Viu Review - ml-tecnologia

Her

Her

"Her" é um grande filme! O roteiro é tão bom, é tão bem filmado que você nem se dá conta que 90% do filme é um ator falando sozinho!

Escrito e dirigido por Spike Jonze (Onde Vivem os Monstros), "Her" se passa em um futuro próximo na cidade de Los Angeles e acompanha Theodore Twombly (Joaquin Phoenix), um homem complexo e emotivo que trabalha escrevendo cartas pessoais e tocantes para outras pessoas. Com o coração partido após o final de um relacionamento, ele começa a ficar intrigado com um novo e avançado sistema operacional que promete ser uma espécie de entidade intuitiva e única - é aí que ele conhece "Samantha", uma voz feminina sensível e surpreendentemente engraçada. A medida em que as necessidades dela aumentam junto com as dele, a amizade dos dois se aprofunda em um eventual amor de um pelo outro. 

"Her" é uma história de amor extremamente original que explora a natureza evolutiva - e os riscos - da intimidade no mundo moderno. Spike Jonze, sempre um gênio, mereceu o Oscar de Roteiro Original (2014) por esse filme, mas merecia o de direção também - foi uma injustiça ele nem ter sido indicado. O filme, tecnicamente, beira a perfeição: cada movimento, cada corte, cada close - o cara coloca a gente dentro daquela sensação de solidão do Twombly a todo momento!!!

Não tem como não indicar esse filme de olhos fechados! Spike Jonze é um mestre, tudo que ele faz é bom - se você ainda não conhece o trabalho dele, pode ir atrás que você não vai se arrepender!!! Seria capaz de afirmar que "Her" é um dos melhores filmes que eu já assisti na vida! Se você, como eu, foi deixando essa maravilha de lado, corre porque é uma obra prima e merece muito o seu play!!!

PS: "Her" ganhou em apenas uma das quatro categorias que foi indicado para Oscar de 2014, inclusive de Melhor Filme do Ano!

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"Her" é um grande filme! O roteiro é tão bom, é tão bem filmado que você nem se dá conta que 90% do filme é um ator falando sozinho!

Escrito e dirigido por Spike Jonze (Onde Vivem os Monstros), "Her" se passa em um futuro próximo na cidade de Los Angeles e acompanha Theodore Twombly (Joaquin Phoenix), um homem complexo e emotivo que trabalha escrevendo cartas pessoais e tocantes para outras pessoas. Com o coração partido após o final de um relacionamento, ele começa a ficar intrigado com um novo e avançado sistema operacional que promete ser uma espécie de entidade intuitiva e única - é aí que ele conhece "Samantha", uma voz feminina sensível e surpreendentemente engraçada. A medida em que as necessidades dela aumentam junto com as dele, a amizade dos dois se aprofunda em um eventual amor de um pelo outro. 

"Her" é uma história de amor extremamente original que explora a natureza evolutiva - e os riscos - da intimidade no mundo moderno. Spike Jonze, sempre um gênio, mereceu o Oscar de Roteiro Original (2014) por esse filme, mas merecia o de direção também - foi uma injustiça ele nem ter sido indicado. O filme, tecnicamente, beira a perfeição: cada movimento, cada corte, cada close - o cara coloca a gente dentro daquela sensação de solidão do Twombly a todo momento!!!

Não tem como não indicar esse filme de olhos fechados! Spike Jonze é um mestre, tudo que ele faz é bom - se você ainda não conhece o trabalho dele, pode ir atrás que você não vai se arrepender!!! Seria capaz de afirmar que "Her" é um dos melhores filmes que eu já assisti na vida! Se você, como eu, foi deixando essa maravilha de lado, corre porque é uma obra prima e merece muito o seu play!!!

PS: "Her" ganhou em apenas uma das quatro categorias que foi indicado para Oscar de 2014, inclusive de Melhor Filme do Ano!

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I am Mother

"I am Mother" é um filme australiano, distribuído pela Netflix, que foi lançado na plataforma no começo de junho de 2019. Olha, vou te dizer, ficção científica com alma!!! Grande filme, inteligente, profundo e um excelente entretenimento além de tudo! Tipo do filme que te faz refletir, na linha de "Mother!" do Aronofsky ou "Ex-Machina" do Alex Garland ou até de "Rua Cloverfild, 10" do Dan Trachtenberg.

O filme conta a história de uma adolescente, interpretada pela ótima Clara Rugaard (mas poderia ter sido a Jennifer Lawrence tranquilamente...rs), que é criada em uma espécie de Bunker após a extinção total da raça humana. Um robô auto-denominado "Mãe", projetado para ajudar na reconstrução da Terra, é a responsável por preparar sua "Filha" para expandir essa missão, elevando a capacidade humana de existir baseado em valores éticos e morais. Porém, toda essa realidade começa a ser colocada em dúvida com a chegada inesperada de uma suposta sobrevivente, papel da Hilary Swank. Confira o trailers:

Eu diria que "I am Mother" poderia ter sido dirigido pelo Nolan ou até pelo mestre Stanley Kubrick, dada a sua complexidade visual - aliás, é visível a limitação de orçamento em vários elementos artísticos do filme: desde seu desenho de produção até na própria composição de pós em algumas cenas! Mas isso não atrapalha em nada a experiência do filme, pois o roteiro é muito bem amarrado e fosse uma super produção certamente estaria fazendo um enorme barulho! É o primeiro filme do diretor Grant Sputore - marquem esse nome, porque o cara é muito talentoso - e sua condução encontrou o equilíbrio perfeito entre o drama e a ficção, sempre pontuada por uma série de alegorias muito referenciadas em filmes como "Mother!", por exemplo. Aliás, vale uma pesquisa "pós filme" para entender ou confirmar algumas interpretações que vamos encontrando durante toda a narrativa. Outro ponto que me chamou a atenção é a beleza da fotografia, grande trabalho do também novato Steve Annis - o cara está nos créditos de impressionantes 58 curtas-metargem antes de assinar seu primeiro longa!

"I am Mother" vale muito a pena e posso garantir: quanto menos souber do filme, melhor. Por isso tomei esse cuidado para não prejudicar a sua experiência, mas se posso dar uma única dica: preste muita atenção nos letterings no início do filme, eles farão toda a diferença lá no final!!! ;)

Vale muito o play!!!!

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"I am Mother" é um filme australiano, distribuído pela Netflix, que foi lançado na plataforma no começo de junho de 2019. Olha, vou te dizer, ficção científica com alma!!! Grande filme, inteligente, profundo e um excelente entretenimento além de tudo! Tipo do filme que te faz refletir, na linha de "Mother!" do Aronofsky ou "Ex-Machina" do Alex Garland ou até de "Rua Cloverfild, 10" do Dan Trachtenberg.

O filme conta a história de uma adolescente, interpretada pela ótima Clara Rugaard (mas poderia ter sido a Jennifer Lawrence tranquilamente...rs), que é criada em uma espécie de Bunker após a extinção total da raça humana. Um robô auto-denominado "Mãe", projetado para ajudar na reconstrução da Terra, é a responsável por preparar sua "Filha" para expandir essa missão, elevando a capacidade humana de existir baseado em valores éticos e morais. Porém, toda essa realidade começa a ser colocada em dúvida com a chegada inesperada de uma suposta sobrevivente, papel da Hilary Swank. Confira o trailers:

Eu diria que "I am Mother" poderia ter sido dirigido pelo Nolan ou até pelo mestre Stanley Kubrick, dada a sua complexidade visual - aliás, é visível a limitação de orçamento em vários elementos artísticos do filme: desde seu desenho de produção até na própria composição de pós em algumas cenas! Mas isso não atrapalha em nada a experiência do filme, pois o roteiro é muito bem amarrado e fosse uma super produção certamente estaria fazendo um enorme barulho! É o primeiro filme do diretor Grant Sputore - marquem esse nome, porque o cara é muito talentoso - e sua condução encontrou o equilíbrio perfeito entre o drama e a ficção, sempre pontuada por uma série de alegorias muito referenciadas em filmes como "Mother!", por exemplo. Aliás, vale uma pesquisa "pós filme" para entender ou confirmar algumas interpretações que vamos encontrando durante toda a narrativa. Outro ponto que me chamou a atenção é a beleza da fotografia, grande trabalho do também novato Steve Annis - o cara está nos créditos de impressionantes 58 curtas-metargem antes de assinar seu primeiro longa!

"I am Mother" vale muito a pena e posso garantir: quanto menos souber do filme, melhor. Por isso tomei esse cuidado para não prejudicar a sua experiência, mas se posso dar uma única dica: preste muita atenção nos letterings no início do filme, eles farão toda a diferença lá no final!!! ;)

Vale muito o play!!!!

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Império dos Sonhos

Se tem uma coisa que o Disney+ vem nos proporcionando, é o acesso a documentários raros e que, embora muitos deles naturalmente datados, tem um conteúdo simplesmente espetacular. O "Império dos Sonhos: A História da Trilogia Star Wars" entra nessa prateleira e te adianto: é mais um daqueles "estudos de caso" que mais parecem um curso de MBA em empreendedorismo - mais ou menos como "A História do Imagineering". Emboraproduzido em 2004 para compor os “extras” do lançamento de uma edição especial da Trilogia Star Wars ainda em DVD, o documentário é mais uma imersão na visão e no comportamento de George Lucas do que uma história construída para os fãs da franquia. 

Em pouco menos de 150 minutos, os diretores Edith Becker e Kevin Burns, ambos de "Playboy: Inside the Playboy Mansion", nos conduzem pelos bastidores da criação da Trilogia Original de Star Wars, focando no processo de desenvolvimento, produção e lançamento de "Guerra nas Estrelas", o filme original de 1977, e depois, com um pouco menos de profundidade, mas não menos interessante, nas histórias de O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi. Confira o trailer:

A partir do acesso aos arquivos da Lucasfilm e do próprio Lucas, Becker e Burns desenvolvem uma narrativa dinâmica e inteligente, mas sem inventar muita moda, ou seja, a partir de uma montagem cronológica simples, os diretores contam a história pelos olhos do seu criador e de vários personagens que transitaram pelas produções dos três filmes. O interessante - e aqui cabe um elogio: é que o documentário parte da visão inovadora, mas também estratégica de Lucas para pontuar a mudança dos paradigmas de Hollywood no início da década de 70, passando pelo seu trabalho na Universidade com o curta-metragem THX-1138 (que depois se transformou em um longa), depois pela pré-produção, produção e pós-produção de Guerra nas Estrelas, seguido pelo receio do seu lançamento até a transformação em uma espécie de fenômeno mundial instantâneo - o roteiro, aliás, é muito feliz ao fazer paralelos com a realidade social e cultural da época e assim tentar explicar toda essa jornada.

O roteirista Ed Singer também foi muito inteligente ao estabelecer sua linha narrativa em cima de uma novidade que foi o "Guerra nas Estrelas" e tudo que envolveu sua produção, para depois simplesmente pontuar o documentário com curiosidades dos outros dois filmes, como a criação do Mestre Yoda, as estratégias para evitar que vazasse a informação sobre a revelação de quem era o pai de Luke, os Ewoks, etc. Singer aproveita e traz para a história nomes como Ralph McQuarrie - artista que trabalhou na Boeing e foi capaz de criar o conceito visual para Gorge Lucas tentar convencer os Estúdios que valia a pena apoiar seu projeto eAlan Ladd Jr., então presidente da Fox, que convenceu a diretoria do Estúdio em financiar o primeiro filme (pouco mais de 8 milhões de dólares) e quem segurou as pontas quando o orçamento e os prazos estouraram nas mãos daquele jovem diretor.

O fato é que o "Império dos Sonhos: A História da Trilogia Star Wars" é um rico e delicioso documentário sobre uma franquia que ultrapassou os limites do cinema e se transformou em um dos mais festejados produtos da cultura pop através dos tempos. Da genialidade de George Lucas, conseguimos entender seu propósito como cineasta, mas também sua visão de negócios e de mercado como poucos tiveram até hoje.

Vale muito a pena!

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Se tem uma coisa que o Disney+ vem nos proporcionando, é o acesso a documentários raros e que, embora muitos deles naturalmente datados, tem um conteúdo simplesmente espetacular. O "Império dos Sonhos: A História da Trilogia Star Wars" entra nessa prateleira e te adianto: é mais um daqueles "estudos de caso" que mais parecem um curso de MBA em empreendedorismo - mais ou menos como "A História do Imagineering". Emboraproduzido em 2004 para compor os “extras” do lançamento de uma edição especial da Trilogia Star Wars ainda em DVD, o documentário é mais uma imersão na visão e no comportamento de George Lucas do que uma história construída para os fãs da franquia. 

Em pouco menos de 150 minutos, os diretores Edith Becker e Kevin Burns, ambos de "Playboy: Inside the Playboy Mansion", nos conduzem pelos bastidores da criação da Trilogia Original de Star Wars, focando no processo de desenvolvimento, produção e lançamento de "Guerra nas Estrelas", o filme original de 1977, e depois, com um pouco menos de profundidade, mas não menos interessante, nas histórias de O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi. Confira o trailer:

A partir do acesso aos arquivos da Lucasfilm e do próprio Lucas, Becker e Burns desenvolvem uma narrativa dinâmica e inteligente, mas sem inventar muita moda, ou seja, a partir de uma montagem cronológica simples, os diretores contam a história pelos olhos do seu criador e de vários personagens que transitaram pelas produções dos três filmes. O interessante - e aqui cabe um elogio: é que o documentário parte da visão inovadora, mas também estratégica de Lucas para pontuar a mudança dos paradigmas de Hollywood no início da década de 70, passando pelo seu trabalho na Universidade com o curta-metragem THX-1138 (que depois se transformou em um longa), depois pela pré-produção, produção e pós-produção de Guerra nas Estrelas, seguido pelo receio do seu lançamento até a transformação em uma espécie de fenômeno mundial instantâneo - o roteiro, aliás, é muito feliz ao fazer paralelos com a realidade social e cultural da época e assim tentar explicar toda essa jornada.

O roteirista Ed Singer também foi muito inteligente ao estabelecer sua linha narrativa em cima de uma novidade que foi o "Guerra nas Estrelas" e tudo que envolveu sua produção, para depois simplesmente pontuar o documentário com curiosidades dos outros dois filmes, como a criação do Mestre Yoda, as estratégias para evitar que vazasse a informação sobre a revelação de quem era o pai de Luke, os Ewoks, etc. Singer aproveita e traz para a história nomes como Ralph McQuarrie - artista que trabalhou na Boeing e foi capaz de criar o conceito visual para Gorge Lucas tentar convencer os Estúdios que valia a pena apoiar seu projeto eAlan Ladd Jr., então presidente da Fox, que convenceu a diretoria do Estúdio em financiar o primeiro filme (pouco mais de 8 milhões de dólares) e quem segurou as pontas quando o orçamento e os prazos estouraram nas mãos daquele jovem diretor.

O fato é que o "Império dos Sonhos: A História da Trilogia Star Wars" é um rico e delicioso documentário sobre uma franquia que ultrapassou os limites do cinema e se transformou em um dos mais festejados produtos da cultura pop através dos tempos. Da genialidade de George Lucas, conseguimos entender seu propósito como cineasta, mas também sua visão de negócios e de mercado como poucos tiveram até hoje.

Vale muito a pena!

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Indústria Americana

"Indústria Americana" é um recorte dos mais interessantes sobre o que não se deve fazer em um processo de internacionalização de uma empresa (ou no caso de uma indústria). O documentário vencedor do Oscar de 2020 é tão bem construído que fica tão evidente o choque cultural que, sinceramente, é impossível definir quem é o mocinho e quem é o bandido - e isso nos provoca uma excelente reflexão, já que em grande parte da história ouvimos sempre os dois lados.

No Estado de Ohio, durante um grande momento pós-industrial, um chinês bilionário se aproveita de um terreno abandonado da General Motors para criar uma filial da sua empresa de vidros automotivos, Fuyao, com a intenção de realizar uma grande mudança no cenário de Dayton (e obviamente lucrar muito com isso), após milhares de pessoas perderem emprego. Com a contratação de mais de dois mil trabalhadores locais, as perspectivas para cidade se amplificam, porém a cultura corporativa dos dois países são muito diferentes e é nesse momento que os embates ficam ainda mais sérios. Confira o trailer:

É inegável que existe uma certa miopia americana sobre a importância cultural no resto do mundo - claro que isso vem mudando ao longo dos anos, mas aqui estamos falando de uma cidadezinha do interior de Ohio onde a memória afetiva do local está diretamente ligada a um símbolo do capitalismo americano: a GM. Imagine, no entanto, que graças a globalização, esse cenário passe a impactar diretamente no inconsciente coletivo já que agora, os nativos estão à mercê dos imigrantes. Opa, mas isso seria possível depois do eterno discurso sobre o "american way of life" que ajudou a construir uma sociedade onde os subempregos eram relegados aos imigrantes e não aos americanos?

É nessa dicotomia que "Indústria Americana", dos diretores Steven Bognar e Julia Reichert, tenta equilibrar a formalidade do assunto com um interesse "sincero" pelas vidas - e aqui não me soou um "filme denúncia" e sim uma provocação das mais pertinentes nos dias de hoje. Se os executivos americanos da filial chinesa não conseguem alinhar a nova cultura com seus próprios compatriotas, por que não trazer um executivo chinês para jogar na cara desses mesmos americanos que seu povo é, de fato, melhor e mais produtivo? Esses embates são muito bem conduzidos pelo roteiro e vai fazendo com que nossa opinião vá mudando a cada nova situação - e talvez a melhor conclusão seja que ambos os lados estavam certos dentro o seu contexto cultural, mas muito errados ao não olhar o "diferente".

Existe uma tendência do filme pintar os chineses como tipos desumanizados, capitalistas, opressores e robotizados pelo pensamento industrial, em contraponto ao calor amigável e familiar do americano do Centro-Oeste - o que traz uma ironia genial para a história. Quando Bognar e Reichert enxergam esse potencial, naturalmente eles se afastam do estilo espalhafatoso Michael Moore retratava os trabalhadores de colarinho azul nos seus primeiros documentários, e fortalecem sua identidade.

Se alguém ainda tiver dúvida sobre a importância da cultura dentro de uma organização e a necessidade de adaptações nos processos e na comunicação durante a internacionalização, não perca tempo e dê o play - esse documentário mostra "da pior forma possível" como as diferenças podem destruir uma enorme oportunidade (para os dois lados)!

Vale muito a pena!

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"Indústria Americana" é um recorte dos mais interessantes sobre o que não se deve fazer em um processo de internacionalização de uma empresa (ou no caso de uma indústria). O documentário vencedor do Oscar de 2020 é tão bem construído que fica tão evidente o choque cultural que, sinceramente, é impossível definir quem é o mocinho e quem é o bandido - e isso nos provoca uma excelente reflexão, já que em grande parte da história ouvimos sempre os dois lados.

No Estado de Ohio, durante um grande momento pós-industrial, um chinês bilionário se aproveita de um terreno abandonado da General Motors para criar uma filial da sua empresa de vidros automotivos, Fuyao, com a intenção de realizar uma grande mudança no cenário de Dayton (e obviamente lucrar muito com isso), após milhares de pessoas perderem emprego. Com a contratação de mais de dois mil trabalhadores locais, as perspectivas para cidade se amplificam, porém a cultura corporativa dos dois países são muito diferentes e é nesse momento que os embates ficam ainda mais sérios. Confira o trailer:

É inegável que existe uma certa miopia americana sobre a importância cultural no resto do mundo - claro que isso vem mudando ao longo dos anos, mas aqui estamos falando de uma cidadezinha do interior de Ohio onde a memória afetiva do local está diretamente ligada a um símbolo do capitalismo americano: a GM. Imagine, no entanto, que graças a globalização, esse cenário passe a impactar diretamente no inconsciente coletivo já que agora, os nativos estão à mercê dos imigrantes. Opa, mas isso seria possível depois do eterno discurso sobre o "american way of life" que ajudou a construir uma sociedade onde os subempregos eram relegados aos imigrantes e não aos americanos?

É nessa dicotomia que "Indústria Americana", dos diretores Steven Bognar e Julia Reichert, tenta equilibrar a formalidade do assunto com um interesse "sincero" pelas vidas - e aqui não me soou um "filme denúncia" e sim uma provocação das mais pertinentes nos dias de hoje. Se os executivos americanos da filial chinesa não conseguem alinhar a nova cultura com seus próprios compatriotas, por que não trazer um executivo chinês para jogar na cara desses mesmos americanos que seu povo é, de fato, melhor e mais produtivo? Esses embates são muito bem conduzidos pelo roteiro e vai fazendo com que nossa opinião vá mudando a cada nova situação - e talvez a melhor conclusão seja que ambos os lados estavam certos dentro o seu contexto cultural, mas muito errados ao não olhar o "diferente".

Existe uma tendência do filme pintar os chineses como tipos desumanizados, capitalistas, opressores e robotizados pelo pensamento industrial, em contraponto ao calor amigável e familiar do americano do Centro-Oeste - o que traz uma ironia genial para a história. Quando Bognar e Reichert enxergam esse potencial, naturalmente eles se afastam do estilo espalhafatoso Michael Moore retratava os trabalhadores de colarinho azul nos seus primeiros documentários, e fortalecem sua identidade.

Se alguém ainda tiver dúvida sobre a importância da cultura dentro de uma organização e a necessidade de adaptações nos processos e na comunicação durante a internacionalização, não perca tempo e dê o play - esse documentário mostra "da pior forma possível" como as diferenças podem destruir uma enorme oportunidade (para os dois lados)!

Vale muito a pena!

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Inspiration4 - Viagem Estelar

Inspiration4 - Viagem Estelar

Seria muita ingenuidade acreditar que a minissérie documental da Netflix, "Inspiration4 - Viagem Estelar", não se trata de um entretenimento de marca da Space X de Elon Musk . O fato é que essa característica em momento algum deve ser observada como demérito, pois os cinco episódios são simplesmente sensacionais! Imagine, estamos testemunhando algo grandioso, que há pouco tempo soaria loucura - são quatro civis indo para o espaço, acima da estação espacial e ainda por três dias.

Em setembro de 2021, uma jovem tripulação se lançou ao espaço visando, aproximadamente, uma órbita de 575 km, voando mais longe da Terra do que qualquer ser humano desde o Hubble. Liderada e comandada por Jared Isaacman, fundador e CEO da Shift4 Payments, a missão SpaceX Dragon, chamada Inspiration4, fez história. Dirigida pelo vencedor do Emmy Award, Jason Hehir (The Last Dance), a produção teve acesso exclusivo à missão, mostrando os bastidores onde os quatro membros da tripulação arrecadaram fundos e conscientizaram as pessoas para o trabalho feito pelo St. Jude Children’s Research Hospital. De sua seleção não convencional ao treinamento intensivo para astronautas que durou meses, passando por momentos íntimos que antecederam a decolagem, acompanhamos os sonhos que se tornaram realidade - com todos os desafios mentais, físicos e emocionais que vieram junto com eles. Confira o trailer (em inglês):

Como em "The Last Dance", Hehir dá um verdadeiro show ao nos colocar ao lado de cada um dos escolhidos para a missão! Não se trata apenas de acompanhar o dia a dia dos tripulantes até o lançamento, mas sim de dividir seus sentimentos a cada nova etapa dessa preparação. A forma como o diretor construiu a narrativa, equilibrando depoimentos dos protagonistas com as histórias da conquista espacial e de quem participou (e participa) desse movimento, é simplesmente sensacional - eu diria que é uma aula de storytelling com toques de MBA de liderança.

"Inspiration4 - Viagem Estelar" é muito (mas, muito) bem produzida - reparem na qualidade da fotografia do diretor Thomas McCallum, na montagem de Kimberly Brown, Devin Concannon, Paul Frost e Gabriel Garton, e até, claro, na trilha sonora que é simplesmente perfeita. É impressionante como a união desses três elementos, mais a direção de Hehir, cria uma atmosfera de expectativa, insegurança, nostalgia e drama, tão emocional, que vivenciamos junto com os protagonistas toda essa jornada única. Olha, não será uma ou duas vezes que você se emocionará - a história de Hayley Arceneaux, por exemplo, é de uma humanidade que acerta em cheio nosso coração!

Aliás, não só a formação da tripulação como a construção do elenco para a minissérie, é algo de se aplaudir de pé - temos tantos pontos para comentar, elogiar e discutir que só colabora com a afirmação de que essa minissérie é realmente imperdível.

Uma curiosidade que pode parecer irrelevante em tempos de streaming, mas que merece ser mencionada: essa produção foi desenvolvida pelaTIME Studios em parceria com a Known, e distribuída exclusivamente pela Netflix em um formato pouco usual para a plataforma: os dois primeiros episódios foram disponibilizados no seu lançamento (dia 6), os outros dois foram lançados uma semana depois e o capítulo final apenas no dia 30 de setembro - e você sabe o que aconteceu entre os dias 13 e 30 de setembro? A viagem espacial que justamente estava sendo documentada ou seja, quem acompanhou a história com base no dia dos lançamentos dos episódios teve a experiência de curtir a jornada da Inspiration4 quase em tempo real. Sensacional!

Vale muito seu play!

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Seria muita ingenuidade acreditar que a minissérie documental da Netflix, "Inspiration4 - Viagem Estelar", não se trata de um entretenimento de marca da Space X de Elon Musk . O fato é que essa característica em momento algum deve ser observada como demérito, pois os cinco episódios são simplesmente sensacionais! Imagine, estamos testemunhando algo grandioso, que há pouco tempo soaria loucura - são quatro civis indo para o espaço, acima da estação espacial e ainda por três dias.

Em setembro de 2021, uma jovem tripulação se lançou ao espaço visando, aproximadamente, uma órbita de 575 km, voando mais longe da Terra do que qualquer ser humano desde o Hubble. Liderada e comandada por Jared Isaacman, fundador e CEO da Shift4 Payments, a missão SpaceX Dragon, chamada Inspiration4, fez história. Dirigida pelo vencedor do Emmy Award, Jason Hehir (The Last Dance), a produção teve acesso exclusivo à missão, mostrando os bastidores onde os quatro membros da tripulação arrecadaram fundos e conscientizaram as pessoas para o trabalho feito pelo St. Jude Children’s Research Hospital. De sua seleção não convencional ao treinamento intensivo para astronautas que durou meses, passando por momentos íntimos que antecederam a decolagem, acompanhamos os sonhos que se tornaram realidade - com todos os desafios mentais, físicos e emocionais que vieram junto com eles. Confira o trailer (em inglês):

Como em "The Last Dance", Hehir dá um verdadeiro show ao nos colocar ao lado de cada um dos escolhidos para a missão! Não se trata apenas de acompanhar o dia a dia dos tripulantes até o lançamento, mas sim de dividir seus sentimentos a cada nova etapa dessa preparação. A forma como o diretor construiu a narrativa, equilibrando depoimentos dos protagonistas com as histórias da conquista espacial e de quem participou (e participa) desse movimento, é simplesmente sensacional - eu diria que é uma aula de storytelling com toques de MBA de liderança.

"Inspiration4 - Viagem Estelar" é muito (mas, muito) bem produzida - reparem na qualidade da fotografia do diretor Thomas McCallum, na montagem de Kimberly Brown, Devin Concannon, Paul Frost e Gabriel Garton, e até, claro, na trilha sonora que é simplesmente perfeita. É impressionante como a união desses três elementos, mais a direção de Hehir, cria uma atmosfera de expectativa, insegurança, nostalgia e drama, tão emocional, que vivenciamos junto com os protagonistas toda essa jornada única. Olha, não será uma ou duas vezes que você se emocionará - a história de Hayley Arceneaux, por exemplo, é de uma humanidade que acerta em cheio nosso coração!

Aliás, não só a formação da tripulação como a construção do elenco para a minissérie, é algo de se aplaudir de pé - temos tantos pontos para comentar, elogiar e discutir que só colabora com a afirmação de que essa minissérie é realmente imperdível.

Uma curiosidade que pode parecer irrelevante em tempos de streaming, mas que merece ser mencionada: essa produção foi desenvolvida pelaTIME Studios em parceria com a Known, e distribuída exclusivamente pela Netflix em um formato pouco usual para a plataforma: os dois primeiros episódios foram disponibilizados no seu lançamento (dia 6), os outros dois foram lançados uma semana depois e o capítulo final apenas no dia 30 de setembro - e você sabe o que aconteceu entre os dias 13 e 30 de setembro? A viagem espacial que justamente estava sendo documentada ou seja, quem acompanhou a história com base no dia dos lançamentos dos episódios teve a experiência de curtir a jornada da Inspiration4 quase em tempo real. Sensacional!

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Linha Reta

Imagine se o Mark Zuckerberg resolvesse criar um projeto que aparentemente parece impossível de realizar por questões tecnológicas e de logística, você investiria nessa ideia? "Linha Reta" (ou "The Hummingbird Project", no original) conta justamente essa história - inclusive com o Zuckerberg da ficção, Jesse Eisenberg, como protagonista.

O filme apresenta Vincent (Eisenberg) e Anton Zaleski (Alexander Skarsgård), funcionários de uma grande corretora que opera na bolsa de valores de Nova York e investe milhões em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias para melhorar sua performance e gerar ainda mais lucro para a empresa graças a essas inovações. Ambiciosos, os dois resolvem se demitir para começar um novo empreendimento que promete revolucionar a maneira como o processo de compra e venda de ações acontece - eles queriam construir um cabo de fibra ótica, em linha reta, entre a Bolsa de Valores do Kansas e a de Nova York que geraria uma velocidade superior ao da concorrência, dando assim uma vantagem importante na escala das negociações. O grande problema: eles não sabiam exatamente se a tecnologia funcionaria com a velocidade que prometiam e se, na prática, seria possível traçar essa linha reta imaginária que cruzaria o país, devido aos desafios geográficos do percurso. Confira o trailer:

Embora o filme seja muito interessante e curioso, ele certamente vai dialogar melhor com aqueles que estão, de alguma forma, envolvidos com o universo do empreendedorismo - são tantas lições que fica até difícil enumerar. Talvez o grande elemento dramático que move a narrativa seja justamente a vontade de transformar uma ideia em algo real, custe o que custar (e no caso foram bilhões de dólares). A linha tênue entre ser resiliente e ser teimoso também está presente, em diferentes formas, na construção da personalidade dos dois personagens - se Vincent é o Steve Jobs, Zaleski é seu Wosniak.

Apesar de o roteiro do canadense Kim Nguyen, que também dirige o filme, conseguir equilibrar uma proposta que mistura a jornada empreendedora com entretenimento (tão bem realizado pela dupla Fincher/Sorkin em "A Rede Social"), a dinâmica da narrativa pode prejudicar a percepção sobre o filme - muitas pessoas vão achar ele lento. Sinceramente não acho que seja o caso. Nguyen também é muito competente tecnicamente, discreto eu diria. Minha única critica diz respeito a direção de atores: ele transformou os personagens de Skarsgård (o nerd, desenvolvedor, introspectivo) e de Salma Hayek (a empresária, ambiciosa, sem escrúpulos) em esteriótipos desnecessários - embora tragam algum alívio cômico para a trama, essa composição gera uma sensação de distanciamento da realidade.

A técnica do PDCA (Promete Depois Corre Atrás) tão comum no meio startupeiro envolve alguns riscos e "Linha Reta" explora muito bem esse elemento, principalmente na relação dos empreendedores com os investidores e depois no impacto que a pressão pelo sucesso (e daquele retorno financeiro prometido) tem na saúde e nas interações com equipe e sócios. O roteiro trabalha muito bem aquele tão falado conceito de "montanha russa" da jornada, onde o tempo e a concorrência podem se tornar definir o sucesso ou o fracasso, e por essa razão não acho que o filme seja sobre "ganância", mas sim sobre "limites" (ou a falta deles) para ser a primeira ou a melhor solução para um problema.

Vale muito o seu play!

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Imagine se o Mark Zuckerberg resolvesse criar um projeto que aparentemente parece impossível de realizar por questões tecnológicas e de logística, você investiria nessa ideia? "Linha Reta" (ou "The Hummingbird Project", no original) conta justamente essa história - inclusive com o Zuckerberg da ficção, Jesse Eisenberg, como protagonista.

O filme apresenta Vincent (Eisenberg) e Anton Zaleski (Alexander Skarsgård), funcionários de uma grande corretora que opera na bolsa de valores de Nova York e investe milhões em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias para melhorar sua performance e gerar ainda mais lucro para a empresa graças a essas inovações. Ambiciosos, os dois resolvem se demitir para começar um novo empreendimento que promete revolucionar a maneira como o processo de compra e venda de ações acontece - eles queriam construir um cabo de fibra ótica, em linha reta, entre a Bolsa de Valores do Kansas e a de Nova York que geraria uma velocidade superior ao da concorrência, dando assim uma vantagem importante na escala das negociações. O grande problema: eles não sabiam exatamente se a tecnologia funcionaria com a velocidade que prometiam e se, na prática, seria possível traçar essa linha reta imaginária que cruzaria o país, devido aos desafios geográficos do percurso. Confira o trailer:

Embora o filme seja muito interessante e curioso, ele certamente vai dialogar melhor com aqueles que estão, de alguma forma, envolvidos com o universo do empreendedorismo - são tantas lições que fica até difícil enumerar. Talvez o grande elemento dramático que move a narrativa seja justamente a vontade de transformar uma ideia em algo real, custe o que custar (e no caso foram bilhões de dólares). A linha tênue entre ser resiliente e ser teimoso também está presente, em diferentes formas, na construção da personalidade dos dois personagens - se Vincent é o Steve Jobs, Zaleski é seu Wosniak.

Apesar de o roteiro do canadense Kim Nguyen, que também dirige o filme, conseguir equilibrar uma proposta que mistura a jornada empreendedora com entretenimento (tão bem realizado pela dupla Fincher/Sorkin em "A Rede Social"), a dinâmica da narrativa pode prejudicar a percepção sobre o filme - muitas pessoas vão achar ele lento. Sinceramente não acho que seja o caso. Nguyen também é muito competente tecnicamente, discreto eu diria. Minha única critica diz respeito a direção de atores: ele transformou os personagens de Skarsgård (o nerd, desenvolvedor, introspectivo) e de Salma Hayek (a empresária, ambiciosa, sem escrúpulos) em esteriótipos desnecessários - embora tragam algum alívio cômico para a trama, essa composição gera uma sensação de distanciamento da realidade.

A técnica do PDCA (Promete Depois Corre Atrás) tão comum no meio startupeiro envolve alguns riscos e "Linha Reta" explora muito bem esse elemento, principalmente na relação dos empreendedores com os investidores e depois no impacto que a pressão pelo sucesso (e daquele retorno financeiro prometido) tem na saúde e nas interações com equipe e sócios. O roteiro trabalha muito bem aquele tão falado conceito de "montanha russa" da jornada, onde o tempo e a concorrência podem se tornar definir o sucesso ou o fracasso, e por essa razão não acho que o filme seja sobre "ganância", mas sim sobre "limites" (ou a falta deles) para ser a primeira ou a melhor solução para um problema.

Vale muito o seu play!

Assista Agora

Marvel Stories

Muito na linha de "A História da Pixar" e "A História do Imagineering", chegou na Globoplay (atenção: não no Disney+) um excelente documentário francês de 2016 que conta em quatro atos como a Marvel se reinventou e transformou o mercado depois de quase falir entre os anos 80 e 90, surfando no crescimento da cultura pop e inovando na forma e nas estratégias de contar histórias - porém, o mais interessante do filme é seu enfoque mercadológico e não necessariamente os processos criativos, assunto que encontramos em outros documentários como no ótimo "Marvel 616" (esse sim da Disney+).

"Marvel Stories" é quase um recorte da jornada corporativa da Marvel Comics do caos ao seu processo de ascensão e criação da Marvel Studios. Dividido em quatro temas, os diretores Philippe Guedj e Philippe Roure criam uma dinâmica narrativa bastante competente que expõe muitas das decisões e disputas que fizeram a Marvel renascer das cinzas. Embora seja um documentário de 2016, algumas passagens explicam exatamente o que vemos té hoje dentro do MCU, fazendo um paralelo com a mudança de status das HQs que trouxeram novos leitores, colecionadores e que, de alguma forma, ajudaram a salvar a empresa e a remodelar o negócio.

Uma das lições mais importantes, um pouco batida até, mas muito relevante no contexto, diz respeito a como o roteiro foi capaz de dar uma exata (e clara) noção de como uma empresa tem a necessidade de se reinventar a todo momento, independente do mercado, do tamanho e do passado glorioso!

Veja, se a DC dominava o mercado de HQs nos anos 60 e 70 e pioneira na produção de filmes de heróis, foi Marvel que colocou a importância de propriedade intelectual (IP) em outro patamar, mesmo que meio por acaso. O documentário detalhada muito bem esse processo e as estratégias desesperadas dos executivos para recuperar o controle de seus personagens e histórias. Os depoimentos de artistas e dos executivos que lideraram essas mudanças e bancaram algumas ideias que pareciam malucas na época, ajudam a posicionar cada uma das vitórias da empresa em uma linha do tempo e com pilares muito particulares: no primeiro ato, por exemplo, conhecemos os bastidores das negociações entre banqueiros e executivos de Wall Street pelo controle da empresa. Já no segundo ato o mergulho é no crescimento e nas transformações do mercado de cultura pop e como a Marvel entendeu essa oportunidade. No terceiro, o mais fraco na minha opinião (embora curioso), é discutido a relação histórica que Nova York tem com a Marvel, com as obras e com o mercado editorial. E finalmente o quarto e último ato, assistimos a migração da estratégia de crescimento da empresa que antes focava nas HQs e passa a valorizar seus IPs - que lhe rendeu, inclusive, a venda para a Disney, uma enorme e sustentável receita em licenciamentos e uma nova geração de Filmes com enorme sucesso em Hollywood.

O fato é que o documentário vai interessar mais aqueles curiosos e empreendedores do que o fãs de heróis. Não que seja um produto chato para os fãs, mas o enfoque é no negócio, não nas obras ou nos personagens. Fica claro porém, que essa história merecia um pouco mais de tempo, para que mais curiosidades pudessem ser desenvolvidas. São muitos detalhes interessantes e a presença de personalidades importantes como Avi Arad, Mark Millar, Harvey Miller (entre outros) poderia ter sido melhor aproveitada - certamente uma minissérie como "GDLK" funcionaria melhor, principalmente para quem já leu Marvel Comics - a História Secreta, que, aliás, recomendo para quem gostar do filme.

Vale a pena! 

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Muito na linha de "A História da Pixar" e "A História do Imagineering", chegou na Globoplay (atenção: não no Disney+) um excelente documentário francês de 2016 que conta em quatro atos como a Marvel se reinventou e transformou o mercado depois de quase falir entre os anos 80 e 90, surfando no crescimento da cultura pop e inovando na forma e nas estratégias de contar histórias - porém, o mais interessante do filme é seu enfoque mercadológico e não necessariamente os processos criativos, assunto que encontramos em outros documentários como no ótimo "Marvel 616" (esse sim da Disney+).

"Marvel Stories" é quase um recorte da jornada corporativa da Marvel Comics do caos ao seu processo de ascensão e criação da Marvel Studios. Dividido em quatro temas, os diretores Philippe Guedj e Philippe Roure criam uma dinâmica narrativa bastante competente que expõe muitas das decisões e disputas que fizeram a Marvel renascer das cinzas. Embora seja um documentário de 2016, algumas passagens explicam exatamente o que vemos té hoje dentro do MCU, fazendo um paralelo com a mudança de status das HQs que trouxeram novos leitores, colecionadores e que, de alguma forma, ajudaram a salvar a empresa e a remodelar o negócio.

Uma das lições mais importantes, um pouco batida até, mas muito relevante no contexto, diz respeito a como o roteiro foi capaz de dar uma exata (e clara) noção de como uma empresa tem a necessidade de se reinventar a todo momento, independente do mercado, do tamanho e do passado glorioso!

Veja, se a DC dominava o mercado de HQs nos anos 60 e 70 e pioneira na produção de filmes de heróis, foi Marvel que colocou a importância de propriedade intelectual (IP) em outro patamar, mesmo que meio por acaso. O documentário detalhada muito bem esse processo e as estratégias desesperadas dos executivos para recuperar o controle de seus personagens e histórias. Os depoimentos de artistas e dos executivos que lideraram essas mudanças e bancaram algumas ideias que pareciam malucas na época, ajudam a posicionar cada uma das vitórias da empresa em uma linha do tempo e com pilares muito particulares: no primeiro ato, por exemplo, conhecemos os bastidores das negociações entre banqueiros e executivos de Wall Street pelo controle da empresa. Já no segundo ato o mergulho é no crescimento e nas transformações do mercado de cultura pop e como a Marvel entendeu essa oportunidade. No terceiro, o mais fraco na minha opinião (embora curioso), é discutido a relação histórica que Nova York tem com a Marvel, com as obras e com o mercado editorial. E finalmente o quarto e último ato, assistimos a migração da estratégia de crescimento da empresa que antes focava nas HQs e passa a valorizar seus IPs - que lhe rendeu, inclusive, a venda para a Disney, uma enorme e sustentável receita em licenciamentos e uma nova geração de Filmes com enorme sucesso em Hollywood.

O fato é que o documentário vai interessar mais aqueles curiosos e empreendedores do que o fãs de heróis. Não que seja um produto chato para os fãs, mas o enfoque é no negócio, não nas obras ou nos personagens. Fica claro porém, que essa história merecia um pouco mais de tempo, para que mais curiosidades pudessem ser desenvolvidas. São muitos detalhes interessantes e a presença de personalidades importantes como Avi Arad, Mark Millar, Harvey Miller (entre outros) poderia ter sido melhor aproveitada - certamente uma minissérie como "GDLK" funcionaria melhor, principalmente para quem já leu Marvel Comics - a História Secreta, que, aliás, recomendo para quem gostar do filme.

Vale a pena! 

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Mercado de Capitais

"Mercado de Capitais" já sai perdendo logo de cara por não traduzir o título original (Equity) de uma forma mais atraente e criativa. É claro que o fato de não atrair o assinante, não desmerece o filme - ele é bom como entretenimento. É possível encontrar vários momentos interessantes com uma forte protagonista feminina (Anna Gunn de "Breaking Bad"), mas que precisa se esforçar para aliviar um roteiro cheio de clichês e esteriótipos - esse me pareceu o único problema do filme.

"Mercado de Capitais" tem um argumento interessante e um cenário relevante hoje em dia, pois conta a história de Naomi Bishop (Gunn), dona de um alto cargo em um banco de investimentos americano, especializada em IPOs. A caminho de uma esperada promoção, ela precisa lidar com um erro de avaliação em seu último processo de abertura de capital que custou milhões de dólares para sua empresa e um pesado rótulo na sua vida profissional. Confira o trailer:

Vale dizer que o filme mostra um lado menos romântico do mercado de investimentos e isso tem o seu valor, mas a falta de consistência do roteiro, se aprofundar um pouco mais, melhorar alguns diálogos completamente fora de propósito e equilibrar uma necessidade enorme de levantar uma bandeira feminista, tudo isso prejudica muito a estrutura narrativa, mas ainda assim não destrói o filme. Talvez o ponto alto seja o final do segundo ato e o terceiro ato inteiro -  isso nos trás uma sensação agradável ao terminar o filme, o que preocupa é se o assinante terá paciência de chegar até lá! 

"Mercado de Capitais" deixa claro que pretende focar no empoderamento feminino em um ambiente dominado por homens. Até aí nenhum problema, porém a forma como essa dinâmica é apresentada soa tão forçado que mais nos afastamos, do que entendemos o valor da proposta. Mas é preciso dizer também, que o roteiro foi muito feliz em não poupar a protagonista de todas suas falhas pessoais e profissionais e de não subverter o óbvio, porém o fato de se apoiar em tantos clichês, acabamos nos interessando muito mais pela fantasia que é construída do que pela realidade dos fatos em si, ou seja, nos divertimos com o filme, mas não nos importamos com a protagonista como deveríamos. 

Grande parte do orçamento do filme foi financiado por mulheres que trabalham ou já trabalharam no mercado financeiro dos EUA. Elas também ajudaram as realizadoras contando suas histórias e as dificuldades de se trabalhar em uma indústria dominada por homens egocêntricos, ambiciosos e poderosos. O filme realmente mostra o potencial que essas histórias tem, porém quando se quer tudo, acaba sem nada - o roteiro da novata Amy Fox é cheio de furos e a direção da Meera Menon vai para o mesmo caminho: se aprofundar em situações que não levam a protagonista a lugar nenhum. De fato "Mercado de Capitais" poderia ser uma série excelente, cheio da reviravoltas, mas se transformou em um filme bom e previsível.

Vale pelo entretenimento e pelo seu final!

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"Mercado de Capitais" já sai perdendo logo de cara por não traduzir o título original (Equity) de uma forma mais atraente e criativa. É claro que o fato de não atrair o assinante, não desmerece o filme - ele é bom como entretenimento. É possível encontrar vários momentos interessantes com uma forte protagonista feminina (Anna Gunn de "Breaking Bad"), mas que precisa se esforçar para aliviar um roteiro cheio de clichês e esteriótipos - esse me pareceu o único problema do filme.

"Mercado de Capitais" tem um argumento interessante e um cenário relevante hoje em dia, pois conta a história de Naomi Bishop (Gunn), dona de um alto cargo em um banco de investimentos americano, especializada em IPOs. A caminho de uma esperada promoção, ela precisa lidar com um erro de avaliação em seu último processo de abertura de capital que custou milhões de dólares para sua empresa e um pesado rótulo na sua vida profissional. Confira o trailer:

Vale dizer que o filme mostra um lado menos romântico do mercado de investimentos e isso tem o seu valor, mas a falta de consistência do roteiro, se aprofundar um pouco mais, melhorar alguns diálogos completamente fora de propósito e equilibrar uma necessidade enorme de levantar uma bandeira feminista, tudo isso prejudica muito a estrutura narrativa, mas ainda assim não destrói o filme. Talvez o ponto alto seja o final do segundo ato e o terceiro ato inteiro -  isso nos trás uma sensação agradável ao terminar o filme, o que preocupa é se o assinante terá paciência de chegar até lá! 

"Mercado de Capitais" deixa claro que pretende focar no empoderamento feminino em um ambiente dominado por homens. Até aí nenhum problema, porém a forma como essa dinâmica é apresentada soa tão forçado que mais nos afastamos, do que entendemos o valor da proposta. Mas é preciso dizer também, que o roteiro foi muito feliz em não poupar a protagonista de todas suas falhas pessoais e profissionais e de não subverter o óbvio, porém o fato de se apoiar em tantos clichês, acabamos nos interessando muito mais pela fantasia que é construída do que pela realidade dos fatos em si, ou seja, nos divertimos com o filme, mas não nos importamos com a protagonista como deveríamos. 

Grande parte do orçamento do filme foi financiado por mulheres que trabalham ou já trabalharam no mercado financeiro dos EUA. Elas também ajudaram as realizadoras contando suas histórias e as dificuldades de se trabalhar em uma indústria dominada por homens egocêntricos, ambiciosos e poderosos. O filme realmente mostra o potencial que essas histórias tem, porém quando se quer tudo, acaba sem nada - o roteiro da novata Amy Fox é cheio de furos e a direção da Meera Menon vai para o mesmo caminho: se aprofundar em situações que não levam a protagonista a lugar nenhum. De fato "Mercado de Capitais" poderia ser uma série excelente, cheio da reviravoltas, mas se transformou em um filme bom e previsível.

Vale pelo entretenimento e pelo seu final!

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Mito e Magnata: John Delorean

Se você, como eu, achava que "DeLorean" era apenas o carro que viajava no tempo em "De Volta para o Futuro", você precisa assistir essa excelente minissérie documental da Netflix, pois a história, te garanto, vai muito além do objeto de desejo de Martin McFly e da genialidade do Doutor Brown.

"Mito e Magnata: John Delorean" explora a ascensão e queda de um prodígio engenheiro executivo da GM que se tornou um verdadeiro ícone do mercado automobilístico ao criar a DeLorean Motors Company. John DeLorean, uma espécie de Elon Musk dos anos 60/70, era um visionário, mas também um personagem carregado deganância e insegurança, que conseguiu criar um império com a mesma velocidade que o viu desabar. Confira o trailer (em inglês):

Em rápidos três episódios de 40 minutos, você vai conhecer o mito John DeLorean em seu palco dizendo frases como: "Não há atalhos para a qualidade" ou "A lealdade e satisfação do cliente são as únicas bases sólidas para crescer nesse mercado", mas também vai conhecer os bastidores (bem menos glamoroso) de um homem cheio de falhas e que se deixou levar pela possibilidade de se tornar uma lenda sem estar ao menos preparado psicologicamente para isso. Quando ele deixou a GM por não acreditar mais nos produtos que a empresa estava criando, seu propósito era muito claro: seria possível inovar de forma muito mais sustentável em um mercado que sofria com a crise do petróleo na década de 70 - aliás, essa história (e a farsa) lembra muito a jornada de Elizabeth Holmes de "A Inventora: À Procura de Sangue no Vale do Silício".

Com entrevistas exclusivas e imagens inéditas gravadas há algum tempo pelo premiado D.A Pennebaker (Bob Dylan: Don’t Look Back), o diretor Mike Connolly faz um verdadeiro estudo de caso sobre a DeLorean Motors Company ao mesmo tempo que analisa o perfil de seu fundador. Os depoimentos de sua ex-esposa e de seu filho nos dias atuais, já evidenciam um final não tão feliz para a jornada empreendedora de John com reflexos diretos na vida pessoal. Eu diria que a minissérie é mais um exemplo do que não se deve fazer ao gerir um negócio promissor do que propriamente uma aula de empreendedorismo.

"Mito e Magnata: John Delorean" é direto, fácil de entender e tem uma narrativa bastante dinâmica para um documentário que transita muito bem entre vida pessoal e profissional, porém deixa alguns assuntos importantes de lado, como os outros casamentos de John após sua falência e a negociação para ter um "DeLorean" no filme que já comentamos. Ao traçar uma linha temporal bastante recortada, mas bem desenvolvida, a minissérie cumpre seu papel de deixar absolutamente claro que a pessoa que estava no palco era uma versão bastante limitada de um executivo que sonhou mais do que realizou, por falta de foco, organização, lealdade e de caráter - e que depois ficou mais claro ainda não tinha a menor condição moral de se tornar uma lenda.

Observação: tenho a impressão que, muito em breve, teremos muito mais histórias como essa, porque o que existe de empreendedor bom de palco e ruim de negócio, é impressionante!

Vale pela aula e pelo entretenimento!

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Se você, como eu, achava que "DeLorean" era apenas o carro que viajava no tempo em "De Volta para o Futuro", você precisa assistir essa excelente minissérie documental da Netflix, pois a história, te garanto, vai muito além do objeto de desejo de Martin McFly e da genialidade do Doutor Brown.

"Mito e Magnata: John Delorean" explora a ascensão e queda de um prodígio engenheiro executivo da GM que se tornou um verdadeiro ícone do mercado automobilístico ao criar a DeLorean Motors Company. John DeLorean, uma espécie de Elon Musk dos anos 60/70, era um visionário, mas também um personagem carregado deganância e insegurança, que conseguiu criar um império com a mesma velocidade que o viu desabar. Confira o trailer (em inglês):

Em rápidos três episódios de 40 minutos, você vai conhecer o mito John DeLorean em seu palco dizendo frases como: "Não há atalhos para a qualidade" ou "A lealdade e satisfação do cliente são as únicas bases sólidas para crescer nesse mercado", mas também vai conhecer os bastidores (bem menos glamoroso) de um homem cheio de falhas e que se deixou levar pela possibilidade de se tornar uma lenda sem estar ao menos preparado psicologicamente para isso. Quando ele deixou a GM por não acreditar mais nos produtos que a empresa estava criando, seu propósito era muito claro: seria possível inovar de forma muito mais sustentável em um mercado que sofria com a crise do petróleo na década de 70 - aliás, essa história (e a farsa) lembra muito a jornada de Elizabeth Holmes de "A Inventora: À Procura de Sangue no Vale do Silício".

Com entrevistas exclusivas e imagens inéditas gravadas há algum tempo pelo premiado D.A Pennebaker (Bob Dylan: Don’t Look Back), o diretor Mike Connolly faz um verdadeiro estudo de caso sobre a DeLorean Motors Company ao mesmo tempo que analisa o perfil de seu fundador. Os depoimentos de sua ex-esposa e de seu filho nos dias atuais, já evidenciam um final não tão feliz para a jornada empreendedora de John com reflexos diretos na vida pessoal. Eu diria que a minissérie é mais um exemplo do que não se deve fazer ao gerir um negócio promissor do que propriamente uma aula de empreendedorismo.

"Mito e Magnata: John Delorean" é direto, fácil de entender e tem uma narrativa bastante dinâmica para um documentário que transita muito bem entre vida pessoal e profissional, porém deixa alguns assuntos importantes de lado, como os outros casamentos de John após sua falência e a negociação para ter um "DeLorean" no filme que já comentamos. Ao traçar uma linha temporal bastante recortada, mas bem desenvolvida, a minissérie cumpre seu papel de deixar absolutamente claro que a pessoa que estava no palco era uma versão bastante limitada de um executivo que sonhou mais do que realizou, por falta de foco, organização, lealdade e de caráter - e que depois ficou mais claro ainda não tinha a menor condição moral de se tornar uma lenda.

Observação: tenho a impressão que, muito em breve, teremos muito mais histórias como essa, porque o que existe de empreendedor bom de palco e ruim de negócio, é impressionante!

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Mythic Quest

"Mythic Quest: Raven's Banquet" é mais uma série de comédia, ao estilo "Silicon Valley" da HBO, que se apoia nos esteriótipos (propositalmente) para replicar o ambiente de trabalho de uma Produtora Desenvolvedora de Games. Para os NERDs, sem a menor dúvida, é uma ótima pedida - a série é cheia de easter eggs, não só do universo de vídeo-games, mas também do cinema, séries e cultura pop; mas é preciso conhecer um pouco sobre esses temas para que várias piadas façam o efeito desejado, mesmo que algumas delas ainda soem completamente fora de contexto. Confira o trailer (em inglês):

Embora a série não seja um procedural, os primeiros episódios tendem a resolver um tema especifico nele próprio - deixando poucas conexões para os seguintes, fazendo com que o elo de ligação entre eles seja, exclusivamente, os personagens. Essa dinâmica narrativa causa uma certa inconstância, que parece diminuir na segunda metade da temporada até o episódio 9 - porque o 10º é só para "cumprir tabela"! "Mythic Quest" oscila muito, mas não deixa de mostrar um enorme potencial - o episódio 5 é, justamente, o maior exemplo disso (reparem)!

Com episódios de 30 minutos, "Mythic Quest" é um entretenimento de nicho com ótimas sacadas e bastante curioso por retratar o processo de desenvolvimento de um game, no caso uma continuação (DLC) chamada "Raven's Banquet", pelos olhos de um diretor de criação egocêntrico (Ian Grimm), de uma chefe de programação pouco reconhecida (Poppy Li), de um produtor executivo inseguro (David Brittlesbee) e de um diretor financeiro ambicioso e muitas vezes inescrupuloso (Brad Bakshi).

Olha, a série é divertida na medida certa, mas com cara de que tem espaço para evoluir muito nas próximas temporadas. Por hora, vale a pena, mas só se você souber a diferença entre um Nintendo e um Mega Drive! É sério!

Assista Agora ou

"Mythic Quest: Raven's Banquet" é mais uma série de comédia, ao estilo "Silicon Valley" da HBO, que se apoia nos esteriótipos (propositalmente) para replicar o ambiente de trabalho de uma Produtora Desenvolvedora de Games. Para os NERDs, sem a menor dúvida, é uma ótima pedida - a série é cheia de easter eggs, não só do universo de vídeo-games, mas também do cinema, séries e cultura pop; mas é preciso conhecer um pouco sobre esses temas para que várias piadas façam o efeito desejado, mesmo que algumas delas ainda soem completamente fora de contexto. Confira o trailer (em inglês):

Embora a série não seja um procedural, os primeiros episódios tendem a resolver um tema especifico nele próprio - deixando poucas conexões para os seguintes, fazendo com que o elo de ligação entre eles seja, exclusivamente, os personagens. Essa dinâmica narrativa causa uma certa inconstância, que parece diminuir na segunda metade da temporada até o episódio 9 - porque o 10º é só para "cumprir tabela"! "Mythic Quest" oscila muito, mas não deixa de mostrar um enorme potencial - o episódio 5 é, justamente, o maior exemplo disso (reparem)!

Com episódios de 30 minutos, "Mythic Quest" é um entretenimento de nicho com ótimas sacadas e bastante curioso por retratar o processo de desenvolvimento de um game, no caso uma continuação (DLC) chamada "Raven's Banquet", pelos olhos de um diretor de criação egocêntrico (Ian Grimm), de uma chefe de programação pouco reconhecida (Poppy Li), de um produtor executivo inseguro (David Brittlesbee) e de um diretor financeiro ambicioso e muitas vezes inescrupuloso (Brad Bakshi).

Olha, a série é divertida na medida certa, mas com cara de que tem espaço para evoluir muito nas próximas temporadas. Por hora, vale a pena, mas só se você souber a diferença entre um Nintendo e um Mega Drive! É sério!

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Não confie em ninguém

"Não existe almoço grátis" - essa é uma expressão que usamos para classificar aqueles investimentos que expõem a ganância de pessoas que acreditam que podem ganhar muito dinheiro, rapidamente e com pouco risco; mas que na verdade não existem. A equação é muito simples: quanto maior o lucro, maior o risco - tudo que for diferente disso, pode desconfiar que tem algo errado. Em "Não confie em ninguém: a caça ao rei das criptomoedas" muitas pessoas embarcaram no hype dessa nova modalidade de investimento, as criptomoedas, e não se preocuparam em fazer a lição de casa de pesquisar sobre a empresa (e seus fundadores) que movimentaria seus ativos. O resultado: golpe!

O documentário além de explorar o misterioso caso da agência de criptomoedas canadense QuadrigaCX (definida por muitos como a maior do país) e a suposta morte do seu fundador Gerald “Gerry” Cotten que gerou um prejuízo de mais de 200  milhões de dólares para seus clientes, também pontua todas as teorias criadas em torno do caso e as investigações que foram feitas na época. Confira o trailer (em inglês):

Muito mais do que criar uma atmosfera conspiratória, "Trust No One: The Hunt for the Crypto King" (no original) funciona como um aviso! Talvez a frase de um dos entrevistados defina muito bem a dicotomia que é embarcar em uma oportunidade que parece única (e que muitos se beneficiam com ela): "eu confio muito mais na tecnologia, do que nas pessoas!". Ao assistir o documentário, original da Netflix, entendemos perfeitamente como Gerry Cotten construiu um império as custas da ingenuidade (e ganância) das pessoas. Seu estilo NERD ajudou a passar uma imagem de confiança, mas seu modo de agir em pouco difere do que fez Bernie Madoff em Wall Street (talvez o volume do golpe, mas acho que vale a comparação) - mais uma vez o Esquema Ponzi entra em ação (para saber mais sobre o assunto, sugiro que assistam "O Mago das Mentiras").

Embora o documentário faça um recorte interessante e fácil de entender sobre o que fez as pessoas passarem a considerar as criptomoedas como possibilidade de diversificação na carteira de investimentos, o diretor Luke Sewell foca mesmo no processo de investigação feito pelos próprios investidores lesados pela QuadrigaCX e por  seu fundador. Obviamente que a morte prematura de Cotten, na Índia e justamente quando as pessoas viam o valor das criptos desabarem, gerou desconfiança. A partir de um grupo de Telegram, essas pessoas iniciam uma verdadeira força-tarefa para tentar reaver o dinheiro (perdido). Um dos personagens mais interessantes atende pelo apelido QCXINT - de máscara e com a voz distorcida, ele dá detalhes de toda a linha do tempo que resultou na resolução de todo mistério. Pela quantia superior a seis dígitos que ele perdeu, e pelo cuidado em nunca mostrar sua identidade, desconfio que seja alguém bem importante que também caiu no golpe.

"Não Confie em Ninguém: A Caça ao Rei da Criptomoeda" é um documentário rápido, de 90 minutos, interessante e dinâmico, além de muito curioso. Se olharmos por uma perspectiva mais antropológica, fica fácil perceber como o ser humano tem a tendência a querer justificar suas falhas (ou seus erros de julgamento) através da genialidade de quem conseguiu engana-lo. Muito mais do que genial, talvez a esperteza seja a qualidade de quem engana ao tocar no ponto que mais faz o olho da vitima brilhar: normalmente dinheiro fácil ou poder. A reflexão é boa, e o documentário também!

Vale o seu play!

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"Não existe almoço grátis" - essa é uma expressão que usamos para classificar aqueles investimentos que expõem a ganância de pessoas que acreditam que podem ganhar muito dinheiro, rapidamente e com pouco risco; mas que na verdade não existem. A equação é muito simples: quanto maior o lucro, maior o risco - tudo que for diferente disso, pode desconfiar que tem algo errado. Em "Não confie em ninguém: a caça ao rei das criptomoedas" muitas pessoas embarcaram no hype dessa nova modalidade de investimento, as criptomoedas, e não se preocuparam em fazer a lição de casa de pesquisar sobre a empresa (e seus fundadores) que movimentaria seus ativos. O resultado: golpe!

O documentário além de explorar o misterioso caso da agência de criptomoedas canadense QuadrigaCX (definida por muitos como a maior do país) e a suposta morte do seu fundador Gerald “Gerry” Cotten que gerou um prejuízo de mais de 200  milhões de dólares para seus clientes, também pontua todas as teorias criadas em torno do caso e as investigações que foram feitas na época. Confira o trailer (em inglês):

Muito mais do que criar uma atmosfera conspiratória, "Trust No One: The Hunt for the Crypto King" (no original) funciona como um aviso! Talvez a frase de um dos entrevistados defina muito bem a dicotomia que é embarcar em uma oportunidade que parece única (e que muitos se beneficiam com ela): "eu confio muito mais na tecnologia, do que nas pessoas!". Ao assistir o documentário, original da Netflix, entendemos perfeitamente como Gerry Cotten construiu um império as custas da ingenuidade (e ganância) das pessoas. Seu estilo NERD ajudou a passar uma imagem de confiança, mas seu modo de agir em pouco difere do que fez Bernie Madoff em Wall Street (talvez o volume do golpe, mas acho que vale a comparação) - mais uma vez o Esquema Ponzi entra em ação (para saber mais sobre o assunto, sugiro que assistam "O Mago das Mentiras").

Embora o documentário faça um recorte interessante e fácil de entender sobre o que fez as pessoas passarem a considerar as criptomoedas como possibilidade de diversificação na carteira de investimentos, o diretor Luke Sewell foca mesmo no processo de investigação feito pelos próprios investidores lesados pela QuadrigaCX e por  seu fundador. Obviamente que a morte prematura de Cotten, na Índia e justamente quando as pessoas viam o valor das criptos desabarem, gerou desconfiança. A partir de um grupo de Telegram, essas pessoas iniciam uma verdadeira força-tarefa para tentar reaver o dinheiro (perdido). Um dos personagens mais interessantes atende pelo apelido QCXINT - de máscara e com a voz distorcida, ele dá detalhes de toda a linha do tempo que resultou na resolução de todo mistério. Pela quantia superior a seis dígitos que ele perdeu, e pelo cuidado em nunca mostrar sua identidade, desconfio que seja alguém bem importante que também caiu no golpe.

"Não Confie em Ninguém: A Caça ao Rei da Criptomoeda" é um documentário rápido, de 90 minutos, interessante e dinâmico, além de muito curioso. Se olharmos por uma perspectiva mais antropológica, fica fácil perceber como o ser humano tem a tendência a querer justificar suas falhas (ou seus erros de julgamento) através da genialidade de quem conseguiu engana-lo. Muito mais do que genial, talvez a esperteza seja a qualidade de quem engana ao tocar no ponto que mais faz o olho da vitima brilhar: normalmente dinheiro fácil ou poder. A reflexão é boa, e o documentário também!

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Nerve

Se estiver com saudades daquele "Black Mirror" raiz, assista esse filme. "Nerve" acompanha a tímida Vee DeMarco (Emma Roberts), uma garota comum, prestes a sair do ensino médio que sonha em ir para a faculdade. Após uma discussão com sua até então amiga Sydney (Emily Meade), ela resolve provar que tem atitude e decide se inscrever no Nerve, um jogo online onde as pessoas precisam executar tarefas criadas pelos próprios usuários. O Nerve é dividido entre observadores e jogadores, sendo que os primeiros decidem as tarefas a serem realizadas e os demais as executam (ou não). Logo em seu primeiro desafio Vee conhece Ian (Dave Franco), um jogador de passado obscuro e juntos, eles logo caem nas graças dos observadores, que passam a enviar cada vez mais tarefas e sempre aumentando a dificuldade até chegar em níveis inimagináveis. Confira o trailer:

De fato "Nerve" é entretenimento puro, muito divertido e se não fossem os 10 minutos finais poderia, realmente, ser um episódio de Black Mirror tranquilamente! Olha, eu diria que o que vemos na tela é até mais real do que a ficção pode imaginar, e acho que esse é o grande trunfo do roteiro. A maneira como a trama foi filmada pelos diretores Henry Joost e Ariel Schulman (de "Viral" e da já anunciada adaptação de "Megaman") cria uma dinâmica muito interessante para o filme, principalmente com as aplicações gráficas completamente alinhadas com a linguagem tecnologia que os jovens se identificam. A fotografia é outro elemento que merece destaque: ela tem muita personalidade para um gênero que não se apoia nesse tipo de arte, o mérito é do diretor Michael Simmonds (de "Atividade Paranormal 2"). Os atores Emma Roberts e Dave Franco não comprometem e se sustentam na química natural entre eles - funciona bem!

Embora seja um filme notavelmente voltado para o publico jovem, gostei muito do que assisti - um equilíbrio perfeito entre ação e ficção sem soar piegas ao trazer para o universo adolescente, meu único "porém" é para a resolução do terceiro ato: poderia tranquilamente ter terminado antes ou arriscado em um final menos novelesco. Fora isso vale muito pelo ótimo entretenimento despretensioso.

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Se estiver com saudades daquele "Black Mirror" raiz, assista esse filme. "Nerve" acompanha a tímida Vee DeMarco (Emma Roberts), uma garota comum, prestes a sair do ensino médio que sonha em ir para a faculdade. Após uma discussão com sua até então amiga Sydney (Emily Meade), ela resolve provar que tem atitude e decide se inscrever no Nerve, um jogo online onde as pessoas precisam executar tarefas criadas pelos próprios usuários. O Nerve é dividido entre observadores e jogadores, sendo que os primeiros decidem as tarefas a serem realizadas e os demais as executam (ou não). Logo em seu primeiro desafio Vee conhece Ian (Dave Franco), um jogador de passado obscuro e juntos, eles logo caem nas graças dos observadores, que passam a enviar cada vez mais tarefas e sempre aumentando a dificuldade até chegar em níveis inimagináveis. Confira o trailer:

De fato "Nerve" é entretenimento puro, muito divertido e se não fossem os 10 minutos finais poderia, realmente, ser um episódio de Black Mirror tranquilamente! Olha, eu diria que o que vemos na tela é até mais real do que a ficção pode imaginar, e acho que esse é o grande trunfo do roteiro. A maneira como a trama foi filmada pelos diretores Henry Joost e Ariel Schulman (de "Viral" e da já anunciada adaptação de "Megaman") cria uma dinâmica muito interessante para o filme, principalmente com as aplicações gráficas completamente alinhadas com a linguagem tecnologia que os jovens se identificam. A fotografia é outro elemento que merece destaque: ela tem muita personalidade para um gênero que não se apoia nesse tipo de arte, o mérito é do diretor Michael Simmonds (de "Atividade Paranormal 2"). Os atores Emma Roberts e Dave Franco não comprometem e se sustentam na química natural entre eles - funciona bem!

Embora seja um filme notavelmente voltado para o publico jovem, gostei muito do que assisti - um equilíbrio perfeito entre ação e ficção sem soar piegas ao trazer para o universo adolescente, meu único "porém" é para a resolução do terceiro ato: poderia tranquilamente ter terminado antes ou arriscado em um final menos novelesco. Fora isso vale muito pelo ótimo entretenimento despretensioso.

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O Canto do Cisne

"O Canto do Cisne" é um filme sobre a "dor da despedida"! Mesmo fantasiada de ficção científica ao melhor estilo "Black Mirror", essa produção original da Apple é um drama dos mais profundos, onde uma trama aparentemente simples, vai se construindo em um complexo estudo de personagem, tocando em assuntos extremamente sensíveis e provocando discussões que vão da "ética" ao "perdão". Além de muito elegante cinematograficamente, estamos diante de mais uma aula de interpretação de Mahershala Ali!

Ambientado em um futuro próximo, "O Canto do Cisne" conta a história de uma jornada emocionante e poderosa pelo ponto de vista de Cameron (Mahershala Ali), um pai e marido amoroso que acaba de ser diagnosticado com uma doença terminal, mas que recebe de sua médica Dr. Jo Scott (Glenn Close) uma solução alternativapara proteger a família do luto. Enquanto Cam luta para decidir qual será o destino da família, ele aprende mais sobre a vida e o amor do que jamais havia imaginado. Confira o trailer (em inglês):

Existe uma sensibilidade em "O Canto do Cisne" que envolve a audiência sem precisar se apoiar em nenhum tipo de atalho para nos tocar fundo. As relações entre os personagens que o talentoso diretor Benjamin Cleary (vencedor do Oscar com seu curta-metragem "Stutterer" em 2016) vai estabelecendo, dita a cadência exata da narrativa com muita identidade e elegância. Se visualmente o filme chama atenção pela qualidade da fotografia do Masanobu Takayanagi (de "Spotlight: Segredos Revelados" e "O Lado bom da Vida") e pelo desenho de produção futurista da sempre incrível Annie Beauchamp (de "Moulin Rouge" e, claro, "Black Mirror"), é no roteiro do próprio Cleary e na montagem do Nathan Nugent (de "Normal People") que o filme sai do óbvio e brilha.

Lidar com uma decisão tão importante, que é fortemente acompanhada por inúmeras dúvidas existenciais, espirituais e, principalmente, pela difícil tarefa de redefinir a singularidade da essência do ser humano, faz de Cameron um personagem extremamente complexo, além de ser um presente para Mahershala Ali - já que o ator precisa se "duplicar" para servir de contraponto ético com o outro lado da história, a do seu clone Jack. Se a narrativa se apoia na ficção da transferência das memórias ou no aprendizado de uma inteligência artificial para discutir os principais elementos que definem o indivíduo, é no sentimento mais profundo de uma "saudade" que está por vir, que realmente nos conectamos com os dramas emocionais do personagem - e aqui cabe um comentário: mesmo com uma participação bem pontual, Awkwafina (e sua Kate) está perfeita. Ela funciona como uma espécie de catalisadora desse sentimento de vazio. 

O fato é que "O Canto do Cisne" tem uma premissa muito parecida com um dos episódios da série "Solos"da Prime Vídeo, onde o ator Anthony Mackie também se relaciona com um novo produto tecnológico para evitar o sofrimento do "luto", porém aqui ampliamos as discussões trazendo ótimas referências na linha de "Ex-Machina" e "Black Mirror", mas sem esquecer da "alma" de "Tales from the Loop".

Vale muito a pena, mas saiba que estamos falando de um drama, sem nenhuma intenção de criar qualquer cena de ação - o que importa são as relações, com o outro e consigo mesmo!

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"O Canto do Cisne" é um filme sobre a "dor da despedida"! Mesmo fantasiada de ficção científica ao melhor estilo "Black Mirror", essa produção original da Apple é um drama dos mais profundos, onde uma trama aparentemente simples, vai se construindo em um complexo estudo de personagem, tocando em assuntos extremamente sensíveis e provocando discussões que vão da "ética" ao "perdão". Além de muito elegante cinematograficamente, estamos diante de mais uma aula de interpretação de Mahershala Ali!

Ambientado em um futuro próximo, "O Canto do Cisne" conta a história de uma jornada emocionante e poderosa pelo ponto de vista de Cameron (Mahershala Ali), um pai e marido amoroso que acaba de ser diagnosticado com uma doença terminal, mas que recebe de sua médica Dr. Jo Scott (Glenn Close) uma solução alternativapara proteger a família do luto. Enquanto Cam luta para decidir qual será o destino da família, ele aprende mais sobre a vida e o amor do que jamais havia imaginado. Confira o trailer (em inglês):

Existe uma sensibilidade em "O Canto do Cisne" que envolve a audiência sem precisar se apoiar em nenhum tipo de atalho para nos tocar fundo. As relações entre os personagens que o talentoso diretor Benjamin Cleary (vencedor do Oscar com seu curta-metragem "Stutterer" em 2016) vai estabelecendo, dita a cadência exata da narrativa com muita identidade e elegância. Se visualmente o filme chama atenção pela qualidade da fotografia do Masanobu Takayanagi (de "Spotlight: Segredos Revelados" e "O Lado bom da Vida") e pelo desenho de produção futurista da sempre incrível Annie Beauchamp (de "Moulin Rouge" e, claro, "Black Mirror"), é no roteiro do próprio Cleary e na montagem do Nathan Nugent (de "Normal People") que o filme sai do óbvio e brilha.

Lidar com uma decisão tão importante, que é fortemente acompanhada por inúmeras dúvidas existenciais, espirituais e, principalmente, pela difícil tarefa de redefinir a singularidade da essência do ser humano, faz de Cameron um personagem extremamente complexo, além de ser um presente para Mahershala Ali - já que o ator precisa se "duplicar" para servir de contraponto ético com o outro lado da história, a do seu clone Jack. Se a narrativa se apoia na ficção da transferência das memórias ou no aprendizado de uma inteligência artificial para discutir os principais elementos que definem o indivíduo, é no sentimento mais profundo de uma "saudade" que está por vir, que realmente nos conectamos com os dramas emocionais do personagem - e aqui cabe um comentário: mesmo com uma participação bem pontual, Awkwafina (e sua Kate) está perfeita. Ela funciona como uma espécie de catalisadora desse sentimento de vazio. 

O fato é que "O Canto do Cisne" tem uma premissa muito parecida com um dos episódios da série "Solos"da Prime Vídeo, onde o ator Anthony Mackie também se relaciona com um novo produto tecnológico para evitar o sofrimento do "luto", porém aqui ampliamos as discussões trazendo ótimas referências na linha de "Ex-Machina" e "Black Mirror", mas sem esquecer da "alma" de "Tales from the Loop".

Vale muito a pena, mas saiba que estamos falando de um drama, sem nenhuma intenção de criar qualquer cena de ação - o que importa são as relações, com o outro e consigo mesmo!

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O Céu da Meia-Noite

"O Céu da Meia-Noite" é uma difícil adaptação do livro "Good Morning, Midnight " da norte-americana Lily Brooks-Dalton, que trás elementos narrativos similares a filmes como, por exemplo, "Interestelar" (2014), para compor uma história de Ficção Científica, mas que fala mesmo é sobre "solidão" (e, talvez, sobre a necessidade de se perdoar como ser humano e como humanidade) - isso vai ficar muito claro no terceiro ato do filme!

Dirigido e protagonizado pelo George Clooney, o filme acompanha Augustine, um solitário cientista que precisa se comunicar com uma equipe de astronautas que estão em uma missão no espaço e assim impedir que eles retornem para a Terra em meio a uma misteriosa catástrofe ambiental que praticamente dizimou a humanidade. Confira o trailer:

"O Céu da Meia-Noite" é um ótimo entretenimento, mas certamente vai dividir opiniões. Veja, o filme tem cenas de ação que criam aquele senso de urgência, mas também se apoia muito no sentimentalismo e na necessidade de passar uma mensagem de esperança, que, na minha opinião, pareceu sem tanta profundidade e o propósito (até filosófico) de "Interestelar". O que eu quero dizer é que a própria dinâmica narrativa impediu um aprofundamento maior nos dramas de vários personagens (e muitos deles são completamente dispensáveis), já que a história é contada a partir de dois grandes arcos principais: o de Augustine na Terra e o de Sully (Felicity Jones), junto com os astronautas, no espaço - é muita coisa para apenas duas horas de filme! Embora o roteiro use alguns atalhos para minimizar esse problema e nos provocar uma certa empatia com os personagens (alguns vão chamar de "clichês"), faltou tempo de tela para que essa identificação justificasse nossa paixão, nossa torcida.

Tecnicamente o filme tem grandes momentos, conceitos visuais muito bacanas (e outros nem tanto). A ótima trilha sonora ajuda a pontuar nossas emoções que vão nos acompanhar durante todo filme e que, facilmente, nos ajuda encontrar seu ápice no final - o que é ótimo, mas nos dá até a sensação de que o filme é muito melhor do que ele realmente é! Mas é inegável: nos emocionamos sim e ficamos satisfeitos com o filme! É isso que importa!

Vale seu play, mas não espere todas as repostas, o "caos" que acompanhamos é apenas o pano de fundo para refletirmos sobre algumas escolhas e suas consequências!

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"O Céu da Meia-Noite" é uma difícil adaptação do livro "Good Morning, Midnight " da norte-americana Lily Brooks-Dalton, que trás elementos narrativos similares a filmes como, por exemplo, "Interestelar" (2014), para compor uma história de Ficção Científica, mas que fala mesmo é sobre "solidão" (e, talvez, sobre a necessidade de se perdoar como ser humano e como humanidade) - isso vai ficar muito claro no terceiro ato do filme!

Dirigido e protagonizado pelo George Clooney, o filme acompanha Augustine, um solitário cientista que precisa se comunicar com uma equipe de astronautas que estão em uma missão no espaço e assim impedir que eles retornem para a Terra em meio a uma misteriosa catástrofe ambiental que praticamente dizimou a humanidade. Confira o trailer:

"O Céu da Meia-Noite" é um ótimo entretenimento, mas certamente vai dividir opiniões. Veja, o filme tem cenas de ação que criam aquele senso de urgência, mas também se apoia muito no sentimentalismo e na necessidade de passar uma mensagem de esperança, que, na minha opinião, pareceu sem tanta profundidade e o propósito (até filosófico) de "Interestelar". O que eu quero dizer é que a própria dinâmica narrativa impediu um aprofundamento maior nos dramas de vários personagens (e muitos deles são completamente dispensáveis), já que a história é contada a partir de dois grandes arcos principais: o de Augustine na Terra e o de Sully (Felicity Jones), junto com os astronautas, no espaço - é muita coisa para apenas duas horas de filme! Embora o roteiro use alguns atalhos para minimizar esse problema e nos provocar uma certa empatia com os personagens (alguns vão chamar de "clichês"), faltou tempo de tela para que essa identificação justificasse nossa paixão, nossa torcida.

Tecnicamente o filme tem grandes momentos, conceitos visuais muito bacanas (e outros nem tanto). A ótima trilha sonora ajuda a pontuar nossas emoções que vão nos acompanhar durante todo filme e que, facilmente, nos ajuda encontrar seu ápice no final - o que é ótimo, mas nos dá até a sensação de que o filme é muito melhor do que ele realmente é! Mas é inegável: nos emocionamos sim e ficamos satisfeitos com o filme! É isso que importa!

Vale seu play, mas não espere todas as repostas, o "caos" que acompanhamos é apenas o pano de fundo para refletirmos sobre algumas escolhas e suas consequências!

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O código Bill Gates

"O código Bill Gates" é realmente muito bom! Desde o lançamento do trailer oficial, minha expectativa era alta e, depois de assistir todos os episódios em uma única sentada (recomendo), não me decepcionei. A minissérie documental que a Netflix produziu acompanha um Bill Gates "aposentado", dedicado a filantropia, tentando encontrar soluções para os problemas do mundo e investindo muito (mas, muito) dinheiro nisso - é essa linha narrativa, inclusive, que permite fazer paralelos com todos os momentos cruciais da sua vida pública como presidente da Microsoft - construindo um novo personagem e desconstruindo aquele outro.

Baseado em três projetos principais: melhorar o saneamento em países onde grande parte da população vive na miséria, erradicar a pólio no mundo (efetivamente na Nigéria) e remodelar a produção de energia nuclear; o diretor Davis Guggenheim foca nesse trabalho filantrópico da Fundação Bill e Melinda Gates para fazer uma espécie de raio-x do personagem que luta dia a dia para transformar o mundo através da tecnologia e do homem cheio de manias, com posturas que podem ser interpretadas como arrogantes ou egoístas, que adora hambúrguer e diet coke! Funciona! 

A não-linearidade do roteiro criou uma dinâmica muito interessante para o "O código Bill Gates". Partindo do que vemos de melhor em um personagem que se confunde com a história da tecnologia (e por incrível que pareça criando até uma certa empatia com ele), a minissérie é coerente em exaltar os desafios atuais de Gates, mas também de não aliviar em suas polêmicas do passado. Sem dúvida que Guggenheim sofreu muita pressão para encontrar esse equilíbrio até chegar ao corte final - fico imaginando o processo de aprovação de um projeto como esse, ainda mais com um Bill Gates (e milhões de advogados) assinando embaixo. O fato é que a versão que está na Netflix é um recorte da vida profissional de Gates, que humaniza o "visionário" com muitas qualidades, em troca de poder mostrar alguns (apenas alguns) dos seus defeitos. Bill Gates não tem a capacidade de comunicação de Steve Jobs, não tem carisma e não convence quando tenta ser cool - e isso não é um problema - ele é o que é! Ele é um homem extremamente inteligente, viciado em livros, ávido por informação e conhecimento, competitivo e até meio ingênuo (isso fica perceptível em algumas respostas bastante expontâneas que ele dá durante os episódios). Ele é um cara que, por mais que fizesse, ficava sempre na sombra de Jobs e, para mim, esse é o único ponto fraco do documentário - em nenhum momento é explorada essa disputa pessoal e profissional. Em nenhum momento o diretor trás o assunto "apple" para a história e, me desculpe, não se conta a história de um "protagonista" sem citar o "antagonista" - eles são complementares, por mais que se queira exaltar os feitos de um não é preciso diminuir o sucesso do outro!

De fato "O código Bill Gates" faz um bom trabalho ao contar parte da jornada de construção de um império e tudo que implica ter (incríveis) 96% de market share em um segmento. De fato Bill Gates é um personagem sensacional, com uma história admirável, uma personalidade ímpar e apaixonado pelo seu trabalho. Essa minissérie retrata um pouco disso tudo e sem dúvida tem uma importância histórica - independente de contar só um dos lados (sua briga com Steve Ballmer é um bom exemplo). Não deve ser fácil ser um cara como Bill Gates e levantar essa discussão ajuda muito na experiência de assistir os três episódios. É claro que alguns vão se identificar ou vão valorizar essa jornada mais que outros, mas isso é normal quando uma figura tão icônica é retratada. O que posso dizer com muita tranquilidade é que o projeto ficou lindo artisticamente e tecnicamente. Tem um fotografia muito bonita, inserções gráficas com mapas sistêmicos que ajudam a entender a complexidade dos projetos que Gates está financiando, algumas animações para dramatizar determinadas passagens da vida dele são inseridas de forma bastante orgânica na narrativa e as intervenções tanto do entrevistador quando dos entrevistados estão perfeitas. Gostei muito e, mesmo parecendo um documentário "chapa branca", acho que vale muito a pena assistir. Me surpreendi pela forma como ele é inspirador e por uma mensagem que vale a reflexão: "Se ainda não está dando certo, trabalhe mais!!!"

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"O código Bill Gates" é realmente muito bom! Desde o lançamento do trailer oficial, minha expectativa era alta e, depois de assistir todos os episódios em uma única sentada (recomendo), não me decepcionei. A minissérie documental que a Netflix produziu acompanha um Bill Gates "aposentado", dedicado a filantropia, tentando encontrar soluções para os problemas do mundo e investindo muito (mas, muito) dinheiro nisso - é essa linha narrativa, inclusive, que permite fazer paralelos com todos os momentos cruciais da sua vida pública como presidente da Microsoft - construindo um novo personagem e desconstruindo aquele outro.

Baseado em três projetos principais: melhorar o saneamento em países onde grande parte da população vive na miséria, erradicar a pólio no mundo (efetivamente na Nigéria) e remodelar a produção de energia nuclear; o diretor Davis Guggenheim foca nesse trabalho filantrópico da Fundação Bill e Melinda Gates para fazer uma espécie de raio-x do personagem que luta dia a dia para transformar o mundo através da tecnologia e do homem cheio de manias, com posturas que podem ser interpretadas como arrogantes ou egoístas, que adora hambúrguer e diet coke! Funciona! 

A não-linearidade do roteiro criou uma dinâmica muito interessante para o "O código Bill Gates". Partindo do que vemos de melhor em um personagem que se confunde com a história da tecnologia (e por incrível que pareça criando até uma certa empatia com ele), a minissérie é coerente em exaltar os desafios atuais de Gates, mas também de não aliviar em suas polêmicas do passado. Sem dúvida que Guggenheim sofreu muita pressão para encontrar esse equilíbrio até chegar ao corte final - fico imaginando o processo de aprovação de um projeto como esse, ainda mais com um Bill Gates (e milhões de advogados) assinando embaixo. O fato é que a versão que está na Netflix é um recorte da vida profissional de Gates, que humaniza o "visionário" com muitas qualidades, em troca de poder mostrar alguns (apenas alguns) dos seus defeitos. Bill Gates não tem a capacidade de comunicação de Steve Jobs, não tem carisma e não convence quando tenta ser cool - e isso não é um problema - ele é o que é! Ele é um homem extremamente inteligente, viciado em livros, ávido por informação e conhecimento, competitivo e até meio ingênuo (isso fica perceptível em algumas respostas bastante expontâneas que ele dá durante os episódios). Ele é um cara que, por mais que fizesse, ficava sempre na sombra de Jobs e, para mim, esse é o único ponto fraco do documentário - em nenhum momento é explorada essa disputa pessoal e profissional. Em nenhum momento o diretor trás o assunto "apple" para a história e, me desculpe, não se conta a história de um "protagonista" sem citar o "antagonista" - eles são complementares, por mais que se queira exaltar os feitos de um não é preciso diminuir o sucesso do outro!

De fato "O código Bill Gates" faz um bom trabalho ao contar parte da jornada de construção de um império e tudo que implica ter (incríveis) 96% de market share em um segmento. De fato Bill Gates é um personagem sensacional, com uma história admirável, uma personalidade ímpar e apaixonado pelo seu trabalho. Essa minissérie retrata um pouco disso tudo e sem dúvida tem uma importância histórica - independente de contar só um dos lados (sua briga com Steve Ballmer é um bom exemplo). Não deve ser fácil ser um cara como Bill Gates e levantar essa discussão ajuda muito na experiência de assistir os três episódios. É claro que alguns vão se identificar ou vão valorizar essa jornada mais que outros, mas isso é normal quando uma figura tão icônica é retratada. O que posso dizer com muita tranquilidade é que o projeto ficou lindo artisticamente e tecnicamente. Tem um fotografia muito bonita, inserções gráficas com mapas sistêmicos que ajudam a entender a complexidade dos projetos que Gates está financiando, algumas animações para dramatizar determinadas passagens da vida dele são inseridas de forma bastante orgânica na narrativa e as intervenções tanto do entrevistador quando dos entrevistados estão perfeitas. Gostei muito e, mesmo parecendo um documentário "chapa branca", acho que vale muito a pena assistir. Me surpreendi pela forma como ele é inspirador e por uma mensagem que vale a reflexão: "Se ainda não está dando certo, trabalhe mais!!!"

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O Mar da Tranquilidade

"O Mar da Tranquilidade" é uma excelente série de ficção científica, mas é preciso que se diga: embora dinâmica, não serão as ótimas cenas de ação que vão fazer a diferença na sua experiência! Aqui, o foco está na construção de uma história potente, na busca por respostas e, principalmente, na relação humana sob diversos olhares - mas uma coisa eu garanto, embora com um certo lirismo, toda essa estrutura narrativa está apoiada em um impactante conceito visual com efeitos muito bacanas. 

Em um planeta Terra do futuro que sofre uma terrível crise hídrica, a série (que tranquilamente poderia ser uma minissérie) acompanha a cientista e astrobióloga, Song Ji-an (Bae Doona de "Sense8"), que decide se juntar a uma importante missão para recuperar misteriosas amostras de uma substância em uma estação espacial na Lua. Porém, algum tempo antes, um trágico acidente aconteceu na estação, matando todos os astronautas que estavam lá, incluindo sua irmã. Agora esse novo grupo precisará descobrir o que aconteceu e talvez enfrentar uma perigosa ameaça. Confira o trailer:

Mar da Tranquilidade é uma região na lua, onde o Módulo Lunar Eagle, da Apollo 11, pousou em 1969 - e é justamente nesse local que se encontra uma enorme Estação de Pesquisa Lunar chamada "Balhae" e onde se desenvolve grande parte da história dessa produção sul coreana surpreendente. Apoiada em uma construção cênica sensacional, que mais parece um labirinto claustrofóbico do que um laboratório de pesquisa, o roteiro da série é muito inteligente em trabalhar, dentro da ficção científica, elementos que misturam suspense e conspiração política.  

É inegável que muitas das cenas, e até pelo clima de tensão construído pelo diretor estreante Choi Hang-Yong, nos fazem lembrar os bons tempos de "Alien, o Oitavo Passageiro" de Ridley Scott. Ao mesmo tempo que a narrativa vai nos entregando as peças de um enorme quebra-cabeça e as relações entre os personagens vão se estabelecendo, existe um certo tom de urgência e de mistério que nos move episódio por episódio - a edição é um primor! Mas não é só isso, Hang-Yong também se apropria das dores mais intimas dos seus personagens e, pouco a pouco, vai justificando suas atitudes a partir das memórias mais marcantes de cada um - e desfecho do  capitão Han (Gong Yoo de "Round 6") é um ótimo exemplo.

Baseado em um curta-metragem homônimo do próprio Choi Hang-Yong, "O Mar da Tranquilidade" sabe trabalhar os símbolos de esperança (ao melhor estilo "Armagedom"), indicando que com inteligência, estudo e amor é possível almejar uma continuidade improvável diante de uma paisagem pós-apocalíptica (como em "O Céu da Meia-Noite") mesmo com muitos seres-humanos, mais uma vez, pensando só em si (como em "Passageiro Acidental").

Se você gosta de uma ficção científica raiz ao melhor estilo "Enigma de Andromeda", com uma história muito boa e uma produção incrível, pode dar o play sem medo!

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"O Mar da Tranquilidade" é uma excelente série de ficção científica, mas é preciso que se diga: embora dinâmica, não serão as ótimas cenas de ação que vão fazer a diferença na sua experiência! Aqui, o foco está na construção de uma história potente, na busca por respostas e, principalmente, na relação humana sob diversos olhares - mas uma coisa eu garanto, embora com um certo lirismo, toda essa estrutura narrativa está apoiada em um impactante conceito visual com efeitos muito bacanas. 

Em um planeta Terra do futuro que sofre uma terrível crise hídrica, a série (que tranquilamente poderia ser uma minissérie) acompanha a cientista e astrobióloga, Song Ji-an (Bae Doona de "Sense8"), que decide se juntar a uma importante missão para recuperar misteriosas amostras de uma substância em uma estação espacial na Lua. Porém, algum tempo antes, um trágico acidente aconteceu na estação, matando todos os astronautas que estavam lá, incluindo sua irmã. Agora esse novo grupo precisará descobrir o que aconteceu e talvez enfrentar uma perigosa ameaça. Confira o trailer:

Mar da Tranquilidade é uma região na lua, onde o Módulo Lunar Eagle, da Apollo 11, pousou em 1969 - e é justamente nesse local que se encontra uma enorme Estação de Pesquisa Lunar chamada "Balhae" e onde se desenvolve grande parte da história dessa produção sul coreana surpreendente. Apoiada em uma construção cênica sensacional, que mais parece um labirinto claustrofóbico do que um laboratório de pesquisa, o roteiro da série é muito inteligente em trabalhar, dentro da ficção científica, elementos que misturam suspense e conspiração política.  

É inegável que muitas das cenas, e até pelo clima de tensão construído pelo diretor estreante Choi Hang-Yong, nos fazem lembrar os bons tempos de "Alien, o Oitavo Passageiro" de Ridley Scott. Ao mesmo tempo que a narrativa vai nos entregando as peças de um enorme quebra-cabeça e as relações entre os personagens vão se estabelecendo, existe um certo tom de urgência e de mistério que nos move episódio por episódio - a edição é um primor! Mas não é só isso, Hang-Yong também se apropria das dores mais intimas dos seus personagens e, pouco a pouco, vai justificando suas atitudes a partir das memórias mais marcantes de cada um - e desfecho do  capitão Han (Gong Yoo de "Round 6") é um ótimo exemplo.

Baseado em um curta-metragem homônimo do próprio Choi Hang-Yong, "O Mar da Tranquilidade" sabe trabalhar os símbolos de esperança (ao melhor estilo "Armagedom"), indicando que com inteligência, estudo e amor é possível almejar uma continuidade improvável diante de uma paisagem pós-apocalíptica (como em "O Céu da Meia-Noite") mesmo com muitos seres-humanos, mais uma vez, pensando só em si (como em "Passageiro Acidental").

Se você gosta de uma ficção científica raiz ao melhor estilo "Enigma de Andromeda", com uma história muito boa e uma produção incrível, pode dar o play sem medo!

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Osmosis

Quando assisti o trailer de "Osmosis" minha primeira impressão foi que a série poderia, tranquilamente, ser um episódio (ou um spin-off) de "Black Mirror". Porém, quando você vai assistindo os episódios da primeira temporada, ela vai, pouco a pouco, se afastando de "Black Mirror" e se aproximando de "Sense 8" - tanto no seu conceito narrativo (e em muitos momentos até na sua estrutura, o que pode parecer cansativo para aqueles que preferem mais ação e menos reflexão) quanto nas escolhas estéticas da direção e da fotografia: tudo é mais poético, com planos mais fechados, lentos e câmeras um pouco mais soltas do que normalmente vemos em uma ficção científica. O fato é que "Osmosis" vai agradar alguns, mas muitos vão odiar!

A série francesa é mais uma Original da Netflix e parte da premissa, criada pela Audrey Fouché (do sucesso “Les Revenants”), de que uma nova tecnologia é capaz de decodificar algumas informações químicas do nosso corpo, identificando assim quem seria nossa alma gêmea. Para isso, a empresa detentora dessa tecnologia, recruta algumas pessoas para testar esse aplicativo e é aí que o projeto começa desandar, afinal a própria motivação dos irmãos que comandam a empresa são diferentes e conflitantes.  Uma pergunta feita por uma personagem bem interessante, no episódio 3 (se não me engano), define bem as discussões que a série traz e que em muitos momentos derrapa em seu desenvolvimento pela superficialidade: "Seres humanos suportam um estado de felicidade permanente?"

Encontrar sua alma gêmea é ter a certeza de uma vida amorosa feliz, certo? Errado, porque as pessoas se relacionam com os sentimentos de formas completamente diferentes uma das outras! Essa camada é o ponto alto da série, mas, já adianto, é preciso uma boa dose de reflexão e de boa vontade para compreender coisas que o roteiro simplesmente parece ignorar (ou pelo menos aposta que deixar subentendido é o suficiente)! Os personagens são excelentes, mas ficaram na zona de conforto nessa 1ª temporada e nisso "Sense 8" dá de 10 a zero! As subtramas são fracas, especialmente a da protagonista Esther (Agathe Bonitzer) que quer usar a tecnologia que criou para salvar a vida da mãe que está em coma - tudo isso sem uma explicação plausível (pelo menos até agora) de como a finalidade do aplicativo pode servir para outra tão diferente - a série apenas cita o fato dela ter salvado o irmão de uma condição parecida, mas também sem muita coerência de fatos.

Eu pessoalmente gostei da série, mesmo com essas falhas narrativas. Achei a produção excelente, com uma fotografia linda e uma construção de futuro inteligente, pois usa dos detalhes (e um orçamento modesto) para nos ambientar, sem precisar de maiores intervenções de cenários em CG (que normalmente soam tão fakes) como em 3%, por exemplo. A direção também é muito bacana, autoral, delicada, poética! Os atores são mais inconstantes, as vezes internalizam uma situação chave muito bem, outras vezes saem completamente fora tom se apoiando em esteriótipos que escancaram a canastrice!

Bom, se você gostou de "Sense 8" é mais provável que você se identifique com "Osmosis". De "Black Mirror" você só vai encontrar uma lembrança distante "Hang the DJ"!!! Vale dar uma chance...

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Quando assisti o trailer de "Osmosis" minha primeira impressão foi que a série poderia, tranquilamente, ser um episódio (ou um spin-off) de "Black Mirror". Porém, quando você vai assistindo os episódios da primeira temporada, ela vai, pouco a pouco, se afastando de "Black Mirror" e se aproximando de "Sense 8" - tanto no seu conceito narrativo (e em muitos momentos até na sua estrutura, o que pode parecer cansativo para aqueles que preferem mais ação e menos reflexão) quanto nas escolhas estéticas da direção e da fotografia: tudo é mais poético, com planos mais fechados, lentos e câmeras um pouco mais soltas do que normalmente vemos em uma ficção científica. O fato é que "Osmosis" vai agradar alguns, mas muitos vão odiar!

A série francesa é mais uma Original da Netflix e parte da premissa, criada pela Audrey Fouché (do sucesso “Les Revenants”), de que uma nova tecnologia é capaz de decodificar algumas informações químicas do nosso corpo, identificando assim quem seria nossa alma gêmea. Para isso, a empresa detentora dessa tecnologia, recruta algumas pessoas para testar esse aplicativo e é aí que o projeto começa desandar, afinal a própria motivação dos irmãos que comandam a empresa são diferentes e conflitantes.  Uma pergunta feita por uma personagem bem interessante, no episódio 3 (se não me engano), define bem as discussões que a série traz e que em muitos momentos derrapa em seu desenvolvimento pela superficialidade: "Seres humanos suportam um estado de felicidade permanente?"

Encontrar sua alma gêmea é ter a certeza de uma vida amorosa feliz, certo? Errado, porque as pessoas se relacionam com os sentimentos de formas completamente diferentes uma das outras! Essa camada é o ponto alto da série, mas, já adianto, é preciso uma boa dose de reflexão e de boa vontade para compreender coisas que o roteiro simplesmente parece ignorar (ou pelo menos aposta que deixar subentendido é o suficiente)! Os personagens são excelentes, mas ficaram na zona de conforto nessa 1ª temporada e nisso "Sense 8" dá de 10 a zero! As subtramas são fracas, especialmente a da protagonista Esther (Agathe Bonitzer) que quer usar a tecnologia que criou para salvar a vida da mãe que está em coma - tudo isso sem uma explicação plausível (pelo menos até agora) de como a finalidade do aplicativo pode servir para outra tão diferente - a série apenas cita o fato dela ter salvado o irmão de uma condição parecida, mas também sem muita coerência de fatos.

Eu pessoalmente gostei da série, mesmo com essas falhas narrativas. Achei a produção excelente, com uma fotografia linda e uma construção de futuro inteligente, pois usa dos detalhes (e um orçamento modesto) para nos ambientar, sem precisar de maiores intervenções de cenários em CG (que normalmente soam tão fakes) como em 3%, por exemplo. A direção também é muito bacana, autoral, delicada, poética! Os atores são mais inconstantes, as vezes internalizam uma situação chave muito bem, outras vezes saem completamente fora tom se apoiando em esteriótipos que escancaram a canastrice!

Bom, se você gostou de "Sense 8" é mais provável que você se identifique com "Osmosis". De "Black Mirror" você só vai encontrar uma lembrança distante "Hang the DJ"!!! Vale dar uma chance...

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Oxigênio

"Oxigênio" segue o conceito narrativo de "Náufrago", filme lançado em 2000 com Tom Hanks. Mas calma, os ajustes entre gênero e modernidade, na minha opinião, funcionam muito melhor nessa ficção científica francesa da Netflix do diretor Alexandre Aja do que no filme do Robert Zemeckis . Veja, em pouco mais de 90 minutos acompanhamos uma única atriz, em um único cenário, atuando com uma voz sintetizada, ou seja, troque o ótimo trabalho de Tom Hanks pela igualmente competente Mélanie Laurent, uma ilha deserta por uma claustrofóbica câmara criogênica e o Wilson pela inteligência artificial, MILO (com um ótimo trabalho de voz de Mathieu Amalric) - e não acabou, adicione uma ambientação marcante cheia de mistério e incertezas, e a angústia da corrida contra o tempo na busca pela sobrevivência!

"Oxygène" (no original) conta a história de Elisabeth Hansen (Laurent), que acorda envolta de uma espécie de casulo em uma câmara criogênica. Ela retoma a consciência com dificuldade para lembrar o seu passado, sem entender como funciona a cápsula que se encontra trancada e ainda precisa correr contra o tempo para viver, afinal um monitor apresenta um limite de 35% de oxigênio disponível. A sensação de claustrofobia e o desespero a deixam confusa, sem saber o que é realidade e o que é uma memória falsa. No limite da sua sanidade, ela tenta entender o que está acontecendo, mas, principalmente, encontrar uma saída com vida. Confira o trailer:

Obviamente que dois elementos saltam aos olhos de cara: a capacidade de Mélanie Laurent carregar o filme praticamente sozinha sem contracenar com ninguém (nem com uma bola) e o roteiro inteligente e dinâmico da estreante Christie LeBlanc. É impressionante como não sentimos o tempo passar e como todos os melhores recursos de suspense e mistério funcionam em torno da história, conforme Elisabeth vai descobrindo cada novo dispositivo na câmara e como as pistas sobre como ela foi parar ali vão sendo apresentadas - aqui cabem duas ótimas referências: "Calls" e "A Chegada".

O trabalho do diretor Alexandre Aja merece elogios, afinal, mesmo preso em suas próprias limitações cênicas, ele consegue desenvolver uma movimentação de câmera bastante criativa, flutuando pelo espaço reduzido e criando momentos de alívios narrativos - que acaba trazendo uma sensação de "respiro", mas que imediatamente é diluída com a tensão limitadora da falta de oxigênio - aí ele usa e abusa das lentes mais fechadas, focando no rosto da protagonista para demonstrar suas reações perante essa situação. Reparem como a câmera, de fato, está ali para contar a história apoiada apenas em sensações que o diretor quer nos provocar! A fotografia, a base de leds e cirurgicamente azulada, do diretor Maxime Alexandre lembra muito o genial trabalho do Dion Beebe e do Paul Cameron em "Colateral".

“Oxigênio” transita entre o surpreendente e o óbvio, mas é inegável como tantos "pontos de virada" entregam um excelente ritmo ao filme. Veja, ele pode até começar com pegada claramente minimalista, mas não necessariamente terminará assim - na forma e no conteúdo. Minha única crítica diz respeito a última cena: completamente dispensável, mas aqui é uma opinião muito pessoal - sem impacto algum na ótima experiência que é assistir “Oxigênio”.

Embora seja uma ficção científica de qualidade, seus elementos de suspense psicológico só colaboram para que o roteiro e a performance da protagonista brilhem! Vale muito seu play por todos esses motivos e se você gostar do gênero!

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"Oxigênio" segue o conceito narrativo de "Náufrago", filme lançado em 2000 com Tom Hanks. Mas calma, os ajustes entre gênero e modernidade, na minha opinião, funcionam muito melhor nessa ficção científica francesa da Netflix do diretor Alexandre Aja do que no filme do Robert Zemeckis . Veja, em pouco mais de 90 minutos acompanhamos uma única atriz, em um único cenário, atuando com uma voz sintetizada, ou seja, troque o ótimo trabalho de Tom Hanks pela igualmente competente Mélanie Laurent, uma ilha deserta por uma claustrofóbica câmara criogênica e o Wilson pela inteligência artificial, MILO (com um ótimo trabalho de voz de Mathieu Amalric) - e não acabou, adicione uma ambientação marcante cheia de mistério e incertezas, e a angústia da corrida contra o tempo na busca pela sobrevivência!

"Oxygène" (no original) conta a história de Elisabeth Hansen (Laurent), que acorda envolta de uma espécie de casulo em uma câmara criogênica. Ela retoma a consciência com dificuldade para lembrar o seu passado, sem entender como funciona a cápsula que se encontra trancada e ainda precisa correr contra o tempo para viver, afinal um monitor apresenta um limite de 35% de oxigênio disponível. A sensação de claustrofobia e o desespero a deixam confusa, sem saber o que é realidade e o que é uma memória falsa. No limite da sua sanidade, ela tenta entender o que está acontecendo, mas, principalmente, encontrar uma saída com vida. Confira o trailer:

Obviamente que dois elementos saltam aos olhos de cara: a capacidade de Mélanie Laurent carregar o filme praticamente sozinha sem contracenar com ninguém (nem com uma bola) e o roteiro inteligente e dinâmico da estreante Christie LeBlanc. É impressionante como não sentimos o tempo passar e como todos os melhores recursos de suspense e mistério funcionam em torno da história, conforme Elisabeth vai descobrindo cada novo dispositivo na câmara e como as pistas sobre como ela foi parar ali vão sendo apresentadas - aqui cabem duas ótimas referências: "Calls" e "A Chegada".

O trabalho do diretor Alexandre Aja merece elogios, afinal, mesmo preso em suas próprias limitações cênicas, ele consegue desenvolver uma movimentação de câmera bastante criativa, flutuando pelo espaço reduzido e criando momentos de alívios narrativos - que acaba trazendo uma sensação de "respiro", mas que imediatamente é diluída com a tensão limitadora da falta de oxigênio - aí ele usa e abusa das lentes mais fechadas, focando no rosto da protagonista para demonstrar suas reações perante essa situação. Reparem como a câmera, de fato, está ali para contar a história apoiada apenas em sensações que o diretor quer nos provocar! A fotografia, a base de leds e cirurgicamente azulada, do diretor Maxime Alexandre lembra muito o genial trabalho do Dion Beebe e do Paul Cameron em "Colateral".

“Oxigênio” transita entre o surpreendente e o óbvio, mas é inegável como tantos "pontos de virada" entregam um excelente ritmo ao filme. Veja, ele pode até começar com pegada claramente minimalista, mas não necessariamente terminará assim - na forma e no conteúdo. Minha única crítica diz respeito a última cena: completamente dispensável, mas aqui é uma opinião muito pessoal - sem impacto algum na ótima experiência que é assistir “Oxigênio”.

Embora seja uma ficção científica de qualidade, seus elementos de suspense psicológico só colaboram para que o roteiro e a performance da protagonista brilhem! Vale muito seu play por todos esses motivos e se você gostar do gênero!

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Passageiro Acidental

"Passageiro Acidental" é uma excelente surpresa no catálogo da Netflix. Partindo do princípio que o filme chegou sem grandes expectativas e com uma estratégia de marketing bem tímida, fica fácil afirmar que o segundo filme dirigido pelo brasileiro Joe Penna (o primeiro foi o ótimo "Arctic") é um grande acerto da plataforma - o que para uma parcela de seus assinantes vem se tornando cada vez mais raros.

Na história acompanhamos uma talentosa tripulação de três pessoas em uma missão que vai durar dois anos até Marte: a Dra. Zoe Levenson (Anna Kendrick), o cientista David Kim (Daniel Dae Kim) e a comandante Marina Barnett (Toni Collete). No entanto, as coisas ficam complicadas para eles quando um passageiro inesperado, Michael Adams (Shamier Anderson), acidentalmente causa danos irreparáveis à nave. Com os recursos comprometidos e diante de um resultado fatal, a tripulação é obrigada a tomar uma difícil decisão: só existe oxigênio para três pessoas, ou seja, alguém vai ter que perder a vida! Confira o trailer:

Esse é o tipo de filme que vai dividir opiniões, já que sua estrutura narrativa não está linhada com aquele tipo de audiência que chegou ao título pelo gênero e sem saber muito sobre a história. Não será surpresa nenhuma que alguém se decepcione por não se tratar de uma trama cheia de suspense ou até de terror espacial - esquece! "Passageiro Acidental" está mais para "Gravidade" e anos luz de "Alien".

É até compreensível supor que um passageiro misterioso possa ter uma motivação maior para está ali, inclusive, sendo uma ameaça para todos - em muitos momentos do primeiro ato temos a sensação que algo aterrorizante está por vir, porém se lermos atentamente o conceito imposto logo na primeira sequência do filme  (que é ótima por sinal) é de se imaginar que a imersão psicológica de estar em um ambiente sem total controle dos personagens, é o que vai pautar essa jornada. Se Penna não tem a experiência (e o orçamento) de Alfonso Cuarón é de se elogiar sua coerência ao transformar uma premissa simples em um experiência social que nos provoca reflexão e julgamentos a todo momento. Lembre-se: pouco importa qual é a verdadeira razão de um passageiro clandestino estar ali, o grande conflito está na luta pela sobrevivência e nos dilemas morais que isso representa!

Como em "Gravidade", temos um roteiro enxuto e uma edição muito competente para criar uma dinâmica consistente para nos prender por pouco mais de 120 minutos. As sequências são eficientes, envolventes e bem articuladas, mas carecia de um cuidado técnico maior, principalmente na fotografia e na composição entre edição de som e mixagem -  faltou silêncio ao filme, muitos efeitos foram exagerados e a trilha para pontuar a emoção serviu quase como uma bengala. Não é um problema que atrapalhe a experiência, mas precisa ser pontuado.

"Passageiro Acidental" (ou "Stowaway" no original) é um drama no espaço! O drama na concepção da palavra se encaixa perfeitamente às sensações que temos ao assistir o filme e a escolha do roteiro em nos limitar algumas informações, como quando a comandante Barnett se comunica com a Terra, só colabora para transformar uma jornada que parece morna em algo angustiante e misterioso. Se você não gosta de filmes como "Gravidade" ou que testam os limites morais como "127 horas", por exemplo, não dê o play. Agora se você se identifica com os dilemas por trás de cenas bem construídas, vai tranquilo que sua surpresa está garantida.

Excelente entretenimento!

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"Passageiro Acidental" é uma excelente surpresa no catálogo da Netflix. Partindo do princípio que o filme chegou sem grandes expectativas e com uma estratégia de marketing bem tímida, fica fácil afirmar que o segundo filme dirigido pelo brasileiro Joe Penna (o primeiro foi o ótimo "Arctic") é um grande acerto da plataforma - o que para uma parcela de seus assinantes vem se tornando cada vez mais raros.

Na história acompanhamos uma talentosa tripulação de três pessoas em uma missão que vai durar dois anos até Marte: a Dra. Zoe Levenson (Anna Kendrick), o cientista David Kim (Daniel Dae Kim) e a comandante Marina Barnett (Toni Collete). No entanto, as coisas ficam complicadas para eles quando um passageiro inesperado, Michael Adams (Shamier Anderson), acidentalmente causa danos irreparáveis à nave. Com os recursos comprometidos e diante de um resultado fatal, a tripulação é obrigada a tomar uma difícil decisão: só existe oxigênio para três pessoas, ou seja, alguém vai ter que perder a vida! Confira o trailer:

Esse é o tipo de filme que vai dividir opiniões, já que sua estrutura narrativa não está linhada com aquele tipo de audiência que chegou ao título pelo gênero e sem saber muito sobre a história. Não será surpresa nenhuma que alguém se decepcione por não se tratar de uma trama cheia de suspense ou até de terror espacial - esquece! "Passageiro Acidental" está mais para "Gravidade" e anos luz de "Alien".

É até compreensível supor que um passageiro misterioso possa ter uma motivação maior para está ali, inclusive, sendo uma ameaça para todos - em muitos momentos do primeiro ato temos a sensação que algo aterrorizante está por vir, porém se lermos atentamente o conceito imposto logo na primeira sequência do filme  (que é ótima por sinal) é de se imaginar que a imersão psicológica de estar em um ambiente sem total controle dos personagens, é o que vai pautar essa jornada. Se Penna não tem a experiência (e o orçamento) de Alfonso Cuarón é de se elogiar sua coerência ao transformar uma premissa simples em um experiência social que nos provoca reflexão e julgamentos a todo momento. Lembre-se: pouco importa qual é a verdadeira razão de um passageiro clandestino estar ali, o grande conflito está na luta pela sobrevivência e nos dilemas morais que isso representa!

Como em "Gravidade", temos um roteiro enxuto e uma edição muito competente para criar uma dinâmica consistente para nos prender por pouco mais de 120 minutos. As sequências são eficientes, envolventes e bem articuladas, mas carecia de um cuidado técnico maior, principalmente na fotografia e na composição entre edição de som e mixagem -  faltou silêncio ao filme, muitos efeitos foram exagerados e a trilha para pontuar a emoção serviu quase como uma bengala. Não é um problema que atrapalhe a experiência, mas precisa ser pontuado.

"Passageiro Acidental" (ou "Stowaway" no original) é um drama no espaço! O drama na concepção da palavra se encaixa perfeitamente às sensações que temos ao assistir o filme e a escolha do roteiro em nos limitar algumas informações, como quando a comandante Barnett se comunica com a Terra, só colabora para transformar uma jornada que parece morna em algo angustiante e misterioso. Se você não gosta de filmes como "Gravidade" ou que testam os limites morais como "127 horas", por exemplo, não dê o play. Agora se você se identifica com os dilemas por trás de cenas bem construídas, vai tranquilo que sua surpresa está garantida.

Excelente entretenimento!

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Power

Inicialmente o que mais me chamou a atenção em "Power" (ou "Project Power", título original) foi o fato de se tratar de um projeto do diretores Henry Joost e Ariel Schulman, reponsáveis pelo ótimo "Nerve" e pela adaptação (do anunciado) "Megaman". Acontece que essa produção da Netflix, com um orçamento de 85 milhões de dólares, se apega tanto nas cenas de ação que acaba esquecendo de contar a história como deveria.

O filme acompanha um ex-militar, Art (Jamie Foxx) e um policial, Frank (Joseph Gordon-Levitt) que tentam descobrir quem está por trás do tráfico de uma nova droga que dá para seus usuários superpoderes aleatórios e com isso, claro, gerando uma série de problemas na cidade de New Orleans. Confira o trailer:

Embora não seja uma história muito original (basta lembrarmos do que assistimos em "The Boys"), "Power" tem alguns elementos bastante interessantes para um gênero de ação com grife - seu conceito visual e a montagem mais clipada, não são novidades, mas trazem uma certa elegância e uma dinâmica bacana para o filme, porém o roteiro não acompanha essa qualidade. Me deu a impressão de que quiseram criar algo tão complexo, que faltou tempo de tela para desenvolver todos os personagens - o fato de não sabermos exatamente quem é o vilão, é um ótimo exemplo dessa incoerência.

Mattson Tomlin é um roteirista romeno que caiu nas graças de Hollywood depois de escrever e dirigir alguns curtas-metragens. O interessante, porém, é que mesmo sem uma carreira premiada, Tomlin está envolvido com projetos grandes (e caros) como o do novo Batman, por exemplo. Só que seu trabalho em "Power" me deixou com a pulga atrás da orelha. Seu roteiro é irregular, com falhas técnicas, de certa forma, primárias para quem deveria dominar a gramática da ação - como já citamos, a falta de definição do vilão é o que mais me incomodou: em um primeiro momento achamos que seria o Rodrigo Santoro (e o seu estereotipado Biggie), logo depois achamos que o vilão mesmo é o fortão Wallace (Tait Fletcher), quando na verdade quem realmente manda em tudo é a Gardner (Amy Landecker). Outra coisa, o escolher para qual "mocinho" torcer também é um pouco confuso: seria para o Art, para o Frank ou para a adolescente Robin (Dominique Fishback)? Na verdade até não seria um grande problema ter três protagonistas, desde que ficasse estabelecido a importância de cada um dentro do contexto e com suas motivações bem desenvolvidas - não é o caso! O fato de não se aprofundar em nenhum dos temas que aborda, inclusive com algumas criticas sociais bem pontuadas, e nem explicar muito bem todas as motivações dos personagens-chave faz com que até os diálogos cheios de clichês pareçam gratuitos demais. E aqui cabe uma pequena observação: existe uma cultura de que filme de ação não precisa ter um bom roteiro para valer a pena, eu discordo, mas respeito - mas o que não pode, na minha opinião, é abrir mão de uma certa identificação com o protagonista para que venhamos a torcer por ele durante toda a jornada e no caso de "Power" isso acontece - sem falar que não existe grandes dificuldades para vencer os inimigos, nos privando daquela "tensão" pré combate!

A jovem Dominique Fishback talvez seja o destaque do elenco. Santoro tem potencial para mais, mas seu texto e tempo de tela não ajudaram. Jamie Foxx e Joseph Gordon-Levitt fazem o arroz com feijão bem feito e saem no 0 x 0. Amy Landecker e Tait Fletcher quase não aparecem, então não prejudicam. Alguns pontos que merecem destaque mostram a qualidade dos diretores: mesmo com uma edição bastante picotada (e aqui é impossível saber o quanto os produtores influenciaram no trabalho do montador Jeff McEvoy), o filme é bastante inventivo em algumas cenas de ação onde a câmera não está no lugar mais óbvio - isso pode causar uma certa confusão em algum momento, mas nos coloca dentro da cena: a sequência inicial do "Tocha Humana" e a cena no cassino clandestino com a "Mulher de Gelo" foram muito bem executadas. Reparem!

Antes de finalizar uma curiosidade que provavelmente vai passar despercebido para muitos, mas vale a referência: a camisa que Joseph Gordon-Levitt usa durante todo o filme é do time de futebol americano da cidade de New Orleans, o Saints. O nome estampado atrás é de um jogador chamado Steve Gleason - ele é considerado um verdadeiro herói por bloquear um punt do Falcons (de Atlanta) que acabou culminando no primeiro touchdownda equipe no seu retorno ao Estádio, que foi símbolo de uma cidade destruída pelo furacão Katrina. Essa jogada foi eternizada por uma estátua na frente do Superdome, mas a história não acaba por aí: em 2011, já aposentado e ainda muito jovem, Gleason foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA) poucos dias antes de receber a noticia de que seria pai pela primeira vez! Com medo de não ter saúde para conhecer e se relacionar com o filho, Gleason resolve filmar sua rotina para fazer uma espécie de diário para seu filho e toda essa jornada acabou virando um emocionante documentário que leva o seu nome!

Dito isso e voltando ao motivo desse review, posso dizer que os amantes do gênero de ação vão se divertir com "Power", mas é inegável que, se melhor desenvolvida, a história entregaria muito mais que um filme sobre drogas e heróis sem uniforme. Toda aquela ambição pelo poder pincelada em algumas cenas poderiam transformar o filme em uma ótima alegoria sobre o egoísmo e corrupção social, existentes na cultura da violência, tão em alta ultimamente.

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Inicialmente o que mais me chamou a atenção em "Power" (ou "Project Power", título original) foi o fato de se tratar de um projeto do diretores Henry Joost e Ariel Schulman, reponsáveis pelo ótimo "Nerve" e pela adaptação (do anunciado) "Megaman". Acontece que essa produção da Netflix, com um orçamento de 85 milhões de dólares, se apega tanto nas cenas de ação que acaba esquecendo de contar a história como deveria.

O filme acompanha um ex-militar, Art (Jamie Foxx) e um policial, Frank (Joseph Gordon-Levitt) que tentam descobrir quem está por trás do tráfico de uma nova droga que dá para seus usuários superpoderes aleatórios e com isso, claro, gerando uma série de problemas na cidade de New Orleans. Confira o trailer:

Embora não seja uma história muito original (basta lembrarmos do que assistimos em "The Boys"), "Power" tem alguns elementos bastante interessantes para um gênero de ação com grife - seu conceito visual e a montagem mais clipada, não são novidades, mas trazem uma certa elegância e uma dinâmica bacana para o filme, porém o roteiro não acompanha essa qualidade. Me deu a impressão de que quiseram criar algo tão complexo, que faltou tempo de tela para desenvolver todos os personagens - o fato de não sabermos exatamente quem é o vilão, é um ótimo exemplo dessa incoerência.

Mattson Tomlin é um roteirista romeno que caiu nas graças de Hollywood depois de escrever e dirigir alguns curtas-metragens. O interessante, porém, é que mesmo sem uma carreira premiada, Tomlin está envolvido com projetos grandes (e caros) como o do novo Batman, por exemplo. Só que seu trabalho em "Power" me deixou com a pulga atrás da orelha. Seu roteiro é irregular, com falhas técnicas, de certa forma, primárias para quem deveria dominar a gramática da ação - como já citamos, a falta de definição do vilão é o que mais me incomodou: em um primeiro momento achamos que seria o Rodrigo Santoro (e o seu estereotipado Biggie), logo depois achamos que o vilão mesmo é o fortão Wallace (Tait Fletcher), quando na verdade quem realmente manda em tudo é a Gardner (Amy Landecker). Outra coisa, o escolher para qual "mocinho" torcer também é um pouco confuso: seria para o Art, para o Frank ou para a adolescente Robin (Dominique Fishback)? Na verdade até não seria um grande problema ter três protagonistas, desde que ficasse estabelecido a importância de cada um dentro do contexto e com suas motivações bem desenvolvidas - não é o caso! O fato de não se aprofundar em nenhum dos temas que aborda, inclusive com algumas criticas sociais bem pontuadas, e nem explicar muito bem todas as motivações dos personagens-chave faz com que até os diálogos cheios de clichês pareçam gratuitos demais. E aqui cabe uma pequena observação: existe uma cultura de que filme de ação não precisa ter um bom roteiro para valer a pena, eu discordo, mas respeito - mas o que não pode, na minha opinião, é abrir mão de uma certa identificação com o protagonista para que venhamos a torcer por ele durante toda a jornada e no caso de "Power" isso acontece - sem falar que não existe grandes dificuldades para vencer os inimigos, nos privando daquela "tensão" pré combate!

A jovem Dominique Fishback talvez seja o destaque do elenco. Santoro tem potencial para mais, mas seu texto e tempo de tela não ajudaram. Jamie Foxx e Joseph Gordon-Levitt fazem o arroz com feijão bem feito e saem no 0 x 0. Amy Landecker e Tait Fletcher quase não aparecem, então não prejudicam. Alguns pontos que merecem destaque mostram a qualidade dos diretores: mesmo com uma edição bastante picotada (e aqui é impossível saber o quanto os produtores influenciaram no trabalho do montador Jeff McEvoy), o filme é bastante inventivo em algumas cenas de ação onde a câmera não está no lugar mais óbvio - isso pode causar uma certa confusão em algum momento, mas nos coloca dentro da cena: a sequência inicial do "Tocha Humana" e a cena no cassino clandestino com a "Mulher de Gelo" foram muito bem executadas. Reparem!

Antes de finalizar uma curiosidade que provavelmente vai passar despercebido para muitos, mas vale a referência: a camisa que Joseph Gordon-Levitt usa durante todo o filme é do time de futebol americano da cidade de New Orleans, o Saints. O nome estampado atrás é de um jogador chamado Steve Gleason - ele é considerado um verdadeiro herói por bloquear um punt do Falcons (de Atlanta) que acabou culminando no primeiro touchdownda equipe no seu retorno ao Estádio, que foi símbolo de uma cidade destruída pelo furacão Katrina. Essa jogada foi eternizada por uma estátua na frente do Superdome, mas a história não acaba por aí: em 2011, já aposentado e ainda muito jovem, Gleason foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA) poucos dias antes de receber a noticia de que seria pai pela primeira vez! Com medo de não ter saúde para conhecer e se relacionar com o filho, Gleason resolve filmar sua rotina para fazer uma espécie de diário para seu filho e toda essa jornada acabou virando um emocionante documentário que leva o seu nome!

Dito isso e voltando ao motivo desse review, posso dizer que os amantes do gênero de ação vão se divertir com "Power", mas é inegável que, se melhor desenvolvida, a história entregaria muito mais que um filme sobre drogas e heróis sem uniforme. Toda aquela ambição pelo poder pincelada em algumas cenas poderiam transformar o filme em uma ótima alegoria sobre o egoísmo e corrupção social, existentes na cultura da violência, tão em alta ultimamente.

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