Viu Review - ml-psicologico

The Square

Talvez o maior mérito do "The Square", filme sueco e um dos favoritos para levar o Oscar de filme estrangeiro em 2018, tenha sido retratar com muita maestria o momento que vivemos hoje. O momento que se discute essencialmente "limites", mas também opiniões, posturas e, por quê não, caráter (só que dos outros) com o escudo do individualismo baseado na superficialidade de uma posição de especialista em "manchetes". O filme mostra o outro lado de vários assuntos que dominaram a timeline do facebook em 2017 e que, certamente, vão nos acompanhar enquanto nos apegarmos aquelas três palavras que "definem" um pensamento e, por consequência, uma pessoa. É patético, mas é real!!!!

Grande vencedor do Festival de Cannes em 2017, "The Square: A Arte da Discórdia" acompanha um gerente de museu de arte contemporânea de Estocolmo que está usando de todas as armas possíveis para promover o sucesso de uma nova instalação e por isso decide contratar uma empresa de relações públicas. Acontece que após ter seu celular roubado, ele perde o controle do seu trabalho, da sua vida, e acaba provocando situações drásticas capazes de colocar em jogo os seus próprios princípios e sua carreira! Confira o trailer:

"The Square" é um grande filme, com um grande roteiro e muito bem dirigido. Ruben Östlund, o diretor, já tinha ganhado o Festival de Berlin em 2010 com um curta "Incident by a Bank" rodado todo em plano sequência e com planos bem abertos, pontuando um ou outro momento com um preciso movimento de câmera lateral ou frontal. Em "The Square", ele trás essa assinatura, se não nos planos-sequência, nos enquadramentos mais abertos, mostrando (e comprovando) que nem sempre existe a necessidade de uma lente mais fechada para provocar uma sensação de certo impacto. É uma aula de cinematografia (em parceria com Fredrik Wenzel) e de direção de atores.

O roteiro é genial - ele traz um constrangimento que é difícil lidar! Sinceramente, eu não me surpreenderia se tivesse sido indicado como "Melhor Roteiro Original". Filme que mostra elementos novos na sua gramática e, principalmente, na genialidade da condução de história. Coincidentemente, uma frase do final que repito muito: "Ser bonzinho é fácil, difícil é ser justo" define muito bem o que é esse filme e onde ele quer nos provocar!

Se prepare, pois com "The Square" vale muito as 2:30 de filme!

Assista Agora

Talvez o maior mérito do "The Square", filme sueco e um dos favoritos para levar o Oscar de filme estrangeiro em 2018, tenha sido retratar com muita maestria o momento que vivemos hoje. O momento que se discute essencialmente "limites", mas também opiniões, posturas e, por quê não, caráter (só que dos outros) com o escudo do individualismo baseado na superficialidade de uma posição de especialista em "manchetes". O filme mostra o outro lado de vários assuntos que dominaram a timeline do facebook em 2017 e que, certamente, vão nos acompanhar enquanto nos apegarmos aquelas três palavras que "definem" um pensamento e, por consequência, uma pessoa. É patético, mas é real!!!!

Grande vencedor do Festival de Cannes em 2017, "The Square: A Arte da Discórdia" acompanha um gerente de museu de arte contemporânea de Estocolmo que está usando de todas as armas possíveis para promover o sucesso de uma nova instalação e por isso decide contratar uma empresa de relações públicas. Acontece que após ter seu celular roubado, ele perde o controle do seu trabalho, da sua vida, e acaba provocando situações drásticas capazes de colocar em jogo os seus próprios princípios e sua carreira! Confira o trailer:

"The Square" é um grande filme, com um grande roteiro e muito bem dirigido. Ruben Östlund, o diretor, já tinha ganhado o Festival de Berlin em 2010 com um curta "Incident by a Bank" rodado todo em plano sequência e com planos bem abertos, pontuando um ou outro momento com um preciso movimento de câmera lateral ou frontal. Em "The Square", ele trás essa assinatura, se não nos planos-sequência, nos enquadramentos mais abertos, mostrando (e comprovando) que nem sempre existe a necessidade de uma lente mais fechada para provocar uma sensação de certo impacto. É uma aula de cinematografia (em parceria com Fredrik Wenzel) e de direção de atores.

O roteiro é genial - ele traz um constrangimento que é difícil lidar! Sinceramente, eu não me surpreenderia se tivesse sido indicado como "Melhor Roteiro Original". Filme que mostra elementos novos na sua gramática e, principalmente, na genialidade da condução de história. Coincidentemente, uma frase do final que repito muito: "Ser bonzinho é fácil, difícil é ser justo" define muito bem o que é esse filme e onde ele quer nos provocar!

Se prepare, pois com "The Square" vale muito as 2:30 de filme!

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The third day

"The third day" surgiu como uma aposta da HBO, um novo modelo narrativo, uma experiência audiovisual: a minissérie foi criada com duas fases de três de episódios, cada uma delas focada em um protagonista, Sam (Jude Law) e Helen (Naomie Harris), respectivamente, e que seriam conectadas por uma espécie de livestream nas redes sociais com duração de 12 horas ininterruptas, em apenas um plano sequência e com os mesmos atores. Esse projeto do Dennis Kelly (Utopia) em parceria com Felix Barrett, da companhia teatral "Punchdrunk", pode ser analisado de duas formas: como uma ótima estratégia de marketing em tempos de pandemia e pela qualidade do produto que está disponível no streaming da HBO - vou focar na segunda opção e com o máximo de cuidado para não soltar nenhum spoiler!

Na história, após sofrer uma tragédia familiar, Sam está fazendo uma viagem pela costa da Inglaterra, sozinho, quando encontra uma jovem em perigo. Ao salvar a vida de Epona (Jessie Ross), ele resolve acompanha-la até sua casa - mesmo contra a vontade da garota. O grande problema é que Epona mora em um lugar bastante peculiar: uma ilha chamada Osea, um pedaço de terra que está ligado ao continente apenas por uma sinuosa e estreita estradinha, que só aparece poucos minutos por dia, quando a maré está baixa. Ao chegar em Osea, Sam percebe que se trata de uma comunidade extremamente religiosa, aparentemente amigável, que está se preparando para um tradicional festival. Pouco a pouco, porém, ele entende que alguns costumes dos habitantes da ilha são assustadores, mas Sam precisa manter a calma, lidar com suas incertezas (e fantasmas) até que a estrada esteja disponível novamente para que ele possa voltar ao continente sem causar problemas. Confira o trailer:

Se você gostou de "Midsommar" do Ari Aster pode dar um play sem medo - a história é bem semelhante e o conceito narrativo também. Se eu pudesse definir, eu diria que a primeira parte é mais autoral, uma aula de construção visual alinhada com uma narrativa interessante (e moderna) comandada pelo premiado diretor Marc Munden (O Jardim Secreto). Já na segunda parte, encontramos um conceito mais tradicional, mas não por isso mal executado pela diretora Philippa Lowthorpe (The Crown). Interessante que mesmo com um visual que não se conecta, cada uma das partes tem um identidade e uma razão para tal, o que nos dá a impressão que estamos assistindo produtos completamente independentes - mas não é o caso: tudo vai se conectar (vamos falar sobre isso mais a frente)!

Caso queira parar por aqui, "The third day" é um suspense psicológico com toques sobrenaturais que vai te entreter e entregar muitas respostas, mas tudo no seu tempo e, acredite, tudo que não for respondido só servirá para colocar a história em um patamar ainda mais interessante!

Quando terminamos de assistir a primeira parte da minissérie, temos a impressão de que tudo está resolvido e que podemos seguir para a segunda sem nos preocupar em fazer conexões que vão além do cenário que se passa a história: Osea. A própria dinâmica narrativa e visual nos motivam a pensar assim, mas quando Helen (Naomie Harris) e suas duas filhas, Ellie (Nico Parker) e Talulah (Charlotte Gairdner-Mihell) chegam na ilha percebemos uma total decadência, estabelecendo imediatamente uma atmosfera muito mais pesada, opressora, antipática - um mood totalmente oposto de quando Sam chegou. Ao nos depararmos com os mesmos personagens, automaticamente entendemos que não só o cenário é igual, mas que, mesmo sem uma indicação temporal exata, a história continuou. Mais uma vez, Paddy Considine e Emily Watson, como Sr. e Sra. Martin, são os anfitriões, mas será só no final do episódio 4 que tudo fará sentido e te prenderá até o final!

Um ponto interessante e que merece elogios é a maneira como Dennis Kelly foi amarrando todos detalhes mesmo respeitando as diferenças entre as partes: o que era mais introspectivo com Sam, onde a tensão estava dentro do protagonista, agora ganha um tom mais próximo do horror visual, com os habitantes da ilha praticamente transformados em entidades do mal. Helen, que chega na ilha com a desculpa de comemorar o aniversário de Ellie, sua filha mais velha, não entende muito bem o que está acontecendo ao seu redor e é por isso que somos convidados à se relacionar com as consequências do que aconteceu na primeira parte, quase como se soubéssemos todas as respostas - e, claro, não sabemos de nada! Ao nos induzir a acreditar que os protagonistas são Sam e Helen e que suas histórias são completamente independentes, o roteiro ganha em qualidade sem roubar no jogo!

Como o já citado "Midsommar""The third day"não agradará a todos e não será um entretenimento dos mais fáceis de assistir, mas é um fato que Dennis Kelly aproveita a tendência de narrativas menos convencionais, apoiadas em um movimento que enaltecesse o terror psicológico onde o visual que choca é cirurgicamente pontuado apenas para servir como apoio, para entregar uma minissérie de altíssima qualidade técnica e artística, e que nos provoca a cada episódio.

Série com o carimbo HBO, experimentando sempre!

Curiosidade: A premissa é baseada em fatos reais, já que a Ilha de Osea, localizada no estuário do rio Blackwater, em Essex, no leste da Inglaterra, realmente existe e ela realmente é conectada à margem por uma estrada sinuosa que só aparece em maré baixa. Além disso, ela foi de propriedade de Frederick Nicholas Charrington, herdeiro de uma família cervejeira milionária que abriu mão da fortuna para criar uma clínica de tratamento de vícios na ilha, resultando em uma espécie de culto. E, como se isso não bastasse, Charrington foi mesmo um dos investigados pela Scotland Yard por suspeita de ser Jack, o Estripador. (Fonte: Plano Crítico)

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"The third day" surgiu como uma aposta da HBO, um novo modelo narrativo, uma experiência audiovisual: a minissérie foi criada com duas fases de três de episódios, cada uma delas focada em um protagonista, Sam (Jude Law) e Helen (Naomie Harris), respectivamente, e que seriam conectadas por uma espécie de livestream nas redes sociais com duração de 12 horas ininterruptas, em apenas um plano sequência e com os mesmos atores. Esse projeto do Dennis Kelly (Utopia) em parceria com Felix Barrett, da companhia teatral "Punchdrunk", pode ser analisado de duas formas: como uma ótima estratégia de marketing em tempos de pandemia e pela qualidade do produto que está disponível no streaming da HBO - vou focar na segunda opção e com o máximo de cuidado para não soltar nenhum spoiler!

Na história, após sofrer uma tragédia familiar, Sam está fazendo uma viagem pela costa da Inglaterra, sozinho, quando encontra uma jovem em perigo. Ao salvar a vida de Epona (Jessie Ross), ele resolve acompanha-la até sua casa - mesmo contra a vontade da garota. O grande problema é que Epona mora em um lugar bastante peculiar: uma ilha chamada Osea, um pedaço de terra que está ligado ao continente apenas por uma sinuosa e estreita estradinha, que só aparece poucos minutos por dia, quando a maré está baixa. Ao chegar em Osea, Sam percebe que se trata de uma comunidade extremamente religiosa, aparentemente amigável, que está se preparando para um tradicional festival. Pouco a pouco, porém, ele entende que alguns costumes dos habitantes da ilha são assustadores, mas Sam precisa manter a calma, lidar com suas incertezas (e fantasmas) até que a estrada esteja disponível novamente para que ele possa voltar ao continente sem causar problemas. Confira o trailer:

Se você gostou de "Midsommar" do Ari Aster pode dar um play sem medo - a história é bem semelhante e o conceito narrativo também. Se eu pudesse definir, eu diria que a primeira parte é mais autoral, uma aula de construção visual alinhada com uma narrativa interessante (e moderna) comandada pelo premiado diretor Marc Munden (O Jardim Secreto). Já na segunda parte, encontramos um conceito mais tradicional, mas não por isso mal executado pela diretora Philippa Lowthorpe (The Crown). Interessante que mesmo com um visual que não se conecta, cada uma das partes tem um identidade e uma razão para tal, o que nos dá a impressão que estamos assistindo produtos completamente independentes - mas não é o caso: tudo vai se conectar (vamos falar sobre isso mais a frente)!

Caso queira parar por aqui, "The third day" é um suspense psicológico com toques sobrenaturais que vai te entreter e entregar muitas respostas, mas tudo no seu tempo e, acredite, tudo que não for respondido só servirá para colocar a história em um patamar ainda mais interessante!

Quando terminamos de assistir a primeira parte da minissérie, temos a impressão de que tudo está resolvido e que podemos seguir para a segunda sem nos preocupar em fazer conexões que vão além do cenário que se passa a história: Osea. A própria dinâmica narrativa e visual nos motivam a pensar assim, mas quando Helen (Naomie Harris) e suas duas filhas, Ellie (Nico Parker) e Talulah (Charlotte Gairdner-Mihell) chegam na ilha percebemos uma total decadência, estabelecendo imediatamente uma atmosfera muito mais pesada, opressora, antipática - um mood totalmente oposto de quando Sam chegou. Ao nos depararmos com os mesmos personagens, automaticamente entendemos que não só o cenário é igual, mas que, mesmo sem uma indicação temporal exata, a história continuou. Mais uma vez, Paddy Considine e Emily Watson, como Sr. e Sra. Martin, são os anfitriões, mas será só no final do episódio 4 que tudo fará sentido e te prenderá até o final!

Um ponto interessante e que merece elogios é a maneira como Dennis Kelly foi amarrando todos detalhes mesmo respeitando as diferenças entre as partes: o que era mais introspectivo com Sam, onde a tensão estava dentro do protagonista, agora ganha um tom mais próximo do horror visual, com os habitantes da ilha praticamente transformados em entidades do mal. Helen, que chega na ilha com a desculpa de comemorar o aniversário de Ellie, sua filha mais velha, não entende muito bem o que está acontecendo ao seu redor e é por isso que somos convidados à se relacionar com as consequências do que aconteceu na primeira parte, quase como se soubéssemos todas as respostas - e, claro, não sabemos de nada! Ao nos induzir a acreditar que os protagonistas são Sam e Helen e que suas histórias são completamente independentes, o roteiro ganha em qualidade sem roubar no jogo!

Como o já citado "Midsommar""The third day"não agradará a todos e não será um entretenimento dos mais fáceis de assistir, mas é um fato que Dennis Kelly aproveita a tendência de narrativas menos convencionais, apoiadas em um movimento que enaltecesse o terror psicológico onde o visual que choca é cirurgicamente pontuado apenas para servir como apoio, para entregar uma minissérie de altíssima qualidade técnica e artística, e que nos provoca a cada episódio.

Série com o carimbo HBO, experimentando sempre!

Curiosidade: A premissa é baseada em fatos reais, já que a Ilha de Osea, localizada no estuário do rio Blackwater, em Essex, no leste da Inglaterra, realmente existe e ela realmente é conectada à margem por uma estrada sinuosa que só aparece em maré baixa. Além disso, ela foi de propriedade de Frederick Nicholas Charrington, herdeiro de uma família cervejeira milionária que abriu mão da fortuna para criar uma clínica de tratamento de vícios na ilha, resultando em uma espécie de culto. E, como se isso não bastasse, Charrington foi mesmo um dos investigados pela Scotland Yard por suspeita de ser Jack, o Estripador. (Fonte: Plano Crítico)

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The Voyeurs

Como "A Mulher na Janela", com Amy Adams e Julianne Moor, "The Voyeurs" (ou "Observadores") é um filme datado, típico dos anos 90, em uma época onde nossas referências eram infinitamente mais limitadas do que são hoje - digo isso, pois será necessário uma enorme dose de suspensão da realidade para embarcar no plot twist  que o roteirista e diretor Michael Mohan no oferece no final do segundo ato - e aqui cabe um comentário: a solução não é ruim, chega a ser até surpreendente, mas não é nada palpável tendo como base os inúmeros outros filmes ou séries do gênero que já assistimos com tantas ofertas por aí!

Pippa (Sydney Sweeney) e Thomas (Justice Smith) são um casal muito apaixonado que acabam de se mudar para um lindo apartamento, onde vão morar juntos pela primeira vez. Tudo é um mar de rosas para o casal até eles perceberem que, pela janela, conseguem acompanhar absolutamente tudo que se passa no apartamento de um vizinho do prédio em frente. Curiosos, os dois começam um excitante passatempo de observar a rotina do casal vizinho: o fotógrafo Seb (Ben Hardy) e a esposa Julia (Natasha Liu Bordizzo). Aos poucos, o que parecia uma mera diversão vai se tornando uma verdadeira obsessão para Pippa, e o enorme interesse que ela constrói sobre a vida de seus vizinhos começa a ameaçar o seu próprio relacionamento com Thomas. Confira o trailer:

É inegável que "The Voyeurs" toca em um assunto que soa fascinante para quase todo ser humano: a curiosidade de saber o que acontece atrás da parede ao lado (no caso, no prédio da frente). Com isso, nos conectamos rapidamente com o casal de protagonistas e entendemos aquela incontrolável sensação, muitas vezes excitante, de observar a vida alheia. Muito bem dirigido pelo Michael Mohan, a angustia de estarmos sendo observados acompanha a própria Pippa em muitos momentos do filme e a forma como Sweeney lida com essa "tensão" é quase tão provocadora quanto nos momentos em que ela mesmo passa a ser a observadora - e tudo isso não é por acaso, reparem. O trabalho da atriz (e não é o primeiro, basta lembrar de "The White Lotus") é sensacional, pois ela transita naquela linha tênue entre a curiosidade e a invasão de privacidade, deixando claro que sempre existe espaço para arriscar um pouco mais.

O grande problema do filme, na nossa opinião, não está na forma, mas sim no conteúdo. Os dois primeiros atos nos direcionam para um drama muito mais profundo, sensual e até provocador do que necessariamente para um suspense psicológico - o envolvimento entre os personagens cria um clima onde o medo de ser descoberto é até maior do que saber o que aconteceria se, de fato, fossemos descobertos! Acontece que a força dessa tensão vai se enfraquecendo durante o filme, pois a história parece não encontrar caminhos para manter esse mood, com isso assistimos somos apresentados para soluções pouco interessantes e quase sempre absurdas, que impactam na veracidade daquele bom drama e, claro, na relação entre os personagens com um conflito menos potente. 

Ao som de uma ótima versão de “Eyes without a face” na voz de Angel Olsen, "The Voyeurs" brinca com a melancolia do ser humano ao mesmo tempo em que provoca o fetiche da invasão de privacidade, mas sem se aprofundar em nenhum dos temas - e é isso que pode incomodar alguns. Ao estabelecer que o universo dos personagens-chave está em observar, no caso de Pippa em lidar com a visão das pessoas (ela trabalha em um consultório oftalmológico) e no caso de Seb em fotografar modelos maravilhosas, o roteiro força a barra em ter que provar que tudo faz sentido sempre. O que eu quero dizer é que se você não se apegar aos detalhes, "The Voyeurs" será um ótimo entretenimento. Se você também não se apegar ao realismo no pé da letra, o filme pode ser um entretenimento melhor ainda. Mas se você quiser algo inteligente, bem construído e cheio de camadas, esquece, esse filme pode não ser para você e nem foi feito para ser.

Vale a pena? Sim, nessa condições! Então só dê o play se estiver disposto embarcar em uma ótima diversão!

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Como "A Mulher na Janela", com Amy Adams e Julianne Moor, "The Voyeurs" (ou "Observadores") é um filme datado, típico dos anos 90, em uma época onde nossas referências eram infinitamente mais limitadas do que são hoje - digo isso, pois será necessário uma enorme dose de suspensão da realidade para embarcar no plot twist  que o roteirista e diretor Michael Mohan no oferece no final do segundo ato - e aqui cabe um comentário: a solução não é ruim, chega a ser até surpreendente, mas não é nada palpável tendo como base os inúmeros outros filmes ou séries do gênero que já assistimos com tantas ofertas por aí!

Pippa (Sydney Sweeney) e Thomas (Justice Smith) são um casal muito apaixonado que acabam de se mudar para um lindo apartamento, onde vão morar juntos pela primeira vez. Tudo é um mar de rosas para o casal até eles perceberem que, pela janela, conseguem acompanhar absolutamente tudo que se passa no apartamento de um vizinho do prédio em frente. Curiosos, os dois começam um excitante passatempo de observar a rotina do casal vizinho: o fotógrafo Seb (Ben Hardy) e a esposa Julia (Natasha Liu Bordizzo). Aos poucos, o que parecia uma mera diversão vai se tornando uma verdadeira obsessão para Pippa, e o enorme interesse que ela constrói sobre a vida de seus vizinhos começa a ameaçar o seu próprio relacionamento com Thomas. Confira o trailer:

É inegável que "The Voyeurs" toca em um assunto que soa fascinante para quase todo ser humano: a curiosidade de saber o que acontece atrás da parede ao lado (no caso, no prédio da frente). Com isso, nos conectamos rapidamente com o casal de protagonistas e entendemos aquela incontrolável sensação, muitas vezes excitante, de observar a vida alheia. Muito bem dirigido pelo Michael Mohan, a angustia de estarmos sendo observados acompanha a própria Pippa em muitos momentos do filme e a forma como Sweeney lida com essa "tensão" é quase tão provocadora quanto nos momentos em que ela mesmo passa a ser a observadora - e tudo isso não é por acaso, reparem. O trabalho da atriz (e não é o primeiro, basta lembrar de "The White Lotus") é sensacional, pois ela transita naquela linha tênue entre a curiosidade e a invasão de privacidade, deixando claro que sempre existe espaço para arriscar um pouco mais.

O grande problema do filme, na nossa opinião, não está na forma, mas sim no conteúdo. Os dois primeiros atos nos direcionam para um drama muito mais profundo, sensual e até provocador do que necessariamente para um suspense psicológico - o envolvimento entre os personagens cria um clima onde o medo de ser descoberto é até maior do que saber o que aconteceria se, de fato, fossemos descobertos! Acontece que a força dessa tensão vai se enfraquecendo durante o filme, pois a história parece não encontrar caminhos para manter esse mood, com isso assistimos somos apresentados para soluções pouco interessantes e quase sempre absurdas, que impactam na veracidade daquele bom drama e, claro, na relação entre os personagens com um conflito menos potente. 

Ao som de uma ótima versão de “Eyes without a face” na voz de Angel Olsen, "The Voyeurs" brinca com a melancolia do ser humano ao mesmo tempo em que provoca o fetiche da invasão de privacidade, mas sem se aprofundar em nenhum dos temas - e é isso que pode incomodar alguns. Ao estabelecer que o universo dos personagens-chave está em observar, no caso de Pippa em lidar com a visão das pessoas (ela trabalha em um consultório oftalmológico) e no caso de Seb em fotografar modelos maravilhosas, o roteiro força a barra em ter que provar que tudo faz sentido sempre. O que eu quero dizer é que se você não se apegar aos detalhes, "The Voyeurs" será um ótimo entretenimento. Se você também não se apegar ao realismo no pé da letra, o filme pode ser um entretenimento melhor ainda. Mas se você quiser algo inteligente, bem construído e cheio de camadas, esquece, esse filme pode não ser para você e nem foi feito para ser.

Vale a pena? Sim, nessa condições! Então só dê o play se estiver disposto embarcar em uma ótima diversão!

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Them

"Them" consegue ser ambígua e polêmica desde o título: a série tem sido traduzida por "Eles" e "Outros" nas diferentes plataformas e sites. Nessa série antológica de época, uma família afro-americana se muda para um bairro caucasiano e racista. Acompanhamos seus 10 primeiros dias no novo lar. Confira o trailer:

A qualidade técnica é indiscutível e a ambientação do subúrbio americano dos anos 50 é simplesmente impecável, dos carros à trilha sonora. O contexto histórico também é retratado: na primeira metade do século 20, cerca de 6 milhões de afro-americanos deixaram o sul – rural e ainda segregacionista – em direção a centros urbanos, noutras regiões do país, no movimento conhecido como Grande Migração.

Os elementos de tensão e horror são diversos e muito bem trabalhados: traumas do passado, vizinhança hostil, sociedade racista, pesadelos, entidades ameaçadoras... A realidade é dúbia e a dúvida é sustentada, pelo menos, até o ousado penúltimo episódio – um flashback em preto e branco, focado em um personagem que até então mal havia dado as caras.

Em vários momentos, porém, a ousadia se transforma num flerte com o sadismo: além do horror psicológico, há uma dezena de cenas de violência explícita e até tortura. Isso não seria um problema se a direção não cruzasse a linha da “violência que serve à história”.

A partir do polêmico 5º episódio – onde avisos de gatilho, não à toa, aparecem antes do início – a crítica social sucumbe em detrimento ao horror onde o propósito parece ser chocar a audiência. Basta ver como as recentes produções "Lovecraft Country", "Nós" e "Corra!" trabalham o mesmo tema (racismo), dentro do mesmo gênero (terror), de forma mais equilibrada.

O casal protagonista convence tanto nos momentos dramáticos quanto nos explosivos, o que não é fácil. Interpretações num tom acima ou abaixo, somadas à violência desviada da mensagem central, comprometeriam o resultado final. A principal "vilã" também se destaca: ela ganha camadas e se vê forçada a flexibilizar convicções durante a jornada, sempre com um sorriso amarelo acompanhado de iminentes lágrimas.

Usando alegorias sádicas e excessos narrativos para falar sobre luto, culpa e racismo, "Them" te desafia a assisti-la sem revirar os olhos (ou o estômago) pelo menos uma vez. Uma experiência intensa e perturbadora, que vale mais pela jornada!

Escrito por Ricelli Ribeiro com Edição de André Siqueira - uma parceria@dicastreaming

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"Them" consegue ser ambígua e polêmica desde o título: a série tem sido traduzida por "Eles" e "Outros" nas diferentes plataformas e sites. Nessa série antológica de época, uma família afro-americana se muda para um bairro caucasiano e racista. Acompanhamos seus 10 primeiros dias no novo lar. Confira o trailer:

A qualidade técnica é indiscutível e a ambientação do subúrbio americano dos anos 50 é simplesmente impecável, dos carros à trilha sonora. O contexto histórico também é retratado: na primeira metade do século 20, cerca de 6 milhões de afro-americanos deixaram o sul – rural e ainda segregacionista – em direção a centros urbanos, noutras regiões do país, no movimento conhecido como Grande Migração.

Os elementos de tensão e horror são diversos e muito bem trabalhados: traumas do passado, vizinhança hostil, sociedade racista, pesadelos, entidades ameaçadoras... A realidade é dúbia e a dúvida é sustentada, pelo menos, até o ousado penúltimo episódio – um flashback em preto e branco, focado em um personagem que até então mal havia dado as caras.

Em vários momentos, porém, a ousadia se transforma num flerte com o sadismo: além do horror psicológico, há uma dezena de cenas de violência explícita e até tortura. Isso não seria um problema se a direção não cruzasse a linha da “violência que serve à história”.

A partir do polêmico 5º episódio – onde avisos de gatilho, não à toa, aparecem antes do início – a crítica social sucumbe em detrimento ao horror onde o propósito parece ser chocar a audiência. Basta ver como as recentes produções "Lovecraft Country", "Nós" e "Corra!" trabalham o mesmo tema (racismo), dentro do mesmo gênero (terror), de forma mais equilibrada.

O casal protagonista convence tanto nos momentos dramáticos quanto nos explosivos, o que não é fácil. Interpretações num tom acima ou abaixo, somadas à violência desviada da mensagem central, comprometeriam o resultado final. A principal "vilã" também se destaca: ela ganha camadas e se vê forçada a flexibilizar convicções durante a jornada, sempre com um sorriso amarelo acompanhado de iminentes lágrimas.

Usando alegorias sádicas e excessos narrativos para falar sobre luto, culpa e racismo, "Them" te desafia a assisti-la sem revirar os olhos (ou o estômago) pelo menos uma vez. Uma experiência intensa e perturbadora, que vale mais pela jornada!

Escrito por Ricelli Ribeiro com Edição de André Siqueira - uma parceria@dicastreaming

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Top Model

Top Model

"Top Model" (ou "The Model") é um filme dinamarquês de 2016 pouco original, mas não digo isso com demérito e sim com certa preocupação. É mais uma história sobre o universo predatório da moda que serve de aviso para milhões de adolescentes que sonham em sair de uma cidade pequena e estampar as mais cobiçadas capas de revistas e desfilar para as mais importantes grifes - o diferencial aqui, é justamente a forma realista e provocadora como o diretor Mads Matthiesen (de "Equinox") retrata essa atmosfera tentadora e pouco ficcional.

Emma (Maria Palm) é uma modelo emergente no meio artístico que está lutando para conseguir um espaço no cenário da moda parisiense depois de sair de uma pequena cidade do interior da Dinamarca. Em meio a sua batalha por espaço, ela desenvolve uma certa obsessão por um famoso fotógrafo de moda, Shane White (Ed Skrein), depois que uma rápida relação se estabelece entre os dois. Confira o trailer:

Talvez o ponto a ser observado de imediato, são os sinais de uma jornada que parece tão comum à tantas modelos em inicio de carreira. Obviamente sem generalizar e respeitando inúmeros profissionais que transitam nesse universo, é mais uma história que se encaixa na receita de um estereótipo criado depois de inúmeras repetições: a rotina de uma jovem, no caso dinamarquesa, que se aventura em Paris, sob a desconfiança da sua família pouco presente e da crença de um namorado de colégio, a quem promete amor eterno.  Porém, o amor é frágil demais diante da possibilidade de tantas realizações de uma profissão tão glamorosa - e Matthiesen equilibra perfeitamente o perrengue do dia a dia com as oportunidades sociais que a profissão facilmente impõe.

O contraste entre a Dinamarca, e a história construída por lá e que fica para trás rapidamente, e a Paris que surge iluminada como a oportunidade de uma vida, fazem com que os enquadramentos retratem exatamente essa dicotomia - reparem como o filme trabalha a beleza do silêncio em planos da cidade como se estivessem nos preparando para o caos que o dia vai se tornar, se estendendo até a altas horas da noite, afinal estamos falando da "metrópole da moda". Esse e outros detalhes que podem passar despercebidos, criam inúmeras camadas na personagem Emma - aliás, a atriz que interpreta a protagonista, Maria Palm, é modelo profissional e se aproveita perfeitamente da familiaridade com o universo da profissão para representar algum encantamento dentro do competitivo, mas deslumbrante, mundo da moda pelos olhos de quem sonhou mais do que viveu. Ela merece nosso elogio, pela neutralidade e ao mesmo tempo pela profundidade com que interioriza tantos sentimentos, tão comuns para a idade (ela tem 16 anos na história).

"Top Model" é mais provocador do que surpreendente. Tudo é muito claro e vai se encaixando quase que automaticamente sem a menor intenção de criar um plot twist matador (desculpem o trocadilho). Sua dinâmica é bem construída e nos leva para dentro de uma jovem em transformação e sem a menor capacidade intelectual de sobreviver a tantos predadores - sucesso, homens, oportunidades, mulheres, dinheiro, competição! Filme vencedor Göteborg Film Festival em 2016, com uma levada conceitual bem independente, mas fácil de acompanhar e de se entreter! 

Pode te surpreender!

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"Top Model" (ou "The Model") é um filme dinamarquês de 2016 pouco original, mas não digo isso com demérito e sim com certa preocupação. É mais uma história sobre o universo predatório da moda que serve de aviso para milhões de adolescentes que sonham em sair de uma cidade pequena e estampar as mais cobiçadas capas de revistas e desfilar para as mais importantes grifes - o diferencial aqui, é justamente a forma realista e provocadora como o diretor Mads Matthiesen (de "Equinox") retrata essa atmosfera tentadora e pouco ficcional.

Emma (Maria Palm) é uma modelo emergente no meio artístico que está lutando para conseguir um espaço no cenário da moda parisiense depois de sair de uma pequena cidade do interior da Dinamarca. Em meio a sua batalha por espaço, ela desenvolve uma certa obsessão por um famoso fotógrafo de moda, Shane White (Ed Skrein), depois que uma rápida relação se estabelece entre os dois. Confira o trailer:

Talvez o ponto a ser observado de imediato, são os sinais de uma jornada que parece tão comum à tantas modelos em inicio de carreira. Obviamente sem generalizar e respeitando inúmeros profissionais que transitam nesse universo, é mais uma história que se encaixa na receita de um estereótipo criado depois de inúmeras repetições: a rotina de uma jovem, no caso dinamarquesa, que se aventura em Paris, sob a desconfiança da sua família pouco presente e da crença de um namorado de colégio, a quem promete amor eterno.  Porém, o amor é frágil demais diante da possibilidade de tantas realizações de uma profissão tão glamorosa - e Matthiesen equilibra perfeitamente o perrengue do dia a dia com as oportunidades sociais que a profissão facilmente impõe.

O contraste entre a Dinamarca, e a história construída por lá e que fica para trás rapidamente, e a Paris que surge iluminada como a oportunidade de uma vida, fazem com que os enquadramentos retratem exatamente essa dicotomia - reparem como o filme trabalha a beleza do silêncio em planos da cidade como se estivessem nos preparando para o caos que o dia vai se tornar, se estendendo até a altas horas da noite, afinal estamos falando da "metrópole da moda". Esse e outros detalhes que podem passar despercebidos, criam inúmeras camadas na personagem Emma - aliás, a atriz que interpreta a protagonista, Maria Palm, é modelo profissional e se aproveita perfeitamente da familiaridade com o universo da profissão para representar algum encantamento dentro do competitivo, mas deslumbrante, mundo da moda pelos olhos de quem sonhou mais do que viveu. Ela merece nosso elogio, pela neutralidade e ao mesmo tempo pela profundidade com que interioriza tantos sentimentos, tão comuns para a idade (ela tem 16 anos na história).

"Top Model" é mais provocador do que surpreendente. Tudo é muito claro e vai se encaixando quase que automaticamente sem a menor intenção de criar um plot twist matador (desculpem o trocadilho). Sua dinâmica é bem construída e nos leva para dentro de uma jovem em transformação e sem a menor capacidade intelectual de sobreviver a tantos predadores - sucesso, homens, oportunidades, mulheres, dinheiro, competição! Filme vencedor Göteborg Film Festival em 2016, com uma levada conceitual bem independente, mas fácil de acompanhar e de se entreter! 

Pode te surpreender!

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Um Contratempo

"Um Contratempo" é um filme muito bacana, que se você se permitir um pouco de abstração da realidade, vai se divertir muito - ele tão instigante quanto "O Segredo dos seus Olhos"

Tudo está indo muito bem para Adrian Doria (Mario Casas). Seu negócio é um sucesso ao ponto de deixa-lo rico, sua bela esposa teve uma criança cheia de saúde e sua amante está bem tranquila em fazer o papel de objeto sexual. Tudo estava ótimo até que Doria desperta num quarto de hotel, depois de ser atingido na cabeça, e encontra sua amante morta no banheiro, coberta com um monte de notas em euros. Pior, o quarto está trancado e não existe nenhuma maneira de entrar ou sair. Com tudo o que construiu desmoronando aos seus pés, Doria recorre à melhor advogada de defesa da Espanha, Virginia Goodman (Ana Wagener), e eles tentam descobrir o que realmente aconteceu! Confira o trailer:

Sério, pelo trailer já dá para perceber que, se você gostou do filme argentino, não tem como deixar de assistir o espanhol "Contratiempo" (título original). O filme é muito bacana, uma trama super envolvente, com um roteiro muito bem trabalhado e uma direção excelente do Oriol Paulo (de "O Corpo"). "Um Contratempo" me lembrou muito os filmes da série Millennium (mas a versão original, sueca) pela estilo narrativo e qualidade visual!

Bom, não vou nem me estender, assista tranquilamente porque vale a pena. Se não gostar, me cobre! Imperdível mesmo!!!!

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"Um Contratempo" é um filme muito bacana, que se você se permitir um pouco de abstração da realidade, vai se divertir muito - ele tão instigante quanto "O Segredo dos seus Olhos"

Tudo está indo muito bem para Adrian Doria (Mario Casas). Seu negócio é um sucesso ao ponto de deixa-lo rico, sua bela esposa teve uma criança cheia de saúde e sua amante está bem tranquila em fazer o papel de objeto sexual. Tudo estava ótimo até que Doria desperta num quarto de hotel, depois de ser atingido na cabeça, e encontra sua amante morta no banheiro, coberta com um monte de notas em euros. Pior, o quarto está trancado e não existe nenhuma maneira de entrar ou sair. Com tudo o que construiu desmoronando aos seus pés, Doria recorre à melhor advogada de defesa da Espanha, Virginia Goodman (Ana Wagener), e eles tentam descobrir o que realmente aconteceu! Confira o trailer:

Sério, pelo trailer já dá para perceber que, se você gostou do filme argentino, não tem como deixar de assistir o espanhol "Contratiempo" (título original). O filme é muito bacana, uma trama super envolvente, com um roteiro muito bem trabalhado e uma direção excelente do Oriol Paulo (de "O Corpo"). "Um Contratempo" me lembrou muito os filmes da série Millennium (mas a versão original, sueca) pela estilo narrativo e qualidade visual!

Bom, não vou nem me estender, assista tranquilamente porque vale a pena. Se não gostar, me cobre! Imperdível mesmo!!!!

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Você

"Você", série do "Lifetime" que a Netflix distribui globalmente é boa, divertida, mas desde que você não a leve muito a sério. Digo isso depois de assistir a primeira temporada inteira e, por mais de uma vez, adiar o momento de escrever esse review. E por uma razão simples: eu estava tentando entender onde aquela história queria me levar!

O trailer indica uma linha narrativa muito interessante, com um conceito bastante particular, mas que não se encontra inicialmente na série: a história de um vendedor de livros que se apaixona por uma jovem escritora e imediatamente começa a destrinchar a vida dela pelas redes sociais sugere um suspense psicológico, mas eu não via isso em nada da série!!! Assim que assisti o primeiro episódio, e embora tenha gostado bastante, me senti "enganado" por causa dessa falta de coerência entre o trailer e a obra! Os episódios foram passando e, lentamente, fui me envolvendo com a história - traços da personalidade do protagonista vão aparecendo, se tornando mais interessante. O problema é que isso não se sustenta por muito tempo e ficamos com a sensação que aquilo tudo não faz muito sentido - algumas soluções do roteiro são, inclusive, infantis demais!!! Teve um momento que "You" me pareceu muito mais uma comédia romântica adolescente, com lapsos de suspense, do que algo que pudesse justificar os ótimos comentários que havia lido até ali. 

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"Você", série do "Lifetime" que a Netflix distribui globalmente é boa, divertida, mas desde que você não a leve muito a sério. Digo isso depois de assistir a primeira temporada inteira e, por mais de uma vez, adiar o momento de escrever esse review. E por uma razão simples: eu estava tentando entender onde aquela história queria me levar!

O trailer indica uma linha narrativa muito interessante, com um conceito bastante particular, mas que não se encontra inicialmente na série: a história de um vendedor de livros que se apaixona por uma jovem escritora e imediatamente começa a destrinchar a vida dela pelas redes sociais sugere um suspense psicológico, mas eu não via isso em nada da série!!! Assim que assisti o primeiro episódio, e embora tenha gostado bastante, me senti "enganado" por causa dessa falta de coerência entre o trailer e a obra! Os episódios foram passando e, lentamente, fui me envolvendo com a história - traços da personalidade do protagonista vão aparecendo, se tornando mais interessante. O problema é que isso não se sustenta por muito tempo e ficamos com a sensação que aquilo tudo não faz muito sentido - algumas soluções do roteiro são, inclusive, infantis demais!!! Teve um momento que "You" me pareceu muito mais uma comédia romântica adolescente, com lapsos de suspense, do que algo que pudesse justificar os ótimos comentários que havia lido até ali. 

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