Viu Review - ml-lcp

A Grande Jogada

Você não precisa criar um produto ou serviço revolucionário para se transformar em um grande empreendedor, basta conhecer muito bem seu mercado, escutar seus potenciais clientes e entregar algo melhor e que possa agradar mais do que seus concorrentes - "A Grande Jogada" fala exatamente sobre essa jornada real, mas pelos olhos de Molly Bloom (Jessica Chastain), uma ex-esquiadora olímpica forçada a abandonar a profissão após um acidente, que se tornou a "princesa do pôquer" faturando milhões organizando noitadas de jogatina VIP!

Baseado no livro "Molly’s Game: From Hollywood’s Elite to Wall Street’s Billionaire Boys Club, My High-Stakes Adventure in the World of Underground Poker", o  filme acompanha dois momentos da protagonista: sua ascensão dentro do mundo do pôquer, desde um pequeno barzinho onde trabalhava como garçonete até uma luxuosa cobertura contando com a presença de diversas celebridades; e como ela precisou enfrentar as consequências de gerenciar os jogos após ser presa por envolvimento com a máfia russa. Confira o trailer:

Embora o roteiro de "A Grande Jogada", escrito pelo excelente Aaron Sorkin (Rede Social), tenha ganho uma indicação merecida para o Oscar de 2018, foi a atriz Jessica Chastain a grande injustiçada do ano - ela merecia demais, no mínimo, a "indicação" por essa personagem. Ela está incrível! Reparem na dinâmica entre Molly e seu advogado, Charlie Jaffey (Idris Elba). A parceria entre eles, que marca a cronologia onde a personagem precisa se defender na justiça após ser presa e ter seu dinheiro confiscado, rende diálogos sensacionais, cheio de nuances e muito bem construídos por Sorkin - que também assina a direção, sua estreia.

Outro ponto que merece destaque é a edição: por causa de um ritmo bem acelerado, com muitos cortes e várias tomadas rápidas, cria-se uma dinâmica narrativa que nos impede de tirar os olhos da tela, fazendo com que o filme passe voando, sem se tornar cansativo - são mais de duas horas de filme e nem nos damos conta. Embora sem muitos riscos, a direção do Aaron Sorkin é bastante competente e a forma como ele constrói toda aquela atmosfera, que fica em uma linha muito tênue entre o luxo e o lixo, é simplesmente sensacional.

É claro que os mais familiarizados com o pôquer certamente terão uma experiência mais, digamos, interessante, pelo simples fato de entenderem o que, de fato, está acontecendo com as cartas na mesa, mas da mesma forma que "Gambito da Rainha" não é um drama sobre xadrez, "A Grande Jogada" não é sobre pôquer e sim sobre a jornada única de uma protagonista forte, inteligente, empreendedora, que encontrou na clandestinidade a chance de vencer na vida - com suas regras, com seus riscos e com sua dores! 

Vale muito o seu play!

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Você não precisa criar um produto ou serviço revolucionário para se transformar em um grande empreendedor, basta conhecer muito bem seu mercado, escutar seus potenciais clientes e entregar algo melhor e que possa agradar mais do que seus concorrentes - "A Grande Jogada" fala exatamente sobre essa jornada real, mas pelos olhos de Molly Bloom (Jessica Chastain), uma ex-esquiadora olímpica forçada a abandonar a profissão após um acidente, que se tornou a "princesa do pôquer" faturando milhões organizando noitadas de jogatina VIP!

Baseado no livro "Molly’s Game: From Hollywood’s Elite to Wall Street’s Billionaire Boys Club, My High-Stakes Adventure in the World of Underground Poker", o  filme acompanha dois momentos da protagonista: sua ascensão dentro do mundo do pôquer, desde um pequeno barzinho onde trabalhava como garçonete até uma luxuosa cobertura contando com a presença de diversas celebridades; e como ela precisou enfrentar as consequências de gerenciar os jogos após ser presa por envolvimento com a máfia russa. Confira o trailer:

Embora o roteiro de "A Grande Jogada", escrito pelo excelente Aaron Sorkin (Rede Social), tenha ganho uma indicação merecida para o Oscar de 2018, foi a atriz Jessica Chastain a grande injustiçada do ano - ela merecia demais, no mínimo, a "indicação" por essa personagem. Ela está incrível! Reparem na dinâmica entre Molly e seu advogado, Charlie Jaffey (Idris Elba). A parceria entre eles, que marca a cronologia onde a personagem precisa se defender na justiça após ser presa e ter seu dinheiro confiscado, rende diálogos sensacionais, cheio de nuances e muito bem construídos por Sorkin - que também assina a direção, sua estreia.

Outro ponto que merece destaque é a edição: por causa de um ritmo bem acelerado, com muitos cortes e várias tomadas rápidas, cria-se uma dinâmica narrativa que nos impede de tirar os olhos da tela, fazendo com que o filme passe voando, sem se tornar cansativo - são mais de duas horas de filme e nem nos damos conta. Embora sem muitos riscos, a direção do Aaron Sorkin é bastante competente e a forma como ele constrói toda aquela atmosfera, que fica em uma linha muito tênue entre o luxo e o lixo, é simplesmente sensacional.

É claro que os mais familiarizados com o pôquer certamente terão uma experiência mais, digamos, interessante, pelo simples fato de entenderem o que, de fato, está acontecendo com as cartas na mesa, mas da mesma forma que "Gambito da Rainha" não é um drama sobre xadrez, "A Grande Jogada" não é sobre pôquer e sim sobre a jornada única de uma protagonista forte, inteligente, empreendedora, que encontrou na clandestinidade a chance de vencer na vida - com suas regras, com seus riscos e com sua dores! 

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A Qualquer Custo

"Hell or High Water" (título original) é um ótimo filme, mas talvez para alguns não será inesquecível por, justamente, dramatizar a relação familiar dentro de um universo que depende de muita ação para prender a atenção de quem assiste.

O filme acompanha a história de dois irmãos no Oeste americano: Toby (Chris Pine), um pai divorciado que tenta assegurar uma vida melhor para o filho, e Tanner (Ben Foster), um ex-presidiário com tendências violentas. Juntos, eles decidem assaltar várias agências do banco que está penhorando a propriedade da sua família. Esta espécie de vingança parece ser um sucesso até que Toby e Tanner se cruzam com um incansável policial texano à procura de um triunfo final antes da aposentadoria. Assim, ao mesmo tempo que os dois assaltantes planeiam um último roubo para completarem o seu plano, o cerco parece se fechar sob o comando do Ranger Marcus Hamilton (Jeff Bridges).

O filme é muito bem dirigido pelo David Mackenzie, a fotografia do Giles Nuttgensé linda e, de fato, Jeff Bridges tinha tudo pra levar o Oscar de "Ator de Coadjuvante" em 2016 - mas não levou! Aliás, "A Qualquer Custo" teve 4 indicações naquele ano: Melhor Edição, Melhor Roteiro Original, Melhor Ator de Coadjuvante e Melhor Filme; e acabou saindo com as mãos vazias!

É preciso dizer que história é realmente boa, mas faltou algum plot twist que justificasse todo o clamor pelo filme, mas ele nunca vem, deixando a experiência bastante previsível! Vale o play, claro, mas encare como um entretenimento de muita qualidade e não um filme marcante!

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"Hell or High Water" (título original) é um ótimo filme, mas talvez para alguns não será inesquecível por, justamente, dramatizar a relação familiar dentro de um universo que depende de muita ação para prender a atenção de quem assiste.

O filme acompanha a história de dois irmãos no Oeste americano: Toby (Chris Pine), um pai divorciado que tenta assegurar uma vida melhor para o filho, e Tanner (Ben Foster), um ex-presidiário com tendências violentas. Juntos, eles decidem assaltar várias agências do banco que está penhorando a propriedade da sua família. Esta espécie de vingança parece ser um sucesso até que Toby e Tanner se cruzam com um incansável policial texano à procura de um triunfo final antes da aposentadoria. Assim, ao mesmo tempo que os dois assaltantes planeiam um último roubo para completarem o seu plano, o cerco parece se fechar sob o comando do Ranger Marcus Hamilton (Jeff Bridges).

O filme é muito bem dirigido pelo David Mackenzie, a fotografia do Giles Nuttgensé linda e, de fato, Jeff Bridges tinha tudo pra levar o Oscar de "Ator de Coadjuvante" em 2016 - mas não levou! Aliás, "A Qualquer Custo" teve 4 indicações naquele ano: Melhor Edição, Melhor Roteiro Original, Melhor Ator de Coadjuvante e Melhor Filme; e acabou saindo com as mãos vazias!

É preciso dizer que história é realmente boa, mas faltou algum plot twist que justificasse todo o clamor pelo filme, mas ele nunca vem, deixando a experiência bastante previsível! Vale o play, claro, mas encare como um entretenimento de muita qualidade e não um filme marcante!

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Anna

"Anna" é aquele típico filme de ação e espionagem anos 90, com um pouco mais de sangue! Se você gostou de "Nikita" (1990) e "A Assassina" (1993) você não pode deixar de assistir o filme de Luc Besson (de "O Quinto Elemento"). Como seus antecessores, não espere de "Anna" um filme digno de Oscar, mas um entretenimento despretensioso muito bem filmado - Besson continua em forma! Tendo como pano de fundo o mundo da moda parisiense ou uma charmosa Moscou, "Anna" mistura elegância com pancadaria em uma história que, mesmo sem grande profundidade, diverte do começo ao fim.

"Anna" mostra a história de uma jovem russa que vive em meio a um relacionamento abusivo na Moscou dos anos 90, até receber a visita do agente da KGB, Alex Tchenkov, que lhe oferece uma oportunidade única de mudar de vida. Por causa de algumas habilidades específicas, Anna foi selecionada para participar de um programa de treinamento ultra-secreto da agência soviética para missões especiais. Sem muita opção, e isso fica claro depois de uma sequência marcante do filme, ela acaba aceitando a proposta de Tchenkov: 5 anos trabalhando "full-time" para o governo e depois liberdade total para seguir sua vida. Como todo filme de espionagem que se preze, obviamente, as coisas não saem como esperado e Anna acaba sendo obrigada a lidar com uma série de missões suicidas ao mesmo tempo em que busca uma outra maneira de recomeçar sua vida sem o peso de ser uma assassina à serviço da União Soviética.

É preciso dizer que o diretor Luc Besson realmente conhece a gramatica cinematográfica de filmes de ação. "Anna" tem de tudo: perseguição nas ruas de Moscou, pancadaria em restaurante de luxo, missões quase impossíveis em hotéis, parques e até no quartel general da KGB (aqui a referência é até mais anos 80 do que 90. mas mesmo assim muito divertida), disfarces, espionagem e tudo que o gênero tem direito! O bacana do roteiro é a estrutura não-linear como a história é contada - confesso que essa dinâmica acaba cansando um pouco, mas não há como negar também, que ajuda (e muito) na narrativa e na dinâmica do filme. Ter Moscou e Paris como locações dá um charme para fotografia que inclusive, funciona muito nas cenas de luta - super bem coreografadas ao melhor estilo "Demolidor" (Netflix).

"Anna" é um conjunto de clichês que combinados funciona exatamente como tem que funcionar!!! É um excelente exemplo de um filme muito bem realizado sem a pretenção de se tornar uma obra inesquecível, mas que proporciona duas horas de entretenimento puro! Eu me diverti, mesmo não sendo um grande fã de filmes de ação e confesso que me surpreendi com a qualidade do trabalho da Sasha Luss - que além de linda, mostra segurança como atriz nos momentos que a personagem mais exigiu dela. Vale o ingresso, e se vier com um balde de pipoca e a desprendimento de aceitar que o filme é só um thriller de espionagem e ação, a experiência melhora muito!!!

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"Anna" é aquele típico filme de ação e espionagem anos 90, com um pouco mais de sangue! Se você gostou de "Nikita" (1990) e "A Assassina" (1993) você não pode deixar de assistir o filme de Luc Besson (de "O Quinto Elemento"). Como seus antecessores, não espere de "Anna" um filme digno de Oscar, mas um entretenimento despretensioso muito bem filmado - Besson continua em forma! Tendo como pano de fundo o mundo da moda parisiense ou uma charmosa Moscou, "Anna" mistura elegância com pancadaria em uma história que, mesmo sem grande profundidade, diverte do começo ao fim.

"Anna" mostra a história de uma jovem russa que vive em meio a um relacionamento abusivo na Moscou dos anos 90, até receber a visita do agente da KGB, Alex Tchenkov, que lhe oferece uma oportunidade única de mudar de vida. Por causa de algumas habilidades específicas, Anna foi selecionada para participar de um programa de treinamento ultra-secreto da agência soviética para missões especiais. Sem muita opção, e isso fica claro depois de uma sequência marcante do filme, ela acaba aceitando a proposta de Tchenkov: 5 anos trabalhando "full-time" para o governo e depois liberdade total para seguir sua vida. Como todo filme de espionagem que se preze, obviamente, as coisas não saem como esperado e Anna acaba sendo obrigada a lidar com uma série de missões suicidas ao mesmo tempo em que busca uma outra maneira de recomeçar sua vida sem o peso de ser uma assassina à serviço da União Soviética.

É preciso dizer que o diretor Luc Besson realmente conhece a gramatica cinematográfica de filmes de ação. "Anna" tem de tudo: perseguição nas ruas de Moscou, pancadaria em restaurante de luxo, missões quase impossíveis em hotéis, parques e até no quartel general da KGB (aqui a referência é até mais anos 80 do que 90. mas mesmo assim muito divertida), disfarces, espionagem e tudo que o gênero tem direito! O bacana do roteiro é a estrutura não-linear como a história é contada - confesso que essa dinâmica acaba cansando um pouco, mas não há como negar também, que ajuda (e muito) na narrativa e na dinâmica do filme. Ter Moscou e Paris como locações dá um charme para fotografia que inclusive, funciona muito nas cenas de luta - super bem coreografadas ao melhor estilo "Demolidor" (Netflix).

"Anna" é um conjunto de clichês que combinados funciona exatamente como tem que funcionar!!! É um excelente exemplo de um filme muito bem realizado sem a pretenção de se tornar uma obra inesquecível, mas que proporciona duas horas de entretenimento puro! Eu me diverti, mesmo não sendo um grande fã de filmes de ação e confesso que me surpreendi com a qualidade do trabalho da Sasha Luss - que além de linda, mostra segurança como atriz nos momentos que a personagem mais exigiu dela. Vale o ingresso, e se vier com um balde de pipoca e a desprendimento de aceitar que o filme é só um thriller de espionagem e ação, a experiência melhora muito!!!

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As Golpistas

Uma das maiores discussões assim que saíram os indicados para o Oscar de 2020 foi a ausência de Jennifer Lopez pelo seu trabalho em "As Golpistas"! Após assistir ao filme, fica claro que Lopez tinha total condição de estar entre as cinco, seu trabalho realmente merece elogios e ela carrega o filme nas costas, mas é um fato que ela deu um pouco de azar pelo alto nível da temporada - eu mesmo posso citar pelo menos mais uma ou duas atrizes que também mereciam estar entre as indicadas: caso da Awkwafina e da Lupita Nyong'o, por exemplo.

Pois bem, disse tudo isso para afirmar que "As Golpistas" se apoia muito na qualidade do seu elenco e como o próprio nome do filme sugere, as personagens tem importância vital perante a história, repare: são strippers que esquematizavam golpes sobre seus clientes cheios da grana, na maioria vindo de Wall Street, que se beneficiavam da situação de crise que assolava o país e, na visão delas, não sofreriam ao perder um pouco de dinheiro em uma noitada de "diversão". Confira o trailer:

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Uma das maiores discussões assim que saíram os indicados para o Oscar de 2020 foi a ausência de Jennifer Lopez pelo seu trabalho em "As Golpistas"! Após assistir ao filme, fica claro que Lopez tinha total condição de estar entre as cinco, seu trabalho realmente merece elogios e ela carrega o filme nas costas, mas é um fato que ela deu um pouco de azar pelo alto nível da temporada - eu mesmo posso citar pelo menos mais uma ou duas atrizes que também mereciam estar entre as indicadas: caso da Awkwafina e da Lupita Nyong'o, por exemplo.

Pois bem, disse tudo isso para afirmar que "As Golpistas" se apoia muito na qualidade do seu elenco e como o próprio nome do filme sugere, as personagens tem importância vital perante a história, repare: são strippers que esquematizavam golpes sobre seus clientes cheios da grana, na maioria vindo de Wall Street, que se beneficiavam da situação de crise que assolava o país e, na visão delas, não sofreriam ao perder um pouco de dinheiro em uma noitada de "diversão". Confira o trailer:

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Aves de Rapina

Aves de Rapina

"Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa" não é o tipo de filme de herói que me agrada, mas é preciso reconhecer que existe um público enorme que até prefere essemood mais suave e descompromissado do que algo mais denso com as discussões filosóficas que o Zack Snyder estava propondo para o DCU. Quando analisei"Coringa" escrevi o seguinte comentário: "Coringa" merece servir de modelo para todos os filmes que a DC vai produzir daqui para frente, pois trouxe para o selo (black / dark) a identidade que foi se perdendo depois dos sucessos da Marvel - e aqui cabe o comentário: a DC não é a Marvel e o seu maior erro foi querer suavizar suas histórias para se enquadrar em uma classificação que não está no seu DNA". Pois bem, o sucesso de "Coringa" é indiscutível, com o público e com a crítica, e mesmo assim a DC ainda volta no tempo e ainda luta para se afirmar como selo! "Aves de Rapina", por exemplo, fica em cima do muro: tem muito do que eu acreditava que a DC deveria deixar de lado para fortalecer sua identidade, mas também foi muito elogiada pela forma como a história foi contada, mesmo com um roteiro infantilizado (infelizmente) - embora o filme tenha muita ação e não esconde a violência, o universo de "Aves de Rapina" é muito mais próximo de "Esquadrão Suicida" - que sempre foi tido como um fracasso que deveria ser esquecido - do que aquele de "Coringa", trazendo um look menos sombrio e com personagens coadjuvantes muito mais engraçadinhos do que bem desenvolvidos - ou seja, a DC assume a violência, mas não pesa na mão quando o assunto é se aprofundar na história e nas motivações dos personagens. A mensagem que fica é essa: "só assista o filme e se divirta!" - e eu complemento: "por sua conta e risco, claro!"

O filme passa rapidamente pela história de Harleen Quinzel, desde criança, até conhecer o Sr. C (aquele "Coringa Rapper" do Jared Leto e não aquele Coringa genial do Joaquin Phoenix) - as inserções gráficas já nos posicionam sobre o tom do filme, inclusive. Assim que restabelece a personagem Arlequina com uma premissa pseudo-dramática sobre o término do seu relacionamento com o Coringa, começa uma corrida (desesperada) para construir algumas situações que possam justificar a criação do grupo que dá nome ao filme: "Aves de Rapina"; e mesmo o roteiro sendo inteligente na apresentação de cada uma das personagens: Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell), Renee Montoya (Rosie Perez) e Caçadora (Mary Elizabeth Winstead), quebrando muitas vezes a linearidade do tempo, as motivações de cada uma delas, são tão superficiais e batidas que refletem até em um personagem que tinha tudo para ser assustador ao melhor estilo Hannibal Lecter, o Máscara Negra (Ewan McGregor), mas que acaba soando como um garoto mimado que se irrita quando ele acha que alguém "está rindo da cara dele" (sim, existe essa cena no filme)!

Como é possível observar no trailer, e talvez por isso criou-se uma expectativa enorme sobre o seu lançamento, a novata diretora Cathy Yan assume a violência nua e crua em cenas de lutas extremamente bem coreografadas ao melhor estilo Demolidor (Netflix) na tentativa explícita de empoderar suas personagens femininas - e ela consegue cumprir sua missão com louvor. O balé da ação por trás das habilidades circenses de Arlequina pode não ter a mesma tensão e potência como em "Esquadrão Suicida", mas continua com aquele enorme carisma graças ao excelente trabalho da Margot Robbie - ela funciona tanto nas cenas mais dramáticas, quando nas escrachadas. A precisão cirúrgica da Caçadora e a habilidade natural de Renee Montoya estão muito bem justificadas e completamente dentro do contexto do filme, apenas o poder da Canário Negro que cai de para-quedas e ninguém nunca mais toca no assunto - é quase como se sua habilidade fosse a luta de rua e não a força de sua voz!

A partir daqui peço licença para refletir sobre as escolhas da DC, sem clubismo: "Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa" tem o seu mérito como subproduto da DC, mas o que me incomodou novamente, e isso não deve influenciar no gosto pessoal de ninguém, foi a falta de planejamento da DC, já que ela está tentando reconstruir seu Universo depois de algumas bobagens. Se houve um acerto tão claro e reconhecido como "Coringa" e mesmo que a proposta dos produtos sejam completamente diferentes (e são!), não se pode esquecer dos pontos de convergência entre as histórias, afinal ambas se passam em Gotham, por exemplo: então por que é tudo tão diferente? Os anos passaram entre uma história e outra, claro, mas houve algum reflexo na cidade, nos personagens? Nada é falado... Tudo fica  ainda mais confuso quando os executivos vem à público dizer que o filme é independente - mas meu amigo, existem várias referências ao desastroso "Esquadrão Suicida" e nenhuma sobre o novo Universo DC... cadê a coerência?

"Aves de Rapina" pode ser um acerto para quem entende que existe uma dinâmica diferente entre as obras e um distanciamento natural entre as histórias, que a liberdade artística pode influenciar no resultado individual, mas nunca como um todo e que a forma como está sendo pensado e criado o novo DCU é só para um ou outro selo da marca, com os personagens principais e tal... Não sei, para mim não convenceu, mas, como reforço, essa é só a minha opinião!

Se você gosta de filmes de ação, cheio de piadas e com alguma referência aos quadrinhos, é possível que você se divirta com "Aves de Rapina", se você espera um filmaço como "Coringa" nem perca seu tempo!

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"Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa" não é o tipo de filme de herói que me agrada, mas é preciso reconhecer que existe um público enorme que até prefere essemood mais suave e descompromissado do que algo mais denso com as discussões filosóficas que o Zack Snyder estava propondo para o DCU. Quando analisei"Coringa" escrevi o seguinte comentário: "Coringa" merece servir de modelo para todos os filmes que a DC vai produzir daqui para frente, pois trouxe para o selo (black / dark) a identidade que foi se perdendo depois dos sucessos da Marvel - e aqui cabe o comentário: a DC não é a Marvel e o seu maior erro foi querer suavizar suas histórias para se enquadrar em uma classificação que não está no seu DNA". Pois bem, o sucesso de "Coringa" é indiscutível, com o público e com a crítica, e mesmo assim a DC ainda volta no tempo e ainda luta para se afirmar como selo! "Aves de Rapina", por exemplo, fica em cima do muro: tem muito do que eu acreditava que a DC deveria deixar de lado para fortalecer sua identidade, mas também foi muito elogiada pela forma como a história foi contada, mesmo com um roteiro infantilizado (infelizmente) - embora o filme tenha muita ação e não esconde a violência, o universo de "Aves de Rapina" é muito mais próximo de "Esquadrão Suicida" - que sempre foi tido como um fracasso que deveria ser esquecido - do que aquele de "Coringa", trazendo um look menos sombrio e com personagens coadjuvantes muito mais engraçadinhos do que bem desenvolvidos - ou seja, a DC assume a violência, mas não pesa na mão quando o assunto é se aprofundar na história e nas motivações dos personagens. A mensagem que fica é essa: "só assista o filme e se divirta!" - e eu complemento: "por sua conta e risco, claro!"

O filme passa rapidamente pela história de Harleen Quinzel, desde criança, até conhecer o Sr. C (aquele "Coringa Rapper" do Jared Leto e não aquele Coringa genial do Joaquin Phoenix) - as inserções gráficas já nos posicionam sobre o tom do filme, inclusive. Assim que restabelece a personagem Arlequina com uma premissa pseudo-dramática sobre o término do seu relacionamento com o Coringa, começa uma corrida (desesperada) para construir algumas situações que possam justificar a criação do grupo que dá nome ao filme: "Aves de Rapina"; e mesmo o roteiro sendo inteligente na apresentação de cada uma das personagens: Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell), Renee Montoya (Rosie Perez) e Caçadora (Mary Elizabeth Winstead), quebrando muitas vezes a linearidade do tempo, as motivações de cada uma delas, são tão superficiais e batidas que refletem até em um personagem que tinha tudo para ser assustador ao melhor estilo Hannibal Lecter, o Máscara Negra (Ewan McGregor), mas que acaba soando como um garoto mimado que se irrita quando ele acha que alguém "está rindo da cara dele" (sim, existe essa cena no filme)!

Como é possível observar no trailer, e talvez por isso criou-se uma expectativa enorme sobre o seu lançamento, a novata diretora Cathy Yan assume a violência nua e crua em cenas de lutas extremamente bem coreografadas ao melhor estilo Demolidor (Netflix) na tentativa explícita de empoderar suas personagens femininas - e ela consegue cumprir sua missão com louvor. O balé da ação por trás das habilidades circenses de Arlequina pode não ter a mesma tensão e potência como em "Esquadrão Suicida", mas continua com aquele enorme carisma graças ao excelente trabalho da Margot Robbie - ela funciona tanto nas cenas mais dramáticas, quando nas escrachadas. A precisão cirúrgica da Caçadora e a habilidade natural de Renee Montoya estão muito bem justificadas e completamente dentro do contexto do filme, apenas o poder da Canário Negro que cai de para-quedas e ninguém nunca mais toca no assunto - é quase como se sua habilidade fosse a luta de rua e não a força de sua voz!

A partir daqui peço licença para refletir sobre as escolhas da DC, sem clubismo: "Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa" tem o seu mérito como subproduto da DC, mas o que me incomodou novamente, e isso não deve influenciar no gosto pessoal de ninguém, foi a falta de planejamento da DC, já que ela está tentando reconstruir seu Universo depois de algumas bobagens. Se houve um acerto tão claro e reconhecido como "Coringa" e mesmo que a proposta dos produtos sejam completamente diferentes (e são!), não se pode esquecer dos pontos de convergência entre as histórias, afinal ambas se passam em Gotham, por exemplo: então por que é tudo tão diferente? Os anos passaram entre uma história e outra, claro, mas houve algum reflexo na cidade, nos personagens? Nada é falado... Tudo fica  ainda mais confuso quando os executivos vem à público dizer que o filme é independente - mas meu amigo, existem várias referências ao desastroso "Esquadrão Suicida" e nenhuma sobre o novo Universo DC... cadê a coerência?

"Aves de Rapina" pode ser um acerto para quem entende que existe uma dinâmica diferente entre as obras e um distanciamento natural entre as histórias, que a liberdade artística pode influenciar no resultado individual, mas nunca como um todo e que a forma como está sendo pensado e criado o novo DCU é só para um ou outro selo da marca, com os personagens principais e tal... Não sei, para mim não convenceu, mas, como reforço, essa é só a minha opinião!

Se você gosta de filmes de ação, cheio de piadas e com alguma referência aos quadrinhos, é possível que você se divirta com "Aves de Rapina", se você espera um filmaço como "Coringa" nem perca seu tempo!

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Beckett

"Beckett" é o tipo do filme que transita muito bem entre o drama e a ação, mas que acaba demorando um certo tempo para encontrar sua identidade e isso vai causar algum distanciamento da audiência - mas calma, o filme é bom, só precisamos alinhar as expectativas. Se no primeiro ato o foco é estabelecer a relação entre o protagonista e sua namorada, a partir do segundo ele subverte o gênero e traz para cena a correria e as reviravoltas de um bom thriller de ação - ou seja, se você gosta de ação será preciso suportar os primeiros 30 minutos de filme que são bem cadenciados, já se você gosta de um bom drama, é possível que você se decepcione com o andamento da trama.

Enquanto estava de férias no Norte da Grécia, o turista americano Beckett (John David Washington) se torna o alvo de uma caçada após sofrer um acidente de carro que acaba sendo fatal para sua namorada (Alicia Vikander). Devastado, Beckett tenta recompor suas forças enquanto aguarda a liberação do corpo e a investigação do acidente, porém uma série de eventos (aparentemente inexplicáveis) faz com que ele seja forçado a correr para salvar sua vida. Sem saber se comunicar e não podendo confiar em ninguém, Beckett precisa cruzar o pais até chegar na embaixada americana e assim tentar provar sua inocência, seja lá por qual crime ele está sendo procurado. Confira o trailer:

Veja, Samuel Beckett, é um famoso dramaturgo irlandês que escreveu o clássico "Esperando Godot" e acabou se transformando no maior representante do "Teatro do Absurdo" - honraria que acabou se derivando na expressão "beckettiana" que significa, prestem atenção: adjetivo usado para definir situações em que pessoas se veem imobilizadas, em comunicação truncada, sem saída ou mesmo sem propósito, como comentário pessimista da condição humana. 

Não por acaso o diretor italiano Ferdinando Cito Filomarino traz esse mesmo conceito para história que ele mesmo criou e que foi roteirizada pelo estreante Kevin A. Rice. Notadamente, Filomarino quer impor uma narrativa mais autoral, com ares de filme independente e esse mood parece não se encaixar no que vemos na tela - na minha opinião, falta organicidade nas transições de gênero. O diretor acerta no drama, mas derrapa na ação. Quando ele cria as inúmeras barreiras que uma comunicação (truncada) acarreta, sentimos a angustia e o medo de Beckett, mas quando começa a caçada, ele não entrega a mesma qualidade de gramática cinematográfica - nem a montagem consegue consertar alguns planos mal executados. Porém, chega a ser impressionante como isso não impacta na experiência quando mudamos a "chavinha" do drama para a ação - o que foi construído por John David Washington continua ali e convenhamos: o que buscamos no gênero é o entretenimento das perseguições, sentir a raiva quando das traições e alívio de mais um "final feliz", e isso o filme entrega!

A história é de fato boa, cheia de simbolismos que remetem ao absurdo de Beckett (o dramaturgo), mas dois elementos ajudam (e muito) na concepção do ritmo que o filme luta para impor: a fotografia do Sayombhu Mukdeeprom (Me Chame pelo Seu Nome) e a excelente trilha sonora do astro japonêsRyuichi Sakamoto. Tudo se encaixa muito bem com o excelente trabalho de Washington, dando inclusive uma sensação de que tudo foi muito bem orquestrado, mesmo não sendo (como comentamos). A grande questão e talvez o mais difícil paradoxo das escolhas de Filomarino seja justamente encontrar o seu público dentro de dois gêneros que pouco se comunicam, mas que no final do dia vai agradar muito mais do que aborrecer.

"Beckett"é entretenimento puro e que vale o play pela experiência, sem muita preocupação de acertar em todas as escolhas narrativas!

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"Beckett" é o tipo do filme que transita muito bem entre o drama e a ação, mas que acaba demorando um certo tempo para encontrar sua identidade e isso vai causar algum distanciamento da audiência - mas calma, o filme é bom, só precisamos alinhar as expectativas. Se no primeiro ato o foco é estabelecer a relação entre o protagonista e sua namorada, a partir do segundo ele subverte o gênero e traz para cena a correria e as reviravoltas de um bom thriller de ação - ou seja, se você gosta de ação será preciso suportar os primeiros 30 minutos de filme que são bem cadenciados, já se você gosta de um bom drama, é possível que você se decepcione com o andamento da trama.

Enquanto estava de férias no Norte da Grécia, o turista americano Beckett (John David Washington) se torna o alvo de uma caçada após sofrer um acidente de carro que acaba sendo fatal para sua namorada (Alicia Vikander). Devastado, Beckett tenta recompor suas forças enquanto aguarda a liberação do corpo e a investigação do acidente, porém uma série de eventos (aparentemente inexplicáveis) faz com que ele seja forçado a correr para salvar sua vida. Sem saber se comunicar e não podendo confiar em ninguém, Beckett precisa cruzar o pais até chegar na embaixada americana e assim tentar provar sua inocência, seja lá por qual crime ele está sendo procurado. Confira o trailer:

Veja, Samuel Beckett, é um famoso dramaturgo irlandês que escreveu o clássico "Esperando Godot" e acabou se transformando no maior representante do "Teatro do Absurdo" - honraria que acabou se derivando na expressão "beckettiana" que significa, prestem atenção: adjetivo usado para definir situações em que pessoas se veem imobilizadas, em comunicação truncada, sem saída ou mesmo sem propósito, como comentário pessimista da condição humana. 

Não por acaso o diretor italiano Ferdinando Cito Filomarino traz esse mesmo conceito para história que ele mesmo criou e que foi roteirizada pelo estreante Kevin A. Rice. Notadamente, Filomarino quer impor uma narrativa mais autoral, com ares de filme independente e esse mood parece não se encaixar no que vemos na tela - na minha opinião, falta organicidade nas transições de gênero. O diretor acerta no drama, mas derrapa na ação. Quando ele cria as inúmeras barreiras que uma comunicação (truncada) acarreta, sentimos a angustia e o medo de Beckett, mas quando começa a caçada, ele não entrega a mesma qualidade de gramática cinematográfica - nem a montagem consegue consertar alguns planos mal executados. Porém, chega a ser impressionante como isso não impacta na experiência quando mudamos a "chavinha" do drama para a ação - o que foi construído por John David Washington continua ali e convenhamos: o que buscamos no gênero é o entretenimento das perseguições, sentir a raiva quando das traições e alívio de mais um "final feliz", e isso o filme entrega!

A história é de fato boa, cheia de simbolismos que remetem ao absurdo de Beckett (o dramaturgo), mas dois elementos ajudam (e muito) na concepção do ritmo que o filme luta para impor: a fotografia do Sayombhu Mukdeeprom (Me Chame pelo Seu Nome) e a excelente trilha sonora do astro japonêsRyuichi Sakamoto. Tudo se encaixa muito bem com o excelente trabalho de Washington, dando inclusive uma sensação de que tudo foi muito bem orquestrado, mesmo não sendo (como comentamos). A grande questão e talvez o mais difícil paradoxo das escolhas de Filomarino seja justamente encontrar o seu público dentro de dois gêneros que pouco se comunicam, mas que no final do dia vai agradar muito mais do que aborrecer.

"Beckett"é entretenimento puro e que vale o play pela experiência, sem muita preocupação de acertar em todas as escolhas narrativas!

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Bloodshot

"Bloodshot" é uma agradável surpresa para quem gosta de filmes de ação, de heróis e quer entretenimento enquanto saboreia um pacote de pipoca! Partindo do principio que eu não conhecia a história do herói dos quadrinhos da editora americanaValiant Comics, posso afirmar tranquilamente que "Bloodshot" é muito divertido e extremamente bem filmado pelo diretor estreante Dave Wilson - e aqui, meu amigo, vem uma informação essencial e que refletiu perfeitamente na tela: Wilson foi Supervisor Criativo dos efeitos visuais de "Vingadores - Era de Ultron" e trabalhou em vários games como "The Division", "Mass Effect 2" e "BioShock Infinite", esse último, inclusive, foi referência fundamental na construção do mooddas cenas de ação de "Bloodshot". Confira o trailer:

Vin Diesel interpreta Ray Garrison, um soldado morto recentemente em combate que foi trazido de volta à vida pela corporação RST como um super-humano. Com um exército nano-tecnológico correndo em suas veias que regeneram os danos do seu corpo, ele se torna uma força insuperável – mais forte do que nunca e com o poder de cura instantâneo. Mas, ao controlar seu corpo, a corporação também toma controle de sua mente, especialmente das suas memórias - afinal, a forma mais eficaz de potencializar uma arma como Ray é através da vingança! Como Ray não sabe diferenciar o que é real do que não é; ele precisa descobrir a verdade a qualquer custo para se tornar independente!

QueVin Diesel consegue segurar uma franquia, isso não é segredo para ninguém. Sabemos do que ele é capaz e por isso nem nos importamos com o tamanho da sua canastrice - tem um diálogo no filme onde ele confronta o Dr. Emil Harting (Guy Pearce), que chega a ser constrangedor, mas, sinceramente, o que vale é a pancadaria e isso ele segura bem! Embora o roteiro de "Bloodshot" não seja lá um primor de originalidade, ele cumpre muito bem o seu papel - ele estabelece o universo, apresenta os personagens (novos para a grande maioria) e ainda entrega muita ação. Mesmo sendo o primeiro longa-metragem dirigido pelo Dave Wilson, ele equilibra muito bem as cenas mais poéticas com as de ação completamente frenética - ele trabalha muito bem a velocidade de captação, usando cirurgicamente as técnicas de Matrix (mas sem o movimento de eixo). A fotografia do Jacques Jouffret se encaixou perfeitamente com o estilo de Wilson - a cena no túnel é um belíssimo exemplo! Reparem!

Olha, eu diria que o diretor Dave Wilson trouxe o melhor do games de ação, um cuidado muito interessante com os efeitos visuais (seu forte) e uma sensibilidade muito grande na humanização da câmera no enquadramento dos personagens em cenas de diálogo - o que faltou então? Direção de Atores, mas se tratando de um filme de herói, não impactou no resultado final. Gostei muito, vou acompanhar esse diretor mais de perto, "Bloodshot" terá uma continuação e eu diria que a parceria Sony e Valiant Comics pode render bons frutos para ambos!

Vale a pena!

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"Bloodshot" é uma agradável surpresa para quem gosta de filmes de ação, de heróis e quer entretenimento enquanto saboreia um pacote de pipoca! Partindo do principio que eu não conhecia a história do herói dos quadrinhos da editora americanaValiant Comics, posso afirmar tranquilamente que "Bloodshot" é muito divertido e extremamente bem filmado pelo diretor estreante Dave Wilson - e aqui, meu amigo, vem uma informação essencial e que refletiu perfeitamente na tela: Wilson foi Supervisor Criativo dos efeitos visuais de "Vingadores - Era de Ultron" e trabalhou em vários games como "The Division", "Mass Effect 2" e "BioShock Infinite", esse último, inclusive, foi referência fundamental na construção do mooddas cenas de ação de "Bloodshot". Confira o trailer:

Vin Diesel interpreta Ray Garrison, um soldado morto recentemente em combate que foi trazido de volta à vida pela corporação RST como um super-humano. Com um exército nano-tecnológico correndo em suas veias que regeneram os danos do seu corpo, ele se torna uma força insuperável – mais forte do que nunca e com o poder de cura instantâneo. Mas, ao controlar seu corpo, a corporação também toma controle de sua mente, especialmente das suas memórias - afinal, a forma mais eficaz de potencializar uma arma como Ray é através da vingança! Como Ray não sabe diferenciar o que é real do que não é; ele precisa descobrir a verdade a qualquer custo para se tornar independente!

QueVin Diesel consegue segurar uma franquia, isso não é segredo para ninguém. Sabemos do que ele é capaz e por isso nem nos importamos com o tamanho da sua canastrice - tem um diálogo no filme onde ele confronta o Dr. Emil Harting (Guy Pearce), que chega a ser constrangedor, mas, sinceramente, o que vale é a pancadaria e isso ele segura bem! Embora o roteiro de "Bloodshot" não seja lá um primor de originalidade, ele cumpre muito bem o seu papel - ele estabelece o universo, apresenta os personagens (novos para a grande maioria) e ainda entrega muita ação. Mesmo sendo o primeiro longa-metragem dirigido pelo Dave Wilson, ele equilibra muito bem as cenas mais poéticas com as de ação completamente frenética - ele trabalha muito bem a velocidade de captação, usando cirurgicamente as técnicas de Matrix (mas sem o movimento de eixo). A fotografia do Jacques Jouffret se encaixou perfeitamente com o estilo de Wilson - a cena no túnel é um belíssimo exemplo! Reparem!

Olha, eu diria que o diretor Dave Wilson trouxe o melhor do games de ação, um cuidado muito interessante com os efeitos visuais (seu forte) e uma sensibilidade muito grande na humanização da câmera no enquadramento dos personagens em cenas de diálogo - o que faltou então? Direção de Atores, mas se tratando de um filme de herói, não impactou no resultado final. Gostei muito, vou acompanhar esse diretor mais de perto, "Bloodshot" terá uma continuação e eu diria que a parceria Sony e Valiant Comics pode render bons frutos para ambos!

Vale a pena!

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Caminhos da Memória

Assistir "Caminhos da Memória" é como acompanhar a história de um bom jogo de video-game que mistura ficção científica com vários elementos de ação e investigação. Eu diria que o filme da estreante Lisa Joy (de "Westworld") é entretenimento puro, na linha de "Minority Report" com toques de "Max Payne" (o jogo).

Na história, Nick Bainnister (Hugh Jackman) é um veterano de guerra que vive em uma Miami do futuro, parcialmente submersa pelas águas do oceano que invadiram a cidade por causa do aquecimento global. Ele trabalha com a policia local operando uma “máquina da reminiscência” - uma tecnologia que permite que indivíduos revisitem memórias, experimentando-as novamente como se estivessem lá. Quando a cantora de boate Mae (Rebecca Ferguson) busca os serviços de Nick, os dois acabam se apaixonando e vivendo um caso intenso até que ela desaparece sem deixar vestígios, deixando o Nick obcecado por encontrá-la, custe o que custar. Confira o trailer:

Antes de mais nada é preciso dizer que muitas pessoas criticaram o filme por criarem uma espécie de comparação bastante injusta pela própria proposta de Lisa Joy - "Caminhos da Memória" não é (embora pudesse ser) um filme do Christopher Nolan. Ele não tem a profundidade narrativa, a complexidade conceitual entre texto e imagem e muito menos a genialidade estética do diretor. Joy foi roteirista e co-criadora de "Westworld", é casada com o irmão de Christopher Nolan, Jonathan, e certamente foi influenciada por uma gramática cinematográfica muito próxima de "Amnésia", "A Origem" e "Tenet", principalmente ao guardar na manga algumas cartas que ajudam a complicar, e não propriamente simplificar, seus personagens, ou seja, nem tudo é exatamente o que parece ser - mas continua sendo um filme de Joy, não de Nolan.

Um dos maiores acertos do filme, sem dúvida, foi ter Paul Cameron ("Déjà Vu" e "Westworld") como diretor de fotografia. A imersão naquela realidade distópica é imediata e tão palpável quanto nos trabalhos de Roger Deakins em "Nova York Sitiada" ou "Blade Runner 2049". A ambientação feita em CGI também impressiona pelo alinhamento com um excelente design de produção, do competente Howard Cummings ("Westworld" e "Contágio"). O que eu quero dizer é que Lisa Joy contou com o que existe de melhor, técnica e artisticamente, para entregar um filme de ficção científica e ação focado no público adulto, que busca uma história madura e emocionalmente inteligente.

Minha única observação, em tempos de tantos projetos de séries sensacionais para o streaming, diz respeito ao potencial do roteiro para um desenvolvimento melhor das histórias paralelas. Veja, a sub-trama dos Barões que comandam essa Miami destruída pelas águas e que tem o controle das terras secas, merecia, de fato, uma atenção maior até para justificar o final (sem spoiler, mas será que viria um série por aí?). O arco da família do Barão Walter Sylvan (Brett Cullen), de sua esposa Tamara (Marina de Tavira) e do filho Sebastian (Mojean Aria), funciona, mas é apressada. O mesmo serve para Saint Joe (Daniel Wu) e sua conexão com as drogas e com a corrupção da policia local.

Com uma certa "poesia Noir", "Reminiscence" (no original) faz uma reflexão romântica sobre o impacto da memória nas nossas vidas, sem fugir dos perigos que ela pode representar quando da sua dualidade perante as escolhas na jornada do protagonista - como muito já foi discutido nos filmes do Nolan. Mais uma vez, o filme é competente e será um excelente entretenimento para quem embarcar na trama, para depois desligar a TV ou quem sabe mudar de canal com aquela sensação de boas duas horas de diversão sem a pretensão de serem inesquecíveis.

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Assistir "Caminhos da Memória" é como acompanhar a história de um bom jogo de video-game que mistura ficção científica com vários elementos de ação e investigação. Eu diria que o filme da estreante Lisa Joy (de "Westworld") é entretenimento puro, na linha de "Minority Report" com toques de "Max Payne" (o jogo).

Na história, Nick Bainnister (Hugh Jackman) é um veterano de guerra que vive em uma Miami do futuro, parcialmente submersa pelas águas do oceano que invadiram a cidade por causa do aquecimento global. Ele trabalha com a policia local operando uma “máquina da reminiscência” - uma tecnologia que permite que indivíduos revisitem memórias, experimentando-as novamente como se estivessem lá. Quando a cantora de boate Mae (Rebecca Ferguson) busca os serviços de Nick, os dois acabam se apaixonando e vivendo um caso intenso até que ela desaparece sem deixar vestígios, deixando o Nick obcecado por encontrá-la, custe o que custar. Confira o trailer:

Antes de mais nada é preciso dizer que muitas pessoas criticaram o filme por criarem uma espécie de comparação bastante injusta pela própria proposta de Lisa Joy - "Caminhos da Memória" não é (embora pudesse ser) um filme do Christopher Nolan. Ele não tem a profundidade narrativa, a complexidade conceitual entre texto e imagem e muito menos a genialidade estética do diretor. Joy foi roteirista e co-criadora de "Westworld", é casada com o irmão de Christopher Nolan, Jonathan, e certamente foi influenciada por uma gramática cinematográfica muito próxima de "Amnésia", "A Origem" e "Tenet", principalmente ao guardar na manga algumas cartas que ajudam a complicar, e não propriamente simplificar, seus personagens, ou seja, nem tudo é exatamente o que parece ser - mas continua sendo um filme de Joy, não de Nolan.

Um dos maiores acertos do filme, sem dúvida, foi ter Paul Cameron ("Déjà Vu" e "Westworld") como diretor de fotografia. A imersão naquela realidade distópica é imediata e tão palpável quanto nos trabalhos de Roger Deakins em "Nova York Sitiada" ou "Blade Runner 2049". A ambientação feita em CGI também impressiona pelo alinhamento com um excelente design de produção, do competente Howard Cummings ("Westworld" e "Contágio"). O que eu quero dizer é que Lisa Joy contou com o que existe de melhor, técnica e artisticamente, para entregar um filme de ficção científica e ação focado no público adulto, que busca uma história madura e emocionalmente inteligente.

Minha única observação, em tempos de tantos projetos de séries sensacionais para o streaming, diz respeito ao potencial do roteiro para um desenvolvimento melhor das histórias paralelas. Veja, a sub-trama dos Barões que comandam essa Miami destruída pelas águas e que tem o controle das terras secas, merecia, de fato, uma atenção maior até para justificar o final (sem spoiler, mas será que viria um série por aí?). O arco da família do Barão Walter Sylvan (Brett Cullen), de sua esposa Tamara (Marina de Tavira) e do filho Sebastian (Mojean Aria), funciona, mas é apressada. O mesmo serve para Saint Joe (Daniel Wu) e sua conexão com as drogas e com a corrupção da policia local.

Com uma certa "poesia Noir", "Reminiscence" (no original) faz uma reflexão romântica sobre o impacto da memória nas nossas vidas, sem fugir dos perigos que ela pode representar quando da sua dualidade perante as escolhas na jornada do protagonista - como muito já foi discutido nos filmes do Nolan. Mais uma vez, o filme é competente e será um excelente entretenimento para quem embarcar na trama, para depois desligar a TV ou quem sabe mudar de canal com aquela sensação de boas duas horas de diversão sem a pretensão de serem inesquecíveis.

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Como Vender Drogas Online

Se "Good Girls" foi definida como a versão de "Breaking Bad" com protagonistas femininos, naturalmente vamos relacionar "Como Vender Drogas Online (Rápido)" como a versão adolescente da série de Vince Gilligan. O que poderia soar com uma certa desconfiança, afinal a Netflix vem enchendo seu catálogo de projetos bem duvidosos com temática adolescente desde 2019, tem um elemento que acaba colocando essa série em um outro patamar: "Como Vender Drogas Online (Rápido)" é uma produção alemã! Repare na sinopse: Moritz (Maximilian Mundt) é um nerd que, após terminar um relacionamento de muitos anos e ver sua ex-namorada, Lisa (Lena Klenke), começar a se relacionar com o "traficante", popular e esportista da escola, resolve abrir seu próprio negócio para ganhar muito dinheiro, respeito, poder e assim reconquistá-la - o problema é "como" ele quer conseguir tudo isso, claro! Confira o trailer:

Vender drogas online pela Deep Web foi uma escolha tão natural para dois Nerds com o mindset empreendedor, como produzir metanfetamina de qualidade foi para um químico como Walter White. Se a motivação de White era ganhar a maior quantidade de dinheiro possível para deixar sua família tranquila após descobrir que o câncer no pulmão acabaria com sua vida, a de Moritz soa exatamente igual - mas dentro daquele universo que ele pertence! O que achei interessante em "Como Vender Drogas Online (Rápido)"é que não existe uma banalização do drama do protagonista por ele ser um adolescente cheio de inseguranças - sua dor e preocupação são tão legitimos quanto o câncer de White. Mesmo se apoiando em assuntos que estamos cansados de assistir, a série usa de um conceito narrativo menos denso, o que transforma temas bastante delicados em alegorias de fácil entendimento. O fato da série ser relativamente curta, cada episódio com cerca de 30 minutos e cada temporada com apenas seis episódios, ajuda muito nessa dinâmica e vai proporcionar um ótimo entretenimento sem tomar muito seu tempo, porém, talvez deixe a sensação que os personagens mereceriam um desenvolvimento mais cuidadoso. De cara, eu posso afirmar tranquilamente que vale a pena - sinceramente, acho que essa série pode te surpreender e, muito em breve, se tornar uma das queridinhas dos assinantes da Netflix se for inteligente o suficiente para não cair no óbvio!

Ao lado da Espanha, a Alemanha talvez seja o país europeu que mais ganhou os holofotes recentemente e que vem entregando ótimos conteúdos - deixando, inclusive, França e Reino Unido para trás. Dito isso, é de se esperar que depois de "Dark" e "Nós somos a Onda", o país trouxesse para um universo um pouco mais lúdico, a seriedade com que desenvolve suas histórias. Essa percepção executiva e criativa vem fazendo muita diferença. Um dos pontos que nos provocava em Breaking Bad e que encontramos em  "Como Vender Drogas Online (Rápido)" diz respeito a construção de um mito (mesmo que na forma de anti-herói). O interessante é que para contextualizar essa jornada, os criadores Philipp Käßbohrer e Matthias Murmann, a todo momento, fazem paralelos com empreendedores de sucesso da vida real, deixando claro que existe um padrão para alcançar o sucesso e que se repetido, a chance de funcionar aumenta consideravelmente, mesmo com um produto ilegal. Não é raro, aliás, nomes como Steve Jobs, Elon Musk e Jeff Bezos serem citados para validar uma ou outra atitude dos protagonistas - essas referências trazem uma agradável lembrança de "Silicon Valley" da HBO, inclusive!

Peço licença para repetir a mesma premissa que destaquei em "Good Girls": "Como Vender Drogas Online (Rápido)" é daquele tipo de série onde o protagonista bonzinho  vai tomando decisões cada vez mais questionáveis ao longo da sua jornada, cada vez mais distante dos seus valores e aspectos morais, mas vai gostando da nova vida, da sensação de poder e de pertencimento viciante até que, de repente, está em uma enorme bola de neve de onde não consegue mais sair!" - Dito isso, é possível afirmar que as tramas e sub-tramas vão soar familiares! Acontece que a série apresenta tantos elementos interessantes para serem desenvolvidos que eu chego a duvidar se a escolha por episódios menores foi realmente a melhor - acho que não!

Comandado pelo diretor Arne Feldhusen, a série tem um conceito estético maravilhoso que nos insere no universo da Geração Z com muita elegância. As inserções gráficas para explicar como a tecnologia faz parte do cotidiano dessa geração e como ela interfere na formação social desses jovens, é simplesmente genial - embora auto-explicativo, ter Moritz como narrador e protagonista só facilita o entendimento, além de render ótimas tiradas. Outro elemento visual muito bacana mostra como a droga impacta a vida de um ser humano normal - em uma sequência de cenas excepcionalmente bem editadas (totalmente clipadas), vemos uma pessoa no seu dia a dia que, rapidamente, sofre uma transformação assim que coloca um comprimido da boca. Usando tanto fashfowards quanto flashbacks, além de visualmente interessante, essas cenas ajudam a explicar os efeitos e consequências das drogas que estão sendo vendidas por Moritz e pelo seu sócio Lenny (Danilo Kamber).

Outro ponto que merece ser destacado antes de finalizarmos o review é justamente a qualidade do elenco: tanto Moritz (Maximilian Mundt) quanto Lenny (Danilo Kamber) fogem completamente do estereótipo que costumamos encontrar em séries adolescentes (e aqui estou sendo bastante taxativo). Com excelentes performances, a dupla de protagonistas convencem, cada um apoiado no seu drama particular, sem soar superficial e isso não é nada fácil!

Agora, é claro que beber na fonte de "Breaking Bad" tem seus prós e contras -  são inúmeras referências (quase adaptações): como ter um policial dentro de família ou o corte de cabelo do protagonista, mas que funcionam tão bem que soa até original, embora sabemos que não é! "Como Vender Drogas Online (Rápido)" é uma ótima escolha, pela dinâmica da série e pela forma como a história é contada - ela exige da nossa imaginação e até de uma certa abstração da realidade, ao mesmo tempo em que é extremamente real e paupável dentro daquele cenário! Vale muito a pena pela dicotomia inteligente da narrativa e pela diversão que ela nos proporciona!

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Se "Good Girls" foi definida como a versão de "Breaking Bad" com protagonistas femininos, naturalmente vamos relacionar "Como Vender Drogas Online (Rápido)" como a versão adolescente da série de Vince Gilligan. O que poderia soar com uma certa desconfiança, afinal a Netflix vem enchendo seu catálogo de projetos bem duvidosos com temática adolescente desde 2019, tem um elemento que acaba colocando essa série em um outro patamar: "Como Vender Drogas Online (Rápido)" é uma produção alemã! Repare na sinopse: Moritz (Maximilian Mundt) é um nerd que, após terminar um relacionamento de muitos anos e ver sua ex-namorada, Lisa (Lena Klenke), começar a se relacionar com o "traficante", popular e esportista da escola, resolve abrir seu próprio negócio para ganhar muito dinheiro, respeito, poder e assim reconquistá-la - o problema é "como" ele quer conseguir tudo isso, claro! Confira o trailer:

Vender drogas online pela Deep Web foi uma escolha tão natural para dois Nerds com o mindset empreendedor, como produzir metanfetamina de qualidade foi para um químico como Walter White. Se a motivação de White era ganhar a maior quantidade de dinheiro possível para deixar sua família tranquila após descobrir que o câncer no pulmão acabaria com sua vida, a de Moritz soa exatamente igual - mas dentro daquele universo que ele pertence! O que achei interessante em "Como Vender Drogas Online (Rápido)"é que não existe uma banalização do drama do protagonista por ele ser um adolescente cheio de inseguranças - sua dor e preocupação são tão legitimos quanto o câncer de White. Mesmo se apoiando em assuntos que estamos cansados de assistir, a série usa de um conceito narrativo menos denso, o que transforma temas bastante delicados em alegorias de fácil entendimento. O fato da série ser relativamente curta, cada episódio com cerca de 30 minutos e cada temporada com apenas seis episódios, ajuda muito nessa dinâmica e vai proporcionar um ótimo entretenimento sem tomar muito seu tempo, porém, talvez deixe a sensação que os personagens mereceriam um desenvolvimento mais cuidadoso. De cara, eu posso afirmar tranquilamente que vale a pena - sinceramente, acho que essa série pode te surpreender e, muito em breve, se tornar uma das queridinhas dos assinantes da Netflix se for inteligente o suficiente para não cair no óbvio!

Ao lado da Espanha, a Alemanha talvez seja o país europeu que mais ganhou os holofotes recentemente e que vem entregando ótimos conteúdos - deixando, inclusive, França e Reino Unido para trás. Dito isso, é de se esperar que depois de "Dark" e "Nós somos a Onda", o país trouxesse para um universo um pouco mais lúdico, a seriedade com que desenvolve suas histórias. Essa percepção executiva e criativa vem fazendo muita diferença. Um dos pontos que nos provocava em Breaking Bad e que encontramos em  "Como Vender Drogas Online (Rápido)" diz respeito a construção de um mito (mesmo que na forma de anti-herói). O interessante é que para contextualizar essa jornada, os criadores Philipp Käßbohrer e Matthias Murmann, a todo momento, fazem paralelos com empreendedores de sucesso da vida real, deixando claro que existe um padrão para alcançar o sucesso e que se repetido, a chance de funcionar aumenta consideravelmente, mesmo com um produto ilegal. Não é raro, aliás, nomes como Steve Jobs, Elon Musk e Jeff Bezos serem citados para validar uma ou outra atitude dos protagonistas - essas referências trazem uma agradável lembrança de "Silicon Valley" da HBO, inclusive!

Peço licença para repetir a mesma premissa que destaquei em "Good Girls": "Como Vender Drogas Online (Rápido)" é daquele tipo de série onde o protagonista bonzinho  vai tomando decisões cada vez mais questionáveis ao longo da sua jornada, cada vez mais distante dos seus valores e aspectos morais, mas vai gostando da nova vida, da sensação de poder e de pertencimento viciante até que, de repente, está em uma enorme bola de neve de onde não consegue mais sair!" - Dito isso, é possível afirmar que as tramas e sub-tramas vão soar familiares! Acontece que a série apresenta tantos elementos interessantes para serem desenvolvidos que eu chego a duvidar se a escolha por episódios menores foi realmente a melhor - acho que não!

Comandado pelo diretor Arne Feldhusen, a série tem um conceito estético maravilhoso que nos insere no universo da Geração Z com muita elegância. As inserções gráficas para explicar como a tecnologia faz parte do cotidiano dessa geração e como ela interfere na formação social desses jovens, é simplesmente genial - embora auto-explicativo, ter Moritz como narrador e protagonista só facilita o entendimento, além de render ótimas tiradas. Outro elemento visual muito bacana mostra como a droga impacta a vida de um ser humano normal - em uma sequência de cenas excepcionalmente bem editadas (totalmente clipadas), vemos uma pessoa no seu dia a dia que, rapidamente, sofre uma transformação assim que coloca um comprimido da boca. Usando tanto fashfowards quanto flashbacks, além de visualmente interessante, essas cenas ajudam a explicar os efeitos e consequências das drogas que estão sendo vendidas por Moritz e pelo seu sócio Lenny (Danilo Kamber).

Outro ponto que merece ser destacado antes de finalizarmos o review é justamente a qualidade do elenco: tanto Moritz (Maximilian Mundt) quanto Lenny (Danilo Kamber) fogem completamente do estereótipo que costumamos encontrar em séries adolescentes (e aqui estou sendo bastante taxativo). Com excelentes performances, a dupla de protagonistas convencem, cada um apoiado no seu drama particular, sem soar superficial e isso não é nada fácil!

Agora, é claro que beber na fonte de "Breaking Bad" tem seus prós e contras -  são inúmeras referências (quase adaptações): como ter um policial dentro de família ou o corte de cabelo do protagonista, mas que funcionam tão bem que soa até original, embora sabemos que não é! "Como Vender Drogas Online (Rápido)" é uma ótima escolha, pela dinâmica da série e pela forma como a história é contada - ela exige da nossa imaginação e até de uma certa abstração da realidade, ao mesmo tempo em que é extremamente real e paupável dentro daquele cenário! Vale muito a pena pela dicotomia inteligente da narrativa e pela diversão que ela nos proporciona!

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Crime Sem Saída

"Crime Sem Saída" (ou "21 Bridges") traz o carimbo dos produtores Anthony Russo e Joe Russo de "Vingadores Ultimato" e, mais recentemente, do grande sucesso "Resgate" (da Netflix). O fato é que o irmãos Russo vem se posicionando como verdadeiros maestros quando se fala de um gênio tão pouco valorizado (antes da enxurrada de filmes de heróis) como o de "ação". Nesse filme temos um conceito muito interessante, mas que infelizmente não se sustenta - ou melhor, se dilui em poucos minutos de filme. A história mostra a caçada de um detetive chamado André (o eterno "Pantera Negra", Chadwick Boseman) encarregado de capturar uma dupla de ladrões que assassinou oito policiais durante um roubo, bastante suspeito, de cocaína. Pressionado pela própria corporação, Davis acredita que a única forma de encontrar os assassinos antes que eles fujam, é bloqueando as 21 pontes que ligam Manhattan aos outros bairros de NY, porém, para que o plano dê certo, ele tem apenas 5 horas para cumprir sua missão ou tudo estará perdido. Confira o trailer:

Pelo trailer já é possível perceber que o nível de ação é bem alto, e realmente é, mas é preciso dizer que o maior chamativo do filme, que é sua premissa, não dura mais do que os primeiros 30 minutos - o fato de Manhattan estar completamente sitiada (e do tempo ser escasso) não interfere em absolutamente nada (além da idéia de estar encurralado) nas escolhas ou motivações dos personagens e isso é um baita de um vacilo do roteiro. Conceitualmente o filme não sustenta a idéia, mas se apoia no ritmo frenético das perseguições muito bem realizadas e de um mistério bem raso e previsível, para nos levar até o final. "Crime Sem Saída" é um bom filme de ação, daqueles "pipoca" mesmo, que entretem e divertem sem a pretensão de se tornar um grande sucesso e sem parecer "forçado" demais! Vale o play se você gosta do gênero!

Uma coisa que me chamou muito a atenção foi a qualidade da produção, se não tão grandiosa quanto a do "Resgate", pelo menos foi muito bem fotografada pelo experiente diretor Paul Cameron (de "Colateral"  e "Déjà Vu"). Nova York tem um charme todo particular durante as madrugadas, completamente cinematográfica e Cameron aproveita muito bem esse mood para ajudar a contar a história - reparem! O diretor Brian Kirk é novato no cinema, mas ganhou muita notoriedade ao dirigir três excelentes episódios de Game of Thrones. Em "Crime Sem Saída" ele faz o "arroz com feijão", bem feito, mas sem nenhuma novidade estética ou conceitual - não dá para comparar com o trabalho que Sam Hargrave fez no "Resgate".

O roteiro acaba sendo o ponto fraco do filme. Não que seja ruim, vou reforçar, mas não se aprofunda em nada: na relação do protagonista com a mãe, no reflexo da tragédia familiar com a morte do pai e até na relação que André tem com sua "parceira" Frankie Burns (Sienna Miller). Entre os destaques do elenco não dá para deixar passar o ótimo trabalho de Chadwick Boseman - parece que o cara nasceu para ser herói de franquia e nesse filme ele é tão convincente que eu não vou me surpreender se tivermos outro filme. Stephan James (o Jesse Owens de "Raça") é um dos ladrões e sua performance está sensacional - ele fala com os olhos e essa qualidade, em um filme de ação, só coloca seu personagem em um outro patamar. Muita atenção para esse ator, com um personagem certo, ele pode ir bem longe! J.K. Simmons, lógico, sendo mais uma vez o próprio J.K. Simmons, com muita honra e talento!

Embora soe como uma certa crítica o enfoque na corrupção policial que o filme ensaia em fazer, tenho a impressão que essa escolha vem muito mais de uma referência narrativa dos filmes de ação dos anos 90 - justamente por isso que que encontramos um personagem completamente agarrado aos seus valores morais, muito (mas muito) reforçado em várias passagens do filme, mas que cria um vínculo fundamental com quem assiste - se Chadwick Boseman estivesse com a fantasia do Pantera Negra, já teríamos uma ótima continuação realizada (com o plus de vários efeitos especiais e explosões) e essas falhas do roteiro provavelmente nem estariam sendo discutidas, mas independente do figurino do protagonista, "Crime Sem Saída" entrega diversão, pode confiar!

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"Crime Sem Saída" (ou "21 Bridges") traz o carimbo dos produtores Anthony Russo e Joe Russo de "Vingadores Ultimato" e, mais recentemente, do grande sucesso "Resgate" (da Netflix). O fato é que o irmãos Russo vem se posicionando como verdadeiros maestros quando se fala de um gênio tão pouco valorizado (antes da enxurrada de filmes de heróis) como o de "ação". Nesse filme temos um conceito muito interessante, mas que infelizmente não se sustenta - ou melhor, se dilui em poucos minutos de filme. A história mostra a caçada de um detetive chamado André (o eterno "Pantera Negra", Chadwick Boseman) encarregado de capturar uma dupla de ladrões que assassinou oito policiais durante um roubo, bastante suspeito, de cocaína. Pressionado pela própria corporação, Davis acredita que a única forma de encontrar os assassinos antes que eles fujam, é bloqueando as 21 pontes que ligam Manhattan aos outros bairros de NY, porém, para que o plano dê certo, ele tem apenas 5 horas para cumprir sua missão ou tudo estará perdido. Confira o trailer:

Pelo trailer já é possível perceber que o nível de ação é bem alto, e realmente é, mas é preciso dizer que o maior chamativo do filme, que é sua premissa, não dura mais do que os primeiros 30 minutos - o fato de Manhattan estar completamente sitiada (e do tempo ser escasso) não interfere em absolutamente nada (além da idéia de estar encurralado) nas escolhas ou motivações dos personagens e isso é um baita de um vacilo do roteiro. Conceitualmente o filme não sustenta a idéia, mas se apoia no ritmo frenético das perseguições muito bem realizadas e de um mistério bem raso e previsível, para nos levar até o final. "Crime Sem Saída" é um bom filme de ação, daqueles "pipoca" mesmo, que entretem e divertem sem a pretensão de se tornar um grande sucesso e sem parecer "forçado" demais! Vale o play se você gosta do gênero!

Uma coisa que me chamou muito a atenção foi a qualidade da produção, se não tão grandiosa quanto a do "Resgate", pelo menos foi muito bem fotografada pelo experiente diretor Paul Cameron (de "Colateral"  e "Déjà Vu"). Nova York tem um charme todo particular durante as madrugadas, completamente cinematográfica e Cameron aproveita muito bem esse mood para ajudar a contar a história - reparem! O diretor Brian Kirk é novato no cinema, mas ganhou muita notoriedade ao dirigir três excelentes episódios de Game of Thrones. Em "Crime Sem Saída" ele faz o "arroz com feijão", bem feito, mas sem nenhuma novidade estética ou conceitual - não dá para comparar com o trabalho que Sam Hargrave fez no "Resgate".

O roteiro acaba sendo o ponto fraco do filme. Não que seja ruim, vou reforçar, mas não se aprofunda em nada: na relação do protagonista com a mãe, no reflexo da tragédia familiar com a morte do pai e até na relação que André tem com sua "parceira" Frankie Burns (Sienna Miller). Entre os destaques do elenco não dá para deixar passar o ótimo trabalho de Chadwick Boseman - parece que o cara nasceu para ser herói de franquia e nesse filme ele é tão convincente que eu não vou me surpreender se tivermos outro filme. Stephan James (o Jesse Owens de "Raça") é um dos ladrões e sua performance está sensacional - ele fala com os olhos e essa qualidade, em um filme de ação, só coloca seu personagem em um outro patamar. Muita atenção para esse ator, com um personagem certo, ele pode ir bem longe! J.K. Simmons, lógico, sendo mais uma vez o próprio J.K. Simmons, com muita honra e talento!

Embora soe como uma certa crítica o enfoque na corrupção policial que o filme ensaia em fazer, tenho a impressão que essa escolha vem muito mais de uma referência narrativa dos filmes de ação dos anos 90 - justamente por isso que que encontramos um personagem completamente agarrado aos seus valores morais, muito (mas muito) reforçado em várias passagens do filme, mas que cria um vínculo fundamental com quem assiste - se Chadwick Boseman estivesse com a fantasia do Pantera Negra, já teríamos uma ótima continuação realizada (com o plus de vários efeitos especiais e explosões) e essas falhas do roteiro provavelmente nem estariam sendo discutidas, mas independente do figurino do protagonista, "Crime Sem Saída" entrega diversão, pode confiar!

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Cruella

A Disney deveria seguir o exemplo da DC e criar um selo focado apenas em releituras menos convencionais de seus clássicos, como fez com "Cruella". Eu diria, inclusive, que esse filme é uma das estreias mais surpreendentes do ano - tecnicamente perfeito e narrativamente muito bem construído, equilibrando elementos clássicos da personagem, com a modernidade, beleza e a liberdade criativa para se aplaudir de pé - mais ou menos como Baz Luhrmann fez em "Romeu e Julieta".

Ambientado na Londres dos anos 70 em meio a revolução do punk rock, "Cruella" mostra a história de uma jovem vigarista chamada Estella (Emma Stone) que, desde a morte trágica de sua mãe, vive de pequenos golpes ao lado dos amigos Jasper (Joel Fry) e Horace (Paul Walter Hauser). Inteligente, criativa e determinada a mudar de vida e fazer seu nome através de seu talento na moda, ela acaba chamando a atenção da Baronesa Von Hellman (Emma Thompson), uma lenda fashion que é devastadoramente chique e assustadoramente egocêntrica. Entretanto, o relacionamento entre elas desencadeia uma série de eventos e revelações que farão com que Estella abrace seu lado mais rebelde, sombrio até, e se torne a impiedosa Cruella que, mesmo elegante, tem a vingança como seu maior combustível. Confira o trailer:

Antes de falar do bom roteiro de Dana Fox (Megarrromântico) e Tony McNamara (A Favorita), destaco como o visual de "Cruella" chama atenção - e aqui fica claro o enorme talento do diretor Craig Gillespie (Eu, Tonya) que, referenciado por uma respeitável carreira na publicidade, usa toda sua habilidade em construir uma atmosfera moderna e dinâmica para contar uma história mais adulta, mas sem perder a essência da fantasia clássica. Gillespie nos leva em viagem divertida, usando uma câmera quase sempre em movimento, criando um balé técnico pouco convencional e muito bem executado. A fotografia do Nicolas Karakatsanis, parceiro de Gillespie em "Eu, Tonya"- que também trouxe esse balé "Cisne Negro" para a arena de patinação no gelo), está 100% alinhada com um trabalho do departamento de direção de arte dos mais bonitos (e que fatalmente será indicado em algumas categorias do Oscar 2022 com muito mérito). Criados por Jenny Beavan (Mad Max: Estrada da Fúria), o figurino tem uma estética punk e funciona como um gatilho de transgressão, quebrando padrões que dialogam exatamente com o surgimento de Cruella - os cenários para isso são instalações criativas que vão de caminhões de lixo a shows cheios de pirotecnia ao som de uma trilha sonora com versões de Supertramp, Bee Gees, Queen e The Clash intercaladas com composições originais de Nicholas Britell (a mente brilhante por traz de "Sussession", "The Underground Railroad", "Moonlight" e "Se a rua Beale falasse").

O roteiro é ótimo, criativo, cheio de easter eggs que fazem referências à animação original de uma forma muito orgânica. No entanto, talvez o seu único deslize tenha sido a falta de sutileza na transição de Estella para Cruella - para os mais atentos e críticos, vai parecer uma falta de um cuidado maior, talvez com soluções menos óbvias, para aí sim se aproximar de um ápice de protagonista com momentos memoráveis como de "Coringa" por exemplo. Aliás, seguindo o trabalho exemplar de Joaquin Phoenix, Emma Stone está fantástica e não se surpreenda se ela for indicada mais uma vez ao Oscar - o mesmo eu digo para Emma Thompson, a implacável Baronesa, como coadjuvante.

Bem mais divertido do que eu esperava, "Cruella" é entretenimento de ótima qualidade - sem a pretensão de ser inesquecível, certamente o filme marca pela originalidade, inteligência e qualidade! Vale muito a pena, mesmo!

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A Disney deveria seguir o exemplo da DC e criar um selo focado apenas em releituras menos convencionais de seus clássicos, como fez com "Cruella". Eu diria, inclusive, que esse filme é uma das estreias mais surpreendentes do ano - tecnicamente perfeito e narrativamente muito bem construído, equilibrando elementos clássicos da personagem, com a modernidade, beleza e a liberdade criativa para se aplaudir de pé - mais ou menos como Baz Luhrmann fez em "Romeu e Julieta".

Ambientado na Londres dos anos 70 em meio a revolução do punk rock, "Cruella" mostra a história de uma jovem vigarista chamada Estella (Emma Stone) que, desde a morte trágica de sua mãe, vive de pequenos golpes ao lado dos amigos Jasper (Joel Fry) e Horace (Paul Walter Hauser). Inteligente, criativa e determinada a mudar de vida e fazer seu nome através de seu talento na moda, ela acaba chamando a atenção da Baronesa Von Hellman (Emma Thompson), uma lenda fashion que é devastadoramente chique e assustadoramente egocêntrica. Entretanto, o relacionamento entre elas desencadeia uma série de eventos e revelações que farão com que Estella abrace seu lado mais rebelde, sombrio até, e se torne a impiedosa Cruella que, mesmo elegante, tem a vingança como seu maior combustível. Confira o trailer:

Antes de falar do bom roteiro de Dana Fox (Megarrromântico) e Tony McNamara (A Favorita), destaco como o visual de "Cruella" chama atenção - e aqui fica claro o enorme talento do diretor Craig Gillespie (Eu, Tonya) que, referenciado por uma respeitável carreira na publicidade, usa toda sua habilidade em construir uma atmosfera moderna e dinâmica para contar uma história mais adulta, mas sem perder a essência da fantasia clássica. Gillespie nos leva em viagem divertida, usando uma câmera quase sempre em movimento, criando um balé técnico pouco convencional e muito bem executado. A fotografia do Nicolas Karakatsanis, parceiro de Gillespie em "Eu, Tonya"- que também trouxe esse balé "Cisne Negro" para a arena de patinação no gelo), está 100% alinhada com um trabalho do departamento de direção de arte dos mais bonitos (e que fatalmente será indicado em algumas categorias do Oscar 2022 com muito mérito). Criados por Jenny Beavan (Mad Max: Estrada da Fúria), o figurino tem uma estética punk e funciona como um gatilho de transgressão, quebrando padrões que dialogam exatamente com o surgimento de Cruella - os cenários para isso são instalações criativas que vão de caminhões de lixo a shows cheios de pirotecnia ao som de uma trilha sonora com versões de Supertramp, Bee Gees, Queen e The Clash intercaladas com composições originais de Nicholas Britell (a mente brilhante por traz de "Sussession", "The Underground Railroad", "Moonlight" e "Se a rua Beale falasse").

O roteiro é ótimo, criativo, cheio de easter eggs que fazem referências à animação original de uma forma muito orgânica. No entanto, talvez o seu único deslize tenha sido a falta de sutileza na transição de Estella para Cruella - para os mais atentos e críticos, vai parecer uma falta de um cuidado maior, talvez com soluções menos óbvias, para aí sim se aproximar de um ápice de protagonista com momentos memoráveis como de "Coringa" por exemplo. Aliás, seguindo o trabalho exemplar de Joaquin Phoenix, Emma Stone está fantástica e não se surpreenda se ela for indicada mais uma vez ao Oscar - o mesmo eu digo para Emma Thompson, a implacável Baronesa, como coadjuvante.

Bem mais divertido do que eu esperava, "Cruella" é entretenimento de ótima qualidade - sem a pretensão de ser inesquecível, certamente o filme marca pela originalidade, inteligência e qualidade! Vale muito a pena, mesmo!

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Encounter

"Encounter" é um filme difícil de definir como gênero ao dar o play. Ele tem elementos de ficção cientifica, de suspense, de road movie, de drama e acreditem: tudo muito bem arquitetado para que a gente não tire os olhos da tela até entendermos como as peças vão se encaixando até entregar um final dos mais interessantes e satisfatórios - além, é claro, de ter no elenco um dos atores que mais vem se destacando nos últimos anos: Riz Ahmed (de "O Som do Silêncio" e "The Night Of", só para citar dois sucessos recentes do ator).

Aqui, Ahmed é um fuzileiro naval condecorado chamado Malik Khan. Certo dia ele aparece na casa da ex-mulher e simplesmente pega seus dois filhos, Jay (Lucian River-Chauhan) e Bobby (Aditya Geddada) no que ele considera ser uma missão de resgate para salva-los de uma ameaça não humana. Conforme a jornada os leva em direção ao perigo, os meninos precisam deixar a infância para trás e entender qual é a verdadeira ameaça que eles precisam enfrentar. Confira o trailer:

Apenas para alinharmos a expectativa: "Encounter" não é um filme de ação como "A Guerra do Amanhã". Embora o prólogo do filme mostre uma incrível (e quase poética) sequência onde microorganismos alienígenas penetram em uma versão reimaginada do corpo humano como se iniciasse ali uma conquista silenciosa para destruição da humanidade que se daria pelas próprias fraquezas do seu hospedeiro, o talentoso diretor Michael Pearce (de "Beast") não só impõe um tom narrativo dos mais sofisticados, como nos prepara para um drama cheio de tensão e angústia - onde a força das cenas está muito mais no psicológico do que no impacto visual.

A premissa nos levava a crer que se tratava de um filme próximo de "Invasion"  e o desenrolar da história nos coloca em contato com uma versão até mais dark e complexa que a série da AppleTV+. A forma como Pearce estabelece as relações de Malik Khan com seus filhos, consigo e com aquela atmosfera "apocalíptica", é sensacional - mesmo que em alguns momentos a narrativa se torne mais cadenciada do que estamos esperando. Os planos fechados do diretor, com o desenho de som de Paul Davies, uma trilha sonora que mistura desde os ruídos mais bruscos com agudos extremamente irritantes, tudo criado porJed Kurzel ("Alien: Covenant"), e uma fotografia linda de Benjamin Kracun ("The Third Day"), faz o filme brincar, o tempo todo, com a nossa perspectiva - mesmo parecendo óbvio, somos surpreendidos em muitos momentos.

Riz Ahmed é um grande ator - ele leva o filme nas costas com uma habilidade única. Suas cenas não precisam de diálogos, sua entrega está no olhar, no movimento pontuado, na forma como ele se aproxima ou se relaciona com a ação sem ao menos precisar expor isso ao público que assiste. Sua capacidade de se transformar de acordo com as demandas do roteiro impressiona e, tanto Lucian River-Chauhan quanto Aditya Geddada, seus filhos, acompanham. Octavia Spencer faz uma pequena participação, mas sem dúvida traz humanidade para narrativa e merece destaque.

O fato é que a união do talento com o primor técnico e artístico fazem de "Encounter"  uma agradável surpresa que pode colher frutos, mesmo sendo azarão (como inclusive foi "O Som do Silêncio"), na próxima temporada de premiações. O filme é muito bom, profundo, provocador, incômodo, mas não vai agradar a todos justamente por sua identidade quase independente. Por outro lado, fica aqui a recomendação de um bom drama de relações que vai além do óbvio, mesmo quando se torna óbvio.

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"Encounter" é um filme difícil de definir como gênero ao dar o play. Ele tem elementos de ficção cientifica, de suspense, de road movie, de drama e acreditem: tudo muito bem arquitetado para que a gente não tire os olhos da tela até entendermos como as peças vão se encaixando até entregar um final dos mais interessantes e satisfatórios - além, é claro, de ter no elenco um dos atores que mais vem se destacando nos últimos anos: Riz Ahmed (de "O Som do Silêncio" e "The Night Of", só para citar dois sucessos recentes do ator).

Aqui, Ahmed é um fuzileiro naval condecorado chamado Malik Khan. Certo dia ele aparece na casa da ex-mulher e simplesmente pega seus dois filhos, Jay (Lucian River-Chauhan) e Bobby (Aditya Geddada) no que ele considera ser uma missão de resgate para salva-los de uma ameaça não humana. Conforme a jornada os leva em direção ao perigo, os meninos precisam deixar a infância para trás e entender qual é a verdadeira ameaça que eles precisam enfrentar. Confira o trailer:

Apenas para alinharmos a expectativa: "Encounter" não é um filme de ação como "A Guerra do Amanhã". Embora o prólogo do filme mostre uma incrível (e quase poética) sequência onde microorganismos alienígenas penetram em uma versão reimaginada do corpo humano como se iniciasse ali uma conquista silenciosa para destruição da humanidade que se daria pelas próprias fraquezas do seu hospedeiro, o talentoso diretor Michael Pearce (de "Beast") não só impõe um tom narrativo dos mais sofisticados, como nos prepara para um drama cheio de tensão e angústia - onde a força das cenas está muito mais no psicológico do que no impacto visual.

A premissa nos levava a crer que se tratava de um filme próximo de "Invasion"  e o desenrolar da história nos coloca em contato com uma versão até mais dark e complexa que a série da AppleTV+. A forma como Pearce estabelece as relações de Malik Khan com seus filhos, consigo e com aquela atmosfera "apocalíptica", é sensacional - mesmo que em alguns momentos a narrativa se torne mais cadenciada do que estamos esperando. Os planos fechados do diretor, com o desenho de som de Paul Davies, uma trilha sonora que mistura desde os ruídos mais bruscos com agudos extremamente irritantes, tudo criado porJed Kurzel ("Alien: Covenant"), e uma fotografia linda de Benjamin Kracun ("The Third Day"), faz o filme brincar, o tempo todo, com a nossa perspectiva - mesmo parecendo óbvio, somos surpreendidos em muitos momentos.

Riz Ahmed é um grande ator - ele leva o filme nas costas com uma habilidade única. Suas cenas não precisam de diálogos, sua entrega está no olhar, no movimento pontuado, na forma como ele se aproxima ou se relaciona com a ação sem ao menos precisar expor isso ao público que assiste. Sua capacidade de se transformar de acordo com as demandas do roteiro impressiona e, tanto Lucian River-Chauhan quanto Aditya Geddada, seus filhos, acompanham. Octavia Spencer faz uma pequena participação, mas sem dúvida traz humanidade para narrativa e merece destaque.

O fato é que a união do talento com o primor técnico e artístico fazem de "Encounter"  uma agradável surpresa que pode colher frutos, mesmo sendo azarão (como inclusive foi "O Som do Silêncio"), na próxima temporada de premiações. O filme é muito bom, profundo, provocador, incômodo, mas não vai agradar a todos justamente por sua identidade quase independente. Por outro lado, fica aqui a recomendação de um bom drama de relações que vai além do óbvio, mesmo quando se torna óbvio.

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Eternos

"Eternos" é mais um filme de heróis e absolutamente nada mais do que isso. É ruim? Não, longe disso - continua sendo um bom entretenimento, mas que não traz nenhum sopro de criatividade como as recentes séries exclusivas para o streaming vem fazendo, por exemplo. O que "Eternos" traz é uma tentativa de transformar um grupo desconhecido de heróis (e aqui não estou falando com especialistas do universo nerd) em importantes peças para a continuidade do MCU onde, lá na frente, tudo isso fará um sentido maior. Ah, e tem outro elemento que pode chamar atenção dos mais atentos: a tentativa de uma identidade mais autoral da diretora Chloé Zhao (vencedora do Oscar por seu belíssimo Nomadland), que infelizmente não encaixou tão bem na proposta dinâmica de um filme de herói - como fez, por exemplo, Zack Snyder em "O Homem de Aço" (de 2003).

No filme acompanhamos os Eternos, seres super poderosos com características como imortalidade e manipulação de energia cósmica, frutos de experiências de seu próprio criador, o Celestial Arishem, desde o surgimento da Terra há milhões de anos. Criados para a salvar o mundo dos Deviantes, os Eternos convivem com a humanidade através de séculos com esse único objetivo, sendo impedidos de interferir em qualquer outra situação que possa impedir a evolução dos humanos - mesmo que a duras penas. Depois de extinguir os Deviantes o grupo de heróis se separa, mas após os acontecimentos de Vingadores: Ultimato (2019), eles precisam se reunir novamente para enfrentar uma nova ameaça. Muitos conflitos internos surgem, entre o amor que sentem pela Terra e a necessidade de protegê-la acima de tudo, e a fé naquilo que está acima deles. Confira o trailer:

De fato "Eternos" é grandioso, mas o impacto de uma marketing duvidoso em compara-lo com toda uma saga construída por anos como a dos "Vingadores" certamente jogou mais contra do que a favor - é até injusto, pois ainda não temos uma conexão profunda com os personagens, muitos menos com seu propósito heróico e sua importância para o planeta dentro daquele contexto. 

Além disso, existe uma reclamação quase repetitiva de que os recentes filmes (apenas filmes) da Marvel se encontram em uma espécie de estado de inércia. Suas produções vem se padronizando apenas como uma experiência de entretenimento dinâmico, com muitos (cada vez mais) alívios cômicos, mas pouco ou quase nada de profundidade emocional. Obviamente que isso não surpreende, da mesma forma que também não pode incomodar os amantes do MCU, afinal estamos falando de um "filme de herói". A grande questão, porém, é que o gênero deixou de surpreender com antes, mesmo continuando sendo muito divertido de assistir. "Eternos" tem tudo que a cartilha pede: ação, CGI, pancadaria, piadinhas, perigo de extinção da raça humana e final feliz - e até aí está tudo certo, mas essa situação começa a preocupar quando nem uma diretora como Zhao consegue entregar algo novo - e olha que ela tentou. Sim, ela traz alguns planos mais poéticos, enquadramentos mais reflexivos, com o sol de contra-luz e a câmera de baixo pra cima, além de algumas panorâmicas contemplativas; o que faltou mesmo foi mergulhar nas dores dos personagens, criar camadas, provocar suas fraquezas e ela tinha esse poder por ser também roteirista - Richard Donner fez isso com Super-Homem em 1978. 

A conclusão acaba sendo muito simples: "Eternos" não vai te surpreender, mas vai te divertir - se para você basta, dê o play sem medo porque serão mais de duas horas e meia de diversão; e mesmo com todas as alegorias religiosas e mitológicas que estão escondidas no roteiro de Zhao, você não vai encontrar uma história que vai além do que já estamos acostumados.

Dito isso, vale o play pelo entretenimento e pela expectativa de mordermos a língua quando o quebra-cabeça estiver completo "Deus lá sabe quando"!

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"Eternos" é mais um filme de heróis e absolutamente nada mais do que isso. É ruim? Não, longe disso - continua sendo um bom entretenimento, mas que não traz nenhum sopro de criatividade como as recentes séries exclusivas para o streaming vem fazendo, por exemplo. O que "Eternos" traz é uma tentativa de transformar um grupo desconhecido de heróis (e aqui não estou falando com especialistas do universo nerd) em importantes peças para a continuidade do MCU onde, lá na frente, tudo isso fará um sentido maior. Ah, e tem outro elemento que pode chamar atenção dos mais atentos: a tentativa de uma identidade mais autoral da diretora Chloé Zhao (vencedora do Oscar por seu belíssimo Nomadland), que infelizmente não encaixou tão bem na proposta dinâmica de um filme de herói - como fez, por exemplo, Zack Snyder em "O Homem de Aço" (de 2003).

No filme acompanhamos os Eternos, seres super poderosos com características como imortalidade e manipulação de energia cósmica, frutos de experiências de seu próprio criador, o Celestial Arishem, desde o surgimento da Terra há milhões de anos. Criados para a salvar o mundo dos Deviantes, os Eternos convivem com a humanidade através de séculos com esse único objetivo, sendo impedidos de interferir em qualquer outra situação que possa impedir a evolução dos humanos - mesmo que a duras penas. Depois de extinguir os Deviantes o grupo de heróis se separa, mas após os acontecimentos de Vingadores: Ultimato (2019), eles precisam se reunir novamente para enfrentar uma nova ameaça. Muitos conflitos internos surgem, entre o amor que sentem pela Terra e a necessidade de protegê-la acima de tudo, e a fé naquilo que está acima deles. Confira o trailer:

De fato "Eternos" é grandioso, mas o impacto de uma marketing duvidoso em compara-lo com toda uma saga construída por anos como a dos "Vingadores" certamente jogou mais contra do que a favor - é até injusto, pois ainda não temos uma conexão profunda com os personagens, muitos menos com seu propósito heróico e sua importância para o planeta dentro daquele contexto. 

Além disso, existe uma reclamação quase repetitiva de que os recentes filmes (apenas filmes) da Marvel se encontram em uma espécie de estado de inércia. Suas produções vem se padronizando apenas como uma experiência de entretenimento dinâmico, com muitos (cada vez mais) alívios cômicos, mas pouco ou quase nada de profundidade emocional. Obviamente que isso não surpreende, da mesma forma que também não pode incomodar os amantes do MCU, afinal estamos falando de um "filme de herói". A grande questão, porém, é que o gênero deixou de surpreender com antes, mesmo continuando sendo muito divertido de assistir. "Eternos" tem tudo que a cartilha pede: ação, CGI, pancadaria, piadinhas, perigo de extinção da raça humana e final feliz - e até aí está tudo certo, mas essa situação começa a preocupar quando nem uma diretora como Zhao consegue entregar algo novo - e olha que ela tentou. Sim, ela traz alguns planos mais poéticos, enquadramentos mais reflexivos, com o sol de contra-luz e a câmera de baixo pra cima, além de algumas panorâmicas contemplativas; o que faltou mesmo foi mergulhar nas dores dos personagens, criar camadas, provocar suas fraquezas e ela tinha esse poder por ser também roteirista - Richard Donner fez isso com Super-Homem em 1978. 

A conclusão acaba sendo muito simples: "Eternos" não vai te surpreender, mas vai te divertir - se para você basta, dê o play sem medo porque serão mais de duas horas e meia de diversão; e mesmo com todas as alegorias religiosas e mitológicas que estão escondidas no roteiro de Zhao, você não vai encontrar uma história que vai além do que já estamos acostumados.

Dito isso, vale o play pelo entretenimento e pela expectativa de mordermos a língua quando o quebra-cabeça estiver completo "Deus lá sabe quando"!

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Eu me importo

Uma das coisas mais bacanas que o Vince Gilligan nos ensinou a partir de "Breaking Bad" e "Better Call Saul" é que sempre vão existir bandidos mais bandidos que os bandidos! Embora possa parecer redundante essa afirmação, é esse elemento narrativo (quase tragicômico) que subverte a relação "mocinho e bandido" e nos faz torcer deliberadamente para um personagem com um caráter (e meios), digamos, duvidosos - mesmo que haja uma forte justificativa para algumas de suas atitudes mais extremas e que nos fazem considerar que o errado nem sempre é tão errado se observarmos por um outro ponto de vista! Dito isso, posso afirmar tranquilamente que "Eu me importo" não tem a genialidade (muito menos a profundidade) dos projetos de Gilligan, mas não vai te decepcionar se você gosta do estilo: o filme é muito divertido, bem desenvolvido e com um potencial enorme de virar série - entretenimento puro!

Na história, Marla Grayson (Rosamund Pike) é uma advogada que criou um esquema interessante e completamente antiético: ela escolhe pessoas idosas, arranja um laudo afirmando que tal pessoa é incapaz de cuidar de si ou que está sofrendo de alguma enfermidade grave e então se torna sua guardiã. O golpe ainda contempla a internação do idoso em alguma instituição, privando-o de qualquer tipo de comunicação ou contato com o mundo externo, enquanto negocia todos os bens da curatela para pagar seus honorários. Acontece que uma das suas vitimas, Jennifer Peterson (Dianne Wiest), também está envolvida com o crime organizado e a partir daí a vida de Marla acaba se complicando muito e todo o seu esquema passa a ser apenas um detalhe quando é a sua vida que corre o maior perigo! Confira o trailer:

"I Care a Lot" (título original) já chega com o status da indicação de Rosamund Pike para Melhor Atriz de Comédia no Globo de Ouro 2021 - e aqui já cabe a primeira observação: o filme não é uma comédia, no máximo pode ser classificado como uma Dramédia! De fato alguns elementos são trabalhados sem o peso do realismo, o que nos remete para uma situação quase non-sense, mas crível - o próprio tom estereotipado de Peter Dinklage (o Roman) colabora com isso, mas não ofende nossa inteligência. Digamos que "Ozark"está para as "As Golpistas" da mesma forma que "Breaking Bad" ou "Good Girls" está para "Eu me importo".

O trabalho do jovem diretor J Blakeson (A 5ª Onda) é muito consistente, mesmo sem maiores inovações conceituais, porém seu trabalho com os atores, elevando o tom da interpretação para suavizar o tema discutido e não criar uma espécie de repulsa, é perfeito. A dinâmica narrativa do seu roteiro (sim, ele também escreveu o filme) entrega um bom ritmo e nos dá a sensação de que sempre tem alguma coisa interessante e importante acontecendo. Já o diretor de fotografia Doug Emmett sabe exatamente o que está fazendo, até pela sua experiencia em Togetherness da HBO - ele filma tudo como se fosse um comercial de margarina, bem iluminado, aproveitando as texturas do cenário e do figurino, com cores fortes; o que acaba ressaltando a podridão do ser humano em um mundo aparentemente perfeito (e justo).

"Eu me importo" é quase uma Sessão da Tarde, mas no que ela tem de melhor: entretenimento, ação e até algumas surpresas. O ótimo trabalho de Pike ajuda muito na união de todos esses fatores e justamente por isso, nossa recomendação será infalível se você estiver disposto a se divertir sem ter que pensar muito!

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Uma das coisas mais bacanas que o Vince Gilligan nos ensinou a partir de "Breaking Bad" e "Better Call Saul" é que sempre vão existir bandidos mais bandidos que os bandidos! Embora possa parecer redundante essa afirmação, é esse elemento narrativo (quase tragicômico) que subverte a relação "mocinho e bandido" e nos faz torcer deliberadamente para um personagem com um caráter (e meios), digamos, duvidosos - mesmo que haja uma forte justificativa para algumas de suas atitudes mais extremas e que nos fazem considerar que o errado nem sempre é tão errado se observarmos por um outro ponto de vista! Dito isso, posso afirmar tranquilamente que "Eu me importo" não tem a genialidade (muito menos a profundidade) dos projetos de Gilligan, mas não vai te decepcionar se você gosta do estilo: o filme é muito divertido, bem desenvolvido e com um potencial enorme de virar série - entretenimento puro!

Na história, Marla Grayson (Rosamund Pike) é uma advogada que criou um esquema interessante e completamente antiético: ela escolhe pessoas idosas, arranja um laudo afirmando que tal pessoa é incapaz de cuidar de si ou que está sofrendo de alguma enfermidade grave e então se torna sua guardiã. O golpe ainda contempla a internação do idoso em alguma instituição, privando-o de qualquer tipo de comunicação ou contato com o mundo externo, enquanto negocia todos os bens da curatela para pagar seus honorários. Acontece que uma das suas vitimas, Jennifer Peterson (Dianne Wiest), também está envolvida com o crime organizado e a partir daí a vida de Marla acaba se complicando muito e todo o seu esquema passa a ser apenas um detalhe quando é a sua vida que corre o maior perigo! Confira o trailer:

"I Care a Lot" (título original) já chega com o status da indicação de Rosamund Pike para Melhor Atriz de Comédia no Globo de Ouro 2021 - e aqui já cabe a primeira observação: o filme não é uma comédia, no máximo pode ser classificado como uma Dramédia! De fato alguns elementos são trabalhados sem o peso do realismo, o que nos remete para uma situação quase non-sense, mas crível - o próprio tom estereotipado de Peter Dinklage (o Roman) colabora com isso, mas não ofende nossa inteligência. Digamos que "Ozark"está para as "As Golpistas" da mesma forma que "Breaking Bad" ou "Good Girls" está para "Eu me importo".

O trabalho do jovem diretor J Blakeson (A 5ª Onda) é muito consistente, mesmo sem maiores inovações conceituais, porém seu trabalho com os atores, elevando o tom da interpretação para suavizar o tema discutido e não criar uma espécie de repulsa, é perfeito. A dinâmica narrativa do seu roteiro (sim, ele também escreveu o filme) entrega um bom ritmo e nos dá a sensação de que sempre tem alguma coisa interessante e importante acontecendo. Já o diretor de fotografia Doug Emmett sabe exatamente o que está fazendo, até pela sua experiencia em Togetherness da HBO - ele filma tudo como se fosse um comercial de margarina, bem iluminado, aproveitando as texturas do cenário e do figurino, com cores fortes; o que acaba ressaltando a podridão do ser humano em um mundo aparentemente perfeito (e justo).

"Eu me importo" é quase uma Sessão da Tarde, mas no que ela tem de melhor: entretenimento, ação e até algumas surpresas. O ótimo trabalho de Pike ajuda muito na união de todos esses fatores e justamente por isso, nossa recomendação será infalível se você estiver disposto a se divertir sem ter que pensar muito!

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Exército de Ladrões

"Exército de Ladrões" é entretenimento puro, divertido e muito bem realizado! Dito isso, é preciso apontar, na minha concepção, seu único ponto fraco - a necessidade absurda do roteiro em ter que conectar o filme ao seu "produto principal", "Army of the Dead: Invasão em Las Vegas". Aliás, para quem não se lembra, "Exército de Ladrões" funciona como uma espécie de prequel do filme dirigido pelo Zack Snyder para a Netflix - sem ao menos precisar que ele existisse, mas com o intuito estratégico de expandir um universo e criar uma franquia promissora.

O filme, que se passa algum tempo antes de "Army of the Dead", acompanha Sebastian Schlencht-Wöhnert (Matthias Schweighöfer, antes de se tornar Ludwig Dieter), um pacato caixa de banco que trabalha na cidade de Munique. Sebastian acaba sendo atraído para a aventura de sua vida após uma jovem misteriosa, a experiente ladra Gwendoline (Nathalie Emmanuel), o recrutar para ser parte de uma equipe formada por alguns dos criminosos mais procurados da Interpol, com o claro objetivo de roubar uma sequência de cofres lendários por toda Europa - esses desenhados de forma ornamentada por um dos maiores artesãos do história e praticamente impossíveis de arrobar. Confira o trailer:

"Exército de Ladrões: Invasão da Europa" também funciona como uma história de origem do carismático personagem Ludwig Dieter. Por si só, essa conexão já seria suficiente para criar um laço emocional com tudo que viria a seguir, porém a forma escolhida pelo roteirista Shay Hatten mais atrapalha do que ajuda - o fato é que não precisava de tantas citações sobre uma pandemia zumbi nos EUA. Por outro lado, Matthias Schweingöfer (que aqui também assume a direção) foi muito inteligente em se afastar do estilo de Snyder e assim criar uma identidade para o prequel que impõe um certo ar de independência - ao lado do diretor de fotografia alemão Bernhard Jasper, eles optaram por uma linguagem mais clean, com um mood sofisticado, apoiado nos tons mais frios da Europa e do aço dos cofres que os protagonistas pretendem roubar.

Embora construído em uma base completamente fantasiosa, "Exército de Ladrões" trabalha seu conceito estético (e narrativo) para se aproximar muito mais de "La Casa de Papel",  "Onze Homens e um Segredo" e "Um Truque de Mestre" do que propriamente de "Army of the Dead". Essa escolha cria uma atmosfera perfeita para nos conectarmos com os personagens e torcermos por eles - na trama a expectativa de superar algo que parecia impossível é muito mais importante do que as cenas de ação em si. Claro que existe ação, mas a diversão parte da relação entre os personagens. Schweingöfer mostra uma genuína paixão pelo seu Ludwig Dieter, fortalecendo ainda mais os alívios cômicos com os quais ele já havia trabalhado no filme anterior e transformando definitivamente o personagem em um protagonista carismático e cheio de potencial para mais produtos.

"Exército de Ladrões: Invasão da Europa" explora a gênese de Dieter a partir de uma história que vai se completando com parte do material que já conhecíamos - e isso funciona muito bem. Existe um tom mais intimista ao propor o primeiro amor ao herói improvável e uma direção para a construção de um mito capaz de arrombar qualquer tipo de cofre? Sim - e isso funciona também.  Eu diria que dadas as devidas diferenças, muitos elementos que nos conquistaram em "Lupin", retorna por aqui - com a mesma proposta de suspensão da realidade, mas igualmente gostoso de assistir!

Vela o play!

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"Exército de Ladrões" é entretenimento puro, divertido e muito bem realizado! Dito isso, é preciso apontar, na minha concepção, seu único ponto fraco - a necessidade absurda do roteiro em ter que conectar o filme ao seu "produto principal", "Army of the Dead: Invasão em Las Vegas". Aliás, para quem não se lembra, "Exército de Ladrões" funciona como uma espécie de prequel do filme dirigido pelo Zack Snyder para a Netflix - sem ao menos precisar que ele existisse, mas com o intuito estratégico de expandir um universo e criar uma franquia promissora.

O filme, que se passa algum tempo antes de "Army of the Dead", acompanha Sebastian Schlencht-Wöhnert (Matthias Schweighöfer, antes de se tornar Ludwig Dieter), um pacato caixa de banco que trabalha na cidade de Munique. Sebastian acaba sendo atraído para a aventura de sua vida após uma jovem misteriosa, a experiente ladra Gwendoline (Nathalie Emmanuel), o recrutar para ser parte de uma equipe formada por alguns dos criminosos mais procurados da Interpol, com o claro objetivo de roubar uma sequência de cofres lendários por toda Europa - esses desenhados de forma ornamentada por um dos maiores artesãos do história e praticamente impossíveis de arrobar. Confira o trailer:

"Exército de Ladrões: Invasão da Europa" também funciona como uma história de origem do carismático personagem Ludwig Dieter. Por si só, essa conexão já seria suficiente para criar um laço emocional com tudo que viria a seguir, porém a forma escolhida pelo roteirista Shay Hatten mais atrapalha do que ajuda - o fato é que não precisava de tantas citações sobre uma pandemia zumbi nos EUA. Por outro lado, Matthias Schweingöfer (que aqui também assume a direção) foi muito inteligente em se afastar do estilo de Snyder e assim criar uma identidade para o prequel que impõe um certo ar de independência - ao lado do diretor de fotografia alemão Bernhard Jasper, eles optaram por uma linguagem mais clean, com um mood sofisticado, apoiado nos tons mais frios da Europa e do aço dos cofres que os protagonistas pretendem roubar.

Embora construído em uma base completamente fantasiosa, "Exército de Ladrões" trabalha seu conceito estético (e narrativo) para se aproximar muito mais de "La Casa de Papel",  "Onze Homens e um Segredo" e "Um Truque de Mestre" do que propriamente de "Army of the Dead". Essa escolha cria uma atmosfera perfeita para nos conectarmos com os personagens e torcermos por eles - na trama a expectativa de superar algo que parecia impossível é muito mais importante do que as cenas de ação em si. Claro que existe ação, mas a diversão parte da relação entre os personagens. Schweingöfer mostra uma genuína paixão pelo seu Ludwig Dieter, fortalecendo ainda mais os alívios cômicos com os quais ele já havia trabalhado no filme anterior e transformando definitivamente o personagem em um protagonista carismático e cheio de potencial para mais produtos.

"Exército de Ladrões: Invasão da Europa" explora a gênese de Dieter a partir de uma história que vai se completando com parte do material que já conhecíamos - e isso funciona muito bem. Existe um tom mais intimista ao propor o primeiro amor ao herói improvável e uma direção para a construção de um mito capaz de arrombar qualquer tipo de cofre? Sim - e isso funciona também.  Eu diria que dadas as devidas diferenças, muitos elementos que nos conquistaram em "Lupin", retorna por aqui - com a mesma proposta de suspensão da realidade, mas igualmente gostoso de assistir!

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Falcão e o Soldado Invernal

Diferente de "WandaVision", "Falcão e o Soldado Invernal" não me pareceu uma série essencial para a nova fase que a Marvel está construindo, agora com o suporte do serviço de streaming da Disney; mas é! Claro que não falo isso como critica, ou diminuindo a qualidade da série, muito pelo contrário, achei a série divertida, bem produzida e, embora com algumas subtramas frágeis como a de Sharon Carter (Emily VanCamp), me satisfez como audiência que acompanha filmes de heróis.

E é isso: se você gosta de filmes de heróis, a série vai te agradar!

Sam Wilson (Anthony Mackie) desde os acontecimentos de "Ultimato" recebe o legado de ser o dono do escudo do Capitão América, pois Steve o escolhe ao invés de Bucky (Sebastian Stan). Entretanto, o Falcão abdica do símbolo, mas o governo dos Estados Unidos não vai ficar sem um Sentinela da Liberdade, sem uma peça de marketing tão potente em um momento onde o mundo está se reconstruindo. Enquanto isso, um grupo denominado Apátridas se forma para derrubar as fronteiras das nações, buscando unir o mundo e criar um só território, com igualdade e paz. 

Se em "WandaVision" tivemos uma trama que se apropriava com muita criatividade de um relato profundo de uma mulher em luto e perturbada pela solidão, em "Falcão e o Soldado Invernal" a questão é muito mais politica e filosófica, trazendo uma grande discussão sobre fronteiras, legados e símbolos. A partir dessa observação fica claro para quem acompanha o MCU que a série quer expandir alguns pontos pessoais dos personagens. Na série, enquanto o "Falcão" tenta se convencer que pode ser o novo Capitão América, o "Soldado Invernal" busca reparar o mal que causou em seus dias como assassino da HIDRA. 

O surgimento de um novo Capitão América na figura de John Walker (Wyatt Russell), os atentados dos Apátridas, e até o retorno de Batroc (Georges St-Pierre) contribuem de alguma forma para que a série discuta sobre conceitos de justiça que vão além do maniqueísmo simplista de “bem e mal”, além, obviamente, de proporcionar ótimas cenas de ação e de se estabelecer como um excelente entretenimento - as sequências com os heróis atuando são espetaculares. Acontece que o conceito inicial de expandir histórias, fica um pouco raso devido a quantidade de pontas que o roteiro abre e que rapidamente precisa fechar, nos dando a impressão de não nos levar a lugar algum. 

E é apenas uma impressão, já que no final da temporada é possível imaginar como a Marvel vai se aproveitar de toda essa jornada. Novos personagens são inseridos e outros foram bem recuperados, porém é preciso ser dito: faltou roteiro para segurar 6 horas de série - os episódios vacilaram muito. Olhando em retrospectiva isso não é um problema já que o Kevin Feige é mestre em usar uma passagem aparentemente sem importância para criar o link necessário para algo que realmente vai mover a história, eu só acho que, depois de "WandaVision", algo espetacular estava sendo construído e que "Falcão e o Soldado Invernal" nos entregaria mais que o Blip de Thanos nos entregou em "Vingadores: Ultimato".

"Falcão e o Soldado Invernal" vale a pena, é muito visual mas não tem uma história inesquecível... pelo menos até sabermos que sua continuidade não se dará na segunda temporada e sim em uma obra série ("Armor Wars") ou em um filme que será produzido em breve (Capitão América 4)!

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Diferente de "WandaVision", "Falcão e o Soldado Invernal" não me pareceu uma série essencial para a nova fase que a Marvel está construindo, agora com o suporte do serviço de streaming da Disney; mas é! Claro que não falo isso como critica, ou diminuindo a qualidade da série, muito pelo contrário, achei a série divertida, bem produzida e, embora com algumas subtramas frágeis como a de Sharon Carter (Emily VanCamp), me satisfez como audiência que acompanha filmes de heróis.

E é isso: se você gosta de filmes de heróis, a série vai te agradar!

Sam Wilson (Anthony Mackie) desde os acontecimentos de "Ultimato" recebe o legado de ser o dono do escudo do Capitão América, pois Steve o escolhe ao invés de Bucky (Sebastian Stan). Entretanto, o Falcão abdica do símbolo, mas o governo dos Estados Unidos não vai ficar sem um Sentinela da Liberdade, sem uma peça de marketing tão potente em um momento onde o mundo está se reconstruindo. Enquanto isso, um grupo denominado Apátridas se forma para derrubar as fronteiras das nações, buscando unir o mundo e criar um só território, com igualdade e paz. 

Se em "WandaVision" tivemos uma trama que se apropriava com muita criatividade de um relato profundo de uma mulher em luto e perturbada pela solidão, em "Falcão e o Soldado Invernal" a questão é muito mais politica e filosófica, trazendo uma grande discussão sobre fronteiras, legados e símbolos. A partir dessa observação fica claro para quem acompanha o MCU que a série quer expandir alguns pontos pessoais dos personagens. Na série, enquanto o "Falcão" tenta se convencer que pode ser o novo Capitão América, o "Soldado Invernal" busca reparar o mal que causou em seus dias como assassino da HIDRA. 

O surgimento de um novo Capitão América na figura de John Walker (Wyatt Russell), os atentados dos Apátridas, e até o retorno de Batroc (Georges St-Pierre) contribuem de alguma forma para que a série discuta sobre conceitos de justiça que vão além do maniqueísmo simplista de “bem e mal”, além, obviamente, de proporcionar ótimas cenas de ação e de se estabelecer como um excelente entretenimento - as sequências com os heróis atuando são espetaculares. Acontece que o conceito inicial de expandir histórias, fica um pouco raso devido a quantidade de pontas que o roteiro abre e que rapidamente precisa fechar, nos dando a impressão de não nos levar a lugar algum. 

E é apenas uma impressão, já que no final da temporada é possível imaginar como a Marvel vai se aproveitar de toda essa jornada. Novos personagens são inseridos e outros foram bem recuperados, porém é preciso ser dito: faltou roteiro para segurar 6 horas de série - os episódios vacilaram muito. Olhando em retrospectiva isso não é um problema já que o Kevin Feige é mestre em usar uma passagem aparentemente sem importância para criar o link necessário para algo que realmente vai mover a história, eu só acho que, depois de "WandaVision", algo espetacular estava sendo construído e que "Falcão e o Soldado Invernal" nos entregaria mais que o Blip de Thanos nos entregou em "Vingadores: Ultimato".

"Falcão e o Soldado Invernal" vale a pena, é muito visual mas não tem uma história inesquecível... pelo menos até sabermos que sua continuidade não se dará na segunda temporada e sim em uma obra série ("Armor Wars") ou em um filme que será produzido em breve (Capitão América 4)!

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Good Girls

Embora a revista Vogue tenha definido "Good Girls" como uma mistura de "Big Little Lies" e "Breaking Bad", eu diria que está mais para "Desperate Housewives" com "Rainhas do Crime" - e isso, por favor, não entendam como demérito, até porque a série de sucesso da NBC, distribuída pela Netflix, é muito (mas muito) divertida! Ela é daquele tipo de série onde o protagonista bonzinho (no caso três protagonistas) vai tomando decisões cada vez mais questionáveis ao longo da sua jornada, cada vez mais distante dos seus valores e aspectos morais, vai gostando da nova vida, da sensação de poder e de pertencimento viciante até que, de repente, está em uma enorme bola de neve de onde não consegue mais sair! Ao adicionar uma passagem importante da sua sinopse: "três mães decidem que o crime é a única opção para salvar suas famílias"; fica impossível não relacionar com Breaking Bad - e faz até sentido, mas, infelizmente, não dá para cobrar mais do que um ou outro elemento narrativo similar!

"Good Girls" acompanha a jornada de três mães de família em um momento onde precisam lidar com questões difíceis em suas vidas. Beth (Christina Hendricks) descobre que está sendo traída pelo marido depois de 20 anos de casada e, para piorar, ele contraiu uma dívida enorme de hipoteca; Ruby (Retta) e o marido Stan (Reno Wilson) não tem condições de bancar o tratamento médico da filha que precisa urgentemente de um transplante de rim; e Annie (Mae Whitman) precisa se resolver com o ex-marido, que luta pela guarda da filha de 11 anos, Sadie (Izzy Stannard).O fato é que as três precisam de muito dinheiro e por isso resolvem assaltar um supermercado local, o problema é que as consequências desta escolha colocam o trio frente a frente com um dos criminosos mais procurados de Detroit. Confira o trailer:

Já pelo trailer é possível reconhecer muito do tom de "Desperate Housewives" na narrativa, e isso não acontece por acaso: Jenna Bans foi roteirista da série. Embora ela entregue com muita competência uma história que desafia o conceito da vida pacata de uma “boa mãe, esposa e dona de casa” ao mesmo tempo em que se constrói uma (ou três) persona completamente estereotipada do empoderamento "custe o que custar" em meio a traições, crimes e vinganças; é explicita a falta que faz a genialidade de um Vince Gilligan no comando - tanto do roteiro, quanto da direção! Eu devorei os 10 primeiros episódios da primeira temporada e tenho certeza que o fã de Breaking Bad vai curtir também, mas não espere a profundidade no desenvolvimento dos personagens (o que é uma pena) e muito menos uma identidade narrativa e visual marcantes - mas disso falaremos mais a frente! Por enquanto é fácil afirmar: "Good Girls" vale muito pela diversão, pelo entretenimento e pela sensação de sentir algumas das angustias que para esse estilo de série é fundamental!

A primeira temporada de "Good Girls" realmente parece uma brincadeira - no melhor sentido da palavra. Embora traga elementos sérios como um assalto a mão armada, ameaças de morte, sequestros, extorsões e até uma tentativa de estupro, o tom escolhido ameniza a tensão visual e nos provoca muito mais por empatia do que por identificação às personagens. Ao se auto-definir como o "Breaking Bad de mulheres", trazemos a referência de um projeto muito bem construído em sua narrativa, principalmente na transformação dos personagens ao longo das temporadas. É claro que ainda é muito cedo para afirmar que "Good Girls" foge desse objetivo, mas quando vemos em um episódio Beth sofrendo como a esposa traída, mãe de quatro filhos e ainda falida, e no outro ela já se comporta como uma rainha do crime, perdemos completamente aquela experiência de julgamento moral que nos convidava à discussão após os episódios de Breaking Bad. Embora Christina Hendricks esteja dando um show, sua personagem sofre com a superficialidade de suas próprias dores. Quando falamos de Retta e Mae Whitman isso fica ainda mais evidente, porém é de se elogiar a química entre as três atrizes e a forma como a história vai unindo suas personagens e seus respectivos dramas.

Michael Weaver, o principal diretor da série, usa da sua experiencia como diretor de fotografia de Pushing Daisies para trazer um pouco de identidade para "Good Girls" - e aqui é preciso admitir: por se tratar de uma série da TV aberta dos EUA, fica muito complicado pesar a mão e assustar a audiência. O próprio "Breaking Bad", que era da TV fechada, foi construindo a sua durante as temporadas e só se tornou uma relevante, lá pela segunda temporada quando sua trama já estava estabelecida e aí o conceito visual passou a fazer parte da história quase como um protagonista! "Good Girls" é muito bem produzida, mas não arrisca!

Para mim, a série foi uma grande surpresa - me diverti muito. Em alguns momentos senti que faltou coragem para colocar a história em outro nível - como, por exemplo, assumir a tensão sexual entre Rio e Beth. Sacrificar um personagem-chave para mover a história em outra direção também seria interessante - imagina se a filha de Ruby morre por não aceitarem o cheque que pagaria o transplante! Não sei se devemos esperar por essa dramaticidade, mesmo que fantasiada de comédia - não acredito que "Good Girls" possa ir por esse caminho, mas achei tão bacana o que assisti até aqui, que vou pagar para ver e acho que você deveria fazer o mesmo. A segunda temporada já está disponível e uma terceira deve ser lançada ainda em 2020. 

Vale muito o seu play! Diversão garantida!

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Embora a revista Vogue tenha definido "Good Girls" como uma mistura de "Big Little Lies" e "Breaking Bad", eu diria que está mais para "Desperate Housewives" com "Rainhas do Crime" - e isso, por favor, não entendam como demérito, até porque a série de sucesso da NBC, distribuída pela Netflix, é muito (mas muito) divertida! Ela é daquele tipo de série onde o protagonista bonzinho (no caso três protagonistas) vai tomando decisões cada vez mais questionáveis ao longo da sua jornada, cada vez mais distante dos seus valores e aspectos morais, vai gostando da nova vida, da sensação de poder e de pertencimento viciante até que, de repente, está em uma enorme bola de neve de onde não consegue mais sair! Ao adicionar uma passagem importante da sua sinopse: "três mães decidem que o crime é a única opção para salvar suas famílias"; fica impossível não relacionar com Breaking Bad - e faz até sentido, mas, infelizmente, não dá para cobrar mais do que um ou outro elemento narrativo similar!

"Good Girls" acompanha a jornada de três mães de família em um momento onde precisam lidar com questões difíceis em suas vidas. Beth (Christina Hendricks) descobre que está sendo traída pelo marido depois de 20 anos de casada e, para piorar, ele contraiu uma dívida enorme de hipoteca; Ruby (Retta) e o marido Stan (Reno Wilson) não tem condições de bancar o tratamento médico da filha que precisa urgentemente de um transplante de rim; e Annie (Mae Whitman) precisa se resolver com o ex-marido, que luta pela guarda da filha de 11 anos, Sadie (Izzy Stannard).O fato é que as três precisam de muito dinheiro e por isso resolvem assaltar um supermercado local, o problema é que as consequências desta escolha colocam o trio frente a frente com um dos criminosos mais procurados de Detroit. Confira o trailer:

Já pelo trailer é possível reconhecer muito do tom de "Desperate Housewives" na narrativa, e isso não acontece por acaso: Jenna Bans foi roteirista da série. Embora ela entregue com muita competência uma história que desafia o conceito da vida pacata de uma “boa mãe, esposa e dona de casa” ao mesmo tempo em que se constrói uma (ou três) persona completamente estereotipada do empoderamento "custe o que custar" em meio a traições, crimes e vinganças; é explicita a falta que faz a genialidade de um Vince Gilligan no comando - tanto do roteiro, quanto da direção! Eu devorei os 10 primeiros episódios da primeira temporada e tenho certeza que o fã de Breaking Bad vai curtir também, mas não espere a profundidade no desenvolvimento dos personagens (o que é uma pena) e muito menos uma identidade narrativa e visual marcantes - mas disso falaremos mais a frente! Por enquanto é fácil afirmar: "Good Girls" vale muito pela diversão, pelo entretenimento e pela sensação de sentir algumas das angustias que para esse estilo de série é fundamental!

A primeira temporada de "Good Girls" realmente parece uma brincadeira - no melhor sentido da palavra. Embora traga elementos sérios como um assalto a mão armada, ameaças de morte, sequestros, extorsões e até uma tentativa de estupro, o tom escolhido ameniza a tensão visual e nos provoca muito mais por empatia do que por identificação às personagens. Ao se auto-definir como o "Breaking Bad de mulheres", trazemos a referência de um projeto muito bem construído em sua narrativa, principalmente na transformação dos personagens ao longo das temporadas. É claro que ainda é muito cedo para afirmar que "Good Girls" foge desse objetivo, mas quando vemos em um episódio Beth sofrendo como a esposa traída, mãe de quatro filhos e ainda falida, e no outro ela já se comporta como uma rainha do crime, perdemos completamente aquela experiência de julgamento moral que nos convidava à discussão após os episódios de Breaking Bad. Embora Christina Hendricks esteja dando um show, sua personagem sofre com a superficialidade de suas próprias dores. Quando falamos de Retta e Mae Whitman isso fica ainda mais evidente, porém é de se elogiar a química entre as três atrizes e a forma como a história vai unindo suas personagens e seus respectivos dramas.

Michael Weaver, o principal diretor da série, usa da sua experiencia como diretor de fotografia de Pushing Daisies para trazer um pouco de identidade para "Good Girls" - e aqui é preciso admitir: por se tratar de uma série da TV aberta dos EUA, fica muito complicado pesar a mão e assustar a audiência. O próprio "Breaking Bad", que era da TV fechada, foi construindo a sua durante as temporadas e só se tornou uma relevante, lá pela segunda temporada quando sua trama já estava estabelecida e aí o conceito visual passou a fazer parte da história quase como um protagonista! "Good Girls" é muito bem produzida, mas não arrisca!

Para mim, a série foi uma grande surpresa - me diverti muito. Em alguns momentos senti que faltou coragem para colocar a história em outro nível - como, por exemplo, assumir a tensão sexual entre Rio e Beth. Sacrificar um personagem-chave para mover a história em outra direção também seria interessante - imagina se a filha de Ruby morre por não aceitarem o cheque que pagaria o transplante! Não sei se devemos esperar por essa dramaticidade, mesmo que fantasiada de comédia - não acredito que "Good Girls" possa ir por esse caminho, mas achei tão bacana o que assisti até aqui, que vou pagar para ver e acho que você deveria fazer o mesmo. A segunda temporada já está disponível e uma terceira deve ser lançada ainda em 2020. 

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Homeland

"Homeland" ganhou os principais prêmios no Emmy de 2012, entre eles o de melhor roteiro e melhor série dramática - o que foi uma surpresa na época. Na verdade, eu nunca havia me interessado pelo seu argumento, achava que seria "mais do mesmo"! Mas por causa dessa premiação resolvi assistir o "piloto" para entender como uma série sobre terrorismo conseguiu desbancar pesos-pesados que já acompanha como "Mad Men" e "Game of Thrones". Pois bem meus amigos, "Homeland" é genial! O roteiro de piloto é muito intrigante e chega a lembrar "24 horas" nos seus melhores anos. Não dá vontade parar de assistir. A estrutura do roteiro casa muito bem os dramas pessoais dos protagonistas (e é aí que Homeland dá um banho em 24 horas) com a tensão constante do terrorismo que está no argumento. É sensacional!

Após o desaparecimento de dois soldados americanos no Iraque, um deles, o sargento Nicholas Brody (Damian Lewis), retorna aos EUA após ser resgatado pelo exército. Repatriado, ele é recebido como herói pela família, pelos amigos e pelo governo. Porém a agente da CIA Carrie Mathison (Claire Danes), especialista em anti-terrorismo e que passou vários anos infiltrada no Afeganistão, não acredita que Brody seja realmente um herói de guerra - ela desconfia que ele é, na verdade, um espião iraquiano preparando o próximo ataque terrorista em solo dos EUA.

O ponto alto de "Homeland", como comentei acima, é a relação entre os dois personagens principais. Fica claro, logo de cara, que realmente existe algo de errado com Brody - suas atitudes remetem a uma série de referências ao islamismo ou a cultura daquela região, porém ninguém consegue reparar que essa sua postura pode significar algo que vai além do respeito às tradições. Carrie parece ser a única pessoa que consegue detectar algo suspeito nas atitudes de Brody, acontece que ela sofre de um distúrbio bipolar e sua obsessão em descobrir a verdade soa como desequilíbrio e paranóia para a maioria dos seus superiores, o que, óbvio, só a motiva em descobrir a verdade - mesmo que usando de artifícios pouco convencionais para uma agente da CIA.

É fato que o roteiro das primeiras temporadas são mais dinâmicos e inteligentes, porém a série, já com várias temporadas, consegue manter parte do seu público engajado mesmo com as trocas de elenco e as várias mudanças nas motivações de Carrie. Embora não seja uma antologia como em "24 horas", por exemplo, "Homeland" procura equilibrar suas histórias pontuais com os dramas que a protagonista tem que lidar para continuar sua caminhada como heroína. As vezes a série falha, parece perder o fôlego, mas de repente algo surge e trás um sentido novo que levanta a história novamente e a mantém sendo produzida - aliás, a produção continua excelente e mesmo com episódios de 2011, a série está em ótima forma no que diz respeito aos conceitos cinematográficos!

"Homeland" é uma livre adaptação de uma série israelense de muito sucesso chamada "Hatufim", que significa “Sequestrados” - traduzida para o inglês como "Prisioneiros de Guerra" .Ela vale cada episódio, cada temporada; e posso afirmar que já se transformou em uma referência que merece ser vista por quem gosta do gênero!

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"Homeland" ganhou os principais prêmios no Emmy de 2012, entre eles o de melhor roteiro e melhor série dramática - o que foi uma surpresa na época. Na verdade, eu nunca havia me interessado pelo seu argumento, achava que seria "mais do mesmo"! Mas por causa dessa premiação resolvi assistir o "piloto" para entender como uma série sobre terrorismo conseguiu desbancar pesos-pesados que já acompanha como "Mad Men" e "Game of Thrones". Pois bem meus amigos, "Homeland" é genial! O roteiro de piloto é muito intrigante e chega a lembrar "24 horas" nos seus melhores anos. Não dá vontade parar de assistir. A estrutura do roteiro casa muito bem os dramas pessoais dos protagonistas (e é aí que Homeland dá um banho em 24 horas) com a tensão constante do terrorismo que está no argumento. É sensacional!

Após o desaparecimento de dois soldados americanos no Iraque, um deles, o sargento Nicholas Brody (Damian Lewis), retorna aos EUA após ser resgatado pelo exército. Repatriado, ele é recebido como herói pela família, pelos amigos e pelo governo. Porém a agente da CIA Carrie Mathison (Claire Danes), especialista em anti-terrorismo e que passou vários anos infiltrada no Afeganistão, não acredita que Brody seja realmente um herói de guerra - ela desconfia que ele é, na verdade, um espião iraquiano preparando o próximo ataque terrorista em solo dos EUA.

O ponto alto de "Homeland", como comentei acima, é a relação entre os dois personagens principais. Fica claro, logo de cara, que realmente existe algo de errado com Brody - suas atitudes remetem a uma série de referências ao islamismo ou a cultura daquela região, porém ninguém consegue reparar que essa sua postura pode significar algo que vai além do respeito às tradições. Carrie parece ser a única pessoa que consegue detectar algo suspeito nas atitudes de Brody, acontece que ela sofre de um distúrbio bipolar e sua obsessão em descobrir a verdade soa como desequilíbrio e paranóia para a maioria dos seus superiores, o que, óbvio, só a motiva em descobrir a verdade - mesmo que usando de artifícios pouco convencionais para uma agente da CIA.

É fato que o roteiro das primeiras temporadas são mais dinâmicos e inteligentes, porém a série, já com várias temporadas, consegue manter parte do seu público engajado mesmo com as trocas de elenco e as várias mudanças nas motivações de Carrie. Embora não seja uma antologia como em "24 horas", por exemplo, "Homeland" procura equilibrar suas histórias pontuais com os dramas que a protagonista tem que lidar para continuar sua caminhada como heroína. As vezes a série falha, parece perder o fôlego, mas de repente algo surge e trás um sentido novo que levanta a história novamente e a mantém sendo produzida - aliás, a produção continua excelente e mesmo com episódios de 2011, a série está em ótima forma no que diz respeito aos conceitos cinematográficos!

"Homeland" é uma livre adaptação de uma série israelense de muito sucesso chamada "Hatufim", que significa “Sequestrados” - traduzida para o inglês como "Prisioneiros de Guerra" .Ela vale cada episódio, cada temporada; e posso afirmar que já se transformou em uma referência que merece ser vista por quem gosta do gênero!

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Homem-Aranha: Longe de Casa

"Homem-Aranha: Longe de Casa" é, sem dúvida, um dos melhores filmes do Universo Marvel no Cinema! Pode parecer exagerado ou até empolgação depois de uma "obra de arte" como "Vingadores Ultimato", mas não; posso te garantir que o segundo filme do Homem-Aranha é daqueles acertos que agradam à todos pelo seu equilíbrio narrativo e pela qualidade técnica, ou seja, a história é muito boa e o visual melhor ainda!!! Mais um acerto - o que parece redundante, vale dizer!

Anunciado como um Epílogo para a Fase 3, após os acontecimentos do último "Vingadores", "Homem-Aranha: Longe de Casa" está muito bem amarrado como arco narrativo e como desenvolvimento de personagem (no caso, a ascensão do Homem Aranha dentro da equipe e a promessa intelectual de Peter Parker assumir responsabilidades que antes eram do Stark). É preciso dizer que o reboot (o terceiro) do herói pareceu prematuro, mas o tempo provou ter sido uma decisão correta, pois a identificação do público com um personagem mais jovem, com tantas descobertas e inseguranças, foi imediata - e olha, nesse filme eles acertam o tom de uma forma surpreendente. O filme é leve ao mesmo tempo que é dinâmico. Os personagens são extremamente carismáticos, humanos e os alívios cômicos estão muito bem pontuados. Eu diria que "Homem-Aranha: Longe de Casa" é ainda melhor que o primeiro filme e que Tom Holland é, definitivamente, o melhor Homem-Aranha dos últimos tempos.

Em meio a ressaca de "Ultimato" e todas as perdas tão doloridas para a humanidade, o planeta começa a sofrer uma série de ataques de Monstros Elementais. É quando surge um novo "herói" chamado Mystério (Jake Gyllenhaal). Ele parece ser a única esperança de deter essas criaturas e isso deixa Nick Fury preocupado. Para que os Vingadores não sejam esquecidos ou fragilizados na presença de um desconhecido, ele vai atrás do Homem-Aranha para representar a equipe e se unir a Mystério nessa luta. Acontece que Parker também está abalado com o que aconteceu na batalha com Thanos e, aproveitando um programa de reintegração dos alunos que ficaram fora do mundo por cinco anos depois de "Guerra Infinita", deseja sair de férias com os amigos em um tour pela Europa.  -  aqui cabe um comentário: eles amarraram tão bem os dois filmes finais dos Vingadores e inseriram esses fatos melhor ainda no Epílogo - um show de planejamento! Bem, voltando... Com a pressão de Fury e o medo de colocar em risco seus amigos, Parker resolve abraçar a causa e lutar ao lado de Mystério. Acontece que as coisas não são exatamente como Parker imagina e aqui eu me sinto obrigado a parar para não estragar a sua experiência de assistir essa dualidade de sentimentos que o personagem vive no filme. Só te adianto, vem um show pela frente: nas cenas de ação, na qualidade dos efeitos (CG) e na forma como o arco, mais uma vez, se fecha!

"Homem-Aranha: Longe de Casa" é um grande filme, merece ser assistido no cinema e abre caminho para uma nova fase do MCU que parece ser ainda mais promissora, pois vai trazer muito dos "Universos Paralelos" dos quadrinhos e quem sabe até um resgate do sucesso da recente animação do "Aranhaverso". Olha, nada mais me surpreenderia (rs), pois a Marvel já me provou que tudo acontece por um motivo nos (vários) filmes que compõem o seu Universo, eles sabem muito bem o que estão fazendo e conhecem melhor ainda o potencial dos seus personagens e das suas sagas!!!

Que venham muitos outros grandes filmes!!!

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"Homem-Aranha: Longe de Casa" é, sem dúvida, um dos melhores filmes do Universo Marvel no Cinema! Pode parecer exagerado ou até empolgação depois de uma "obra de arte" como "Vingadores Ultimato", mas não; posso te garantir que o segundo filme do Homem-Aranha é daqueles acertos que agradam à todos pelo seu equilíbrio narrativo e pela qualidade técnica, ou seja, a história é muito boa e o visual melhor ainda!!! Mais um acerto - o que parece redundante, vale dizer!

Anunciado como um Epílogo para a Fase 3, após os acontecimentos do último "Vingadores", "Homem-Aranha: Longe de Casa" está muito bem amarrado como arco narrativo e como desenvolvimento de personagem (no caso, a ascensão do Homem Aranha dentro da equipe e a promessa intelectual de Peter Parker assumir responsabilidades que antes eram do Stark). É preciso dizer que o reboot (o terceiro) do herói pareceu prematuro, mas o tempo provou ter sido uma decisão correta, pois a identificação do público com um personagem mais jovem, com tantas descobertas e inseguranças, foi imediata - e olha, nesse filme eles acertam o tom de uma forma surpreendente. O filme é leve ao mesmo tempo que é dinâmico. Os personagens são extremamente carismáticos, humanos e os alívios cômicos estão muito bem pontuados. Eu diria que "Homem-Aranha: Longe de Casa" é ainda melhor que o primeiro filme e que Tom Holland é, definitivamente, o melhor Homem-Aranha dos últimos tempos.

Em meio a ressaca de "Ultimato" e todas as perdas tão doloridas para a humanidade, o planeta começa a sofrer uma série de ataques de Monstros Elementais. É quando surge um novo "herói" chamado Mystério (Jake Gyllenhaal). Ele parece ser a única esperança de deter essas criaturas e isso deixa Nick Fury preocupado. Para que os Vingadores não sejam esquecidos ou fragilizados na presença de um desconhecido, ele vai atrás do Homem-Aranha para representar a equipe e se unir a Mystério nessa luta. Acontece que Parker também está abalado com o que aconteceu na batalha com Thanos e, aproveitando um programa de reintegração dos alunos que ficaram fora do mundo por cinco anos depois de "Guerra Infinita", deseja sair de férias com os amigos em um tour pela Europa.  -  aqui cabe um comentário: eles amarraram tão bem os dois filmes finais dos Vingadores e inseriram esses fatos melhor ainda no Epílogo - um show de planejamento! Bem, voltando... Com a pressão de Fury e o medo de colocar em risco seus amigos, Parker resolve abraçar a causa e lutar ao lado de Mystério. Acontece que as coisas não são exatamente como Parker imagina e aqui eu me sinto obrigado a parar para não estragar a sua experiência de assistir essa dualidade de sentimentos que o personagem vive no filme. Só te adianto, vem um show pela frente: nas cenas de ação, na qualidade dos efeitos (CG) e na forma como o arco, mais uma vez, se fecha!

"Homem-Aranha: Longe de Casa" é um grande filme, merece ser assistido no cinema e abre caminho para uma nova fase do MCU que parece ser ainda mais promissora, pois vai trazer muito dos "Universos Paralelos" dos quadrinhos e quem sabe até um resgate do sucesso da recente animação do "Aranhaverso". Olha, nada mais me surpreenderia (rs), pois a Marvel já me provou que tudo acontece por um motivo nos (vários) filmes que compõem o seu Universo, eles sabem muito bem o que estão fazendo e conhecem melhor ainda o potencial dos seus personagens e das suas sagas!!!

Que venham muitos outros grandes filmes!!!

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Ingobernable

Quando assisti a palestra da Kelly Luegenbiehl (VP de Produção Original) no Rio Content Market de 2017, ela mostrou algumas séries que a Netflix estava produzindo pelo mundo e que estreiariam naquele ano. A primeira disponibilizada na plataforma foi a segunda produção mexicana da plataforma. "Ingobernable" conta a história do assassinato do presidente mexicano, onde a principal suspeita é a Primeira Dama que por isso inicia uma fuga desesperada até poder provar sua inocência. Confira o trailer:

Bom, pela sinopse, tinha tudo para ser uma série ao melhor estilo "novelão mexicano", mas não é!!! "Ingobernable" é extremamente bem produzida, muito bem fotografada e bem dirigida pelo Samuel Stewart Hunter. A única coisa que ainda parece desequilibrar a produção é a performance dos atores que me pareceram um pouco acima do tom (mas aí era querer demais!!!). 

A dinâmica da primeira temporada trás um conceito de ação bem próximo de "24 horas", o que é até divertido, mas exige uma boa abstração da realidade - inclusive o estilo da série trás essa levada mais começo dos anos 2000 mesmo! O fato é que a série me surpreendeu e pra falar a verdade: achei muito melhor que "Marseille" outra série que assisti nesse mesmo evento e que foi vendida como o "House of Cards francês"!

"Ingobernable" é um bom entretenimento com duas temporadas já disponíveis e uma terceira já confirmada!

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Quando assisti a palestra da Kelly Luegenbiehl (VP de Produção Original) no Rio Content Market de 2017, ela mostrou algumas séries que a Netflix estava produzindo pelo mundo e que estreiariam naquele ano. A primeira disponibilizada na plataforma foi a segunda produção mexicana da plataforma. "Ingobernable" conta a história do assassinato do presidente mexicano, onde a principal suspeita é a Primeira Dama que por isso inicia uma fuga desesperada até poder provar sua inocência. Confira o trailer:

Bom, pela sinopse, tinha tudo para ser uma série ao melhor estilo "novelão mexicano", mas não é!!! "Ingobernable" é extremamente bem produzida, muito bem fotografada e bem dirigida pelo Samuel Stewart Hunter. A única coisa que ainda parece desequilibrar a produção é a performance dos atores que me pareceram um pouco acima do tom (mas aí era querer demais!!!). 

A dinâmica da primeira temporada trás um conceito de ação bem próximo de "24 horas", o que é até divertido, mas exige uma boa abstração da realidade - inclusive o estilo da série trás essa levada mais começo dos anos 2000 mesmo! O fato é que a série me surpreendeu e pra falar a verdade: achei muito melhor que "Marseille" outra série que assisti nesse mesmo evento e que foi vendida como o "House of Cards francês"!

"Ingobernable" é um bom entretenimento com duas temporadas já disponíveis e uma terceira já confirmada!

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