Viu Review - ml-psicologico

O Homem Invisível

Se você assistiu "O Homem sem Sombra", com Kevin Bacon e Elisabeth Shue, eu já te adianto: "O Homem Invisível" é muito (mas muito) melhor - eu diria que é outro nível de filme! Se em 2000 o filme trouxe avanços incríveis em efeitos especiais, o que acabou lhe garantindo uma indicação ao Oscar na categoria em 2001, a sua versão mais recente se apoia muito mais no roteiro e no excelente trabalho de Elisabeth Moss (a June de The Handmaid's Tale) - ela está tão incrível que não vou me surpreender se for indicada ao Oscar por esse trabalho!

A história acompanha Cecilia (Moss), uma mulher atormentada por um relacionamento abusivo com o milionário Adrian (Oliver Jackson-Cohen), um renomado especialista em óptica. Desesperada com sua situação, Cecília resolve fugir certa noite, porém as marcas dessa relação deixaram traumas profundos até que um dia ela recebe a notícia que seu ex cometeu um suicídio. Com o passar do tempo, porém, Cecilia passa a testemunhar alguns fenômenos bastante sinistros, o que a fazem suspeitar que Adrian não está morto, e sim que descobriu uma maneira de se tornar invisível para poder se vingar dela. Confira o trailer a seguir:

"O Homem Invisível" (The Invisible Man, título original) é um suspense de prato cheio, daqueles que nos gera a tensão só por imaginarmos o que pode acontecer e, claro, muitos sustos, já que o "silêncio" é muito bem trabalhado e o "vazio" é explorado com inteligência, graças ao ótimo trabalho do diretor Leigh Whannell. O filme, de fato, me surpreendeu, eu sinceramente não esperava que ele fosse tão bom e tão bem desenvolvido - ele entrega uma experiência de entretenimento ideal para quem gosta do gênero. Vale muito a pena e mais abaixo vou explicar a razão em detalhes!

Embora o filme seja baseado no personagem criado por  H.G. Wells, Whannello (que também escreveu o roteiro) se apropriou apenas do fato de existir um personagem que descobre uma maneira de ficar invisível. A escolha de mostrar o ponto de vista da vítima, e não do "homem invisível", me pareceu muito acertada e ao usar uma temática extremamente atual, onde observamos os reflexos de uma relação abusiva sob olhar de quem viveu (e vive) um trauma tão marcante, é sensacional porque, de cara, já se cria uma identificação imediata com a protagonista, mesmo sem saber muito bem o que acontecia ao certo - e aqui o roteiro dá um show ao expôr toda essa relação conturbada e a motivação de Cecília logo no prólogo, com uma sequência inicial de tirar o fôlego! 

Na direção, fica claro, com poucos minutos de filme, que Whannello domina a gramática cinematográfica do suspense. Certamente sua experiência anterior em títulos como Jogos Mortais, que roteirizou, e Sobrenatural, que dirigiu, serviram para entregar um filme interessante sem a necessidade de tantos efeitos especiais, afinal o detalhe do movimento era o suficiente. O fato dele usar o travelling (aquele movimento lateral da câmera) ou takes com uma lente "grande angular" para estabelecer o vazio da cena, por si só, já criam um clima de tensão absurdo. O detalhe do botão do fogão virando para aumentar a chama ou a respiração de uma noite de frio são só a cereja do bolo para uma angustia ou ansiedade que já foi construída segundos antes!

Outro elemento que te convido a observar é o desenho do som: como muitas vezes Cecilia está sozinha em cena, é preciso aumentar um pouco a relação do som (ou dos ruídos) com o ambiente para compensar esse vazio - o que é lindo de ver e ouvir, pois nossa sensibilidade auditiva é provocada a cada momento, como se estivéssemos tentando encontrar alguém que não podemos enxergar, junto com a protagonista. Se existe algo que poderia, talvez, ser melhor desenvolvido, acho que seria o drama mais intimo de Cecilia antes da certeza de que Adrian ainda estava vivo - acho que Whannello perdeu uma grande chance de discutir ainda mais a sanidade de Cecilia, bem como sua própria dúvida sobre o eventos (sobrenaturais) que ela vivenciou sozinha! Por outro lado, o roteiro é muito competente em nos surpreender - em pelo menos duas situações, ficamos de queixo caído, enquanto no final, embora interessante, a sensação de obviedade surge com força..

"O Homem Invisível" é o primeiro projeto da Universal com um selo que pretende produzir apenas remakes de monstros clássicos do cinema, mas com o foco no desenvolvimento das histórias e com uma levada mais autoral e independente dos seus roteiristas e diretores. Nesse caso, funcionou! "O Homem Invisível" custou pouco mais de 7 milhões de dólares e rendeu mais de 130 milhões - um sucesso absoluto de público e crítica e não se surpreendam se for bastante premiado na próxima temporada de festivais de gênero e se abocanhar umas 2 ou 3 indicações ao Oscar de 2021.

Sem exageros, vale muito seu play!

Assista Agora

Se você assistiu "O Homem sem Sombra", com Kevin Bacon e Elisabeth Shue, eu já te adianto: "O Homem Invisível" é muito (mas muito) melhor - eu diria que é outro nível de filme! Se em 2000 o filme trouxe avanços incríveis em efeitos especiais, o que acabou lhe garantindo uma indicação ao Oscar na categoria em 2001, a sua versão mais recente se apoia muito mais no roteiro e no excelente trabalho de Elisabeth Moss (a June de The Handmaid's Tale) - ela está tão incrível que não vou me surpreender se for indicada ao Oscar por esse trabalho!

A história acompanha Cecilia (Moss), uma mulher atormentada por um relacionamento abusivo com o milionário Adrian (Oliver Jackson-Cohen), um renomado especialista em óptica. Desesperada com sua situação, Cecília resolve fugir certa noite, porém as marcas dessa relação deixaram traumas profundos até que um dia ela recebe a notícia que seu ex cometeu um suicídio. Com o passar do tempo, porém, Cecilia passa a testemunhar alguns fenômenos bastante sinistros, o que a fazem suspeitar que Adrian não está morto, e sim que descobriu uma maneira de se tornar invisível para poder se vingar dela. Confira o trailer a seguir:

"O Homem Invisível" (The Invisible Man, título original) é um suspense de prato cheio, daqueles que nos gera a tensão só por imaginarmos o que pode acontecer e, claro, muitos sustos, já que o "silêncio" é muito bem trabalhado e o "vazio" é explorado com inteligência, graças ao ótimo trabalho do diretor Leigh Whannell. O filme, de fato, me surpreendeu, eu sinceramente não esperava que ele fosse tão bom e tão bem desenvolvido - ele entrega uma experiência de entretenimento ideal para quem gosta do gênero. Vale muito a pena e mais abaixo vou explicar a razão em detalhes!

Embora o filme seja baseado no personagem criado por  H.G. Wells, Whannello (que também escreveu o roteiro) se apropriou apenas do fato de existir um personagem que descobre uma maneira de ficar invisível. A escolha de mostrar o ponto de vista da vítima, e não do "homem invisível", me pareceu muito acertada e ao usar uma temática extremamente atual, onde observamos os reflexos de uma relação abusiva sob olhar de quem viveu (e vive) um trauma tão marcante, é sensacional porque, de cara, já se cria uma identificação imediata com a protagonista, mesmo sem saber muito bem o que acontecia ao certo - e aqui o roteiro dá um show ao expôr toda essa relação conturbada e a motivação de Cecília logo no prólogo, com uma sequência inicial de tirar o fôlego! 

Na direção, fica claro, com poucos minutos de filme, que Whannello domina a gramática cinematográfica do suspense. Certamente sua experiência anterior em títulos como Jogos Mortais, que roteirizou, e Sobrenatural, que dirigiu, serviram para entregar um filme interessante sem a necessidade de tantos efeitos especiais, afinal o detalhe do movimento era o suficiente. O fato dele usar o travelling (aquele movimento lateral da câmera) ou takes com uma lente "grande angular" para estabelecer o vazio da cena, por si só, já criam um clima de tensão absurdo. O detalhe do botão do fogão virando para aumentar a chama ou a respiração de uma noite de frio são só a cereja do bolo para uma angustia ou ansiedade que já foi construída segundos antes!

Outro elemento que te convido a observar é o desenho do som: como muitas vezes Cecilia está sozinha em cena, é preciso aumentar um pouco a relação do som (ou dos ruídos) com o ambiente para compensar esse vazio - o que é lindo de ver e ouvir, pois nossa sensibilidade auditiva é provocada a cada momento, como se estivéssemos tentando encontrar alguém que não podemos enxergar, junto com a protagonista. Se existe algo que poderia, talvez, ser melhor desenvolvido, acho que seria o drama mais intimo de Cecilia antes da certeza de que Adrian ainda estava vivo - acho que Whannello perdeu uma grande chance de discutir ainda mais a sanidade de Cecilia, bem como sua própria dúvida sobre o eventos (sobrenaturais) que ela vivenciou sozinha! Por outro lado, o roteiro é muito competente em nos surpreender - em pelo menos duas situações, ficamos de queixo caído, enquanto no final, embora interessante, a sensação de obviedade surge com força..

"O Homem Invisível" é o primeiro projeto da Universal com um selo que pretende produzir apenas remakes de monstros clássicos do cinema, mas com o foco no desenvolvimento das histórias e com uma levada mais autoral e independente dos seus roteiristas e diretores. Nesse caso, funcionou! "O Homem Invisível" custou pouco mais de 7 milhões de dólares e rendeu mais de 130 milhões - um sucesso absoluto de público e crítica e não se surpreendam se for bastante premiado na próxima temporada de festivais de gênero e se abocanhar umas 2 ou 3 indicações ao Oscar de 2021.

Sem exageros, vale muito seu play!

Assista Agora

O Inocente

"O Inocente" é uma minissérie muito bacana, que se você se permitir um pouco de abstração da realidade, vai se divertir muito! Para os mais atentos, foi exatamente assim que eu comecei o review de "Um Contratempo", filme espanhol de 2016 e um dos maiores sucessos da história da Netflix. Não por acaso, o diretor de "Um Contratempo" é o mesmo Oriol Paulo de "O Inocente" e seu protagonista, Mario Casas, também. Ou seja, se você gostou de um, certamente vai gostar do outro!

Essa é mais uma adaptação de Harlan Corben para a Netflix. Depois de "Safe" e "Não Fale com Estranhos", "O Inocente" acompanha a história Mateo (Mario Casas), um jovem estudante de direito que, numa noitada, foi arrastado para uma briga e acabou empurrando um de seus agressores contra a calçada, causando sua morte. Após seu julgamento, ele é mandado para prisão para cumprir uma pena de quatro anos. Ao retomar a sua vida, ele monta um escritório de advocacia com seu irmão e acaba reencontrando Olivia Costa (Aura Garrido), uma linda jovem com quem passou a noite anos antes. Apaixonados, eles resolvem começar uma vida juntos até que Mat percebe que algumas histórias não resolvidas começam a vir à tona e, pior, Olivia, a pessoa em quem ele mais confia, parece esconder segredos obscuros que podem ter relação com o seu passado. Confira o trailer:

Mesmo com um roteiro com algumas soluções preguiçosas, "O Inocente" é entretenimento puro - e de qualidade, eu diria! Sem dúvida que a dinâmica narrativa tem um valor muito maior do que a originalidade da trama e esse é um grande trunfo de Oriol Paulo - ele realmente sabe criar uma atmosfera de tensão e mistério, mesmo não contando com um elenco excepcional, Paulo é inteligente ao resgatar muito do que funcionou em "Um Contratempo" para entregar uma minissérie que nos surpreende a cada episódio! Escrita pelo próprio diretor os episódios são bem construidos e o conceito narrativo de focar em como o passado de um personagem impacta na história que está sendo contada no presente, funciona perfeitamente. Reparem como a disparidade entre o 1º e 2º episódio é tão grande que, por um momento, chegamos a acreditar que estamos assistindo outra série.

Em cada episódio, vamos reconhecendo na trajetória dos personagens uma série de conexões com o arco principal da trama: a morte acidental que levou Matteo para prisão. Característico da literatura de Corben, a história vai abrindo muitas questões e inevitavelmente é preciso voltar a cada plot para recontar uma determinada passagem e assim deixar claro que tudo foi muito bem pensado. Isso não é ruim, mas traz um certo didatismo para o roteiro que vai incomodar os mais críticos. Por outro lado, é de se elogiar a forma como as pontas vão sendo amarradas - a sensação de que nada é por acaso, mesmo que inicialmente muita coisa soe ser, é reflexo de uma boa condução e de um trabalho minucioso do diretor.

É um fato que "O Inocente" possui um número exagerado de reviravoltas e isso vai dividir opiniões, mas que fique claro que não deve atrapalhar a experiência. A busca insaciável para surpreender a todo instante e assim manter o ritmo instigante do começo é falha em alguns momentos, mas em muitos outros, funciona bem.

Olha, não é uma minissérie inesquecível, mas vale demais pela pela diversão. Pode pegar a pipoca e apertar o play sem receio!

Assista Agora

"O Inocente" é uma minissérie muito bacana, que se você se permitir um pouco de abstração da realidade, vai se divertir muito! Para os mais atentos, foi exatamente assim que eu comecei o review de "Um Contratempo", filme espanhol de 2016 e um dos maiores sucessos da história da Netflix. Não por acaso, o diretor de "Um Contratempo" é o mesmo Oriol Paulo de "O Inocente" e seu protagonista, Mario Casas, também. Ou seja, se você gostou de um, certamente vai gostar do outro!

Essa é mais uma adaptação de Harlan Corben para a Netflix. Depois de "Safe" e "Não Fale com Estranhos", "O Inocente" acompanha a história Mateo (Mario Casas), um jovem estudante de direito que, numa noitada, foi arrastado para uma briga e acabou empurrando um de seus agressores contra a calçada, causando sua morte. Após seu julgamento, ele é mandado para prisão para cumprir uma pena de quatro anos. Ao retomar a sua vida, ele monta um escritório de advocacia com seu irmão e acaba reencontrando Olivia Costa (Aura Garrido), uma linda jovem com quem passou a noite anos antes. Apaixonados, eles resolvem começar uma vida juntos até que Mat percebe que algumas histórias não resolvidas começam a vir à tona e, pior, Olivia, a pessoa em quem ele mais confia, parece esconder segredos obscuros que podem ter relação com o seu passado. Confira o trailer:

Mesmo com um roteiro com algumas soluções preguiçosas, "O Inocente" é entretenimento puro - e de qualidade, eu diria! Sem dúvida que a dinâmica narrativa tem um valor muito maior do que a originalidade da trama e esse é um grande trunfo de Oriol Paulo - ele realmente sabe criar uma atmosfera de tensão e mistério, mesmo não contando com um elenco excepcional, Paulo é inteligente ao resgatar muito do que funcionou em "Um Contratempo" para entregar uma minissérie que nos surpreende a cada episódio! Escrita pelo próprio diretor os episódios são bem construidos e o conceito narrativo de focar em como o passado de um personagem impacta na história que está sendo contada no presente, funciona perfeitamente. Reparem como a disparidade entre o 1º e 2º episódio é tão grande que, por um momento, chegamos a acreditar que estamos assistindo outra série.

Em cada episódio, vamos reconhecendo na trajetória dos personagens uma série de conexões com o arco principal da trama: a morte acidental que levou Matteo para prisão. Característico da literatura de Corben, a história vai abrindo muitas questões e inevitavelmente é preciso voltar a cada plot para recontar uma determinada passagem e assim deixar claro que tudo foi muito bem pensado. Isso não é ruim, mas traz um certo didatismo para o roteiro que vai incomodar os mais críticos. Por outro lado, é de se elogiar a forma como as pontas vão sendo amarradas - a sensação de que nada é por acaso, mesmo que inicialmente muita coisa soe ser, é reflexo de uma boa condução e de um trabalho minucioso do diretor.

É um fato que "O Inocente" possui um número exagerado de reviravoltas e isso vai dividir opiniões, mas que fique claro que não deve atrapalhar a experiência. A busca insaciável para surpreender a todo instante e assim manter o ritmo instigante do começo é falha em alguns momentos, mas em muitos outros, funciona bem.

Olha, não é uma minissérie inesquecível, mas vale demais pela pela diversão. Pode pegar a pipoca e apertar o play sem receio!

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O Labirinto

"O Labirinto" é mais um daqueles filmes "ame ou odeie", bem na linha do espanhol "O Poço". Essa produção italiana que tem Dustin Hoffman (falando em inglês) no elenco, é bem peculiar - tanto na forma quanto no seu conteúdo, ou seja, é possível amar a história, mas odiar a estética e vice-versa. O fato é que essa adaptação da obra homônima do aclamado escritor italiano Donato Carrisi (que também dirige o filme) é um suspense psicológico com elementos que remetem ao drama policial e que tenta, de várias maneiras, revitalizar o estilo noir trazendo para os dias de hoje, toda aquela experiência do exagero visual e da narrativa pontuada por uma trilha sonora igualmente marcante.

Na história, Samantha (Valentina Bellè) está no hospital, em estado de choque, quinze anos depois de ser raptada a caminho da escola. Ao lado dela, Dr. Green (Dustin Hoffman) busca resgatar suas memórias para tentar encontrar o criminoso que a manteve em cativeiro por tanto tempo. É nesse processo que Green descobre o labirinto - uma prisão subterrânea, aparentemente sem saída, onde a jovem era obrigada a resolver alguns enigmas em troca de recompensas por seus sucessos (ou sendo punida por seus fracassos). Paralelo a isso, Bruno Genko (Toni Servillo), um investigador particular de talento excepcional, também está ansioso para resolver o mistério já que não tem muito tempo de vida e ainda guarda uma relação de dívida com os pais de Samantha que o contrataram na época do sequestro. Confira o trailer:

Partindo do principio que dois protagonistas (um italiano e um americano) buscam encontrar o mesmo criminoso, mas usando de métodos e estilos distintos, a sensação de urgência e dúvida nos fisga logo de cara. A pergunta sobre qual deles conseguirá chegar até a verdade primeiro, nos guia por duas linhas narrativas distintas que, é preciso que se diga, deve ter funcionado muito melhor no livro do que no filme - e aqui cabe um comentário pertinente: muito dessa falta de conexão entre o propósito e os personagens é culpa do diretor que não teve (e não tem) a capacidade de construir uma jornada inesquecível a partir de uma história ótima, por simplesmente não dominar a gramática cinematográfica do suspense policial. Para mim a forma é falha, o conteúdo não - para você a inverso pode ser verdadeiro e tudo bem, será uma questão de gosto.

É de se ressaltar que essa é uma adaptação das mais difíceis, já que os elementos narrativos pedem uma atmosfera repleta de cenários abstratos para trazer uma forte sensação de terror psicológico com base em ambientes apavorantes - daqueles que nunca sabemos se é real ou produto da imaginação dos personagens. Essa mistura entre o pesadelo juvenil e o cabaréhardcore, mesmo em sua complexidade, funciona em vários momentos e entrega a sustentação para uma trama cheia de peças e informações espalhadas e que, a todo momento, nos convida a participar de uma investigação interessante - sempre esperando aqueles plots twistsmatadores.

Veja, como todo filme "ame ou odeie", se você se permitir mergulhar no exagero estético que comentamos, abstrair o senso de realidade e ainda se permitir embarcar na proposta do diretor, é muito provável que você vai se divertir (e muito) com "L'uomo del Labirinto" (no original). Agora, se você procura uma história mais palpável, com um realismo narrativo e estético mais conservador, esse filme definitivamente não vai te agradar. 

Na linha de Harlan Coben (de "Não Fale com Estranhos") ou dos games de investigação como "Black Dahlia", vale a pena experimentar!

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"O Labirinto" é mais um daqueles filmes "ame ou odeie", bem na linha do espanhol "O Poço". Essa produção italiana que tem Dustin Hoffman (falando em inglês) no elenco, é bem peculiar - tanto na forma quanto no seu conteúdo, ou seja, é possível amar a história, mas odiar a estética e vice-versa. O fato é que essa adaptação da obra homônima do aclamado escritor italiano Donato Carrisi (que também dirige o filme) é um suspense psicológico com elementos que remetem ao drama policial e que tenta, de várias maneiras, revitalizar o estilo noir trazendo para os dias de hoje, toda aquela experiência do exagero visual e da narrativa pontuada por uma trilha sonora igualmente marcante.

Na história, Samantha (Valentina Bellè) está no hospital, em estado de choque, quinze anos depois de ser raptada a caminho da escola. Ao lado dela, Dr. Green (Dustin Hoffman) busca resgatar suas memórias para tentar encontrar o criminoso que a manteve em cativeiro por tanto tempo. É nesse processo que Green descobre o labirinto - uma prisão subterrânea, aparentemente sem saída, onde a jovem era obrigada a resolver alguns enigmas em troca de recompensas por seus sucessos (ou sendo punida por seus fracassos). Paralelo a isso, Bruno Genko (Toni Servillo), um investigador particular de talento excepcional, também está ansioso para resolver o mistério já que não tem muito tempo de vida e ainda guarda uma relação de dívida com os pais de Samantha que o contrataram na época do sequestro. Confira o trailer:

Partindo do principio que dois protagonistas (um italiano e um americano) buscam encontrar o mesmo criminoso, mas usando de métodos e estilos distintos, a sensação de urgência e dúvida nos fisga logo de cara. A pergunta sobre qual deles conseguirá chegar até a verdade primeiro, nos guia por duas linhas narrativas distintas que, é preciso que se diga, deve ter funcionado muito melhor no livro do que no filme - e aqui cabe um comentário pertinente: muito dessa falta de conexão entre o propósito e os personagens é culpa do diretor que não teve (e não tem) a capacidade de construir uma jornada inesquecível a partir de uma história ótima, por simplesmente não dominar a gramática cinematográfica do suspense policial. Para mim a forma é falha, o conteúdo não - para você a inverso pode ser verdadeiro e tudo bem, será uma questão de gosto.

É de se ressaltar que essa é uma adaptação das mais difíceis, já que os elementos narrativos pedem uma atmosfera repleta de cenários abstratos para trazer uma forte sensação de terror psicológico com base em ambientes apavorantes - daqueles que nunca sabemos se é real ou produto da imaginação dos personagens. Essa mistura entre o pesadelo juvenil e o cabaréhardcore, mesmo em sua complexidade, funciona em vários momentos e entrega a sustentação para uma trama cheia de peças e informações espalhadas e que, a todo momento, nos convida a participar de uma investigação interessante - sempre esperando aqueles plots twistsmatadores.

Veja, como todo filme "ame ou odeie", se você se permitir mergulhar no exagero estético que comentamos, abstrair o senso de realidade e ainda se permitir embarcar na proposta do diretor, é muito provável que você vai se divertir (e muito) com "L'uomo del Labirinto" (no original). Agora, se você procura uma história mais palpável, com um realismo narrativo e estético mais conservador, esse filme definitivamente não vai te agradar. 

Na linha de Harlan Coben (de "Não Fale com Estranhos") ou dos games de investigação como "Black Dahlia", vale a pena experimentar!

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O Poço

"O Poço" é o tipo de filme que trabalha muito bem as alegorias sem perder a força de uma narrativa mais linear que alimenta o gênero que faz parte: no caso o suspense! O que eu quero dizer com isso? Que o filme vai muito além do que vemos na tela, mas nem por isso deixa de ter uma história intrigante - embora o final só vá funcionar para quem realmente se aprofunda nas entrelinhas do roteiro!

Situado dentro de uma espécie de prisão vertical conhecida como "El Hoyo" (que inclusive é o título original do filme), acompanhamos a jornada de Goreng (Ivan Massagué), um homem que aparentemente não cometeu crime algum, mas que por escolha própria resolve ir para a prisão com o objetivo de parar de fumar. É lá que ele conhece Trimagasi (Zorion Eguileor), um senhor que já está há "muitos meses preso", como ele mesmo define. É Trimagasi que explica como funciona a única dinâmica do local: esperar por uma plataforma de comida que se move para baixo, andar por andar, com um banquete. Como Goreng e Trimagasi estão no nível 48, eles precisam aguardar para ver o que sobra depois dos 47 níveis acima se alimentarem, porém de tempos em tempos eles são transferidos para outros níveis e é aí que a coisa começa a pegar, afinal quanto mais baixo, menos comida sobra e a luta pela sobrevivência começa ser a única alternativa! Confira o trailer:

Se "Parasita" extrapolou esse tipo de discussão com maestria, "O Poço" segue a mesma receita, talvez sem o mesmo brilhantismo, mas com uma entrega muito competente. As alegorias vão permitir inúmeras interpretações, algo na linha de "Mother!". Então se você gostou dessas duas referências é bem provável que esse premiado filme espanhol te conquiste, mas se você está atrás de um bom suspense psicológico, com um pezinho no terror, sua escolha também não poderia ser melhor. Vale o play!

Assista Agora ou

"O Poço" é o tipo de filme que trabalha muito bem as alegorias sem perder a força de uma narrativa mais linear que alimenta o gênero que faz parte: no caso o suspense! O que eu quero dizer com isso? Que o filme vai muito além do que vemos na tela, mas nem por isso deixa de ter uma história intrigante - embora o final só vá funcionar para quem realmente se aprofunda nas entrelinhas do roteiro!

Situado dentro de uma espécie de prisão vertical conhecida como "El Hoyo" (que inclusive é o título original do filme), acompanhamos a jornada de Goreng (Ivan Massagué), um homem que aparentemente não cometeu crime algum, mas que por escolha própria resolve ir para a prisão com o objetivo de parar de fumar. É lá que ele conhece Trimagasi (Zorion Eguileor), um senhor que já está há "muitos meses preso", como ele mesmo define. É Trimagasi que explica como funciona a única dinâmica do local: esperar por uma plataforma de comida que se move para baixo, andar por andar, com um banquete. Como Goreng e Trimagasi estão no nível 48, eles precisam aguardar para ver o que sobra depois dos 47 níveis acima se alimentarem, porém de tempos em tempos eles são transferidos para outros níveis e é aí que a coisa começa a pegar, afinal quanto mais baixo, menos comida sobra e a luta pela sobrevivência começa ser a única alternativa! Confira o trailer:

Se "Parasita" extrapolou esse tipo de discussão com maestria, "O Poço" segue a mesma receita, talvez sem o mesmo brilhantismo, mas com uma entrega muito competente. As alegorias vão permitir inúmeras interpretações, algo na linha de "Mother!". Então se você gostou dessas duas referências é bem provável que esse premiado filme espanhol te conquiste, mas se você está atrás de um bom suspense psicológico, com um pezinho no terror, sua escolha também não poderia ser melhor. Vale o play!

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O que ficou para trás

O que ficou para trás

"O que ficou para trás" é um filme cheio de simbolismo e não por isso menos assustador! Bem ao estilo Jordan Peele ("Corra" e "Nós"), essa produção ds Netflix com a BBC será uma agradável surpresa para quem gosta de um suspense psicológico com elementos sobrenaturais. Talvez com uma temática menos convencional, o filme se arrisca muito na concepção narrativa, mas ao mesmo tempo entrega um conceito visual simples e que se ajusta perfeitamente na proposta do diretor, o estreante Remi Weekes.

Na história, um jovem casal, Rial (Wunmi Mosaku) e Bol (Sope Dirisu) consegue escapar da guerra civil no Sudão e, depois de completarem a difícil jornada até o Reino Unido, acabam detidos em um centro de refugiados. A esperança de uma vida digna e segura começa a se tornar realidade quando eles são liberados e se mudam para uma casa indicada pelo governo local. Porém uma série de fenômenos sobrenaturais começa a assombra-los, transformando o inicio de uma nova vida em um verdadeiro pesadelo. O que eles precisam descobrir é se de fato existe algo sinistro escondido nas paredes da casa ou se são seus fantasmas mais íntimos que voltaram para cobrar por suas decisões! Confira o trailer:

Embora os sustos realmente aconteçam enquanto assistimos ao filme, eu diria que toda aquela conhecida e importante gramática cinematográfica que envolve os elementos sobrenaturais de uma casa mal-assombrada serve muito mais como simbolismo para lidar a culpa, com os traumas e, claro, com as perdas de refugiar-se em um outro país, do que de bengala para prender a atenção da audiência! Então fica a primeira dica: enxergue além do que está na tela! As batidas nas paredes são muito mais profundas do que o medo que elas podem causar e isso vai impactar diretamente na sua experiência ao assistir "O que ficou para trás"! Vamos falar mais sobre isso abaixo, mas se você gosta de um suspense inteligente e não muito difícil, essa é uma ótima opção e fique tranquilo: as respostas mais importantes virão!

Para começar, sugiro uma reflexão: reparem como um roteiro bem escrito nos provoca uma sensação de realidade mesmo quando lidamos com elementos completamente fantasiosos. Em "His House" (título original) encontramos o equilíbrio perfeito entre o passado e o presente: a história é contada de maneira econômica e nem por isso deixa de ser auto-explicativa. De cara sabemos o que aconteceu durante a fuga do Sudão, entendemos o peso da dor que Rial e Bol carregam e ainda vemos como suas crenças interferem na esperança de "começar de novo". Apesar de alguns traumas do passado pontuarem a narrativa, o preconceito e a intolerância são os fantasmas do dia a dia - veja, quando eles ganham o direito de sair do abrigo de refugiados para viverem em um novo local, percebemos a força das restrições impostas, o que eleva a tensão a cada ação (ou situação) já que o governo está apenas esperando algum vacilo para justificar uma deportação.

A casa parece ser apenas uma ferramenta para explorar essa tensão e aqui a direção de Weekes merece elogios: ele demonstra total domínio sobre os clichês do gênero, oferecendo muitos sustos ao mesmo tempo que desencadeia a dúvida sobre a sanidade dos personagens - e esse não seria o motivo suficiente que o governo precisa para expulsá-los? Enquanto Bol tenta lidar com a razão, Rial faz questão de cultivar os rituais de sua terra natal e isso faz com que o casal se desconecte! O bacana é que a entrada dos elementos sobrenaturais na história apenas enaltece as discussões sócio-culturais entre o casal e suas experiências fora de casa, acabam ganhando "forma" com a presença sobrenatural que os assombram. Percebam como a complexidade do tema vai além do que vemos na tela!

"O que ficou para trás" é um ótimo exemplo de um filme bem escrito, bem realizado, bem produzido e completamente adaptado ao baixo orçamento, que resolve as limitações técnicas com muita criatividade e competência! O elenco está impecável, tanto Sope Dirisu, quanto Wunmi Mosaku, são verdadeiros talentos! O trabalho de Weekes é seguro, do roteiro à direção, e com muita simplicidade consegue assustar ao mesmo tempo em que levanta discussões relevantes (Jordan Peele fazendo escola). 

Mesmo com várias alegorias estéticas, o filme é simples para quem enxerga superficialmente e inteligente para quem busca uma maior profundidade no texto, ou seja, a chance de agradar aos dois públicos será muito grande - se puder, fique com a segunda forma de ver e enxergar a história! Vale muito a pena o seu play!

Assista Agora

"O que ficou para trás" é um filme cheio de simbolismo e não por isso menos assustador! Bem ao estilo Jordan Peele ("Corra" e "Nós"), essa produção ds Netflix com a BBC será uma agradável surpresa para quem gosta de um suspense psicológico com elementos sobrenaturais. Talvez com uma temática menos convencional, o filme se arrisca muito na concepção narrativa, mas ao mesmo tempo entrega um conceito visual simples e que se ajusta perfeitamente na proposta do diretor, o estreante Remi Weekes.

Na história, um jovem casal, Rial (Wunmi Mosaku) e Bol (Sope Dirisu) consegue escapar da guerra civil no Sudão e, depois de completarem a difícil jornada até o Reino Unido, acabam detidos em um centro de refugiados. A esperança de uma vida digna e segura começa a se tornar realidade quando eles são liberados e se mudam para uma casa indicada pelo governo local. Porém uma série de fenômenos sobrenaturais começa a assombra-los, transformando o inicio de uma nova vida em um verdadeiro pesadelo. O que eles precisam descobrir é se de fato existe algo sinistro escondido nas paredes da casa ou se são seus fantasmas mais íntimos que voltaram para cobrar por suas decisões! Confira o trailer:

Embora os sustos realmente aconteçam enquanto assistimos ao filme, eu diria que toda aquela conhecida e importante gramática cinematográfica que envolve os elementos sobrenaturais de uma casa mal-assombrada serve muito mais como simbolismo para lidar a culpa, com os traumas e, claro, com as perdas de refugiar-se em um outro país, do que de bengala para prender a atenção da audiência! Então fica a primeira dica: enxergue além do que está na tela! As batidas nas paredes são muito mais profundas do que o medo que elas podem causar e isso vai impactar diretamente na sua experiência ao assistir "O que ficou para trás"! Vamos falar mais sobre isso abaixo, mas se você gosta de um suspense inteligente e não muito difícil, essa é uma ótima opção e fique tranquilo: as respostas mais importantes virão!

Para começar, sugiro uma reflexão: reparem como um roteiro bem escrito nos provoca uma sensação de realidade mesmo quando lidamos com elementos completamente fantasiosos. Em "His House" (título original) encontramos o equilíbrio perfeito entre o passado e o presente: a história é contada de maneira econômica e nem por isso deixa de ser auto-explicativa. De cara sabemos o que aconteceu durante a fuga do Sudão, entendemos o peso da dor que Rial e Bol carregam e ainda vemos como suas crenças interferem na esperança de "começar de novo". Apesar de alguns traumas do passado pontuarem a narrativa, o preconceito e a intolerância são os fantasmas do dia a dia - veja, quando eles ganham o direito de sair do abrigo de refugiados para viverem em um novo local, percebemos a força das restrições impostas, o que eleva a tensão a cada ação (ou situação) já que o governo está apenas esperando algum vacilo para justificar uma deportação.

A casa parece ser apenas uma ferramenta para explorar essa tensão e aqui a direção de Weekes merece elogios: ele demonstra total domínio sobre os clichês do gênero, oferecendo muitos sustos ao mesmo tempo que desencadeia a dúvida sobre a sanidade dos personagens - e esse não seria o motivo suficiente que o governo precisa para expulsá-los? Enquanto Bol tenta lidar com a razão, Rial faz questão de cultivar os rituais de sua terra natal e isso faz com que o casal se desconecte! O bacana é que a entrada dos elementos sobrenaturais na história apenas enaltece as discussões sócio-culturais entre o casal e suas experiências fora de casa, acabam ganhando "forma" com a presença sobrenatural que os assombram. Percebam como a complexidade do tema vai além do que vemos na tela!

"O que ficou para trás" é um ótimo exemplo de um filme bem escrito, bem realizado, bem produzido e completamente adaptado ao baixo orçamento, que resolve as limitações técnicas com muita criatividade e competência! O elenco está impecável, tanto Sope Dirisu, quanto Wunmi Mosaku, são verdadeiros talentos! O trabalho de Weekes é seguro, do roteiro à direção, e com muita simplicidade consegue assustar ao mesmo tempo em que levanta discussões relevantes (Jordan Peele fazendo escola). 

Mesmo com várias alegorias estéticas, o filme é simples para quem enxerga superficialmente e inteligente para quem busca uma maior profundidade no texto, ou seja, a chance de agradar aos dois públicos será muito grande - se puder, fique com a segunda forma de ver e enxergar a história! Vale muito a pena o seu play!

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O Sacrifício do Cervo Sagrado

O Dr. Steven Murphy (Colin Farrell) é um cardiologista conceituado que é casado com Anna (Nicole Kidman), com quem tem dois filhos: Kim (Raffey Cassidy) e Bob (Sunny Suljic). Já há algum tempo ele mantém contato frequente com Martin (Barry Keoghan), um adolescente cujo pai morreu na mesa de operação, justamente quando era operado por Steven. Talvez tomado pela culpa, o médico se coloca em uma posição bastante fraternal perante Martin - a relação dos dois sugere certa intimidade e carinho, tanto que Steven lhe dá presentes e em um determinado momento decide, inclusive, apresentá-lo à família. Entretanto, quando o jovem passa a não receber mais a atenção de antigamente, ele decide elaborar um plano de vingança para que a vida que lhe foi tirada seja recompensada de alguma forma. Confira o trailer:

"The Killing of a Sacred Deer" (título original) nada mais é do que uma tentativa de transformar uma história rasa do grego Yorgos Lanthimos ("The Lobster") em um filme bem ao estilo "Darren Aronofsky". É um festival de travelling, de zoom in, zoom out, que chega a ser irritante, pois parece não se apegar a um conceito estético definido e sim sugerir uma modernidade ou identidade que simplesmente não existe. O filme não é ruim, longe disso, mas tem um roteiro abaixo do real valor da premissa que assistimos no trailer, por exemplo

Existem elementos interessantes, metáforas e diálogos inteligentes, mas quando juntamos tudo isso, me pareceu uma enorme confusão de gêneros. Não sei, "O Sacrifício do Cervo Sagrado" tem bons momentos, algumas cenas fortes, gera uma certa tensão, mas no final percebemos que é só um bom entretenimento que vai agradar mais uns do que outros.

Os fãs do diretor vão gostar, então, provavelmente, é por isso que você está recebendo essa recomendação!

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O Dr. Steven Murphy (Colin Farrell) é um cardiologista conceituado que é casado com Anna (Nicole Kidman), com quem tem dois filhos: Kim (Raffey Cassidy) e Bob (Sunny Suljic). Já há algum tempo ele mantém contato frequente com Martin (Barry Keoghan), um adolescente cujo pai morreu na mesa de operação, justamente quando era operado por Steven. Talvez tomado pela culpa, o médico se coloca em uma posição bastante fraternal perante Martin - a relação dos dois sugere certa intimidade e carinho, tanto que Steven lhe dá presentes e em um determinado momento decide, inclusive, apresentá-lo à família. Entretanto, quando o jovem passa a não receber mais a atenção de antigamente, ele decide elaborar um plano de vingança para que a vida que lhe foi tirada seja recompensada de alguma forma. Confira o trailer:

"The Killing of a Sacred Deer" (título original) nada mais é do que uma tentativa de transformar uma história rasa do grego Yorgos Lanthimos ("The Lobster") em um filme bem ao estilo "Darren Aronofsky". É um festival de travelling, de zoom in, zoom out, que chega a ser irritante, pois parece não se apegar a um conceito estético definido e sim sugerir uma modernidade ou identidade que simplesmente não existe. O filme não é ruim, longe disso, mas tem um roteiro abaixo do real valor da premissa que assistimos no trailer, por exemplo

Existem elementos interessantes, metáforas e diálogos inteligentes, mas quando juntamos tudo isso, me pareceu uma enorme confusão de gêneros. Não sei, "O Sacrifício do Cervo Sagrado" tem bons momentos, algumas cenas fortes, gera uma certa tensão, mas no final percebemos que é só um bom entretenimento que vai agradar mais uns do que outros.

Os fãs do diretor vão gostar, então, provavelmente, é por isso que você está recebendo essa recomendação!

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O segredo dos seus olhos

"O segredo dos seus olhos" do diretor Juan José Campanella é o filme argentino que venceu o Oscar em 2010 o que nos faz partir do princípio que é um filme bom - e te garanto: o filme é simplesmente sensacional! É muito original e tecnicamente perfeito!

Após trabalhar a vida inteira em num Tribunal, Benjamín (Ricardo Darín) resolve se aposentar e aproveitar o seu tempo livre para escrever um romance baseado num acontecimento que ele mesmo vivenciou alguns anos atrás: em 1974, ele foi encarregado de investigar um violento assassinato. Ao encarar velhos traumas, Benjamín confronta o intenso romance que teve com sua antiga chefe Irene (Soledad Villamil), assim como decisões e equívocos que tomou no passado. Com o tempo, as memórias terminam por transformar novamente sua vida e os reflexos de suas descobertas podem ser devastadores. Confira o trailer:

"O segredo dos seus olhos" equilibra perfeitamente os elementos de suspense com o drama, mas sem esquecer de vários momentos onde o alivio cômico dá o tom irônico que ajuda a construir a personalidade de Benjamín. O roteiro nos entrega uma trama nada previsível, muito envolvente  e que consegue nos deixar tenso sempre que necessário. A capacidade que Darín tem como ator é muito bem aproveitado no filme, sua composição externa é tão bem construída quando seu trabalho íntimo. Tudo acaba se tornando bastante orgânico - do roteiro ao produto final que vemos na tela. Aliás é impossível não citar o "plano sequência" que busca Benjamín no meio de um Estádio de Futebol lotado. Reparem. A edição também merece destaque, pois o conceito narrativo imposta pelo roteiro sugere várias quebras na linha do tempo e a montagem do próprio Campanella resolve esse desafio de uma maneira muito criativa e uniforme - está realmente linda!

De fato é um grande trabalho do cinema argentino, sem dúvida um dos melhores da sua história e a vitória no Oscar 2010 só serviu para coroar um grande sucesso nas bilheterias - o filme custou 2 milhões de dólares e rendeu mais de 42 milhões no mundo inteiro!

Vale muito a pena e se prepare: o final é surpreendente!

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"O segredo dos seus olhos" do diretor Juan José Campanella é o filme argentino que venceu o Oscar em 2010 o que nos faz partir do princípio que é um filme bom - e te garanto: o filme é simplesmente sensacional! É muito original e tecnicamente perfeito!

Após trabalhar a vida inteira em num Tribunal, Benjamín (Ricardo Darín) resolve se aposentar e aproveitar o seu tempo livre para escrever um romance baseado num acontecimento que ele mesmo vivenciou alguns anos atrás: em 1974, ele foi encarregado de investigar um violento assassinato. Ao encarar velhos traumas, Benjamín confronta o intenso romance que teve com sua antiga chefe Irene (Soledad Villamil), assim como decisões e equívocos que tomou no passado. Com o tempo, as memórias terminam por transformar novamente sua vida e os reflexos de suas descobertas podem ser devastadores. Confira o trailer:

"O segredo dos seus olhos" equilibra perfeitamente os elementos de suspense com o drama, mas sem esquecer de vários momentos onde o alivio cômico dá o tom irônico que ajuda a construir a personalidade de Benjamín. O roteiro nos entrega uma trama nada previsível, muito envolvente  e que consegue nos deixar tenso sempre que necessário. A capacidade que Darín tem como ator é muito bem aproveitado no filme, sua composição externa é tão bem construída quando seu trabalho íntimo. Tudo acaba se tornando bastante orgânico - do roteiro ao produto final que vemos na tela. Aliás é impossível não citar o "plano sequência" que busca Benjamín no meio de um Estádio de Futebol lotado. Reparem. A edição também merece destaque, pois o conceito narrativo imposta pelo roteiro sugere várias quebras na linha do tempo e a montagem do próprio Campanella resolve esse desafio de uma maneira muito criativa e uniforme - está realmente linda!

De fato é um grande trabalho do cinema argentino, sem dúvida um dos melhores da sua história e a vitória no Oscar 2010 só serviu para coroar um grande sucesso nas bilheterias - o filme custou 2 milhões de dólares e rendeu mais de 42 milhões no mundo inteiro!

Vale muito a pena e se prepare: o final é surpreendente!

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Oxigênio

"Oxigênio" segue o conceito narrativo de "Náufrago", filme lançado em 2000 com Tom Hanks. Mas calma, os ajustes entre gênero e modernidade, na minha opinião, funcionam muito melhor nessa ficção científica francesa da Netflix do diretor Alexandre Aja do que no filme do Robert Zemeckis . Veja, em pouco mais de 90 minutos acompanhamos uma única atriz, em um único cenário, atuando com uma voz sintetizada, ou seja, troque o ótimo trabalho de Tom Hanks pela igualmente competente Mélanie Laurent, uma ilha deserta por uma claustrofóbica câmara criogênica e o Wilson pela inteligência artificial, MILO (com um ótimo trabalho de voz de Mathieu Amalric) - e não acabou, adicione uma ambientação marcante cheia de mistério e incertezas, e a angústia da corrida contra o tempo na busca pela sobrevivência!

"Oxygène" (no original) conta a história de Elisabeth Hansen (Laurent), que acorda envolta de uma espécie de casulo em uma câmara criogênica. Ela retoma a consciência com dificuldade para lembrar o seu passado, sem entender como funciona a cápsula que se encontra trancada e ainda precisa correr contra o tempo para viver, afinal um monitor apresenta um limite de 35% de oxigênio disponível. A sensação de claustrofobia e o desespero a deixam confusa, sem saber o que é realidade e o que é uma memória falsa. No limite da sua sanidade, ela tenta entender o que está acontecendo, mas, principalmente, encontrar uma saída com vida. Confira o trailer:

Obviamente que dois elementos saltam aos olhos de cara: a capacidade de Mélanie Laurent carregar o filme praticamente sozinha sem contracenar com ninguém (nem com uma bola) e o roteiro inteligente e dinâmico da estreante Christie LeBlanc. É impressionante como não sentimos o tempo passar e como todos os melhores recursos de suspense e mistério funcionam em torno da história, conforme Elisabeth vai descobrindo cada novo dispositivo na câmara e como as pistas sobre como ela foi parar ali vão sendo apresentadas - aqui cabem duas ótimas referências: "Calls" e "A Chegada".

O trabalho do diretor Alexandre Aja merece elogios, afinal, mesmo preso em suas próprias limitações cênicas, ele consegue desenvolver uma movimentação de câmera bastante criativa, flutuando pelo espaço reduzido e criando momentos de alívios narrativos - que acaba trazendo uma sensação de "respiro", mas que imediatamente é diluída com a tensão limitadora da falta de oxigênio - aí ele usa e abusa das lentes mais fechadas, focando no rosto da protagonista para demonstrar suas reações perante essa situação. Reparem como a câmera, de fato, está ali para contar a história apoiada apenas em sensações que o diretor quer nos provocar! A fotografia, a base de leds e cirurgicamente azulada, do diretor Maxime Alexandre lembra muito o genial trabalho do Dion Beebe e do Paul Cameron em "Colateral".

“Oxigênio” transita entre o surpreendente e o óbvio, mas é inegável como tantos "pontos de virada" entregam um excelente ritmo ao filme. Veja, ele pode até começar com pegada claramente minimalista, mas não necessariamente terminará assim - na forma e no conteúdo. Minha única crítica diz respeito a última cena: completamente dispensável, mas aqui é uma opinião muito pessoal - sem impacto algum na ótima experiência que é assistir “Oxigênio”.

Embora seja uma ficção científica de qualidade, seus elementos de suspense psicológico só colaboram para que o roteiro e a performance da protagonista brilhem! Vale muito seu play por todos esses motivos e se você gostar do gênero!

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"Oxigênio" segue o conceito narrativo de "Náufrago", filme lançado em 2000 com Tom Hanks. Mas calma, os ajustes entre gênero e modernidade, na minha opinião, funcionam muito melhor nessa ficção científica francesa da Netflix do diretor Alexandre Aja do que no filme do Robert Zemeckis . Veja, em pouco mais de 90 minutos acompanhamos uma única atriz, em um único cenário, atuando com uma voz sintetizada, ou seja, troque o ótimo trabalho de Tom Hanks pela igualmente competente Mélanie Laurent, uma ilha deserta por uma claustrofóbica câmara criogênica e o Wilson pela inteligência artificial, MILO (com um ótimo trabalho de voz de Mathieu Amalric) - e não acabou, adicione uma ambientação marcante cheia de mistério e incertezas, e a angústia da corrida contra o tempo na busca pela sobrevivência!

"Oxygène" (no original) conta a história de Elisabeth Hansen (Laurent), que acorda envolta de uma espécie de casulo em uma câmara criogênica. Ela retoma a consciência com dificuldade para lembrar o seu passado, sem entender como funciona a cápsula que se encontra trancada e ainda precisa correr contra o tempo para viver, afinal um monitor apresenta um limite de 35% de oxigênio disponível. A sensação de claustrofobia e o desespero a deixam confusa, sem saber o que é realidade e o que é uma memória falsa. No limite da sua sanidade, ela tenta entender o que está acontecendo, mas, principalmente, encontrar uma saída com vida. Confira o trailer:

Obviamente que dois elementos saltam aos olhos de cara: a capacidade de Mélanie Laurent carregar o filme praticamente sozinha sem contracenar com ninguém (nem com uma bola) e o roteiro inteligente e dinâmico da estreante Christie LeBlanc. É impressionante como não sentimos o tempo passar e como todos os melhores recursos de suspense e mistério funcionam em torno da história, conforme Elisabeth vai descobrindo cada novo dispositivo na câmara e como as pistas sobre como ela foi parar ali vão sendo apresentadas - aqui cabem duas ótimas referências: "Calls" e "A Chegada".

O trabalho do diretor Alexandre Aja merece elogios, afinal, mesmo preso em suas próprias limitações cênicas, ele consegue desenvolver uma movimentação de câmera bastante criativa, flutuando pelo espaço reduzido e criando momentos de alívios narrativos - que acaba trazendo uma sensação de "respiro", mas que imediatamente é diluída com a tensão limitadora da falta de oxigênio - aí ele usa e abusa das lentes mais fechadas, focando no rosto da protagonista para demonstrar suas reações perante essa situação. Reparem como a câmera, de fato, está ali para contar a história apoiada apenas em sensações que o diretor quer nos provocar! A fotografia, a base de leds e cirurgicamente azulada, do diretor Maxime Alexandre lembra muito o genial trabalho do Dion Beebe e do Paul Cameron em "Colateral".

“Oxigênio” transita entre o surpreendente e o óbvio, mas é inegável como tantos "pontos de virada" entregam um excelente ritmo ao filme. Veja, ele pode até começar com pegada claramente minimalista, mas não necessariamente terminará assim - na forma e no conteúdo. Minha única crítica diz respeito a última cena: completamente dispensável, mas aqui é uma opinião muito pessoal - sem impacto algum na ótima experiência que é assistir “Oxigênio”.

Embora seja uma ficção científica de qualidade, seus elementos de suspense psicológico só colaboram para que o roteiro e a performance da protagonista brilhem! Vale muito seu play por todos esses motivos e se você gostar do gênero!

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Pássaro do Oriente

"Pássaro do Oriente" é mais um filme que trás muito da linguagem cinematográfica dos anos 80/90, porém me pareceu muito melhor construído que a recente "A Grande Mentira". Sua linha narrativa claramente se referencia em filmes de sucesso como "Atração Fatal" ou "Instinto Selvagem" ao mesmo tempo em que trás elementos psicológicos de "Cisne Negro" e de sua enorme complexidade no desenvolvimento de personagens, no caso a protagonista Lucy Fly (Alicia Vikander, vencedora do Oscar por "A Garota Dinamarquesa"). Fly é uma jovem sueca que resolve se mudar para o Japão a fim de esquecer um passado marcado por algumas coincidências. Embora ainda carregue esse peso, ela se esforça para levar uma vida normal até se apaixonar por Teiji (Naoki Kobayashi). Reservado e misterioso, Teiji possui uma espécie de fetiche: tirar fotos de mulheres em diferentes ângulos e situações - mesmo estando mortas. Quando Lily Bridges (Riley Keough), uma jovem americana recém chegada ao Japão desaparece, Lucy Fly passa a ser a principal suspeita; já que ela e Bridges criaram uma relação extremamente ambígua tendo Teiji como catalizador desses sentimentos. De fato o filme cria uma dinâmica interessante, pois ao mesmo tempo em que parece economizar na ação, o roteiro aproveita para mergulhar em diálogos inteligentes, trazendo uma certa complexidade - e aquela subjetividade que nos faz querer discutir sobre o filme quando ele termina! Olha, não é um filme inesquecível, muito menos fácil de entender, mas para quem gosta do gênero, posso dizer que é uma ótima opção de entretenimento e um bom exercício de interpretação! Vale o play!

Assista Agora ou

"Pássaro do Oriente" é mais um filme que trás muito da linguagem cinematográfica dos anos 80/90, porém me pareceu muito melhor construído que a recente "A Grande Mentira". Sua linha narrativa claramente se referencia em filmes de sucesso como "Atração Fatal" ou "Instinto Selvagem" ao mesmo tempo em que trás elementos psicológicos de "Cisne Negro" e de sua enorme complexidade no desenvolvimento de personagens, no caso a protagonista Lucy Fly (Alicia Vikander, vencedora do Oscar por "A Garota Dinamarquesa"). Fly é uma jovem sueca que resolve se mudar para o Japão a fim de esquecer um passado marcado por algumas coincidências. Embora ainda carregue esse peso, ela se esforça para levar uma vida normal até se apaixonar por Teiji (Naoki Kobayashi). Reservado e misterioso, Teiji possui uma espécie de fetiche: tirar fotos de mulheres em diferentes ângulos e situações - mesmo estando mortas. Quando Lily Bridges (Riley Keough), uma jovem americana recém chegada ao Japão desaparece, Lucy Fly passa a ser a principal suspeita; já que ela e Bridges criaram uma relação extremamente ambígua tendo Teiji como catalizador desses sentimentos. De fato o filme cria uma dinâmica interessante, pois ao mesmo tempo em que parece economizar na ação, o roteiro aproveita para mergulhar em diálogos inteligentes, trazendo uma certa complexidade - e aquela subjetividade que nos faz querer discutir sobre o filme quando ele termina! Olha, não é um filme inesquecível, muito menos fácil de entender, mas para quem gosta do gênero, posso dizer que é uma ótima opção de entretenimento e um bom exercício de interpretação! Vale o play!

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Ponto Vermelho

"Ponto Vermelho" é uma produção sueca da Netflix comandada pelo diretor Alain Darborg. Bem na linha do suspense psicológico onde em grande parte do filme o inimigo é completamente desconhecido, posso dizer que a experiência não decepciona. Existem muitos elementos narrativos que misturam filmes como "Mar Aberto" de 2003 e "Louca Obsessão" de 1990 - o que acaba criando uma dinâmica angustiante e até certo ponto bastante corajosa. Aliás, temos um final bem corajoso, eu diria!

David (Anastasios Soulis) acaba de se formar em engenharia e aproveita a felicidade do momento para pedir a namorada, Nadja (Nanna Blondell) em casamento. Um ano e meio se passa e o casal feliz agora está tão feliz assim - o que faz Nadja esconder que está grávida do marido. Após uma discussão, David resolve convidar a mulher para passar um final de semana acampando num lugar remoto ao norte da Suécia - a idéia era aproveitar o momento para tentar salvar a relação, se reconectarem. Acontece que um desentendimento bobo no caminho, com dois irmãos racistas, passa a ameaçar a paz do casal, e, o que era para ser um final de semana de reconciliação acaba se tornando um verdadeiro pesadelo. Confira o trailer (legendado em inglês):

Embora o prólogo seja superficial demais, é possível ter a real percepção de como a dinâmica do casal vai influenciar na história. Talvez um pouco deslocado e até apressado, o roteiro dePer Dickson e do diretor Alain Darborg vai se equilibrando com o passar do tempo e inserindo muitos gatilhos visuais e narrativos de medo e angústia - o primeiro contato com os irmãos racistas é um bom exemplo. Ao se apropriar do estilo “o perigo pode estar em qualquer lugar”, o filme ganha muita força e acaba potencializando o cenário escolhido: uma inóspita região de gelo, como vimos recentemente em "O Céu da Meia-Noite". A noite, com tempestade, sem iluminação, apenas os dois personagens no meio de uma situação sem controle, faz o suspense natural de "Mar Aberto" vir na nossa lembrança.

Porém esse mesmo roteiro que cria essa atmosfera de terror tão sensível, começa trapacear a audiência quando a "caça ao rato" termina já no inicio do terceiro ato, pois ele passa a usar alguns artifícios que não são apresentados em nenhum momento da trama e isso incomoda um pouco. Mesmo impactando a imaginação, já que as cenas de maus-tratos aos animais são apenas sugeridas e acabam servindo de preparação para as de tortura que virão adiante - daí a forte referência de "Louca Obsessão"; "Ponto Vermelho" oscila demais até sua conclusão. 

Anastasios Soulis e Nanna Blondell estão ótimos e carregam o filme nas costas, junto com uma direção competente de Darborg, mas faltou um pouco mais de violência para tornar o filme inesquecível e marcante - e aqui é uma opinião bem pessoal, já que fiquei satisfeito com o final e como o drama foi se construindo. Digamos que seria a cereja do bolo, mesmo com tudo fazendo sentido como fez! Em todo caso, "Ponto Vermelho" é um bom  suspense psicológico com toques de ação e perseguição que vai entreter e provocar sensações interessantes.

Não é um filme inesquecível, ok? Mas cumpre muito bem o seu papel na discussão sobre até que ponto a vingança vale a pena!

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"Ponto Vermelho" é uma produção sueca da Netflix comandada pelo diretor Alain Darborg. Bem na linha do suspense psicológico onde em grande parte do filme o inimigo é completamente desconhecido, posso dizer que a experiência não decepciona. Existem muitos elementos narrativos que misturam filmes como "Mar Aberto" de 2003 e "Louca Obsessão" de 1990 - o que acaba criando uma dinâmica angustiante e até certo ponto bastante corajosa. Aliás, temos um final bem corajoso, eu diria!

David (Anastasios Soulis) acaba de se formar em engenharia e aproveita a felicidade do momento para pedir a namorada, Nadja (Nanna Blondell) em casamento. Um ano e meio se passa e o casal feliz agora está tão feliz assim - o que faz Nadja esconder que está grávida do marido. Após uma discussão, David resolve convidar a mulher para passar um final de semana acampando num lugar remoto ao norte da Suécia - a idéia era aproveitar o momento para tentar salvar a relação, se reconectarem. Acontece que um desentendimento bobo no caminho, com dois irmãos racistas, passa a ameaçar a paz do casal, e, o que era para ser um final de semana de reconciliação acaba se tornando um verdadeiro pesadelo. Confira o trailer (legendado em inglês):

Embora o prólogo seja superficial demais, é possível ter a real percepção de como a dinâmica do casal vai influenciar na história. Talvez um pouco deslocado e até apressado, o roteiro dePer Dickson e do diretor Alain Darborg vai se equilibrando com o passar do tempo e inserindo muitos gatilhos visuais e narrativos de medo e angústia - o primeiro contato com os irmãos racistas é um bom exemplo. Ao se apropriar do estilo “o perigo pode estar em qualquer lugar”, o filme ganha muita força e acaba potencializando o cenário escolhido: uma inóspita região de gelo, como vimos recentemente em "O Céu da Meia-Noite". A noite, com tempestade, sem iluminação, apenas os dois personagens no meio de uma situação sem controle, faz o suspense natural de "Mar Aberto" vir na nossa lembrança.

Porém esse mesmo roteiro que cria essa atmosfera de terror tão sensível, começa trapacear a audiência quando a "caça ao rato" termina já no inicio do terceiro ato, pois ele passa a usar alguns artifícios que não são apresentados em nenhum momento da trama e isso incomoda um pouco. Mesmo impactando a imaginação, já que as cenas de maus-tratos aos animais são apenas sugeridas e acabam servindo de preparação para as de tortura que virão adiante - daí a forte referência de "Louca Obsessão"; "Ponto Vermelho" oscila demais até sua conclusão. 

Anastasios Soulis e Nanna Blondell estão ótimos e carregam o filme nas costas, junto com uma direção competente de Darborg, mas faltou um pouco mais de violência para tornar o filme inesquecível e marcante - e aqui é uma opinião bem pessoal, já que fiquei satisfeito com o final e como o drama foi se construindo. Digamos que seria a cereja do bolo, mesmo com tudo fazendo sentido como fez! Em todo caso, "Ponto Vermelho" é um bom  suspense psicológico com toques de ação e perseguição que vai entreter e provocar sensações interessantes.

Não é um filme inesquecível, ok? Mas cumpre muito bem o seu papel na discussão sobre até que ponto a vingança vale a pena!

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Por trás dos seus olhos

Antes de mais nada, eu preciso admitir que eu quase desisti de "Por trás dos seus olhos" algumas vezes e assim que terminou, senti aquela sensação de alívio por ter ido até o final! Veja, esse comentário em hipótese nenhuma deve te impedir de assistir a minissérie da Netflix, mas em vários momentos você vai achar algumas situações uma grande bobagem, ou algumas atuações completamente estereotipadas e acima do tom, mas acredite NADA que acontece durante os 5 primeiros episódios é por acaso e tudo vai ficar muito bem explicado no sexto e último ato! Pode confiar!

Baseado no livro de sucesso de Sarah Pinborough, a minissérie acompanha a história de Louise (Simona Brown), uma mãe recém divorciada que teve um affair casual com um homem casado e que descobre no dia seguinte ser seu novo chefe, o psiquiatra David (Tom Bateman). Porém tudo começa a mudar de rumo quando Louise, acidentalmente, conhece a esposa dele, Adele (Eve Hewson) e a partir daí passam a construir uma amizade repleta de confissões e segredos. Confira o trailer:

É de se elogiar a estratégia quase suicida da Netflix em não se aprofundar na sinopse e focar no marketing de "Por trás dos seus olhos" como um suspense psicológico cheio de romance, drama, mistérios e relações extraconjugais - apoiando-se, inclusive, em um conceito narrativo bem anos 90. Ao se apegar nessa premissa, já mergulhamos na história logo de cara e os quatro primeiros episódios, embora com algumas escorregadas conceituais (que depois descobrimos serem propositais), nos prendem e nos provocam uma enorme curiosidade! Aqui cabe um rápido disclaimer: não estamos falando de uma super produção, com um super orçamento, com rostos famosos e um diretor extremamente criativo; talvez por isso eu tenha ficado tão desconfiado ao perceber que a história vai se enrolando sozinha e encontrando atalhos não tão conectados com a realidade que estávamos acompanhando até ali - e isso fica muito claro a partir do quinto episódio! Mas não desista!

Ao nos aproximarmos do final, aquela trama, aparentemente bem construída, vai trazendo elementos de fantasia e nos afastando da realidade dramática que chega a desanimar - até pela forma pouco criativa que o diretor usou para contar uma ou outra passagem, digamos "extra-corporal". Tá, eu sei que o texto pode estar ficando confuso, mas eu estou tomando o máximo de cuidado para não te dar nenhum spoiler e ao mesmo tempo tentando te convencer a ir até o final, mesmo com um monte de "bobagens" que você vai encontrar nos episódios. Então vou te pedir novamente: não desista! 

Ao longo dos episódios, a série vai nos dando dicas que a história não se trata apenas de mais um dramalhão como "Não fale com estranhos", por exemplo. O fato é que o roteiro nos engana muito bem, pois a estrutura narrativa é muito realista, não envolvem situações fora do ceticismo e isso se subverte de tal maneira que nos surpreende demais, desde que você embarque na proposta e assuma uma certa suspensão da realidade - tipo "Sexto Sentido", sabe? Aliás, "Por trás dos seus olhos" traz uma referência muito inteligente e completamente coerente de um filme de 1998, chamado "Fallen" (deixe para pesquisar sobre esse filme depois que você assistir o último episódio).

"Por trás dos seus olhos" vale a pena, vai por mim!

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Antes de mais nada, eu preciso admitir que eu quase desisti de "Por trás dos seus olhos" algumas vezes e assim que terminou, senti aquela sensação de alívio por ter ido até o final! Veja, esse comentário em hipótese nenhuma deve te impedir de assistir a minissérie da Netflix, mas em vários momentos você vai achar algumas situações uma grande bobagem, ou algumas atuações completamente estereotipadas e acima do tom, mas acredite NADA que acontece durante os 5 primeiros episódios é por acaso e tudo vai ficar muito bem explicado no sexto e último ato! Pode confiar!

Baseado no livro de sucesso de Sarah Pinborough, a minissérie acompanha a história de Louise (Simona Brown), uma mãe recém divorciada que teve um affair casual com um homem casado e que descobre no dia seguinte ser seu novo chefe, o psiquiatra David (Tom Bateman). Porém tudo começa a mudar de rumo quando Louise, acidentalmente, conhece a esposa dele, Adele (Eve Hewson) e a partir daí passam a construir uma amizade repleta de confissões e segredos. Confira o trailer:

É de se elogiar a estratégia quase suicida da Netflix em não se aprofundar na sinopse e focar no marketing de "Por trás dos seus olhos" como um suspense psicológico cheio de romance, drama, mistérios e relações extraconjugais - apoiando-se, inclusive, em um conceito narrativo bem anos 90. Ao se apegar nessa premissa, já mergulhamos na história logo de cara e os quatro primeiros episódios, embora com algumas escorregadas conceituais (que depois descobrimos serem propositais), nos prendem e nos provocam uma enorme curiosidade! Aqui cabe um rápido disclaimer: não estamos falando de uma super produção, com um super orçamento, com rostos famosos e um diretor extremamente criativo; talvez por isso eu tenha ficado tão desconfiado ao perceber que a história vai se enrolando sozinha e encontrando atalhos não tão conectados com a realidade que estávamos acompanhando até ali - e isso fica muito claro a partir do quinto episódio! Mas não desista!

Ao nos aproximarmos do final, aquela trama, aparentemente bem construída, vai trazendo elementos de fantasia e nos afastando da realidade dramática que chega a desanimar - até pela forma pouco criativa que o diretor usou para contar uma ou outra passagem, digamos "extra-corporal". Tá, eu sei que o texto pode estar ficando confuso, mas eu estou tomando o máximo de cuidado para não te dar nenhum spoiler e ao mesmo tempo tentando te convencer a ir até o final, mesmo com um monte de "bobagens" que você vai encontrar nos episódios. Então vou te pedir novamente: não desista! 

Ao longo dos episódios, a série vai nos dando dicas que a história não se trata apenas de mais um dramalhão como "Não fale com estranhos", por exemplo. O fato é que o roteiro nos engana muito bem, pois a estrutura narrativa é muito realista, não envolvem situações fora do ceticismo e isso se subverte de tal maneira que nos surpreende demais, desde que você embarque na proposta e assuma uma certa suspensão da realidade - tipo "Sexto Sentido", sabe? Aliás, "Por trás dos seus olhos" traz uma referência muito inteligente e completamente coerente de um filme de 1998, chamado "Fallen" (deixe para pesquisar sobre esse filme depois que você assistir o último episódio).

"Por trás dos seus olhos" vale a pena, vai por mim!

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Quem com ferro fere

Se você gostou de "A Casa" certamente você vai gostar de "Quem com ferro fere"! Esse filme espanhol que está na Netflix segue o mesmo conceito narrativo do seu compatriota, porém com um mérito que faz toda a diferença ao assistirmos: ele é muito corajoso! O filme acompanha o dia a dia do enfermeiro de um asilo chamado Mario (Luis Tosar). Após a morte do seu irmão Sergio, ele se prepara para um novo capítulo da sua vida com a chegada de seu primeiro filho, porém algo inusitado acontece: o um chefe do tráfico de drogas local, Antonio Padín (Xan Cejudo), é enviado para asilo e fica sob seus cuidados. A partir daí, Mario começa a se questionar se seu dever como profissional é mais importante do que as vidas que este homem destruiu, inclusive a do seu irmão. Confira o trailer dublado:

O diretor do filme, o espanhol Paco Plaza, passou a ser reconhecido com seu filme de terror "REC" e com o ótimo "Verônica". Premiadíssimo na Europa e indicado como Melhor Diretor no Prêmio Goya em 2017, Plaza domina a gramática cinematográfica do suspense, o horror e também do drama, como poucos da sua geração. Com muita maestria ela é capaz de misturar todos esses gêneros de uma forma bastante natural e com um único objetivo: criar o máximo de tensão possível - mesmo que em situações onde a realidade parece se distanciar, mas o realismo não! 

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Se você gostou de "A Casa" certamente você vai gostar de "Quem com ferro fere"! Esse filme espanhol que está na Netflix segue o mesmo conceito narrativo do seu compatriota, porém com um mérito que faz toda a diferença ao assistirmos: ele é muito corajoso! O filme acompanha o dia a dia do enfermeiro de um asilo chamado Mario (Luis Tosar). Após a morte do seu irmão Sergio, ele se prepara para um novo capítulo da sua vida com a chegada de seu primeiro filho, porém algo inusitado acontece: o um chefe do tráfico de drogas local, Antonio Padín (Xan Cejudo), é enviado para asilo e fica sob seus cuidados. A partir daí, Mario começa a se questionar se seu dever como profissional é mais importante do que as vidas que este homem destruiu, inclusive a do seu irmão. Confira o trailer dublado:

O diretor do filme, o espanhol Paco Plaza, passou a ser reconhecido com seu filme de terror "REC" e com o ótimo "Verônica". Premiadíssimo na Europa e indicado como Melhor Diretor no Prêmio Goya em 2017, Plaza domina a gramática cinematográfica do suspense, o horror e também do drama, como poucos da sua geração. Com muita maestria ela é capaz de misturar todos esses gêneros de uma forma bastante natural e com um único objetivo: criar o máximo de tensão possível - mesmo que em situações onde a realidade parece se distanciar, mas o realismo não! 

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Rede de Ódio

"Rede de Ódio" é um grande filme, com um roteiro excelente e uma direção impecável! Dito isso, fica muito fácil criar um paralelo desse filme polonês com uma produção sueca, dessa vez uma minissérie, chamada "Areia Movediça" - ambos mostram como é construída uma situação extrema de ódio, embora com objetivos diferentes, o foco não é ato em si, mas o que leva uma pessoa a cometer uma atrocidade dessas. É quase um estudo psicológico sobre os protagonistas, como se fosse peças de um quebra-cabeça que vão se juntando até alcançar o limite de uma ideologia - vale citar que o protagonista de "Rede de Ódio" dá um show (mas sobre isso vamos nos aprofundar mais a frente).

Tomasz Giemza (Maciej Musialowski) é um jovem rapaz vindo do interior da Polônia cujos estudos na faculdade de Direito são pagos pela família de Robert (Jacek Koman) e Zofia Krasucka (Danuta Stenka). Tomasz nutre uma paixão quase platônica por Gabi (Vanessa Aleksander), filha mais nova do casal, mas, apesar do aparente respeito entre eles, Tomasz descobre que é motivo de chacota ao escutar uma conversa dos Krasucka - por sua forma de ser e pelo abismo social que os separam. Ao ser expulso da faculdade, por plagiar um trabalho, Tomasz começa um emprego numa agência de publicidade especializada em eliminar a reputação dos concorrentes de seus clientes através das redes sociais. Quando ele é escalado para destruir um dos candidatos à prefeitura de Varsóvia e esse mesmo candidato é apoiado pela família de Gabi, Tomasz se vê em uma enorme oportunidade de mostrar que, mesmo humilhado pela vida, ele pode dar a volta por cima e ainda provar que não existem limites para sua ambição e competência! Confira o trailer (em inglês):

"Rede de Ódio" é uma agradável surpresa, chancelada pelo prêmio de melhor Filme Internacional no Tribeca Film Festival de 2020. Novo filme do diretor de "Corpus Christi", indicado ao último Oscar de Filme Estrangeiro, "Rede de Ódio" é um drama psicológico muito, mas muito bom! A forma como a trama vai se construindo é tão fluida que nem nos damos conta de como tudo aquilo que vemos na tela é tão próximo de nós, mesmo sendo tão surreal - é como misturar o documentário "Privacidade Hackeada" com o filme "22 July", ambos da Netflix! Olha, vale muito a pena mesmo e pode acreditar: esse filme vai te fazer refletir sobre muito dos absurdos que vivemos hoje em dia no nosso país!

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"Rede de Ódio" é um grande filme, com um roteiro excelente e uma direção impecável! Dito isso, fica muito fácil criar um paralelo desse filme polonês com uma produção sueca, dessa vez uma minissérie, chamada "Areia Movediça" - ambos mostram como é construída uma situação extrema de ódio, embora com objetivos diferentes, o foco não é ato em si, mas o que leva uma pessoa a cometer uma atrocidade dessas. É quase um estudo psicológico sobre os protagonistas, como se fosse peças de um quebra-cabeça que vão se juntando até alcançar o limite de uma ideologia - vale citar que o protagonista de "Rede de Ódio" dá um show (mas sobre isso vamos nos aprofundar mais a frente).

Tomasz Giemza (Maciej Musialowski) é um jovem rapaz vindo do interior da Polônia cujos estudos na faculdade de Direito são pagos pela família de Robert (Jacek Koman) e Zofia Krasucka (Danuta Stenka). Tomasz nutre uma paixão quase platônica por Gabi (Vanessa Aleksander), filha mais nova do casal, mas, apesar do aparente respeito entre eles, Tomasz descobre que é motivo de chacota ao escutar uma conversa dos Krasucka - por sua forma de ser e pelo abismo social que os separam. Ao ser expulso da faculdade, por plagiar um trabalho, Tomasz começa um emprego numa agência de publicidade especializada em eliminar a reputação dos concorrentes de seus clientes através das redes sociais. Quando ele é escalado para destruir um dos candidatos à prefeitura de Varsóvia e esse mesmo candidato é apoiado pela família de Gabi, Tomasz se vê em uma enorme oportunidade de mostrar que, mesmo humilhado pela vida, ele pode dar a volta por cima e ainda provar que não existem limites para sua ambição e competência! Confira o trailer (em inglês):

"Rede de Ódio" é uma agradável surpresa, chancelada pelo prêmio de melhor Filme Internacional no Tribeca Film Festival de 2020. Novo filme do diretor de "Corpus Christi", indicado ao último Oscar de Filme Estrangeiro, "Rede de Ódio" é um drama psicológico muito, mas muito bom! A forma como a trama vai se construindo é tão fluida que nem nos damos conta de como tudo aquilo que vemos na tela é tão próximo de nós, mesmo sendo tão surreal - é como misturar o documentário "Privacidade Hackeada" com o filme "22 July", ambos da Netflix! Olha, vale muito a pena mesmo e pode acreditar: esse filme vai te fazer refletir sobre muito dos absurdos que vivemos hoje em dia no nosso país!

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Remédio Amargo

"Remédio Amargo" é mais um filme espanhol da Netflix que entra no hype para quem gosta de suspense psicológico. O grande problema, porém, é que o filme também é mais uma "sessão da tarde" e que logo será esquecido! O filme não é ruim, mas está longe de ter o impacto de "Quem com ferro fere" ou, melhor ainda, de "A Casa" - embora essas sejam ótimas referências para quem quer experimentar "Remédio Amargo", já que segue a mesma linha de narrativa!

Angel (Mário Casas) é um paramédico com caráter duvidoso, com fortes traços paranóicos e possessivos, que leva uma vida monótona com sua namorada Vane (Déborah François). Certo dia, voltando de uma ocorrência, a ambulância de Angel sofre um acidente e ele acaba ficando paraplégico. A partir daí, com a autoestima lá embaixo, ele passa a ser cada vez mais abusivo com Vane até que ela resolve deixa-lo. Inconformado, Angel se transforma em um obsessivo patológico, transformando a vida da ex-namorada em um verdadeiro inferno! Confira o trailer original:

É inegável que "El Practicante" (título original) se apoia em um amontoado de clichês de gênero e mesmo trazendo muitas referência de "Louca Obsessão" (1990), não consegue ser aproxima do nível de tensão e da potência visual que foi o filme Rob Reiner - que inclusive rendeu o Oscar de "Melhor Atriz" para Kathy Bates em 1991. Com tudo, não se pode dizer que essa produção espanhola não seja um bom entretenimento, especialmente para um público menos exigente e disposto em embarcar em uma história previsível, mas que vai render alguns bons momentos. 

O roteiro de "Remédio Amargo" até se esforça, mas não surpreende. David Desola, que também esteve a frente de "O Poço", parece ter escolhido um caminho mais seguro dessa veze com isso acabou se afastando de uma identidade que parecia bastante promissora ao discutir temas difíceis com o auxílio da semiótica. Ao trazer um personagem interessante como Angel, Desola flertou com a construção de uma psiquê bem elaborada, profunda e complexa, como a de Goreng (Ivan Massagué), por exemplo, mas com o decorrer do filme, o próprio texto vai colocando o trabalho de Mário Casas no "lugar comum". As soluções narrativas são fracas e os diálogos muitos inconstantes para quem tinha a pretensão de entregar um filme denso.

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"Remédio Amargo" é mais um filme espanhol da Netflix que entra no hype para quem gosta de suspense psicológico. O grande problema, porém, é que o filme também é mais uma "sessão da tarde" e que logo será esquecido! O filme não é ruim, mas está longe de ter o impacto de "Quem com ferro fere" ou, melhor ainda, de "A Casa" - embora essas sejam ótimas referências para quem quer experimentar "Remédio Amargo", já que segue a mesma linha de narrativa!

Angel (Mário Casas) é um paramédico com caráter duvidoso, com fortes traços paranóicos e possessivos, que leva uma vida monótona com sua namorada Vane (Déborah François). Certo dia, voltando de uma ocorrência, a ambulância de Angel sofre um acidente e ele acaba ficando paraplégico. A partir daí, com a autoestima lá embaixo, ele passa a ser cada vez mais abusivo com Vane até que ela resolve deixa-lo. Inconformado, Angel se transforma em um obsessivo patológico, transformando a vida da ex-namorada em um verdadeiro inferno! Confira o trailer original:

É inegável que "El Practicante" (título original) se apoia em um amontoado de clichês de gênero e mesmo trazendo muitas referência de "Louca Obsessão" (1990), não consegue ser aproxima do nível de tensão e da potência visual que foi o filme Rob Reiner - que inclusive rendeu o Oscar de "Melhor Atriz" para Kathy Bates em 1991. Com tudo, não se pode dizer que essa produção espanhola não seja um bom entretenimento, especialmente para um público menos exigente e disposto em embarcar em uma história previsível, mas que vai render alguns bons momentos. 

O roteiro de "Remédio Amargo" até se esforça, mas não surpreende. David Desola, que também esteve a frente de "O Poço", parece ter escolhido um caminho mais seguro dessa veze com isso acabou se afastando de uma identidade que parecia bastante promissora ao discutir temas difíceis com o auxílio da semiótica. Ao trazer um personagem interessante como Angel, Desola flertou com a construção de uma psiquê bem elaborada, profunda e complexa, como a de Goreng (Ivan Massagué), por exemplo, mas com o decorrer do filme, o próprio texto vai colocando o trabalho de Mário Casas no "lugar comum". As soluções narrativas são fracas e os diálogos muitos inconstantes para quem tinha a pretensão de entregar um filme denso.

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Servant

"Servant", série que a Apple TV+ lançou recentemente, já havia me chamado a atenção desde os primeiros teasers até seu trailer final. Primeiro por ser um suspense psicológico - gênero que eu gosto muito - e depois por ter M. Night Shyamalan como produtor executivo. Claro que a sinopse misteriosa ajudou a criar uma certa expectativa pelo seu lançamento e conforme as informações sobre a história foram surgindo, mais dúvidas do que certezas rodearam o projeto.

Pois bem, "Servant" conta o drama de Dorothy e Sean Turner que vivem o drama da perda repentina do filho de treze semanas, Jericho. Com um intuito terapêutico, Dorothy passa a se relacionar com um boneco, um bebê ultra realista, como se fosse seu filho real - e o bizarro não para por aí: para valorizar ainda mais o tratamento, o casal é orientado a contratar um babá para tornar o dia a dia bem próximo da realidade, acontece que a nova contratada começa a agir de uma forma tão estranha quanto Dorothy, o que acaba incomodando Sean e interferindo perigosamente na relação do casal. O que eu disser a partir daqui pode soar como spolier, então vou sugerir que você assista a série se gostar de um suspense bem montado e muito instigante. Vale ressaltar que os episódios são de 30 minutos, o que nos convida a sempre assistir o próximo episódio, pois a trama vai envolvendo e a curiosidade só aumenta conforme algumas respostas vão sendo colocadas pelo roteiro. Ah, sobre a dúvida que o projeto está gerando? Simples, é muito difícil que a série seja capaz de manter esse clima dos primeiros episódios durante as 6 temporadas prometidas por Shyamalan. Parece não ter fôlego para isso, mas é preciso esperar; enquanto isso a diversão está garantida!

Embora eu não tenha conseguido parar de assistir, algumas coisas me incomodaram em "Servant". A primeira é o fato do M. Night Shyamalan só ter dirigido o primeiro episódio - eu sei que é inviável um diretor como ele se comprometer com a direção do projeto inteiro, mas a diferença na gramática cinematográfica do primeiro episódio para os demais é enorme! Shyamalan é um dos diretores mais criativos que acompanho. Já comentei aquio quanto admiro sua capacidade de contar uma história sem a necessidade de ficar trocando a câmera de lugar em todo momento - ele tem um estilo muito claro e isso me fascina! Nos demais episódios, toda essa inventividade some e o "arroz com feijão" (muito bem feito, ok) impera! Não sei, faltou uma unidade conceitual - vou dar um exemplo: existe uma cena no episódio 1 onde o casal está conversando na cozinha. A câmera fica fixa na ponta da mesa e o atores entram e saem de quadro a todo momento, nem vemos o rosto deles direito, mas o diálogo não para e isso nos gera uma sensação ruim (bem alinhado com o mood da série). Outro detalhe, Shyamalan brinca muito com os planos fechados (close) durante alguns diálogos e isso dá uma certa sensação de claustrofobia - mais uma vez extremamente alinhado ao conceito narrativo na série que se passa 90% dentro do mesmo lugar: uma casa escura, elegante, porém decadente. A fotografia de Mike Gioulakis está espetacular - ele brinca com a sombra como ninguém (basta lembrar de "Nós"), mas isso é a única coisa que fica, o resto simplesmente desaparece nos demais episódios - uma pena!

A outra coisa que me incomoda é que a história que a série se propõe contar, termina logo depois do primeiro episódio e a partir daí o problema continua, mas o elemento mais aterrorizante some - ok, acho até que o roteiro soube trabalhar com isso, mas se você viu o teaser e depois o trailer, a entrega perde o sentido. O suspense psicológico está ali, elementos sobrenaturais são parcialmente descartados (pelo menos até agora) e o bizarro se transforma em paranóia. Em contraponto, o clima envolvente merece ser elogiado, percebemos nos episódios uma certa sensação de ameaça constante, sem saber exatamente quem é o inimigo (ou onde ele está), aproveitando uma atmosfera que provoca a nossa imaginação - é impossível ter certeza sobre o que, exatamente, está acontecendo ali! 

Os atores estão ótimos: Dorothy (Lauren Ambrose de Arquivo X) está sensacional como uma "mãe" que não entende o que a maternidade representa, pelo simples fato do seu filho não existir - ela sabe, mas não aceita ou ignora! É interessante como ela se apoia no trabalho como repórter para se colocar acima do marido Sean (Toby Kebbell de Black Mirror) um inseguro crítico e consultor gastronômico - reparem nas reportagens de Dorothy: é possível perceber um desequilíbrio que só justifica suas ações dentro de casa. E em Sean, como ele se relaciona com suas criações - o sorvete de lagosta é um ótimo exemplo. A Trilha Sonora é quase um personagem, mérito de Trevor Gureckis (de Bloodline) - muito presente, ela pontua cada momento da história!

"Servant" é o tipo da série que adoramos assistir, discutir, tentar adivinhar o que tudo aquilo representa, mas é também uma incógnita - daquelas que normalmente nos frustramos com o final. Vamos aguardar e acompanhar tudo com muita atenção! O que eu posso garantir, hoje, é que "Servant" é um excelente entretenimento e nos envolve com sua trama logo de cara. Vale a pena!

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"Servant", série que a Apple TV+ lançou recentemente, já havia me chamado a atenção desde os primeiros teasers até seu trailer final. Primeiro por ser um suspense psicológico - gênero que eu gosto muito - e depois por ter M. Night Shyamalan como produtor executivo. Claro que a sinopse misteriosa ajudou a criar uma certa expectativa pelo seu lançamento e conforme as informações sobre a história foram surgindo, mais dúvidas do que certezas rodearam o projeto.

Pois bem, "Servant" conta o drama de Dorothy e Sean Turner que vivem o drama da perda repentina do filho de treze semanas, Jericho. Com um intuito terapêutico, Dorothy passa a se relacionar com um boneco, um bebê ultra realista, como se fosse seu filho real - e o bizarro não para por aí: para valorizar ainda mais o tratamento, o casal é orientado a contratar um babá para tornar o dia a dia bem próximo da realidade, acontece que a nova contratada começa a agir de uma forma tão estranha quanto Dorothy, o que acaba incomodando Sean e interferindo perigosamente na relação do casal. O que eu disser a partir daqui pode soar como spolier, então vou sugerir que você assista a série se gostar de um suspense bem montado e muito instigante. Vale ressaltar que os episódios são de 30 minutos, o que nos convida a sempre assistir o próximo episódio, pois a trama vai envolvendo e a curiosidade só aumenta conforme algumas respostas vão sendo colocadas pelo roteiro. Ah, sobre a dúvida que o projeto está gerando? Simples, é muito difícil que a série seja capaz de manter esse clima dos primeiros episódios durante as 6 temporadas prometidas por Shyamalan. Parece não ter fôlego para isso, mas é preciso esperar; enquanto isso a diversão está garantida!

Embora eu não tenha conseguido parar de assistir, algumas coisas me incomodaram em "Servant". A primeira é o fato do M. Night Shyamalan só ter dirigido o primeiro episódio - eu sei que é inviável um diretor como ele se comprometer com a direção do projeto inteiro, mas a diferença na gramática cinematográfica do primeiro episódio para os demais é enorme! Shyamalan é um dos diretores mais criativos que acompanho. Já comentei aquio quanto admiro sua capacidade de contar uma história sem a necessidade de ficar trocando a câmera de lugar em todo momento - ele tem um estilo muito claro e isso me fascina! Nos demais episódios, toda essa inventividade some e o "arroz com feijão" (muito bem feito, ok) impera! Não sei, faltou uma unidade conceitual - vou dar um exemplo: existe uma cena no episódio 1 onde o casal está conversando na cozinha. A câmera fica fixa na ponta da mesa e o atores entram e saem de quadro a todo momento, nem vemos o rosto deles direito, mas o diálogo não para e isso nos gera uma sensação ruim (bem alinhado com o mood da série). Outro detalhe, Shyamalan brinca muito com os planos fechados (close) durante alguns diálogos e isso dá uma certa sensação de claustrofobia - mais uma vez extremamente alinhado ao conceito narrativo na série que se passa 90% dentro do mesmo lugar: uma casa escura, elegante, porém decadente. A fotografia de Mike Gioulakis está espetacular - ele brinca com a sombra como ninguém (basta lembrar de "Nós"), mas isso é a única coisa que fica, o resto simplesmente desaparece nos demais episódios - uma pena!

A outra coisa que me incomoda é que a história que a série se propõe contar, termina logo depois do primeiro episódio e a partir daí o problema continua, mas o elemento mais aterrorizante some - ok, acho até que o roteiro soube trabalhar com isso, mas se você viu o teaser e depois o trailer, a entrega perde o sentido. O suspense psicológico está ali, elementos sobrenaturais são parcialmente descartados (pelo menos até agora) e o bizarro se transforma em paranóia. Em contraponto, o clima envolvente merece ser elogiado, percebemos nos episódios uma certa sensação de ameaça constante, sem saber exatamente quem é o inimigo (ou onde ele está), aproveitando uma atmosfera que provoca a nossa imaginação - é impossível ter certeza sobre o que, exatamente, está acontecendo ali! 

Os atores estão ótimos: Dorothy (Lauren Ambrose de Arquivo X) está sensacional como uma "mãe" que não entende o que a maternidade representa, pelo simples fato do seu filho não existir - ela sabe, mas não aceita ou ignora! É interessante como ela se apoia no trabalho como repórter para se colocar acima do marido Sean (Toby Kebbell de Black Mirror) um inseguro crítico e consultor gastronômico - reparem nas reportagens de Dorothy: é possível perceber um desequilíbrio que só justifica suas ações dentro de casa. E em Sean, como ele se relaciona com suas criações - o sorvete de lagosta é um ótimo exemplo. A Trilha Sonora é quase um personagem, mérito de Trevor Gureckis (de Bloodline) - muito presente, ela pontua cada momento da história!

"Servant" é o tipo da série que adoramos assistir, discutir, tentar adivinhar o que tudo aquilo representa, mas é também uma incógnita - daquelas que normalmente nos frustramos com o final. Vamos aguardar e acompanhar tudo com muita atenção! O que eu posso garantir, hoje, é que "Servant" é um excelente entretenimento e nos envolve com sua trama logo de cara. Vale a pena!

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Shirley

"Shirley" é um filme difícil, com uma narrativa truncada e um ar independente conceitualmente - aliás, é isso que vai fazer com que as pessoas amem ou odeiem essa cinebiografia produzida por Martin Scorsese e dirigia pela talentosa Josephine Decker. Apenas contextualizando, Shirley Jackson foi a escritora responsável pela obra "A Assombração da Casa da Colina", escrito em 1959 e que em 2018 ganhou uma adaptação pela mãos de Mike Flanagan para a Netflix com o título de "A Maldição da Residência Hill" - vale dizer que até hoje essa é considerada uma das maiores obras de terror do século XX.

Em "Shirley" temos um recorte da mente perturbada da escritora (Elisabeth Moss), que se apoia no gênero de terror para enfrentar seus mais profundos fantasmas em uma realidade completamente machista personificada pelo seu marido Stanley Hyman (Michael Stuhlbarg), um professor universitário cínico e prepotente em relação à ela, mas extremamente querido pela comunidade acadêmica local. Ambos abrigam um jovem casal e é a partir da aproximação com Rose (Odessa Young) que a escritora encontra uma real inspiração para o seu novo projeto, o romance "Hangsaman". Confira o trailer (em inglês):

Embora "Shirley" seja uma biografia (muito perturbadora), a diretora Josephine Decker trabalha muito bem os elementos dramáticos com uma pitada de suspense psicológico que o roteiro de Sarah Gubbins, que é baseado no livro de Susan Scarf Merrell, propõe. Veja, o filme basicamente se passa dentro da casa de "Shirley" onde muito das cenas são filmadas com lentes bem fechadas, ou seja, existe uma sensação de claustrofobia na mesma medida que a própria narrativa vai nos provocando uma sensação de angustia avassaladora.

Se algumas escolhas Decker privilegiam o conceito narrativo mais denso, pode ter certeza que a veracidade de algumas situações estarão sempre em dúvida, por outro lado, essas mesmas situações vão estabelecer um ar mais autoral ao filme sem perder a essência, mesmo que antecipando alguns gatilhos. Eu explico: Shirley Jackson sofria de agorafobia, o que justifica todas as passagens do roteiro sobre o seu medo de sair de casa e até de priorizar a reclusão; porém essa condição foi desenvolvida mais para os anos 60, bem depois dos acontecimentos que assistimos no filme.

O fato é que todas as licenças que o filme se apropria estão completamente alinhas com a condução de Decker e isso merece muitos elogios - desde a montagem fragmentada de David Barker (de "Birds of Paradise") até a fotografia do genial Sturla Brandth Grøvlen (de "Victoria" e "Drunk") que é pautada nos incômodos planos detalhes das situações. Sobre o elenco, obviamente que Elisabeth Moss dá mais um show, mas fica impossível não citar o trabalho de Michael Stuhlbarg - perfeito!

A vida de Shirley Jackson, que se tornou leitura obrigatória em escolas americanas, soa tão perturbadora quanto suas histórias e o recorte que assistimos em "Shirley" nos traz uma boa noção dessa jornada criativa que influenciou nomes como Stephen King e Neil Gaiman. Agora esteja atento, pois o filme é muito desconfortável porque exibe, sem cortes, como o machismo pode afetar a vida de mulheres fantásticas, expondo os traumas e as marcas deixadas durante anos de opressão.

Vale a pena e embora não seja genial, certamente a conexão com as mulheres refletirá em uma experiência mais impactante.

Obs: "Shirley" foi muito elogiado no Festival de Sundance em 2020, chegando a conquistar o "U.S. Dramatic Special Jury Award".

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"Shirley" é um filme difícil, com uma narrativa truncada e um ar independente conceitualmente - aliás, é isso que vai fazer com que as pessoas amem ou odeiem essa cinebiografia produzida por Martin Scorsese e dirigia pela talentosa Josephine Decker. Apenas contextualizando, Shirley Jackson foi a escritora responsável pela obra "A Assombração da Casa da Colina", escrito em 1959 e que em 2018 ganhou uma adaptação pela mãos de Mike Flanagan para a Netflix com o título de "A Maldição da Residência Hill" - vale dizer que até hoje essa é considerada uma das maiores obras de terror do século XX.

Em "Shirley" temos um recorte da mente perturbada da escritora (Elisabeth Moss), que se apoia no gênero de terror para enfrentar seus mais profundos fantasmas em uma realidade completamente machista personificada pelo seu marido Stanley Hyman (Michael Stuhlbarg), um professor universitário cínico e prepotente em relação à ela, mas extremamente querido pela comunidade acadêmica local. Ambos abrigam um jovem casal e é a partir da aproximação com Rose (Odessa Young) que a escritora encontra uma real inspiração para o seu novo projeto, o romance "Hangsaman". Confira o trailer (em inglês):

Embora "Shirley" seja uma biografia (muito perturbadora), a diretora Josephine Decker trabalha muito bem os elementos dramáticos com uma pitada de suspense psicológico que o roteiro de Sarah Gubbins, que é baseado no livro de Susan Scarf Merrell, propõe. Veja, o filme basicamente se passa dentro da casa de "Shirley" onde muito das cenas são filmadas com lentes bem fechadas, ou seja, existe uma sensação de claustrofobia na mesma medida que a própria narrativa vai nos provocando uma sensação de angustia avassaladora.

Se algumas escolhas Decker privilegiam o conceito narrativo mais denso, pode ter certeza que a veracidade de algumas situações estarão sempre em dúvida, por outro lado, essas mesmas situações vão estabelecer um ar mais autoral ao filme sem perder a essência, mesmo que antecipando alguns gatilhos. Eu explico: Shirley Jackson sofria de agorafobia, o que justifica todas as passagens do roteiro sobre o seu medo de sair de casa e até de priorizar a reclusão; porém essa condição foi desenvolvida mais para os anos 60, bem depois dos acontecimentos que assistimos no filme.

O fato é que todas as licenças que o filme se apropria estão completamente alinhas com a condução de Decker e isso merece muitos elogios - desde a montagem fragmentada de David Barker (de "Birds of Paradise") até a fotografia do genial Sturla Brandth Grøvlen (de "Victoria" e "Drunk") que é pautada nos incômodos planos detalhes das situações. Sobre o elenco, obviamente que Elisabeth Moss dá mais um show, mas fica impossível não citar o trabalho de Michael Stuhlbarg - perfeito!

A vida de Shirley Jackson, que se tornou leitura obrigatória em escolas americanas, soa tão perturbadora quanto suas histórias e o recorte que assistimos em "Shirley" nos traz uma boa noção dessa jornada criativa que influenciou nomes como Stephen King e Neil Gaiman. Agora esteja atento, pois o filme é muito desconfortável porque exibe, sem cortes, como o machismo pode afetar a vida de mulheres fantásticas, expondo os traumas e as marcas deixadas durante anos de opressão.

Vale a pena e embora não seja genial, certamente a conexão com as mulheres refletirá em uma experiência mais impactante.

Obs: "Shirley" foi muito elogiado no Festival de Sundance em 2020, chegando a conquistar o "U.S. Dramatic Special Jury Award".

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Somos o que Somos

"Somos o que Somos" é um suspense surpreendente em muitos aspectos, mas talvez o que mais me chamou atenção tenha sido a maneira como o diretor Jim Mickle construiu a tensão em cima do drama familiar pelo ponto de vista de uma das filhas e sem precisar entregar tudo tão mastigado - mesmo que para alguns possa parecer que o roteiro tenha sido preguiçoso ao não criar as conexões ideais para aquele final que, de fato, eu não esperava! Ah, e me parece que o filme segue aquela tendência muito particular das produções recentes do gênero: ou você vai amar, ou você vai odiar - eu amei e vou explicar em detalhes a razão!

Em uma cidade do interior dos EUA, mora a família Parker. Frank (Bill Sage), o pai, é um homem bastante reservado, mas que insiste em manter as tradições familiares e religiosas, mesmo depois da morte prematura de sua esposa. Com isso, a filha mais velha do casal, Iris (Ambyr Childers) passa a ser responsável por alguns rituais bastante peculiares, mesmo contra a vontade da irmã mais nova, Rose (Julia Garner). Acontece, que após o desaparecimento de mais uma jovem estudante local, se inicia uma investigação e uma série de circunstâncias passam a revelar importantes segredos dos Parker, mudando completamente a maneira como a familia se relaciona entre si e com aquela comunidade. Confira o trailer:

"Somos o que Somos" é a versão americana do filme mexicano "Somos Lo que Hay" de 2010, em que Mickle repete sua parceria de sucesso com o roteirista Nick Damici para entregar uma adaptação simples, mas bastante fluida. Dividindo toda história em apenas quatro dias, o roteiro levanta questões importantes como o fundamentalismo religioso e seu reflexo nas gerações mais novas ao mesmo tempo que consegue transmitir um certo suspense que funciona muito bem como ponto de equilíbrio entre a melancolia dos personagens e a tensão cinematográfica do gênero.

É um ótimo entretenimento e vai agradar quem gostou de "Midsommar" do Ari Aster ou "O Chalé" da dupla Severin Fiala e Veronika Franz.

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"Somos o que Somos" é um suspense surpreendente em muitos aspectos, mas talvez o que mais me chamou atenção tenha sido a maneira como o diretor Jim Mickle construiu a tensão em cima do drama familiar pelo ponto de vista de uma das filhas e sem precisar entregar tudo tão mastigado - mesmo que para alguns possa parecer que o roteiro tenha sido preguiçoso ao não criar as conexões ideais para aquele final que, de fato, eu não esperava! Ah, e me parece que o filme segue aquela tendência muito particular das produções recentes do gênero: ou você vai amar, ou você vai odiar - eu amei e vou explicar em detalhes a razão!

Em uma cidade do interior dos EUA, mora a família Parker. Frank (Bill Sage), o pai, é um homem bastante reservado, mas que insiste em manter as tradições familiares e religiosas, mesmo depois da morte prematura de sua esposa. Com isso, a filha mais velha do casal, Iris (Ambyr Childers) passa a ser responsável por alguns rituais bastante peculiares, mesmo contra a vontade da irmã mais nova, Rose (Julia Garner). Acontece, que após o desaparecimento de mais uma jovem estudante local, se inicia uma investigação e uma série de circunstâncias passam a revelar importantes segredos dos Parker, mudando completamente a maneira como a familia se relaciona entre si e com aquela comunidade. Confira o trailer:

"Somos o que Somos" é a versão americana do filme mexicano "Somos Lo que Hay" de 2010, em que Mickle repete sua parceria de sucesso com o roteirista Nick Damici para entregar uma adaptação simples, mas bastante fluida. Dividindo toda história em apenas quatro dias, o roteiro levanta questões importantes como o fundamentalismo religioso e seu reflexo nas gerações mais novas ao mesmo tempo que consegue transmitir um certo suspense que funciona muito bem como ponto de equilíbrio entre a melancolia dos personagens e a tensão cinematográfica do gênero.

É um ótimo entretenimento e vai agradar quem gostou de "Midsommar" do Ari Aster ou "O Chalé" da dupla Severin Fiala e Veronika Franz.

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Synonymes

Se você procura uma narrativa convencional, mesmo gostando de filmes independentes, "Synonymes" não é para você!

O filme chega ao streaming com a chancela de ter vencido um dos festivais mais importantes e respeitados do mundo, o Festival de Berlin. Porém, se limitar em posicionar a obra como a escolha certa apenas pelo prêmio recebido chega a ser ingenuidade, já que seu caráter independente vem acompanhado de uma proposta bastante provocadora e, em muitas cenas, chocante. Assistir "Synonymes" não será uma jornada tranquila para quem não se adapta a uma linguagem mais conceitual, anos luz do cinema comercial, mas, por outro lado, é impossível não atestar que essa produção francesa realmente consegue alcançar todos os seus objetivos - desde que você se proponha chegar ao final!

Yoav (Tom Mercier), um jovem israelense, chega a Paris esperando que a França e os franceses o salvem da loucura de seu país. Determinado a extinguir suas origens e se tornar francês, ele abandona a língua hebraica e se esforça de todas as maneiras para encontrar uma nova identidade. No entanto, ele percebe que o extremismo religioso e a violência política ocorrem igualmente no país europeu, sendo praticados tanto pelos locais quanto por seus conterrâneos em solo francês. Confira o trailer:

O mais interessante de "Synonymes" é a sensação de solidão que o filme nos provoca - na verdade, "provocação" talvez não seja a palavra correta para definir esse sentimento e isso fica muito claro já na primeira sequência do filme. O diretor israelense Nadav Lapid eleva a máxima potência a percepção de incômodo perante o novo, a quebra de expectativa e a submissão que nossas escolhas nos cobram para não assumirmos uma dura realidade que é o dia a dia longe de casa, completamente fora da nossa zona de conforto - quem teve a oportunidade de morar em outro país, certamente, vai se conectar com esses pontos, mesmo que em diferentes níveis. O fato é que o conceito de incômodo está em toda narrativa e ele nos atinge com muita força graças ao total alinhamento com o conceito visual da obra.

Existe uma certa liberdade narrativa e estética que remete à Nouvelle Vague (movimento artístico do cinema francês que se insere no período contestatório dos anos sessenta), isso é inegável. A fotografia do premiado diretor Shai Goldman enquadra uma Paris cheia de contrastes, com uma câmera nervosa, criando uma estética turbulenta, pontuando perfeitamente a confusão Yoav. Mesmo quando ele se junta com Émile (Quentin Dolmaire) e Caroline (Louise Chevillotte), e aí temos uma câmera mais fixa, para discutir o amor, o futuro, a música e até as experiências literárias de cada um, o filme nos passa uma clara impressão de que, mesmo cultos, pedantes e livres em sua sexualidade, os personagens estão presos em uma condição burguesa completamente oposta. Se Yoav ostenta um orgulho de querer ser francês, seus amigos franceses sequer possuem essa pretensão. Reparem na cena do hino nacional, quando Yoav "percebe" que o orgulho francês está igualmente baseado na quantidade de sangue derramado em sua história - tudo naturalmente impresso na letra da Marselhesa.

"Synonymes" é um filme cheio de símbolos: do amigo compatriota que só quer arranjar confusão e fomenta o racismo estrutural na França ao "bico" de ator pornô fantasiado de trabalho de modelo no berço da industria da moda. E olha, eu nem vou me atrever a dizer que o filme vai dividir opiniões, pois ele será completamente indigesto para qualquer pessoa que insista em descobrir o cinema independente por "Synonyms" - não aconselho!

O vencedor de Urso de Ouro de 2019 é para poucos - ele faz "The Square"parecer um episódio da Galinha Pintadinha (se é que você me entende)!

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Se você procura uma narrativa convencional, mesmo gostando de filmes independentes, "Synonymes" não é para você!

O filme chega ao streaming com a chancela de ter vencido um dos festivais mais importantes e respeitados do mundo, o Festival de Berlin. Porém, se limitar em posicionar a obra como a escolha certa apenas pelo prêmio recebido chega a ser ingenuidade, já que seu caráter independente vem acompanhado de uma proposta bastante provocadora e, em muitas cenas, chocante. Assistir "Synonymes" não será uma jornada tranquila para quem não se adapta a uma linguagem mais conceitual, anos luz do cinema comercial, mas, por outro lado, é impossível não atestar que essa produção francesa realmente consegue alcançar todos os seus objetivos - desde que você se proponha chegar ao final!

Yoav (Tom Mercier), um jovem israelense, chega a Paris esperando que a França e os franceses o salvem da loucura de seu país. Determinado a extinguir suas origens e se tornar francês, ele abandona a língua hebraica e se esforça de todas as maneiras para encontrar uma nova identidade. No entanto, ele percebe que o extremismo religioso e a violência política ocorrem igualmente no país europeu, sendo praticados tanto pelos locais quanto por seus conterrâneos em solo francês. Confira o trailer:

O mais interessante de "Synonymes" é a sensação de solidão que o filme nos provoca - na verdade, "provocação" talvez não seja a palavra correta para definir esse sentimento e isso fica muito claro já na primeira sequência do filme. O diretor israelense Nadav Lapid eleva a máxima potência a percepção de incômodo perante o novo, a quebra de expectativa e a submissão que nossas escolhas nos cobram para não assumirmos uma dura realidade que é o dia a dia longe de casa, completamente fora da nossa zona de conforto - quem teve a oportunidade de morar em outro país, certamente, vai se conectar com esses pontos, mesmo que em diferentes níveis. O fato é que o conceito de incômodo está em toda narrativa e ele nos atinge com muita força graças ao total alinhamento com o conceito visual da obra.

Existe uma certa liberdade narrativa e estética que remete à Nouvelle Vague (movimento artístico do cinema francês que se insere no período contestatório dos anos sessenta), isso é inegável. A fotografia do premiado diretor Shai Goldman enquadra uma Paris cheia de contrastes, com uma câmera nervosa, criando uma estética turbulenta, pontuando perfeitamente a confusão Yoav. Mesmo quando ele se junta com Émile (Quentin Dolmaire) e Caroline (Louise Chevillotte), e aí temos uma câmera mais fixa, para discutir o amor, o futuro, a música e até as experiências literárias de cada um, o filme nos passa uma clara impressão de que, mesmo cultos, pedantes e livres em sua sexualidade, os personagens estão presos em uma condição burguesa completamente oposta. Se Yoav ostenta um orgulho de querer ser francês, seus amigos franceses sequer possuem essa pretensão. Reparem na cena do hino nacional, quando Yoav "percebe" que o orgulho francês está igualmente baseado na quantidade de sangue derramado em sua história - tudo naturalmente impresso na letra da Marselhesa.

"Synonymes" é um filme cheio de símbolos: do amigo compatriota que só quer arranjar confusão e fomenta o racismo estrutural na França ao "bico" de ator pornô fantasiado de trabalho de modelo no berço da industria da moda. E olha, eu nem vou me atrever a dizer que o filme vai dividir opiniões, pois ele será completamente indigesto para qualquer pessoa que insista em descobrir o cinema independente por "Synonyms" - não aconselho!

O vencedor de Urso de Ouro de 2019 é para poucos - ele faz "The Square"parecer um episódio da Galinha Pintadinha (se é que você me entende)!

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Tabula Rasa

"Tabula Rasa" é uma série de suspense psicológico com 9 episódios que fez muito sucesso na Bélgica em 2017 e que a Netflix adquiriu os direitos de distribuição para o Brasil. Basicamente a serie conta a história de Annemie D'Haeze (Veerle Baetens) que perde sua memória recente constantemente, porém ela está sendo investigada pelo detetive Wolkers (Gene Bervoets), já que ela foi a última a ser vista com um homem que está desaparecido, Thomas Spectre - o que a coloca como principal suspeita e peça chave para desvendar o caso. Paralelamente a isso, em flashbacks, ela se muda para uma nova casa, herança do avô, e coisas estranhas começam acontecer - inicialmente não sabemos muito bem o que é: se algum evento paranormal, armação, imaginação, etc. O fato é que Mie precisa reconstruir suas memórias perdidas para resolver esse quebra-cabeça e ajudar a encontrar Thomas.

Olha, eu até que gostei de muita coisa, mas não gostei de outras. O over acting dos atores me incomodou um pouco, principalmente da personagem que é mãe da protagonista e de um outro paciente do hospício. A trilha pontua demais os momentos de tensão, o que traz um sensação de estereótipo muito forte para série (outras escolhas do diretor também colaboram pra isso, como, por exemplo, dar uma predominância monocromática para cenas do passado ou até colocar em slow alguns cortes clipados - muito anos 90 para meu gosto!). Agora, esquecendo um pouco desses detalhes mais técnicos, a história me pareceu bem consistente.

"Tabula Rasa" é muito bem produzida e tem uma fotografia linda - visualmente, realmente chama atenção e para quem gosta do gênero é uma boa pedida.

PS: Eu nunca tinha assistido uma série belga, mas desde a MIPTV de 2017 venho escutando falar (e lendo) muito sobre as produções exibidas por lá (normalmente co-produções com Alemanha ou França). Tenho impressão que logo vamos poder colocar a Bélgica no mesmo patamar dos países nórdicos que estouraram com séries de excelente qualidade. Vale prestar atenção nesse movimento!

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"Tabula Rasa" é uma série de suspense psicológico com 9 episódios que fez muito sucesso na Bélgica em 2017 e que a Netflix adquiriu os direitos de distribuição para o Brasil. Basicamente a serie conta a história de Annemie D'Haeze (Veerle Baetens) que perde sua memória recente constantemente, porém ela está sendo investigada pelo detetive Wolkers (Gene Bervoets), já que ela foi a última a ser vista com um homem que está desaparecido, Thomas Spectre - o que a coloca como principal suspeita e peça chave para desvendar o caso. Paralelamente a isso, em flashbacks, ela se muda para uma nova casa, herança do avô, e coisas estranhas começam acontecer - inicialmente não sabemos muito bem o que é: se algum evento paranormal, armação, imaginação, etc. O fato é que Mie precisa reconstruir suas memórias perdidas para resolver esse quebra-cabeça e ajudar a encontrar Thomas.

Olha, eu até que gostei de muita coisa, mas não gostei de outras. O over acting dos atores me incomodou um pouco, principalmente da personagem que é mãe da protagonista e de um outro paciente do hospício. A trilha pontua demais os momentos de tensão, o que traz um sensação de estereótipo muito forte para série (outras escolhas do diretor também colaboram pra isso, como, por exemplo, dar uma predominância monocromática para cenas do passado ou até colocar em slow alguns cortes clipados - muito anos 90 para meu gosto!). Agora, esquecendo um pouco desses detalhes mais técnicos, a história me pareceu bem consistente.

"Tabula Rasa" é muito bem produzida e tem uma fotografia linda - visualmente, realmente chama atenção e para quem gosta do gênero é uma boa pedida.

PS: Eu nunca tinha assistido uma série belga, mas desde a MIPTV de 2017 venho escutando falar (e lendo) muito sobre as produções exibidas por lá (normalmente co-produções com Alemanha ou França). Tenho impressão que logo vamos poder colocar a Bélgica no mesmo patamar dos países nórdicos que estouraram com séries de excelente qualidade. Vale prestar atenção nesse movimento!

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Tese sobre um Homicídio

"Tese sobre um Homicídio" é mais um daqueles filmes como o também argentino "O segredo dos seus olhos" do diretor Juan José Campanella ou, mais recentemente, como o espanhol "Um Contratempo" do Oriol Paulo. Todos os três filmes partem do mesmo conceito narrativo: construir uma trama envolvente, cheio de peças aparentemente perdidas, mas que aos poucos vão sendo encaixadas de uma forma menos conveniente e que no final nos surpreende de alguma forma - mas sem roubar no jogo!

Nesse filme do diretor argentino Hernán Goldfrid, acompanhamos Roberto Bermudez (Ricardo Darín), um especialista em Direito Criminal que ministra um curso bastante concorrido na universidade local. Seco e um tanto quanto arrogante, Roberto já não vê as coisas com o idealismo da juventude por saber como tudo funciona na prática. Apesar disto, ele sente-se incomodado com o jovem Gonzalo (Alberto Ammann), filho de um velho conhecido, que está matriculado em seu curso, simplesmente por ser seu fã. Quando um brutal assassinato acontece perto da universidade, o professor logo se interessa pelo caso e passa a investigá-lo, por mera curiosidade e graças aos anos de profissão na área criminal. Uma pista leva a outra e, pouco a pouco, Roberto passa a desconfiar que Gonzalo esteja por trás do crime. Confira o trailer:

Um elemento que me chamou muito atenção em "Tese sobre um Homicídio" é justamente como o roteiro do Patricio Vega consegue criar um clima misterioso e bastante envolvente em torno de uma possível paranoia de Roberto - principalmente a partir de seu relacionamento com Gonzalo. Cria-se aí uma espécie de confronto psicológico dos mais interessantes onde cada um dos personagens se desafiam a todo instante. O curioso é que, por mais que os indícios apresentados por Roberto, sejam nítidos e até óbvios se olharmos pela perspectiva de quem conhece o gênero, o filme jamais os assume o fato de que ele possa estar certo. Reparem.

Ricardo Darín, claro, dá outro show. Seu personagem sente a progressão da história fisicamente, mas é mentalmente que ele vai ganhando camadas profundas: se ele bebe e fuma cada vez mais, é com seu descontrole que ele parece se preocupar e isso ajuda a expor uma complexidade que poucos estão dispostos a encarar. A direção de fotografia de Rolo Pulpeiro está completamente alinhada com um conceito de direção bastante estiloso de Hernán Goldfrid - como se os atores estivessem livres para brilhar em cima de uma história maravilhosamente bem contada em imagens e diálogos - e como disse inicialmente: sem inventar ou encontrar uma solução mirabolante para justificar suas escolhas. Como diz o protagonista: o segredo está no detalhe!

Baseado no livro deDiego Paszkowski,  "Tese sobre um Homicídio" não se propõe a fechar uma questão sem nos colocar para pensar (daí a força do seu título) - isso é preciso ficar claro! O que não deixa a narrativa didática demais, porém pode decepcionar quem prefere algo mais mastigado como em outros filmes do gênero, porém a jornada é tão interessante quanto o final e vale muito a pena pelo entretenimento de excelente qualidade!  

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"Tese sobre um Homicídio" é mais um daqueles filmes como o também argentino "O segredo dos seus olhos" do diretor Juan José Campanella ou, mais recentemente, como o espanhol "Um Contratempo" do Oriol Paulo. Todos os três filmes partem do mesmo conceito narrativo: construir uma trama envolvente, cheio de peças aparentemente perdidas, mas que aos poucos vão sendo encaixadas de uma forma menos conveniente e que no final nos surpreende de alguma forma - mas sem roubar no jogo!

Nesse filme do diretor argentino Hernán Goldfrid, acompanhamos Roberto Bermudez (Ricardo Darín), um especialista em Direito Criminal que ministra um curso bastante concorrido na universidade local. Seco e um tanto quanto arrogante, Roberto já não vê as coisas com o idealismo da juventude por saber como tudo funciona na prática. Apesar disto, ele sente-se incomodado com o jovem Gonzalo (Alberto Ammann), filho de um velho conhecido, que está matriculado em seu curso, simplesmente por ser seu fã. Quando um brutal assassinato acontece perto da universidade, o professor logo se interessa pelo caso e passa a investigá-lo, por mera curiosidade e graças aos anos de profissão na área criminal. Uma pista leva a outra e, pouco a pouco, Roberto passa a desconfiar que Gonzalo esteja por trás do crime. Confira o trailer:

Um elemento que me chamou muito atenção em "Tese sobre um Homicídio" é justamente como o roteiro do Patricio Vega consegue criar um clima misterioso e bastante envolvente em torno de uma possível paranoia de Roberto - principalmente a partir de seu relacionamento com Gonzalo. Cria-se aí uma espécie de confronto psicológico dos mais interessantes onde cada um dos personagens se desafiam a todo instante. O curioso é que, por mais que os indícios apresentados por Roberto, sejam nítidos e até óbvios se olharmos pela perspectiva de quem conhece o gênero, o filme jamais os assume o fato de que ele possa estar certo. Reparem.

Ricardo Darín, claro, dá outro show. Seu personagem sente a progressão da história fisicamente, mas é mentalmente que ele vai ganhando camadas profundas: se ele bebe e fuma cada vez mais, é com seu descontrole que ele parece se preocupar e isso ajuda a expor uma complexidade que poucos estão dispostos a encarar. A direção de fotografia de Rolo Pulpeiro está completamente alinhada com um conceito de direção bastante estiloso de Hernán Goldfrid - como se os atores estivessem livres para brilhar em cima de uma história maravilhosamente bem contada em imagens e diálogos - e como disse inicialmente: sem inventar ou encontrar uma solução mirabolante para justificar suas escolhas. Como diz o protagonista: o segredo está no detalhe!

Baseado no livro deDiego Paszkowski,  "Tese sobre um Homicídio" não se propõe a fechar uma questão sem nos colocar para pensar (daí a força do seu título) - isso é preciso ficar claro! O que não deixa a narrativa didática demais, porém pode decepcionar quem prefere algo mais mastigado como em outros filmes do gênero, porém a jornada é tão interessante quanto o final e vale muito a pena pelo entretenimento de excelente qualidade!  

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