Viu Review - Small Axe
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Small Axe

Diretor
Steve McQueen
Elenco
Darren Braithwaite, John Boyega, Naomi Ackie, Neal Barry, Gary Beadle
Ano
2020
País
Reino Unido

Drama Globoplay ml-real ml-politico ml-tribunal ml-racismo ml-livro ml-gb

Small Axe

"Small Axe" é uma série antológica co-produzida pela BBC e pela Amazon Studios que tem na direção o excelente Steve McQueen - vencedor do Oscar com "12 Anos de Escravidão". Embora completamente independentes, o que une os episódios são as experiências reais de alguns personagens negros, membros da comunidade das Índias Ocidentais, em uma Londres extremamente racista e segregadora, durante os anos de 1969 e 1982. 

Embora difíceis, apoiados em situações extremas de intolerância, os roteiros do próprio McQueen ao lado da Rebecca Lenkiewicz ("Ida") constroem narrativas muito realistas, se apoiando em elementos, lugares e personagens que contribuíram, de alguma forma, para que a comunidade negra imigrante se sentisse mais próxima de casa, se reconectasse com sua cultura e origem, e ainda conquistasse mais espaço e direitos em território londrino. Confira o trailer (em inglês):

O primeiro filme é, sem dúvida, o melhor e mais impactante de todos - para mim, inclusive, o melhor filme de 2020 e que não pode disputar o Oscar por fazer parte de um seriado. Não por acaso, Mangrove’ tem duração maior que os demais: duas horas - ele é uma espécie de "versão inglesa" de "Os 7 de Chicago". Nele conhecemos um restaurante no coração de Notting Hill, cujo dono, Anthony (Darren Braithwaite) é um homem, negro, batalhador e bastante envolvido com a comunidade local. Todos  os frequentadores do restaurante são negros e isso é o suficiente para que policiais racistas como Pulley (Sam Spruell), criassem as mais diferentes desculpas para invadir o lugar e causar todo tipo de transtorno para seu proprietário. Até que um dia, Darcus (Malachi Kirby) e Altheia (Letitia Wright), membros do grupo revolucionário "Pantera Negra", decidem organizar um protesto pelos direitos dos frequentadores do Mangrove’, que acaba desencadeando um enfrentamento com a polícia e a prisão de nove pessoas que são levados para um julgamento cheio de hipocrisia e concessões.

Outro episódio que merece ser destacado é o terceiro. Nele acompanhamos Leroy (John Boyega) um jovem e inteligente rapaz negro que, contrariando sua família e cansado de ver a violência causada por policiais racistas, decide entrar para a instituição acreditando que assim, poderá mudar o sistema e proteger sua comunidade. Aliás foi por esse personagem que Boyega conquistou o Globo de Ouro 2021. Já os outros três episódios não são ruins, longe disso, mas também não serão unanimidade - o segundo é um ótimo exemplo da necessidade de uma identificação muito particular com a narrativa: centrado em uma festa da comunidade, em uma casa no subúrbio inglês, onde a música e a relação com ela conduzem a história, transitamos entre a leveza de uma homenagem cultural com a tensão por comportamentos extremamente conflituosos perante o semelhante.

O fato é que todos os episódios de "Small Axe" vão provocar inúmeras sensações e sentimentos - na sua maioria, não tão simples de lidar, mas importantíssimos e que nos provocam muitas reflexões - entender o retrato de uma dura realidade onde ser um cidadão negro e imigrante em um país que, naquele momento, enfrentava lutas pela independência das colônias africanas, definitivamente não parecia ser uma jornada segura. A série é inteligente ao mostrar esse drama e mesclar as tensões político-raciais com personagens carismáticos e complexos, cheio de camadas e extremamente introspectivos que, muitas vezes, usam do silêncio e do olhar para contar muito mais do que os ótimos diálogos que foram escritos. Reparem!

Olha, vale muito a pena! Muito mesmo!

Assista Agora

"Small Axe" é uma série antológica co-produzida pela BBC e pela Amazon Studios que tem na direção o excelente Steve McQueen - vencedor do Oscar com "12 Anos de Escravidão". Embora completamente independentes, o que une os episódios são as experiências reais de alguns personagens negros, membros da comunidade das Índias Ocidentais, em uma Londres extremamente racista e segregadora, durante os anos de 1969 e 1982. 

Embora difíceis, apoiados em situações extremas de intolerância, os roteiros do próprio McQueen ao lado da Rebecca Lenkiewicz ("Ida") constroem narrativas muito realistas, se apoiando em elementos, lugares e personagens que contribuíram, de alguma forma, para que a comunidade negra imigrante se sentisse mais próxima de casa, se reconectasse com sua cultura e origem, e ainda conquistasse mais espaço e direitos em território londrino. Confira o trailer (em inglês):

O primeiro filme é, sem dúvida, o melhor e mais impactante de todos - para mim, inclusive, o melhor filme de 2020 e que não pode disputar o Oscar por fazer parte de um seriado. Não por acaso, Mangrove’ tem duração maior que os demais: duas horas - ele é uma espécie de "versão inglesa" de "Os 7 de Chicago". Nele conhecemos um restaurante no coração de Notting Hill, cujo dono, Anthony (Darren Braithwaite) é um homem, negro, batalhador e bastante envolvido com a comunidade local. Todos  os frequentadores do restaurante são negros e isso é o suficiente para que policiais racistas como Pulley (Sam Spruell), criassem as mais diferentes desculpas para invadir o lugar e causar todo tipo de transtorno para seu proprietário. Até que um dia, Darcus (Malachi Kirby) e Altheia (Letitia Wright), membros do grupo revolucionário "Pantera Negra", decidem organizar um protesto pelos direitos dos frequentadores do Mangrove’, que acaba desencadeando um enfrentamento com a polícia e a prisão de nove pessoas que são levados para um julgamento cheio de hipocrisia e concessões.

Outro episódio que merece ser destacado é o terceiro. Nele acompanhamos Leroy (John Boyega) um jovem e inteligente rapaz negro que, contrariando sua família e cansado de ver a violência causada por policiais racistas, decide entrar para a instituição acreditando que assim, poderá mudar o sistema e proteger sua comunidade. Aliás foi por esse personagem que Boyega conquistou o Globo de Ouro 2021. Já os outros três episódios não são ruins, longe disso, mas também não serão unanimidade - o segundo é um ótimo exemplo da necessidade de uma identificação muito particular com a narrativa: centrado em uma festa da comunidade, em uma casa no subúrbio inglês, onde a música e a relação com ela conduzem a história, transitamos entre a leveza de uma homenagem cultural com a tensão por comportamentos extremamente conflituosos perante o semelhante.

O fato é que todos os episódios de "Small Axe" vão provocar inúmeras sensações e sentimentos - na sua maioria, não tão simples de lidar, mas importantíssimos e que nos provocam muitas reflexões - entender o retrato de uma dura realidade onde ser um cidadão negro e imigrante em um país que, naquele momento, enfrentava lutas pela independência das colônias africanas, definitivamente não parecia ser uma jornada segura. A série é inteligente ao mostrar esse drama e mesclar as tensões político-raciais com personagens carismáticos e complexos, cheio de camadas e extremamente introspectivos que, muitas vezes, usam do silêncio e do olhar para contar muito mais do que os ótimos diálogos que foram escritos. Reparem!

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