram até hoje.

Vale muito a pena!

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Se tem uma coisa que o Disney+ vem nos proporcionando, é o acesso a documentários raros e que, embora muitos deles naturalmente datados, tem um conteúdo simplesmente espetacular. O "Império dos Sonhos: A História da Trilogia Star Wars" entra nessa prateleira e te adianto: é mais um daqueles "estudos de caso" que mais parecem um curso de MBA em empreendedorismo - mais ou menos como "A História do Imagineering". Emboraproduzido em 2004 para compor os “extras” do lançamento de uma edição especial da Trilogia Star Wars ainda em DVD, o documentário é mais uma imersão na visão e no comportamento de George Lucas do que uma história construída para os fãs da franquia. 

Em pouco menos de 150 minutos, os diretores Edith Becker e Kevin Burns, ambos de "Playboy: Inside the Playboy Mansion", nos conduzem pelos bastidores da criação da Trilogia Original de Star Wars, focando no processo de desenvolvimento, produção e lançamento de "Guerra nas Estrelas", o filme original de 1977, e depois, com um pouco menos de profundidade, mas não menos interessante, nas histórias de O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi. Confira o trailer:

A partir do acesso aos arquivos da Lucasfilm e do próprio Lucas, Becker e Burns desenvolvem uma narrativa dinâmica e inteligente, mas sem inventar muita moda, ou seja, a partir de uma montagem cronológica simples, os diretores contam a história pelos olhos do seu criador e de vários personagens que transitaram pelas produções dos três filmes. O interessante - e aqui cabe um elogio: é que o documentário parte da visão inovadora, mas também estratégica de Lucas para pontuar a mudança dos paradigmas de Hollywood no início da década de 70, passando pelo seu trabalho na Universidade com o curta-metragem THX-1138 (que depois se transformou em um longa), depois pela pré-produção, produção e pós-produção de Guerra nas Estrelas, seguido pelo receio do seu lançamento até a transformação em uma espécie de fenômeno mundial instantâneo - o roteiro, aliás, é muito feliz ao fazer paralelos com a realidade social e cultural da época e assim tentar explicar toda essa jornada.

O roteirista Ed Singer também foi muito inteligente ao estabelecer sua linha narrativa em cima de uma novidade que foi o "Guerra nas Estrelas" e tudo que envolveu sua produção, para depois simplesmente pontuar o documentário com curiosidades dos outros dois filmes, como a criação do Mestre Yoda, as estratégias para evitar que vazasse a informação sobre a revelação de quem era o pai de Luke, os Ewoks, etc. Singer aproveita e traz para a história nomes como Ralph McQuarrie - artista que trabalhou na Boeing e foi capaz de criar o conceito visual para Gorge Lucas tentar convencer os Estúdios que valia a pena apoiar seu projeto eAlan Ladd Jr., então presidente da Fox, que convenceu a diretoria do Estúdio em financiar o primeiro filme (pouco mais de 8 milhões de dólares) e quem segurou as pontas quando o orçamento e os prazos estouraram nas mãos daquele jovem diretor.

O fato é que o "Império dos Sonhos: A História da Trilogia Star Wars" é um rico e delicioso documentário sobre uma franquia que ultrapassou os limites do cinema e se transformou em um dos mais festejados produtos da cultura pop através dos tempos. Da genialidade de George Lucas, conseguimos entender seu propósito como cineasta, mas também sua visão de negócios e de mercado como poucos tiveram até hoje.

Vale muito a pena!

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