Viu Review - ml-catasfrofe

Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror

"Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" é uma excelente série documental da Netflix que coloca na linha do tempo as "causas" e "consequências" do 11 de setembro pelo ponto de vista de várias pessoas que de alguma forma estiveram (e estão) envolvidas com a relação entre os EUA e os grupos terroristas da Al-Qaeda e do Talibã. E aqui cabe uma primeira observação: o documentário é muito cuidadoso em apontar quem são os bandidos e quem são os mocinhos dessa história e ao assistir os cinco episódios, nossa sensação é que os mocinhos simplesmente não existem!

Como é de se imaginar, "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" acompanha os ataques terroristas lançados contra o World Trade Center pela Al-Qaeda em setembro de 2001, explorando desde as origens da organização terrorista na década de 1980, passando pela violenta resposta dos EUA no Oriente Médio depois dos ataques até os dias de hoje e o recente processo de desocupação das foças americanas no Afeganistão. Confira o trailer (em inglês):

Talvez "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" seja o documentário que melhor explica tudo que envolveu os ataques terroristas até hoje. Misturando muitas imagens de arquivo, gravações telefônicas, depoimentos de muitos personagens (uns bastante impactantes, inclusive), fotografias e documentos confidenciais, no fim da jornada é possível ter a exata noção de como o ser humano é um caso perdido! Desculpem a constatação, mas a forma como as peças vão se encaixando e as ações vão sendo discutidas, não raramente mostrando os dois lados da história, é de se perder a fé perante a humanidade - alguns depoimentos são tão sinceros, doloridos, além de editados de uma forma tão sensacional, que fica impossível não se emocionar e, claro, refletir sobre tudo.

O diretor Brian Knappenberger, do ótimo "Nobody Speak: Trials of the Free Press", criou uma dinâmica bastante interessante para contar a história do 11 de setembro. Knappenberger vai e volta no tempo de acordo com as ramificações que cada assunto vai abrindo. Veja, em um único documentários acompanhamos a relação da União Soviética com o Afeganistão, o nascimento da Al-Qaeda, os conflitos entre Bush e Saddam Hussein, os abusos que aconteceram em Guantánamo, o despreparo de alguns oficiais do exército americano para traçar estratégias de combate, os absurdos (e desvios) durante a criação de um novo exército afegão, como se deu a caçada a Osama Bin Laden, entre várias outras passagens marcantes da "Guerra contra o Terror" mesmo antes dela existir.

O bacana "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror"é que todos os assuntos abordados, embora sem tanta profundidade, são extremamente bem pontuados e explicados de uma forma didática até, porém muito fácil de acompanhar - cada assunto faz sentido no todo e isso nos causa uma agradável sensação de conhecimento de causa. Vale dizer que os cinco episódios podem ser destrinchados se buscarmos outros títulos para termos uma visão mais completa sobre os temas - "9/11: Inside the President's War Room" mostra os ataques pelos olhos do presidente Bush e de seu staff; "Vice"conta a história Dick Cheney, vice-presidente dos EUA e responsável pela invasão do Iraque, tendo como desculpa os ataques de 11 de setembro; "Segredos Oficiais" acompanha uma funcionária inglesa que recebeu ordens para que buscasse informações sobre membros do Conselho de Segurança da ONU que pudessem ser utilizados para chantagear seis países a votarem a favor da Guerra do Iraque; e assim por diante.

Como disse, são muitos filmes e séries sobre vários sub-temas que se conectam ao documentário "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" - então a partir desse competente overview vai ficar mais fácil decidir qual caminho seguir daqui para frente para se aprofundar nessas histórias que marcaram a humanidade.

Vale muito a pena, mesmo!!!

Assista Agora

"Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" é uma excelente série documental da Netflix que coloca na linha do tempo as "causas" e "consequências" do 11 de setembro pelo ponto de vista de várias pessoas que de alguma forma estiveram (e estão) envolvidas com a relação entre os EUA e os grupos terroristas da Al-Qaeda e do Talibã. E aqui cabe uma primeira observação: o documentário é muito cuidadoso em apontar quem são os bandidos e quem são os mocinhos dessa história e ao assistir os cinco episódios, nossa sensação é que os mocinhos simplesmente não existem!

Como é de se imaginar, "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" acompanha os ataques terroristas lançados contra o World Trade Center pela Al-Qaeda em setembro de 2001, explorando desde as origens da organização terrorista na década de 1980, passando pela violenta resposta dos EUA no Oriente Médio depois dos ataques até os dias de hoje e o recente processo de desocupação das foças americanas no Afeganistão. Confira o trailer (em inglês):

Talvez "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" seja o documentário que melhor explica tudo que envolveu os ataques terroristas até hoje. Misturando muitas imagens de arquivo, gravações telefônicas, depoimentos de muitos personagens (uns bastante impactantes, inclusive), fotografias e documentos confidenciais, no fim da jornada é possível ter a exata noção de como o ser humano é um caso perdido! Desculpem a constatação, mas a forma como as peças vão se encaixando e as ações vão sendo discutidas, não raramente mostrando os dois lados da história, é de se perder a fé perante a humanidade - alguns depoimentos são tão sinceros, doloridos, além de editados de uma forma tão sensacional, que fica impossível não se emocionar e, claro, refletir sobre tudo.

O diretor Brian Knappenberger, do ótimo "Nobody Speak: Trials of the Free Press", criou uma dinâmica bastante interessante para contar a história do 11 de setembro. Knappenberger vai e volta no tempo de acordo com as ramificações que cada assunto vai abrindo. Veja, em um único documentários acompanhamos a relação da União Soviética com o Afeganistão, o nascimento da Al-Qaeda, os conflitos entre Bush e Saddam Hussein, os abusos que aconteceram em Guantánamo, o despreparo de alguns oficiais do exército americano para traçar estratégias de combate, os absurdos (e desvios) durante a criação de um novo exército afegão, como se deu a caçada a Osama Bin Laden, entre várias outras passagens marcantes da "Guerra contra o Terror" mesmo antes dela existir.

O bacana "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror"é que todos os assuntos abordados, embora sem tanta profundidade, são extremamente bem pontuados e explicados de uma forma didática até, porém muito fácil de acompanhar - cada assunto faz sentido no todo e isso nos causa uma agradável sensação de conhecimento de causa. Vale dizer que os cinco episódios podem ser destrinchados se buscarmos outros títulos para termos uma visão mais completa sobre os temas - "9/11: Inside the President's War Room" mostra os ataques pelos olhos do presidente Bush e de seu staff; "Vice"conta a história Dick Cheney, vice-presidente dos EUA e responsável pela invasão do Iraque, tendo como desculpa os ataques de 11 de setembro; "Segredos Oficiais" acompanha uma funcionária inglesa que recebeu ordens para que buscasse informações sobre membros do Conselho de Segurança da ONU que pudessem ser utilizados para chantagear seis países a votarem a favor da Guerra do Iraque; e assim por diante.

Como disse, são muitos filmes e séries sobre vários sub-temas que se conectam ao documentário "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" - então a partir desse competente overview vai ficar mais fácil decidir qual caminho seguir daqui para frente para se aprofundar nessas histórias que marcaram a humanidade.

Vale muito a pena, mesmo!!!

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11/9 - A Vida sob Ataque

"11/9 - A Vida sob Ataque" é um documentário muito humano, sensível e ao mesmo tempo impactante, já que seu foco é exclusivamente contar a história do 11 de setembro pelos olhos de alguns novaiorquinos que de alguma forma presenciaram os ataques as Torres Gêmeas. 

É de fato um relato único, comovente e vívido do dia que mudou o mundo moderno. "9/11 Life Under Attack" (no original) é um filme de 90 minutos da ITV que conta histórias nunca antes reveladas, criadas por meio de uma montagem de vários vídeos e áudios inéditos. Confira o trailer (em inglês):

Veja, o que você vai encontrar é o mais próximo do que uma pessoa conseguiu assistir durante os ataques em NY. O diretor Nigel Levy (o mesmo por trás de "Formula 1: Dirigir para Viver") reuniu dezenas de vídeos caseiros e construiu uma narrativa "minuto a minuto" dos atentados. Sem nenhum depoimento, apenas apresentando os personagens com legendas, áudios das rádios locais, dos controladores de voo, de telefonemas vindos das Torres e dos aviões, Levy ilustra toda a tensão e incredulidade que as testemunhas viveram naquela manhã.

Claro que muitas daquelas imagens nós já conhecemos, mas as histórias não - são tão pessoais quanto desesperadoras! É conjunto de narrativas em primeira pessoa (na maioria das vezes) que nos impacta de uma forma muito sentimental, pois não faz parte de uma reinterpretação dos fatos, de uma lembrança distante ou de uma visão confortável do que acontecia - tudo que vemos em "real time" talvez seja a melhor definição do caos e isso é impressionante!

Para quem gostou de "11/9: Dentro da Sala de Guerra do Presidente" e "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" esse é mais um documentário imperdível - pela originalidade e pelo testemunho cruel! Vale muito a pena, mesmo!

Assista Agora

"11/9 - A Vida sob Ataque" é um documentário muito humano, sensível e ao mesmo tempo impactante, já que seu foco é exclusivamente contar a história do 11 de setembro pelos olhos de alguns novaiorquinos que de alguma forma presenciaram os ataques as Torres Gêmeas. 

É de fato um relato único, comovente e vívido do dia que mudou o mundo moderno. "9/11 Life Under Attack" (no original) é um filme de 90 minutos da ITV que conta histórias nunca antes reveladas, criadas por meio de uma montagem de vários vídeos e áudios inéditos. Confira o trailer (em inglês):

Veja, o que você vai encontrar é o mais próximo do que uma pessoa conseguiu assistir durante os ataques em NY. O diretor Nigel Levy (o mesmo por trás de "Formula 1: Dirigir para Viver") reuniu dezenas de vídeos caseiros e construiu uma narrativa "minuto a minuto" dos atentados. Sem nenhum depoimento, apenas apresentando os personagens com legendas, áudios das rádios locais, dos controladores de voo, de telefonemas vindos das Torres e dos aviões, Levy ilustra toda a tensão e incredulidade que as testemunhas viveram naquela manhã.

Claro que muitas daquelas imagens nós já conhecemos, mas as histórias não - são tão pessoais quanto desesperadoras! É conjunto de narrativas em primeira pessoa (na maioria das vezes) que nos impacta de uma forma muito sentimental, pois não faz parte de uma reinterpretação dos fatos, de uma lembrança distante ou de uma visão confortável do que acontecia - tudo que vemos em "real time" talvez seja a melhor definição do caos e isso é impressionante!

Para quem gostou de "11/9: Dentro da Sala de Guerra do Presidente" e "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" esse é mais um documentário imperdível - pela originalidade e pelo testemunho cruel! Vale muito a pena, mesmo!

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11/9: Dentro da Sala de Guerra do Presidente

"9/11: Inside the President's War Room" (no original), documentário da BBC Films em parceria com a Apple, é simplesmente imperdível - pelas imagens dramáticas, pelos depoimentos de quem esteve ao lado do presidente Bush naquele dia e, principalmente, pela forma como a linha do tempo foi construída. Eu diria que esse documentário da AppleTV+ é um dos melhores do ano e certamente vai te colocar naquela atmosfera tão marcante de 20 anos atrás.

Em pouco mais de 90 minutos experimentamos os eventos de 11 de setembro de 2001 através dos olhos do presidente Bush e de seus assessores mais próximos, enquanto eles detalham pessoalmente alguns momentos cruciais e as principais decisões daquele dia histórico. O documentário cobre as primeiras 12 horas de terror e desinformação de uma forma avassaladora. Confira o trailer (em inglês):

O diferencial desse documentário com relação aos vários outros que já assisti, sem dúvida, diz respeito aos personagens que dão depoimentos: são entrevistas exclusivas com o presidente George W. Bush, com o vice Dick Cheney, com a conselheira de segurança nacional Condoleezza Rice, com o secretário de Estado Colin Powell, ente outros - inclusive profissionais da imprensa que cobriam a agenda do presidente na Flórida e que, indiretamente, viveram aquele dia histórico ao lado dele.

É muito interessante a proposta do diretor Adam Wishart em nos posicionar na linha do tempo em relação as (des)informações do staff do presidente em paralelo aos acontecimentos de Nova York e Washington, em tempo real. A forma como os personagens se dividem nas ações em resposta aos relatórios iniciais, primeiro descartando um acidente com um avião de pequeno porte e depois quando os ataques foram confirmados como uma atividade terrorista - as reações, a tensão, tudo está ali. É muito curioso como cada personagem assume uma posição hierárquica perante o caos e como algumas deficiências tecnológicas da época impactaram nas tomadas de decisões - a ordem para abater o United 93 é um ótimo exemplo e sem dúvida um dos momentos que mais embrulha o estômago. 

"9/11: Inside the President's War Room" é uma aula de narrativa que equilibra perfeitamente entrevistas, cenas de arquivo e imagens inéditas dos ataques, incluindo uma quantidade enorme de fotos de dentro da própria "sala de guerra" do presidente (e de seu vice) que passou o dia entre o Air Force One e vários Bunkers, até chegar na Casa Branca para um pronunciamento emocionante e histórico.

Em tempo, se você gosta do assunto eu sugiro que você assista dois títulos antes de chegar no documentário (nessa ordem): "The Looming Tower" com Jeff Daniels (que inclusive é o narrador de "9/11: Inside the President's War Room") e depois "O Relatório"com Adam Driver - tenha certeza que a experiência será incrível pelo encaixe das narrativas e visões dos seus personagens.

Imperdível!

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"9/11: Inside the President's War Room" (no original), documentário da BBC Films em parceria com a Apple, é simplesmente imperdível - pelas imagens dramáticas, pelos depoimentos de quem esteve ao lado do presidente Bush naquele dia e, principalmente, pela forma como a linha do tempo foi construída. Eu diria que esse documentário da AppleTV+ é um dos melhores do ano e certamente vai te colocar naquela atmosfera tão marcante de 20 anos atrás.

Em pouco mais de 90 minutos experimentamos os eventos de 11 de setembro de 2001 através dos olhos do presidente Bush e de seus assessores mais próximos, enquanto eles detalham pessoalmente alguns momentos cruciais e as principais decisões daquele dia histórico. O documentário cobre as primeiras 12 horas de terror e desinformação de uma forma avassaladora. Confira o trailer (em inglês):

O diferencial desse documentário com relação aos vários outros que já assisti, sem dúvida, diz respeito aos personagens que dão depoimentos: são entrevistas exclusivas com o presidente George W. Bush, com o vice Dick Cheney, com a conselheira de segurança nacional Condoleezza Rice, com o secretário de Estado Colin Powell, ente outros - inclusive profissionais da imprensa que cobriam a agenda do presidente na Flórida e que, indiretamente, viveram aquele dia histórico ao lado dele.

É muito interessante a proposta do diretor Adam Wishart em nos posicionar na linha do tempo em relação as (des)informações do staff do presidente em paralelo aos acontecimentos de Nova York e Washington, em tempo real. A forma como os personagens se dividem nas ações em resposta aos relatórios iniciais, primeiro descartando um acidente com um avião de pequeno porte e depois quando os ataques foram confirmados como uma atividade terrorista - as reações, a tensão, tudo está ali. É muito curioso como cada personagem assume uma posição hierárquica perante o caos e como algumas deficiências tecnológicas da época impactaram nas tomadas de decisões - a ordem para abater o United 93 é um ótimo exemplo e sem dúvida um dos momentos que mais embrulha o estômago. 

"9/11: Inside the President's War Room" é uma aula de narrativa que equilibra perfeitamente entrevistas, cenas de arquivo e imagens inéditas dos ataques, incluindo uma quantidade enorme de fotos de dentro da própria "sala de guerra" do presidente (e de seu vice) que passou o dia entre o Air Force One e vários Bunkers, até chegar na Casa Branca para um pronunciamento emocionante e histórico.

Em tempo, se você gosta do assunto eu sugiro que você assista dois títulos antes de chegar no documentário (nessa ordem): "The Looming Tower" com Jeff Daniels (que inclusive é o narrador de "9/11: Inside the President's War Room") e depois "O Relatório"com Adam Driver - tenha certeza que a experiência será incrível pelo encaixe das narrativas e visões dos seus personagens.

Imperdível!

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150 Miligramas

Quando os interesses econômicos se sobressaem ao que realmente impacta na sociedade, independente do universo em que essa "mentira" (para não dizer hipocrisia) esteja inserida, encontramos uma ótima premissa para o desenvolvimento de uma jornada que, de fato, vai prender a atenção da audiência - primeiro por nos provocar, de imediato, indignação e depois por gerar uma enorme empatia pela protagonista que luta contra tudo e contra todos para provar que o "sistema" não está preocupado com o ser humano e sim com o seu lucro. Indicado ao César Awards (o Oscar Francês) em 2017, "150 Miligramas" é uma surpreendente adaptação do livro da pneumologista Irène Frachon que segue justamente essa linha narrativa - o filme retrata o que foi considerado por muitos, uma das mais impactantes denúncias que a indústria farmacêutica já sofreu em todos os tempos.

"La Fille de Brest" (no original) recria a luta travada pela Dra. Franchon (Sidse Babett Knudsen), entre 2009 e 2011, quando ela colocou a própria profissão em risco ao desafiar a indústria farmacêutica e estabelecer uma ligação direta entre mortes suspeitas e o consumo de Mediator, um medicamento para controle da obesidade em diabéticos que apresentava graves efeitos colaterais, mesmo já no mercado há mais 30 anos. Confira o trailer:

Contextualizando, a ótima diretora Emmanuelle Bercot já havia se destacado ao priorizar personagens femininas fortes - seus dois trabalhos anteriores teve "só" Catherine Deneuve como protagonista ("Ela Vai" de 2013 e "De Cabeça Erguida" de 2015), então já era de se esperar que a talentosa Sidse Babett Knudsen fosse capaz de entregar uma Irène Frachon incrível - e é o que acontece! Knudsen foi capaz de traduzir a expectativa de Bercot, criando uma protagonista que oscila emocionalmente de acordo com a situação em que ela se encontra. Essa capacidade da atriz humaniza sua personagem de uma forma que, por muitos momentos, temos a impressão de estarmos assistindo ao mesmo tempo um documentário investigativo e um filme caseiro de sua família. E aqui cabe um comentário: Knudsen concorreu ao prêmio de Melhor Atriz no César Awards daquele ano por essa performance.

Por se tratar de uma adaptação, a linha acaba ficando muito tênue entre o genial e o superficial, principalmente pelo pouco tempo para expor os sentimentos mais honestos e profundos dos personagens e é justamente por isso que destaco um dos grandes acertos do roteiro de Séverine Bosschem ao lado de Bercot: existe um equilíbrio entre poesia e drama - as cenas da protagonista no mar, ilustrando de forma metafórica sua incessante luta contra o laboratório Servier, nadando contra a maré, quase perdendo o fôlego e ainda tentando sobreviver em meio a tanta pressão, é simplesmente incrível! Impossível também não destacar o trabalho do fotógrafo indicado ao Oscar em 2012 pelo "O Artista", Guillaume Schiffman.

Como em "Minamata" ou no mais recente "O Preço da Verdade", existe uma proposital sensação de exaustão depois de duas horas de filme para ilustrar o peso da jornada de Irène Frachon, rodeada de estafa física e psicológica, mas lindamente decodificada pela diretora que não se limitou em construir "uma salvadora da pátria" e sim retratar os seus medos, suas falhas e inseguranças - e como dito em uma das melhores passagens do filme: "não há luta sem medo e ele atinge todos os rebeldes".

Vale muito a pena!

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Quando os interesses econômicos se sobressaem ao que realmente impacta na sociedade, independente do universo em que essa "mentira" (para não dizer hipocrisia) esteja inserida, encontramos uma ótima premissa para o desenvolvimento de uma jornada que, de fato, vai prender a atenção da audiência - primeiro por nos provocar, de imediato, indignação e depois por gerar uma enorme empatia pela protagonista que luta contra tudo e contra todos para provar que o "sistema" não está preocupado com o ser humano e sim com o seu lucro. Indicado ao César Awards (o Oscar Francês) em 2017, "150 Miligramas" é uma surpreendente adaptação do livro da pneumologista Irène Frachon que segue justamente essa linha narrativa - o filme retrata o que foi considerado por muitos, uma das mais impactantes denúncias que a indústria farmacêutica já sofreu em todos os tempos.

"La Fille de Brest" (no original) recria a luta travada pela Dra. Franchon (Sidse Babett Knudsen), entre 2009 e 2011, quando ela colocou a própria profissão em risco ao desafiar a indústria farmacêutica e estabelecer uma ligação direta entre mortes suspeitas e o consumo de Mediator, um medicamento para controle da obesidade em diabéticos que apresentava graves efeitos colaterais, mesmo já no mercado há mais 30 anos. Confira o trailer:

Contextualizando, a ótima diretora Emmanuelle Bercot já havia se destacado ao priorizar personagens femininas fortes - seus dois trabalhos anteriores teve "só" Catherine Deneuve como protagonista ("Ela Vai" de 2013 e "De Cabeça Erguida" de 2015), então já era de se esperar que a talentosa Sidse Babett Knudsen fosse capaz de entregar uma Irène Frachon incrível - e é o que acontece! Knudsen foi capaz de traduzir a expectativa de Bercot, criando uma protagonista que oscila emocionalmente de acordo com a situação em que ela se encontra. Essa capacidade da atriz humaniza sua personagem de uma forma que, por muitos momentos, temos a impressão de estarmos assistindo ao mesmo tempo um documentário investigativo e um filme caseiro de sua família. E aqui cabe um comentário: Knudsen concorreu ao prêmio de Melhor Atriz no César Awards daquele ano por essa performance.

Por se tratar de uma adaptação, a linha acaba ficando muito tênue entre o genial e o superficial, principalmente pelo pouco tempo para expor os sentimentos mais honestos e profundos dos personagens e é justamente por isso que destaco um dos grandes acertos do roteiro de Séverine Bosschem ao lado de Bercot: existe um equilíbrio entre poesia e drama - as cenas da protagonista no mar, ilustrando de forma metafórica sua incessante luta contra o laboratório Servier, nadando contra a maré, quase perdendo o fôlego e ainda tentando sobreviver em meio a tanta pressão, é simplesmente incrível! Impossível também não destacar o trabalho do fotógrafo indicado ao Oscar em 2012 pelo "O Artista", Guillaume Schiffman.

Como em "Minamata" ou no mais recente "O Preço da Verdade", existe uma proposital sensação de exaustão depois de duas horas de filme para ilustrar o peso da jornada de Irène Frachon, rodeada de estafa física e psicológica, mas lindamente decodificada pela diretora que não se limitou em construir "uma salvadora da pátria" e sim retratar os seus medos, suas falhas e inseguranças - e como dito em uma das melhores passagens do filme: "não há luta sem medo e ele atinge todos os rebeldes".

Vale muito a pena!

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438 Dias

438 Dias

Uma das maravilhas desses tempos de streaming é poder ter acesso à filmes incríveis que certamente não teriam a menor chance no circuito comercial das salas de cinema - esse é o caso de "438 Dias", produção sueca do diretor Jesper Ganslandt ( o mesmo de "Dinheiro Fácil: A Série" da Netflix). Muito bem realizado cinematograficamente, essa é uma história que de fato merecia ser contada - então se você gosta de tramas investigativas ou de denúncias que impactam toda uma sociedade, como "150 Miligramas""Minamata" ou "O Preço da Verdade", sua diversão está garantida!

Em 2011 os jornalistas suecos Martin Schibbye (Gustaf Skarsgård) e Johan Persson (Matias Varela) colocaram tudo em jogo, inclusive suas vidas, ao cruzar ilegalmente a fronteira da Somália para a Etiópia. Depois de meses de pesquisa, planejamento e tentativas fracassadas, eles estavam finalmente no caminho para relatar como a implacável busca por petróleo afetou a comunidade da isolada e conflituosa região de Ogaden. Confira o trailer:

Baseado, obviamente, na história real contada no livro escrito pelos próprios protagonistas de "438 Dias", o roteiro de Peter Birro traz para a narrativa vários elementos dramáticos dos títulos referenciados acima, porém com uma diferença fundamental: ele conta sim a jornada investigativa pela qual os jornalistas Johan Persson e Martin Schibbyeo estavam trabalhando, mas o foco mesmo é o incidente que levou a dupla à prisão na Etiópia e suas consequências.

Se apoiando nos relatos pessoais de ambos, Ganslandt foi muito feliz em criar um clima de tensão permanente durante toda a narrativa - provocando sensações bem particulares, o filme mostra como provas foram forjadas, porquê as autoridades queriam evitar que eles investigassem o envolvimento da Lundin Oil na região de Ogaden e como se deu uma eventual participação do Ministro das Relações Exteriores da Suécia (antes um alto diretor da empresa). Olha, existe um equilíbrio perfeito de temas que vai do jornalismo investigativo, passando ao drama político e que culmina nos momentos de terror que os personagens passaram enquanto esperavam seus julgamentos, presos em condições desumanas - e aqui cabe um comentário: o tom de denúncia do filme é tão forte que a estrutura narrativa soa quase como documental, com o diretor, inclusive, impondo um conceito que mistura as duas linguagens (ficção e documentário) em muitas passagens-chave da história.

Agora, é preciso dizer também que "438 Dias" não é um filme sobre prisão, onde a ação muitas vezes se sobrepõe ao drama real - aqui temos uma narrativa que não se apoia em sensacionalismo, ou seja, o roteiro mais sugere do que mostra, não aumenta os fatos e muito menos exagera em passagens que por si só já são impactantes. Claro que existem gatilhos visuais em situações marcantes que provocam certas emoções, mas nunca além da conta e isso transforma a jornada em algo muito mais introspectiva do que expositiva - mesmo que cadenciada demais para alguns, essa escolha foi um golaço do diretor!

Em dias turbulentos, "438 Dias" é um filme importante, para que governos autoritários ou os interesses de grandes corporações não suprimam o direito básico da "liberdade de expressão". Vale muito seu play!  

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Uma das maravilhas desses tempos de streaming é poder ter acesso à filmes incríveis que certamente não teriam a menor chance no circuito comercial das salas de cinema - esse é o caso de "438 Dias", produção sueca do diretor Jesper Ganslandt ( o mesmo de "Dinheiro Fácil: A Série" da Netflix). Muito bem realizado cinematograficamente, essa é uma história que de fato merecia ser contada - então se você gosta de tramas investigativas ou de denúncias que impactam toda uma sociedade, como "150 Miligramas""Minamata" ou "O Preço da Verdade", sua diversão está garantida!

Em 2011 os jornalistas suecos Martin Schibbye (Gustaf Skarsgård) e Johan Persson (Matias Varela) colocaram tudo em jogo, inclusive suas vidas, ao cruzar ilegalmente a fronteira da Somália para a Etiópia. Depois de meses de pesquisa, planejamento e tentativas fracassadas, eles estavam finalmente no caminho para relatar como a implacável busca por petróleo afetou a comunidade da isolada e conflituosa região de Ogaden. Confira o trailer:

Baseado, obviamente, na história real contada no livro escrito pelos próprios protagonistas de "438 Dias", o roteiro de Peter Birro traz para a narrativa vários elementos dramáticos dos títulos referenciados acima, porém com uma diferença fundamental: ele conta sim a jornada investigativa pela qual os jornalistas Johan Persson e Martin Schibbyeo estavam trabalhando, mas o foco mesmo é o incidente que levou a dupla à prisão na Etiópia e suas consequências.

Se apoiando nos relatos pessoais de ambos, Ganslandt foi muito feliz em criar um clima de tensão permanente durante toda a narrativa - provocando sensações bem particulares, o filme mostra como provas foram forjadas, porquê as autoridades queriam evitar que eles investigassem o envolvimento da Lundin Oil na região de Ogaden e como se deu uma eventual participação do Ministro das Relações Exteriores da Suécia (antes um alto diretor da empresa). Olha, existe um equilíbrio perfeito de temas que vai do jornalismo investigativo, passando ao drama político e que culmina nos momentos de terror que os personagens passaram enquanto esperavam seus julgamentos, presos em condições desumanas - e aqui cabe um comentário: o tom de denúncia do filme é tão forte que a estrutura narrativa soa quase como documental, com o diretor, inclusive, impondo um conceito que mistura as duas linguagens (ficção e documentário) em muitas passagens-chave da história.

Agora, é preciso dizer também que "438 Dias" não é um filme sobre prisão, onde a ação muitas vezes se sobrepõe ao drama real - aqui temos uma narrativa que não se apoia em sensacionalismo, ou seja, o roteiro mais sugere do que mostra, não aumenta os fatos e muito menos exagera em passagens que por si só já são impactantes. Claro que existem gatilhos visuais em situações marcantes que provocam certas emoções, mas nunca além da conta e isso transforma a jornada em algo muito mais introspectiva do que expositiva - mesmo que cadenciada demais para alguns, essa escolha foi um golaço do diretor!

Em dias turbulentos, "438 Dias" é um filme importante, para que governos autoritários ou os interesses de grandes corporações não suprimam o direito básico da "liberdade de expressão". Vale muito seu play!  

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Além da Vida

"Além da Vida" conta a história de três pessoas que são assombradas pela "morte", de diferentes formas. George (Matt Damon) é um trabalhador da construção civil que tem uma ligação especial com a vida além da morte. Marie (Cécile de France), uma jornalista francesa, é uma das vítimas do Tsunami de 2004 que quase a matou. E Marcus (George McLaren e Frankie McLaren), é uma criança londrina, que quando perde o seu irmão gêmeo, procura desesperadamente obter respostas que fogem do seu entendimento. Cada um deles está em busca da sua verdade até que seus caminhos se cruzam e alteram para sempre aquilo em que eles acreditavam existir além da vida. Confira o Trailer:

"Hereafter" (no original) é um filme de 2010 dirigido pelo excelente Clint Eastwood que fala sobre a relação do ser humano com a morte (ou o que não se sabe dela). Por si só o tema já chamaria a atenção, mas somando uma direção precisa e segura de um premiado Eastwood e uma cena simplesmente sensacional do Tsunami (que, inclusive, lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Efeitos Visuais em 2011), teríamos um drama dos bons, certo? Certo, mas quando as três histórias dos três personagens distintos se encontram no final (ao melhor estilo Alejandro Gonzalez Inarritu) percebemos que o filme não supera nossas expectativas - seu sentimentalismo, na minha opinião, passou um pouco do ponto. Não chega a atrapalhar a nossa experiência, mas coloca "Além da Vida" em outra prateleira.

Certamente a direção é melhor do filme: as histórias são muito bem construídas, os personagens são intensos com seus dramas particulares e os “eventos” que os fazem pensar sobre a razão de suas próprias existências funcionam muito bem - mas o roteiro oscila, ele acaba alternando momentos grandiosos (e não falo só da cena do Tsunami) com momentos um pouco arrastados, que chega a cansar um pouco.

Claro que o filme vale a pena, existem três momentos específicos que justificam muito as duas horas de duração, mas admito que esperava um pouco mais - talvez até pelo tamanho das minhas expectativas depois de assistir um trailer tão empolgante.

Vale como um ótimo entretenimento!

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"Além da Vida" conta a história de três pessoas que são assombradas pela "morte", de diferentes formas. George (Matt Damon) é um trabalhador da construção civil que tem uma ligação especial com a vida além da morte. Marie (Cécile de France), uma jornalista francesa, é uma das vítimas do Tsunami de 2004 que quase a matou. E Marcus (George McLaren e Frankie McLaren), é uma criança londrina, que quando perde o seu irmão gêmeo, procura desesperadamente obter respostas que fogem do seu entendimento. Cada um deles está em busca da sua verdade até que seus caminhos se cruzam e alteram para sempre aquilo em que eles acreditavam existir além da vida. Confira o Trailer:

"Hereafter" (no original) é um filme de 2010 dirigido pelo excelente Clint Eastwood que fala sobre a relação do ser humano com a morte (ou o que não se sabe dela). Por si só o tema já chamaria a atenção, mas somando uma direção precisa e segura de um premiado Eastwood e uma cena simplesmente sensacional do Tsunami (que, inclusive, lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Efeitos Visuais em 2011), teríamos um drama dos bons, certo? Certo, mas quando as três histórias dos três personagens distintos se encontram no final (ao melhor estilo Alejandro Gonzalez Inarritu) percebemos que o filme não supera nossas expectativas - seu sentimentalismo, na minha opinião, passou um pouco do ponto. Não chega a atrapalhar a nossa experiência, mas coloca "Além da Vida" em outra prateleira.

Certamente a direção é melhor do filme: as histórias são muito bem construídas, os personagens são intensos com seus dramas particulares e os “eventos” que os fazem pensar sobre a razão de suas próprias existências funcionam muito bem - mas o roteiro oscila, ele acaba alternando momentos grandiosos (e não falo só da cena do Tsunami) com momentos um pouco arrastados, que chega a cansar um pouco.

Claro que o filme vale a pena, existem três momentos específicos que justificam muito as duas horas de duração, mas admito que esperava um pouco mais - talvez até pelo tamanho das minhas expectativas depois de assistir um trailer tão empolgante.

Vale como um ótimo entretenimento!

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Challenger - Voo Final

Talvez o "acidente" com o Challenger seja um dos três eventos mais marcantes para a sociedade americana moderna, ao lado do assassinato do presidente Kennedy e do 11 de setembro. E, de fato, quem se lembra daquela manhã de 1986 entende o quão impactante foi assistir o ônibus espacial explodir segundos após o lançamento - principalmente pelo que representava o programa espacial da NASA e como ele estava inserido em um contexto político bastante delicado na época.

Produzido pelo J.J. Abrams (Lost) e Glen Zipper (Showbiz Kids), a minissérie documental da Netflix examina tudo o que envolveu a catastrófica missão espacial com o Challenger que, tragicamente, explodiu 73 segundos após o seu lançamento, matando 6 astronautas e uma civil, perante milhões de testemunhas que assistiam, ao vivo, o evento pela TV. Incorporando entrevistas nunca antes vistas e raros arquivos da época, "Challenger - Voo Final" oferece uma perspectiva profunda sobre uma das tripulações com a maior diversidade que a NASA mandaria para o espaço da sua história, incluindo Christa McAuliffe, uma professora que seria a primeira cidadã comum a ir para o espaço. Confira o trailer original:

A minissérie é curta, apenas 4 episódios de 45 minutos, o que nos permite assistir tudo em uma tacada só e posso garantir, é uma experiência incrível! A maneira como a produção reconstrói aquela realidade e a forma como os diretores Daniel Junge (vencedor do Oscar 2012 por "Saving Face") e o novato Steven Leckart conectam os fatos com entrevistas atuais, materiais de imprensa, cenas de arquivo; olha, é impressionante - além de muito, mas muito, comovente (e revoltante)!

No inicio dos anos 80, o Challenger já havia realizado nove missões bem-sucedidas ao espaço, com isso o caro programa da NASA vinha perdendo o apelo popular. Como, até então, nenhum grande problema que pudesse chamar a atenção dos engenheiros ou da tripulação havia sido relatado, o ônibus espacial foi considerado um meio de transporte, vejam só, tão seguro quanto um avião comercial. Com isso, foi sugerido colocar uma civil na próxima missão, no caso uma professora, que daria duas aulas do espaço e mostraria para toda uma nação que uma experiência fora da Terra já não era mais algo tão distante para pessoas sem o rígido treinamento dos astronautas. Claro que essa iniciativa transformou o lançamento do Challenger em um evento especial, escondendo, inclusive, a pressão por mais missões que justificassem o alto orçamento do programa e alguns relatórios que sugeriam uma falha técnica nos foguetes de combustível sólido fabricados pela Thiokol.

Dito isso, fica muito mais fácil entender a importância desse documentário e como, mais uma vez, o ser humano se torna o protagonista de uma tragédia que poderia ser evitada. Se em séries como "The Looming Tower" ou filmes como "O Relatório" entendemos como o ego e a ambição pelo poder não evitaram os ataques de 11 de setembro, em  "Challenger - Voo Final" encontramos algo muito parecido, se não pelos motivos, certamente pela postura de quem tomava as decisões! O interessante é que a dinâmica narrativa da minissérie vai construindo uma linha do tempo de uma forma muito simples e até os assuntos mais técnicos que poderiam dificultar nosso entendimento, são discutidos muito coloquialmente e esse é um dos maiores méritos do projeto: fica verdadeiramente fácil entender onde a coisa começou a complicar e o porquê os reflexos foram praticamente imediatos.

Muito bem produzido, escrito e dirigido, "Challenger - Voo Final" é mais um projeto que chegará muito forte na temporada de premiações de 2021 por carregar no seu texto elementos técnicos e investigativos muito bem expostos e muitos fatores emocionais presentes em quase toda narrativa, sejam pelos engenheiros e líderes que participaram das decisões na época ou pelos próprios familiares da tripulação que, anos depois, foram capazes de olhar em retrospectiva para tentar nos passar um pouco do que representou (ou representa) essa tragédia na vida de uma cada um deles! 

"Challenger - Voo Final" é imperdível!

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Talvez o "acidente" com o Challenger seja um dos três eventos mais marcantes para a sociedade americana moderna, ao lado do assassinato do presidente Kennedy e do 11 de setembro. E, de fato, quem se lembra daquela manhã de 1986 entende o quão impactante foi assistir o ônibus espacial explodir segundos após o lançamento - principalmente pelo que representava o programa espacial da NASA e como ele estava inserido em um contexto político bastante delicado na época.

Produzido pelo J.J. Abrams (Lost) e Glen Zipper (Showbiz Kids), a minissérie documental da Netflix examina tudo o que envolveu a catastrófica missão espacial com o Challenger que, tragicamente, explodiu 73 segundos após o seu lançamento, matando 6 astronautas e uma civil, perante milhões de testemunhas que assistiam, ao vivo, o evento pela TV. Incorporando entrevistas nunca antes vistas e raros arquivos da época, "Challenger - Voo Final" oferece uma perspectiva profunda sobre uma das tripulações com a maior diversidade que a NASA mandaria para o espaço da sua história, incluindo Christa McAuliffe, uma professora que seria a primeira cidadã comum a ir para o espaço. Confira o trailer original:

A minissérie é curta, apenas 4 episódios de 45 minutos, o que nos permite assistir tudo em uma tacada só e posso garantir, é uma experiência incrível! A maneira como a produção reconstrói aquela realidade e a forma como os diretores Daniel Junge (vencedor do Oscar 2012 por "Saving Face") e o novato Steven Leckart conectam os fatos com entrevistas atuais, materiais de imprensa, cenas de arquivo; olha, é impressionante - além de muito, mas muito, comovente (e revoltante)!

No inicio dos anos 80, o Challenger já havia realizado nove missões bem-sucedidas ao espaço, com isso o caro programa da NASA vinha perdendo o apelo popular. Como, até então, nenhum grande problema que pudesse chamar a atenção dos engenheiros ou da tripulação havia sido relatado, o ônibus espacial foi considerado um meio de transporte, vejam só, tão seguro quanto um avião comercial. Com isso, foi sugerido colocar uma civil na próxima missão, no caso uma professora, que daria duas aulas do espaço e mostraria para toda uma nação que uma experiência fora da Terra já não era mais algo tão distante para pessoas sem o rígido treinamento dos astronautas. Claro que essa iniciativa transformou o lançamento do Challenger em um evento especial, escondendo, inclusive, a pressão por mais missões que justificassem o alto orçamento do programa e alguns relatórios que sugeriam uma falha técnica nos foguetes de combustível sólido fabricados pela Thiokol.

Dito isso, fica muito mais fácil entender a importância desse documentário e como, mais uma vez, o ser humano se torna o protagonista de uma tragédia que poderia ser evitada. Se em séries como "The Looming Tower" ou filmes como "O Relatório" entendemos como o ego e a ambição pelo poder não evitaram os ataques de 11 de setembro, em  "Challenger - Voo Final" encontramos algo muito parecido, se não pelos motivos, certamente pela postura de quem tomava as decisões! O interessante é que a dinâmica narrativa da minissérie vai construindo uma linha do tempo de uma forma muito simples e até os assuntos mais técnicos que poderiam dificultar nosso entendimento, são discutidos muito coloquialmente e esse é um dos maiores méritos do projeto: fica verdadeiramente fácil entender onde a coisa começou a complicar e o porquê os reflexos foram praticamente imediatos.

Muito bem produzido, escrito e dirigido, "Challenger - Voo Final" é mais um projeto que chegará muito forte na temporada de premiações de 2021 por carregar no seu texto elementos técnicos e investigativos muito bem expostos e muitos fatores emocionais presentes em quase toda narrativa, sejam pelos engenheiros e líderes que participaram das decisões na época ou pelos próprios familiares da tripulação que, anos depois, foram capazes de olhar em retrospectiva para tentar nos passar um pouco do que representou (ou representa) essa tragédia na vida de uma cada um deles! 

"Challenger - Voo Final" é imperdível!

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Chernobyl

Assisti o primeiro episódio de "Chernobyl" na sexta-feira que antecedeu ao "grande" final de "Game of Thrones". De cara fiquei impressionado com a qualidade da produção e como uma história tão assustadora chegava as telas sem tanto marketing. Parecia que a conta não fechava, pois era tudo tão perfeito que cheguei a duvidar se série manteria a mesma qualidade até o final, pois a HBO pareceu nem ter dado tanta importância para a sua estreia! "Deve ser o efeito GoT", pensei, mas preferi esperar mais alguns episódios antes de fazer esse review.

Três episódios depois posso afirmar com a mais absoluta certeza: "Chernobyl" é daquelas obras que entrarão para um hall que poucos se mantiveram depois de terminada a jornada de seus personagens! Ajuda o fato de ser uma minissérie, com apenas 5 episódios de uma hora, baseado em fatos reais e com aquele cuidado no desenvolvimento que a HBO faz como ninguém. "Chernobyl" é impecável em contar o catastrófico acidente nuclear que aconteceu na Ucrânia, República da então União Soviética, em 1986. Mais genial ainda é a maneira como se constrói a história humanizando três personagens-chaves dentro de uma trama cheia de crueldade e verdades escondidas pelo nebuloso véu político do socialismo da época - diga-se de passagem, muito bem reconstituída pela equipe de Production Design. 

Tudo é bem embasado por muita pesquisa, o que traz um tom de realismo extremamente bem alinhado com tipo de fotografia "vintage" do desconhecido Jakob Ihre - frio, sombrio! A direção impecável é do Johan Renck de Bloodline, Breaking Bad e Vikings. O desenho de som merece um destaque: reparem no medidor de radiação pontuando os momentos de maior tensão da série, criando um tipo sensação apavorante como poucas vezes eu vi (e senti). A maquiagem, embora chocante, é belíssima! É sério, pode separar um lugar bem grande na estante porque "Chernobyl" vai levar muitas estatuetas na próxima temporada de premiação, tanto em categorias técnicas quanto artísticas! pode me cobrar!!!

O fato é que se você queria uma razão para não cancelar sua assinatura da HBOGo depois do final (ops!) de GoT, meu amigo, essa razão se chama "Chernobyl" - uma pena que a HBO menosprezou seu potencial por aqui, mas ao mesmo tempo essa estratégia ajudou a gerar um buzz enorme, pois sem expectativa nenhuma, a minissérie foi conquistando seu publico e reverberando mundialmente. No site IMDb, por exemplo, "Chernobyl" chegou a aparecer em primeiro lugar como a melhor série de todos os tempos, deixando para trás clássicos como "Band of Brothers", "Breaking Bad" e o próprio "Game of Thrones". 

Olha, vale muito o play e um conselho: aproveite cada minuto, pois seu criador, Craig Mazin, já avisou que não existe a menor possibilidade do "Chernobyl" se transformar em série e, eventualmente, ter uma segunda temporada! Ainda bem!!!!!

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Assisti o primeiro episódio de "Chernobyl" na sexta-feira que antecedeu ao "grande" final de "Game of Thrones". De cara fiquei impressionado com a qualidade da produção e como uma história tão assustadora chegava as telas sem tanto marketing. Parecia que a conta não fechava, pois era tudo tão perfeito que cheguei a duvidar se série manteria a mesma qualidade até o final, pois a HBO pareceu nem ter dado tanta importância para a sua estreia! "Deve ser o efeito GoT", pensei, mas preferi esperar mais alguns episódios antes de fazer esse review.

Três episódios depois posso afirmar com a mais absoluta certeza: "Chernobyl" é daquelas obras que entrarão para um hall que poucos se mantiveram depois de terminada a jornada de seus personagens! Ajuda o fato de ser uma minissérie, com apenas 5 episódios de uma hora, baseado em fatos reais e com aquele cuidado no desenvolvimento que a HBO faz como ninguém. "Chernobyl" é impecável em contar o catastrófico acidente nuclear que aconteceu na Ucrânia, República da então União Soviética, em 1986. Mais genial ainda é a maneira como se constrói a história humanizando três personagens-chaves dentro de uma trama cheia de crueldade e verdades escondidas pelo nebuloso véu político do socialismo da época - diga-se de passagem, muito bem reconstituída pela equipe de Production Design. 

Tudo é bem embasado por muita pesquisa, o que traz um tom de realismo extremamente bem alinhado com tipo de fotografia "vintage" do desconhecido Jakob Ihre - frio, sombrio! A direção impecável é do Johan Renck de Bloodline, Breaking Bad e Vikings. O desenho de som merece um destaque: reparem no medidor de radiação pontuando os momentos de maior tensão da série, criando um tipo sensação apavorante como poucas vezes eu vi (e senti). A maquiagem, embora chocante, é belíssima! É sério, pode separar um lugar bem grande na estante porque "Chernobyl" vai levar muitas estatuetas na próxima temporada de premiação, tanto em categorias técnicas quanto artísticas! pode me cobrar!!!

O fato é que se você queria uma razão para não cancelar sua assinatura da HBOGo depois do final (ops!) de GoT, meu amigo, essa razão se chama "Chernobyl" - uma pena que a HBO menosprezou seu potencial por aqui, mas ao mesmo tempo essa estratégia ajudou a gerar um buzz enorme, pois sem expectativa nenhuma, a minissérie foi conquistando seu publico e reverberando mundialmente. No site IMDb, por exemplo, "Chernobyl" chegou a aparecer em primeiro lugar como a melhor série de todos os tempos, deixando para trás clássicos como "Band of Brothers", "Breaking Bad" e o próprio "Game of Thrones". 

Olha, vale muito o play e um conselho: aproveite cada minuto, pois seu criador, Craig Mazin, já avisou que não existe a menor possibilidade do "Chernobyl" se transformar em série e, eventualmente, ter uma segunda temporada! Ainda bem!!!!!

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Departure - 1ª Temporada

Mesmo sendo uma série de 2019, só assista "Departure" se você estiver disposto a fazer uma viagem nostálgica para o final dos anos 90, em uma época pré-streaming, onde a narrativa se permitia criar uma atmosfera de mistério, repleta de reviravoltas, mas completamente distante da realidade. O fato é que essa produção canadense que recebe o selo de original da Peacock (plataforma da NBC ainda inédita no Brasil) é uma espécie de "24 Horas" com "C.S.I" - dinâmica, divertida, interessante, mas claramente feita para a TV aberta.

Após o misterioso desaparecimento do voo 716 no meio do Oceano Atlântico, a investigadora Kendra Malley (Archie Panjabi) é recrutada pelo seu antigo chefe e mentor, Howard Lawson (o saudoso Christopher Plummer em seu último trabalho), para comandar uma equipe de elite e assim tentar descobrir o que de fato aconteceu com aeronave e, quem sabe, localizar possíveis sobreviventes. Confira o trailer (em inglês):

"Departure" segue a cartilha da era de ouro da TV americana, inclusive com um alto nível de produção. Veja, é como se estivéssemos assistindo um episódio de "C.S.I" de 6 horas ou uma temporada de "24 horas" em 6 episódios. O formato de antologia (onde a história se encerra em alguns episódios definidos) se mistura àquela estrutura de procedural (quando o arco principal se encerra em um episódio, mas deixa tramas secundárias para serem desenvolvidas em outros) - e isso é muito importante ressaltar para que as expectativas estejam alinhadas: a trama não tem o menor compromisso em ser 100% realista, o propósito da narrativa é apenas o de te segurar até o último segundo da temporada, mesmo que para isso algumas soluções possam soar absurdas. Os elementos dramáticos desse tipo de formato se repetem em vários títulos, portanto, não se irrite, apenas embarque na proposta e se divirta - muitos de nós fazíamos isso antes de Netflix, Globoplay, Prime Vídeo, etc.

É inegável a qualidade do trabalho de T.J. Scott, um diretor que construiu sua carreira dirigindo episódios de séries (de "Xena: A Princesa Guerreira" à "Star Trek: Discovery") da mesma forma que muitos brasileiros dirigiam novelas antes de buscarem outro caminhos, portanto é natural encontrarmos alguns vícios narrativos de Scott em toda temporada. Praticamente todas as cenas possuem um trilha sonora de fundo para manipular nossas emoções (tensão, drama, mistério, romance, etc), aqueles cortes onde o foco está na reação do personagem depois de uma "grande" descoberta que precedia o intervalo, inúmeras cenas se passam dentro de um mesmo cenário (no caso o QG da equipe - uma espécie de CTU de "24 horas") e até a construção de um arco com o filho adolescente revoltado que só traz problemas para a protagonista que sente dividida entre a família e sua missão profissional.

Além de Panjabi e Plummer, a série ainda conta com um elenco de peso como Kris Holden-Ried (The Umbrella Academy) como Dom, Rebecca Liddiard (Run This Town) como Madelyn, Tamara Duarte (Longmire) como Nadia, Mark Rendall (Versailles) como Theo, Peter Mensah (Midnight, Texas) como Levi e Sasha Roiz (Grimm) como Pavel Bartok; e isso, sem a menor dúvida, ajuda muito no desenvolvimento da história que, acreditem, conquistou a audiência americana, rendendo, inclusive, uma segunda temporada que estreia em 2022 - onde Kendra Malley e sua equipe vão investigar um acidente de trem.

"Departure" é um entretenimento despretensioso, rápido, divertido e até surpreendente, que vai te prender do início ao fim desde que você esteja disposto a acreditar naquela história, sem julgamentos ou preconceitos. Típica série boa para aquele sábado chuvoso onde não queremos nada muito profundo, apenas curtir bons episódios - como fazíamos antigamente com os boxes de DVDs.

Vale o seu play!

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Mesmo sendo uma série de 2019, só assista "Departure" se você estiver disposto a fazer uma viagem nostálgica para o final dos anos 90, em uma época pré-streaming, onde a narrativa se permitia criar uma atmosfera de mistério, repleta de reviravoltas, mas completamente distante da realidade. O fato é que essa produção canadense que recebe o selo de original da Peacock (plataforma da NBC ainda inédita no Brasil) é uma espécie de "24 Horas" com "C.S.I" - dinâmica, divertida, interessante, mas claramente feita para a TV aberta.

Após o misterioso desaparecimento do voo 716 no meio do Oceano Atlântico, a investigadora Kendra Malley (Archie Panjabi) é recrutada pelo seu antigo chefe e mentor, Howard Lawson (o saudoso Christopher Plummer em seu último trabalho), para comandar uma equipe de elite e assim tentar descobrir o que de fato aconteceu com aeronave e, quem sabe, localizar possíveis sobreviventes. Confira o trailer (em inglês):

"Departure" segue a cartilha da era de ouro da TV americana, inclusive com um alto nível de produção. Veja, é como se estivéssemos assistindo um episódio de "C.S.I" de 6 horas ou uma temporada de "24 horas" em 6 episódios. O formato de antologia (onde a história se encerra em alguns episódios definidos) se mistura àquela estrutura de procedural (quando o arco principal se encerra em um episódio, mas deixa tramas secundárias para serem desenvolvidas em outros) - e isso é muito importante ressaltar para que as expectativas estejam alinhadas: a trama não tem o menor compromisso em ser 100% realista, o propósito da narrativa é apenas o de te segurar até o último segundo da temporada, mesmo que para isso algumas soluções possam soar absurdas. Os elementos dramáticos desse tipo de formato se repetem em vários títulos, portanto, não se irrite, apenas embarque na proposta e se divirta - muitos de nós fazíamos isso antes de Netflix, Globoplay, Prime Vídeo, etc.

É inegável a qualidade do trabalho de T.J. Scott, um diretor que construiu sua carreira dirigindo episódios de séries (de "Xena: A Princesa Guerreira" à "Star Trek: Discovery") da mesma forma que muitos brasileiros dirigiam novelas antes de buscarem outro caminhos, portanto é natural encontrarmos alguns vícios narrativos de Scott em toda temporada. Praticamente todas as cenas possuem um trilha sonora de fundo para manipular nossas emoções (tensão, drama, mistério, romance, etc), aqueles cortes onde o foco está na reação do personagem depois de uma "grande" descoberta que precedia o intervalo, inúmeras cenas se passam dentro de um mesmo cenário (no caso o QG da equipe - uma espécie de CTU de "24 horas") e até a construção de um arco com o filho adolescente revoltado que só traz problemas para a protagonista que sente dividida entre a família e sua missão profissional.

Além de Panjabi e Plummer, a série ainda conta com um elenco de peso como Kris Holden-Ried (The Umbrella Academy) como Dom, Rebecca Liddiard (Run This Town) como Madelyn, Tamara Duarte (Longmire) como Nadia, Mark Rendall (Versailles) como Theo, Peter Mensah (Midnight, Texas) como Levi e Sasha Roiz (Grimm) como Pavel Bartok; e isso, sem a menor dúvida, ajuda muito no desenvolvimento da história que, acreditem, conquistou a audiência americana, rendendo, inclusive, uma segunda temporada que estreia em 2022 - onde Kendra Malley e sua equipe vão investigar um acidente de trem.

"Departure" é um entretenimento despretensioso, rápido, divertido e até surpreendente, que vai te prender do início ao fim desde que você esteja disposto a acreditar naquela história, sem julgamentos ou preconceitos. Típica série boa para aquele sábado chuvoso onde não queremos nada muito profundo, apenas curtir bons episódios - como fazíamos antigamente com os boxes de DVDs.

Vale o seu play!

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Destruição Final

Se "O Céu da Meia-Noite" da Netflix trouxe alguns elementos do cinema catástrofe que esteve tão em evidência em 1998, e estamos falando mais especificamente de "Armageddon", "Destruição Final" da Amazon Prime Vídeo segue exatamente a mesma receita, mas buscando referências de outro filme lançado no mesmo ano e igualmente reconhecido: "Impacto Profundo"! Ou seja, se dois desses três filmes significaram um bom entretenimento para você, pode dar o play sem o menor receio porque a diversão está garantida!

"Destruição Final" (que tem "O Último Refúgio"como sub-título) acompanha aquela trama padrão de filmes catástrofe: um cometa está passando pela órbita da Terra e o que inicialmente parecia apenas curiosidade logo se transforma em terror quando o corpo celeste começa a se partir e seus fragmentos passam a causar uma devastação global sem precedentes. Ao longo da história, porém, acompanhamos a jornada da família de John Garrity (Gerard Butler) que, sorteados pelo governo, buscam chegar a um local seguro, uma espécie de bunker construído na Groenlândia. Confira o trailer:

O filme de Ric Roman Waugh (deInvasão ao Serviço Secreto) bebe da fonte de clássicos como o já citado "Impacto Profundo" (de Mimi Leder), mas também trás muitos elementos de "2012" (de Roland Emmerich) e, especialmente, de "Guerra dos Mundos", filme dirigido porSteven Spielberg, que se apega a luta de um homem pela vida de sua família em um momento de reconstrução da relação. Dito isso fica muito fácil afirmar que o roteiro de Chris Sparling segue a receita do gênero, mas peca em um único detalhe: você não vai encontrar uma cena marcante da destruição causada pelo cometa e isso, para mim, é um ponto bem sensível do filme - culpa do orçamento! Não que faça falta, mas estamos falando de entretenimento de gênero, a expectativa sempre vai existir quando escolhemos um filme como esse e aqui o impacto catastrófico é solucionado por reportagens da imprensa ao redor do mundo que misturam planos bem fechado e montagens que usam de pontos turísticos ou construções simbólicas para localizar a destruição, mas com um detalhe muito interessante: essas estruturas construídas pelo homem sobrevivem, já o próprio homem... Reparem!

Com total controle de suas limitações orçamentárias, o diretor Ric Roman Waugh usa e abusa da criatividade para nos entregar ótimos momentos de ação e planos bem impactantes onde o horror nos olhos de quem vê é mais importante do que, de fato, a destruição que ele está testemunhando. A angústia dos personagens em busca de sobrevivência é a principal linha narrativa, o resto é perfumaria - superficial, mas divertida!

"Destruição Final" (ou "Greenland", título original) é uma ótima sessão da tarde, sem pretensões de ser inesquecível, mas que traz para o sofá um entretenimento raiz, sem teorizações e alívios poéticos - é pura, e simplesmente, diversão! Vale o play! 

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Se "O Céu da Meia-Noite" da Netflix trouxe alguns elementos do cinema catástrofe que esteve tão em evidência em 1998, e estamos falando mais especificamente de "Armageddon", "Destruição Final" da Amazon Prime Vídeo segue exatamente a mesma receita, mas buscando referências de outro filme lançado no mesmo ano e igualmente reconhecido: "Impacto Profundo"! Ou seja, se dois desses três filmes significaram um bom entretenimento para você, pode dar o play sem o menor receio porque a diversão está garantida!

"Destruição Final" (que tem "O Último Refúgio"como sub-título) acompanha aquela trama padrão de filmes catástrofe: um cometa está passando pela órbita da Terra e o que inicialmente parecia apenas curiosidade logo se transforma em terror quando o corpo celeste começa a se partir e seus fragmentos passam a causar uma devastação global sem precedentes. Ao longo da história, porém, acompanhamos a jornada da família de John Garrity (Gerard Butler) que, sorteados pelo governo, buscam chegar a um local seguro, uma espécie de bunker construído na Groenlândia. Confira o trailer:

O filme de Ric Roman Waugh (deInvasão ao Serviço Secreto) bebe da fonte de clássicos como o já citado "Impacto Profundo" (de Mimi Leder), mas também trás muitos elementos de "2012" (de Roland Emmerich) e, especialmente, de "Guerra dos Mundos", filme dirigido porSteven Spielberg, que se apega a luta de um homem pela vida de sua família em um momento de reconstrução da relação. Dito isso fica muito fácil afirmar que o roteiro de Chris Sparling segue a receita do gênero, mas peca em um único detalhe: você não vai encontrar uma cena marcante da destruição causada pelo cometa e isso, para mim, é um ponto bem sensível do filme - culpa do orçamento! Não que faça falta, mas estamos falando de entretenimento de gênero, a expectativa sempre vai existir quando escolhemos um filme como esse e aqui o impacto catastrófico é solucionado por reportagens da imprensa ao redor do mundo que misturam planos bem fechado e montagens que usam de pontos turísticos ou construções simbólicas para localizar a destruição, mas com um detalhe muito interessante: essas estruturas construídas pelo homem sobrevivem, já o próprio homem... Reparem!

Com total controle de suas limitações orçamentárias, o diretor Ric Roman Waugh usa e abusa da criatividade para nos entregar ótimos momentos de ação e planos bem impactantes onde o horror nos olhos de quem vê é mais importante do que, de fato, a destruição que ele está testemunhando. A angústia dos personagens em busca de sobrevivência é a principal linha narrativa, o resto é perfumaria - superficial, mas divertida!

"Destruição Final" (ou "Greenland", título original) é uma ótima sessão da tarde, sem pretensões de ser inesquecível, mas que traz para o sofá um entretenimento raiz, sem teorizações e alívios poéticos - é pura, e simplesmente, diversão! Vale o play! 

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Gravidade

O cineasta Alfonso Cuarón já havia mostrado seu virtuosismo estético em "Filhos da Esperança" de 2006. Em "Gravidade", ele cria um universo de computação gráfica (!) crível, original e simplesmente deslumbrante.

A premissa é relativamente simples: dois astronautas estão realizando manutenção em uma estação espacial, quando uma chuva de detritos começa a atingi-los. A partir daí, começa uma corrida pela sobrevivência no inóspito ambiente além da atmosfera. Confira o trailer:

A fotografia do ícone Emmanuel Lubezki, é maravilhosa: os enquadramentos são inventivos e o filme retrata fielmente o vácuo de som existente no espaço. A imponente trilha sonora “dubla” as explosões silenciosas e eleva o nível de tensão. Importante dizer que esse primor técnico rendeu ao filme 7 estatuetas do Oscar em 2014: Melhor Direção, Fotografia, Edição, Efeitos Visuais, Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som. 

Sandra Bullock entrega uma grande atuação como a Dra. Ryan, lutando pela sobrevivência no espaço após perder o motivo de viver em terra firme. Através dela, o filme imprime alegorias sobre renascimento e até evolucionismo. George Clooney acumula as funções de alívio cômico e mentor, construindo ótimas interações com a astronauta inexperiente.

O fato é que "Gravidade" é um espetáculo espacial. É claustrofóbico, mesmo na imensidão galáctica. É tenso, mas incrivelmente belo. É um realismo digital, mas altamente imersivo. É uma experiência que deve ser sentida! Vale muito, mas muito, a pena!

Obs: Em sua carreira pelos festivais de cinema, "Gravidade" faturou mais de 230 prêmios além de outras 187 indicações. Impressionante!

Escrito por Ricelli Ribeiro - uma parceria@dicastreaming 

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O cineasta Alfonso Cuarón já havia mostrado seu virtuosismo estético em "Filhos da Esperança" de 2006. Em "Gravidade", ele cria um universo de computação gráfica (!) crível, original e simplesmente deslumbrante.

A premissa é relativamente simples: dois astronautas estão realizando manutenção em uma estação espacial, quando uma chuva de detritos começa a atingi-los. A partir daí, começa uma corrida pela sobrevivência no inóspito ambiente além da atmosfera. Confira o trailer:

A fotografia do ícone Emmanuel Lubezki, é maravilhosa: os enquadramentos são inventivos e o filme retrata fielmente o vácuo de som existente no espaço. A imponente trilha sonora “dubla” as explosões silenciosas e eleva o nível de tensão. Importante dizer que esse primor técnico rendeu ao filme 7 estatuetas do Oscar em 2014: Melhor Direção, Fotografia, Edição, Efeitos Visuais, Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som. 

Sandra Bullock entrega uma grande atuação como a Dra. Ryan, lutando pela sobrevivência no espaço após perder o motivo de viver em terra firme. Através dela, o filme imprime alegorias sobre renascimento e até evolucionismo. George Clooney acumula as funções de alívio cômico e mentor, construindo ótimas interações com a astronauta inexperiente.

O fato é que "Gravidade" é um espetáculo espacial. É claustrofóbico, mesmo na imensidão galáctica. É tenso, mas incrivelmente belo. É um realismo digital, mas altamente imersivo. É uma experiência que deve ser sentida! Vale muito, mas muito, a pena!

Obs: Em sua carreira pelos festivais de cinema, "Gravidade" faturou mais de 230 prêmios além de outras 187 indicações. Impressionante!

Escrito por Ricelli Ribeiro - uma parceria@dicastreaming 

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Kursk

"Kursk" é um filme dos mais interessantes, pois ele equilibra muito bem a superficialidade de um filme catástrofe e a profundidade de um drama real. Baseado no livro "A Time to Die", de Robert Moore, essa co-produção Bélgica / Luxemburgo / França se arrisca ao trazer um roteirista americano como Robert Rodat (notavelmente um profissional de grandes estúdios, indicado ao Oscar por "O Resgate do Soldado Ryan") e um diretor como o dinamarquês Thomas Vinterberg de "A Caça" (extremamente autoral e que privilegia muito mais as profundas relações humanas aos dramas superficiais do gênero) - o que eu quero dizer com isso é que "Kursk" tinha tudo para ser uma espécie de "Armageddon" no fundo do mar, mas a qualidade do diretor nos entrega um trabalho mais bem cuidado, intimista em muitos momentos, muito mais próximo de "Chernobyl" da HBO, por exemplo!

Em agosto de 2000, o submarino nuclear da marinha russa "Kursk" é naufragado durante um exercício nas águas do mar de Barents. Uma falha no controle de temperatura dos torpedos e dos mísseis que o submarino transportava, desencadeou uma série de explosões e praticamente dizimou a tripulação. Os 23 marinheiros que sobreviveram começam então uma luta contra o tempo na esperança pelo resgate. Acontece que a Marinha Russa está falida e a única alternativa de chegar ao submarino preso no fundo do mar é incapaz de concluir a missão por problemas técnicos. Um desastre seguido por uma negligência acentuada do governo russo que teme em aceitar a ajuda internacional e ter seus segredos bélicos descobertos. Eu diria que o filme é duro, de difícil digestão e muito angustiante (embora muitos ainda se recordam do final da história). Vale a pena, e mesmo com algumas "bengalas" do roteiro (que explicarei adiante), o filme é um ótimo entretenimento!

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"Kursk" é um filme dos mais interessantes, pois ele equilibra muito bem a superficialidade de um filme catástrofe e a profundidade de um drama real. Baseado no livro "A Time to Die", de Robert Moore, essa co-produção Bélgica / Luxemburgo / França se arrisca ao trazer um roteirista americano como Robert Rodat (notavelmente um profissional de grandes estúdios, indicado ao Oscar por "O Resgate do Soldado Ryan") e um diretor como o dinamarquês Thomas Vinterberg de "A Caça" (extremamente autoral e que privilegia muito mais as profundas relações humanas aos dramas superficiais do gênero) - o que eu quero dizer com isso é que "Kursk" tinha tudo para ser uma espécie de "Armageddon" no fundo do mar, mas a qualidade do diretor nos entrega um trabalho mais bem cuidado, intimista em muitos momentos, muito mais próximo de "Chernobyl" da HBO, por exemplo!

Em agosto de 2000, o submarino nuclear da marinha russa "Kursk" é naufragado durante um exercício nas águas do mar de Barents. Uma falha no controle de temperatura dos torpedos e dos mísseis que o submarino transportava, desencadeou uma série de explosões e praticamente dizimou a tripulação. Os 23 marinheiros que sobreviveram começam então uma luta contra o tempo na esperança pelo resgate. Acontece que a Marinha Russa está falida e a única alternativa de chegar ao submarino preso no fundo do mar é incapaz de concluir a missão por problemas técnicos. Um desastre seguido por uma negligência acentuada do governo russo que teme em aceitar a ajuda internacional e ter seus segredos bélicos descobertos. Eu diria que o filme é duro, de difícil digestão e muito angustiante (embora muitos ainda se recordam do final da história). Vale a pena, e mesmo com algumas "bengalas" do roteiro (que explicarei adiante), o filme é um ótimo entretenimento!

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Memórias do 11 de Setembro

"Memórias do 11 de Setembro" talvez tenha sido a série documental que melhor pontuou os ataques ao World Trade Center em Nova York, especificamente. Se a excelente dinâmica narrativa, focada nos olhos das pessoas que testemunharam os ataques com suas câmeras, de "11/9 - A Vida sob Ataque" me impressionou pela humanidade e "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" trouxe um apanhado de informações e depoimentos que nos deu uma visão mais ampla sobre tudo que aconteceu naquele dia, posso te garantir que "9/11: One Day in America" (no original) é uma belíssima fusão desses dois conceitos.

Em colaboração com o "9/11 Memorial & Museum", essa série documental em seis episódios da National Geographic nos conduz por momentos angustiantes da manhã histórica de 11 de setembro de 2001 através de histórias, imagens e fotografias de quem esteve lá. São momentos tão emocionantes quanto impressionantes que valem cada segundo como se pode ter uma ideia já pelo trailer (em inglês), confira:

O Diretor Daniel Bogado (o mesmo do excelente "Bandidos na TV") não economiza nas cenas impactantes do terror que muitos personagens viveram e captaram há 20 anos atrás. São tantos ângulos e histórias que parecia até impossível que Bogado seria capaz de colocar tudo em uma linha do tempo e criar uma certa lógica narrativa para unir tantas pontas soltas - e é aqui que "9/11: One Day in America" se diferencia, pois a história é contada em depoimentos, mas a trama é construída com imagens que não só servem como apoio para a narrativa, mas também que se conecta exatamente por aquelas passagens no exato momento em que tudo acontece. Fico imaginando o quão difícil foi o trabalho de pesquisa e decupagem para encontrar os personagens dos depoimentos em tantas gravações, com tantas vítimas e em diversas fontes diferentes.

Em seis episódios, assistimos em detalhes tudo que aconteceu naquele dia de uma forma muito dinâmica graças a um roteiro excelente e uma montagem digna de muitos prêmios! A cada assunto, naturalmente surgem algumas dúvidas na nossa cabeça e é impressionante como a série responde todas elas e de uma forma que eu nunca tinha visto ou escutado falar - ou você sabia que o caças que foram designados para abater o voo 93 da United não estavam carregados com mísseis? Ok, então como eles derrubariam o avião? O documentário responde em depoimentos emocionantes!

São tanto elogios para essa produção que já o coloco entre um dos melhores do ano ao lado de "9/11: Inside the President's War Room" da Apple. Eu diria até que talvez tenhamos aqui o documentário com relatos mais interessantes e melhor ilustrados com imagens amadoras, além de cinematograficamente a série melhor finalizada - tecnicamente impecável! Reparem em dois elementos bem marcantes: na linda fotografia dos depoimentos e como os enquadramentos são cuidadosamente guiados pela emoção das pessoas; e no desenho de som que nos transporta exatamente para o local dos ataques e nos transmitem tanta angústia que chega a impressionar.

Olha, vale muito a pena mesmo! Imperdível!

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"Memórias do 11 de Setembro" talvez tenha sido a série documental que melhor pontuou os ataques ao World Trade Center em Nova York, especificamente. Se a excelente dinâmica narrativa, focada nos olhos das pessoas que testemunharam os ataques com suas câmeras, de "11/9 - A Vida sob Ataque" me impressionou pela humanidade e "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" trouxe um apanhado de informações e depoimentos que nos deu uma visão mais ampla sobre tudo que aconteceu naquele dia, posso te garantir que "9/11: One Day in America" (no original) é uma belíssima fusão desses dois conceitos.

Em colaboração com o "9/11 Memorial & Museum", essa série documental em seis episódios da National Geographic nos conduz por momentos angustiantes da manhã histórica de 11 de setembro de 2001 através de histórias, imagens e fotografias de quem esteve lá. São momentos tão emocionantes quanto impressionantes que valem cada segundo como se pode ter uma ideia já pelo trailer (em inglês), confira:

O Diretor Daniel Bogado (o mesmo do excelente "Bandidos na TV") não economiza nas cenas impactantes do terror que muitos personagens viveram e captaram há 20 anos atrás. São tantos ângulos e histórias que parecia até impossível que Bogado seria capaz de colocar tudo em uma linha do tempo e criar uma certa lógica narrativa para unir tantas pontas soltas - e é aqui que "9/11: One Day in America" se diferencia, pois a história é contada em depoimentos, mas a trama é construída com imagens que não só servem como apoio para a narrativa, mas também que se conecta exatamente por aquelas passagens no exato momento em que tudo acontece. Fico imaginando o quão difícil foi o trabalho de pesquisa e decupagem para encontrar os personagens dos depoimentos em tantas gravações, com tantas vítimas e em diversas fontes diferentes.

Em seis episódios, assistimos em detalhes tudo que aconteceu naquele dia de uma forma muito dinâmica graças a um roteiro excelente e uma montagem digna de muitos prêmios! A cada assunto, naturalmente surgem algumas dúvidas na nossa cabeça e é impressionante como a série responde todas elas e de uma forma que eu nunca tinha visto ou escutado falar - ou você sabia que o caças que foram designados para abater o voo 93 da United não estavam carregados com mísseis? Ok, então como eles derrubariam o avião? O documentário responde em depoimentos emocionantes!

São tanto elogios para essa produção que já o coloco entre um dos melhores do ano ao lado de "9/11: Inside the President's War Room" da Apple. Eu diria até que talvez tenhamos aqui o documentário com relatos mais interessantes e melhor ilustrados com imagens amadoras, além de cinematograficamente a série melhor finalizada - tecnicamente impecável! Reparem em dois elementos bem marcantes: na linda fotografia dos depoimentos e como os enquadramentos são cuidadosamente guiados pela emoção das pessoas; e no desenho de som que nos transporta exatamente para o local dos ataques e nos transmitem tanta angústia que chega a impressionar.

Olha, vale muito a pena mesmo! Imperdível!

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Milagre do Rio Hudson

Em 2014, dois anos antes de estrear "Sully: O Herói do Rio Hudson", a National Geographic apresentou um excelente docudrama sobre os minutos de terror que os passageiros do US Airways 1549 viveram entre a decolagem do aeroporto de LaGuardia em NY e o pouso forçado no Rio Hudson em Manhattan. Olha, embora o filme de Clint Eastwood tenha um outro enfoque e, obviamente, um nível superior de produção, te garanto: o que você vai assistir em o "Milagre do Rio Hudson", disponível do Disney+, vai te impressionar!

Em 15 de janeiro de 2009, enquanto ainda ganhava altitude, o Airbus A320 da US Airways atingiu um grupo de gansos, que resultou numa imediata perda de potência de ambos os motores. Quando a tripulação definiu que a aeronave não poderia alcançar nenhum campo de pouso ou aeroporto próximo de onde estava, o então comandante Chesley "Sully" Sullenberger decidiu guiar a aeronave para o sul de Manhattan e estabeleceu que pousar no rio Hudson seria a única alternativa para evitar uma catástrofe maior - que seria fatal para os 155 passageiros a bordo.

O documentário do diretor e roteirista Simon George foi muito feliz em focar no drama dos passageiros e não no ato de heroismo de Sully ou em algum tipo de investigação jornalística - em pouco mais de 45 minutos o que vemos na tela são depoimentos chocantes (extremamente humanos e emotivos) de alguns passageiros e tripulantes que, de fato, estiveram no voo 1549. Paralelamente aos depoimentos, George criou ótimas sequências de reconstituição, com um trabalho de pós-produção bastante competente (e melhor que muitos filmes catástrofes que vemos por aí). Obviamente que o objetivo do diretor nunca foi entregar uma história cheia de conflitos que pudessem explicar tecnicamente o que aconteceu ou o que poderia ter sido feito de diferente na situação. O objetivo de "Milagre do Rio Hudson" é justamente criar uma experiência bastante imersiva sobre os 6 intermináveis minutos entre a decolagem e a queda, pelo ponto de vista de quem queria entender o que estava acontecendo após um inesperado impacto e um silêncio sepulcral depois que os motores simplesmente pararam de funcionar.

É preciso que se diga que "Milagre do Rio Hudson" não se trata de um episódio especial de "Mayday, desastres aéreos" da National Geographic e sim de um documentário feito para TV com uma qualidade técnica e artística acima da média e que foi capaz de reconstruir uma das histórias mais incríveis de aviação moderna com uma dinâmica narrativa atual e um conceito visual dos mais interessantes. Para que gostou de ver Tom Hanks como o comandante Sully, pode dar o play tranquilamente que o lado apresentado no documentário é praticamente um complemento realista ao que assistimos no filme de 2016. 

Vale muito a pena!

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Em 2014, dois anos antes de estrear "Sully: O Herói do Rio Hudson", a National Geographic apresentou um excelente docudrama sobre os minutos de terror que os passageiros do US Airways 1549 viveram entre a decolagem do aeroporto de LaGuardia em NY e o pouso forçado no Rio Hudson em Manhattan. Olha, embora o filme de Clint Eastwood tenha um outro enfoque e, obviamente, um nível superior de produção, te garanto: o que você vai assistir em o "Milagre do Rio Hudson", disponível do Disney+, vai te impressionar!

Em 15 de janeiro de 2009, enquanto ainda ganhava altitude, o Airbus A320 da US Airways atingiu um grupo de gansos, que resultou numa imediata perda de potência de ambos os motores. Quando a tripulação definiu que a aeronave não poderia alcançar nenhum campo de pouso ou aeroporto próximo de onde estava, o então comandante Chesley "Sully" Sullenberger decidiu guiar a aeronave para o sul de Manhattan e estabeleceu que pousar no rio Hudson seria a única alternativa para evitar uma catástrofe maior - que seria fatal para os 155 passageiros a bordo.

O documentário do diretor e roteirista Simon George foi muito feliz em focar no drama dos passageiros e não no ato de heroismo de Sully ou em algum tipo de investigação jornalística - em pouco mais de 45 minutos o que vemos na tela são depoimentos chocantes (extremamente humanos e emotivos) de alguns passageiros e tripulantes que, de fato, estiveram no voo 1549. Paralelamente aos depoimentos, George criou ótimas sequências de reconstituição, com um trabalho de pós-produção bastante competente (e melhor que muitos filmes catástrofes que vemos por aí). Obviamente que o objetivo do diretor nunca foi entregar uma história cheia de conflitos que pudessem explicar tecnicamente o que aconteceu ou o que poderia ter sido feito de diferente na situação. O objetivo de "Milagre do Rio Hudson" é justamente criar uma experiência bastante imersiva sobre os 6 intermináveis minutos entre a decolagem e a queda, pelo ponto de vista de quem queria entender o que estava acontecendo após um inesperado impacto e um silêncio sepulcral depois que os motores simplesmente pararam de funcionar.

É preciso que se diga que "Milagre do Rio Hudson" não se trata de um episódio especial de "Mayday, desastres aéreos" da National Geographic e sim de um documentário feito para TV com uma qualidade técnica e artística acima da média e que foi capaz de reconstruir uma das histórias mais incríveis de aviação moderna com uma dinâmica narrativa atual e um conceito visual dos mais interessantes. Para que gostou de ver Tom Hanks como o comandante Sully, pode dar o play tranquilamente que o lado apresentado no documentário é praticamente um complemento realista ao que assistimos no filme de 2016. 

Vale muito a pena!

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Minamata

"Minamata" é um filme difícil de assistir, não por ser uma narrativa complexa, mas pelo impacto de uma história que precisava ser contada. Menos hollywoodiana que "O Preço da Verdade", mas igualmente impactante, o filme do diretor Andrew Levitas (de "A Última Canção") segue a mesma linha "denúncia" e expõe de uma maneira nada suave um drama real, de consequências gravíssimas e que até hoje é mascarado pelo governo japonês.

W. Eugene Smith (Johnny Depp) ganhou fama fotografando nas linhas de frente durante a Segunda Guerra Mundial, mas sua personalidade e a bebida praticamente destruiram sua carreira. Quando ele apresenta para o editor da Life Magazine a oportunidade de expor um grande escândalo ambiental, ele é enviado ao Japão para revelar ao mundo a realidade dos moradores de Minamata, uma cidade costeira onde toda a comunidade está sendo envenenada por mercúrio. Confira o trailer (em inglês):

Exibido no 70º Festival Internacional de Cinema de Berlim, em fevereiro de 2020, "Minamata" dividiu opiniões, principalmente entre crítica e público. Enquanto a crítica implicava com a forma como a história de W. Eugene Smith foi contada, o público vibrava justamente com o conteúdo dessa mesma história. Eu diria que a critica tem um pouco de razão, principalmente ao pontuar algumas escolhas criativas como um excessivo didatismo nos diálogos, recheados de frases de efeito e sempre acompanhado de uma música extremamente sentimentalista. Por outro lado, existe um uma relação poética entre a fotografia do protagonista e o sofrimento da comunidade de Minamata que conecta o público imediatamente - embora o diretor use e abuse de planos onde vemos desde crianças deformadas até o drama dos pais que cuidam com o maior carinho dos seus filhos completamente incapacitados pelo envenenamento.

A performance de Depp também não foi unanimidade, mas, pessoalmente, achei que ele mais acertou do que errou. Existe uma linha muito tênue entre o genial e o canastrão quando o ator precisa explorar o descaso com o próprio corpo decorrente das marcas de uma vida "injusta" que, normalmente, não são desenvolvidas pelo roteiro para estar no filme - o que eu quero dizer é que em alguns momentos Smith parece pouco palpável, enquanto em outros sua complexidade instiga. Se em uma cena ele enxerga, mesmo destroçado socialmente, a beleza artística de uma criança doente tocando acordeom sob a chuva, iluminada por uma luz perfeita, em outra vemos seu personagem bêbado tentando falar no telefone com o chefe que vai desistir da missão enquanto soa ser a única esperança para salvar os japoneses. A questão é que não sobra tempo para mostrar o meio do caminho. 

"Minamata" sofre com o maniqueísmo do roteiro, mas se aproveita da força de sua história e da total empatia que ela proporciona. O fato de ser um dos maiores casos de poluição industrial que o mundo já viu e que pouca gente conhece (mesmo se passando nos anos 70), espanta. Tecnicamente o filme entrega o drama e sentimento de urgência que a história provoca e é perceptível o quanto isso nos tira da sensação de conforto e nos faz refletir.

Vale muito a pena, mesmo com alguns deslizes.

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"Minamata" é um filme difícil de assistir, não por ser uma narrativa complexa, mas pelo impacto de uma história que precisava ser contada. Menos hollywoodiana que "O Preço da Verdade", mas igualmente impactante, o filme do diretor Andrew Levitas (de "A Última Canção") segue a mesma linha "denúncia" e expõe de uma maneira nada suave um drama real, de consequências gravíssimas e que até hoje é mascarado pelo governo japonês.

W. Eugene Smith (Johnny Depp) ganhou fama fotografando nas linhas de frente durante a Segunda Guerra Mundial, mas sua personalidade e a bebida praticamente destruiram sua carreira. Quando ele apresenta para o editor da Life Magazine a oportunidade de expor um grande escândalo ambiental, ele é enviado ao Japão para revelar ao mundo a realidade dos moradores de Minamata, uma cidade costeira onde toda a comunidade está sendo envenenada por mercúrio. Confira o trailer (em inglês):

Exibido no 70º Festival Internacional de Cinema de Berlim, em fevereiro de 2020, "Minamata" dividiu opiniões, principalmente entre crítica e público. Enquanto a crítica implicava com a forma como a história de W. Eugene Smith foi contada, o público vibrava justamente com o conteúdo dessa mesma história. Eu diria que a critica tem um pouco de razão, principalmente ao pontuar algumas escolhas criativas como um excessivo didatismo nos diálogos, recheados de frases de efeito e sempre acompanhado de uma música extremamente sentimentalista. Por outro lado, existe um uma relação poética entre a fotografia do protagonista e o sofrimento da comunidade de Minamata que conecta o público imediatamente - embora o diretor use e abuse de planos onde vemos desde crianças deformadas até o drama dos pais que cuidam com o maior carinho dos seus filhos completamente incapacitados pelo envenenamento.

A performance de Depp também não foi unanimidade, mas, pessoalmente, achei que ele mais acertou do que errou. Existe uma linha muito tênue entre o genial e o canastrão quando o ator precisa explorar o descaso com o próprio corpo decorrente das marcas de uma vida "injusta" que, normalmente, não são desenvolvidas pelo roteiro para estar no filme - o que eu quero dizer é que em alguns momentos Smith parece pouco palpável, enquanto em outros sua complexidade instiga. Se em uma cena ele enxerga, mesmo destroçado socialmente, a beleza artística de uma criança doente tocando acordeom sob a chuva, iluminada por uma luz perfeita, em outra vemos seu personagem bêbado tentando falar no telefone com o chefe que vai desistir da missão enquanto soa ser a única esperança para salvar os japoneses. A questão é que não sobra tempo para mostrar o meio do caminho. 

"Minamata" sofre com o maniqueísmo do roteiro, mas se aproveita da força de sua história e da total empatia que ela proporciona. O fato de ser um dos maiores casos de poluição industrial que o mundo já viu e que pouca gente conhece (mesmo se passando nos anos 70), espanta. Tecnicamente o filme entrega o drama e sentimento de urgência que a história provoca e é perceptível o quanto isso nos tira da sensação de conforto e nos faz refletir.

Vale muito a pena, mesmo com alguns deslizes.

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Não olhe para cima

"Não olhe para cima" não é, e talvez nunca será, um filme unânime, longe disso; já que o conceito narrativo foi construído de uma forma muito inteligente (e peculiar) a partir de uma sátira que obviamente extrapola no tom, mas esconde em um roteiro irônico (e acreditem, sutil) as nuances de viver em uma época onde "ser" e "estar" se confundem a cada clique (ou arraste para o lado) perante a mediocridade e o egoísmo do ser-humano.

A premissa é simples, mas nada simplista: dois astrônomos renomados, porém pouco conhecidos das organizações governamentais dos EUA, Dr. Randall Mindy (Leonardo DiCaprio) e Kate Dibiasky (Jennifer Lawrence), tentam alertar a humanidade sobre a aproximação de um cometa que acabaram de descobrir e que está prestes a destruir a Terra. Obviamente que eles são desacreditados pela presidente americana, mesmo com todas as evidências comprovadas cientificamente, então ambos resolvem fazer uma espécie de  tour midiática para tentar mobilizar o maior número de pessoas e assim provocar o governo a encontrar uma solução antes que seja tarde. Confira o trailer:

Costumo dizer que você é as referências que você têm, e "Não olhe para cima" constrói uma trama que eleva essa afirmação para outro patamar - algumas sacadas são muito engraçadas, mas podem passar despercebidas por várias pessoas se não estiverem atentas. Muito bem dirigido e roteirizado pelo Adam Mckay (o cara por trás de "Succession", "A Grande Aposta", "Vice", entre outros inúmeros sucessos), o filme usa da semiótica para posicionar a audiência em um universo tão absurdo quanto real. Se dentro da trama os personagens mantém um tom naturalista de interpretação, a cada palavra pronunciada, suas mensagens chegam carregadas de ironias - e a conexão com esse tipo de texto só fará sentido se o mesmo for bem interpretado, entendido e digerido; caso contrário será o "absurdo!" que se sobressairá.

Tecnicamente o filme vai muito bem - as inserções gráficas, a câmera nervosa e a edição moderna, marca registrada de Mckay, criam uma dinâmica impressionante - conectados (vale sempre lembrar), nem vemos os mais de 120 minutos passar. Tanto DiCaprio quanto Lawrence brilham, mas impossível não destacar o trabalho de Meryl Streep como a negacionista e completamente fora da realidade, Presidente Orlean, e do seu filho, ou melhor, "assessor", Jason Orlean (Jonah Hill) - os textos de ambos são tão constrangedores que não por acaso lembraremos de Roman Roy.

Em "Não olhe para cima" não existe o menor espaço para um diálogo inteligente, um pensamento crítico ou discussões aprofundadas sobre algo que está cientificamente comprovado - fica tudo para quem assiste (e juro que estou falando apenas do filme e não do Brasil em época de pandemia). Acaba sendo uma aula de marketing de percepção que se ajusta completamente a uma agenda onde a prioridade é lucrar com suas decisões, nunca quem vai sofrer com elas - eu diria até, que é a ficção mais real dos últimos tempos, com um tempero agridoce do saudoso Monty Python. São tantas (e tantas) críticas fantasiadas de "exagero" que fica difícil tirar o sorriso amarelo do rosto ou a lembrança de uma realidade recente que gostaríamos que fosse apenas um filme da Netflix.

Vale muito seu play!

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"Não olhe para cima" não é, e talvez nunca será, um filme unânime, longe disso; já que o conceito narrativo foi construído de uma forma muito inteligente (e peculiar) a partir de uma sátira que obviamente extrapola no tom, mas esconde em um roteiro irônico (e acreditem, sutil) as nuances de viver em uma época onde "ser" e "estar" se confundem a cada clique (ou arraste para o lado) perante a mediocridade e o egoísmo do ser-humano.

A premissa é simples, mas nada simplista: dois astrônomos renomados, porém pouco conhecidos das organizações governamentais dos EUA, Dr. Randall Mindy (Leonardo DiCaprio) e Kate Dibiasky (Jennifer Lawrence), tentam alertar a humanidade sobre a aproximação de um cometa que acabaram de descobrir e que está prestes a destruir a Terra. Obviamente que eles são desacreditados pela presidente americana, mesmo com todas as evidências comprovadas cientificamente, então ambos resolvem fazer uma espécie de  tour midiática para tentar mobilizar o maior número de pessoas e assim provocar o governo a encontrar uma solução antes que seja tarde. Confira o trailer:

Costumo dizer que você é as referências que você têm, e "Não olhe para cima" constrói uma trama que eleva essa afirmação para outro patamar - algumas sacadas são muito engraçadas, mas podem passar despercebidas por várias pessoas se não estiverem atentas. Muito bem dirigido e roteirizado pelo Adam Mckay (o cara por trás de "Succession", "A Grande Aposta", "Vice", entre outros inúmeros sucessos), o filme usa da semiótica para posicionar a audiência em um universo tão absurdo quanto real. Se dentro da trama os personagens mantém um tom naturalista de interpretação, a cada palavra pronunciada, suas mensagens chegam carregadas de ironias - e a conexão com esse tipo de texto só fará sentido se o mesmo for bem interpretado, entendido e digerido; caso contrário será o "absurdo!" que se sobressairá.

Tecnicamente o filme vai muito bem - as inserções gráficas, a câmera nervosa e a edição moderna, marca registrada de Mckay, criam uma dinâmica impressionante - conectados (vale sempre lembrar), nem vemos os mais de 120 minutos passar. Tanto DiCaprio quanto Lawrence brilham, mas impossível não destacar o trabalho de Meryl Streep como a negacionista e completamente fora da realidade, Presidente Orlean, e do seu filho, ou melhor, "assessor", Jason Orlean (Jonah Hill) - os textos de ambos são tão constrangedores que não por acaso lembraremos de Roman Roy.

Em "Não olhe para cima" não existe o menor espaço para um diálogo inteligente, um pensamento crítico ou discussões aprofundadas sobre algo que está cientificamente comprovado - fica tudo para quem assiste (e juro que estou falando apenas do filme e não do Brasil em época de pandemia). Acaba sendo uma aula de marketing de percepção que se ajusta completamente a uma agenda onde a prioridade é lucrar com suas decisões, nunca quem vai sofrer com elas - eu diria até, que é a ficção mais real dos últimos tempos, com um tempero agridoce do saudoso Monty Python. São tantas (e tantas) críticas fantasiadas de "exagero" que fica difícil tirar o sorriso amarelo do rosto ou a lembrança de uma realidade recente que gostaríamos que fosse apenas um filme da Netflix.

Vale muito seu play!

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O Céu da Meia-Noite

"O Céu da Meia-Noite" é uma difícil adaptação do livro "Good Morning, Midnight " da norte-americana Lily Brooks-Dalton, que trás elementos narrativos similares a filmes como, por exemplo, "Interestelar" (2014), para compor uma história de Ficção Científica, mas que fala mesmo é sobre "solidão" (e, talvez, sobre a necessidade de se perdoar como ser humano e como humanidade) - isso vai ficar muito claro no terceiro ato do filme!

Dirigido e protagonizado pelo George Clooney, o filme acompanha Augustine, um solitário cientista que precisa se comunicar com uma equipe de astronautas que estão em uma missão no espaço e assim impedir que eles retornem para a Terra em meio a uma misteriosa catástrofe ambiental que praticamente dizimou a humanidade. Confira o trailer:

"O Céu da Meia-Noite" é um ótimo entretenimento, mas certamente vai dividir opiniões. Veja, o filme tem cenas de ação que criam aquele senso de urgência, mas também se apoia muito no sentimentalismo e na necessidade de passar uma mensagem de esperança, que, na minha opinião, pareceu sem tanta profundidade e o propósito (até filosófico) de "Interestelar". O que eu quero dizer é que a própria dinâmica narrativa impediu um aprofundamento maior nos dramas de vários personagens (e muitos deles são completamente dispensáveis), já que a história é contada a partir de dois grandes arcos principais: o de Augustine na Terra e o de Sully (Felicity Jones), junto com os astronautas, no espaço - é muita coisa para apenas duas horas de filme! Embora o roteiro use alguns atalhos para minimizar esse problema e nos provocar uma certa empatia com os personagens (alguns vão chamar de "clichês"), faltou tempo de tela para que essa identificação justificasse nossa paixão, nossa torcida.

Tecnicamente o filme tem grandes momentos, conceitos visuais muito bacanas (e outros nem tanto). A ótima trilha sonora ajuda a pontuar nossas emoções que vão nos acompanhar durante todo filme e que, facilmente, nos ajuda encontrar seu ápice no final - o que é ótimo, mas nos dá até a sensação de que o filme é muito melhor do que ele realmente é! Mas é inegável: nos emocionamos sim e ficamos satisfeitos com o filme! É isso que importa!

Vale seu play, mas não espere todas as repostas, o "caos" que acompanhamos é apenas o pano de fundo para refletirmos sobre algumas escolhas e suas consequências!

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"O Céu da Meia-Noite" é uma difícil adaptação do livro "Good Morning, Midnight " da norte-americana Lily Brooks-Dalton, que trás elementos narrativos similares a filmes como, por exemplo, "Interestelar" (2014), para compor uma história de Ficção Científica, mas que fala mesmo é sobre "solidão" (e, talvez, sobre a necessidade de se perdoar como ser humano e como humanidade) - isso vai ficar muito claro no terceiro ato do filme!

Dirigido e protagonizado pelo George Clooney, o filme acompanha Augustine, um solitário cientista que precisa se comunicar com uma equipe de astronautas que estão em uma missão no espaço e assim impedir que eles retornem para a Terra em meio a uma misteriosa catástrofe ambiental que praticamente dizimou a humanidade. Confira o trailer:

"O Céu da Meia-Noite" é um ótimo entretenimento, mas certamente vai dividir opiniões. Veja, o filme tem cenas de ação que criam aquele senso de urgência, mas também se apoia muito no sentimentalismo e na necessidade de passar uma mensagem de esperança, que, na minha opinião, pareceu sem tanta profundidade e o propósito (até filosófico) de "Interestelar". O que eu quero dizer é que a própria dinâmica narrativa impediu um aprofundamento maior nos dramas de vários personagens (e muitos deles são completamente dispensáveis), já que a história é contada a partir de dois grandes arcos principais: o de Augustine na Terra e o de Sully (Felicity Jones), junto com os astronautas, no espaço - é muita coisa para apenas duas horas de filme! Embora o roteiro use alguns atalhos para minimizar esse problema e nos provocar uma certa empatia com os personagens (alguns vão chamar de "clichês"), faltou tempo de tela para que essa identificação justificasse nossa paixão, nossa torcida.

Tecnicamente o filme tem grandes momentos, conceitos visuais muito bacanas (e outros nem tanto). A ótima trilha sonora ajuda a pontuar nossas emoções que vão nos acompanhar durante todo filme e que, facilmente, nos ajuda encontrar seu ápice no final - o que é ótimo, mas nos dá até a sensação de que o filme é muito melhor do que ele realmente é! Mas é inegável: nos emocionamos sim e ficamos satisfeitos com o filme! É isso que importa!

Vale seu play, mas não espere todas as repostas, o "caos" que acompanhamos é apenas o pano de fundo para refletirmos sobre algumas escolhas e suas consequências!

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O Mar da Tranquilidade

"O Mar da Tranquilidade" é uma excelente série de ficção científica, mas é preciso que se diga: embora dinâmica, não serão as ótimas cenas de ação que vão fazer a diferença na sua experiência! Aqui, o foco está na construção de uma história potente, na busca por respostas e, principalmente, na relação humana sob diversos olhares - mas uma coisa eu garanto, embora com um certo lirismo, toda essa estrutura narrativa está apoiada em um impactante conceito visual com efeitos muito bacanas. 

Em um planeta Terra do futuro que sofre uma terrível crise hídrica, a série (que tranquilamente poderia ser uma minissérie) acompanha a cientista e astrobióloga, Song Ji-an (Bae Doona de "Sense8"), que decide se juntar a uma importante missão para recuperar misteriosas amostras de uma substância em uma estação espacial na Lua. Porém, algum tempo antes, um trágico acidente aconteceu na estação, matando todos os astronautas que estavam lá, incluindo sua irmã. Agora esse novo grupo precisará descobrir o que aconteceu e talvez enfrentar uma perigosa ameaça. Confira o trailer:

Mar da Tranquilidade é uma região na lua, onde o Módulo Lunar Eagle, da Apollo 11, pousou em 1969 - e é justamente nesse local que se encontra uma enorme Estação de Pesquisa Lunar chamada "Balhae" e onde se desenvolve grande parte da história dessa produção sul coreana surpreendente. Apoiada em uma construção cênica sensacional, que mais parece um labirinto claustrofóbico do que um laboratório de pesquisa, o roteiro da série é muito inteligente em trabalhar, dentro da ficção científica, elementos que misturam suspense e conspiração política.  

É inegável que muitas das cenas, e até pelo clima de tensão construído pelo diretor estreante Choi Hang-Yong, nos fazem lembrar os bons tempos de "Alien, o Oitavo Passageiro" de Ridley Scott. Ao mesmo tempo que a narrativa vai nos entregando as peças de um enorme quebra-cabeça e as relações entre os personagens vão se estabelecendo, existe um certo tom de urgência e de mistério que nos move episódio por episódio - a edição é um primor! Mas não é só isso, Hang-Yong também se apropria das dores mais intimas dos seus personagens e, pouco a pouco, vai justificando suas atitudes a partir das memórias mais marcantes de cada um - e desfecho do  capitão Han (Gong Yoo de "Round 6") é um ótimo exemplo.

Baseado em um curta-metragem homônimo do próprio Choi Hang-Yong, "O Mar da Tranquilidade" sabe trabalhar os símbolos de esperança (ao melhor estilo "Armagedom"), indicando que com inteligência, estudo e amor é possível almejar uma continuidade improvável diante de uma paisagem pós-apocalíptica (como em "O Céu da Meia-Noite") mesmo com muitos seres-humanos, mais uma vez, pensando só em si (como em "Passageiro Acidental").

Se você gosta de uma ficção científica raiz ao melhor estilo "Enigma de Andromeda", com uma história muito boa e uma produção incrível, pode dar o play sem medo!

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"O Mar da Tranquilidade" é uma excelente série de ficção científica, mas é preciso que se diga: embora dinâmica, não serão as ótimas cenas de ação que vão fazer a diferença na sua experiência! Aqui, o foco está na construção de uma história potente, na busca por respostas e, principalmente, na relação humana sob diversos olhares - mas uma coisa eu garanto, embora com um certo lirismo, toda essa estrutura narrativa está apoiada em um impactante conceito visual com efeitos muito bacanas. 

Em um planeta Terra do futuro que sofre uma terrível crise hídrica, a série (que tranquilamente poderia ser uma minissérie) acompanha a cientista e astrobióloga, Song Ji-an (Bae Doona de "Sense8"), que decide se juntar a uma importante missão para recuperar misteriosas amostras de uma substância em uma estação espacial na Lua. Porém, algum tempo antes, um trágico acidente aconteceu na estação, matando todos os astronautas que estavam lá, incluindo sua irmã. Agora esse novo grupo precisará descobrir o que aconteceu e talvez enfrentar uma perigosa ameaça. Confira o trailer:

Mar da Tranquilidade é uma região na lua, onde o Módulo Lunar Eagle, da Apollo 11, pousou em 1969 - e é justamente nesse local que se encontra uma enorme Estação de Pesquisa Lunar chamada "Balhae" e onde se desenvolve grande parte da história dessa produção sul coreana surpreendente. Apoiada em uma construção cênica sensacional, que mais parece um labirinto claustrofóbico do que um laboratório de pesquisa, o roteiro da série é muito inteligente em trabalhar, dentro da ficção científica, elementos que misturam suspense e conspiração política.  

É inegável que muitas das cenas, e até pelo clima de tensão construído pelo diretor estreante Choi Hang-Yong, nos fazem lembrar os bons tempos de "Alien, o Oitavo Passageiro" de Ridley Scott. Ao mesmo tempo que a narrativa vai nos entregando as peças de um enorme quebra-cabeça e as relações entre os personagens vão se estabelecendo, existe um certo tom de urgência e de mistério que nos move episódio por episódio - a edição é um primor! Mas não é só isso, Hang-Yong também se apropria das dores mais intimas dos seus personagens e, pouco a pouco, vai justificando suas atitudes a partir das memórias mais marcantes de cada um - e desfecho do  capitão Han (Gong Yoo de "Round 6") é um ótimo exemplo.

Baseado em um curta-metragem homônimo do próprio Choi Hang-Yong, "O Mar da Tranquilidade" sabe trabalhar os símbolos de esperança (ao melhor estilo "Armagedom"), indicando que com inteligência, estudo e amor é possível almejar uma continuidade improvável diante de uma paisagem pós-apocalíptica (como em "O Céu da Meia-Noite") mesmo com muitos seres-humanos, mais uma vez, pensando só em si (como em "Passageiro Acidental").

Se você gosta de uma ficção científica raiz ao melhor estilo "Enigma de Andromeda", com uma história muito boa e uma produção incrível, pode dar o play sem medo!

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O Preço da Verdade

"O Preço da Verdade" (Dark Waters) é o típico projeto que se fosse uma minissérie seria sensacional - nível "Chernobyl", mas devido a limitação de tempo, se tornou apenas um ótimo filme!

Ele conta a história real de um recém-nomeado sócio de um escritório de advocacia, Rob Bilott (Mark Ruffalo), que tem como especialidade defender empresas químicas em processos corporativos. Após ser procurado por um fazendeiro de sua cidade natal em West Virgínia, devido a uma misteriosa sequência de 190 mortes de cabeças de gado, Bilott se vê no meio de uma suspeita muito indesejável: a responsável seria uma fábrica da "gigante" DuPont que emprega 90% da cidade de Parkersburg e que estaria contaminando a principal fonte de abastecimento de água da região! A partir daí, Rob Bilott começa a reunir provas contundentes e ao iniciar um processo contra a Dupont, ele descobre que os efeitos desse crime ambiental é infinitamente maior do que ele imaginava e que podem ter provocado reflexos na saúde de 99% da população mundial até os dias de hoje. Olha, é de revirar o estômago - pode até soar como uma grande conspiração, mas o filme é muito inteligente em se apoiar em uma série de fatos amplamente divulgados na época e que, de alguma forma, nos convidam a refletir sobre nossa atuação perante o planeta que gostaríamos de deixar para os nosso filhos e netos! Não é um filme que se propõe a levantar bandeiras ideológicas, mas, certamente, é um filme que vai te fazer pensar! Vale muito a pena!

"O Preço da Verdade" é inspirado numa história verdadeira e seu roteiro foi desenvolvido a partir de um artigo publicado em 2016 pelo jornal The New York Times, intitulado: “O advogado que se tornou o maior pesadelo da Dupont” (você pode ler esse artigo na íntegra, em inglês, aqui). A história é, de fato, complexa, já que a cadeia de eventos é extensa e as informações vão se amontoando na mesma velocidade em que os documentos da Dupont chegam no escritório de Rob Bilott para serem analisados. São mais de 20 anos de processo que precisaram ser condensados em pouco mais de duas horas de filme - é pouco para a riqueza do material, pela força da trama e pelas motivações de ótimos personagens. Por mais estereotipados que possam parecer, não podemos esquecer que estamos falando de personagens típicos de uma cidade do interior de West Virgínia que hoje tem cerca de 30 mil habitantes ou de advogados corporativos de Cincinnati, Ohio e não de Nova Yorke.  Por outro lado vemos a jornada de ascensão social e profissional de um jovem e talentoso advogado, maravilhosamente interpretado por Mark Ruffalo - aliás Ruffalo poderia ter disputado a temporada premiações como "Melhor Ator", tranquilamente! A quem diga que é sua melhor atuação desde "Foxcatcher".

Outro ponto que merece destaque é a direção do Todd Haynes - é dele o excelente "Longe do Paraíso", indicado à 4 Oscars em 2003. Haynes não inventa moda, foca na direção dos atores e prova que não é preciso de uma câmera documental (nada contra) estilo Adam McKay, para se "documentar" uma história real na ficção! Os planos são bem construídos, mas fica claro que o foco está na relação entre os personagens, no diálogo, no peso das investigações e no reflexo da impunidade - é esse o grande trunfo do filme que nos move até o final com a faca nos dentes! O roteiro soube alinhar todos esses elementos, com as ferramentas que tinha e com isso transformou um filme complexo em uma história dinâmica e muito passional! O departamento de arte foi competente em fazer todas as transições de épocas e a fotografia do Edward Lachman foi inteligente em se aproveitar disso para deixar o filme ainda mais bonito visualmente - aliás, Lachman é aquele tipo de diretor de fotografia que praticamente não erra. Parceiro de Haynes em vários projetos, foi indicado ao Oscar duas vezes por filmes do diretor: 2016 por "Carol" e 2003 por "Longe do Paraíso".

"O Preço da Verdade" é um filme que foi pouco percebido nas premiações, talvez por seu lançamento ter acontecido muito no final do ano, mas merecia uma melhor chance. O elenco, além de Ruffalo, conta com Anne Hathaway como a esposa de Bilott - uma personagem discreta, mas com momentos pontuais que merecem destaque: a cena do hospital onde ela contra-cena com outro peso-pesado, Tim Robbins (Tom Terp), é sensacional! Bill Pullman e Victor Garber também estão no filme. Resumindo: gostei do que assisti, me penalizei com o roteirista por ter tido que adaptar uma grande história em pouco tempo de tela e fico muito a vontade para indicar "O Preço da Verdade". É um filme que nos provoca e mexe com a gente, principalmente por nos mostrar um outro lado da busca incansável do capitalismo americano pelo lucro a qualquer preço! Vale a pena!

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"O Preço da Verdade" (Dark Waters) é o típico projeto que se fosse uma minissérie seria sensacional - nível "Chernobyl", mas devido a limitação de tempo, se tornou apenas um ótimo filme!

Ele conta a história real de um recém-nomeado sócio de um escritório de advocacia, Rob Bilott (Mark Ruffalo), que tem como especialidade defender empresas químicas em processos corporativos. Após ser procurado por um fazendeiro de sua cidade natal em West Virgínia, devido a uma misteriosa sequência de 190 mortes de cabeças de gado, Bilott se vê no meio de uma suspeita muito indesejável: a responsável seria uma fábrica da "gigante" DuPont que emprega 90% da cidade de Parkersburg e que estaria contaminando a principal fonte de abastecimento de água da região! A partir daí, Rob Bilott começa a reunir provas contundentes e ao iniciar um processo contra a Dupont, ele descobre que os efeitos desse crime ambiental é infinitamente maior do que ele imaginava e que podem ter provocado reflexos na saúde de 99% da população mundial até os dias de hoje. Olha, é de revirar o estômago - pode até soar como uma grande conspiração, mas o filme é muito inteligente em se apoiar em uma série de fatos amplamente divulgados na época e que, de alguma forma, nos convidam a refletir sobre nossa atuação perante o planeta que gostaríamos de deixar para os nosso filhos e netos! Não é um filme que se propõe a levantar bandeiras ideológicas, mas, certamente, é um filme que vai te fazer pensar! Vale muito a pena!

"O Preço da Verdade" é inspirado numa história verdadeira e seu roteiro foi desenvolvido a partir de um artigo publicado em 2016 pelo jornal The New York Times, intitulado: “O advogado que se tornou o maior pesadelo da Dupont” (você pode ler esse artigo na íntegra, em inglês, aqui). A história é, de fato, complexa, já que a cadeia de eventos é extensa e as informações vão se amontoando na mesma velocidade em que os documentos da Dupont chegam no escritório de Rob Bilott para serem analisados. São mais de 20 anos de processo que precisaram ser condensados em pouco mais de duas horas de filme - é pouco para a riqueza do material, pela força da trama e pelas motivações de ótimos personagens. Por mais estereotipados que possam parecer, não podemos esquecer que estamos falando de personagens típicos de uma cidade do interior de West Virgínia que hoje tem cerca de 30 mil habitantes ou de advogados corporativos de Cincinnati, Ohio e não de Nova Yorke.  Por outro lado vemos a jornada de ascensão social e profissional de um jovem e talentoso advogado, maravilhosamente interpretado por Mark Ruffalo - aliás Ruffalo poderia ter disputado a temporada premiações como "Melhor Ator", tranquilamente! A quem diga que é sua melhor atuação desde "Foxcatcher".

Outro ponto que merece destaque é a direção do Todd Haynes - é dele o excelente "Longe do Paraíso", indicado à 4 Oscars em 2003. Haynes não inventa moda, foca na direção dos atores e prova que não é preciso de uma câmera documental (nada contra) estilo Adam McKay, para se "documentar" uma história real na ficção! Os planos são bem construídos, mas fica claro que o foco está na relação entre os personagens, no diálogo, no peso das investigações e no reflexo da impunidade - é esse o grande trunfo do filme que nos move até o final com a faca nos dentes! O roteiro soube alinhar todos esses elementos, com as ferramentas que tinha e com isso transformou um filme complexo em uma história dinâmica e muito passional! O departamento de arte foi competente em fazer todas as transições de épocas e a fotografia do Edward Lachman foi inteligente em se aproveitar disso para deixar o filme ainda mais bonito visualmente - aliás, Lachman é aquele tipo de diretor de fotografia que praticamente não erra. Parceiro de Haynes em vários projetos, foi indicado ao Oscar duas vezes por filmes do diretor: 2016 por "Carol" e 2003 por "Longe do Paraíso".

"O Preço da Verdade" é um filme que foi pouco percebido nas premiações, talvez por seu lançamento ter acontecido muito no final do ano, mas merecia uma melhor chance. O elenco, além de Ruffalo, conta com Anne Hathaway como a esposa de Bilott - uma personagem discreta, mas com momentos pontuais que merecem destaque: a cena do hospital onde ela contra-cena com outro peso-pesado, Tim Robbins (Tom Terp), é sensacional! Bill Pullman e Victor Garber também estão no filme. Resumindo: gostei do que assisti, me penalizei com o roteirista por ter tido que adaptar uma grande história em pouco tempo de tela e fico muito a vontade para indicar "O Preço da Verdade". É um filme que nos provoca e mexe com a gente, principalmente por nos mostrar um outro lado da busca incansável do capitalismo americano pelo lucro a qualquer preço! Vale a pena!

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O Relatório

"O Relatório" é um dos melhores filmes de 2019 sem a menor dúvida e muito me impressiona o fato de ter sido praticamente descartado na temporada de prêmios do ano passado! Uma co-produção original da Amazon em parceria com a Vice, baseado em fatos reais, "O Relatório" acompanha uma delicada investigação comandada por Daniel Jones (Adam Driver), um funcionário da senadora norte-americana Dianne Feinstein (Annette Bening), sobre um sigiloso programa de "Detenção e Interrogatório" desenvolvido pela CIA (sempre ela), logo após os ataques de 11 de Setembro. Jones acaba descobrindo que a metodologia usada contra os presos, conhecida como “técnicas de interrogatório avançadas”, nada mais era do que várias formas de tortura e, pior, muitos dos 119 detidos eram civis sem nenhuma ligação com a Al Qaeda. Essas práticas autorizadas pelo alto escalão da CIA, resultaram na morte de vários inocentes e de suspeitos pouco relevantes na prevenção de ataques terroristas, sendo considerada um fracasso em sua execução, além de infringir a legislação norte-americana e o Direitos Humanos. Confira o trailer (em inglês):

"O Relatório" é quase uma continuação dos fatos retratados em outra produção que está disponível na Prime Vídeo chamada "The Looming Tower" (da Hulu) - inclusive vários personagens são facilmente reconhecidos. Se em "The Looming Tower" a CIA demostrava sua total incompetência para impedir um ataque terrorista ao guardar para si informações importantes, graças a uma rixa política dom o FBI, em "O Relatório" é apenas a comprovação do seu despreparo para lidar com suas próprias falhas. É mais uma história de embrulhar o estômago, cercada de burocratas egocêntricos, que é muito bem contada por um diretor quase estreante, Scott Z. Burns - o roteirista que já nos entregou dois ótimos thrillers: "Terapia de Risco" e "Contágio"! 

Olha, o filme vale muito a pena, mas se você assina Amazon Prime eu sugiro que você assista os dez episódios de  "The Looming Tower" e logo depois "O Relatório" - pode se preparar para uma experiência incrível com dramas políticos (reais) de primeiríssima qualidade! Vale seu play!

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"O Relatório" é um dos melhores filmes de 2019 sem a menor dúvida e muito me impressiona o fato de ter sido praticamente descartado na temporada de prêmios do ano passado! Uma co-produção original da Amazon em parceria com a Vice, baseado em fatos reais, "O Relatório" acompanha uma delicada investigação comandada por Daniel Jones (Adam Driver), um funcionário da senadora norte-americana Dianne Feinstein (Annette Bening), sobre um sigiloso programa de "Detenção e Interrogatório" desenvolvido pela CIA (sempre ela), logo após os ataques de 11 de Setembro. Jones acaba descobrindo que a metodologia usada contra os presos, conhecida como “técnicas de interrogatório avançadas”, nada mais era do que várias formas de tortura e, pior, muitos dos 119 detidos eram civis sem nenhuma ligação com a Al Qaeda. Essas práticas autorizadas pelo alto escalão da CIA, resultaram na morte de vários inocentes e de suspeitos pouco relevantes na prevenção de ataques terroristas, sendo considerada um fracasso em sua execução, além de infringir a legislação norte-americana e o Direitos Humanos. Confira o trailer (em inglês):

"O Relatório" é quase uma continuação dos fatos retratados em outra produção que está disponível na Prime Vídeo chamada "The Looming Tower" (da Hulu) - inclusive vários personagens são facilmente reconhecidos. Se em "The Looming Tower" a CIA demostrava sua total incompetência para impedir um ataque terrorista ao guardar para si informações importantes, graças a uma rixa política dom o FBI, em "O Relatório" é apenas a comprovação do seu despreparo para lidar com suas próprias falhas. É mais uma história de embrulhar o estômago, cercada de burocratas egocêntricos, que é muito bem contada por um diretor quase estreante, Scott Z. Burns - o roteirista que já nos entregou dois ótimos thrillers: "Terapia de Risco" e "Contágio"! 

Olha, o filme vale muito a pena, mas se você assina Amazon Prime eu sugiro que você assista os dez episódios de  "The Looming Tower" e logo depois "O Relatório" - pode se preparar para uma experiência incrível com dramas políticos (reais) de primeiríssima qualidade! Vale seu play!

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