Viu Review - A Very English Scandal
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A Very English Scandal

Diretor
Stephen Frears
Elenco
Hugh Grant, Ben Whishaw, Alex Jennings
Ano
2018
País
Reino Unido

Comédia Globoplay ml-real ml-investigação ml-dramedia ml-politico ml-jornalismo ml-crime ml-tribunal ml-livro ml-lgbt

A Very English Scandal

"A Very English Scandal" é simplesmente sensacional, em sua forma e em seu conteúdo.  Essa produção da BBC traz elementos praticamente tirados de um cartoon para retratar um caso real, com um assunto sério e relevante para época (e para os dias de hoje) em meio a uma sociedade politica hipócrita e preconceituosa da Inglaterra dos anos 60 e 70. O assunto, aliás, mistura um drama pessoal com outro politico como muitas vezes acompanhamos em "House of Cards", mas é na forma que a série brilha - o diretor Stephen Frears ("A Rainha") desenvolveu um conceito narrativo (e visual) que chama atenção ao encontrar o equilíbrio perfeito entre o satírico de "Entre Facas e Segredos" de Rian Johnson com o carrancudo "O Destino de uma Nação" de Joe Wright. 

Baseada no livro "A Very English Scandal: Sex, Lies and a Murder Plot at the Heart of the Establishment" de John Preston, esta minissérie britânica de três episódios de uma hora, narra os bastidores do Escândalo Jeremy Thorpe, que teve basicamente duas fases, a primeira em 1976, e a segunda, mais conhecida, longa e impactante, entre 1978 e 1979, quando aconteceu o julgamento do importante político por tramar e mandar assassinar Norman Scott (Norman Josiffe), jovem com quem tivera um relacionamento homossexual nos anos 1960. Confira o trailer (em inglês):

Além da direção cirúrgica de Frears, é de elogiar o trabalho dos atores, especialmente Hugh Grant que vive Jeremy Thorpe e Ben Whishaw que interpreta o amante, Norman Scott - esse personagem, inclusive, garantiu a Whishaw quase todos os prêmios da televisão na temporada de 2019 como o Globo de Ouro e o Emmy de melhor ator coadjuvante para minisséries. Veja, enquanto Grant dá ao seu personagem um tom mais maquiavélica, frio, bem ao estilo Frank Underwod - necessário para um político disposto a fazer qualquer coisa para escalar os degraus hierárquicos do Parlamento e disposto a usar de sua posição para encobrir atos que, se fossem cometidos por outras pessoas, certamente seriam punidos de maneira muito mais severa; Whishaw exterioriza o sofrimento contido em sua posição social desprivilegiada - um homem publicamente gay, com postura mais afeminada, que passou a vinda inteira ouvindo todo tipo de gracinhas e sofrendo preconceitos e que, mesmo chorando sozinho, consegue manter-se forte e imponente em público, para enfrentar aqueles que queriam diminui-lo. O contraste é simplesmente incrível e digno de muitos aplausos! Detalhe, o tom mais conceitual da minissérie exige um certo estereótipo na interpretação, mas que não agride, pois é tão orgânico dentro do contexto que justifica perfeitamente cada movimento dos atores em cena!

Mesmo com um roteiro bem afinado é perceptível um certo crescimento na qualidade narrativa durante os episódios com seu ápice no terceiro ato. É um fato a existência de uma forte crítica no texto, aplicada de maneira muito inteligente, e também de uma excelente reconstrução de época, com figurinos e cenários que exaltam a fotografia do genial diretor Danny Cohen ( de "O discurso do Rei" e "Les Miserables"). Reparem como agilidade dos episódios funciona bem: das cenas que constroem as relações politica e pessoal de Jeremy Thorpe ao seu histórico e tumultuado julgamento.

"A Very English Scandal" é mais uma minissérie da BBC que merece todos os prêmios - e foram muitos! Imperdível!

Assista Agora

"A Very English Scandal" é simplesmente sensacional, em sua forma e em seu conteúdo.  Essa produção da BBC traz elementos praticamente tirados de um cartoon para retratar um caso real, com um assunto sério e relevante para época (e para os dias de hoje) em meio a uma sociedade politica hipócrita e preconceituosa da Inglaterra dos anos 60 e 70. O assunto, aliás, mistura um drama pessoal com outro politico como muitas vezes acompanhamos em "House of Cards", mas é na forma que a série brilha - o diretor Stephen Frears ("A Rainha") desenvolveu um conceito narrativo (e visual) que chama atenção ao encontrar o equilíbrio perfeito entre o satírico de "Entre Facas e Segredos" de Rian Johnson com o carrancudo "O Destino de uma Nação" de Joe Wright. 

Baseada no livro "A Very English Scandal: Sex, Lies and a Murder Plot at the Heart of the Establishment" de John Preston, esta minissérie britânica de três episódios de uma hora, narra os bastidores do Escândalo Jeremy Thorpe, que teve basicamente duas fases, a primeira em 1976, e a segunda, mais conhecida, longa e impactante, entre 1978 e 1979, quando aconteceu o julgamento do importante político por tramar e mandar assassinar Norman Scott (Norman Josiffe), jovem com quem tivera um relacionamento homossexual nos anos 1960. Confira o trailer (em inglês):

Além da direção cirúrgica de Frears, é de elogiar o trabalho dos atores, especialmente Hugh Grant que vive Jeremy Thorpe e Ben Whishaw que interpreta o amante, Norman Scott - esse personagem, inclusive, garantiu a Whishaw quase todos os prêmios da televisão na temporada de 2019 como o Globo de Ouro e o Emmy de melhor ator coadjuvante para minisséries. Veja, enquanto Grant dá ao seu personagem um tom mais maquiavélica, frio, bem ao estilo Frank Underwod - necessário para um político disposto a fazer qualquer coisa para escalar os degraus hierárquicos do Parlamento e disposto a usar de sua posição para encobrir atos que, se fossem cometidos por outras pessoas, certamente seriam punidos de maneira muito mais severa; Whishaw exterioriza o sofrimento contido em sua posição social desprivilegiada - um homem publicamente gay, com postura mais afeminada, que passou a vinda inteira ouvindo todo tipo de gracinhas e sofrendo preconceitos e que, mesmo chorando sozinho, consegue manter-se forte e imponente em público, para enfrentar aqueles que queriam diminui-lo. O contraste é simplesmente incrível e digno de muitos aplausos! Detalhe, o tom mais conceitual da minissérie exige um certo estereótipo na interpretação, mas que não agride, pois é tão orgânico dentro do contexto que justifica perfeitamente cada movimento dos atores em cena!

Mesmo com um roteiro bem afinado é perceptível um certo crescimento na qualidade narrativa durante os episódios com seu ápice no terceiro ato. É um fato a existência de uma forte crítica no texto, aplicada de maneira muito inteligente, e também de uma excelente reconstrução de época, com figurinos e cenários que exaltam a fotografia do genial diretor Danny Cohen ( de "O discurso do Rei" e "Les Miserables"). Reparem como agilidade dos episódios funciona bem: das cenas que constroem as relações politica e pessoal de Jeremy Thorpe ao seu histórico e tumultuado julgamento.

"A Very English Scandal" é mais uma minissérie da BBC que merece todos os prêmios - e foram muitos! Imperdível!

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