Viu Review - ml-fraude

A Falha

"A Falha" (ou "The Flaw" no original) é um documentário dos mais interessantes, principalmente para aqueles que se interessam por economia e por história. É um verdadeiro estudo sobre o capitalismo, mas partindo de um ponto marcante da história moderna dos EUA: a crise de 2008 - e aqui é preciso fazer um comentário pertinente: o filme não tem a pretensão de ser um manifesto ou uma crítica superficial sobre o capitalismo, ele é mais um recorte sobre os erros do sistema financeiro nos últimos 20 anos.

O premiado diretor David Sington apresenta a história da crise de crédito financeiro de 2008 que trouxe sofrimento para milhões de americanos. Abandonando explicações fáceis de banqueiros gananciosos e reguladores incompetentes, esta investigação vai às raízes da crença iludida dos EUA e do Reino Unido de que todos poderiam ser ricos e que os preços dos imóveis subiriam para sempre. Confira o trailer (em inglês):

Embora interessante, a abordagem de Sington para contar essa história pode soar um pouco mais técnica, embora o diretor se esforce muito para deixar sua mensagem a mais clara possível - em alguns momentos ele consegue, em outros nem tanto.  Quando Alan Greenspan, ex-presidente da Reserva Federal norte-americana, em uma declaração no Congresso, admitiu uma "falha" ao ter acreditado no poder de auto-correção dos mercados, um enorme estrago já tinha acontecido. Muitos documentários, inclusive, partem do mesmo principio para tentar explicar as causas da crise, mas em "A Falha" o que assistimos é um mergulho quase antropológico na raiz do problema e não nas suas ramificações.

Alguns dos economistas mais importantes do mundo, incluindo Joseph Stiglitz, Robert Wade, Louis Hyman e Robert Shiller, oferecem suas perspectivas sobre o que causou a crise, a enorme desigualdade presente na sociedade americana até hoje e como a ideologia do mercado livre de Alan Greenspan levou as pessoas acreditarem que todos poderiam estar sempre em uma melhor situação, mesmo sem nenhum ajuste em seus recebimentos. É muito interessante como Sington intercala esses depoimentos com cenas de desenhos animados utilizados como propaganda anticomunista para os soldados norte-americanos dos anos 50 e 60. 

“É uma crise de dívida, mas também é uma crise de teoria econômica” - assim definiu o diretor na época do lançamento do seu documentário indicado ao prêmio máximo do Festival de Sundance em 2011. Além de muito inteligente, "A Falha" provoca algumas reflexões sobre o momento que estamos vivendo e o que pode vir pela frente se ganância continuar pontuando as decisões pouco empáticas de quem está no 1% do topo da pirâmide.

Vale o play e vale a discussão para aqueles que não se contentam com o óbvio!

Assista Agora

"A Falha" (ou "The Flaw" no original) é um documentário dos mais interessantes, principalmente para aqueles que se interessam por economia e por história. É um verdadeiro estudo sobre o capitalismo, mas partindo de um ponto marcante da história moderna dos EUA: a crise de 2008 - e aqui é preciso fazer um comentário pertinente: o filme não tem a pretensão de ser um manifesto ou uma crítica superficial sobre o capitalismo, ele é mais um recorte sobre os erros do sistema financeiro nos últimos 20 anos.

O premiado diretor David Sington apresenta a história da crise de crédito financeiro de 2008 que trouxe sofrimento para milhões de americanos. Abandonando explicações fáceis de banqueiros gananciosos e reguladores incompetentes, esta investigação vai às raízes da crença iludida dos EUA e do Reino Unido de que todos poderiam ser ricos e que os preços dos imóveis subiriam para sempre. Confira o trailer (em inglês):

Embora interessante, a abordagem de Sington para contar essa história pode soar um pouco mais técnica, embora o diretor se esforce muito para deixar sua mensagem a mais clara possível - em alguns momentos ele consegue, em outros nem tanto.  Quando Alan Greenspan, ex-presidente da Reserva Federal norte-americana, em uma declaração no Congresso, admitiu uma "falha" ao ter acreditado no poder de auto-correção dos mercados, um enorme estrago já tinha acontecido. Muitos documentários, inclusive, partem do mesmo principio para tentar explicar as causas da crise, mas em "A Falha" o que assistimos é um mergulho quase antropológico na raiz do problema e não nas suas ramificações.

Alguns dos economistas mais importantes do mundo, incluindo Joseph Stiglitz, Robert Wade, Louis Hyman e Robert Shiller, oferecem suas perspectivas sobre o que causou a crise, a enorme desigualdade presente na sociedade americana até hoje e como a ideologia do mercado livre de Alan Greenspan levou as pessoas acreditarem que todos poderiam estar sempre em uma melhor situação, mesmo sem nenhum ajuste em seus recebimentos. É muito interessante como Sington intercala esses depoimentos com cenas de desenhos animados utilizados como propaganda anticomunista para os soldados norte-americanos dos anos 50 e 60. 

“É uma crise de dívida, mas também é uma crise de teoria econômica” - assim definiu o diretor na época do lançamento do seu documentário indicado ao prêmio máximo do Festival de Sundance em 2011. Além de muito inteligente, "A Falha" provoca algumas reflexões sobre o momento que estamos vivendo e o que pode vir pela frente se ganância continuar pontuando as decisões pouco empáticas de quem está no 1% do topo da pirâmide.

Vale o play e vale a discussão para aqueles que não se contentam com o óbvio!

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A Grande Jogada

Você não precisa criar um produto ou serviço revolucionário para se transformar em um grande empreendedor, basta conhecer muito bem seu mercado, escutar seus potenciais clientes e entregar algo melhor e que possa agradar mais do que seus concorrentes - "A Grande Jogada" fala exatamente sobre essa jornada real, mas pelos olhos de Molly Bloom (Jessica Chastain), uma ex-esquiadora olímpica forçada a abandonar a profissão após um acidente, que se tornou a "princesa do pôquer" faturando milhões organizando noitadas de jogatina VIP!

Baseado no livro "Molly’s Game: From Hollywood’s Elite to Wall Street’s Billionaire Boys Club, My High-Stakes Adventure in the World of Underground Poker", o  filme acompanha dois momentos da protagonista: sua ascensão dentro do mundo do pôquer, desde um pequeno barzinho onde trabalhava como garçonete até uma luxuosa cobertura contando com a presença de diversas celebridades; e como ela precisou enfrentar as consequências de gerenciar os jogos após ser presa por envolvimento com a máfia russa. Confira o trailer:

Embora o roteiro de "A Grande Jogada", escrito pelo excelente Aaron Sorkin (Rede Social), tenha ganho uma indicação merecida para o Oscar de 2018, foi a atriz Jessica Chastain a grande injustiçada do ano - ela merecia demais, no mínimo, a "indicação" por essa personagem. Ela está incrível! Reparem na dinâmica entre Molly e seu advogado, Charlie Jaffey (Idris Elba). A parceria entre eles, que marca a cronologia onde a personagem precisa se defender na justiça após ser presa e ter seu dinheiro confiscado, rende diálogos sensacionais, cheio de nuances e muito bem construídos por Sorkin - que também assina a direção, sua estreia.

Outro ponto que merece destaque é a edição: por causa de um ritmo bem acelerado, com muitos cortes e várias tomadas rápidas, cria-se uma dinâmica narrativa que nos impede de tirar os olhos da tela, fazendo com que o filme passe voando, sem se tornar cansativo - são mais de duas horas de filme e nem nos damos conta. Embora sem muitos riscos, a direção do Aaron Sorkin é bastante competente e a forma como ele constrói toda aquela atmosfera, que fica em uma linha muito tênue entre o luxo e o lixo, é simplesmente sensacional.

É claro que os mais familiarizados com o pôquer certamente terão uma experiência mais, digamos, interessante, pelo simples fato de entenderem o que, de fato, está acontecendo com as cartas na mesa, mas da mesma forma que "Gambito da Rainha" não é um drama sobre xadrez, "A Grande Jogada" não é sobre pôquer e sim sobre a jornada única de uma protagonista forte, inteligente, empreendedora, que encontrou na clandestinidade a chance de vencer na vida - com suas regras, com seus riscos e com sua dores! 

Vale muito o seu play!

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Você não precisa criar um produto ou serviço revolucionário para se transformar em um grande empreendedor, basta conhecer muito bem seu mercado, escutar seus potenciais clientes e entregar algo melhor e que possa agradar mais do que seus concorrentes - "A Grande Jogada" fala exatamente sobre essa jornada real, mas pelos olhos de Molly Bloom (Jessica Chastain), uma ex-esquiadora olímpica forçada a abandonar a profissão após um acidente, que se tornou a "princesa do pôquer" faturando milhões organizando noitadas de jogatina VIP!

Baseado no livro "Molly’s Game: From Hollywood’s Elite to Wall Street’s Billionaire Boys Club, My High-Stakes Adventure in the World of Underground Poker", o  filme acompanha dois momentos da protagonista: sua ascensão dentro do mundo do pôquer, desde um pequeno barzinho onde trabalhava como garçonete até uma luxuosa cobertura contando com a presença de diversas celebridades; e como ela precisou enfrentar as consequências de gerenciar os jogos após ser presa por envolvimento com a máfia russa. Confira o trailer:

Embora o roteiro de "A Grande Jogada", escrito pelo excelente Aaron Sorkin (Rede Social), tenha ganho uma indicação merecida para o Oscar de 2018, foi a atriz Jessica Chastain a grande injustiçada do ano - ela merecia demais, no mínimo, a "indicação" por essa personagem. Ela está incrível! Reparem na dinâmica entre Molly e seu advogado, Charlie Jaffey (Idris Elba). A parceria entre eles, que marca a cronologia onde a personagem precisa se defender na justiça após ser presa e ter seu dinheiro confiscado, rende diálogos sensacionais, cheio de nuances e muito bem construídos por Sorkin - que também assina a direção, sua estreia.

Outro ponto que merece destaque é a edição: por causa de um ritmo bem acelerado, com muitos cortes e várias tomadas rápidas, cria-se uma dinâmica narrativa que nos impede de tirar os olhos da tela, fazendo com que o filme passe voando, sem se tornar cansativo - são mais de duas horas de filme e nem nos damos conta. Embora sem muitos riscos, a direção do Aaron Sorkin é bastante competente e a forma como ele constrói toda aquela atmosfera, que fica em uma linha muito tênue entre o luxo e o lixo, é simplesmente sensacional.

É claro que os mais familiarizados com o pôquer certamente terão uma experiência mais, digamos, interessante, pelo simples fato de entenderem o que, de fato, está acontecendo com as cartas na mesa, mas da mesma forma que "Gambito da Rainha" não é um drama sobre xadrez, "A Grande Jogada" não é sobre pôquer e sim sobre a jornada única de uma protagonista forte, inteligente, empreendedora, que encontrou na clandestinidade a chance de vencer na vida - com suas regras, com seus riscos e com sua dores! 

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Altos Negócios

"Altos Negócios" é uma espécie de "Shiny Flakes" do golpe imobiliário e embora um seja ficção e o outro documentário, os elementos narrativos são praticamente idênticos e, por coincidência, ambas as produções são alemãs. Embora nenhum dos dois títulos sejam inesquecíveis, é impossível negar que além de curiosos, estamos falando de ótimos entretenimentos onde as discussões morais são completamente substituídas por sensações bastante peculiares - então não se assuste se, mais uma vez, você estiver torcendo para os "bandidos"!

"Altos Negócios" conta a história de Viktor Stein (David Kross), um garoto que deixa a casa de seu pai e parte para a cidade grande para se tornar um empresário de sucesso. Não demora muito para que o rapaz descubra que precisa quebrar algumas regras e assim se infiltrar em um ramo disputado como o imobiliário. Após uma parceria inesperada com o malandro Gerry Falkland (Frederick Lau) e a bancária Nicole Kleber (Janina Uhse), Stein entra em uma jornada repleta de dinheiro, glamour, álcool e drogas que não demora para fugir do seu controle. Confira o trailer (dublado):

Se em "Breaking Bad" aprendemos a olhar as motivações dos personagens por um outro ponto de vista e assim colocar em julgamento suas atitudes com a desculpa que o "fim" pode justificar os "meios", nessa produção alemã voltamos justamente para essa interpretação. O roteiro deCüneyt Kaya, que também assina a direção, parece ter uma certa dificuldade em assumir que Viktor pode ser corrompido, deixando sempre uma leve impressão de que o rapaz tem um bom coração, ou seja, mesmo sendo um mau-caráter, Viktor parece sofrer com certo arrependimento e que em algum momento isso poderá se tornar sua redenção. Dito isso, o filme me soou conformista demais, como se não tivesse coragem para expor o mal que um personagem como esse pode causar para a sociedade - e a mesma critica se extende para o próprio "Shiny Flakes".

Embora completamente linear e seguro dessa postura narrativa, é impossível não se envolver com as falcatruas do protagonista (e de seus parceiros) e assim desfrutar do sucesso e da vingança perante o "sistema" (em algum momento do filme você vai escutar exatamente isso). Será natural uma leve lembrança com o estilo e a ambientação de "O Lobo de Wall Street" - a edição ágil intercalada com a narrativa focada no ponto de vista do protagonista colabora com essa memória (quase) emotiva, mas as semelhanças tendem a parar por aí - no contexto e na qualidade como obra.

"Altos Negócios" perdeu a oportunidade de mergulhar na ganância e na maneira egocêntrica como esses tipos de personagens enxergam o mundo (como assistimos recentemente em "A Bad Boy Billionaires"), por outro lado entregou um filme dinâmico, sem muita enrolação, divertido e honesto. Muito bem produzido, dirigido e fotografado pelo Sebastian Bäumler, que construiu sua carreira nos documentários, "Betonrausch" (título original) é uma ótima recomendação para quem gosta de tramas realistas e subvertidas na linha de "Ozark" ou de "O Primeiro Milhão".

Vale o play!

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"Altos Negócios" é uma espécie de "Shiny Flakes" do golpe imobiliário e embora um seja ficção e o outro documentário, os elementos narrativos são praticamente idênticos e, por coincidência, ambas as produções são alemãs. Embora nenhum dos dois títulos sejam inesquecíveis, é impossível negar que além de curiosos, estamos falando de ótimos entretenimentos onde as discussões morais são completamente substituídas por sensações bastante peculiares - então não se assuste se, mais uma vez, você estiver torcendo para os "bandidos"!

"Altos Negócios" conta a história de Viktor Stein (David Kross), um garoto que deixa a casa de seu pai e parte para a cidade grande para se tornar um empresário de sucesso. Não demora muito para que o rapaz descubra que precisa quebrar algumas regras e assim se infiltrar em um ramo disputado como o imobiliário. Após uma parceria inesperada com o malandro Gerry Falkland (Frederick Lau) e a bancária Nicole Kleber (Janina Uhse), Stein entra em uma jornada repleta de dinheiro, glamour, álcool e drogas que não demora para fugir do seu controle. Confira o trailer (dublado):

Se em "Breaking Bad" aprendemos a olhar as motivações dos personagens por um outro ponto de vista e assim colocar em julgamento suas atitudes com a desculpa que o "fim" pode justificar os "meios", nessa produção alemã voltamos justamente para essa interpretação. O roteiro deCüneyt Kaya, que também assina a direção, parece ter uma certa dificuldade em assumir que Viktor pode ser corrompido, deixando sempre uma leve impressão de que o rapaz tem um bom coração, ou seja, mesmo sendo um mau-caráter, Viktor parece sofrer com certo arrependimento e que em algum momento isso poderá se tornar sua redenção. Dito isso, o filme me soou conformista demais, como se não tivesse coragem para expor o mal que um personagem como esse pode causar para a sociedade - e a mesma critica se extende para o próprio "Shiny Flakes".

Embora completamente linear e seguro dessa postura narrativa, é impossível não se envolver com as falcatruas do protagonista (e de seus parceiros) e assim desfrutar do sucesso e da vingança perante o "sistema" (em algum momento do filme você vai escutar exatamente isso). Será natural uma leve lembrança com o estilo e a ambientação de "O Lobo de Wall Street" - a edição ágil intercalada com a narrativa focada no ponto de vista do protagonista colabora com essa memória (quase) emotiva, mas as semelhanças tendem a parar por aí - no contexto e na qualidade como obra.

"Altos Negócios" perdeu a oportunidade de mergulhar na ganância e na maneira egocêntrica como esses tipos de personagens enxergam o mundo (como assistimos recentemente em "A Bad Boy Billionaires"), por outro lado entregou um filme dinâmico, sem muita enrolação, divertido e honesto. Muito bem produzido, dirigido e fotografado pelo Sebastian Bäumler, que construiu sua carreira nos documentários, "Betonrausch" (título original) é uma ótima recomendação para quem gosta de tramas realistas e subvertidas na linha de "Ozark" ou de "O Primeiro Milhão".

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As Faces da Marca

"As Faces da Marca", ou no original "LuLaRich", mostra a jornada de ascensão e queda de um dos maiores fenômenos da moda feminina nos EUA nos últimos tempos: aquelas calças leggings chamativas, e de gosto bem duvidoso, da LuLaRoe. Na verdade, o interessante dessa minissérie em 4 episódios, Original Prime Vídeo, é justamente entender como algumas estratégias da empresa faziam muito sentido e outras foram completamente amadoras, para não dizer gananciosas, e que praticamente transformaram uma marca que era idolatrada por suas consumidoras (fiéis) em sinônimo de arrogância, mal cartismo e péssima qualidade produto.

A produção desvenda o segredo do sucesso LuLaRoe, mas da pior forma possível. Conhecida por suas leggings, a infame empresa de marketing multi-nível viralizou prometendo para jovens mães, uma salvação financeira, trabalhando de casa, em meio período, mas ganhando muito dinheiro. Os excêntricos fundadores da LuLaRoe, DeAnne Brady e Mark Stidham, recrutaram um exército de vendedoras independentes para vender suas roupas cada vez mais bizarras e defeituosas, até que tudo começou a dar errado. Confira o trailer (em inglês):

Os diretores Jenner Furst e Julia Willoughby Nason (do ótimo "Prescrição Fatal") constroem uma narrativa bastante tradicional para esse documentário, porém com uma dinâmica brilhantemente pontuada por uma trilha sonora que define exatamente o sentimento que temos ao assistir os depoimentos de DeAnne e Mark, de seus antigos funcionários e, especialmente, de suas vendedoras mais relevantes e que um dia foram embaixadoras da marca. Apoiada em imagens de arquivo, algumas extremamente constrangedoras, "LuLaRich" tem muito mais a nos ensinar do que podemos imaginar.

Para aqueles envolvidos com empreendedorismo eu destaco dois pontos: a importância de encontrar o público ideal que vai consumir seu produto (a famosa "persona") e a estratégia de comunicação para construção de uma comunidade fiel, defensora da marca e de todos seus produtos. Por outro lado, e aqui aprender com os erros dos outros deixa a experiência ainda mais completa, a forma como os fundadores da LuLaRoe constituíram suas lideranças dentro da empresa soa patético - que transformou uma cultura que parecia ser bastante saudável em uma postura tão tóxica, onde suas práticas lembravam (e muito) algumas seitas abusivas que já vimos em outros documentários como "The Vow", por exemplo.

Impressiona o fato de que DeAnne e Mark parecem não entender as consequências de suas péssimas atitudes como empresários - a não ser que eles sejam atores incríveis, parece que eles realmente acreditam que convidar as próprias clientes como vendedoras oficiais da marca, oferecendo comissões apenas quando outras mulheres são recrutadas por elas, para aí sim vender LuLaRoe, com custo fixo de aquisição de produto garantido; não seja uma pirâmide!

"As Faces da Marca" é muito feliz em discutir os limites éticos de um negócio de família que deu certo muito rápido. A linha tênue entre uma cultura corporativa marcada pela informalidade e um ambiente de trabalho abusivo pode ser até sutil, mas em escala acaba destruindo algo que tinha, de fato, muito potencial. O problema é que o preço foi caro, principalmente para aquele lado da corda mais fraco, que enxergavam na LuLaRoe uma oportunidade de mudar de vida, de ascensão social, mas que na verdade não passava de uma grande fantasia (para não dizer "furada").

Vale muito seu play!

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"As Faces da Marca", ou no original "LuLaRich", mostra a jornada de ascensão e queda de um dos maiores fenômenos da moda feminina nos EUA nos últimos tempos: aquelas calças leggings chamativas, e de gosto bem duvidoso, da LuLaRoe. Na verdade, o interessante dessa minissérie em 4 episódios, Original Prime Vídeo, é justamente entender como algumas estratégias da empresa faziam muito sentido e outras foram completamente amadoras, para não dizer gananciosas, e que praticamente transformaram uma marca que era idolatrada por suas consumidoras (fiéis) em sinônimo de arrogância, mal cartismo e péssima qualidade produto.

A produção desvenda o segredo do sucesso LuLaRoe, mas da pior forma possível. Conhecida por suas leggings, a infame empresa de marketing multi-nível viralizou prometendo para jovens mães, uma salvação financeira, trabalhando de casa, em meio período, mas ganhando muito dinheiro. Os excêntricos fundadores da LuLaRoe, DeAnne Brady e Mark Stidham, recrutaram um exército de vendedoras independentes para vender suas roupas cada vez mais bizarras e defeituosas, até que tudo começou a dar errado. Confira o trailer (em inglês):

Os diretores Jenner Furst e Julia Willoughby Nason (do ótimo "Prescrição Fatal") constroem uma narrativa bastante tradicional para esse documentário, porém com uma dinâmica brilhantemente pontuada por uma trilha sonora que define exatamente o sentimento que temos ao assistir os depoimentos de DeAnne e Mark, de seus antigos funcionários e, especialmente, de suas vendedoras mais relevantes e que um dia foram embaixadoras da marca. Apoiada em imagens de arquivo, algumas extremamente constrangedoras, "LuLaRich" tem muito mais a nos ensinar do que podemos imaginar.

Para aqueles envolvidos com empreendedorismo eu destaco dois pontos: a importância de encontrar o público ideal que vai consumir seu produto (a famosa "persona") e a estratégia de comunicação para construção de uma comunidade fiel, defensora da marca e de todos seus produtos. Por outro lado, e aqui aprender com os erros dos outros deixa a experiência ainda mais completa, a forma como os fundadores da LuLaRoe constituíram suas lideranças dentro da empresa soa patético - que transformou uma cultura que parecia ser bastante saudável em uma postura tão tóxica, onde suas práticas lembravam (e muito) algumas seitas abusivas que já vimos em outros documentários como "The Vow", por exemplo.

Impressiona o fato de que DeAnne e Mark parecem não entender as consequências de suas péssimas atitudes como empresários - a não ser que eles sejam atores incríveis, parece que eles realmente acreditam que convidar as próprias clientes como vendedoras oficiais da marca, oferecendo comissões apenas quando outras mulheres são recrutadas por elas, para aí sim vender LuLaRoe, com custo fixo de aquisição de produto garantido; não seja uma pirâmide!

"As Faces da Marca" é muito feliz em discutir os limites éticos de um negócio de família que deu certo muito rápido. A linha tênue entre uma cultura corporativa marcada pela informalidade e um ambiente de trabalho abusivo pode ser até sutil, mas em escala acaba destruindo algo que tinha, de fato, muito potencial. O problema é que o preço foi caro, principalmente para aquele lado da corda mais fraco, que enxergavam na LuLaRoe uma oportunidade de mudar de vida, de ascensão social, mas que na verdade não passava de uma grande fantasia (para não dizer "furada").

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Bad Boys e Bilionários: Índia

Bad Boys e Bilionários: Índia

No esporte existe uma máxima que diz: "chegar ao topo pode até ser fácil, se manter lá que é o complicado" - e me parece que nos negócios não é muito diferente, pois interferências bastante particulares começam a fazer muita diferença. Se você gostou de "Mito e Magnata: John Delorean", não deixe de assistir "Bad Boys e Bilionários: Índia". Essa série de três episódios da Netflix mostra de uma forma brutal como o ser humano pautado pela ganância e pelo ego, é capaz de transformar oportunidades raras de sucesso nos negócios em cases de corrupção, estelionato, desvio de dinheiro e muitos outros crimes que eu nem tenho vocabulário para listar.

Em "A Bad Boy Billionaires"(no original) conhecemos a  história de três magnatas indianos: Vijay Mallya, conhecido como “Rei da Farra”, Nirav Modi e Subrata Roy, que alcançaram sucesso absurdo em seus negócios antes de serem acusados de fraudes financeiras e corrupção que culminou na queda de seus impérios. Confira os teasers originais de cada um deles, na ordem dos episódios da série: 

Vijay Mallya (64), conhecido como o “Rei da Farra”, é o presidente do conselho de administração da United Beverages Group, um conglomerado com atuação nas áreas de bebidas alcoólicas, infraestrutura de aviação, imóveis e fertilizantes. Herdeiro do industrial Vittal Mallya, desde que assumiu a presidência viu o faturamento anual do grupo aumentar em 64%. A cerveja Kingfisher, por exemplo, tem uma participação de mercado superior a 50% na Índia - o que faz da Uniteda maior empresa de bebidas do mundo em volume. Ao assistir o episódio, os mais atentos podem reconhecer Mallya graças a sua equipe de Fórmula 1 - a Force India (patrocinada e depois adquirida pela Sahara de Subrata Roy - personagem do último episódio). Aparentemente um gênio dos negócios, Mallya começou a assistir sua queda ao tomar decisões erradas em sua gestão, principalmente no que diz respeito a Kingfisher Airlines - mas isso o episódio conta em detalhes, inclusive com a participação do filho de Mallya dando depoimentos que transitam entre a total falta de noção da realidade com a recorrente mania de perseguição de que não enxerga fora da bolha.

Já Nirav Deepak Modi (49) é um empresário indiano que está sendo investigado por um caso de fraude de mais de US$ 2 bilhões ao Punjab National Bank (PNB). Modi que já tinha um histórico familiar no mercado de pedras preciosas, surgiu de repente no universo da moda ao criar uma marca forte e respeitada graças a qualidade de seus diamantes e o design inovador de suas peças. Rapidamente ele abriu lojas nos destinos mais badalados do mundo e tinha planos audaciosos para sua empresa quando descobriram que a forma usada para financiar essa expansão não era legal (entre outras jogadas que ele fazia com empresas de fachada para desviar muito dinheiro para o próprio bolso). 

E finalmente Subrata Roy (72), o fundador e presidente da Sahara India Pariwar, um conglomerado indiano com negócios diversificados e interesses de propriedade que incluem até o Plaza Hotel de Nova Iorque, talvez seja o mais mal caráter de todos - se assim pudermos listar com base em impacto na sociedade. A Sahara é um espécie de "pirâmide de investimentos" que prometeu para 30 milhões de indianos de baixa renda e quase nenhuma instrução, um resultado financeiro expressivo em pouco tempo, desde que o dinheiro fosse reinvestido e aportes mensais fosse realizados para manter a operação. Vale lembrar que em 2013, Roy figurou entre as 10 pessoas mais poderosas da Índia - um país com 1.3 bilhões de pessoas.

Embora embrulhe o estômago em muitos momentos, o documentário tem uma dinâmica bastante interessante como entretenimento - ele usa vários materiais de arquivo para ilustrar depoimentos de pessoas que, de alguma forma, estiveram muito próximas de cada um dos personagens. O diretor e roteirista Dylan Mohan Gray (do premiado "Fire in the Blood") foi de fato muito feliz em construir uma linha temporal simples de entender, que exalta as qualidades de cada um dos empreendedores para, na segunda metade, indicar onde e quando as coisas começaram a desandar - inclusive com depoimentos de especialistas em negócios e ex-executivos das empresas.

Olá, é um super estudo de caso! Vale muito a pena!

Antes de finalizar uma curiosidade: Assim que a Netflix lançou o trailer oficial da série, ela precisou remover um dos episódios do projeto - inicialmente seriam 4 e não 3 histórias; graças a uma ação judicial de B Ramalinga Raju, fundador da Satyam Computers. Reparem que no cartaz, é possível localizar esse personagem.

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No esporte existe uma máxima que diz: "chegar ao topo pode até ser fácil, se manter lá que é o complicado" - e me parece que nos negócios não é muito diferente, pois interferências bastante particulares começam a fazer muita diferença. Se você gostou de "Mito e Magnata: John Delorean", não deixe de assistir "Bad Boys e Bilionários: Índia". Essa série de três episódios da Netflix mostra de uma forma brutal como o ser humano pautado pela ganância e pelo ego, é capaz de transformar oportunidades raras de sucesso nos negócios em cases de corrupção, estelionato, desvio de dinheiro e muitos outros crimes que eu nem tenho vocabulário para listar.

Em "A Bad Boy Billionaires"(no original) conhecemos a  história de três magnatas indianos: Vijay Mallya, conhecido como “Rei da Farra”, Nirav Modi e Subrata Roy, que alcançaram sucesso absurdo em seus negócios antes de serem acusados de fraudes financeiras e corrupção que culminou na queda de seus impérios. Confira os teasers originais de cada um deles, na ordem dos episódios da série: 

Vijay Mallya (64), conhecido como o “Rei da Farra”, é o presidente do conselho de administração da United Beverages Group, um conglomerado com atuação nas áreas de bebidas alcoólicas, infraestrutura de aviação, imóveis e fertilizantes. Herdeiro do industrial Vittal Mallya, desde que assumiu a presidência viu o faturamento anual do grupo aumentar em 64%. A cerveja Kingfisher, por exemplo, tem uma participação de mercado superior a 50% na Índia - o que faz da Uniteda maior empresa de bebidas do mundo em volume. Ao assistir o episódio, os mais atentos podem reconhecer Mallya graças a sua equipe de Fórmula 1 - a Force India (patrocinada e depois adquirida pela Sahara de Subrata Roy - personagem do último episódio). Aparentemente um gênio dos negócios, Mallya começou a assistir sua queda ao tomar decisões erradas em sua gestão, principalmente no que diz respeito a Kingfisher Airlines - mas isso o episódio conta em detalhes, inclusive com a participação do filho de Mallya dando depoimentos que transitam entre a total falta de noção da realidade com a recorrente mania de perseguição de que não enxerga fora da bolha.

Já Nirav Deepak Modi (49) é um empresário indiano que está sendo investigado por um caso de fraude de mais de US$ 2 bilhões ao Punjab National Bank (PNB). Modi que já tinha um histórico familiar no mercado de pedras preciosas, surgiu de repente no universo da moda ao criar uma marca forte e respeitada graças a qualidade de seus diamantes e o design inovador de suas peças. Rapidamente ele abriu lojas nos destinos mais badalados do mundo e tinha planos audaciosos para sua empresa quando descobriram que a forma usada para financiar essa expansão não era legal (entre outras jogadas que ele fazia com empresas de fachada para desviar muito dinheiro para o próprio bolso). 

E finalmente Subrata Roy (72), o fundador e presidente da Sahara India Pariwar, um conglomerado indiano com negócios diversificados e interesses de propriedade que incluem até o Plaza Hotel de Nova Iorque, talvez seja o mais mal caráter de todos - se assim pudermos listar com base em impacto na sociedade. A Sahara é um espécie de "pirâmide de investimentos" que prometeu para 30 milhões de indianos de baixa renda e quase nenhuma instrução, um resultado financeiro expressivo em pouco tempo, desde que o dinheiro fosse reinvestido e aportes mensais fosse realizados para manter a operação. Vale lembrar que em 2013, Roy figurou entre as 10 pessoas mais poderosas da Índia - um país com 1.3 bilhões de pessoas.

Embora embrulhe o estômago em muitos momentos, o documentário tem uma dinâmica bastante interessante como entretenimento - ele usa vários materiais de arquivo para ilustrar depoimentos de pessoas que, de alguma forma, estiveram muito próximas de cada um dos personagens. O diretor e roteirista Dylan Mohan Gray (do premiado "Fire in the Blood") foi de fato muito feliz em construir uma linha temporal simples de entender, que exalta as qualidades de cada um dos empreendedores para, na segunda metade, indicar onde e quando as coisas começaram a desandar - inclusive com depoimentos de especialistas em negócios e ex-executivos das empresas.

Olá, é um super estudo de caso! Vale muito a pena!

Antes de finalizar uma curiosidade: Assim que a Netflix lançou o trailer oficial da série, ela precisou remover um dos episódios do projeto - inicialmente seriam 4 e não 3 histórias; graças a uma ação judicial de B Ramalinga Raju, fundador da Satyam Computers. Reparem que no cartaz, é possível localizar esse personagem.

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Educação Americana

"Educação Americana - Fraude e Privilégio" é um docudrama da Netflix do mesmo diretor dos excelentes "Fyre Festival: Fiasco no Caribe" e do "O Desaparecimento de Madeleine McCann". Para quem não sabe, docudrama é aquele tipo de documentário que usa de encenações com atores para construir uma narrativa visual que sente a falta de um bom material de arquivo para ilustrar o texto sobre uma determinada passagem da história.

O filme mostra os detalhes de uma investigação do FBI que desvendou um enorme esquema de suborno que simplesmente desqualificava todos os meios legais que um jovem tinha para ingressar em grandes universidades dos EUA. "Operation Varsity Blues: The College Admissions Scandal" (título original) coloca Rick Singer no centro de uma verdadeira conspiração mafiosa que usava da credibilidade de "Life Planner" do seu idealizador, para criar oportunidades para jovens de famílias muito ricas nos programas esportivos de instituições como Georgetown, Yale, Stanford, entre outras. A grande questão, no entanto, era que esses jovens nunca foram esportistas de verdade e muito menos tinham notas que justificassem uma admissão genuína. Confira o trailer:

O grande problema de "Educação Americana" é justamente o conceito narrativo escolhido para contar essa história impressionante - o docudrama, por si só, não possui o orçamento compatível com os recursos que uma obra dessa magnitude merece. O que eu quero dizer é que as encenações soam falsas, já que os atores são fracos, a produção das cenas são medianas e a direção está completamente fora de sua zona de conforto. Porém, quando o diretor Chris Smith consegue montar as cenas fictícias dentro de um contexto histórico real, usando o audio original das conversas telefônicas e depois mesclando com os depoimentos de personagens que, de alguma forma, participaram daquele universo, tudo funciona muito melhor e acaba ganhando um ritmo bem interessante.

O próprio Rick Singer é um personagem dos mais interessantes, já que consegue unir na mesma pessoa, uma capacidade de comunicação absurda, inteligência acima da média e excelente visão de negócios com um caráter dos mais desprezíveis - o cara além de ser um bandido, ainda é um grande traidor! Quanto ao roteiro, senti que ele talvez tenha derrapado um pouco, pois da forma como é contada a história, faltam algumas explicações de como os esquemas eram construídos em detalhes - só as conversas telefônicas criaram a linha narrativa, mas faltaram elementos que pudessem unir os casos particulares de cada uma das "vítimas" com o esquema como um todo. O próprio modus operandi vai se transformando durante a linha temporal e isso acaba sendo pouco explorado: reparem no personagem que fazia os testes para os alunos incapazes de conseguir a nota exigida pela Universidade - ele entra, sai da história e nem nos relacionamos com ele!

"Educação Americana - Fraude e Privilégio" serve muito como critica ao sistema educacional americano, a sociedade e a hipocrisia do ser humano, e nesse ponto alcançou seu objetivo. O documentário também funciona como um excelente entretenimento, cheio de informações pontuais e relevantes para quem quer ampliar sua visão de mundo.

Enfim, vale o play? Claro que sim!

Assista Agora

"Educação Americana - Fraude e Privilégio" é um docudrama da Netflix do mesmo diretor dos excelentes "Fyre Festival: Fiasco no Caribe" e do "O Desaparecimento de Madeleine McCann". Para quem não sabe, docudrama é aquele tipo de documentário que usa de encenações com atores para construir uma narrativa visual que sente a falta de um bom material de arquivo para ilustrar o texto sobre uma determinada passagem da história.

O filme mostra os detalhes de uma investigação do FBI que desvendou um enorme esquema de suborno que simplesmente desqualificava todos os meios legais que um jovem tinha para ingressar em grandes universidades dos EUA. "Operation Varsity Blues: The College Admissions Scandal" (título original) coloca Rick Singer no centro de uma verdadeira conspiração mafiosa que usava da credibilidade de "Life Planner" do seu idealizador, para criar oportunidades para jovens de famílias muito ricas nos programas esportivos de instituições como Georgetown, Yale, Stanford, entre outras. A grande questão, no entanto, era que esses jovens nunca foram esportistas de verdade e muito menos tinham notas que justificassem uma admissão genuína. Confira o trailer:

O grande problema de "Educação Americana" é justamente o conceito narrativo escolhido para contar essa história impressionante - o docudrama, por si só, não possui o orçamento compatível com os recursos que uma obra dessa magnitude merece. O que eu quero dizer é que as encenações soam falsas, já que os atores são fracos, a produção das cenas são medianas e a direção está completamente fora de sua zona de conforto. Porém, quando o diretor Chris Smith consegue montar as cenas fictícias dentro de um contexto histórico real, usando o audio original das conversas telefônicas e depois mesclando com os depoimentos de personagens que, de alguma forma, participaram daquele universo, tudo funciona muito melhor e acaba ganhando um ritmo bem interessante.

O próprio Rick Singer é um personagem dos mais interessantes, já que consegue unir na mesma pessoa, uma capacidade de comunicação absurda, inteligência acima da média e excelente visão de negócios com um caráter dos mais desprezíveis - o cara além de ser um bandido, ainda é um grande traidor! Quanto ao roteiro, senti que ele talvez tenha derrapado um pouco, pois da forma como é contada a história, faltam algumas explicações de como os esquemas eram construídos em detalhes - só as conversas telefônicas criaram a linha narrativa, mas faltaram elementos que pudessem unir os casos particulares de cada uma das "vítimas" com o esquema como um todo. O próprio modus operandi vai se transformando durante a linha temporal e isso acaba sendo pouco explorado: reparem no personagem que fazia os testes para os alunos incapazes de conseguir a nota exigida pela Universidade - ele entra, sai da história e nem nos relacionamos com ele!

"Educação Americana - Fraude e Privilégio" serve muito como critica ao sistema educacional americano, a sociedade e a hipocrisia do ser humano, e nesse ponto alcançou seu objetivo. O documentário também funciona como um excelente entretenimento, cheio de informações pontuais e relevantes para quem quer ampliar sua visão de mundo.

Enfim, vale o play? Claro que sim!

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Fyre Festival

"Fyre Festival" é o Instagram da vida real!!!! Só por essa frase eu te digo: "não deixe de assistir esse documentário da Netflix!!!!"

Agora vamos lá: em meados de 2017, o empresário Billy McFarland teve a brilhante idéia de fazer um Festival de Música em uma ilha particular, que ele supostamente havia comprado nas Bahamas, para promover um app que ele também tinha acabado de lançar. Para isso, Billy se associou ao rapper Ja Rule e começaram, juntos, a organizar o que viria a ser o maior fiasco da história dos Festivais. O projeto era grandioso, caro, difícil de realizar, mas inicialmente pareceu verdadeiro e incrivelmente tentador - alguns investidores e milhares de pessoas que compraram o ingresso caríssimo que o digam!!! Bom, como dizem por aí: o papel aceita tudo!!! Era óbvio que seria impossível transformar aquela idéia megalomaníaca em realidade em tão pouco tempo (e sem uma equipe experiente por trás)! Em todas as reuniões eles estavam sempre com uma cerveja na mão, o clima já era de festa, quase irresponsável... e todo mundo se envolvia com essa atmosfera!!! Surreal demais!!!

Feita essa introdução, já se pode imaginar o que aconteceu, certo? Errado!!! É muito pior... e é justamente por isso que o documentário é imperdível, pois a maneira como o diretor Chris Smith (de “Jim & Andy”) vai desvendando os bastidores do evento faz surgir uma quantidade tão grande de sensações em quem assiste que não tem como você não se envolver com a história ou com aquela situação constrangedora. Chega ser inacreditável!!! Outro ponto alto é a construção do "personagem McFarland" - ela é tão precisa que em um determinado momento do filme você acaba torcendo para ele!!! Juro!!! Meu amigo, o cara é um poço de carisma, de auto-confiança e é aí que a comparação com o Instagram faz todo sentido, porque vamos descobrindo que aquilo que vemos é tudo fachada!!!!! E pode ficar tranquilo, isso não é spoiler e não vai atrapalhar em nada sua experiência, porque o objetivo do filme é justamente esse: entender em qual momento que as máscaras começam a cair e quando um projeto legítimo se transforma em uma fralde!!! Lembram da história do cara que se passou pelo dono da Gol e que foi até entrevistado pelo Amaury Jr. no camarote do carnaval de salvador alguns anos atrás? Pois é, Billy McFarland coloca esse cara no chinelo em proporções inimagináveis!!!

"Fyre Festival" é um documentário que deveria ser obrigatório para quem trabalha com eventos, mas também um material de reflexão para todos nós, pois o que acontece ali é só o reflexo dessa "sociedade de faz de conta" que vivemos hoje em dia, onde a superficialidade de uma "imagem" (desde que seja bonita ou ostensiva, claro) vale muito mais do que a verdade em si - e olha que essa critica não é minha, é só uma das muitas discussões levantadas por pessoas que estiveram envolvidas de alguma forma nesse evento ou com o próprio Billy. 

Pode apertar o play tranquilamente, mas se prepare para o turbilhão de emoções que o documentário vai te propor...

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"Fyre Festival" é o Instagram da vida real!!!! Só por essa frase eu te digo: "não deixe de assistir esse documentário da Netflix!!!!"

Agora vamos lá: em meados de 2017, o empresário Billy McFarland teve a brilhante idéia de fazer um Festival de Música em uma ilha particular, que ele supostamente havia comprado nas Bahamas, para promover um app que ele também tinha acabado de lançar. Para isso, Billy se associou ao rapper Ja Rule e começaram, juntos, a organizar o que viria a ser o maior fiasco da história dos Festivais. O projeto era grandioso, caro, difícil de realizar, mas inicialmente pareceu verdadeiro e incrivelmente tentador - alguns investidores e milhares de pessoas que compraram o ingresso caríssimo que o digam!!! Bom, como dizem por aí: o papel aceita tudo!!! Era óbvio que seria impossível transformar aquela idéia megalomaníaca em realidade em tão pouco tempo (e sem uma equipe experiente por trás)! Em todas as reuniões eles estavam sempre com uma cerveja na mão, o clima já era de festa, quase irresponsável... e todo mundo se envolvia com essa atmosfera!!! Surreal demais!!!

Feita essa introdução, já se pode imaginar o que aconteceu, certo? Errado!!! É muito pior... e é justamente por isso que o documentário é imperdível, pois a maneira como o diretor Chris Smith (de “Jim & Andy”) vai desvendando os bastidores do evento faz surgir uma quantidade tão grande de sensações em quem assiste que não tem como você não se envolver com a história ou com aquela situação constrangedora. Chega ser inacreditável!!! Outro ponto alto é a construção do "personagem McFarland" - ela é tão precisa que em um determinado momento do filme você acaba torcendo para ele!!! Juro!!! Meu amigo, o cara é um poço de carisma, de auto-confiança e é aí que a comparação com o Instagram faz todo sentido, porque vamos descobrindo que aquilo que vemos é tudo fachada!!!!! E pode ficar tranquilo, isso não é spoiler e não vai atrapalhar em nada sua experiência, porque o objetivo do filme é justamente esse: entender em qual momento que as máscaras começam a cair e quando um projeto legítimo se transforma em uma fralde!!! Lembram da história do cara que se passou pelo dono da Gol e que foi até entrevistado pelo Amaury Jr. no camarote do carnaval de salvador alguns anos atrás? Pois é, Billy McFarland coloca esse cara no chinelo em proporções inimagináveis!!!

"Fyre Festival" é um documentário que deveria ser obrigatório para quem trabalha com eventos, mas também um material de reflexão para todos nós, pois o que acontece ali é só o reflexo dessa "sociedade de faz de conta" que vivemos hoje em dia, onde a superficialidade de uma "imagem" (desde que seja bonita ou ostensiva, claro) vale muito mais do que a verdade em si - e olha que essa critica não é minha, é só uma das muitas discussões levantadas por pessoas que estiveram envolvidas de alguma forma nesse evento ou com o próprio Billy. 

Pode apertar o play tranquilamente, mas se prepare para o turbilhão de emoções que o documentário vai te propor...

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Grande demais para Quebrar

"Grande demais para Quebrar" é um filmaço, mas não é nada fácil - embora tenha alguns diálogos bastante didáticos como o que define a crise de 2008 enquanto a equipe do governo se preparava para emitir um comunicado para a imprensa no inicio do terceiro ato. É preciso que se diga que o filme, uma ficção baseada em fatos reais, não é, nem de longe, uma narrativa fluida e auto-explicativa para quem conhece pouco do assunto ou da dinâmica econômica da época. O vencedor do Oscar de 2011, "Trabalho Interno" é quase um pré-requisito para assistir "Grande demais para Quebrar". Sim, o assunto é exatamente o mesmo, mas dessa vez acompanhamos a bomba explodindo pelos olhos de Henry Paulson, secretário do Tesouro dos Estados Unidos e na época o grande responsável pela saúde da economia do governo Bush.

O mercado financeiro era, há poucos anos, um paraíso: salários multimilionários, bônus exagerados e lucros astronômicos. Tudo começou a ruir em 2008. O filme retrata a crise econômica que até hoje afeta a economia dos EUA, tomando como tema central os esforços do então secretário do tesouro americano, Henry Paulson (William Hurt), para controlar os danos a partir de conversas com Richard Fuld, Ben Bernanke, Warren Buffett e Tim Geithner, e assim tentar salvar o Lehman Brothers. Durante as negociações, buscava-se uma solução privada envolvendo banqueiros de investimento e membros do Congresso para preservar a empresa sediada em Nova York, mas, como se sabe, o problema era muito mais complexo. Confira o trailer, em inglês:

"Grande demais para Quebrar" foi indicado para 3 Globos de Ouro em 2012: Melhor Filme para TV, Melhor Ator (William Hurt) e Melhor ator Coadjuvante (Paul Giamatti), sem contar a indicação para, acreditem, 11 Emmys em 2011 - e provavelmente você não assistiu a essa obra de arte!

O que salta aos olhos logo de cara, sem a menor dúvida, é o elenco: William Hurt, Paul Giamatti, James Woods, Cynthia Nixon, Billy Crudup - só para citar alguns! A direção de Curtis Hanson de "L.A. Confidential", a fotografia de Kramer Morgenthau (Creed II) e o roteiro de Peter Gould (Breaking Bad) terminam de compor esse perfeito Dream Team! Mas vamos aos fatos: o maior mérito do filme é o de não demonizar seus personagens, deixando o julgamento exclusivamente para quem assiste. É possível perceber em algumas cenas, todo o mindset daquele grupo de executivos e membros do governo, mas será preciso alguma sensibilidade para separar os sentimentos mais íntimos em um momento conturbado da economia com sua postura maniqueísta como tomador de decisões no ambiente corporativo - e isso humaniza os personagens de tal forma, que temos a exata impressão que não se trata de uma ficção (o prólogo do filme e as cenas de arquivo, normalmente da imprensa falada, inseridas na narrativa, ajudam muito nessa percepção).

Como todos os filmes e documentários sobre o tema, "Grande demais para Quebrar" é um retrato da hipocrisia corporativa e de como o descaso do mercado financeiro, historicamente tão em evidência, podem gerar consequências catastróficas. O diferencial está na forma como o filme mostra, por dentro e de maneira inteligente, as tentativas e equívocos do governo durante o caos financeiro – lidando com egos de grandes executivos que só pensaram em si, mesmo assistindo de camarote suas empresas afundarem após conscientes vendas de derivativos e títulos podres.

Vale muito o seu play!

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"Grande demais para Quebrar" é um filmaço, mas não é nada fácil - embora tenha alguns diálogos bastante didáticos como o que define a crise de 2008 enquanto a equipe do governo se preparava para emitir um comunicado para a imprensa no inicio do terceiro ato. É preciso que se diga que o filme, uma ficção baseada em fatos reais, não é, nem de longe, uma narrativa fluida e auto-explicativa para quem conhece pouco do assunto ou da dinâmica econômica da época. O vencedor do Oscar de 2011, "Trabalho Interno" é quase um pré-requisito para assistir "Grande demais para Quebrar". Sim, o assunto é exatamente o mesmo, mas dessa vez acompanhamos a bomba explodindo pelos olhos de Henry Paulson, secretário do Tesouro dos Estados Unidos e na época o grande responsável pela saúde da economia do governo Bush.

O mercado financeiro era, há poucos anos, um paraíso: salários multimilionários, bônus exagerados e lucros astronômicos. Tudo começou a ruir em 2008. O filme retrata a crise econômica que até hoje afeta a economia dos EUA, tomando como tema central os esforços do então secretário do tesouro americano, Henry Paulson (William Hurt), para controlar os danos a partir de conversas com Richard Fuld, Ben Bernanke, Warren Buffett e Tim Geithner, e assim tentar salvar o Lehman Brothers. Durante as negociações, buscava-se uma solução privada envolvendo banqueiros de investimento e membros do Congresso para preservar a empresa sediada em Nova York, mas, como se sabe, o problema era muito mais complexo. Confira o trailer, em inglês:

"Grande demais para Quebrar" foi indicado para 3 Globos de Ouro em 2012: Melhor Filme para TV, Melhor Ator (William Hurt) e Melhor ator Coadjuvante (Paul Giamatti), sem contar a indicação para, acreditem, 11 Emmys em 2011 - e provavelmente você não assistiu a essa obra de arte!

O que salta aos olhos logo de cara, sem a menor dúvida, é o elenco: William Hurt, Paul Giamatti, James Woods, Cynthia Nixon, Billy Crudup - só para citar alguns! A direção de Curtis Hanson de "L.A. Confidential", a fotografia de Kramer Morgenthau (Creed II) e o roteiro de Peter Gould (Breaking Bad) terminam de compor esse perfeito Dream Team! Mas vamos aos fatos: o maior mérito do filme é o de não demonizar seus personagens, deixando o julgamento exclusivamente para quem assiste. É possível perceber em algumas cenas, todo o mindset daquele grupo de executivos e membros do governo, mas será preciso alguma sensibilidade para separar os sentimentos mais íntimos em um momento conturbado da economia com sua postura maniqueísta como tomador de decisões no ambiente corporativo - e isso humaniza os personagens de tal forma, que temos a exata impressão que não se trata de uma ficção (o prólogo do filme e as cenas de arquivo, normalmente da imprensa falada, inseridas na narrativa, ajudam muito nessa percepção).

Como todos os filmes e documentários sobre o tema, "Grande demais para Quebrar" é um retrato da hipocrisia corporativa e de como o descaso do mercado financeiro, historicamente tão em evidência, podem gerar consequências catastróficas. O diferencial está na forma como o filme mostra, por dentro e de maneira inteligente, as tentativas e equívocos do governo durante o caos financeiro – lidando com egos de grandes executivos que só pensaram em si, mesmo assistindo de camarote suas empresas afundarem após conscientes vendas de derivativos e títulos podres.

Vale muito o seu play!

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Inventando Anna

O grande segredo para você não se decepcionar ao assistir "Inventando Anna" está no alinhamento de expectativas. Veja, a minissérie da Netflix é muito boa, mas não tem uma narrativa realista, tão comum em projetos que usam os elementos documentais de "true crime" para simular a veracidade na ficção. Não, "Inventando Anna" não se propõe a ser um mergulho profundo na mente da protagonista (mesmo sugerindo), a minissérie é dinâmica, divertida, mas entretenimento puro - bem no estilo da sua criadora, Shonda Rhimes (de "Grey’s Anatomy", "How to Get Away with Murder" e "Scandal").

A minissérie acompanha a jornalista Vivian (Anna Chlumsky) enquanto ela investiga a glamourosa e misteriosa Anna Delvey (Julia Garner), uma jovem socialite que tem uma vida de luxos e festas e que se apresenta como uma herdeira alemã milionária, mas que na verdade utiliza dessa fachada para dar inúmeros golpes em bancos e jovens ricos. Depois que os golpes de Anna são expostos e ela acaba sendo processada e presa, Vivian decide contar a história de como Anna conseguiu se tornar uma das maiores figuras da elite burguesa de Nova Iorque mesmo vindo de origem pobre. Confira o trailer:

Você não vai precisar de mais que dois episódios para perceber que "Inventando Anna" poderia, tranquilamente, ser um spin-off de "Gossip Girl" - e não falo isso com demérito, pois a dinâmica imposta por Rhimes, embora nada original, funciona muito bem e diverte. Existe um mood mais jovem na narrativa, sempre pontuada com uma trilha sonora moderninha e interpretações mais caricatas. Eu sei que pode parecer que estou criticando a minissérie, mas não é o caso, porém o estilo escolhido para contar uma história real como essa, pode não agradar quem procura por algo, digamos, mais sério.

Com uma aplicação gráfica criativa, recebemos um aviso no inicio de cada episódio: Esta história é completamente verdadeira. Exceto pelas partes que foram totalmente inventadas”. Baseada em uma publicação da jornalistaJessica Pressler da revista "New York", "Inventando Anna" transita muito bem entre o "fato" e o "conto" em um dos temas mais interessantes na construção de uma narrativa envolvente e que fomenta muita curiosidade para audiência: como o anti-herói conseguiu enganar tanta gente e viver de uma forma que "eu" gostaria de viver, mas dificilmente vou conseguir trabalhando honestamente (por favor, entendam a ironia da afirmação). A maneira como essa premissa nos provoca, reflete exatamente nosso sentimento ao assistir a minissérie: nunca sabemos para quem torcer, quem está certo, errado, o que faríamos em determinada situação - e é esse o charme da experiência, basta reparar no sucesso que "O Golpista do Tinder" fez recentemente.

Muito bem produzida e com Julia Garner (de "Ozark") brilhando, "Inventando Anna" é um retrato de uma sociedade instagramável - vimos isso em "Fake Famous" e em "As Faces da Marca". Mas as referências não param por aí: picaretas que lesaram muita gente também são citados durante os episódios dentro de um contexto que deixa claro como Anna tinha o dom do convencimento. Ela era uma mistura de Elizabeth Holmes (do ótimo e imperdível "A Inventora: À Procura de Sangue no Vale do Silício") com Billy McFarland (criador do "Fyre Festival") - esse último, inclusive, era amigo de Anna e é muito citado na história.

O fato é que "Inventando Anna" é fácil de assistir, diverte de verdade e não cansa. Mesmo com uma falta de unidade na estrutura narrativa, você sempre vai encontrar um artificio visual para renovar sua atenção, seja uma tela dividida, um freeze frame,um corte rápido que te leva para um flashback, uma quebra de linha temporal entre passado e presente na mesma cena. São 9 episódios, mas poderiam ser 7. Os dois últimos focam no julgamento, mas poderiam ser resolvidos com algumas legendas na tela preta, mas como isso não seria um "Shonda Rhimes" acabamos embarcando na proposta.

Antes de finalizar, um detalhe importante: boas atrizes são aquelas que aparecem nos mínimos movimentos e na introspecção de uma ação carregada de sentimento - reparem na cena em que Anna, sem dinheiro algum e sozinha, está no metro e encontra um saco com fast food.Veja como Julia Garner se relaciona com aquela situação e com que prazer que ela come a batata frita - tudo isso sem dizer uma só palavra! Lindo!

Se você chegou até aqui, pode dar o play, você vai se divertir!

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O grande segredo para você não se decepcionar ao assistir "Inventando Anna" está no alinhamento de expectativas. Veja, a minissérie da Netflix é muito boa, mas não tem uma narrativa realista, tão comum em projetos que usam os elementos documentais de "true crime" para simular a veracidade na ficção. Não, "Inventando Anna" não se propõe a ser um mergulho profundo na mente da protagonista (mesmo sugerindo), a minissérie é dinâmica, divertida, mas entretenimento puro - bem no estilo da sua criadora, Shonda Rhimes (de "Grey’s Anatomy", "How to Get Away with Murder" e "Scandal").

A minissérie acompanha a jornalista Vivian (Anna Chlumsky) enquanto ela investiga a glamourosa e misteriosa Anna Delvey (Julia Garner), uma jovem socialite que tem uma vida de luxos e festas e que se apresenta como uma herdeira alemã milionária, mas que na verdade utiliza dessa fachada para dar inúmeros golpes em bancos e jovens ricos. Depois que os golpes de Anna são expostos e ela acaba sendo processada e presa, Vivian decide contar a história de como Anna conseguiu se tornar uma das maiores figuras da elite burguesa de Nova Iorque mesmo vindo de origem pobre. Confira o trailer:

Você não vai precisar de mais que dois episódios para perceber que "Inventando Anna" poderia, tranquilamente, ser um spin-off de "Gossip Girl" - e não falo isso com demérito, pois a dinâmica imposta por Rhimes, embora nada original, funciona muito bem e diverte. Existe um mood mais jovem na narrativa, sempre pontuada com uma trilha sonora moderninha e interpretações mais caricatas. Eu sei que pode parecer que estou criticando a minissérie, mas não é o caso, porém o estilo escolhido para contar uma história real como essa, pode não agradar quem procura por algo, digamos, mais sério.

Com uma aplicação gráfica criativa, recebemos um aviso no inicio de cada episódio: Esta história é completamente verdadeira. Exceto pelas partes que foram totalmente inventadas”. Baseada em uma publicação da jornalistaJessica Pressler da revista "New York", "Inventando Anna" transita muito bem entre o "fato" e o "conto" em um dos temas mais interessantes na construção de uma narrativa envolvente e que fomenta muita curiosidade para audiência: como o anti-herói conseguiu enganar tanta gente e viver de uma forma que "eu" gostaria de viver, mas dificilmente vou conseguir trabalhando honestamente (por favor, entendam a ironia da afirmação). A maneira como essa premissa nos provoca, reflete exatamente nosso sentimento ao assistir a minissérie: nunca sabemos para quem torcer, quem está certo, errado, o que faríamos em determinada situação - e é esse o charme da experiência, basta reparar no sucesso que "O Golpista do Tinder" fez recentemente.

Muito bem produzida e com Julia Garner (de "Ozark") brilhando, "Inventando Anna" é um retrato de uma sociedade instagramável - vimos isso em "Fake Famous" e em "As Faces da Marca". Mas as referências não param por aí: picaretas que lesaram muita gente também são citados durante os episódios dentro de um contexto que deixa claro como Anna tinha o dom do convencimento. Ela era uma mistura de Elizabeth Holmes (do ótimo e imperdível "A Inventora: À Procura de Sangue no Vale do Silício") com Billy McFarland (criador do "Fyre Festival") - esse último, inclusive, era amigo de Anna e é muito citado na história.

O fato é que "Inventando Anna" é fácil de assistir, diverte de verdade e não cansa. Mesmo com uma falta de unidade na estrutura narrativa, você sempre vai encontrar um artificio visual para renovar sua atenção, seja uma tela dividida, um freeze frame,um corte rápido que te leva para um flashback, uma quebra de linha temporal entre passado e presente na mesma cena. São 9 episódios, mas poderiam ser 7. Os dois últimos focam no julgamento, mas poderiam ser resolvidos com algumas legendas na tela preta, mas como isso não seria um "Shonda Rhimes" acabamos embarcando na proposta.

Antes de finalizar, um detalhe importante: boas atrizes são aquelas que aparecem nos mínimos movimentos e na introspecção de uma ação carregada de sentimento - reparem na cena em que Anna, sem dinheiro algum e sozinha, está no metro e encontra um saco com fast food.Veja como Julia Garner se relaciona com aquela situação e com que prazer que ela come a batata frita - tudo isso sem dizer uma só palavra! Lindo!

Se você chegou até aqui, pode dar o play, você vai se divertir!

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Má Educação

"Má Educação" expõe o sistema educacional americano pelos olhos de quem é corrompido por ele - e sim, a ganância do ser humano é mais uma vez protagonista, com a eterna desculpa de que os "fins" justificam os "meios". Se pensarmos que a história do maior roubo de escolas públicas da história dos Estados Unidos foi revelado por uma adolescente que fazia um artigo para o jornal da sua escola, é de se discutir que um esquema fraudulento que desviou cerca de US$ 11 milhões não passou de uma operação quase amadora de quem se achava intocável - e é aí que o filme se transforma em um estudo de personagem dos mais complexos.

Essa  produção original da HBO conta a história real de Frank Tassone (Hugh Jackman), um profissional dedicado e apaixonado pela sua posição de superintendente do distrito escolar de Roslyn. Querido e respeitado por todos, Tassone fez com que sua instituição de ensino chegasse ao Top 5 do ranking de melhores escolas públicas do país - um feito impressionante pela pouca representatividade política de Long Island no cenário estudantil. Pois bem, esse bom desempenho trouxe consequências positivas não apenas à vida acadêmica dos jovens, mas também ao mercado imobiliário, que por muito tempo conseguiu surfar nessa projeção e assim cobrar preços altos pelas casas da região. Um dia, ao ser entrevistado pela adolescente Rachel (Geraldine Viswanathan) para o jornal do colégio, ele a incentiva a sempre inserir sua assinatura em qualquer matéria que faça, por menor que seja. Inspirada pela conversa, ela resolve investigar uma custosa empreitada que está prestes a acontecer, o projeto Skywalk, e acaba descobrindo uma série de fraudes na contabilidade da escola feitas pelo próprio Frank. Confira o trailer:

"Má Educação" é tão surpreende quanto óbvia - ao optar em manter o foco em uma figura, digamos, tão particular como Tassone, a narrativa acaba deixando um pouco de lado o elemento "investigação", mas ao mesmo tempo ganhamos uma profundidade tão bacana no processo de desconstrução do protagonista que só fortalece a experiência de acompanhar tantos segredos sendo revelados e que, de fato, surpreendem todos aqueles que transitavam por sua vida pessoal e profissional. Embora essa escolha pareça ousada, vale destacar que o roteirista Mike Makowsky (I Think We’re Alone Now) foi aluno de Tassone nessa época e com isso foi capaz de pontuar exatamente o sentimento de toda aquela comunidade e a importância das descobertas de Rachel.

A direção de Cory Finley (do excelente "Puro sangue") impõe uma narrativa bem séria, com leves toques de "overacting" para descolar algumas características dos personagens que se distanciavam de toda comunidade por algum tipo de vaidade - seja a estética de Tassone ou a social de Pam (Allison Janney), sua assistente direta. Finley aproveita do ótimo roteiro de Makowsky para nos fazer gostar do protagonista, mesmo com todas as falhas de caráter que ele possui - Hugh Jackman, aliás, deveria ter ganhado o Emmy de melhor ator pelo papel - reparem na beleza que é a sequência final, da montagem à perfomance sincera de Jackman.

Baseado no artigo da New York Magazine, "The Bad Superintendent", "Má Educação" é um filme excelente - daqueles que nos perguntamos a razão de não termos assistido antes. Sem dúvida o Emmy 2020 na categoria "Melhor filme feito para TV" ficou em boas mãos! Vale muito o seu play!

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"Má Educação" expõe o sistema educacional americano pelos olhos de quem é corrompido por ele - e sim, a ganância do ser humano é mais uma vez protagonista, com a eterna desculpa de que os "fins" justificam os "meios". Se pensarmos que a história do maior roubo de escolas públicas da história dos Estados Unidos foi revelado por uma adolescente que fazia um artigo para o jornal da sua escola, é de se discutir que um esquema fraudulento que desviou cerca de US$ 11 milhões não passou de uma operação quase amadora de quem se achava intocável - e é aí que o filme se transforma em um estudo de personagem dos mais complexos.

Essa  produção original da HBO conta a história real de Frank Tassone (Hugh Jackman), um profissional dedicado e apaixonado pela sua posição de superintendente do distrito escolar de Roslyn. Querido e respeitado por todos, Tassone fez com que sua instituição de ensino chegasse ao Top 5 do ranking de melhores escolas públicas do país - um feito impressionante pela pouca representatividade política de Long Island no cenário estudantil. Pois bem, esse bom desempenho trouxe consequências positivas não apenas à vida acadêmica dos jovens, mas também ao mercado imobiliário, que por muito tempo conseguiu surfar nessa projeção e assim cobrar preços altos pelas casas da região. Um dia, ao ser entrevistado pela adolescente Rachel (Geraldine Viswanathan) para o jornal do colégio, ele a incentiva a sempre inserir sua assinatura em qualquer matéria que faça, por menor que seja. Inspirada pela conversa, ela resolve investigar uma custosa empreitada que está prestes a acontecer, o projeto Skywalk, e acaba descobrindo uma série de fraudes na contabilidade da escola feitas pelo próprio Frank. Confira o trailer:

"Má Educação" é tão surpreende quanto óbvia - ao optar em manter o foco em uma figura, digamos, tão particular como Tassone, a narrativa acaba deixando um pouco de lado o elemento "investigação", mas ao mesmo tempo ganhamos uma profundidade tão bacana no processo de desconstrução do protagonista que só fortalece a experiência de acompanhar tantos segredos sendo revelados e que, de fato, surpreendem todos aqueles que transitavam por sua vida pessoal e profissional. Embora essa escolha pareça ousada, vale destacar que o roteirista Mike Makowsky (I Think We’re Alone Now) foi aluno de Tassone nessa época e com isso foi capaz de pontuar exatamente o sentimento de toda aquela comunidade e a importância das descobertas de Rachel.

A direção de Cory Finley (do excelente "Puro sangue") impõe uma narrativa bem séria, com leves toques de "overacting" para descolar algumas características dos personagens que se distanciavam de toda comunidade por algum tipo de vaidade - seja a estética de Tassone ou a social de Pam (Allison Janney), sua assistente direta. Finley aproveita do ótimo roteiro de Makowsky para nos fazer gostar do protagonista, mesmo com todas as falhas de caráter que ele possui - Hugh Jackman, aliás, deveria ter ganhado o Emmy de melhor ator pelo papel - reparem na beleza que é a sequência final, da montagem à perfomance sincera de Jackman.

Baseado no artigo da New York Magazine, "The Bad Superintendent", "Má Educação" é um filme excelente - daqueles que nos perguntamos a razão de não termos assistido antes. Sem dúvida o Emmy 2020 na categoria "Melhor filme feito para TV" ficou em boas mãos! Vale muito o seu play!

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Margin Call

"Margin Call" (ou "O dia antes do fim") do diretor e roteirista J.C. Chandor é excelente! O Roteiro foi indicado ao Oscar de 2012 e conta a história, livremente inspirada no Lehman Brothers, da noite que antecedeu a crise de 2008. E para quem gostou de "A Grande Virada" do John Wells, esse filme é simplesmente imperdível.

Peter Sullivan (Zachary Quinto), Seth Bregman (Penn Badgley) e Will Emerson (Paul Bettany) trabalham no setor de recursos humanos de uma empresa, sendo responsáveis pelos trâmites burocráticos da demissão dos funcionários. Um dos demitidos é Eric Dale (Stanley Tucci), que entrega a Peter um pendrive contendo um projeto que estava trabalhando. É quando Peter descobre que ele excede os níveis históricos de volatilidade com os quais uma instituição financeira é capaz de trabalhar com certa segurança. A situação é tão grave que faz com que os executivos que comandam o banco de investimentos se reúnam durante a madrugada para tentar encontrar uma solução o mais rápido possível. Confira o trailer: 

A história é difícil e o roteiro não ajuda muito, já que trata a rotina do mercado financeiro como se fosse algo simples, sem muitas explicações. Porém, de uma forma muito inteligente, "Margin Call" vai além das palavras e do "bla-bla-bla" corporativo, ele fala de caráter X dinheiro X sucesso profissional como poucas vezes vemos em um filme - ainda mais ao se tratar de um escândalo de créditos imobiliários tão recente e que ajudou a nos levar para uma das maiores recessões da história.

Grande filme! Vale o play com muita tranquilidade!!!!

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"Margin Call" (ou "O dia antes do fim") do diretor e roteirista J.C. Chandor é excelente! O Roteiro foi indicado ao Oscar de 2012 e conta a história, livremente inspirada no Lehman Brothers, da noite que antecedeu a crise de 2008. E para quem gostou de "A Grande Virada" do John Wells, esse filme é simplesmente imperdível.

Peter Sullivan (Zachary Quinto), Seth Bregman (Penn Badgley) e Will Emerson (Paul Bettany) trabalham no setor de recursos humanos de uma empresa, sendo responsáveis pelos trâmites burocráticos da demissão dos funcionários. Um dos demitidos é Eric Dale (Stanley Tucci), que entrega a Peter um pendrive contendo um projeto que estava trabalhando. É quando Peter descobre que ele excede os níveis históricos de volatilidade com os quais uma instituição financeira é capaz de trabalhar com certa segurança. A situação é tão grave que faz com que os executivos que comandam o banco de investimentos se reúnam durante a madrugada para tentar encontrar uma solução o mais rápido possível. Confira o trailer: 

A história é difícil e o roteiro não ajuda muito, já que trata a rotina do mercado financeiro como se fosse algo simples, sem muitas explicações. Porém, de uma forma muito inteligente, "Margin Call" vai além das palavras e do "bla-bla-bla" corporativo, ele fala de caráter X dinheiro X sucesso profissional como poucas vezes vemos em um filme - ainda mais ao se tratar de um escândalo de créditos imobiliários tão recente e que ajudou a nos levar para uma das maiores recessões da história.

Grande filme! Vale o play com muita tranquilidade!!!!

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Mercado de Capitais

"Mercado de Capitais" já sai perdendo logo de cara por não traduzir o título original (Equity) de uma forma mais atraente e criativa. É claro que o fato de não atrair o assinante, não desmerece o filme - ele é bom como entretenimento. É possível encontrar vários momentos interessantes com uma forte protagonista feminina (Anna Gunn de "Breaking Bad"), mas que precisa se esforçar para aliviar um roteiro cheio de clichês e esteriótipos - esse me pareceu o único problema do filme.

"Mercado de Capitais" tem um argumento interessante e um cenário relevante hoje em dia, pois conta a história de Naomi Bishop (Gunn), dona de um alto cargo em um banco de investimentos americano, especializada em IPOs. A caminho de uma esperada promoção, ela precisa lidar com um erro de avaliação em seu último processo de abertura de capital que custou milhões de dólares para sua empresa e um pesado rótulo na sua vida profissional. Confira o trailer:

Vale dizer que o filme mostra um lado menos romântico do mercado de investimentos e isso tem o seu valor, mas a falta de consistência do roteiro, se aprofundar um pouco mais, melhorar alguns diálogos completamente fora de propósito e equilibrar uma necessidade enorme de levantar uma bandeira feminista, tudo isso prejudica muito a estrutura narrativa, mas ainda assim não destrói o filme. Talvez o ponto alto seja o final do segundo ato e o terceiro ato inteiro -  isso nos trás uma sensação agradável ao terminar o filme, o que preocupa é se o assinante terá paciência de chegar até lá! 

"Mercado de Capitais" deixa claro que pretende focar no empoderamento feminino em um ambiente dominado por homens. Até aí nenhum problema, porém a forma como essa dinâmica é apresentada soa tão forçado que mais nos afastamos, do que entendemos o valor da proposta. Mas é preciso dizer também, que o roteiro foi muito feliz em não poupar a protagonista de todas suas falhas pessoais e profissionais e de não subverter o óbvio, porém o fato de se apoiar em tantos clichês, acabamos nos interessando muito mais pela fantasia que é construída do que pela realidade dos fatos em si, ou seja, nos divertimos com o filme, mas não nos importamos com a protagonista como deveríamos. 

Grande parte do orçamento do filme foi financiado por mulheres que trabalham ou já trabalharam no mercado financeiro dos EUA. Elas também ajudaram as realizadoras contando suas histórias e as dificuldades de se trabalhar em uma indústria dominada por homens egocêntricos, ambiciosos e poderosos. O filme realmente mostra o potencial que essas histórias tem, porém quando se quer tudo, acaba sem nada - o roteiro da novata Amy Fox é cheio de furos e a direção da Meera Menon vai para o mesmo caminho: se aprofundar em situações que não levam a protagonista a lugar nenhum. De fato "Mercado de Capitais" poderia ser uma série excelente, cheio da reviravoltas, mas se transformou em um filme bom e previsível.

Vale pelo entretenimento e pelo seu final!

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"Mercado de Capitais" já sai perdendo logo de cara por não traduzir o título original (Equity) de uma forma mais atraente e criativa. É claro que o fato de não atrair o assinante, não desmerece o filme - ele é bom como entretenimento. É possível encontrar vários momentos interessantes com uma forte protagonista feminina (Anna Gunn de "Breaking Bad"), mas que precisa se esforçar para aliviar um roteiro cheio de clichês e esteriótipos - esse me pareceu o único problema do filme.

"Mercado de Capitais" tem um argumento interessante e um cenário relevante hoje em dia, pois conta a história de Naomi Bishop (Gunn), dona de um alto cargo em um banco de investimentos americano, especializada em IPOs. A caminho de uma esperada promoção, ela precisa lidar com um erro de avaliação em seu último processo de abertura de capital que custou milhões de dólares para sua empresa e um pesado rótulo na sua vida profissional. Confira o trailer:

Vale dizer que o filme mostra um lado menos romântico do mercado de investimentos e isso tem o seu valor, mas a falta de consistência do roteiro, se aprofundar um pouco mais, melhorar alguns diálogos completamente fora de propósito e equilibrar uma necessidade enorme de levantar uma bandeira feminista, tudo isso prejudica muito a estrutura narrativa, mas ainda assim não destrói o filme. Talvez o ponto alto seja o final do segundo ato e o terceiro ato inteiro -  isso nos trás uma sensação agradável ao terminar o filme, o que preocupa é se o assinante terá paciência de chegar até lá! 

"Mercado de Capitais" deixa claro que pretende focar no empoderamento feminino em um ambiente dominado por homens. Até aí nenhum problema, porém a forma como essa dinâmica é apresentada soa tão forçado que mais nos afastamos, do que entendemos o valor da proposta. Mas é preciso dizer também, que o roteiro foi muito feliz em não poupar a protagonista de todas suas falhas pessoais e profissionais e de não subverter o óbvio, porém o fato de se apoiar em tantos clichês, acabamos nos interessando muito mais pela fantasia que é construída do que pela realidade dos fatos em si, ou seja, nos divertimos com o filme, mas não nos importamos com a protagonista como deveríamos. 

Grande parte do orçamento do filme foi financiado por mulheres que trabalham ou já trabalharam no mercado financeiro dos EUA. Elas também ajudaram as realizadoras contando suas histórias e as dificuldades de se trabalhar em uma indústria dominada por homens egocêntricos, ambiciosos e poderosos. O filme realmente mostra o potencial que essas histórias tem, porém quando se quer tudo, acaba sem nada - o roteiro da novata Amy Fox é cheio de furos e a direção da Meera Menon vai para o mesmo caminho: se aprofundar em situações que não levam a protagonista a lugar nenhum. De fato "Mercado de Capitais" poderia ser uma série excelente, cheio da reviravoltas, mas se transformou em um filme bom e previsível.

Vale pelo entretenimento e pelo seu final!

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Mito e Magnata: John Delorean

Se você, como eu, achava que "DeLorean" era apenas o carro que viajava no tempo em "De Volta para o Futuro", você precisa assistir essa excelente minissérie documental da Netflix, pois a história, te garanto, vai muito além do objeto de desejo de Martin McFly e da genialidade do Doutor Brown.

"Mito e Magnata: John Delorean" explora a ascensão e queda de um prodígio engenheiro executivo da GM que se tornou um verdadeiro ícone do mercado automobilístico ao criar a DeLorean Motors Company. John DeLorean, uma espécie de Elon Musk dos anos 60/70, era um visionário, mas também um personagem carregado deganância e insegurança, que conseguiu criar um império com a mesma velocidade que o viu desabar. Confira o trailer (em inglês):

Em rápidos três episódios de 40 minutos, você vai conhecer o mito John DeLorean em seu palco dizendo frases como: "Não há atalhos para a qualidade" ou "A lealdade e satisfação do cliente são as únicas bases sólidas para crescer nesse mercado", mas também vai conhecer os bastidores (bem menos glamoroso) de um homem cheio de falhas e que se deixou levar pela possibilidade de se tornar uma lenda sem estar ao menos preparado psicologicamente para isso. Quando ele deixou a GM por não acreditar mais nos produtos que a empresa estava criando, seu propósito era muito claro: seria possível inovar de forma muito mais sustentável em um mercado que sofria com a crise do petróleo na década de 70 - aliás, essa história (e a farsa) lembra muito a jornada de Elizabeth Holmes de "A Inventora: À Procura de Sangue no Vale do Silício".

Com entrevistas exclusivas e imagens inéditas gravadas há algum tempo pelo premiado D.A Pennebaker (Bob Dylan: Don’t Look Back), o diretor Mike Connolly faz um verdadeiro estudo de caso sobre a DeLorean Motors Company ao mesmo tempo que analisa o perfil de seu fundador. Os depoimentos de sua ex-esposa e de seu filho nos dias atuais, já evidenciam um final não tão feliz para a jornada empreendedora de John com reflexos diretos na vida pessoal. Eu diria que a minissérie é mais um exemplo do que não se deve fazer ao gerir um negócio promissor do que propriamente uma aula de empreendedorismo.

"Mito e Magnata: John Delorean" é direto, fácil de entender e tem uma narrativa bastante dinâmica para um documentário que transita muito bem entre vida pessoal e profissional, porém deixa alguns assuntos importantes de lado, como os outros casamentos de John após sua falência e a negociação para ter um "DeLorean" no filme que já comentamos. Ao traçar uma linha temporal bastante recortada, mas bem desenvolvida, a minissérie cumpre seu papel de deixar absolutamente claro que a pessoa que estava no palco era uma versão bastante limitada de um executivo que sonhou mais do que realizou, por falta de foco, organização, lealdade e de caráter - e que depois ficou mais claro ainda não tinha a menor condição moral de se tornar uma lenda.

Observação: tenho a impressão que, muito em breve, teremos muito mais histórias como essa, porque o que existe de empreendedor bom de palco e ruim de negócio, é impressionante!

Vale pela aula e pelo entretenimento!

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Se você, como eu, achava que "DeLorean" era apenas o carro que viajava no tempo em "De Volta para o Futuro", você precisa assistir essa excelente minissérie documental da Netflix, pois a história, te garanto, vai muito além do objeto de desejo de Martin McFly e da genialidade do Doutor Brown.

"Mito e Magnata: John Delorean" explora a ascensão e queda de um prodígio engenheiro executivo da GM que se tornou um verdadeiro ícone do mercado automobilístico ao criar a DeLorean Motors Company. John DeLorean, uma espécie de Elon Musk dos anos 60/70, era um visionário, mas também um personagem carregado deganância e insegurança, que conseguiu criar um império com a mesma velocidade que o viu desabar. Confira o trailer (em inglês):

Em rápidos três episódios de 40 minutos, você vai conhecer o mito John DeLorean em seu palco dizendo frases como: "Não há atalhos para a qualidade" ou "A lealdade e satisfação do cliente são as únicas bases sólidas para crescer nesse mercado", mas também vai conhecer os bastidores (bem menos glamoroso) de um homem cheio de falhas e que se deixou levar pela possibilidade de se tornar uma lenda sem estar ao menos preparado psicologicamente para isso. Quando ele deixou a GM por não acreditar mais nos produtos que a empresa estava criando, seu propósito era muito claro: seria possível inovar de forma muito mais sustentável em um mercado que sofria com a crise do petróleo na década de 70 - aliás, essa história (e a farsa) lembra muito a jornada de Elizabeth Holmes de "A Inventora: À Procura de Sangue no Vale do Silício".

Com entrevistas exclusivas e imagens inéditas gravadas há algum tempo pelo premiado D.A Pennebaker (Bob Dylan: Don’t Look Back), o diretor Mike Connolly faz um verdadeiro estudo de caso sobre a DeLorean Motors Company ao mesmo tempo que analisa o perfil de seu fundador. Os depoimentos de sua ex-esposa e de seu filho nos dias atuais, já evidenciam um final não tão feliz para a jornada empreendedora de John com reflexos diretos na vida pessoal. Eu diria que a minissérie é mais um exemplo do que não se deve fazer ao gerir um negócio promissor do que propriamente uma aula de empreendedorismo.

"Mito e Magnata: John Delorean" é direto, fácil de entender e tem uma narrativa bastante dinâmica para um documentário que transita muito bem entre vida pessoal e profissional, porém deixa alguns assuntos importantes de lado, como os outros casamentos de John após sua falência e a negociação para ter um "DeLorean" no filme que já comentamos. Ao traçar uma linha temporal bastante recortada, mas bem desenvolvida, a minissérie cumpre seu papel de deixar absolutamente claro que a pessoa que estava no palco era uma versão bastante limitada de um executivo que sonhou mais do que realizou, por falta de foco, organização, lealdade e de caráter - e que depois ficou mais claro ainda não tinha a menor condição moral de se tornar uma lenda.

Observação: tenho a impressão que, muito em breve, teremos muito mais histórias como essa, porque o que existe de empreendedor bom de palco e ruim de negócio, é impressionante!

Vale pela aula e pelo entretenimento!

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Não confie em ninguém

"Não existe almoço grátis" - essa é uma expressão que usamos para classificar aqueles investimentos que expõem a ganância de pessoas que acreditam que podem ganhar muito dinheiro, rapidamente e com pouco risco; mas que na verdade não existem. A equação é muito simples: quanto maior o lucro, maior o risco - tudo que for diferente disso, pode desconfiar que tem algo errado. Em "Não confie em ninguém: a caça ao rei das criptomoedas" muitas pessoas embarcaram no hype dessa nova modalidade de investimento, as criptomoedas, e não se preocuparam em fazer a lição de casa de pesquisar sobre a empresa (e seus fundadores) que movimentaria seus ativos. O resultado: golpe!

O documentário além de explorar o misterioso caso da agência de criptomoedas canadense QuadrigaCX (definida por muitos como a maior do país) e a suposta morte do seu fundador Gerald “Gerry” Cotten que gerou um prejuízo de mais de 200  milhões de dólares para seus clientes, também pontua todas as teorias criadas em torno do caso e as investigações que foram feitas na época. Confira o trailer (em inglês):

Muito mais do que criar uma atmosfera conspiratória, "Trust No One: The Hunt for the Crypto King" (no original) funciona como um aviso! Talvez a frase de um dos entrevistados defina muito bem a dicotomia que é embarcar em uma oportunidade que parece única (e que muitos se beneficiam com ela): "eu confio muito mais na tecnologia, do que nas pessoas!". Ao assistir o documentário, original da Netflix, entendemos perfeitamente como Gerry Cotten construiu um império as custas da ingenuidade (e ganância) das pessoas. Seu estilo NERD ajudou a passar uma imagem de confiança, mas seu modo de agir em pouco difere do que fez Bernie Madoff em Wall Street (talvez o volume do golpe, mas acho que vale a comparação) - mais uma vez o Esquema Ponzi entra em ação (para saber mais sobre o assunto, sugiro que assistam "O Mago das Mentiras").

Embora o documentário faça um recorte interessante e fácil de entender sobre o que fez as pessoas passarem a considerar as criptomoedas como possibilidade de diversificação na carteira de investimentos, o diretor Luke Sewell foca mesmo no processo de investigação feito pelos próprios investidores lesados pela QuadrigaCX e por  seu fundador. Obviamente que a morte prematura de Cotten, na Índia e justamente quando as pessoas viam o valor das criptos desabarem, gerou desconfiança. A partir de um grupo de Telegram, essas pessoas iniciam uma verdadeira força-tarefa para tentar reaver o dinheiro (perdido). Um dos personagens mais interessantes atende pelo apelido QCXINT - de máscara e com a voz distorcida, ele dá detalhes de toda a linha do tempo que resultou na resolução de todo mistério. Pela quantia superior a seis dígitos que ele perdeu, e pelo cuidado em nunca mostrar sua identidade, desconfio que seja alguém bem importante que também caiu no golpe.

"Não Confie em Ninguém: A Caça ao Rei da Criptomoeda" é um documentário rápido, de 90 minutos, interessante e dinâmico, além de muito curioso. Se olharmos por uma perspectiva mais antropológica, fica fácil perceber como o ser humano tem a tendência a querer justificar suas falhas (ou seus erros de julgamento) através da genialidade de quem conseguiu engana-lo. Muito mais do que genial, talvez a esperteza seja a qualidade de quem engana ao tocar no ponto que mais faz o olho da vitima brilhar: normalmente dinheiro fácil ou poder. A reflexão é boa, e o documentário também!

Vale o seu play!

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"Não existe almoço grátis" - essa é uma expressão que usamos para classificar aqueles investimentos que expõem a ganância de pessoas que acreditam que podem ganhar muito dinheiro, rapidamente e com pouco risco; mas que na verdade não existem. A equação é muito simples: quanto maior o lucro, maior o risco - tudo que for diferente disso, pode desconfiar que tem algo errado. Em "Não confie em ninguém: a caça ao rei das criptomoedas" muitas pessoas embarcaram no hype dessa nova modalidade de investimento, as criptomoedas, e não se preocuparam em fazer a lição de casa de pesquisar sobre a empresa (e seus fundadores) que movimentaria seus ativos. O resultado: golpe!

O documentário além de explorar o misterioso caso da agência de criptomoedas canadense QuadrigaCX (definida por muitos como a maior do país) e a suposta morte do seu fundador Gerald “Gerry” Cotten que gerou um prejuízo de mais de 200  milhões de dólares para seus clientes, também pontua todas as teorias criadas em torno do caso e as investigações que foram feitas na época. Confira o trailer (em inglês):

Muito mais do que criar uma atmosfera conspiratória, "Trust No One: The Hunt for the Crypto King" (no original) funciona como um aviso! Talvez a frase de um dos entrevistados defina muito bem a dicotomia que é embarcar em uma oportunidade que parece única (e que muitos se beneficiam com ela): "eu confio muito mais na tecnologia, do que nas pessoas!". Ao assistir o documentário, original da Netflix, entendemos perfeitamente como Gerry Cotten construiu um império as custas da ingenuidade (e ganância) das pessoas. Seu estilo NERD ajudou a passar uma imagem de confiança, mas seu modo de agir em pouco difere do que fez Bernie Madoff em Wall Street (talvez o volume do golpe, mas acho que vale a comparação) - mais uma vez o Esquema Ponzi entra em ação (para saber mais sobre o assunto, sugiro que assistam "O Mago das Mentiras").

Embora o documentário faça um recorte interessante e fácil de entender sobre o que fez as pessoas passarem a considerar as criptomoedas como possibilidade de diversificação na carteira de investimentos, o diretor Luke Sewell foca mesmo no processo de investigação feito pelos próprios investidores lesados pela QuadrigaCX e por  seu fundador. Obviamente que a morte prematura de Cotten, na Índia e justamente quando as pessoas viam o valor das criptos desabarem, gerou desconfiança. A partir de um grupo de Telegram, essas pessoas iniciam uma verdadeira força-tarefa para tentar reaver o dinheiro (perdido). Um dos personagens mais interessantes atende pelo apelido QCXINT - de máscara e com a voz distorcida, ele dá detalhes de toda a linha do tempo que resultou na resolução de todo mistério. Pela quantia superior a seis dígitos que ele perdeu, e pelo cuidado em nunca mostrar sua identidade, desconfio que seja alguém bem importante que também caiu no golpe.

"Não Confie em Ninguém: A Caça ao Rei da Criptomoeda" é um documentário rápido, de 90 minutos, interessante e dinâmico, além de muito curioso. Se olharmos por uma perspectiva mais antropológica, fica fácil perceber como o ser humano tem a tendência a querer justificar suas falhas (ou seus erros de julgamento) através da genialidade de quem conseguiu engana-lo. Muito mais do que genial, talvez a esperteza seja a qualidade de quem engana ao tocar no ponto que mais faz o olho da vitima brilhar: normalmente dinheiro fácil ou poder. A reflexão é boa, e o documentário também!

Vale o seu play!

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O Clube dos Meninos Bilionários

Existe uma linha muito tênue entre o "marketing de percepção" e a "mentira compulsiva" e "O Clube dos Meninos Bilionários" talvez seja o melhor exemplo de como os limites podem ser ultrapassados sem tantas dificuldades, causando estragos inimagináveis -  e aqui cabe um comentário bastante pertinente: se eu não soubesse que o filme foi baseado em fatos reais que envolveram Joe Hunt e Dean Karny, provavelmente eu não daria tanto crédito para a história. Mas é impressionante o que acontece com os protagonistas depois que uma interpretação errada de um conceito de gestão importante se transforma em uma bola de neve com consequências gravíssimas para a vida de tantas pessoas.

A história se passa em Los Angeles, no início da década de 80. Joe Hunt (Ansel Elgort) é um rapaz inteligente, ambicioso. Ele se junta com Dean (Taron Egerton), um velho amigo de escola, para criar uma empresa de investimentos baseado inicialmente em dois ativos bem arriscados: ouro e um esquema de pirâmide para mostrar resultados quase que imediatos e assim trazer mais investidores para a empreitada. Com o apoio de um grupo seleto de jovens estudantes ricos e de um investidor pouco confiável, a empresa decola rapidamente, porém as coisas começam a se complicar e o que parecia ser um plano infalível, se prova um esquema mortal. Confira o trailer (em inglês):

"O Clube dos Meninos Bilionários" é um mistura de "Altos Negócios" e o "O Primeiro Milhão" com o "O Mago das Mentiras". Isso só mostra que não é que hoje que histórias sobre escândalos envolvendo grandes empresários especializados em enriquecimento rápido, custe o que custar, chamam muita atenção. Nesse caso, inclusive, o diretor James Cox, de “Wonderland“, traz para a tela sua visão sobre uma época maluca onde os investimentos transformaram a percepção da sociedade americana sobre a forma de ganhar dinheiro e, claro, que não existiam mocinhos nesse meio - como o próprio investidor Ron Levin (Kevin Spacey) deixa claro no filme.

Com uma reconstituição de época bastante competente, extremamente alinhada com a fotografia do diretor J. Michael Muro (Crash: No Limite), entendemos rapidamente toda atmosfera que atraiu os protagonistas para o mercado financeiro durante o governo Reagan - a única grande questão, que até incomoda um pouco, é a tentativa de Cox romantizar todas as ações dos protagonistas, especialmente de Hunt, como se ele fosse uma espécie de benfeitor revoltado com a vida e com a realidade fracassada de sua família perante o abismo social de seus "amigos" de escola. De fato essa escolha criativa se justifica em alguns comentários sobre a superficialidade do filme, porém gosto de ir um pouco além - existem vários pontos que nos provocam ótimas reflexões, além de ser um bom entretenimento, claro.

Frases como "A percepção da realidade é mais real do que a realidade em si" ou "Compre no mistério, venda na história" fazem sentido dentro de um contexto empreendedor, mas qual o limite entre um "bom conceito" e o "caos que ele pode gerar"? Ou entre "uma estratégia pontual" e o "mal caráter de uma pessoa"? Claro que "O Clube dos Meninos Bilionários" não se propõe a responder todas essas perguntas, mas elas estão lá e é aí que você vai encontrar um pouco mais de profundidade que pode ir além do bom entretenimento para quem gosta do assunto!

Antes de finalizar uma curiosidade: O filme é de 2015, mas após as acusações dirigidas ao Kevin Spacey, seu lançamento atrasou alguns anos e se resumiu a uma discreta estratégia por meio de plataformas digitais para só depois migrar para os cinemas, onde arrecadou míseros 3 milhões de dólares - isso não define o filme, mas vale a informação.

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Existe uma linha muito tênue entre o "marketing de percepção" e a "mentira compulsiva" e "O Clube dos Meninos Bilionários" talvez seja o melhor exemplo de como os limites podem ser ultrapassados sem tantas dificuldades, causando estragos inimagináveis -  e aqui cabe um comentário bastante pertinente: se eu não soubesse que o filme foi baseado em fatos reais que envolveram Joe Hunt e Dean Karny, provavelmente eu não daria tanto crédito para a história. Mas é impressionante o que acontece com os protagonistas depois que uma interpretação errada de um conceito de gestão importante se transforma em uma bola de neve com consequências gravíssimas para a vida de tantas pessoas.

A história se passa em Los Angeles, no início da década de 80. Joe Hunt (Ansel Elgort) é um rapaz inteligente, ambicioso. Ele se junta com Dean (Taron Egerton), um velho amigo de escola, para criar uma empresa de investimentos baseado inicialmente em dois ativos bem arriscados: ouro e um esquema de pirâmide para mostrar resultados quase que imediatos e assim trazer mais investidores para a empreitada. Com o apoio de um grupo seleto de jovens estudantes ricos e de um investidor pouco confiável, a empresa decola rapidamente, porém as coisas começam a se complicar e o que parecia ser um plano infalível, se prova um esquema mortal. Confira o trailer (em inglês):

"O Clube dos Meninos Bilionários" é um mistura de "Altos Negócios" e o "O Primeiro Milhão" com o "O Mago das Mentiras". Isso só mostra que não é que hoje que histórias sobre escândalos envolvendo grandes empresários especializados em enriquecimento rápido, custe o que custar, chamam muita atenção. Nesse caso, inclusive, o diretor James Cox, de “Wonderland“, traz para a tela sua visão sobre uma época maluca onde os investimentos transformaram a percepção da sociedade americana sobre a forma de ganhar dinheiro e, claro, que não existiam mocinhos nesse meio - como o próprio investidor Ron Levin (Kevin Spacey) deixa claro no filme.

Com uma reconstituição de época bastante competente, extremamente alinhada com a fotografia do diretor J. Michael Muro (Crash: No Limite), entendemos rapidamente toda atmosfera que atraiu os protagonistas para o mercado financeiro durante o governo Reagan - a única grande questão, que até incomoda um pouco, é a tentativa de Cox romantizar todas as ações dos protagonistas, especialmente de Hunt, como se ele fosse uma espécie de benfeitor revoltado com a vida e com a realidade fracassada de sua família perante o abismo social de seus "amigos" de escola. De fato essa escolha criativa se justifica em alguns comentários sobre a superficialidade do filme, porém gosto de ir um pouco além - existem vários pontos que nos provocam ótimas reflexões, além de ser um bom entretenimento, claro.

Frases como "A percepção da realidade é mais real do que a realidade em si" ou "Compre no mistério, venda na história" fazem sentido dentro de um contexto empreendedor, mas qual o limite entre um "bom conceito" e o "caos que ele pode gerar"? Ou entre "uma estratégia pontual" e o "mal caráter de uma pessoa"? Claro que "O Clube dos Meninos Bilionários" não se propõe a responder todas essas perguntas, mas elas estão lá e é aí que você vai encontrar um pouco mais de profundidade que pode ir além do bom entretenimento para quem gosta do assunto!

Antes de finalizar uma curiosidade: O filme é de 2015, mas após as acusações dirigidas ao Kevin Spacey, seu lançamento atrasou alguns anos e se resumiu a uma discreta estratégia por meio de plataformas digitais para só depois migrar para os cinemas, onde arrecadou míseros 3 milhões de dólares - isso não define o filme, mas vale a informação.

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O Golpista do Tinder

"O Golpista do Tinder" é excelente, mas chega embrulhar o estômago! Eu diria até que o documentário é surpreendente, pela sua história bizarra e pela qualidade narrativa impressa pela diretora estreante Felicity Morris (que já havia produzido "Don't F**k with Cats: Uma Caçada Online"). O fato é que essa produção original da Netflix é uma mistura muito equilibrada de sucessos como "Fyre Festival" e "A Bad Boy Billionaires" com "Dirty John – O Golpe do Amor".

O filme tem uma premissa básica, acompanhar a história real de Simon Leviev, um prolífico vigarista conhecido por ganhar a confiança e aplicar golpes financeiros em várias mulheres que o conheceram pelo Tinder, a partir dos relatos de suas próprias vítimas. Confira o trailer:

Talvez o grande mérito de "O Golpista do Tinder" tenha sido humanizar uma história que para muitos pode parecer absurda (ou um ato de ingenuidade) com tantas ferramentas e informações que temos hoje em dia para nos proteger. Veja, quando Marcelo Nascimento da Rocha se passou por Henrique Constantino, filho do fundador daGole deu entrevista para Amaury Jr. falando (olha a cara de pau) dos planos de expansão da empresa aérea no meio de um famoso camarote do carnaval de Salvador, os tempos eram outros - era quase impossível validar uma informação (ou uma identidade) tão rapidamente para evitar o constrangimento de dar voz para um picareta. Hoje não, bastam alguns cliques e temos praticamente todas as informações que precisamos antes de conhecer uma pessoa pessoalmente - e mesmo assim histórias como essa continuam a se repetir.

Isso só mostra como Simon Leviev era profissional (além de doente). Partindo do principio que não é fácil achar o "amor da vida online", Cecilie (que teve mais de mil "matches" pelo app) mal conseguia acreditar quando encontrou um playboy boa pinta e bilionário que, de cara, se interessou por ela. Seu depoimento é tão sincero quanto desafiador - já que é impossível, sentado no sofá e sem conhecer profundamente o contexto de vida da vítima, não julgar suas atitudes desde o primeiro momento. Muito bem montado pelo premiado Julian Hart (Fórmula 1: Dirigir para Viver) e com um roteiro redondinho de Morris, "O Golpista do Tinder" vai construindo uma linha temporal coerente e dinâmica, usando de vários elementos narrativos muito pessoais para ilustrar os depoimentos das vitimas como mensagens de WhatsApp, ligações telefônicas, fotos do Instagram, etc.

Do depoimento da vítimas até a descoberta do golpe e o envolvimento da imprense norueguesa,"O Golpista do Tinder" constrói um conto de fadas, montando um verdadeiro palácio com cartas de baralho que depois simplesmente desmoronam - o interessante é que esse processo levou tempo e o documentário é muito feliz em nos posicionar nessa jornada a partir do desespero das vitimas perante as descobertas e do cinismo com que o golpista fortalecia suas relações. Aliás, esse cinismo é tão provocador que nos sentimos insultados pelas vitimas, impactando diretamente na nossa experiência ao assistir as quase duas horas de filme.

Olha, o que eu posso dizer é que vale muito a pena o seu play, mas o sentimento quando subirem os créditos não será dos mais agradáveis. Você vai entender!

Ah, e antes de finalizar, olhe são essa história: Em dezembro de 2020, Simon fingiu ser um paramédico para furar a fila das vacinas e ser imunizado contra a Covid-19. Em uma entrevista à emissora israelense Channel 12, ele comentou: “Não sou alguém que costuma esperar em filas”! 

Sem comentários!

Assista Agora

"O Golpista do Tinder" é excelente, mas chega embrulhar o estômago! Eu diria até que o documentário é surpreendente, pela sua história bizarra e pela qualidade narrativa impressa pela diretora estreante Felicity Morris (que já havia produzido "Don't F**k with Cats: Uma Caçada Online"). O fato é que essa produção original da Netflix é uma mistura muito equilibrada de sucessos como "Fyre Festival" e "A Bad Boy Billionaires" com "Dirty John – O Golpe do Amor".

O filme tem uma premissa básica, acompanhar a história real de Simon Leviev, um prolífico vigarista conhecido por ganhar a confiança e aplicar golpes financeiros em várias mulheres que o conheceram pelo Tinder, a partir dos relatos de suas próprias vítimas. Confira o trailer:

Talvez o grande mérito de "O Golpista do Tinder" tenha sido humanizar uma história que para muitos pode parecer absurda (ou um ato de ingenuidade) com tantas ferramentas e informações que temos hoje em dia para nos proteger. Veja, quando Marcelo Nascimento da Rocha se passou por Henrique Constantino, filho do fundador daGole deu entrevista para Amaury Jr. falando (olha a cara de pau) dos planos de expansão da empresa aérea no meio de um famoso camarote do carnaval de Salvador, os tempos eram outros - era quase impossível validar uma informação (ou uma identidade) tão rapidamente para evitar o constrangimento de dar voz para um picareta. Hoje não, bastam alguns cliques e temos praticamente todas as informações que precisamos antes de conhecer uma pessoa pessoalmente - e mesmo assim histórias como essa continuam a se repetir.

Isso só mostra como Simon Leviev era profissional (além de doente). Partindo do principio que não é fácil achar o "amor da vida online", Cecilie (que teve mais de mil "matches" pelo app) mal conseguia acreditar quando encontrou um playboy boa pinta e bilionário que, de cara, se interessou por ela. Seu depoimento é tão sincero quanto desafiador - já que é impossível, sentado no sofá e sem conhecer profundamente o contexto de vida da vítima, não julgar suas atitudes desde o primeiro momento. Muito bem montado pelo premiado Julian Hart (Fórmula 1: Dirigir para Viver) e com um roteiro redondinho de Morris, "O Golpista do Tinder" vai construindo uma linha temporal coerente e dinâmica, usando de vários elementos narrativos muito pessoais para ilustrar os depoimentos das vitimas como mensagens de WhatsApp, ligações telefônicas, fotos do Instagram, etc.

Do depoimento da vítimas até a descoberta do golpe e o envolvimento da imprense norueguesa,"O Golpista do Tinder" constrói um conto de fadas, montando um verdadeiro palácio com cartas de baralho que depois simplesmente desmoronam - o interessante é que esse processo levou tempo e o documentário é muito feliz em nos posicionar nessa jornada a partir do desespero das vitimas perante as descobertas e do cinismo com que o golpista fortalecia suas relações. Aliás, esse cinismo é tão provocador que nos sentimos insultados pelas vitimas, impactando diretamente na nossa experiência ao assistir as quase duas horas de filme.

Olha, o que eu posso dizer é que vale muito a pena o seu play, mas o sentimento quando subirem os créditos não será dos mais agradáveis. Você vai entender!

Ah, e antes de finalizar, olhe são essa história: Em dezembro de 2020, Simon fingiu ser um paramédico para furar a fila das vacinas e ser imunizado contra a Covid-19. Em uma entrevista à emissora israelense Channel 12, ele comentou: “Não sou alguém que costuma esperar em filas”! 

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O Mago das Mentiras

Você conhece a expressão "não existe almoço grátis"? Pois é, Bernie Madoff elevou essa expressão para um nível estratosférico, mais precisamente, na casa de 50 bilhões de dólares... de prejuízo. Madoff, é preciso que se diga, era um dos profissionais mais respeitados do mercado financeiro nos EUA, tendo sido presidente da NASDAQ e CEO de uma das empresas de investimentos com mais prestigio em Wall Street. O único problema é que Madoff foi ambicioso demais e para alcançar seus objetivos resolveu cortar um caminho que acabou custando muito caro para ele e para seus clientes que, da noite para dia, perderam todo seu patrimônio!

Como é de se imaginar, a trama dessa produção original da HBO de 2017 gira em torno da história real de Bernard Madoff, um ex-consultor financeiro norte-americano que acabou condenado a 150 anos de prisão - ele foi responsável por uma sofisticada operação, nomeada Esquema Ponzi, uma espécie de pirâmide, que é considerada a maior fraude financeira da história dos EUA. Confira o trailer:

Dirigido por Barry Levinson, indicado 5 vezes ao Oscar e vencendor em 1988 com "Rain Man", "The Wizard of Lies" (no original) é um retrato brutal da ganância que sempre permeou o mercado financeiro de Wall Street, justamente no auge da crise do subprime deflagrada com a quebra de um dos bancos de investimentos mais tradicionais dos EUA, o Lehman Brothers, e que desencadeou uma queda insustentável nas bolsas do mundo todo - tema que você pode se aprofundar em filmes como: "Grande demais para Quebrar", "Trabalho Interno" e "Margin Call - o dia antes do fim". É nesse contexto que o diretor traz para ficção a história real da família Madoff, incrivelmente bem interpretada por Robert De Niro (Bernie), Michelle Pfeiffer (Ruth) - ambos indicados ao Emmy pelos respectivos personagens -  e um surpreendente Alessandro Nivola (como Mark - filho mais velho do casal e completamente renegado pelo pai). Veja, se você gosta de "Succession", a relação de Bernie e Mark é incrivelmente parecida com a dinâmica de Logan e Kendall.

O roteiro de Sam Levinson (isso mesmo, aquele de Euphoria e Malcolm & Marie) é extremamente feliz ao não aliviar na seriedade em uma cena sequer. A construção da narrativa é tão consistente e simples que a imersão naquela situação terrível é imediata - reparem na cena em que Bernie pede desculpas para seus clientes minutos antes de receber sua sentença! É mais uma aula de de interpretação de De Niro! Outro ponto muito interessante do roteiro diz respeito a desconstrução do "Mito Madoff" perante seus clientes e sua família, especialmente para os filhos. Figura intocável, exemplo de honestidade, durante 15, 20 anos, ele convenceu clientes de peso a investir em fundos que simplesmente não existiam e quando houve a necessidade de liquidez devido a crise de 2008, ele não teve como honrar com o enorme volume de dinheiro que ele mesmo manipulou e o reflexo disso é perfeitamente pontuado durante o filme, seja em flashes ou no arco paralelo de sua família, criando a exata sensação de desespero e angústia que todos aqueles que foram afetados pelo golpe sofreram.

"O Mago das Mentiras" pode até ser definido como cadenciado demais, lento, mas é coerente com a proposta de entregar uma história dramática e densa, com performances de um elenco que seguram a nossa atenção do início ao fim. A forte relação entre obsessão e destruição, bem como o efeito colateral que isso gerou alcançou as últimas consequências - é de embrulhar estômago, mas nos faz refletir e nos ensina ao mesmo tempo que entretem!

Vale seu play! 

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Você conhece a expressão "não existe almoço grátis"? Pois é, Bernie Madoff elevou essa expressão para um nível estratosférico, mais precisamente, na casa de 50 bilhões de dólares... de prejuízo. Madoff, é preciso que se diga, era um dos profissionais mais respeitados do mercado financeiro nos EUA, tendo sido presidente da NASDAQ e CEO de uma das empresas de investimentos com mais prestigio em Wall Street. O único problema é que Madoff foi ambicioso demais e para alcançar seus objetivos resolveu cortar um caminho que acabou custando muito caro para ele e para seus clientes que, da noite para dia, perderam todo seu patrimônio!

Como é de se imaginar, a trama dessa produção original da HBO de 2017 gira em torno da história real de Bernard Madoff, um ex-consultor financeiro norte-americano que acabou condenado a 150 anos de prisão - ele foi responsável por uma sofisticada operação, nomeada Esquema Ponzi, uma espécie de pirâmide, que é considerada a maior fraude financeira da história dos EUA. Confira o trailer:

Dirigido por Barry Levinson, indicado 5 vezes ao Oscar e vencendor em 1988 com "Rain Man", "The Wizard of Lies" (no original) é um retrato brutal da ganância que sempre permeou o mercado financeiro de Wall Street, justamente no auge da crise do subprime deflagrada com a quebra de um dos bancos de investimentos mais tradicionais dos EUA, o Lehman Brothers, e que desencadeou uma queda insustentável nas bolsas do mundo todo - tema que você pode se aprofundar em filmes como: "Grande demais para Quebrar", "Trabalho Interno" e "Margin Call - o dia antes do fim". É nesse contexto que o diretor traz para ficção a história real da família Madoff, incrivelmente bem interpretada por Robert De Niro (Bernie), Michelle Pfeiffer (Ruth) - ambos indicados ao Emmy pelos respectivos personagens -  e um surpreendente Alessandro Nivola (como Mark - filho mais velho do casal e completamente renegado pelo pai). Veja, se você gosta de "Succession", a relação de Bernie e Mark é incrivelmente parecida com a dinâmica de Logan e Kendall.

O roteiro de Sam Levinson (isso mesmo, aquele de Euphoria e Malcolm & Marie) é extremamente feliz ao não aliviar na seriedade em uma cena sequer. A construção da narrativa é tão consistente e simples que a imersão naquela situação terrível é imediata - reparem na cena em que Bernie pede desculpas para seus clientes minutos antes de receber sua sentença! É mais uma aula de de interpretação de De Niro! Outro ponto muito interessante do roteiro diz respeito a desconstrução do "Mito Madoff" perante seus clientes e sua família, especialmente para os filhos. Figura intocável, exemplo de honestidade, durante 15, 20 anos, ele convenceu clientes de peso a investir em fundos que simplesmente não existiam e quando houve a necessidade de liquidez devido a crise de 2008, ele não teve como honrar com o enorme volume de dinheiro que ele mesmo manipulou e o reflexo disso é perfeitamente pontuado durante o filme, seja em flashes ou no arco paralelo de sua família, criando a exata sensação de desespero e angústia que todos aqueles que foram afetados pelo golpe sofreram.

"O Mago das Mentiras" pode até ser definido como cadenciado demais, lento, mas é coerente com a proposta de entregar uma história dramática e densa, com performances de um elenco que seguram a nossa atenção do início ao fim. A forte relação entre obsessão e destruição, bem como o efeito colateral que isso gerou alcançou as últimas consequências - é de embrulhar estômago, mas nos faz refletir e nos ensina ao mesmo tempo que entretem!

Vale seu play! 

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O Primeiro Milhão

"O Primeiro Milhão" colabora com a tese de que se você for um bom vendedor, a chance de você se dar bem na vida é muito grande. O grande problema é que com o talento e com ótimos resultados vem a ambição e, normalmente, é aí que o ser humano se perde. Esse filme de 2010 traz muitos elementos narrativos que viríamos a conhecer em histórias reais como "O Mago das Mentiras", "Grande demais para quebrar" ou em "Trabalho Interno" - mesmo bebendo na fonte de um clássico de 1987 como "Wall Street: Poder e Cobiça" - que aqui é homenageado em uma cena que diz muito sobre o universo daqueles personagens sem uma única frase do roteiro original.

"O Primeiro Milhão" basicamente conta a história de Seth (Giovanni Ribisi), um jovem de 19 anos de idade que ganha a vida bancando um cassino ilegal no seu apartamento. Seu pai, um rigoroso e respeitado juiz local, descobre e dá uma verdadeira lição de moral no filho que, para limpar sua barra, resolve aceitar o convite de um amigo e tentar um emprego como corretor em uma pequena, mas ascendente, empresa de investimentos - a "J.T. Marlin". O problema é que essa tal corretora vende apenas lixo, sem valor de mercado, através de técnicas de persuasão nada sutis. Quando Seth se dá conta que algo muito errado acontece nos bastidores da empresa, ele já está tão envolvido que simplesmente sair não parece ser mais uma opção. Confira o trailer (em inglês):

Olhando em retrospectiva, o mais interessante de "Boiler Room" (título original) é que ele é praticamente uma premonição do que aconteceria alguns anos depois - o que nos provoca uma reflexão imediata sobre a sujeira que sempre foi o mercado financeiro nos EUA e como as autoridades, de fato, nunca agiram com seriedade ou, no mínimo, com prudência. Pois bem, dessa vez se trata de uma ficção, com uma narrativa fácil e uma história que te prende do começo ao fim. Não se trata de um filme que será inesquecível, mas de um excelente entretenimento sobre um assunto que costuma funcionar muito bem nas telas.

"O Primeiro Milhão" foi o primeiro filme do diretor e roteirista Ben Younger que na época tinha apenas 29 anos de idade e que foi muito elogiado em sua estreia. O filme realmente traz muita autenticidade para narrativa, mas não inova em nada - eram outros tempo, eu sei, mas a direção segue uma cartilha conservadora demais. O maior mérito de Younger, e é preciso que se diga, foi sua imersão na cultura ambiciosa de Wall Street e na forma como ele conseguiu impactar um elenco promissor com essa atmosfera - um elenco que contava com Ben Affleck, Vin Diesel, Nia Long, Tom Everett Scott, entre outros. Todos estão excelentes, completamente dentro da proposta e no tom perfeito.

"O Primeiro Milhão" é um espécie de prequel lite do que seria "O Lobo de Wall Street" com toda aquela receita: dinheiro, sexo, drogas, crime e ambição - talvez mais sugerido do que explicito como no filme de Scorsese, mas com a mesma competência. O roteiro talvez escorregue um pouco, principalmente no terceiro ato e na pressa de concluir a trama onde a construção da investigação fica um pouco confusa e a relação entre os personagens praticamente se desfaz.

Se você gosta do tema, pode ir tranquilo, porque ao final, temos 120 minutos de um ótimo entretenimento! Vale o play!

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"O Primeiro Milhão" colabora com a tese de que se você for um bom vendedor, a chance de você se dar bem na vida é muito grande. O grande problema é que com o talento e com ótimos resultados vem a ambição e, normalmente, é aí que o ser humano se perde. Esse filme de 2010 traz muitos elementos narrativos que viríamos a conhecer em histórias reais como "O Mago das Mentiras", "Grande demais para quebrar" ou em "Trabalho Interno" - mesmo bebendo na fonte de um clássico de 1987 como "Wall Street: Poder e Cobiça" - que aqui é homenageado em uma cena que diz muito sobre o universo daqueles personagens sem uma única frase do roteiro original.

"O Primeiro Milhão" basicamente conta a história de Seth (Giovanni Ribisi), um jovem de 19 anos de idade que ganha a vida bancando um cassino ilegal no seu apartamento. Seu pai, um rigoroso e respeitado juiz local, descobre e dá uma verdadeira lição de moral no filho que, para limpar sua barra, resolve aceitar o convite de um amigo e tentar um emprego como corretor em uma pequena, mas ascendente, empresa de investimentos - a "J.T. Marlin". O problema é que essa tal corretora vende apenas lixo, sem valor de mercado, através de técnicas de persuasão nada sutis. Quando Seth se dá conta que algo muito errado acontece nos bastidores da empresa, ele já está tão envolvido que simplesmente sair não parece ser mais uma opção. Confira o trailer (em inglês):

Olhando em retrospectiva, o mais interessante de "Boiler Room" (título original) é que ele é praticamente uma premonição do que aconteceria alguns anos depois - o que nos provoca uma reflexão imediata sobre a sujeira que sempre foi o mercado financeiro nos EUA e como as autoridades, de fato, nunca agiram com seriedade ou, no mínimo, com prudência. Pois bem, dessa vez se trata de uma ficção, com uma narrativa fácil e uma história que te prende do começo ao fim. Não se trata de um filme que será inesquecível, mas de um excelente entretenimento sobre um assunto que costuma funcionar muito bem nas telas.

"O Primeiro Milhão" foi o primeiro filme do diretor e roteirista Ben Younger que na época tinha apenas 29 anos de idade e que foi muito elogiado em sua estreia. O filme realmente traz muita autenticidade para narrativa, mas não inova em nada - eram outros tempo, eu sei, mas a direção segue uma cartilha conservadora demais. O maior mérito de Younger, e é preciso que se diga, foi sua imersão na cultura ambiciosa de Wall Street e na forma como ele conseguiu impactar um elenco promissor com essa atmosfera - um elenco que contava com Ben Affleck, Vin Diesel, Nia Long, Tom Everett Scott, entre outros. Todos estão excelentes, completamente dentro da proposta e no tom perfeito.

"O Primeiro Milhão" é um espécie de prequel lite do que seria "O Lobo de Wall Street" com toda aquela receita: dinheiro, sexo, drogas, crime e ambição - talvez mais sugerido do que explicito como no filme de Scorsese, mas com a mesma competência. O roteiro talvez escorregue um pouco, principalmente no terceiro ato e na pressa de concluir a trama onde a construção da investigação fica um pouco confusa e a relação entre os personagens praticamente se desfaz.

Se você gosta do tema, pode ir tranquilo, porque ao final, temos 120 minutos de um ótimo entretenimento! Vale o play!

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Os olhos de Tammy Faye

"Os olhos de Tammy Faye" merecia mais - merecia uma minissérie! Não que o filme seja ruim, muito pelo contrário, achei muito bom (não genial), mas a história, essa sim, é impressionante! Obviamente que o limite de 120 minutos prejudica a experiência, os saltos temporais são inevitáveis quando você quer cobrir um recorte muito maior do que um roteiro de longa-metragem permite e é aí que o filme perde força. Passagens muito interessantes e curiosas da jornada de Tammy Faye e de seu marido, Jim Bakker, precisaram ficar de fora da montagem final e a sensação de urgência para que os pontos-chaves sejam expostos e a história faça sentido, atrapalha muito - uma pena!

O filme é baseado na história da maior apresentadora gospel da TV norte-americana de todos os tempos, a lendária Tammy Faye Bakker (Jessica Chastain). "Os olhos de Tammy Faye" acompanha a ascensão e queda da televangelista e de seu marido, Jim Bakker (Andrew Garfield) nas décadas de 1970 e 1980. Os dois vieram de origens humildes e conseguiram criar a maior rede de radiodifusão religiosa do mundo, alcançando respeito e reverência por sua mensagem de amor, aceitação e prosperidade. Tammy Faye era reconhecida por sua beleza extravagante, seus olhos e maquiagem bem marcados, sua forma singular de cantar e seu jeito empático com as pessoas. No entanto, os escândalos e seus rivais procuraram alguma forma de derrubar seu império... e conseguiram! Confira o trailer:

Em um primeiro momento, "Os olhos de Tammy Faye" me lembrou "Joy", quando na verdade o filme dirigido pelo Michael Showalter (de "The Dropout") é muito mais parecido (dadas suas devidas diferenças históricas) com o excelente documentário da Prime Vídeo "As Faces da Marca". Quando o roteiro escrito pelo trio improvável, mas de certa forma até coerente para o projeto, formado pelos multi-premiados Fenton Bailey e Randy Barbato da franquia "Drag RuPaul's" (e que já haviam escrito um documentário sobre a personagem) e Abe Sylvia de "The Affair", prioriza a estrutura "origem-ascensão-declínio-ressurgimento" temos a exata impressão que a preocupação do filme está muito mais em atenuar a parte problemática da protagonista e evidenciar as suas virtudes do que expor uma realidade (seja ela qual for) que condene suas falhas de caráter.

Obviamente que nos conectamos com Tammy Fay imediatamente, e eu diria que até certo ponto, com Jim Bakker também - e por isso a comparação com DeAnne Brady e Mark Stidham da LuLaRoe. Jessica Chastain e Andrew Garfield têm muitos méritos nisso e mesmo com toda inconsistência do roteiro, conseguem construir uma ligação emocional interessante para a narrativa, que nos ajuda a projetar certa verossimilhança - apesar dos personagens, principalmente Fay, serem extremamente caricatos. O fato é que assim que os crédito sobem temos duas certezas: Chastain mereceu o Oscar de melhor atriz pelo papel e Garfield provavelmente também seria indicado, não fosse sua incrível performance em "Tick, Tick... Boom!".

Embora me incomode que a transição daquele pequeno sucesso em uma TV local que se transforma em um verdadeiro império aconteça repentinamente (e sem parecer custar qualquer esforço), fica muito difícil não considerar que o problema está mais no formato do que no roteiro. Saiba que depois do play, você estará de frente com uma história poderosa e com uma personagem única, que está apoiada em uma narrativa apenas superficial, mas que nos momentos em que se permite ir além, é possível entender o tamanho do potencial do filme. Por isso "Os olhos de Tammy Faye" pode soar mais como um entretenimento do que como um convite para a reflexão ou até para julgamentos que gerem alguma discussão sobre moralidade, hipocrisia, identidade e até sobre o papel da religião como negócio, mas tudo está ali, mesmo que escondido.

Vale o seu play? Claro, mas vai ficar um gostinho de "quero mais"!

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"Os olhos de Tammy Faye" merecia mais - merecia uma minissérie! Não que o filme seja ruim, muito pelo contrário, achei muito bom (não genial), mas a história, essa sim, é impressionante! Obviamente que o limite de 120 minutos prejudica a experiência, os saltos temporais são inevitáveis quando você quer cobrir um recorte muito maior do que um roteiro de longa-metragem permite e é aí que o filme perde força. Passagens muito interessantes e curiosas da jornada de Tammy Faye e de seu marido, Jim Bakker, precisaram ficar de fora da montagem final e a sensação de urgência para que os pontos-chaves sejam expostos e a história faça sentido, atrapalha muito - uma pena!

O filme é baseado na história da maior apresentadora gospel da TV norte-americana de todos os tempos, a lendária Tammy Faye Bakker (Jessica Chastain). "Os olhos de Tammy Faye" acompanha a ascensão e queda da televangelista e de seu marido, Jim Bakker (Andrew Garfield) nas décadas de 1970 e 1980. Os dois vieram de origens humildes e conseguiram criar a maior rede de radiodifusão religiosa do mundo, alcançando respeito e reverência por sua mensagem de amor, aceitação e prosperidade. Tammy Faye era reconhecida por sua beleza extravagante, seus olhos e maquiagem bem marcados, sua forma singular de cantar e seu jeito empático com as pessoas. No entanto, os escândalos e seus rivais procuraram alguma forma de derrubar seu império... e conseguiram! Confira o trailer:

Em um primeiro momento, "Os olhos de Tammy Faye" me lembrou "Joy", quando na verdade o filme dirigido pelo Michael Showalter (de "The Dropout") é muito mais parecido (dadas suas devidas diferenças históricas) com o excelente documentário da Prime Vídeo "As Faces da Marca". Quando o roteiro escrito pelo trio improvável, mas de certa forma até coerente para o projeto, formado pelos multi-premiados Fenton Bailey e Randy Barbato da franquia "Drag RuPaul's" (e que já haviam escrito um documentário sobre a personagem) e Abe Sylvia de "The Affair", prioriza a estrutura "origem-ascensão-declínio-ressurgimento" temos a exata impressão que a preocupação do filme está muito mais em atenuar a parte problemática da protagonista e evidenciar as suas virtudes do que expor uma realidade (seja ela qual for) que condene suas falhas de caráter.

Obviamente que nos conectamos com Tammy Fay imediatamente, e eu diria que até certo ponto, com Jim Bakker também - e por isso a comparação com DeAnne Brady e Mark Stidham da LuLaRoe. Jessica Chastain e Andrew Garfield têm muitos méritos nisso e mesmo com toda inconsistência do roteiro, conseguem construir uma ligação emocional interessante para a narrativa, que nos ajuda a projetar certa verossimilhança - apesar dos personagens, principalmente Fay, serem extremamente caricatos. O fato é que assim que os crédito sobem temos duas certezas: Chastain mereceu o Oscar de melhor atriz pelo papel e Garfield provavelmente também seria indicado, não fosse sua incrível performance em "Tick, Tick... Boom!".

Embora me incomode que a transição daquele pequeno sucesso em uma TV local que se transforma em um verdadeiro império aconteça repentinamente (e sem parecer custar qualquer esforço), fica muito difícil não considerar que o problema está mais no formato do que no roteiro. Saiba que depois do play, você estará de frente com uma história poderosa e com uma personagem única, que está apoiada em uma narrativa apenas superficial, mas que nos momentos em que se permite ir além, é possível entender o tamanho do potencial do filme. Por isso "Os olhos de Tammy Faye" pode soar mais como um entretenimento do que como um convite para a reflexão ou até para julgamentos que gerem alguma discussão sobre moralidade, hipocrisia, identidade e até sobre o papel da religião como negócio, mas tudo está ali, mesmo que escondido.

Vale o seu play? Claro, mas vai ficar um gostinho de "quero mais"!

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Outsider

"Ambição" é uma coisa, "Ganância" é outra completamente diferente, embora a linha seja extremamente tênue entre as duas! "Outsider" (ou "L'outsider" no original) é uma excelente produção francesa que provoca justamente essa reflexão usando a história real de ascensão e queda de Jérôme Kerviel, um jovem francês que se tornou muito conhecido por seus incríveis resultados operando na bolsa de valores - a grande questão é a mesma de outras produções sobre o assunto: a que preço?

No filme, acompanhamos a jornada Kerviel entre a sua recente posição como um simples operador de mercados futuros até a descoberta de suas operações fraudulentas que quase quebraram o banco francês Societe Generale enquanto ele especulava no mercado financeiro utilizando o patrimônio do banco como garantia, uma semana após gerar um lucro de mais de US$ 1.4 bilhões para a mesma instituição. Confira o trailer:

Muito bem dirigido pelo talentoso Christophe Barratier (do ótimo "A voz do Coração", que inclusive lhe rendeu uma indicação ao Oscar na categoria "Melhor Canção Original" em 2005), "Outsider" tem o mérito de nos conectar com o protagonista já no prólogo - entender o que de fato aconteceu com Kerviel é tão interessante quanto a imersão que Barratier nos proporciona perante aquele ambiente (quase sempre tóxico) das salas de negociação de ações, com todo aquele frenesi entre os traders no momento da consolidação de uma grande operação, ou até da intimidade desses profissionais e suas relações infantis e machistas pós-expediente. O roteiro potencializa um certo estereótipo do mercado financeiro? Sim, mas dessa vez apoiado na sua face menos romântica - e nem por isso menos glamorosa.

O filme é baseado no livro "

belíssimo, mostrando uma Paris diferente, pulsante, menos romântica e mais moderna -mérito total do fotógrafo Jérôme Alméras (de "Dentro de Casa") que capta esse moodtão precisamente que quase não reconhecemos a cidade luz. O elenco também funciona muito bem (chega a ser odioso), destaque para Arthur Dupont como Jérôme Kerviel e François-Xavier Demaison como Fabien Keller.

"Outsider" foi um grande sucesso na Europa no ano do seulançamento e levanta questões morais das mais interessantes. Embora tenda para o entretenimento, o filme nos coloca no "modo julgamento" a cada atitude do protagonista, criando uma experiência interessante, principalmente depois de sua metade quando nos habituamos com os termos mais técnicos e as implicações das ações suicidas de Kerviel (e de seus parceiros de trabalho).

Eu diria que o filme é uma surpresa agradável para quem gosta do assunto e que vai surpreender! Vale o play! 

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"Ambição" é uma coisa, "Ganância" é outra completamente diferente, embora a linha seja extremamente tênue entre as duas! "Outsider" (ou "L'outsider" no original) é uma excelente produção francesa que provoca justamente essa reflexão usando a história real de ascensão e queda de Jérôme Kerviel, um jovem francês que se tornou muito conhecido por seus incríveis resultados operando na bolsa de valores - a grande questão é a mesma de outras produções sobre o assunto: a que preço?

No filme, acompanhamos a jornada Kerviel entre a sua recente posição como um simples operador de mercados futuros até a descoberta de suas operações fraudulentas que quase quebraram o banco francês Societe Generale enquanto ele especulava no mercado financeiro utilizando o patrimônio do banco como garantia, uma semana após gerar um lucro de mais de US$ 1.4 bilhões para a mesma instituição. Confira o trailer:

Muito bem dirigido pelo talentoso Christophe Barratier (do ótimo "A voz do Coração", que inclusive lhe rendeu uma indicação ao Oscar na categoria "Melhor Canção Original" em 2005), "Outsider" tem o mérito de nos conectar com o protagonista já no prólogo - entender o que de fato aconteceu com Kerviel é tão interessante quanto a imersão que Barratier nos proporciona perante aquele ambiente (quase sempre tóxico) das salas de negociação de ações, com todo aquele frenesi entre os traders no momento da consolidação de uma grande operação, ou até da intimidade desses profissionais e suas relações infantis e machistas pós-expediente. O roteiro potencializa um certo estereótipo do mercado financeiro? Sim, mas dessa vez apoiado na sua face menos romântica - e nem por isso menos glamorosa.

O filme é baseado no livro "

belíssimo, mostrando uma Paris diferente, pulsante, menos romântica e mais moderna -mérito total do fotógrafo Jérôme Alméras (de "Dentro de Casa") que capta esse moodtão precisamente que quase não reconhecemos a cidade luz. O elenco também funciona muito bem (chega a ser odioso), destaque para Arthur Dupont como Jérôme Kerviel e François-Xavier Demaison como Fabien Keller.

"Outsider" foi um grande sucesso na Europa no ano do seulançamento e levanta questões morais das mais interessantes. Embora tenda para o entretenimento, o filme nos coloca no "modo julgamento" a cada atitude do protagonista, criando uma experiência interessante, principalmente depois de sua metade quando nos habituamos com os termos mais técnicos e as implicações das ações suicidas de Kerviel (e de seus parceiros de trabalho).

Eu diria que o filme é uma surpresa agradável para quem gosta do assunto e que vai surpreender! Vale o play! 

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