Baseado no livro “The 15:17 to Paris: The True Story of a Terrorist, a Train, and Three American Soldiers”, o filme de Clint Eastwood conta a história de três americanos, Spencer Stone, Anthony Sadler e Alek Skarlatos. Amigos desde a infância, eles estavam viajando pela Europa quando acabaram reféns de um terrorista marroquino, Ayoub El-Khazzani (Ray Corasani), em um trem que ia de Amsterdã para Paris.
Pelo trailer temos a impressão que é mais um grande filme sobre heróis americanos "15:17 Destino Paris", certo? Pois é, de fato, esse é o objetivo de Eastwood, mas o resultado talvez deixe a desejar para os mais exigentes, embora seja um bom entretenimento se você não assistir com as expectativas que um filme do diretor carrega!
"15:17 Destino Paris" é muito bem dirigido por uma cara que domina a gramática cinematográfica como ninguém - é perceptível a qualidade técnica e a capacidade que Eastwood tem de contar uma história que dialoga com seus propósitos, mas para mim, o maior problema do filme acabou sendo seu roteiro! Ele é muito inconsistente - parece que editaram para caber na "Tela Quente", sabe?
O roteiro de Dorothy Blyskal transita entre a vida adulta e a infância dos três protagonistas, porém, o que poderia ser um trabalho profundo sobre a formação do caráter e dos valores dos futuros heróis em diversas camadas, é só um retrato de três garotos fazendo malcriação! Já adultos, o filme soa mais como uma espécie de Road Movie, quase colegial, com diálogos muitas vezes superficiais e sem muito propósito para o que mais interessa: os momentos de tensão perante uma experiência marcante e aterrorizante vivida naquele 21 de agosto de 2015 - como, por exemplo, Paul Greengrass fez brilhantemente no excelente "Voo United 93".
A parte curiosa do filme é que Clint Eastwood não usou atores para contar a história! Quem viveu aquele dia, reviveu na ficção - e isso pesa no filme! Spencer Stone, Anthony Sadler e Alek Skarlatos se esforçam, mas não entregam a dramaticidade que o filme pedia!
Olha, de fato, "15:17 Destino Paris" era uma história que merecia ser contada! Vale como referência histórica, como retrato de uma sociedade doentia, mas como filme em si, é aquele típico entretenimento "Sessão da Tarde" sem maiores pretensões ou seja, vale pela diversão!
Baseado no livro “The 15:17 to Paris: The True Story of a Terrorist, a Train, and Three American Soldiers”, o filme de Clint Eastwood conta a história de três americanos, Spencer Stone, Anthony Sadler e Alek Skarlatos. Amigos desde a infância, eles estavam viajando pela Europa quando acabaram reféns de um terrorista marroquino, Ayoub El-Khazzani (Ray Corasani), em um trem que ia de Amsterdã para Paris.
Pelo trailer temos a impressão que é mais um grande filme sobre heróis americanos "15:17 Destino Paris", certo? Pois é, de fato, esse é o objetivo de Eastwood, mas o resultado talvez deixe a desejar para os mais exigentes, embora seja um bom entretenimento se você não assistir com as expectativas que um filme do diretor carrega!
"15:17 Destino Paris" é muito bem dirigido por uma cara que domina a gramática cinematográfica como ninguém - é perceptível a qualidade técnica e a capacidade que Eastwood tem de contar uma história que dialoga com seus propósitos, mas para mim, o maior problema do filme acabou sendo seu roteiro! Ele é muito inconsistente - parece que editaram para caber na "Tela Quente", sabe?
O roteiro de Dorothy Blyskal transita entre a vida adulta e a infância dos três protagonistas, porém, o que poderia ser um trabalho profundo sobre a formação do caráter e dos valores dos futuros heróis em diversas camadas, é só um retrato de três garotos fazendo malcriação! Já adultos, o filme soa mais como uma espécie de Road Movie, quase colegial, com diálogos muitas vezes superficiais e sem muito propósito para o que mais interessa: os momentos de tensão perante uma experiência marcante e aterrorizante vivida naquele 21 de agosto de 2015 - como, por exemplo, Paul Greengrass fez brilhantemente no excelente "Voo United 93".
A parte curiosa do filme é que Clint Eastwood não usou atores para contar a história! Quem viveu aquele dia, reviveu na ficção - e isso pesa no filme! Spencer Stone, Anthony Sadler e Alek Skarlatos se esforçam, mas não entregam a dramaticidade que o filme pedia!
Olha, de fato, "15:17 Destino Paris" era uma história que merecia ser contada! Vale como referência histórica, como retrato de uma sociedade doentia, mas como filme em si, é aquele típico entretenimento "Sessão da Tarde" sem maiores pretensões ou seja, vale pela diversão!
"Além da Vida" conta a história de três pessoas que são assombradas pela "morte", de diferentes formas. George (Matt Damon) é um trabalhador da construção civil que tem uma ligação especial com a vida além da morte. Marie (Cécile de France), uma jornalista francesa, é uma das vítimas do Tsunami de 2004 que quase a matou. E Marcus (George McLaren e Frankie McLaren), é uma criança londrina, que quando perde o seu irmão gêmeo, procura desesperadamente obter respostas que fogem do seu entendimento. Cada um deles está em busca da sua verdade até que seus caminhos se cruzam e alteram para sempre aquilo em que eles acreditavam existir além da vida. Confira o Trailer:
"Hereafter" (no original) é um filme de 2010 dirigido pelo excelente Clint Eastwood que fala sobre a relação do ser humano com a morte (ou o que não se sabe dela). Por si só o tema já chamaria a atenção, mas somando uma direção precisa e segura de um premiado Eastwood e uma cena simplesmente sensacional do Tsunami (que, inclusive, lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Efeitos Visuais em 2011), teríamos um drama dos bons, certo? Certo, mas quando as três histórias dos três personagens distintos se encontram no final (ao melhor estilo Alejandro Gonzalez Inarritu) percebemos que o filme não supera nossas expectativas - seu sentimentalismo, na minha opinião, passou um pouco do ponto. Não chega a atrapalhar a nossa experiência, mas coloca "Além da Vida" em outra prateleira.
Certamente a direção é melhor do filme: as histórias são muito bem construídas, os personagens são intensos com seus dramas particulares e os “eventos” que os fazem pensar sobre a razão de suas próprias existências funcionam muito bem - mas o roteiro oscila, ele acaba alternando momentos grandiosos (e não falo só da cena do Tsunami) com momentos um pouco arrastados, que chega a cansar um pouco.
Claro que o filme vale a pena, existem três momentos específicos que justificam muito as duas horas de duração, mas admito que esperava um pouco mais - talvez até pelo tamanho das minhas expectativas depois de assistir um trailer tão empolgante.
Otimo entretenimento!
"Além da Vida" conta a história de três pessoas que são assombradas pela "morte", de diferentes formas. George (Matt Damon) é um trabalhador da construção civil que tem uma ligação especial com a vida além da morte. Marie (Cécile de France), uma jornalista francesa, é uma das vítimas do Tsunami de 2004 que quase a matou. E Marcus (George McLaren e Frankie McLaren), é uma criança londrina, que quando perde o seu irmão gêmeo, procura desesperadamente obter respostas que fogem do seu entendimento. Cada um deles está em busca da sua verdade até que seus caminhos se cruzam e alteram para sempre aquilo em que eles acreditavam existir além da vida. Confira o Trailer:
"Hereafter" (no original) é um filme de 2010 dirigido pelo excelente Clint Eastwood que fala sobre a relação do ser humano com a morte (ou o que não se sabe dela). Por si só o tema já chamaria a atenção, mas somando uma direção precisa e segura de um premiado Eastwood e uma cena simplesmente sensacional do Tsunami (que, inclusive, lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Efeitos Visuais em 2011), teríamos um drama dos bons, certo? Certo, mas quando as três histórias dos três personagens distintos se encontram no final (ao melhor estilo Alejandro Gonzalez Inarritu) percebemos que o filme não supera nossas expectativas - seu sentimentalismo, na minha opinião, passou um pouco do ponto. Não chega a atrapalhar a nossa experiência, mas coloca "Além da Vida" em outra prateleira.
Certamente a direção é melhor do filme: as histórias são muito bem construídas, os personagens são intensos com seus dramas particulares e os “eventos” que os fazem pensar sobre a razão de suas próprias existências funcionam muito bem - mas o roteiro oscila, ele acaba alternando momentos grandiosos (e não falo só da cena do Tsunami) com momentos um pouco arrastados, que chega a cansar um pouco.
Claro que o filme vale a pena, existem três momentos específicos que justificam muito as duas horas de duração, mas admito que esperava um pouco mais - talvez até pelo tamanho das minhas expectativas depois de assistir um trailer tão empolgante.
Otimo entretenimento!
Não é um filme de respostas fáceis, já que a magia de "Jurado #2" está justamente nas implicações morais do que não é dito! Chancelado como o possível último filme dirigido por Clint Eastwood, essa é uma obra que une o estilo clássico do diretor com uma narrativa contemporânea carregada de tensão que claramente parte de uma gramática de suspense psicológico para contar sua história. Com um roteiro do estreante Jonathan Abrams, "Juror #2", no original, não é criativo na sua essência, mas sim na sua forma de explorar a complexidade das escolhas humanas, de uma luta interna entre culpa e dever e do peso de ter que tomar uma decisão que pode impactar muitas vidas, inclusive a de uma nova família. Dada as devidas proporções, "Jurado #2" traz muito do episódio piloto de "Your Honor" ou de "Capital Humano", ao usar de uma situação pontual para criar um campo de batalha ético, desafiando a audiência a questionar seus próprios valores e julgamentos a todo momento.
A trama acompanha Justin Kemp (Nicholas Hoult), um jovem pai que é convocado como jurado para um julgamento de um possível assassinato. Inicialmente um participante passivo no processo, Justin percebe que ele mesmo pode estar conectado ao crime, sendo potencialmente o maior culpado. Enquanto o julgamento avança, ele enfrenta um dilema devastador: revelar sua culpa e comprometer sua família ou usar sua posição como jurado para influenciar o resultado do julgamento ao seu favor. A narrativa, marcada por tensão crescente e dilemas morais impressionantes, tece uma rede de segredos e revelações que culminam em uma conclusão, de fato, impactante. Confira o trailer:
Clint Eastwood, aos 93 anos, demonstra mais uma vez sua maestria como diretor, criando uma atmosfera de angustia constante sem recorrer a exageros ou atalhos. Seu estilo econômico de um diretor focado na performance dos atores dá ao filme uma autenticidade que realmente o diferencia de outros thrillers jurídicos. Eastwood utiliza o tribunal não apenas como cenário, mas como um microcosmo para explorar temas mais sensíveis como justiça e responsabilidade pela perspectiva do impacto das escolhas individuais em uma comunidade que parece já ter suas respostas sem antes discutir o problema. Nesse sentido, o roteiro de Abrams é habilmente estruturado, alternando entre o drama do julgamento e os conflitos internos de Justin. Os diálogos são ótimos, e o desenvolvimento dos personagens é suficientemente detalhado para garantir que cada figura no tribunal tenha uma presença marcante dentro de um mesmo contexto, enriquecendo o conflito emocional e narrativo do filme. Veja, "Jurado #2" tem uma dinâmica que equilibra o suspense de um thriller com a profundidade de um drama bastante sensorial, trocando os clichês por uma abordagem mais reflexiva - e funciona!
Nicholas Hoult, mais uma vez, oferece uma performance poderosa como Justin, capturando com intensidade o conflito interno de um homem de caráter (mas cheio de marcas da vida) que se encontra em uma posição insustentável. Sua atuação mostra as fraquezas pontuais de seu personagem, permitindo que a audiência se conecte com sua luta moral sem julgamentos pré-estabelecidos. Toni Collette, como a promotora egocêntrica do caso, Faith Killebrew, entrega uma jornada forte e incisiva, adicionando camadas importantes ao lado político da história, contribuindo para a autenticidade e para a tensão do filme - com um certo toque de arrogância, claro, mas sem deixar de ser empática.
Tecnicamente, "Jurado #2" é impecável. A fotografia do craque Yves Bélange (de "A Chegada") enfatiza o ambiente claustrofóbico do tribunal, utilizando luz e sombra para refletir a tensão emocional e moral dos personagens - uma extensão dos flashbacks do dia do crime, inclusive. Já nas cenas externas, que exploram a vida pessoal de Justin, Bélange procura criar um contraste visual que reforça a dualidade entre uma postura pública e uma outra mais íntima do protagonista - isso intensifica o suspense e apoia a proposta narrativa de Eastwood, mas sem sobrecarregá-la. Agora também é preciso que se diga: embora notável, alguns podem sentir que o ritmo "Jurado #2" soe mais lento e introspectivo do que o normal - não foi o meu caso, mas realmente esse ponto divide opiniões.
Dito isso, posso te garantir que aqui a história é moralmente complexa, com performances marcantes e uma direção precisa. Esse é um filme que nos desafia a refletir sobre os limites da justiça e dos dilemas éticos que moldam nossas vidas - mais ou menos como "Tempo de Matar" fez em 1996. Então esteja preparado para uma experiência cinematográfica que é ao mesmo tempo emocionante e profundamente provocadora. Vale demais!
Não é um filme de respostas fáceis, já que a magia de "Jurado #2" está justamente nas implicações morais do que não é dito! Chancelado como o possível último filme dirigido por Clint Eastwood, essa é uma obra que une o estilo clássico do diretor com uma narrativa contemporânea carregada de tensão que claramente parte de uma gramática de suspense psicológico para contar sua história. Com um roteiro do estreante Jonathan Abrams, "Juror #2", no original, não é criativo na sua essência, mas sim na sua forma de explorar a complexidade das escolhas humanas, de uma luta interna entre culpa e dever e do peso de ter que tomar uma decisão que pode impactar muitas vidas, inclusive a de uma nova família. Dada as devidas proporções, "Jurado #2" traz muito do episódio piloto de "Your Honor" ou de "Capital Humano", ao usar de uma situação pontual para criar um campo de batalha ético, desafiando a audiência a questionar seus próprios valores e julgamentos a todo momento.
A trama acompanha Justin Kemp (Nicholas Hoult), um jovem pai que é convocado como jurado para um julgamento de um possível assassinato. Inicialmente um participante passivo no processo, Justin percebe que ele mesmo pode estar conectado ao crime, sendo potencialmente o maior culpado. Enquanto o julgamento avança, ele enfrenta um dilema devastador: revelar sua culpa e comprometer sua família ou usar sua posição como jurado para influenciar o resultado do julgamento ao seu favor. A narrativa, marcada por tensão crescente e dilemas morais impressionantes, tece uma rede de segredos e revelações que culminam em uma conclusão, de fato, impactante. Confira o trailer:
Clint Eastwood, aos 93 anos, demonstra mais uma vez sua maestria como diretor, criando uma atmosfera de angustia constante sem recorrer a exageros ou atalhos. Seu estilo econômico de um diretor focado na performance dos atores dá ao filme uma autenticidade que realmente o diferencia de outros thrillers jurídicos. Eastwood utiliza o tribunal não apenas como cenário, mas como um microcosmo para explorar temas mais sensíveis como justiça e responsabilidade pela perspectiva do impacto das escolhas individuais em uma comunidade que parece já ter suas respostas sem antes discutir o problema. Nesse sentido, o roteiro de Abrams é habilmente estruturado, alternando entre o drama do julgamento e os conflitos internos de Justin. Os diálogos são ótimos, e o desenvolvimento dos personagens é suficientemente detalhado para garantir que cada figura no tribunal tenha uma presença marcante dentro de um mesmo contexto, enriquecendo o conflito emocional e narrativo do filme. Veja, "Jurado #2" tem uma dinâmica que equilibra o suspense de um thriller com a profundidade de um drama bastante sensorial, trocando os clichês por uma abordagem mais reflexiva - e funciona!
Nicholas Hoult, mais uma vez, oferece uma performance poderosa como Justin, capturando com intensidade o conflito interno de um homem de caráter (mas cheio de marcas da vida) que se encontra em uma posição insustentável. Sua atuação mostra as fraquezas pontuais de seu personagem, permitindo que a audiência se conecte com sua luta moral sem julgamentos pré-estabelecidos. Toni Collette, como a promotora egocêntrica do caso, Faith Killebrew, entrega uma jornada forte e incisiva, adicionando camadas importantes ao lado político da história, contribuindo para a autenticidade e para a tensão do filme - com um certo toque de arrogância, claro, mas sem deixar de ser empática.
Tecnicamente, "Jurado #2" é impecável. A fotografia do craque Yves Bélange (de "A Chegada") enfatiza o ambiente claustrofóbico do tribunal, utilizando luz e sombra para refletir a tensão emocional e moral dos personagens - uma extensão dos flashbacks do dia do crime, inclusive. Já nas cenas externas, que exploram a vida pessoal de Justin, Bélange procura criar um contraste visual que reforça a dualidade entre uma postura pública e uma outra mais íntima do protagonista - isso intensifica o suspense e apoia a proposta narrativa de Eastwood, mas sem sobrecarregá-la. Agora também é preciso que se diga: embora notável, alguns podem sentir que o ritmo "Jurado #2" soe mais lento e introspectivo do que o normal - não foi o meu caso, mas realmente esse ponto divide opiniões.
Dito isso, posso te garantir que aqui a história é moralmente complexa, com performances marcantes e uma direção precisa. Esse é um filme que nos desafia a refletir sobre os limites da justiça e dos dilemas éticos que moldam nossas vidas - mais ou menos como "Tempo de Matar" fez em 1996. Então esteja preparado para uma experiência cinematográfica que é ao mesmo tempo emocionante e profundamente provocadora. Vale demais!
"O Caso Richard Jewell" não é um filme de investigação, é um filme de empatia!
Richard Jewell (Paul Walter Hauser) sempre sonhou em se tornar policial, mas entre um bico e outro, acabou como segurança nos jogos olímpicos de Atlanta em 1996. No dia 27 de julho, durante um show no Centennial Olympic Park, Jewell reparou em uma mochila que estava largada próximo a torre de iluminação. Receoso, ele chamou a policia local e depois o esquadrão anti-bombas - ambos não puderam fazer nada a tempo: a bomba explodiu, matando duas pessoas e ferindo outras 112. Certamente a tragédia teria sido ainda maior se Richard Jewell não tivesse agido rápido, afastando o máximo de pessoas possíveis do local da explosão. Da noite para o dia ele se tornou um herói, uma celebridade instantânea, até que um investigador do FBI sugeriu que ele pudesse ser o principal suspeito, vazando a informação para a jornalista Kathy Scruggs (Olivia Wilde) que, irresponsavelmente, o colocou em um perfil completamente estereotipado de quem seria capaz de cometer um atentado terrorista para chamar a atenção. O fato é que Jewell e sua mãe Bobi (Kathy Bates) passam a viver um inferno, sendo massacrados pela mídia e perseguidos pelo FBI.
A escolha do diretor Clint Eastwood e do roteirista Billy Ray (Captain Phillips) em contar essa história real pelos olhos inocentes de Richard Jewell, transforma nossa percepção sobre o caso e nos provoca à reflexão sobre aqueles personagens de uma forma muito próxima, quase familiar, emotiva até! Olha, vale muito a pena! O filme estreia dia 2 de janeiro e é cotado para, pelo menos, 2 ou 3 indicações no Oscar 2020!
Embora a história seja muito interessante e nos prenda por mais de duas horas, a força do filme está, sem dúvida, no seu elenco: Paul Walter Hauser está sensacional e, para mim, seria um dos indicados no Oscar, porém sua ausência no Globo de Ouro ligou um sinal de alerta. O mesmo serve para o excelente Sam Rockwell como o advogado Watson Bryant - ele está perfeito, mas vai cair em uma das categorias mais disputadas e que deve contar com Joe Pesci (O irlandês), Anthony Hopkins (Dois papas) e Brad Pitt (Era uma Vez em Hollywood). Kathy Bates tem uma das cenas mais emocionantes que eu assisti em 2019 - um monólogo que vale o filme e que a credencia como uma das favoritas para melhor atriz coadjuvante. Até Olivia Wilde mereceria uma indicação, mas acho que não será dessa vez: sua postura como uma repórter ambiciosa é irritante ao mesmo tempo que muito charmosa - aliás, uma das polêmicas que o filme gerou diz respeito a sua personagem que, teoricamente, teria oferecido sexo em troca de uma informação. Kathy Scruggs faleceu em 2001, mas a A Cox Enterprises, responsável pelo diário Atlanta Journal-Constitutionque deu o furo na época, enviou uma carta aberta para o diretor Clint Eastwood, afirmando que sua versão para os fatos seria "errada e malévola [...] difamatória e destruidora de reputações"! O fato é que essa polêmica, em tempos de #MeToo, deve atrapalhar a corrida do filme pela disputa do prêmio máximo do Oscar.
Outros fatores contribuem para o ótimo resultado de "O Caso Richard Jewell". Sem muita inventividade , mas com muita competência, a direção de Eastwood é infinitamente melhor do que em "15h17 - Trem para Paris". A montagem de Joel Cox (Os Imperdoáveis e American Sniper) cria uma dinâmica bastante interessante, embora muito linear, mistura bem o que é arquivo e o que é ficção. A trilha sonora do Arturo Sandoval (três vezes vencedor do Grammy) ajuda a dar o tom emocional que o roteiro propõe com muita habilidade. Outro elemento que pode passar batido, mas que é muito interessante é a bela fotografia de Yves Bélanger (o cara por trás de Big Little Lies da HBO e de Clube de Compras Dallas).
"O Caso Richard Jewell" é um filme com potencial para fazer barulho graças ao excelente trabalho de um elenco acima da média! O roteiro, mesmo acertando no conceito narrativo, dá umas pequenas vaciladas, deixando algumas ações sem muita explicação (até aí, ok) ou aprofundamento (como a dor no peito de Richard Jewell ou a crise de consciência Kathy Scruggs durante a entrevista coletiva da mãe de Richard) - dá a impressão que algo não entrou no corte final, sabe? De modo geral eu gostei muito do filme e digo que vale muito a pena! Indico de olhos fechados e com o coração apertado ao lembrar da cena da Kathy Bates!!!
"O Caso Richard Jewell" não é um filme de investigação, é um filme de empatia!
Richard Jewell (Paul Walter Hauser) sempre sonhou em se tornar policial, mas entre um bico e outro, acabou como segurança nos jogos olímpicos de Atlanta em 1996. No dia 27 de julho, durante um show no Centennial Olympic Park, Jewell reparou em uma mochila que estava largada próximo a torre de iluminação. Receoso, ele chamou a policia local e depois o esquadrão anti-bombas - ambos não puderam fazer nada a tempo: a bomba explodiu, matando duas pessoas e ferindo outras 112. Certamente a tragédia teria sido ainda maior se Richard Jewell não tivesse agido rápido, afastando o máximo de pessoas possíveis do local da explosão. Da noite para o dia ele se tornou um herói, uma celebridade instantânea, até que um investigador do FBI sugeriu que ele pudesse ser o principal suspeito, vazando a informação para a jornalista Kathy Scruggs (Olivia Wilde) que, irresponsavelmente, o colocou em um perfil completamente estereotipado de quem seria capaz de cometer um atentado terrorista para chamar a atenção. O fato é que Jewell e sua mãe Bobi (Kathy Bates) passam a viver um inferno, sendo massacrados pela mídia e perseguidos pelo FBI.
A escolha do diretor Clint Eastwood e do roteirista Billy Ray (Captain Phillips) em contar essa história real pelos olhos inocentes de Richard Jewell, transforma nossa percepção sobre o caso e nos provoca à reflexão sobre aqueles personagens de uma forma muito próxima, quase familiar, emotiva até! Olha, vale muito a pena! O filme estreia dia 2 de janeiro e é cotado para, pelo menos, 2 ou 3 indicações no Oscar 2020!
Embora a história seja muito interessante e nos prenda por mais de duas horas, a força do filme está, sem dúvida, no seu elenco: Paul Walter Hauser está sensacional e, para mim, seria um dos indicados no Oscar, porém sua ausência no Globo de Ouro ligou um sinal de alerta. O mesmo serve para o excelente Sam Rockwell como o advogado Watson Bryant - ele está perfeito, mas vai cair em uma das categorias mais disputadas e que deve contar com Joe Pesci (O irlandês), Anthony Hopkins (Dois papas) e Brad Pitt (Era uma Vez em Hollywood). Kathy Bates tem uma das cenas mais emocionantes que eu assisti em 2019 - um monólogo que vale o filme e que a credencia como uma das favoritas para melhor atriz coadjuvante. Até Olivia Wilde mereceria uma indicação, mas acho que não será dessa vez: sua postura como uma repórter ambiciosa é irritante ao mesmo tempo que muito charmosa - aliás, uma das polêmicas que o filme gerou diz respeito a sua personagem que, teoricamente, teria oferecido sexo em troca de uma informação. Kathy Scruggs faleceu em 2001, mas a A Cox Enterprises, responsável pelo diário Atlanta Journal-Constitutionque deu o furo na época, enviou uma carta aberta para o diretor Clint Eastwood, afirmando que sua versão para os fatos seria "errada e malévola [...] difamatória e destruidora de reputações"! O fato é que essa polêmica, em tempos de #MeToo, deve atrapalhar a corrida do filme pela disputa do prêmio máximo do Oscar.
Outros fatores contribuem para o ótimo resultado de "O Caso Richard Jewell". Sem muita inventividade , mas com muita competência, a direção de Eastwood é infinitamente melhor do que em "15h17 - Trem para Paris". A montagem de Joel Cox (Os Imperdoáveis e American Sniper) cria uma dinâmica bastante interessante, embora muito linear, mistura bem o que é arquivo e o que é ficção. A trilha sonora do Arturo Sandoval (três vezes vencedor do Grammy) ajuda a dar o tom emocional que o roteiro propõe com muita habilidade. Outro elemento que pode passar batido, mas que é muito interessante é a bela fotografia de Yves Bélanger (o cara por trás de Big Little Lies da HBO e de Clube de Compras Dallas).
"O Caso Richard Jewell" é um filme com potencial para fazer barulho graças ao excelente trabalho de um elenco acima da média! O roteiro, mesmo acertando no conceito narrativo, dá umas pequenas vaciladas, deixando algumas ações sem muita explicação (até aí, ok) ou aprofundamento (como a dor no peito de Richard Jewell ou a crise de consciência Kathy Scruggs durante a entrevista coletiva da mãe de Richard) - dá a impressão que algo não entrou no corte final, sabe? De modo geral eu gostei muito do filme e digo que vale muito a pena! Indico de olhos fechados e com o coração apertado ao lembrar da cena da Kathy Bates!!!