Viu Review - ml-familia

A Despedida

"A Despedida" é um drama extremamente sensível, muito cadenciado e justamente por isso não deve agradar a todos. É um filme que fala sobre as escolhas que temos que fazer durante a vida, em diversas circunstâncias e como elas impactam na nossa alma quando a morte de um ente querido se aproxima. Sem dúvida que o assunto deve tocar aqueles que passaram por uma situação parecida, porém a sutileza como o assunto é tratado nos provoca uma reflexão que transforma uma história relativamente simples em um grande filme!

“The Farewell” (título original) acompanha Billi (Awkwafina), uma imigrante chinesa que mora em Nova York com seus pais. Quando Billi descobre que sua avó (Zhao Shuzhen) está com câncer em um estado bem avançado e que não viverá mais de três meses, ela simplesmente desmorona. Acontece que família decidiu não contar para Nai Nai (“avó paterna” em chinês) sobre seu diagnóstico, ao contrário, eles planejam um casamento falso entre o primo de Billi e sua namorada japonesa, como desculpa para que toda a família possa se reunir na China, passar alguns dias com Nai Nai e, claro, se despedir dela. Confira o trailer:

O roteiro, da também diretora, Lulu Wang, não tem a menor preocupação em obedecer uma estrutura narrativa convencional - o que vemos durante todo o filme é um movimento quase orgânico onde a emoção de Billi vai nos guiando pela história e isso impacta, inclusive, em como "a morte" se torna uma constante, mesmo nos momentos de alegria da família que tenta de todas as formas esquecer da dor que é estar ali sem poder transparecer seu real sentimento. Olha, não é fácil, mas é muito humano e justamente por isso merece seu play!

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"A Despedida" é um drama extremamente sensível, muito cadenciado e justamente por isso não deve agradar a todos. É um filme que fala sobre as escolhas que temos que fazer durante a vida, em diversas circunstâncias e como elas impactam na nossa alma quando a morte de um ente querido se aproxima. Sem dúvida que o assunto deve tocar aqueles que passaram por uma situação parecida, porém a sutileza como o assunto é tratado nos provoca uma reflexão que transforma uma história relativamente simples em um grande filme!

“The Farewell” (título original) acompanha Billi (Awkwafina), uma imigrante chinesa que mora em Nova York com seus pais. Quando Billi descobre que sua avó (Zhao Shuzhen) está com câncer em um estado bem avançado e que não viverá mais de três meses, ela simplesmente desmorona. Acontece que família decidiu não contar para Nai Nai (“avó paterna” em chinês) sobre seu diagnóstico, ao contrário, eles planejam um casamento falso entre o primo de Billi e sua namorada japonesa, como desculpa para que toda a família possa se reunir na China, passar alguns dias com Nai Nai e, claro, se despedir dela. Confira o trailer:

O roteiro, da também diretora, Lulu Wang, não tem a menor preocupação em obedecer uma estrutura narrativa convencional - o que vemos durante todo o filme é um movimento quase orgânico onde a emoção de Billi vai nos guiando pela história e isso impacta, inclusive, em como "a morte" se torna uma constante, mesmo nos momentos de alegria da família que tenta de todas as formas esquecer da dor que é estar ali sem poder transparecer seu real sentimento. Olha, não é fácil, mas é muito humano e justamente por isso merece seu play!

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A Esposa

"A Esposa" é um ótimo filme, sem nenhum "porém" técnico ou até artístico, com todos os elementos cinematográficos muito bem equilibrados (uma marca do diretor Björn Runge), chancelando a obra como irretocável. Dito isso, é preciso ressaltar o sensacional trabalho de Glenn Close - muito acima da média (que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz em 2019)! Reparem como desde o primeiro minuto é possível encontrar um certo desconforto no olhar de sua personagem e mesmo deixando o roteiro um pouco previsível, sua performance é o que vai transformar a simplicidade da história em algo imperdível.

O filme conta a história de um escritor bem-sucedido que acaba de ganhar o Nobel de literatura, chamado Joseph Castleman (Jonathan Pryce) e de sua esposa Joan (Glenn Close) que o acompanha em todos os momentos, inclusive na grande cerimônia de premiação. Acontece que o casal guarda alguns segredos que pouco a pouco vão submergindo graças a presença constante de Nathanial Bone (Christian Slater) um jornalista que trabalha na biografia não autorizada de Castleman. Confira o trailer:

Tem um lado em "A Esposa" que eu gostaria que vocês reparassem: ainda na apresentação dos personagens, percebemos a cumplicidade entre o casal pelos olhos de Joseph Castleman, mas também um certo distanciamento, culposo talvez, pelos olhos de Joan. Até nos momentos de maior alegria do casal, algo insiste em nos incomodar, mesmo que vindo do próprio silêncio - isso, na verdade, é tão raro, que quase nos obriga a voltar o filme para termos a certeza que não perdemos nada. O diretor Björn Runge trabalha essas camadas mais profundas com muita delicadeza, mas durante a progressão da história entendemos a importância dessas marcas do passado e como elas estão muito mais vivas do que imaginávamos lá atrás!

Embora Jonathan Pryce não tenha chamado tanto a atenção como Glenn Close, seu trabalho é igualmente competente! O diretor de fotografia Ulf Brantås (Areia Movediça) é outro que ajuda muito o trabalho dos atores - ele foi capaz de captar o vazio com a mesma habilidade que enquadra as inúmeras emoções com a qual os atores vão nos presenteando - tudo na mesma cena! Uma aula!

A roteirista Jane Anderson adaptou o livro homônimo de Meg Wolitzer com o intuito de expor todas essas nuances, mas sem jamais ignorar a dimensão da dominação que Castleman impunha à Joan - e olhando pelas lentes da humanidade, nos perguntamos se Joseph tinha noção de suas atitudes em todo momento. Essa resposta está no filme, só é preciso encontra-la.

Olha, provavelmente a história vai impactar algumas pessoas com mais força, especialmente as mulheres, mas independente de relações emocionais e empáticas com os personagens, "A Esposa" já vai valer muito a pena por provocar alguns questionamentos bem importantes e que não devem ser ignorados nunca!

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"A Esposa" é um ótimo filme, sem nenhum "porém" técnico ou até artístico, com todos os elementos cinematográficos muito bem equilibrados (uma marca do diretor Björn Runge), chancelando a obra como irretocável. Dito isso, é preciso ressaltar o sensacional trabalho de Glenn Close - muito acima da média (que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz em 2019)! Reparem como desde o primeiro minuto é possível encontrar um certo desconforto no olhar de sua personagem e mesmo deixando o roteiro um pouco previsível, sua performance é o que vai transformar a simplicidade da história em algo imperdível.

O filme conta a história de um escritor bem-sucedido que acaba de ganhar o Nobel de literatura, chamado Joseph Castleman (Jonathan Pryce) e de sua esposa Joan (Glenn Close) que o acompanha em todos os momentos, inclusive na grande cerimônia de premiação. Acontece que o casal guarda alguns segredos que pouco a pouco vão submergindo graças a presença constante de Nathanial Bone (Christian Slater) um jornalista que trabalha na biografia não autorizada de Castleman. Confira o trailer:

Tem um lado em "A Esposa" que eu gostaria que vocês reparassem: ainda na apresentação dos personagens, percebemos a cumplicidade entre o casal pelos olhos de Joseph Castleman, mas também um certo distanciamento, culposo talvez, pelos olhos de Joan. Até nos momentos de maior alegria do casal, algo insiste em nos incomodar, mesmo que vindo do próprio silêncio - isso, na verdade, é tão raro, que quase nos obriga a voltar o filme para termos a certeza que não perdemos nada. O diretor Björn Runge trabalha essas camadas mais profundas com muita delicadeza, mas durante a progressão da história entendemos a importância dessas marcas do passado e como elas estão muito mais vivas do que imaginávamos lá atrás!

Embora Jonathan Pryce não tenha chamado tanto a atenção como Glenn Close, seu trabalho é igualmente competente! O diretor de fotografia Ulf Brantås (Areia Movediça) é outro que ajuda muito o trabalho dos atores - ele foi capaz de captar o vazio com a mesma habilidade que enquadra as inúmeras emoções com a qual os atores vão nos presenteando - tudo na mesma cena! Uma aula!

A roteirista Jane Anderson adaptou o livro homônimo de Meg Wolitzer com o intuito de expor todas essas nuances, mas sem jamais ignorar a dimensão da dominação que Castleman impunha à Joan - e olhando pelas lentes da humanidade, nos perguntamos se Joseph tinha noção de suas atitudes em todo momento. Essa resposta está no filme, só é preciso encontra-la.

Olha, provavelmente a história vai impactar algumas pessoas com mais força, especialmente as mulheres, mas independente de relações emocionais e empáticas com os personagens, "A Esposa" já vai valer muito a pena por provocar alguns questionamentos bem importantes e que não devem ser ignorados nunca!

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A Jornada

"A Jornada" é um filme muito bacana, que fala sobre o empoderamento feminino, mas com muita sensibilidade e inteligência. O interessante, inclusive, é perceber como algumas difíceis escolhas que a mulher precisa fazer durante sua vida se transformam em um processo de auto-aceitação ao mesmo tempo em que ela mesmo precisa lidar com uma sociedade notavelmente machista. O filme se aproveita do dia a dia de muito esforço e superação da astronauta francesa Sarah (Eva Green), uma mãe solteira que se prepara para uma missão espacial. Ela luta para equilibrar o tempo e a atenção que sua filha pequena precisa com o intenso e rigoroso treinamento de uma missão espacial. Confira o trailer:

Talvez a frase do seu colega de missão Mike Shannon (Matt Dillon), defina muito bem o que "A Jornada" nos propõe: “Não existe um astronauta perfeito. Assim como não existe uma mãe perfeita” - e certamente, isso vai tocar algumas mulheres mais do que aos homens, mas a sua profundidade merece uma reflexão sincera para ambos os gêneros. Vale a pena, mesmo não sendo um filme inesquecível, ele pode mexer com você!

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"A Jornada" é um filme muito bacana, que fala sobre o empoderamento feminino, mas com muita sensibilidade e inteligência. O interessante, inclusive, é perceber como algumas difíceis escolhas que a mulher precisa fazer durante sua vida se transformam em um processo de auto-aceitação ao mesmo tempo em que ela mesmo precisa lidar com uma sociedade notavelmente machista. O filme se aproveita do dia a dia de muito esforço e superação da astronauta francesa Sarah (Eva Green), uma mãe solteira que se prepara para uma missão espacial. Ela luta para equilibrar o tempo e a atenção que sua filha pequena precisa com o intenso e rigoroso treinamento de uma missão espacial. Confira o trailer:

Talvez a frase do seu colega de missão Mike Shannon (Matt Dillon), defina muito bem o que "A Jornada" nos propõe: “Não existe um astronauta perfeito. Assim como não existe uma mãe perfeita” - e certamente, isso vai tocar algumas mulheres mais do que aos homens, mas a sua profundidade merece uma reflexão sincera para ambos os gêneros. Vale a pena, mesmo não sendo um filme inesquecível, ele pode mexer com você!

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A Million Little Things

Acho que um dos grandes méritos dessa "segunda fase" do Globoplay é fazer o caminho inverso ao da Netflix, mas com o objetivo de chegar, exatamente, no mesmo lugar. Quando o Globoplay foi lançado, encontrávamos apenas conteúdo da Globo, ou seja, um catálogo enorme de produções próprias de altíssima qualidade, mas que não eram inéditos e representavam um material com características bem regionais. Com o tempo a plataforma foi mudando sua estratégia, ampliando seu olhar para o mercado e alinhando seu conteúdo inédito com as estréias da TV, até que veio a excelente sacada de lançar antes na plataforma e, em alguns casos, tudo de uma vez para o usuário "maratonar". Agora o Globoplay evoluiu ainda mais, pois passou a produzir projetos exclusivos para o streaming, sem nem passar pela TV e também licenciar conteúdo criado (e exibido) fora da emissora!!! Vamos falar muito desses conteúdos, mas fiz essa introdução toda apenas para dizer que: "A Million Little Things" está lá, no Globoplay, e você não pode deixar de assistir!!!!!

Essa série é a versão da ABC do sucesso da NBC, "This is Us". Na verdade uma série não tem nada a ver com a outra no seu conteúdo, mas a forma de contar a história e os sentimentos que ela é capaz de gerar ao assistirmos cada episódio é exatamente o mesmo! "A Million Little Things" não foca na família, foca na amizade! Seu ponto de partida é o suicídio de um dos protagonistas e, sempre misturando passado e presente, como essa tragédia refletiu na vida de cada um dos seus melhores amigos. Veja o trailer:

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Acho que um dos grandes méritos dessa "segunda fase" do Globoplay é fazer o caminho inverso ao da Netflix, mas com o objetivo de chegar, exatamente, no mesmo lugar. Quando o Globoplay foi lançado, encontrávamos apenas conteúdo da Globo, ou seja, um catálogo enorme de produções próprias de altíssima qualidade, mas que não eram inéditos e representavam um material com características bem regionais. Com o tempo a plataforma foi mudando sua estratégia, ampliando seu olhar para o mercado e alinhando seu conteúdo inédito com as estréias da TV, até que veio a excelente sacada de lançar antes na plataforma e, em alguns casos, tudo de uma vez para o usuário "maratonar". Agora o Globoplay evoluiu ainda mais, pois passou a produzir projetos exclusivos para o streaming, sem nem passar pela TV e também licenciar conteúdo criado (e exibido) fora da emissora!!! Vamos falar muito desses conteúdos, mas fiz essa introdução toda apenas para dizer que: "A Million Little Things" está lá, no Globoplay, e você não pode deixar de assistir!!!!!

Essa série é a versão da ABC do sucesso da NBC, "This is Us". Na verdade uma série não tem nada a ver com a outra no seu conteúdo, mas a forma de contar a história e os sentimentos que ela é capaz de gerar ao assistirmos cada episódio é exatamente o mesmo! "A Million Little Things" não foca na família, foca na amizade! Seu ponto de partida é o suicídio de um dos protagonistas e, sempre misturando passado e presente, como essa tragédia refletiu na vida de cada um dos seus melhores amigos. Veja o trailer:

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A Vida em Si

A Vida em Si

Quando "A Vida em Si" estreou no Brasil, em dezembro de 2018, o filme chegou cheio de expectativas, afinal o seu diretor e roteirista era o Dan Fogelman - nada menos do que a mente criativa por trás do sucesso "This is Us" (e se você ainda não assistiu essa série, não perca tempo, clique no link e seja muito feliz!). Acontece que essa alta expectativa acabou interferindo diretamente na percepção da crítica que, após a première, caiu matando em cima do trabalho de Fogelman! É inegável que o filme tem muitos problemas, mas nem de longe é um filme ruim - eu diria, inclusive, que o filme é bom. Dê uma olhada no trailer antes de continuarmos:

No filme, acompanhamos a história de Abby (Olivia Wilde) e Will (Oscar Isaac), um casal de nova-iorquinos apaixonados e que está prestes a ter um bebê. Contudo, um evento inesperado muda completamente o rumo do casal e de muitos personagens que, de alguma forma, vivenciaram aquela situação. Dividido em 4 atos, o roteiro tenta criar um ponto de intersecção entre Irwin (Mandy Patinkin), Dylan (Olivia Cooke), Saccione (Antonio Banderas), Javier (Sergio Peris-Mencheta), Isabel (Laia Costa) e Rodrigo (Àlex Monner) expondo os reflexos do passado nas consequências do presente - um conceito narrativo, mais ou menos, como "Amores Perros", "Babel", "Crash" e outros inúmeros exemplos, porém, nesse caso, de uma forma mais romantizada, carregada de drama e de, infelizmente, uma falta de identidade - mas isso falaremos mais abaixo!

"A Vida em Si" deve ser assistido com a menor pretensão possível, pois assim a experiência de cada uma das descobertas será essencial para o seu julgamento no final do filme. Embora com um roteiro um pouco desequilibrado, a narrativa tem ótimos momentos e, de fato, sua conclusão é bastante satisfatória. Fica a impressão que Dan Fogelman quis colocar tantos elementos (narrativos e visuais) que ele acabou se perdendo no meio de suas próprias escolhas e referências em algo que poderia ser mais profundo, mesmo que ainda manipulador! Se você gosta do estilo de "This is Us" é bem possível que você vá se identificar e gostar de "A Vida em Si". Por essa similaridade, eu recomendo!

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Quando "A Vida em Si" estreou no Brasil, em dezembro de 2018, o filme chegou cheio de expectativas, afinal o seu diretor e roteirista era o Dan Fogelman - nada menos do que a mente criativa por trás do sucesso "This is Us" (e se você ainda não assistiu essa série, não perca tempo, clique no link e seja muito feliz!). Acontece que essa alta expectativa acabou interferindo diretamente na percepção da crítica que, após a première, caiu matando em cima do trabalho de Fogelman! É inegável que o filme tem muitos problemas, mas nem de longe é um filme ruim - eu diria, inclusive, que o filme é bom. Dê uma olhada no trailer antes de continuarmos:

No filme, acompanhamos a história de Abby (Olivia Wilde) e Will (Oscar Isaac), um casal de nova-iorquinos apaixonados e que está prestes a ter um bebê. Contudo, um evento inesperado muda completamente o rumo do casal e de muitos personagens que, de alguma forma, vivenciaram aquela situação. Dividido em 4 atos, o roteiro tenta criar um ponto de intersecção entre Irwin (Mandy Patinkin), Dylan (Olivia Cooke), Saccione (Antonio Banderas), Javier (Sergio Peris-Mencheta), Isabel (Laia Costa) e Rodrigo (Àlex Monner) expondo os reflexos do passado nas consequências do presente - um conceito narrativo, mais ou menos, como "Amores Perros", "Babel", "Crash" e outros inúmeros exemplos, porém, nesse caso, de uma forma mais romantizada, carregada de drama e de, infelizmente, uma falta de identidade - mas isso falaremos mais abaixo!

"A Vida em Si" deve ser assistido com a menor pretensão possível, pois assim a experiência de cada uma das descobertas será essencial para o seu julgamento no final do filme. Embora com um roteiro um pouco desequilibrado, a narrativa tem ótimos momentos e, de fato, sua conclusão é bastante satisfatória. Fica a impressão que Dan Fogelman quis colocar tantos elementos (narrativos e visuais) que ele acabou se perdendo no meio de suas próprias escolhas e referências em algo que poderia ser mais profundo, mesmo que ainda manipulador! Se você gosta do estilo de "This is Us" é bem possível que você vá se identificar e gostar de "A Vida em Si". Por essa similaridade, eu recomendo!

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Atypical

"Atypical" é uma série pequena, mas muito bem estruturada. Ela conta a história de uma família onde o filho mais velho é autista. O interessante (e acho que o mérito maior da série) é que ela aborda temas bem pesados, atitudes e consequências delicadas, mas equilibra essa narrativa com certa leveza - na linha de "Extraordinário"! Ela mostra o problema, pontua com uma trilha excelente, mas depois não fica fazendo drama com assunto, pois cada um dos personagens lidam com suas atitudes de uma forma bem particular e adulta. Confira o trailer:

O protagonista de "Atypical", Sam (Keir Gilchrist) é um típico adolescente americano que está no ensino médio e passando por todos os dilemas da idade - com o diferencial de ser autista! Ao redor dele, além dos estereótipos clássicos que estamos acostumados a encontrar em séries desse tipo, está uma família um pouco confusa e amigos que desconsideram as reais necessidades de Sam. O interessante do roteiro é perceber algumas peculiaridades que, mesmo elevando um pouco o tom das relações, nos aproximam de uma realidade dramática e legítima. Vejam os personagens da mãe (Jennifer Jason Leigh) e do pai (Michael Rapaport) de Sam: eles caminham em jornadas completamente opostas, mesmo tendo o filho como referência - reparem e não se preocupem, o julgamento é justamente proposta pelo texto; mesmo que por empatia!

Outra personagem que merece destaque é a irmã Casey (Brigette Lundy-Paine) - mesmo que pareça um pouco ignorante de início, ela sabe lidar com Sam como poucas, com o silêncio ou até na gritaria, porém ela personifica seu amor através da compreensão, deixando de lado as relações de uma adolescente que vive os mesmos dilemas do irmão, só que em outra dimensão! O fato é que o roteiro trabalha muito bem essa dualidade, com a simplicidade do dia a dia e o desajuste de uma situação bem particular.

 "Atypical" tem uma trama básica sobre problemas familiares que nos conquista logo de cara - é um ótimo exemplo de um bom drama fantasiado de comédia, que de boba não tem nada! O roteiro não se apoia na pieguice, ele questiona as atitudes de todos os personagens de maneira descontraída e mostra que ser normal é a missão mais complicada de todas, para todos!

A primeira temporada é ótima e para quem acha que é mais uma comédia adolescente inofensiva, de uma chance porque dá pra se surpreender!

A quarta temporada já está confirmada e nossa indicação é das mais seguras - ótima para maratonar em uma sentada!

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"Atypical" é uma série pequena, mas muito bem estruturada. Ela conta a história de uma família onde o filho mais velho é autista. O interessante (e acho que o mérito maior da série) é que ela aborda temas bem pesados, atitudes e consequências delicadas, mas equilibra essa narrativa com certa leveza - na linha de "Extraordinário"! Ela mostra o problema, pontua com uma trilha excelente, mas depois não fica fazendo drama com assunto, pois cada um dos personagens lidam com suas atitudes de uma forma bem particular e adulta. Confira o trailer:

O protagonista de "Atypical", Sam (Keir Gilchrist) é um típico adolescente americano que está no ensino médio e passando por todos os dilemas da idade - com o diferencial de ser autista! Ao redor dele, além dos estereótipos clássicos que estamos acostumados a encontrar em séries desse tipo, está uma família um pouco confusa e amigos que desconsideram as reais necessidades de Sam. O interessante do roteiro é perceber algumas peculiaridades que, mesmo elevando um pouco o tom das relações, nos aproximam de uma realidade dramática e legítima. Vejam os personagens da mãe (Jennifer Jason Leigh) e do pai (Michael Rapaport) de Sam: eles caminham em jornadas completamente opostas, mesmo tendo o filho como referência - reparem e não se preocupem, o julgamento é justamente proposta pelo texto; mesmo que por empatia!

Outra personagem que merece destaque é a irmã Casey (Brigette Lundy-Paine) - mesmo que pareça um pouco ignorante de início, ela sabe lidar com Sam como poucas, com o silêncio ou até na gritaria, porém ela personifica seu amor através da compreensão, deixando de lado as relações de uma adolescente que vive os mesmos dilemas do irmão, só que em outra dimensão! O fato é que o roteiro trabalha muito bem essa dualidade, com a simplicidade do dia a dia e o desajuste de uma situação bem particular.

 "Atypical" tem uma trama básica sobre problemas familiares que nos conquista logo de cara - é um ótimo exemplo de um bom drama fantasiado de comédia, que de boba não tem nada! O roteiro não se apoia na pieguice, ele questiona as atitudes de todos os personagens de maneira descontraída e mostra que ser normal é a missão mais complicada de todas, para todos!

A primeira temporada é ótima e para quem acha que é mais uma comédia adolescente inofensiva, de uma chance porque dá pra se surpreender!

A quarta temporada já está confirmada e nossa indicação é das mais seguras - ótima para maratonar em uma sentada!

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Crimes de Família

Antes de mais nada é preciso dizer que a história de "Crimes de Família" é infinitamente mais potente do que o filme que vemos na tela - não que o filme seja ruim, mesmo porque ele não é, mas na minha opinião, sua previsibilidade pode prejudicar demais a experiência de quem assiste, já que as escolhas narrativas, tanto do roteiro quanto da direção, são falhas - eles fazem de tudo para criar uma expectativa por um "plot twist inesquecível" que na verdade nem precisava!

Talvez o fato do cinema argentino carregar o peso de nos ter apresentado muitos filmes surpreendentes, tenha interferido no trabalho do diretor (e co-roteirista) Sebastián Schindel. "Crimes de Família" conta a história real de dois crimes que aconteceram praticamente ao mesmo tempo, em uma mesma família de classe média/alta de Buenos Aires. Em um deles, o filho do casal Alícia (Cecília Roth) e Ignácio (Miguel Angel Sola) é acusado de estuprar e agredir sua ex-esposa. No outro, a empregada desse mesmo casal é presa acusada de cometer um homicídio e precisa enfrentar um difícil julgamento. Confira o trailer:

Embora contadas paralelamente, as duas histórias, obviamente, tem alguns elementos em comum que por si só já nos manteriam grudados no filme para que pudéssemos entender seu desdobramento, acontece que Schindel preferiu transformar uma história chocante, quase documental, em um thriller de mistério policial e para isso ele usou de uma gramática cinematográfica que notadamente funciona, só que a entrega final vai se enfraquecendo ao longo dos atos (de tão infantil que é)! Então, se você assumir que o "caminho" é muito mais interessante que o "fim" é bem provável que você vá amar o filme, mas se você cair na expectativa que o próprio diretor te sugere, a decepção pode ser grande, já que o elo entre esses dois crimes é "mais  do mesmo"!

Certamente "Crimes de Família" não tem a força de narrativa e muito menos a elegância estética de "Em Defesa de Jacob", mas a produção da AppleTV+ vai servir como referência se você gosta desse estilo de trama. No final das contas eu gostei, mas nem de longe será um filme inesquecível. Vale como uma ótima "sessão da tarde" e por algumas passagens que vamos analisar abaixo!

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Antes de mais nada é preciso dizer que a história de "Crimes de Família" é infinitamente mais potente do que o filme que vemos na tela - não que o filme seja ruim, mesmo porque ele não é, mas na minha opinião, sua previsibilidade pode prejudicar demais a experiência de quem assiste, já que as escolhas narrativas, tanto do roteiro quanto da direção, são falhas - eles fazem de tudo para criar uma expectativa por um "plot twist inesquecível" que na verdade nem precisava!

Talvez o fato do cinema argentino carregar o peso de nos ter apresentado muitos filmes surpreendentes, tenha interferido no trabalho do diretor (e co-roteirista) Sebastián Schindel. "Crimes de Família" conta a história real de dois crimes que aconteceram praticamente ao mesmo tempo, em uma mesma família de classe média/alta de Buenos Aires. Em um deles, o filho do casal Alícia (Cecília Roth) e Ignácio (Miguel Angel Sola) é acusado de estuprar e agredir sua ex-esposa. No outro, a empregada desse mesmo casal é presa acusada de cometer um homicídio e precisa enfrentar um difícil julgamento. Confira o trailer:

Embora contadas paralelamente, as duas histórias, obviamente, tem alguns elementos em comum que por si só já nos manteriam grudados no filme para que pudéssemos entender seu desdobramento, acontece que Schindel preferiu transformar uma história chocante, quase documental, em um thriller de mistério policial e para isso ele usou de uma gramática cinematográfica que notadamente funciona, só que a entrega final vai se enfraquecendo ao longo dos atos (de tão infantil que é)! Então, se você assumir que o "caminho" é muito mais interessante que o "fim" é bem provável que você vá amar o filme, mas se você cair na expectativa que o próprio diretor te sugere, a decepção pode ser grande, já que o elo entre esses dois crimes é "mais  do mesmo"!

Certamente "Crimes de Família" não tem a força de narrativa e muito menos a elegância estética de "Em Defesa de Jacob", mas a produção da AppleTV+ vai servir como referência se você gosta desse estilo de trama. No final das contas eu gostei, mas nem de longe será um filme inesquecível. Vale como uma ótima "sessão da tarde" e por algumas passagens que vamos analisar abaixo!

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Dafne

"Dafne" é um filme simples, delicado e sensível ao tocar em um assunto bastante complexo e que invariavelmente cai na armadilha de ser sentimental demais: o luto! Porém, mais interessante que o assunto em si, é a forma como o diretor italiano Federico Bond retrata as nuances desse processo pelo olhar de uma jovem com Síndrome de Down. Dafne (Carolina Raspanti) perde a mãe inesperadamente e, de uma hora para outra, precisa aprender a lidar com a vida a partir desse acontecimento tão marcante - já que ela tinha uma forte ligação com a mãe, mas um certo distanciamento com seu pai. Durante esse processo de luto, e percebendo que o pai caminhava para uma profunda depressão, Dafne entende que ambos precisam aprender a se comunicar melhor e para isso iniciam uma verdadeira jornada de autoconhecimento com o objetivo de aprofundar ainda mais a relação entre eles. 

É inegável que "Dafne" trás um conceito bastante autoral para o filme, com uma progressão narrativa menos dinâmica - o que pode ser um grande problema para alguns. Porém, eu posso adiantar que, mesmo com certas inconstâncias, é cativante acompanhar a transformação da protagonista e da sua relação com o pai. Talvez o segundo ato seja o que mais sofra com as escolhas do roteiro, mas ao mesmo tempo, existe uma sensibilidade marcante ao pontuar algumas fases do luto que acabam nos provocando muitas reflexões - isso vai nos colocando dentro da história e quando percebemos já estamos no final... e digo mais: que belo final! Se você gosta de filmes de relação familiar, com alma e sem a obrigação de ser didático demais, certamente você vai gostar muito de "Dafne". Vale a pena!

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"Dafne" é um filme simples, delicado e sensível ao tocar em um assunto bastante complexo e que invariavelmente cai na armadilha de ser sentimental demais: o luto! Porém, mais interessante que o assunto em si, é a forma como o diretor italiano Federico Bond retrata as nuances desse processo pelo olhar de uma jovem com Síndrome de Down. Dafne (Carolina Raspanti) perde a mãe inesperadamente e, de uma hora para outra, precisa aprender a lidar com a vida a partir desse acontecimento tão marcante - já que ela tinha uma forte ligação com a mãe, mas um certo distanciamento com seu pai. Durante esse processo de luto, e percebendo que o pai caminhava para uma profunda depressão, Dafne entende que ambos precisam aprender a se comunicar melhor e para isso iniciam uma verdadeira jornada de autoconhecimento com o objetivo de aprofundar ainda mais a relação entre eles. 

É inegável que "Dafne" trás um conceito bastante autoral para o filme, com uma progressão narrativa menos dinâmica - o que pode ser um grande problema para alguns. Porém, eu posso adiantar que, mesmo com certas inconstâncias, é cativante acompanhar a transformação da protagonista e da sua relação com o pai. Talvez o segundo ato seja o que mais sofra com as escolhas do roteiro, mas ao mesmo tempo, existe uma sensibilidade marcante ao pontuar algumas fases do luto que acabam nos provocando muitas reflexões - isso vai nos colocando dentro da história e quando percebemos já estamos no final... e digo mais: que belo final! Se você gosta de filmes de relação familiar, com alma e sem a obrigação de ser didático demais, certamente você vai gostar muito de "Dafne". Vale a pena!

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Destruição Final

Se "O Céu da Meia-Noite" da Netflix trouxe alguns elementos do cinema catástrofe que esteve tão em evidência em 1998, e estamos falando mais especificamente de "Armageddon", "Destruição Final" da Amazon Prime Vídeo segue exatamente a mesma receita, mas buscando referências de outro filme lançado no mesmo ano e igualmente reconhecido: "Impacto Profundo"! Ou seja, se dois desses três filmes significaram um bom entretenimento para você, pode dar o play sem o menor receio porque a diversão está garantida!

"Destruição Final" (que tem "O Último Refúgio"como sub-título) acompanha aquela trama padrão de filmes catástrofe: um cometa está passando pela órbita da Terra e o que inicialmente parecia apenas curiosidade logo se transforma em terror quando o corpo celeste começa a se partir e seus fragmentos passam a causar uma devastação global sem precedentes. Ao longo da história, porém, acompanhamos a jornada da família de John Garrity (Gerard Butler) que, sorteados pelo governo, buscam chegar a um local seguro, uma espécie de bunker construído na Groenlândia. Confira o trailer:

O filme de Ric Roman Waugh (deInvasão ao Serviço Secreto) bebe da fonte de clássicos como o já citado "Impacto Profundo" (de Mimi Leder), mas também trás muitos elementos de "2012" (de Roland Emmerich) e, especialmente, de "Guerra dos Mundos", filme dirigido porSteven Spielberg, que se apega a luta de um homem pela vida de sua família em um momento de reconstrução da relação. Dito isso fica muito fácil afirmar que o roteiro de Chris Sparling segue a receita do gênero, mas peca em um único detalhe: você não vai encontrar uma cena marcante da destruição causada pelo cometa e isso, para mim, é um ponto bem sensível do filme - culpa do orçamento! Não que faça falta, mas estamos falando de entretenimento de gênero, a expectativa sempre vai existir quando escolhemos um filme como esse e aqui o impacto catastrófico é solucionado por reportagens da imprensa ao redor do mundo que misturam planos bem fechado e montagens que usam de pontos turísticos ou construções simbólicas para localizar a destruição, mas com um detalhe muito interessante: essas estruturas construídas pelo homem sobrevivem, já o próprio homem... Reparem!

Com total controle de suas limitações orçamentárias, o diretor Ric Roman Waugh usa e abusa da criatividade para nos entregar ótimos momentos de ação e planos bem impactantes onde o horror nos olhos de quem vê é mais importante do que, de fato, a destruição que ele está testemunhando. A angústia dos personagens em busca de sobrevivência é a principal linha narrativa, o resto é perfumaria - superficial, mas divertida!

"Destruição Final" (ou "Greenland", título original) é uma ótima sessão da tarde, sem pretensões de ser inesquecível, mas que traz para o sofá um entretenimento raiz, sem teorizações e alívios poéticos - é pura, e simplesmente, diversão! Vale o play! 

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Se "O Céu da Meia-Noite" da Netflix trouxe alguns elementos do cinema catástrofe que esteve tão em evidência em 1998, e estamos falando mais especificamente de "Armageddon", "Destruição Final" da Amazon Prime Vídeo segue exatamente a mesma receita, mas buscando referências de outro filme lançado no mesmo ano e igualmente reconhecido: "Impacto Profundo"! Ou seja, se dois desses três filmes significaram um bom entretenimento para você, pode dar o play sem o menor receio porque a diversão está garantida!

"Destruição Final" (que tem "O Último Refúgio"como sub-título) acompanha aquela trama padrão de filmes catástrofe: um cometa está passando pela órbita da Terra e o que inicialmente parecia apenas curiosidade logo se transforma em terror quando o corpo celeste começa a se partir e seus fragmentos passam a causar uma devastação global sem precedentes. Ao longo da história, porém, acompanhamos a jornada da família de John Garrity (Gerard Butler) que, sorteados pelo governo, buscam chegar a um local seguro, uma espécie de bunker construído na Groenlândia. Confira o trailer:

O filme de Ric Roman Waugh (deInvasão ao Serviço Secreto) bebe da fonte de clássicos como o já citado "Impacto Profundo" (de Mimi Leder), mas também trás muitos elementos de "2012" (de Roland Emmerich) e, especialmente, de "Guerra dos Mundos", filme dirigido porSteven Spielberg, que se apega a luta de um homem pela vida de sua família em um momento de reconstrução da relação. Dito isso fica muito fácil afirmar que o roteiro de Chris Sparling segue a receita do gênero, mas peca em um único detalhe: você não vai encontrar uma cena marcante da destruição causada pelo cometa e isso, para mim, é um ponto bem sensível do filme - culpa do orçamento! Não que faça falta, mas estamos falando de entretenimento de gênero, a expectativa sempre vai existir quando escolhemos um filme como esse e aqui o impacto catastrófico é solucionado por reportagens da imprensa ao redor do mundo que misturam planos bem fechado e montagens que usam de pontos turísticos ou construções simbólicas para localizar a destruição, mas com um detalhe muito interessante: essas estruturas construídas pelo homem sobrevivem, já o próprio homem... Reparem!

Com total controle de suas limitações orçamentárias, o diretor Ric Roman Waugh usa e abusa da criatividade para nos entregar ótimos momentos de ação e planos bem impactantes onde o horror nos olhos de quem vê é mais importante do que, de fato, a destruição que ele está testemunhando. A angústia dos personagens em busca de sobrevivência é a principal linha narrativa, o resto é perfumaria - superficial, mas divertida!

"Destruição Final" (ou "Greenland", título original) é uma ótima sessão da tarde, sem pretensões de ser inesquecível, mas que traz para o sofá um entretenimento raiz, sem teorizações e alívios poéticos - é pura, e simplesmente, diversão! Vale o play! 

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Diga quem sou

E se toda memória que te assombrou a vida inteira pudesse ser apagada? E se algo realmente horrível tivesse acontecido na sua infância e a pessoa que você mais ama pudesse tirar isso da sua mente?

Com essa premissa, qualquer filme ou série de ficção já chamaria a atenção de muita gente, certo? A grande questão é que "Diga quem sou" é um documentário! Um excelente documentário, eu diria! O filme mostra o dilema ético que Marcus Lewis, na época com 18 anos, enfrentou quando seu irmão gêmeo, Alex, despertou do coma após um acidente de moto, completamente sem memória. Marcus foi a única pessoa que ele reconheceu. Alex, então, confiou inteiramente em seu irmão para que pudesse reconstruir o seu passado a partir das lembranças que o irmão descrevia, porém nem tudo precisava ser dito e é aí que o documentário começa ganhar força, pois a todo momento nos colocamos na pele de Marcus e, mesmo sem entender a razão exata das suas escolhas, iniciamos um processo natural de julgamento: qual o preço que devemos pagar por nem sempre falarmos a verdade?

Se prepare, pois essa discussão moral de "Diga quem sou" é surpreendente, principalmente por tudo que vamos descobrindo durante o filme. Agora, nem de longe é um documentário fácil de digerir ou de aceitar, mas certamente te fará refletir muito!

"Diga quem sou" é dividido em três partes muito bem definidas: Primeiro acompanhamos o ponto de vista de Alex e como ele lidou com sua nova condição, sua relação com a família, amigos, namorada e, claro, com o apoio do irmão no processo de reaprendizado. Depois é a vez de Marcus e como ele se relacionou com o irmão logo após o acidente, como ele ajudou o irmão a reconstruir suas memórias a partir dos relatos das suas próprias "lembranças" e depois como ele enfrentou o peso de suas escolhas durante anos. Então, para finalizar, vemos em um terceiro momento, os dois irmãos sendo colocados frente a frente, olho no olho, ouvindo um ao outro e entendendo os motivos pelas quais os fizeram agir da forma com que eles mesmos relataram nos dois atos anteriores. É pesado!!!

O interessante do documentário é que o diretor Ed Perkins (indicado ao Oscar, ano passado, pelo seu curta-metragem documental "Black Sheep") foi capaz de estabelecer uma narrativa muito bem definida, respeitando o ponto de vista de cada um dos irmãos a partir de depoimentos e de dramatizações extremamente conceituais e lindamente filmadas. É perceptível o talento do diretor em nos colocar dentro da história, de uma forma muito envolvente e a cada nova informação, nos provocando, nos tirando de uma zona de conforto e, principalmente, nos mostrando que as histórias possuem sempre um outro lado - ele não faz isso apenas com um roteiro muito bem amarrado, mas com as imagens que se repetem e são interpretadas de um outro ponto de vista! É incrível! Outro detalhe de enorme sensibilidade do diretor, são os enquadramentos perfeitos. Nos dois primeiros atos, nos vemos dentro da sala, como co-protagonistas daqueles depoimentos, quase como entrevistadores;  enquanto no terceiro ato, somos apenas observadores, constrangidos e receosos pelo que virá logo a frente - as pausas, o silêncio, são ensurdecedores e você vai entender na pele o que eu quero dizer assim que estiver assistindo!

"Diga quem sou" é uma surpresa "agradável", lançada sem muito marketing pela Netflix, mas com uma enorme qualidade artística! Um trabalho muito bem realizado a partir de uma autobiografia dos irmãos Lewis, onde Perkins cria um poderoso relato que ajuda o público a explorar essa incrível história e sua notável jornada de 35 anos após aquele "libertador" acidente. E como disse um crítico no Festival de Cinema de Londres: "é um exame profundamente comovente da memória e do trauma, da responsabilidade pessoal e, finalmente, do amor". Mas é preciso dizer também que não se trata de um entretenimento leve, muito pelo contrário, é uma história pesada, cheia de magoas, de mentiras, de desculpas, de dramas íntimos! É um documentário de pouco mais de uma hora que nos tira do sério, nos faz sentir medo do que vamos escutar, descobrir, e isso é raro; por isso indico de olhos fechados, mas esteja preparado para lidar com o lado mais sombrio que um ser humano pode suportar!

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E se toda memória que te assombrou a vida inteira pudesse ser apagada? E se algo realmente horrível tivesse acontecido na sua infância e a pessoa que você mais ama pudesse tirar isso da sua mente?

Com essa premissa, qualquer filme ou série de ficção já chamaria a atenção de muita gente, certo? A grande questão é que "Diga quem sou" é um documentário! Um excelente documentário, eu diria! O filme mostra o dilema ético que Marcus Lewis, na época com 18 anos, enfrentou quando seu irmão gêmeo, Alex, despertou do coma após um acidente de moto, completamente sem memória. Marcus foi a única pessoa que ele reconheceu. Alex, então, confiou inteiramente em seu irmão para que pudesse reconstruir o seu passado a partir das lembranças que o irmão descrevia, porém nem tudo precisava ser dito e é aí que o documentário começa ganhar força, pois a todo momento nos colocamos na pele de Marcus e, mesmo sem entender a razão exata das suas escolhas, iniciamos um processo natural de julgamento: qual o preço que devemos pagar por nem sempre falarmos a verdade?

Se prepare, pois essa discussão moral de "Diga quem sou" é surpreendente, principalmente por tudo que vamos descobrindo durante o filme. Agora, nem de longe é um documentário fácil de digerir ou de aceitar, mas certamente te fará refletir muito!

"Diga quem sou" é dividido em três partes muito bem definidas: Primeiro acompanhamos o ponto de vista de Alex e como ele lidou com sua nova condição, sua relação com a família, amigos, namorada e, claro, com o apoio do irmão no processo de reaprendizado. Depois é a vez de Marcus e como ele se relacionou com o irmão logo após o acidente, como ele ajudou o irmão a reconstruir suas memórias a partir dos relatos das suas próprias "lembranças" e depois como ele enfrentou o peso de suas escolhas durante anos. Então, para finalizar, vemos em um terceiro momento, os dois irmãos sendo colocados frente a frente, olho no olho, ouvindo um ao outro e entendendo os motivos pelas quais os fizeram agir da forma com que eles mesmos relataram nos dois atos anteriores. É pesado!!!

O interessante do documentário é que o diretor Ed Perkins (indicado ao Oscar, ano passado, pelo seu curta-metragem documental "Black Sheep") foi capaz de estabelecer uma narrativa muito bem definida, respeitando o ponto de vista de cada um dos irmãos a partir de depoimentos e de dramatizações extremamente conceituais e lindamente filmadas. É perceptível o talento do diretor em nos colocar dentro da história, de uma forma muito envolvente e a cada nova informação, nos provocando, nos tirando de uma zona de conforto e, principalmente, nos mostrando que as histórias possuem sempre um outro lado - ele não faz isso apenas com um roteiro muito bem amarrado, mas com as imagens que se repetem e são interpretadas de um outro ponto de vista! É incrível! Outro detalhe de enorme sensibilidade do diretor, são os enquadramentos perfeitos. Nos dois primeiros atos, nos vemos dentro da sala, como co-protagonistas daqueles depoimentos, quase como entrevistadores;  enquanto no terceiro ato, somos apenas observadores, constrangidos e receosos pelo que virá logo a frente - as pausas, o silêncio, são ensurdecedores e você vai entender na pele o que eu quero dizer assim que estiver assistindo!

"Diga quem sou" é uma surpresa "agradável", lançada sem muito marketing pela Netflix, mas com uma enorme qualidade artística! Um trabalho muito bem realizado a partir de uma autobiografia dos irmãos Lewis, onde Perkins cria um poderoso relato que ajuda o público a explorar essa incrível história e sua notável jornada de 35 anos após aquele "libertador" acidente. E como disse um crítico no Festival de Cinema de Londres: "é um exame profundamente comovente da memória e do trauma, da responsabilidade pessoal e, finalmente, do amor". Mas é preciso dizer também que não se trata de um entretenimento leve, muito pelo contrário, é uma história pesada, cheia de magoas, de mentiras, de desculpas, de dramas íntimos! É um documentário de pouco mais de uma hora que nos tira do sério, nos faz sentir medo do que vamos escutar, descobrir, e isso é raro; por isso indico de olhos fechados, mas esteja preparado para lidar com o lado mais sombrio que um ser humano pode suportar!

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Do jeito que elas querem

"Do jeito que elas querem" poderia, tranquilamente, ser quatro episódios de "Modern Love" - embora todas as protagonistas sejam mulheres com mais de 60 anos e que, de alguma forma, estão tentando redescobrir o amor e o sexo. Posso dizer que estamos falando de um filme leve, que provavelmente vai se comunicar melhor com as mulheres, mas não deixe isso te afastar caso você, nosso leitor, seja do sexo masculino. O filme é uma graça, daqueles que você assiste com um leve sorriso no rosto e ri mesmo das piadas menos inspiradas - e vou além: não se surpreenda se uma ou duas lágrimas surgirem em algum momento, pois o filme cria um laço emocional gostoso de sentir.

No filme, quatro amigas de longa data resolvem se aventurar pela literatura de E. L. James quando Vivian (Jane Fonda) convence o grupo a ler "Cinquenta Tons de Cinza" para o próximo encontro mensal de uma espécie de "clube do livro". Para a surpresa de todas, a obra mais do que agrada: estimula cada uma a sair da sua zona de conforto em busca de sentimentos e sensações que pareciam estar perdidos há anos. Enquanto Sharon (Candice Bergen) decide se arriscar nos aplicativos de relacionamento e Carol (Mary Steenburgen) está determinada a retomar sua vida sexual com o marido, Diane (Diane Keaton) e Vivian se permitem assumir compromissos mais sérios e retomar a alegria de viver apaixonadas! Confira o trailer:

Talvez o grande mérito do filme seja a química e a empatia que as quatro protagonistas têm! Mas o texto ajuda muito, com ótimas sacadas e muito bem equilibrado narrativamente, o filme entrega um humor verdadeiro, com situações possíveis e isso gera total conexão. Se não temos um primor de roteiro, acredite, isso pouco vai importar depois que embarcamos na dinâmica das histórias e de percebermos como é importante estar ao lado de quem amamos. O filme passa rápido, diverte e emociona - é um excelente entretenimento! "Do jeito que elas querem" (ou "Book Club", título original e certamente mais adequado a proposta da história) é, de fato, uma comédia inteligente e muito agradável de assistir! Vai valer o seu play!

Uma curiosidade é a participação especial deE. L. James no filme (ela é a vizinha que vai passear com o cachorro, reparem).

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"Do jeito que elas querem" poderia, tranquilamente, ser quatro episódios de "Modern Love" - embora todas as protagonistas sejam mulheres com mais de 60 anos e que, de alguma forma, estão tentando redescobrir o amor e o sexo. Posso dizer que estamos falando de um filme leve, que provavelmente vai se comunicar melhor com as mulheres, mas não deixe isso te afastar caso você, nosso leitor, seja do sexo masculino. O filme é uma graça, daqueles que você assiste com um leve sorriso no rosto e ri mesmo das piadas menos inspiradas - e vou além: não se surpreenda se uma ou duas lágrimas surgirem em algum momento, pois o filme cria um laço emocional gostoso de sentir.

No filme, quatro amigas de longa data resolvem se aventurar pela literatura de E. L. James quando Vivian (Jane Fonda) convence o grupo a ler "Cinquenta Tons de Cinza" para o próximo encontro mensal de uma espécie de "clube do livro". Para a surpresa de todas, a obra mais do que agrada: estimula cada uma a sair da sua zona de conforto em busca de sentimentos e sensações que pareciam estar perdidos há anos. Enquanto Sharon (Candice Bergen) decide se arriscar nos aplicativos de relacionamento e Carol (Mary Steenburgen) está determinada a retomar sua vida sexual com o marido, Diane (Diane Keaton) e Vivian se permitem assumir compromissos mais sérios e retomar a alegria de viver apaixonadas! Confira o trailer:

Talvez o grande mérito do filme seja a química e a empatia que as quatro protagonistas têm! Mas o texto ajuda muito, com ótimas sacadas e muito bem equilibrado narrativamente, o filme entrega um humor verdadeiro, com situações possíveis e isso gera total conexão. Se não temos um primor de roteiro, acredite, isso pouco vai importar depois que embarcamos na dinâmica das histórias e de percebermos como é importante estar ao lado de quem amamos. O filme passa rápido, diverte e emociona - é um excelente entretenimento! "Do jeito que elas querem" (ou "Book Club", título original e certamente mais adequado a proposta da história) é, de fato, uma comédia inteligente e muito agradável de assistir! Vai valer o seu play!

Uma curiosidade é a participação especial deE. L. James no filme (ela é a vizinha que vai passear com o cachorro, reparem).

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Em defesa de Jacob

É preciso entender que a AppleTV+ está apenas no começo da sua jornada e talvez por isso eu fique muito tranquilo em afirmar: de tudo que assisti até agora no serviço de streaming da Apple, "Em defesa de Jacob" é disparado o melhor titulo - não que os outros sejam ruins, mas essa minissérie é impecável, no seu roteiro, na sua produção e no seu elenco! 

Baseada no livro de 2012 do americano William Landay, "Em Defesa de Jacob" conta a história do promotor Andy Barber (Chris Evans), um homem que acreditava ter uma vida perfeita ao lado de sua esposa Laurie (Michelle Dockery) e do filho Jacob (Jaeden Martell). Porém quando Barber é escalado para investigar o assassinato de um adolescente de 14 anos que foi encontrado esfaqueado em um parque da pequena cidade de Massachusetts onde moram, ele começa a enfrentar um verdadeiro pesadelo. O garoto estudava com seu filho que, pouco tempo depois, passa a ser apontado como o principal suspeito de ter cometido o crime. A partir daí, a vida da família Barber vira de ponta-cabeça, sua intimidade é completamente exposta, a repercussão da acusação destrói seu convívio social e a dúvida sobre o que realmente aconteceu transforma a relação entre eles em um verdadeiro jogo de verdades e mentiras! Confira o trailer:

Antes de seguir, eu preciso dizer que "Em Defesa de Jacob" já começa genial pelo duplo sentido do seu título - isso só ficará claro no último episódio, porém o que você vai assistir nos outros sete que compõem a minissérie, é uma história dinâmica que, mesmo com algumas escolhas óbvias, nos mantém envolvidos e cheio de dúvidas sobre os fatos que levaram o crime ser cometido e sobre quem cometeu! É um verdadeiro exercício de adivinhação constante, mas que o roteiro insiste em nos afastar da solução a cada nova descoberta! Olha, vale muito a pena mesmo, entretenimento de primeira linha, nível HBO, mas na AppleTV+!

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É preciso entender que a AppleTV+ está apenas no começo da sua jornada e talvez por isso eu fique muito tranquilo em afirmar: de tudo que assisti até agora no serviço de streaming da Apple, "Em defesa de Jacob" é disparado o melhor titulo - não que os outros sejam ruins, mas essa minissérie é impecável, no seu roteiro, na sua produção e no seu elenco! 

Baseada no livro de 2012 do americano William Landay, "Em Defesa de Jacob" conta a história do promotor Andy Barber (Chris Evans), um homem que acreditava ter uma vida perfeita ao lado de sua esposa Laurie (Michelle Dockery) e do filho Jacob (Jaeden Martell). Porém quando Barber é escalado para investigar o assassinato de um adolescente de 14 anos que foi encontrado esfaqueado em um parque da pequena cidade de Massachusetts onde moram, ele começa a enfrentar um verdadeiro pesadelo. O garoto estudava com seu filho que, pouco tempo depois, passa a ser apontado como o principal suspeito de ter cometido o crime. A partir daí, a vida da família Barber vira de ponta-cabeça, sua intimidade é completamente exposta, a repercussão da acusação destrói seu convívio social e a dúvida sobre o que realmente aconteceu transforma a relação entre eles em um verdadeiro jogo de verdades e mentiras! Confira o trailer:

Antes de seguir, eu preciso dizer que "Em Defesa de Jacob" já começa genial pelo duplo sentido do seu título - isso só ficará claro no último episódio, porém o que você vai assistir nos outros sete que compõem a minissérie, é uma história dinâmica que, mesmo com algumas escolhas óbvias, nos mantém envolvidos e cheio de dúvidas sobre os fatos que levaram o crime ser cometido e sobre quem cometeu! É um verdadeiro exercício de adivinhação constante, mas que o roteiro insiste em nos afastar da solução a cada nova descoberta! Olha, vale muito a pena mesmo, entretenimento de primeira linha, nível HBO, mas na AppleTV+!

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Em Prantos

"Em Prantos" é uma minissérie da BBC que a Globoplay trouxe para o seu catálogo e que merece sua atenção! Baseada no romance homônimo da escritora Helen Fitzgerald, "The Cry" (título original) acompanha o drama de Joanna (Jenna Coleman) e Alistair (Ewen Leslie) em busca do filho recém-nascido que desapareceu misteriosamente enquanto os dois estavam em um posto de gasolina, durante uma viagem para Austrália. Alistair visitava sua família e tentava resolver um processo de custódia de Chloe (Markella Kavenagh), filha do primeiro casamento, e Joanna lutava para se adaptar à nova realidade como mãe enquanto aprendia como lidar com o cansaço e a dedicação total ao pequeno Noah. Confira o trailer:

Olha, "Em Prantos" é uma ótima surpresa. Se tratando de BBC, colocamos o sarrafo lá no alto e posso te afirmar: a minissérie não decepciona - muito pelo contrário, é um excelente entretenimento! Os quatro episódios são uma espécie de montanha russa de emoções, sensações e teorias - fica impossível não relacionar esse caso ao documentário "O Desaparecimento de Madeleine McCann". Embora sejam histórias completamente diferentes, a premissa é muito parecida - o que nos coloca na história logo de cara: por empatia e familiaridade.

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"Em Prantos" é uma minissérie da BBC que a Globoplay trouxe para o seu catálogo e que merece sua atenção! Baseada no romance homônimo da escritora Helen Fitzgerald, "The Cry" (título original) acompanha o drama de Joanna (Jenna Coleman) e Alistair (Ewen Leslie) em busca do filho recém-nascido que desapareceu misteriosamente enquanto os dois estavam em um posto de gasolina, durante uma viagem para Austrália. Alistair visitava sua família e tentava resolver um processo de custódia de Chloe (Markella Kavenagh), filha do primeiro casamento, e Joanna lutava para se adaptar à nova realidade como mãe enquanto aprendia como lidar com o cansaço e a dedicação total ao pequeno Noah. Confira o trailer:

Olha, "Em Prantos" é uma ótima surpresa. Se tratando de BBC, colocamos o sarrafo lá no alto e posso te afirmar: a minissérie não decepciona - muito pelo contrário, é um excelente entretenimento! Os quatro episódios são uma espécie de montanha russa de emoções, sensações e teorias - fica impossível não relacionar esse caso ao documentário "O Desaparecimento de Madeleine McCann". Embora sejam histórias completamente diferentes, a premissa é muito parecida - o que nos coloca na história logo de cara: por empatia e familiaridade.

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Extraordinário

Daqui alguns anos, "Extraordinário" vai passar na Sessão da Tarde tantas vezes quanto "Meu primeiro amor" passou e nem por isso vamos deixar de assistir.

Baseado no best-seller do New York Times, Wonder (título original) lançado por R.J. Palacio em 2012, o filme conta uma inspiradora e emocionante história de um menino, August Pullman (Jacob Tremblay), que tem uma deformidade facial e que, já com 10 anos, é incentivado a frequentar uma escola normal pela primeira vez. Confira o trailer:

"Extraordinário" é um filme delicado, mas acabou se tornando, propositalmente, superficial demais. Explorar algumas discussões tão pertinentes nos dias de hoje nunca foi o foco: claro que o roteiro não deixa de abordar temas como o bullying, mas, de fato, optou por trabalhar com leveza o assunto, mostrando a atitude muito mais como um reflexo de problemas emocionais de quem pratica do que se apegando às profundas marcas que podem deixar em quem sofre. O filme também poderia ter ido mais fundo em outra questão importante: o preconceito - seria uma grande oportunidade, mas a jornada de superação de Auggie era mais relevante para a história do que levantar qualquer uma dessas bandeiras, mas é importante dizer que está tudo lá, basta saber enxergar e entender que o objetivo nunca foi chocar!

Ao fugir dos assuntos mais polêmicos, o filme ficou muito agradável de assistir, deixando claro que seu único objetivo era te fazer chorar - e nesse aspecto cumpre com louvor...rs!

"Extraordinário" vale a pena como entretenimento, mas não espere muito mais que um filme bonitinho e muito emocionante!

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Daqui alguns anos, "Extraordinário" vai passar na Sessão da Tarde tantas vezes quanto "Meu primeiro amor" passou e nem por isso vamos deixar de assistir.

Baseado no best-seller do New York Times, Wonder (título original) lançado por R.J. Palacio em 2012, o filme conta uma inspiradora e emocionante história de um menino, August Pullman (Jacob Tremblay), que tem uma deformidade facial e que, já com 10 anos, é incentivado a frequentar uma escola normal pela primeira vez. Confira o trailer:

"Extraordinário" é um filme delicado, mas acabou se tornando, propositalmente, superficial demais. Explorar algumas discussões tão pertinentes nos dias de hoje nunca foi o foco: claro que o roteiro não deixa de abordar temas como o bullying, mas, de fato, optou por trabalhar com leveza o assunto, mostrando a atitude muito mais como um reflexo de problemas emocionais de quem pratica do que se apegando às profundas marcas que podem deixar em quem sofre. O filme também poderia ter ido mais fundo em outra questão importante: o preconceito - seria uma grande oportunidade, mas a jornada de superação de Auggie era mais relevante para a história do que levantar qualquer uma dessas bandeiras, mas é importante dizer que está tudo lá, basta saber enxergar e entender que o objetivo nunca foi chocar!

Ao fugir dos assuntos mais polêmicos, o filme ficou muito agradável de assistir, deixando claro que seu único objetivo era te fazer chorar - e nesse aspecto cumpre com louvor...rs!

"Extraordinário" vale a pena como entretenimento, mas não espere muito mais que um filme bonitinho e muito emocionante!

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Ferrugem e Osso

"Ferrugem e Osso" é uma adaptação do livro homónimo do canadense Craig Davidson. Ele foi um filme premiadíssimo na temporada de 2012 em vários festivais importantes e que rendeu a indicação de melhor atriz no Globo de Ouro para Marion Cotillard, 4 anos depois dela ter ganho o Oscar com "Piaf". 

Alain (Matthias Schoenaerts) está desempregado e vive com o filho, de apenas cinco anos. Fracassado, ele parte para a casa da irmã em busca de ajuda e logo consegue um emprego como segurança de boate. Um dia, ao apartar uma confusão, ele acaba conhecendo Stéphanie (Marion Cotillard), uma bela treinadora de baleias que trabalha em um parque aquático da cidade. Alain leva Stéphanie para casa e acaba deixando seu cartão, caso ela precise de algum serviço. O que eles não imaginavam é que, pouco tempo depois, ela sofreria um grave acidente que mudaria sua vida para sempre. Confira o lindo trailer:

Olha, esse tipo tema os franceses dominam: o filme é muito bom, mas realmente quem rouba a cena é a Marion Cotillard com um trabalho sensível, profundo nas emoções, na entrega! A direção do Jacques Audiard ("O profeta") é impecável - sua capacidade de trabalhar as cenas mais delicadas do filme com uma certa poesia, não tirou sua dramaticidade e imprimiu uma atmosfera incrível para a história. Outro elemento que merece destaque é a Trilha Sonora do Alexandre Desplat - 11 vezes indicado ao Oscar e Vencedor com a "A Forma da Água"!

"Ferrugem e Osso" não é um "O Escafandro e a Borboleta", nem um "Intocáveis", mas caminha na mesma direção! Vale o seu  play.

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"Ferrugem e Osso" é uma adaptação do livro homónimo do canadense Craig Davidson. Ele foi um filme premiadíssimo na temporada de 2012 em vários festivais importantes e que rendeu a indicação de melhor atriz no Globo de Ouro para Marion Cotillard, 4 anos depois dela ter ganho o Oscar com "Piaf". 

Alain (Matthias Schoenaerts) está desempregado e vive com o filho, de apenas cinco anos. Fracassado, ele parte para a casa da irmã em busca de ajuda e logo consegue um emprego como segurança de boate. Um dia, ao apartar uma confusão, ele acaba conhecendo Stéphanie (Marion Cotillard), uma bela treinadora de baleias que trabalha em um parque aquático da cidade. Alain leva Stéphanie para casa e acaba deixando seu cartão, caso ela precise de algum serviço. O que eles não imaginavam é que, pouco tempo depois, ela sofreria um grave acidente que mudaria sua vida para sempre. Confira o lindo trailer:

Olha, esse tipo tema os franceses dominam: o filme é muito bom, mas realmente quem rouba a cena é a Marion Cotillard com um trabalho sensível, profundo nas emoções, na entrega! A direção do Jacques Audiard ("O profeta") é impecável - sua capacidade de trabalhar as cenas mais delicadas do filme com uma certa poesia, não tirou sua dramaticidade e imprimiu uma atmosfera incrível para a história. Outro elemento que merece destaque é a Trilha Sonora do Alexandre Desplat - 11 vezes indicado ao Oscar e Vencedor com a "A Forma da Água"!

"Ferrugem e Osso" não é um "O Escafandro e a Borboleta", nem um "Intocáveis", mas caminha na mesma direção! Vale o seu  play.

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Florida Project

Orlando, na Florida, é considerada a capital mundial das férias. Um paraíso que recebe anualmente milhões de turistas do mundo inteiro - uma espécie de "Reino Mágico" com incontáveis parques temáticos, jantares com espectáculos, etc. Mas Orlando tem o seu outro lado, sem tanto brilho, sem tanta diversão! É essa história que "Florida Project" teme em contar: ​Halley (Bria Vinaite) e sua filha Moonee (Brooklynn Prince), de seis anos, vivem em um motel barato de beira de estrada. Enquanto a mãe se vira entre um trabalho mal pago e uma vida caótica, Moonee e suas amigas do motel ao lado passam os dias explorando prédios abandonados, tomando sorvete e pregando peças nos funcionários – tendo como alvo especial o sempre paciente Bobby (Willem Dafoe). Confira o trailer:

Na maratona "Oscar 2018", acho que o filme que mais gostei (e o que tem menos indicações) foi "Florida Project"! Ele é quase um documentário, cruel, realista e visceral de uma sociedade americana que não costuma aparecer em Hollywood! O diretor Sean Baker (de "Tangerine") trouxe uma câmera solta, caótica as vezes - tudo isso para expor, sem pedir licença, as histórias por trás desse Motel baixo-custo de Orlando e, claro, de seus moradores - especialmente de uma mãe completamente irresponsável e de sua filha de 6 anos. São planos curtos, cortes secos e não lineares - o que dá uma dinâmica muito interessante para o filme. A fotografia do mexicano Alexis Zabe é sensacional, muitas vezes vista de baixo para cima, propositalmente sem um enquadramento perfeito e que escancara uma Orlando que não estamos acostumados e como ela interfere na vida dessas crianças "reais", sem condições de viver a magia que a cidade oferece aos turistas.

"Florida Project" é um filme muito interessante com uma narrativa inteligente e muito bem conduzida. O desenho de som, somada a essa fotografia, é um show a parte. A cada plano externo, ouvimos (e vemos) os helicópteros pousando ou decolando, jogando na nossa cara o abismo social que é discutido no filme. A indicação para o Oscar ficou por conta de Willem Dafoe (melhor ator coadjuvante) - essa indicação faz justiça a um belíssimo trabalho. E digo mais, daria pra ter colocado a criança, Brooklyn Prince, e a sua mãe Bria Vinaite, nessa disputa tranquilamente.

Olha, é um grande trabalho... Emocionante!!! Não deixem de assistir!!!

Assista Agora

Orlando, na Florida, é considerada a capital mundial das férias. Um paraíso que recebe anualmente milhões de turistas do mundo inteiro - uma espécie de "Reino Mágico" com incontáveis parques temáticos, jantares com espectáculos, etc. Mas Orlando tem o seu outro lado, sem tanto brilho, sem tanta diversão! É essa história que "Florida Project" teme em contar: ​Halley (Bria Vinaite) e sua filha Moonee (Brooklynn Prince), de seis anos, vivem em um motel barato de beira de estrada. Enquanto a mãe se vira entre um trabalho mal pago e uma vida caótica, Moonee e suas amigas do motel ao lado passam os dias explorando prédios abandonados, tomando sorvete e pregando peças nos funcionários – tendo como alvo especial o sempre paciente Bobby (Willem Dafoe). Confira o trailer:

Na maratona "Oscar 2018", acho que o filme que mais gostei (e o que tem menos indicações) foi "Florida Project"! Ele é quase um documentário, cruel, realista e visceral de uma sociedade americana que não costuma aparecer em Hollywood! O diretor Sean Baker (de "Tangerine") trouxe uma câmera solta, caótica as vezes - tudo isso para expor, sem pedir licença, as histórias por trás desse Motel baixo-custo de Orlando e, claro, de seus moradores - especialmente de uma mãe completamente irresponsável e de sua filha de 6 anos. São planos curtos, cortes secos e não lineares - o que dá uma dinâmica muito interessante para o filme. A fotografia do mexicano Alexis Zabe é sensacional, muitas vezes vista de baixo para cima, propositalmente sem um enquadramento perfeito e que escancara uma Orlando que não estamos acostumados e como ela interfere na vida dessas crianças "reais", sem condições de viver a magia que a cidade oferece aos turistas.

"Florida Project" é um filme muito interessante com uma narrativa inteligente e muito bem conduzida. O desenho de som, somada a essa fotografia, é um show a parte. A cada plano externo, ouvimos (e vemos) os helicópteros pousando ou decolando, jogando na nossa cara o abismo social que é discutido no filme. A indicação para o Oscar ficou por conta de Willem Dafoe (melhor ator coadjuvante) - essa indicação faz justiça a um belíssimo trabalho. E digo mais, daria pra ter colocado a criança, Brooklyn Prince, e a sua mãe Bria Vinaite, nessa disputa tranquilamente.

Olha, é um grande trabalho... Emocionante!!! Não deixem de assistir!!!

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Frankie

"Frankie" é um filme francês, dirigido por um americano (Ira Sachs) e com roteiro de um brasileiro (Mauricio Zacharias) - por mais normal que essa globalização cinematográfica possa parecer, o resultado dessa fusão de três escolas tão distintas imprimiu no resultado que vimos na tela. Esse, aliás, é quarto longa-metragem de parceria entre o diretor e o roteirista, sempre explorando a profundidade das relações humanas e os reflexos no universo que os rodeiam.

Indicado para a Palma de Ouro de Cannes em 2019, "Frankie" é um filme sobre o vazio existencial e como ele pode subverter as relações familiares quando seu personagem central está prestes a morrer. "Frankie" é Françoise Crémont (Isabelle Huppert), uma famosa atriz e matriarca de uma grande família franco-inglesa, que inclui o atual e o ex-marido, além dos filhos dos dois casamentos. Com câncer, Crémont pede para que todos se juntem a ela em uma viagempara histórica cidade de Sintra em Portugal, e assim passar alguns dias reunidos em uma espécie de despedida definitiva.

De fato o filme transita por uma atmosfera mais fúnebre, dolorida até, mas o roteiro tenta equilibrar o mood se aproveitando de algumas situações e particularidades do momento em que cada um dos personagens está vivendo. O filme toca em assuntos como casamento por conveniência, divórcio, descoberta do primeiro amor, alguns romances bem e outros mal sucedidos, até chegarmos na solidão inerente do ser humano! Olha, é um filme mais lento, introspectivo, um estilo mais "independente", longe de ser comercial e que performa bem em festivais europeus - o que fatalmente vai agradar apenas um nicho bem pequeno de público!

"Frankie"tem alguns elementos que me fizeram lembrar a maneira como o Woody Allen conduzia seus filmes: basicamente centrada em diálogos que quase nunca expressavam o real sentimento dos personagens, o diretor Ira Sachs (vencedor em Sundance com "40 Tons de Azul"em 2005) usa o cenário de Sintra para ajudar a contar essa história e justificar algumas passagens mais introspectivas do roteiro - a cena final é um grande exemplo dessa estratégia ou até mesmo o diálogo entre Françoise Crémont e seus dois maridos na Serra de Sintra. A fotografia do português Rui Poças é muito bonita - é impossível não ter aquela vontade quase incontrolável de conhecer Sintra.

O elenco aproveita do estilo de direção de Ira Sachs para trazer o que tem de melhor em várias sequências sem cortes, quase teatral (no bom sentido). Aqui o estilo de interpretação equilibrado e no tom correto se aproveita da liberdade e da pouca preocupação com a continuidade das falas - essa liberdade trás naturalidade, já que provavelmente não será necessário repetir a cena exatamente igual e com isso tudo flui melhor. A cena em que Françoise Crémont entrega a pulseira para o filho e outra em que conversa com o diretor de fotografia Gary (Greg Kinnear) são excelentes! Outro ator que dá um show é Brendan Gleeson como Jimmy, o marido de Crémont - os momentos de sofrimento em silêncio até sua aproximação com Ilene (Marisa Tomei) são delicados, sinceros, orgânicos! Muito bom!

"Frankie", embora seja um filme agradável de assistir, não trás nada de inédito na discussão sobre o vazio existencial e dificuldade de encontrar algum equilíbrio ou momento de paz na relação com a família, amigos ou parceiros (como vimos muito disso em "Em algum lugar" da Sofia Coppola), mas pelo menos nos coloca em estado de reflexão por pouco mais de uma hora e meia e nos faz sentir na alma toda aquela atmosfera que envolve a dor da espera e a certeza de que nada é para sempre! 

Vale a pena!

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"Frankie" é um filme francês, dirigido por um americano (Ira Sachs) e com roteiro de um brasileiro (Mauricio Zacharias) - por mais normal que essa globalização cinematográfica possa parecer, o resultado dessa fusão de três escolas tão distintas imprimiu no resultado que vimos na tela. Esse, aliás, é quarto longa-metragem de parceria entre o diretor e o roteirista, sempre explorando a profundidade das relações humanas e os reflexos no universo que os rodeiam.

Indicado para a Palma de Ouro de Cannes em 2019, "Frankie" é um filme sobre o vazio existencial e como ele pode subverter as relações familiares quando seu personagem central está prestes a morrer. "Frankie" é Françoise Crémont (Isabelle Huppert), uma famosa atriz e matriarca de uma grande família franco-inglesa, que inclui o atual e o ex-marido, além dos filhos dos dois casamentos. Com câncer, Crémont pede para que todos se juntem a ela em uma viagempara histórica cidade de Sintra em Portugal, e assim passar alguns dias reunidos em uma espécie de despedida definitiva.

De fato o filme transita por uma atmosfera mais fúnebre, dolorida até, mas o roteiro tenta equilibrar o mood se aproveitando de algumas situações e particularidades do momento em que cada um dos personagens está vivendo. O filme toca em assuntos como casamento por conveniência, divórcio, descoberta do primeiro amor, alguns romances bem e outros mal sucedidos, até chegarmos na solidão inerente do ser humano! Olha, é um filme mais lento, introspectivo, um estilo mais "independente", longe de ser comercial e que performa bem em festivais europeus - o que fatalmente vai agradar apenas um nicho bem pequeno de público!

"Frankie"tem alguns elementos que me fizeram lembrar a maneira como o Woody Allen conduzia seus filmes: basicamente centrada em diálogos que quase nunca expressavam o real sentimento dos personagens, o diretor Ira Sachs (vencedor em Sundance com "40 Tons de Azul"em 2005) usa o cenário de Sintra para ajudar a contar essa história e justificar algumas passagens mais introspectivas do roteiro - a cena final é um grande exemplo dessa estratégia ou até mesmo o diálogo entre Françoise Crémont e seus dois maridos na Serra de Sintra. A fotografia do português Rui Poças é muito bonita - é impossível não ter aquela vontade quase incontrolável de conhecer Sintra.

O elenco aproveita do estilo de direção de Ira Sachs para trazer o que tem de melhor em várias sequências sem cortes, quase teatral (no bom sentido). Aqui o estilo de interpretação equilibrado e no tom correto se aproveita da liberdade e da pouca preocupação com a continuidade das falas - essa liberdade trás naturalidade, já que provavelmente não será necessário repetir a cena exatamente igual e com isso tudo flui melhor. A cena em que Françoise Crémont entrega a pulseira para o filho e outra em que conversa com o diretor de fotografia Gary (Greg Kinnear) são excelentes! Outro ator que dá um show é Brendan Gleeson como Jimmy, o marido de Crémont - os momentos de sofrimento em silêncio até sua aproximação com Ilene (Marisa Tomei) são delicados, sinceros, orgânicos! Muito bom!

"Frankie", embora seja um filme agradável de assistir, não trás nada de inédito na discussão sobre o vazio existencial e dificuldade de encontrar algum equilíbrio ou momento de paz na relação com a família, amigos ou parceiros (como vimos muito disso em "Em algum lugar" da Sofia Coppola), mas pelo menos nos coloca em estado de reflexão por pouco mais de uma hora e meia e nos faz sentir na alma toda aquela atmosfera que envolve a dor da espera e a certeza de que nada é para sempre! 

Vale a pena!

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Gleason

ELA (esclerose lateral amiotrófica) é um doença do sistema nervoso que enfraquece os músculos e afeta as funções físicas, já que o cérebro não consegue mais se comunicar com o corpo graças a destruição gradual das células nervosas. Agora, imagine ser diagnosticado com apenas 34 anos, ter uma expectativa de vida de 2 a 5 anos e ainda descobrir, na mesma época, que sua esposa está grávida do seu primeiro filho!

Se você, como eu, sentiu um aperto no peito ao ler esse primeiro parágrafo, "A Luta de Steve" (título nacional) mostra justamente a jornada do ex-jogador de futebol americano, ídolo do New Orleans Saints, Steve Gleason, para se adaptar a essa nova realidade e, de alguma forma, ter uma relação com seu filho prestes a nascer. Sem muitos rodeios e de uma forma bastante cruel, o documentário escancara a progressão da doença e a maneira como Steve e sua família se preparam para um futuro preocupante. A medida que vemos os vídeos gravados por eles mesmos, entendemos o poder devastador da doença como poucas vezes vi documentado - trazendo discussões complexas sobre fé, convivência, resiliência, aceitação, esperança, etc! Confira o trailer (em inglês):

"Gleason" tem quase duas horas e é muito duro! Muito difícil de digerir e emocionante. As escolhas do diretor J. Clay Tweel só colaboram para um retrato real de como a doença vai destruindo o paciente e mudando completamente sua relação com a família e com o mundo - a opção por mostrar cenas inteiras sem muita edição só potencializa uma enxurrada de sensações que temos ao acompanhar Steve. É difícil, mas não por acaso o documentário ganhou o "Critics' Choice Documentary Awards", o "SXSW Film Festival" e ainda foi finalista do "Sundance Festival" em 2016. Vale seu play!

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ELA (esclerose lateral amiotrófica) é um doença do sistema nervoso que enfraquece os músculos e afeta as funções físicas, já que o cérebro não consegue mais se comunicar com o corpo graças a destruição gradual das células nervosas. Agora, imagine ser diagnosticado com apenas 34 anos, ter uma expectativa de vida de 2 a 5 anos e ainda descobrir, na mesma época, que sua esposa está grávida do seu primeiro filho!

Se você, como eu, sentiu um aperto no peito ao ler esse primeiro parágrafo, "A Luta de Steve" (título nacional) mostra justamente a jornada do ex-jogador de futebol americano, ídolo do New Orleans Saints, Steve Gleason, para se adaptar a essa nova realidade e, de alguma forma, ter uma relação com seu filho prestes a nascer. Sem muitos rodeios e de uma forma bastante cruel, o documentário escancara a progressão da doença e a maneira como Steve e sua família se preparam para um futuro preocupante. A medida que vemos os vídeos gravados por eles mesmos, entendemos o poder devastador da doença como poucas vezes vi documentado - trazendo discussões complexas sobre fé, convivência, resiliência, aceitação, esperança, etc! Confira o trailer (em inglês):

"Gleason" tem quase duas horas e é muito duro! Muito difícil de digerir e emocionante. As escolhas do diretor J. Clay Tweel só colaboram para um retrato real de como a doença vai destruindo o paciente e mudando completamente sua relação com a família e com o mundo - a opção por mostrar cenas inteiras sem muita edição só potencializa uma enxurrada de sensações que temos ao acompanhar Steve. É difícil, mas não por acaso o documentário ganhou o "Critics' Choice Documentary Awards", o "SXSW Film Festival" e ainda foi finalista do "Sundance Festival" em 2016. Vale seu play!

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Happy End

"Happy End" foi o filme francês que tentou a indicação ao Oscar 2018 e não conseguiu - na verdade não ficou nem entre os pré selecionados, mas tem uma grife de respeito por trás dele: o diretor austríaco Michael Haneke - vencedor do Oscar com "Amour" em 2013. Foi essa grife que me fez assistir o filme e valeu a pena, mas com algumas ressalvas!

O filme se passa em Calais uma cidade do norte da França. Georges Laurent (Jean-Louis Trintignant) é o patriarca de uma família típica da classe média. Ele está preso em uma cadeira de rodas e sua filha Anne (Isabelle Huppert) ainda mora com ele, porém Thomas (Mathieu Kassovitz), seu filho, acaba de retornar para a casa, junto com a esposa e a filha Eve (Fantine Harduin), cuja mãe faleceu recentemente. É nesse universo que "Happy End" transita - o filme fala sobre a intensa incomunicabilidade entre os membros dessa família, que faz com que todos levem uma vida segundo seus interesses pessoais e esqueçam que existe algo muito mais importante que o próprio umbigo: a empatia! Confira o trailer:

Como Cineasta, Michael Haneke, é um monstro! Ele dá mais uma aula de posicionamento de câmera (como em "Amour") e direção de atores. Haneke tem seu estilo muito bem definido e ele imprime isso em cada cena com muita personalidade e sempre no tom certo. Ele consegue tirar do ator aquilo que ele quer com muita precisão e isso é raro. O filme vale muito por isso - mas será preciso um olhar mais crítico, detalhista e mais paciente com o que comentarei a seguir!

"Happy End" é um filme mediano. A história me pareceu um pouco fraca, as motivações não se sustentam e isso deixa o filme arrastado. Não que seja um filme ruim, porque de fato ele não é, mas você fica sempre esperando algo mais e isso nunca chega! Tive a impressão que o roteiro trouxe muitos personagens para pouco desenvolvimento, então todos ficaram muito rasos - uma pena!

O filme foi até indicado pra Palme d'Or em Cannes 2017, o que deixa bem claro que vai agradar quem gosta de uma cinema mais independente, autoral e está disposto a ir além do que é dito nos diálogos. Admito que esperava mais!

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"Happy End" foi o filme francês que tentou a indicação ao Oscar 2018 e não conseguiu - na verdade não ficou nem entre os pré selecionados, mas tem uma grife de respeito por trás dele: o diretor austríaco Michael Haneke - vencedor do Oscar com "Amour" em 2013. Foi essa grife que me fez assistir o filme e valeu a pena, mas com algumas ressalvas!

O filme se passa em Calais uma cidade do norte da França. Georges Laurent (Jean-Louis Trintignant) é o patriarca de uma família típica da classe média. Ele está preso em uma cadeira de rodas e sua filha Anne (Isabelle Huppert) ainda mora com ele, porém Thomas (Mathieu Kassovitz), seu filho, acaba de retornar para a casa, junto com a esposa e a filha Eve (Fantine Harduin), cuja mãe faleceu recentemente. É nesse universo que "Happy End" transita - o filme fala sobre a intensa incomunicabilidade entre os membros dessa família, que faz com que todos levem uma vida segundo seus interesses pessoais e esqueçam que existe algo muito mais importante que o próprio umbigo: a empatia! Confira o trailer:

Como Cineasta, Michael Haneke, é um monstro! Ele dá mais uma aula de posicionamento de câmera (como em "Amour") e direção de atores. Haneke tem seu estilo muito bem definido e ele imprime isso em cada cena com muita personalidade e sempre no tom certo. Ele consegue tirar do ator aquilo que ele quer com muita precisão e isso é raro. O filme vale muito por isso - mas será preciso um olhar mais crítico, detalhista e mais paciente com o que comentarei a seguir!

"Happy End" é um filme mediano. A história me pareceu um pouco fraca, as motivações não se sustentam e isso deixa o filme arrastado. Não que seja um filme ruim, porque de fato ele não é, mas você fica sempre esperando algo mais e isso nunca chega! Tive a impressão que o roteiro trouxe muitos personagens para pouco desenvolvimento, então todos ficaram muito rasos - uma pena!

O filme foi até indicado pra Palme d'Or em Cannes 2017, o que deixa bem claro que vai agradar quem gosta de uma cinema mais independente, autoral e está disposto a ir além do que é dito nos diálogos. Admito que esperava mais!

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História de um Casamento

Costumo dizer que uma história tem sempre dois lados e por isso acredito que uma das maiores covardias sociais que pode existir é o julgamento ou pior, quando alguém próximo resolve tomar partido de um dos lados durante a separação ou no fim de um casamento, principalmente se o casal já tiver filhos! "História de um Casamento" é um soco no estômago por tudo isso e dependendo da sua história de vida, esse soco pode doer mais! O filme mostra o processo de separação de um Diretor de Teatro residente em NY e de uma atriz nascida em Los Angeles. Os dois foram muito felizes durante anos até que ela resolve se separar e voltar com o filho para sua cidade - o que acontece a partir daí é uma das mais doloridas jornadas de aceitação que um casal precisa passar durante a vida.

O interessante do filme é que o roteiro trás os dois lados da história desde o início (com uma prólogo sensacional que já dá o tom do que virá pela frente, apresentando os personagens e o momento que eles estão passando) e toda a transformação que eles se submetem graças a pressão social e, claro, ao ego ferido de cada um (inclusive dos advogados)! A crueldade do filme está em abordar com muita sensibilidade essa solidão muito particular que Charlie (Adam Driver) e Nicole (Scarlett Johansson) passam ao tentar esconder seus reais sentimentos para impedir que esse divórcio não acabe definitivamente com tudo que eles construíram juntos e com todos os sonhos que compartilharam durante anos - aliás, muito personificado na figura de um lindo garoto, filho do casal! Olha, se prepare para um grande filme, difícil, inteligente e muito visceral - mais um que deve brilhar nas premiações do próximo ano, pode apostar!

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Costumo dizer que uma história tem sempre dois lados e por isso acredito que uma das maiores covardias sociais que pode existir é o julgamento ou pior, quando alguém próximo resolve tomar partido de um dos lados durante a separação ou no fim de um casamento, principalmente se o casal já tiver filhos! "História de um Casamento" é um soco no estômago por tudo isso e dependendo da sua história de vida, esse soco pode doer mais! O filme mostra o processo de separação de um Diretor de Teatro residente em NY e de uma atriz nascida em Los Angeles. Os dois foram muito felizes durante anos até que ela resolve se separar e voltar com o filho para sua cidade - o que acontece a partir daí é uma das mais doloridas jornadas de aceitação que um casal precisa passar durante a vida.

O interessante do filme é que o roteiro trás os dois lados da história desde o início (com uma prólogo sensacional que já dá o tom do que virá pela frente, apresentando os personagens e o momento que eles estão passando) e toda a transformação que eles se submetem graças a pressão social e, claro, ao ego ferido de cada um (inclusive dos advogados)! A crueldade do filme está em abordar com muita sensibilidade essa solidão muito particular que Charlie (Adam Driver) e Nicole (Scarlett Johansson) passam ao tentar esconder seus reais sentimentos para impedir que esse divórcio não acabe definitivamente com tudo que eles construíram juntos e com todos os sonhos que compartilharam durante anos - aliás, muito personificado na figura de um lindo garoto, filho do casal! Olha, se prepare para um grande filme, difícil, inteligente e muito visceral - mais um que deve brilhar nas premiações do próximo ano, pode apostar!

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