Viu Review - ml-terrorismo

Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror

"Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" é uma excelente série documental da Netflix que coloca na linha do tempo as "causas" e "consequências" do 11 de setembro pelo ponto de vista de várias pessoas que de alguma forma estiveram (e estão) envolvidas com a relação entre os EUA e os grupos terroristas da Al-Qaeda e do Talibã. E aqui cabe uma primeira observação: o documentário é muito cuidadoso em apontar quem são os bandidos e quem são os mocinhos dessa história e ao assistir os cinco episódios, nossa sensação é que os mocinhos simplesmente não existem!

Como é de se imaginar, "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" acompanha os ataques terroristas lançados contra o World Trade Center pela Al-Qaeda em setembro de 2001, explorando desde as origens da organização terrorista na década de 1980, passando pela violenta resposta dos EUA no Oriente Médio depois dos ataques até os dias de hoje e o recente processo de desocupação das foças americanas no Afeganistão. Confira o trailer (em inglês):

Talvez "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" seja o documentário que melhor explica tudo que envolveu os ataques terroristas até hoje. Misturando muitas imagens de arquivo, gravações telefônicas, depoimentos de muitos personagens (uns bastante impactantes, inclusive), fotografias e documentos confidenciais, no fim da jornada é possível ter a exata noção de como o ser humano é um caso perdido! Desculpem a constatação, mas a forma como as peças vão se encaixando e as ações vão sendo discutidas, não raramente mostrando os dois lados da história, é de se perder a fé perante a humanidade - alguns depoimentos são tão sinceros, doloridos, além de editados de uma forma tão sensacional, que fica impossível não se emocionar e, claro, refletir sobre tudo.

O diretor Brian Knappenberger, do ótimo "Nobody Speak: Trials of the Free Press", criou uma dinâmica bastante interessante para contar a história do 11 de setembro. Knappenberger vai e volta no tempo de acordo com as ramificações que cada assunto vai abrindo. Veja, em um único documentários acompanhamos a relação da União Soviética com o Afeganistão, o nascimento da Al-Qaeda, os conflitos entre Bush e Saddam Hussein, os abusos que aconteceram em Guantánamo, o despreparo de alguns oficiais do exército americano para traçar estratégias de combate, os absurdos (e desvios) durante a criação de um novo exército afegão, como se deu a caçada a Osama Bin Laden, entre várias outras passagens marcantes da "Guerra contra o Terror" mesmo antes dela existir.

O bacana "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror"é que todos os assuntos abordados, embora sem tanta profundidade, são extremamente bem pontuados e explicados de uma forma didática até, porém muito fácil de acompanhar - cada assunto faz sentido no todo e isso nos causa uma agradável sensação de conhecimento de causa. Vale dizer que os cinco episódios podem ser destrinchados se buscarmos outros títulos para termos uma visão mais completa sobre os temas - "9/11: Inside the President's War Room" mostra os ataques pelos olhos do presidente Bush e de seu staff; "Vice"conta a história Dick Cheney, vice-presidente dos EUA e responsável pela invasão do Iraque, tendo como desculpa os ataques de 11 de setembro; "Segredos Oficiais" acompanha uma funcionária inglesa que recebeu ordens para que buscasse informações sobre membros do Conselho de Segurança da ONU que pudessem ser utilizados para chantagear seis países a votarem a favor da Guerra do Iraque; e assim por diante.

Como disse, são muitos filmes e séries sobre vários sub-temas que se conectam ao documentário "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" - então a partir desse competente overview vai ficar mais fácil decidir qual caminho seguir daqui para frente para se aprofundar nessas histórias que marcaram a humanidade.

Vale muito a pena, mesmo!!!

Assista Agora

"Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" é uma excelente série documental da Netflix que coloca na linha do tempo as "causas" e "consequências" do 11 de setembro pelo ponto de vista de várias pessoas que de alguma forma estiveram (e estão) envolvidas com a relação entre os EUA e os grupos terroristas da Al-Qaeda e do Talibã. E aqui cabe uma primeira observação: o documentário é muito cuidadoso em apontar quem são os bandidos e quem são os mocinhos dessa história e ao assistir os cinco episódios, nossa sensação é que os mocinhos simplesmente não existem!

Como é de se imaginar, "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" acompanha os ataques terroristas lançados contra o World Trade Center pela Al-Qaeda em setembro de 2001, explorando desde as origens da organização terrorista na década de 1980, passando pela violenta resposta dos EUA no Oriente Médio depois dos ataques até os dias de hoje e o recente processo de desocupação das foças americanas no Afeganistão. Confira o trailer (em inglês):

Talvez "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" seja o documentário que melhor explica tudo que envolveu os ataques terroristas até hoje. Misturando muitas imagens de arquivo, gravações telefônicas, depoimentos de muitos personagens (uns bastante impactantes, inclusive), fotografias e documentos confidenciais, no fim da jornada é possível ter a exata noção de como o ser humano é um caso perdido! Desculpem a constatação, mas a forma como as peças vão se encaixando e as ações vão sendo discutidas, não raramente mostrando os dois lados da história, é de se perder a fé perante a humanidade - alguns depoimentos são tão sinceros, doloridos, além de editados de uma forma tão sensacional, que fica impossível não se emocionar e, claro, refletir sobre tudo.

O diretor Brian Knappenberger, do ótimo "Nobody Speak: Trials of the Free Press", criou uma dinâmica bastante interessante para contar a história do 11 de setembro. Knappenberger vai e volta no tempo de acordo com as ramificações que cada assunto vai abrindo. Veja, em um único documentários acompanhamos a relação da União Soviética com o Afeganistão, o nascimento da Al-Qaeda, os conflitos entre Bush e Saddam Hussein, os abusos que aconteceram em Guantánamo, o despreparo de alguns oficiais do exército americano para traçar estratégias de combate, os absurdos (e desvios) durante a criação de um novo exército afegão, como se deu a caçada a Osama Bin Laden, entre várias outras passagens marcantes da "Guerra contra o Terror" mesmo antes dela existir.

O bacana "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror"é que todos os assuntos abordados, embora sem tanta profundidade, são extremamente bem pontuados e explicados de uma forma didática até, porém muito fácil de acompanhar - cada assunto faz sentido no todo e isso nos causa uma agradável sensação de conhecimento de causa. Vale dizer que os cinco episódios podem ser destrinchados se buscarmos outros títulos para termos uma visão mais completa sobre os temas - "9/11: Inside the President's War Room" mostra os ataques pelos olhos do presidente Bush e de seu staff; "Vice"conta a história Dick Cheney, vice-presidente dos EUA e responsável pela invasão do Iraque, tendo como desculpa os ataques de 11 de setembro; "Segredos Oficiais" acompanha uma funcionária inglesa que recebeu ordens para que buscasse informações sobre membros do Conselho de Segurança da ONU que pudessem ser utilizados para chantagear seis países a votarem a favor da Guerra do Iraque; e assim por diante.

Como disse, são muitos filmes e séries sobre vários sub-temas que se conectam ao documentário "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" - então a partir desse competente overview vai ficar mais fácil decidir qual caminho seguir daqui para frente para se aprofundar nessas histórias que marcaram a humanidade.

Vale muito a pena, mesmo!!!

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11/9 - A Vida sob Ataque

"11/9 - A Vida sob Ataque" é um documentário muito humano, sensível e ao mesmo tempo impactante, já que seu foco é exclusivamente contar a história do 11 de setembro pelos olhos de alguns novaiorquinos que de alguma forma presenciaram os ataques as Torres Gêmeas. 

É de fato um relato único, comovente e vívido do dia que mudou o mundo moderno. "9/11 Life Under Attack" (no original) é um filme de 90 minutos da ITV que conta histórias nunca antes reveladas, criadas por meio de uma montagem de vários vídeos e áudios inéditos. Confira o trailer (em inglês):

Veja, o que você vai encontrar é o mais próximo do que uma pessoa conseguiu assistir durante os ataques em NY. O diretor Nigel Levy (o mesmo por trás de "Formula 1: Dirigir para Viver") reuniu dezenas de vídeos caseiros e construiu uma narrativa "minuto a minuto" dos atentados. Sem nenhum depoimento, apenas apresentando os personagens com legendas, áudios das rádios locais, dos controladores de voo, de telefonemas vindos das Torres e dos aviões, Levy ilustra toda a tensão e incredulidade que as testemunhas viveram naquela manhã.

Claro que muitas daquelas imagens nós já conhecemos, mas as histórias não - são tão pessoais quanto desesperadoras! É conjunto de narrativas em primeira pessoa (na maioria das vezes) que nos impacta de uma forma muito sentimental, pois não faz parte de uma reinterpretação dos fatos, de uma lembrança distante ou de uma visão confortável do que acontecia - tudo que vemos em "real time" talvez seja a melhor definição do caos e isso é impressionante!

Para quem gostou de "11/9: Dentro da Sala de Guerra do Presidente" e "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" esse é mais um documentário imperdível - pela originalidade e pelo testemunho cruel! Vale muito a pena, mesmo!

Assista Agora

"11/9 - A Vida sob Ataque" é um documentário muito humano, sensível e ao mesmo tempo impactante, já que seu foco é exclusivamente contar a história do 11 de setembro pelos olhos de alguns novaiorquinos que de alguma forma presenciaram os ataques as Torres Gêmeas. 

É de fato um relato único, comovente e vívido do dia que mudou o mundo moderno. "9/11 Life Under Attack" (no original) é um filme de 90 minutos da ITV que conta histórias nunca antes reveladas, criadas por meio de uma montagem de vários vídeos e áudios inéditos. Confira o trailer (em inglês):

Veja, o que você vai encontrar é o mais próximo do que uma pessoa conseguiu assistir durante os ataques em NY. O diretor Nigel Levy (o mesmo por trás de "Formula 1: Dirigir para Viver") reuniu dezenas de vídeos caseiros e construiu uma narrativa "minuto a minuto" dos atentados. Sem nenhum depoimento, apenas apresentando os personagens com legendas, áudios das rádios locais, dos controladores de voo, de telefonemas vindos das Torres e dos aviões, Levy ilustra toda a tensão e incredulidade que as testemunhas viveram naquela manhã.

Claro que muitas daquelas imagens nós já conhecemos, mas as histórias não - são tão pessoais quanto desesperadoras! É conjunto de narrativas em primeira pessoa (na maioria das vezes) que nos impacta de uma forma muito sentimental, pois não faz parte de uma reinterpretação dos fatos, de uma lembrança distante ou de uma visão confortável do que acontecia - tudo que vemos em "real time" talvez seja a melhor definição do caos e isso é impressionante!

Para quem gostou de "11/9: Dentro da Sala de Guerra do Presidente" e "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" esse é mais um documentário imperdível - pela originalidade e pelo testemunho cruel! Vale muito a pena, mesmo!

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11/9: Dentro da Sala de Guerra do Presidente

"9/11: Inside the President's War Room" (no original), documentário da BBC Films em parceria com a Apple, é simplesmente imperdível - pelas imagens dramáticas, pelos depoimentos de quem esteve ao lado do presidente Bush naquele dia e, principalmente, pela forma como a linha do tempo foi construída. Eu diria que esse documentário da AppleTV+ é um dos melhores do ano e certamente vai te colocar naquela atmosfera tão marcante de 20 anos atrás.

Em pouco mais de 90 minutos experimentamos os eventos de 11 de setembro de 2001 através dos olhos do presidente Bush e de seus assessores mais próximos, enquanto eles detalham pessoalmente alguns momentos cruciais e as principais decisões daquele dia histórico. O documentário cobre as primeiras 12 horas de terror e desinformação de uma forma avassaladora. Confira o trailer (em inglês):

O diferencial desse documentário com relação aos vários outros que já assisti, sem dúvida, diz respeito aos personagens que dão depoimentos: são entrevistas exclusivas com o presidente George W. Bush, com o vice Dick Cheney, com a conselheira de segurança nacional Condoleezza Rice, com o secretário de Estado Colin Powell, ente outros - inclusive profissionais da imprensa que cobriam a agenda do presidente na Flórida e que, indiretamente, viveram aquele dia histórico ao lado dele.

É muito interessante a proposta do diretor Adam Wishart em nos posicionar na linha do tempo em relação as (des)informações do staff do presidente em paralelo aos acontecimentos de Nova York e Washington, em tempo real. A forma como os personagens se dividem nas ações em resposta aos relatórios iniciais, primeiro descartando um acidente com um avião de pequeno porte e depois quando os ataques foram confirmados como uma atividade terrorista - as reações, a tensão, tudo está ali. É muito curioso como cada personagem assume uma posição hierárquica perante o caos e como algumas deficiências tecnológicas da época impactaram nas tomadas de decisões - a ordem para abater o United 93 é um ótimo exemplo e sem dúvida um dos momentos que mais embrulha o estômago. 

"9/11: Inside the President's War Room" é uma aula de narrativa que equilibra perfeitamente entrevistas, cenas de arquivo e imagens inéditas dos ataques, incluindo uma quantidade enorme de fotos de dentro da própria "sala de guerra" do presidente (e de seu vice) que passou o dia entre o Air Force One e vários Bunkers, até chegar na Casa Branca para um pronunciamento emocionante e histórico.

Em tempo, se você gosta do assunto eu sugiro que você assista dois títulos antes de chegar no documentário (nessa ordem): "The Looming Tower" com Jeff Daniels (que inclusive é o narrador de "9/11: Inside the President's War Room") e depois "O Relatório"com Adam Driver - tenha certeza que a experiência será incrível pelo encaixe das narrativas e visões dos seus personagens.

Imperdível!

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"9/11: Inside the President's War Room" (no original), documentário da BBC Films em parceria com a Apple, é simplesmente imperdível - pelas imagens dramáticas, pelos depoimentos de quem esteve ao lado do presidente Bush naquele dia e, principalmente, pela forma como a linha do tempo foi construída. Eu diria que esse documentário da AppleTV+ é um dos melhores do ano e certamente vai te colocar naquela atmosfera tão marcante de 20 anos atrás.

Em pouco mais de 90 minutos experimentamos os eventos de 11 de setembro de 2001 através dos olhos do presidente Bush e de seus assessores mais próximos, enquanto eles detalham pessoalmente alguns momentos cruciais e as principais decisões daquele dia histórico. O documentário cobre as primeiras 12 horas de terror e desinformação de uma forma avassaladora. Confira o trailer (em inglês):

O diferencial desse documentário com relação aos vários outros que já assisti, sem dúvida, diz respeito aos personagens que dão depoimentos: são entrevistas exclusivas com o presidente George W. Bush, com o vice Dick Cheney, com a conselheira de segurança nacional Condoleezza Rice, com o secretário de Estado Colin Powell, ente outros - inclusive profissionais da imprensa que cobriam a agenda do presidente na Flórida e que, indiretamente, viveram aquele dia histórico ao lado dele.

É muito interessante a proposta do diretor Adam Wishart em nos posicionar na linha do tempo em relação as (des)informações do staff do presidente em paralelo aos acontecimentos de Nova York e Washington, em tempo real. A forma como os personagens se dividem nas ações em resposta aos relatórios iniciais, primeiro descartando um acidente com um avião de pequeno porte e depois quando os ataques foram confirmados como uma atividade terrorista - as reações, a tensão, tudo está ali. É muito curioso como cada personagem assume uma posição hierárquica perante o caos e como algumas deficiências tecnológicas da época impactaram nas tomadas de decisões - a ordem para abater o United 93 é um ótimo exemplo e sem dúvida um dos momentos que mais embrulha o estômago. 

"9/11: Inside the President's War Room" é uma aula de narrativa que equilibra perfeitamente entrevistas, cenas de arquivo e imagens inéditas dos ataques, incluindo uma quantidade enorme de fotos de dentro da própria "sala de guerra" do presidente (e de seu vice) que passou o dia entre o Air Force One e vários Bunkers, até chegar na Casa Branca para um pronunciamento emocionante e histórico.

Em tempo, se você gosta do assunto eu sugiro que você assista dois títulos antes de chegar no documentário (nessa ordem): "The Looming Tower" com Jeff Daniels (que inclusive é o narrador de "9/11: Inside the President's War Room") e depois "O Relatório"com Adam Driver - tenha certeza que a experiência será incrível pelo encaixe das narrativas e visões dos seus personagens.

Imperdível!

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13 de Novembro: Terror em Paris

Por mais dolorido que possa parecer, a série documental da Netflix é um retrato da capacidade humana de se reinventar, seja nos momentos mais extremos, seja pela forma como ela reage ao evento que transformou sua vida!

São 3 episódios de quase 1 hora, mostrando minuto a minuto, tudo o que aconteceu naquela noite em Paris quando as primeiras explosões chamaram a atenção de todos que acompanhavam o amistoso França e Alemanha no Stade de France em Saint-Denis. As 80 mil pessoas que ali estavam, não tinham a menor noção do se transformaria aquela noite quando, poucos minutos depois, restaurantes e bares começaram a ser atacados por terroristas, culminando no massacre da boate Bataclan.

Pelo olhar e a lembrança de quem estava lá, em cada um desses lugares, ou pelos depoimentos de quem socorreu as vítimas naquela noite, e até pelas constatações dos políticos e policiais que precisaram tomar decisões difíceis durante os ataques, "13 de Novembro: Terror em Paris", talvez seja o documentário mais humano sobre um ataque terrorista que eu já assisti. É impressionante, marcante, mas, principalmente, necessário, pois só assim vamos entender o quanto a humanidade está machucada, mas ainda luta para continuar caminhando com a cabeça erguida! Vale muito o seu play!!!!

Assista Agora ou

Por mais dolorido que possa parecer, a série documental da Netflix é um retrato da capacidade humana de se reinventar, seja nos momentos mais extremos, seja pela forma como ela reage ao evento que transformou sua vida!

São 3 episódios de quase 1 hora, mostrando minuto a minuto, tudo o que aconteceu naquela noite em Paris quando as primeiras explosões chamaram a atenção de todos que acompanhavam o amistoso França e Alemanha no Stade de France em Saint-Denis. As 80 mil pessoas que ali estavam, não tinham a menor noção do se transformaria aquela noite quando, poucos minutos depois, restaurantes e bares começaram a ser atacados por terroristas, culminando no massacre da boate Bataclan.

Pelo olhar e a lembrança de quem estava lá, em cada um desses lugares, ou pelos depoimentos de quem socorreu as vítimas naquela noite, e até pelas constatações dos políticos e policiais que precisaram tomar decisões difíceis durante os ataques, "13 de Novembro: Terror em Paris", talvez seja o documentário mais humano sobre um ataque terrorista que eu já assisti. É impressionante, marcante, mas, principalmente, necessário, pois só assim vamos entender o quanto a humanidade está machucada, mas ainda luta para continuar caminhando com a cabeça erguida! Vale muito o seu play!!!!

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15:17 Destino Paris

15:17 Destino Paris

Baseado no livro “The 15:17 to Paris: The True Story of a Terrorist, a Train, and Three American Soldiers”, o filme de Clint Eastwood conta a história de três americanos, Spencer Stone, Anthony Sadler e Alek Skarlatos. Amigos desde a infância, eles estavam viajando pela Europa quando acabaram reféns de um terrorista marroquino, Ayoub El-Khazzani (Ray Corasani), em um trem que ia de Amsterdã para Paris.

Pelo trailer temos a impressão que é mais um grande filme sobre heróis americanos "15:17 Destino Paris", certo? Pois é, de fato, esse é o objetivo de Eastwood, mas o resultado é bem mediano, embora seja um bom entretenimento se você não assistir com as expectativas que um filme do diretor carrega!

"15:17 Destino Paris" é muito bem dirigido por uma cara que domina a gramática cinematográfica como ninguém - é perceptível a qualidade técnica e a capacidade que o Eastwood tem de contar uma história que dialoga com seus propósitos, mas para mim, o maior problema do filme acabou sendo seu roteiro! Ele é muito inconsistente - parece que editaram para caber na "Tela Quente", sabe? 

O roteiro de Dorothy Blyskal transita entre a vida adulta e a infância dos três protagonistas, porém, o que poderia ser um trabalho profundo sobre a formação do caráter e dos valores dos futuros heróis em diversas camadas, é só um retrato de três garotos fazendo malcriação! Já adultos, o filme soa mais como uma espécie de Road Movie, quase colegial, com diálogos muitas vezes superficiais e sem o menor propósito para o que mais interessa: os momentos de tensão perante uma experiência marcante e aterrorizante vivida naquele 21 de agosto de 2015 - como, por exemplo, Paul Greengrass fez no excelente "Voo United 93".

A parte curiosa do filme é que Clint Eastwood não usou atores para contar a história! Quem viveu aquele dia, reviveu na ficção - e isso pesa no filme! Spencer Stone, Anthony Sadler e Alek Skarlatos se esforçam, mas não entregam a dramaticidade que o filme pedia!

Olha, "15:17 Destino Paris" era uma história que merecia ser contada! Vale como referência histórica, mas o filme é aquele típico entretenimento "Sessão da Tarde" sem maiores pretensões! 

Assista Agora

Baseado no livro “The 15:17 to Paris: The True Story of a Terrorist, a Train, and Three American Soldiers”, o filme de Clint Eastwood conta a história de três americanos, Spencer Stone, Anthony Sadler e Alek Skarlatos. Amigos desde a infância, eles estavam viajando pela Europa quando acabaram reféns de um terrorista marroquino, Ayoub El-Khazzani (Ray Corasani), em um trem que ia de Amsterdã para Paris.

Pelo trailer temos a impressão que é mais um grande filme sobre heróis americanos "15:17 Destino Paris", certo? Pois é, de fato, esse é o objetivo de Eastwood, mas o resultado é bem mediano, embora seja um bom entretenimento se você não assistir com as expectativas que um filme do diretor carrega!

"15:17 Destino Paris" é muito bem dirigido por uma cara que domina a gramática cinematográfica como ninguém - é perceptível a qualidade técnica e a capacidade que o Eastwood tem de contar uma história que dialoga com seus propósitos, mas para mim, o maior problema do filme acabou sendo seu roteiro! Ele é muito inconsistente - parece que editaram para caber na "Tela Quente", sabe? 

O roteiro de Dorothy Blyskal transita entre a vida adulta e a infância dos três protagonistas, porém, o que poderia ser um trabalho profundo sobre a formação do caráter e dos valores dos futuros heróis em diversas camadas, é só um retrato de três garotos fazendo malcriação! Já adultos, o filme soa mais como uma espécie de Road Movie, quase colegial, com diálogos muitas vezes superficiais e sem o menor propósito para o que mais interessa: os momentos de tensão perante uma experiência marcante e aterrorizante vivida naquele 21 de agosto de 2015 - como, por exemplo, Paul Greengrass fez no excelente "Voo United 93".

A parte curiosa do filme é que Clint Eastwood não usou atores para contar a história! Quem viveu aquele dia, reviveu na ficção - e isso pesa no filme! Spencer Stone, Anthony Sadler e Alek Skarlatos se esforçam, mas não entregam a dramaticidade que o filme pedia!

Olha, "15:17 Destino Paris" era uma história que merecia ser contada! Vale como referência histórica, mas o filme é aquele típico entretenimento "Sessão da Tarde" sem maiores pretensões! 

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22 July

Há pouco tempo comentei sobre um filme europeu que chamou muito a minha atenção quando esteve em Berlin esse ano: Utøya 22. juli. - pelo "simples" fato do filme ser um plano sequencia de mais de uma hora. Pois bem, eu não conhecia a história dos atentados a um grupo de jovens que estavam em um ilha na Noruega antes de assistir esse filme, e a história é realmente perturbadora! Agora a Netflix que não é boba nem nada, resolveu trazer para o seu catálogo original esses terríveis e dramáticos acontecimentos com uma visão mais complexa. Então, ninguém melhor que Paul Greengrass de Vôo United 93 e Capitão Phillips para contar parte da história real que o filme do Erik Poppe não contou. Aliás, se tiverem oportunidade, não deixem de assistir nenhum dos dois, eles se completam - da mesma forma que "Dunkirk" foi essencial para contar parte da história que "O Destino de uma Nação" não contou. Confira o trailer:

"22 July" não é visceral como "Utøya", mas nem por isso deixa de ser um grande filme, muito pelo contrário, cinematograficamente falando é até mais relevante pois mostra muito mais do que o ataque a ilha, mostra a causa, a consequência, o debate, os absurdos que o extremismo pode gerar em uma sociedade cheia de pessoas doentes (estou falando só do filme, ok?). O roteiro foi baseado no livro do Åsne Seierstad ("One of Us") e, para mim, foi o ponto alto do filme ao lado da camera solta, quase documental, do Greengrass. Se no filme Norueguês sofremos com aqueles adolescentes que estavam sem saída na ilha, ne versão da Netflix vemos o inicio dos atentados, o que pensava o terrorista, como ele agiu, como ele planejou e como ele lidou com a prisão. É curioso que na Ilha mesmo, são poucas cenas, e não sentimos falta pq nada é gratuito no filme. As sequências se constroem de uma forma tão orgânica que você nem sente as mais de duas horas passarem.

Pessoalmente achei "Utøya" mais marcante (quase sensorial), enquanto 22 July é mais cinemão, o fato é que se trata de dois excelentes filmes. A dica: assista os dois e tenha experiências diferentes e complementares!!! Vale muito a pena!!!

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Há pouco tempo comentei sobre um filme europeu que chamou muito a minha atenção quando esteve em Berlin esse ano: Utøya 22. juli. - pelo "simples" fato do filme ser um plano sequencia de mais de uma hora. Pois bem, eu não conhecia a história dos atentados a um grupo de jovens que estavam em um ilha na Noruega antes de assistir esse filme, e a história é realmente perturbadora! Agora a Netflix que não é boba nem nada, resolveu trazer para o seu catálogo original esses terríveis e dramáticos acontecimentos com uma visão mais complexa. Então, ninguém melhor que Paul Greengrass de Vôo United 93 e Capitão Phillips para contar parte da história real que o filme do Erik Poppe não contou. Aliás, se tiverem oportunidade, não deixem de assistir nenhum dos dois, eles se completam - da mesma forma que "Dunkirk" foi essencial para contar parte da história que "O Destino de uma Nação" não contou. Confira o trailer:

"22 July" não é visceral como "Utøya", mas nem por isso deixa de ser um grande filme, muito pelo contrário, cinematograficamente falando é até mais relevante pois mostra muito mais do que o ataque a ilha, mostra a causa, a consequência, o debate, os absurdos que o extremismo pode gerar em uma sociedade cheia de pessoas doentes (estou falando só do filme, ok?). O roteiro foi baseado no livro do Åsne Seierstad ("One of Us") e, para mim, foi o ponto alto do filme ao lado da camera solta, quase documental, do Greengrass. Se no filme Norueguês sofremos com aqueles adolescentes que estavam sem saída na ilha, ne versão da Netflix vemos o inicio dos atentados, o que pensava o terrorista, como ele agiu, como ele planejou e como ele lidou com a prisão. É curioso que na Ilha mesmo, são poucas cenas, e não sentimos falta pq nada é gratuito no filme. As sequências se constroem de uma forma tão orgânica que você nem sente as mais de duas horas passarem.

Pessoalmente achei "Utøya" mais marcante (quase sensorial), enquanto 22 July é mais cinemão, o fato é que se trata de dois excelentes filmes. A dica: assista os dois e tenha experiências diferentes e complementares!!! Vale muito a pena!!!

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7 Dias em Entebbe

Finalmente "7 Dias em Entebbe", novo filme do brasileiro José Padilha que estreou em Berlin, está disponível no streaming! Antes de mais nada é preciso dizer que o filme foi muito criticado pelo fato do Padilha ter "humanizado" os terroristas e ter focado em relações pouco usuais quando o assunto é o sequestro de um avião cheio de civis que serviriam de moeda de troca para presos políticos. Sinceramente isso não interferiu em absolutamente nada na minha experiência ao assistir o filme - talvez até pelo fato de eu não conhecer muito da história e muito menos estar inserido nesse tipo de discussão.

Em julho de 1976, um voo da Air France que partiu de Tel-Aviv à Paris é sequestrado e forçado a pousar em Entebbe, na Uganda. Os passageiros judeus são mantidos reféns para que seja negociada a liberação dos terroristas e anarquistas palestinos presos em Israel, na Alemanha e na Suécia. Sob pressão, o governo israelita decide organizar uma operação de resgate, atacar o campo de pouso e soltar os reféns. Confira o trailer:

Independente do tipo de abordagem, o que me interessou foi o filme em si e nisso ele é irretocável. Tecnicamente perfeito! A fotografia do Lula Carvalho está linda, com planos muito bem construídos e um movimento de câmera que me agrada muito, equilibrando muito bem o estilo de direção do Padilha com o que a história pedia em cada cena. Aliás, o Padilha vai muito bem (óbvio) e mesmo trazendo uma ou outra referência dos seus antigos trabalhos, não se apoia em muletas que já foram motivo de muitas criticas recentes como aquele voice over de "Narcos" e do "Mecanismo", por exemplo - embora eu nunca tenha achado que era "mais do mesmo" e sim o estilo que ele gosta de imprimir como conceito narrativo e ponto final - escolha puramente pessoal do Diretor!

Eu realmente gostei do filme, trouxe uma sensação muito parecida de quando assisti "Argo", e a construção do roteiro proposta pelo Gregory Burke(de "71: Esquecido em Belfast") fazendo sempre um contraponto com os ensaios de uma companhia de ballet trouxe uma certa poesia para o filme, encaixou muito bem como alivio dramático e fez do trabalho do desenho de som, da mixagem e da trilha sonora um dos pontos mais interessantes do filme! Reparem como tudo se encaixa perfeitamente e nos convidam a refletir sobre tudo o que está acontecendo em Uganda!

Olha, é um filme com a marca do Padilha e ainda bem! Na minha opinião, um dos melhores de 2018!

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Finalmente "7 Dias em Entebbe", novo filme do brasileiro José Padilha que estreou em Berlin, está disponível no streaming! Antes de mais nada é preciso dizer que o filme foi muito criticado pelo fato do Padilha ter "humanizado" os terroristas e ter focado em relações pouco usuais quando o assunto é o sequestro de um avião cheio de civis que serviriam de moeda de troca para presos políticos. Sinceramente isso não interferiu em absolutamente nada na minha experiência ao assistir o filme - talvez até pelo fato de eu não conhecer muito da história e muito menos estar inserido nesse tipo de discussão.

Em julho de 1976, um voo da Air France que partiu de Tel-Aviv à Paris é sequestrado e forçado a pousar em Entebbe, na Uganda. Os passageiros judeus são mantidos reféns para que seja negociada a liberação dos terroristas e anarquistas palestinos presos em Israel, na Alemanha e na Suécia. Sob pressão, o governo israelita decide organizar uma operação de resgate, atacar o campo de pouso e soltar os reféns. Confira o trailer:

Independente do tipo de abordagem, o que me interessou foi o filme em si e nisso ele é irretocável. Tecnicamente perfeito! A fotografia do Lula Carvalho está linda, com planos muito bem construídos e um movimento de câmera que me agrada muito, equilibrando muito bem o estilo de direção do Padilha com o que a história pedia em cada cena. Aliás, o Padilha vai muito bem (óbvio) e mesmo trazendo uma ou outra referência dos seus antigos trabalhos, não se apoia em muletas que já foram motivo de muitas criticas recentes como aquele voice over de "Narcos" e do "Mecanismo", por exemplo - embora eu nunca tenha achado que era "mais do mesmo" e sim o estilo que ele gosta de imprimir como conceito narrativo e ponto final - escolha puramente pessoal do Diretor!

Eu realmente gostei do filme, trouxe uma sensação muito parecida de quando assisti "Argo", e a construção do roteiro proposta pelo Gregory Burke(de "71: Esquecido em Belfast") fazendo sempre um contraponto com os ensaios de uma companhia de ballet trouxe uma certa poesia para o filme, encaixou muito bem como alivio dramático e fez do trabalho do desenho de som, da mixagem e da trilha sonora um dos pontos mais interessantes do filme! Reparem como tudo se encaixa perfeitamente e nos convidam a refletir sobre tudo o que está acontecendo em Uganda!

Olha, é um filme com a marca do Padilha e ainda bem! Na minha opinião, um dos melhores de 2018!

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7500

"7500" é mais uma excelente surpresa que você pode encontrar na Prime Vídeo! O filme acompanha a história de um voo entre Alemanha e França que sofre uma tentativa de ataque terrorista comandada por extremistas muçulmanos. O interessante, porém, é que o diretor e roteirista alemão, Patrick Vollrath, acabou criando uma atmosfera de tensão quase insuportável ao decidir nos mostrar um único ponto de vista dessa situação de terror: a do co-piloto Tobias Ellis (Joseph Gordon-Levitt), "preso" em sua cabine de comando! Confira o trailer (em inglês):

Para quem gosta desse estilo de filme, a lembrança do ótimo "Voo United 93", do grande diretor Paul Greengrass, surgirá imediatamente na memória. Pelo estilo da câmera solta, mais nervosa, quase documental, ao conceito narrativo escolhido para contar a história, "7500" bebe da mesma fonte com muita competência e nos coloca dentro do avião sem pedir muita licença. Vollrath não economiza ao mostrar os momentos de desespero do protagonista ao ter que tomar decisões muito difíceis, ao mesmo tempo que apenas sugere o que está acontecendo entre a tripulação, passageiros e terroristas fora da cabine. De fato, pode parecer que a história está incompleta, mas a sensação acaba sendo tão claustrofóbica e profunda que temos a impressão de estarmos assistindo uma transmissão ao vivo de tudo aquilo! Mas aqui cabe um aviso importante: "7500" não é um filme de ação, é um drama quase psicológico, angustiante pela veracidade das situações e muito difícil de digerir. Vale muito a pena, mesmo!

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"7500" é mais uma excelente surpresa que você pode encontrar na Prime Vídeo! O filme acompanha a história de um voo entre Alemanha e França que sofre uma tentativa de ataque terrorista comandada por extremistas muçulmanos. O interessante, porém, é que o diretor e roteirista alemão, Patrick Vollrath, acabou criando uma atmosfera de tensão quase insuportável ao decidir nos mostrar um único ponto de vista dessa situação de terror: a do co-piloto Tobias Ellis (Joseph Gordon-Levitt), "preso" em sua cabine de comando! Confira o trailer (em inglês):

Para quem gosta desse estilo de filme, a lembrança do ótimo "Voo United 93", do grande diretor Paul Greengrass, surgirá imediatamente na memória. Pelo estilo da câmera solta, mais nervosa, quase documental, ao conceito narrativo escolhido para contar a história, "7500" bebe da mesma fonte com muita competência e nos coloca dentro do avião sem pedir muita licença. Vollrath não economiza ao mostrar os momentos de desespero do protagonista ao ter que tomar decisões muito difíceis, ao mesmo tempo que apenas sugere o que está acontecendo entre a tripulação, passageiros e terroristas fora da cabine. De fato, pode parecer que a história está incompleta, mas a sensação acaba sendo tão claustrofóbica e profunda que temos a impressão de estarmos assistindo uma transmissão ao vivo de tudo aquilo! Mas aqui cabe um aviso importante: "7500" não é um filme de ação, é um drama quase psicológico, angustiante pela veracidade das situações e muito difícil de digerir. Vale muito a pena, mesmo!

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Califado

Antes de mais nada é preciso dizer que "Califado" é surpreendente e muito em breve deve cair no gosto de muitos assinantes da Netflix. Essa série sueca de 8 episódios é muito original, se não pelo tema, pela forma como retrata o terrorismo ao nos colocar dentro do extremismo devastador do Estado Islâmico! 

"Califado" acompanha três personagens-chaves, não por acaso, mulheres: Pervin (Gizem Erdogan) é uma sueca que mora na Síria e que vive o terror de viver com o marido Husam (Amed Bozan), jihadista do Estado Islâmico. Já Fatima (Aliette Opheim) é uma policial sueca que faz parte de um departamento que monitora atividades do Oriente Médio, muitas delas terroristas. E por fim, Sulle (Nora Rios), uma adolescente de 15 anos, adepta da religião muçulmana, que acredita que o governo sueco é contra sua crença e que a luta extremista do E.I. é 100% legítima! Embora as três histórias pareçam completamente distintas, elas começam a se interligar (e esse é um dos pontos altos da série) quando surge a suspeita que um possível ataque terrorista está sendo orquestrado a partir da Síria e que o alvo é a Suécia. Confira o trailer (dublado):

O maior mérito da série é o nível de tensão que ela vai criando - quase como uma bola de neve, eu diria. O roteiro é muito feliz ao criar uma complexa rede entre os personagens e fatos isolados que parecem sem conexão, nos provocando a não acreditar em tudo que assistimos - mais ou menos como "Homeland" fez em suas primeiras temporadas, porém com o agravante de nos mostrar um universo pouco confortável, cheio de dogmas e costumes difíceis de digerir - um sentimento muito próximo da experiencia de assistir "Nada Ortodoxa"! Olha, "Califado" é uma série excelente, mas é pesada, tem cenas fortes e mexe com um assunto que mesmo parecendo muito distante, nos soa muito familiar!

O fanatismo e a irracionalidade são elementos narrativos certeiros para séries desse gênero e "Califado" bebe muito na mesma fonte de referências que vai de "24 horas" à, já citada,"Homeland". Justamente por isso, essa produção sueca se apoia em um nível de qualidade de produção excelente e na tradição nórdica de séries de investigação para entregar um drama focado nos personagens e não no terrorismo em si! A própria trama da personagem que investiga a denúncia do possível ataque e que supostamente seria a protagonista (Fatima), não tem a força dramática que as histórias de Sulle (e de sua família) e, principalmente, de Pervin - que, na minha opinião, rouba essa primeira temporada pra ela! Pervin vive em um ambiente claustrofóbico, onde o nível de tensão e o medo da morte é absurdo. O reflexo da sua jornada nos atinge a cada episódio e, por incrível que pareça, nos distancia de quem deveria ser a heroína - criando até uma certa antipatia por ela. Já Sulle funciona como ponto de reflexão, empatia e identificação para quem se coloca no lugar de seus pais - aqui a discussão ganha profundidade e, te garanto, é difícil encontrar as respostas!

O diretor Goran Kapetanovic é muito criativo na sua forma de contar a história - com uma câmera mais solta, nervosa até, temos a real impressão de sempre estarmos seguindo algum personagem e é incrível como o sentimento de insegurança e angústia toma conta de nós quando os perdemos de vista, mesmo com a câmera ainda se movimentando, meio perdida, até que nos encontramos com eles novamente - e quando isso acontece não gostamos muito do que vemos! Outro ponto que vale reparar é como Kapetanovic escolhe o que vai mostrar e mesmo quando ele só sugere, já sentimos exatamente a tensão que a cena pede - e isso acontece muito, reparem! A fotografia  do diretor Jonas Alarik segue muito a escola nórdica de enquadramento, porém sem aquele look gélido, azulado, frio, e sim trazendo o marrom, o calor, cheio de contrastes de Raqqa, na Síria, intercalando planos extremamente fechados com panorâmicas belíssimas. As cenas em Estocolmo seguem a mesma lógica, sempre com a preocupação de mostrar o que é real, sem maquiagem - e isso ajuda a contar a história de uma forma muito interessante. Me lembrou um filme alemão sensacional e que eu indico de olhos fechados, chamado  "Em pedaços".

"Califado" é uma ótima surpresa e um entretenimento de altíssima qualidade para quem gosta de séries de investigação, terrorismo e dramas pessoais. O roteiro nos prende do começo ao fim e, mesmo tendo um ou outro deslize, justifica a quantidade de elogios que a série vem recebendo da crítica. Agora é esperar o anuncio da segunda temporada!

Vale seu play sem o menor medo de errar!

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Antes de mais nada é preciso dizer que "Califado" é surpreendente e muito em breve deve cair no gosto de muitos assinantes da Netflix. Essa série sueca de 8 episódios é muito original, se não pelo tema, pela forma como retrata o terrorismo ao nos colocar dentro do extremismo devastador do Estado Islâmico! 

"Califado" acompanha três personagens-chaves, não por acaso, mulheres: Pervin (Gizem Erdogan) é uma sueca que mora na Síria e que vive o terror de viver com o marido Husam (Amed Bozan), jihadista do Estado Islâmico. Já Fatima (Aliette Opheim) é uma policial sueca que faz parte de um departamento que monitora atividades do Oriente Médio, muitas delas terroristas. E por fim, Sulle (Nora Rios), uma adolescente de 15 anos, adepta da religião muçulmana, que acredita que o governo sueco é contra sua crença e que a luta extremista do E.I. é 100% legítima! Embora as três histórias pareçam completamente distintas, elas começam a se interligar (e esse é um dos pontos altos da série) quando surge a suspeita que um possível ataque terrorista está sendo orquestrado a partir da Síria e que o alvo é a Suécia. Confira o trailer (dublado):

O maior mérito da série é o nível de tensão que ela vai criando - quase como uma bola de neve, eu diria. O roteiro é muito feliz ao criar uma complexa rede entre os personagens e fatos isolados que parecem sem conexão, nos provocando a não acreditar em tudo que assistimos - mais ou menos como "Homeland" fez em suas primeiras temporadas, porém com o agravante de nos mostrar um universo pouco confortável, cheio de dogmas e costumes difíceis de digerir - um sentimento muito próximo da experiencia de assistir "Nada Ortodoxa"! Olha, "Califado" é uma série excelente, mas é pesada, tem cenas fortes e mexe com um assunto que mesmo parecendo muito distante, nos soa muito familiar!

O fanatismo e a irracionalidade são elementos narrativos certeiros para séries desse gênero e "Califado" bebe muito na mesma fonte de referências que vai de "24 horas" à, já citada,"Homeland". Justamente por isso, essa produção sueca se apoia em um nível de qualidade de produção excelente e na tradição nórdica de séries de investigação para entregar um drama focado nos personagens e não no terrorismo em si! A própria trama da personagem que investiga a denúncia do possível ataque e que supostamente seria a protagonista (Fatima), não tem a força dramática que as histórias de Sulle (e de sua família) e, principalmente, de Pervin - que, na minha opinião, rouba essa primeira temporada pra ela! Pervin vive em um ambiente claustrofóbico, onde o nível de tensão e o medo da morte é absurdo. O reflexo da sua jornada nos atinge a cada episódio e, por incrível que pareça, nos distancia de quem deveria ser a heroína - criando até uma certa antipatia por ela. Já Sulle funciona como ponto de reflexão, empatia e identificação para quem se coloca no lugar de seus pais - aqui a discussão ganha profundidade e, te garanto, é difícil encontrar as respostas!

O diretor Goran Kapetanovic é muito criativo na sua forma de contar a história - com uma câmera mais solta, nervosa até, temos a real impressão de sempre estarmos seguindo algum personagem e é incrível como o sentimento de insegurança e angústia toma conta de nós quando os perdemos de vista, mesmo com a câmera ainda se movimentando, meio perdida, até que nos encontramos com eles novamente - e quando isso acontece não gostamos muito do que vemos! Outro ponto que vale reparar é como Kapetanovic escolhe o que vai mostrar e mesmo quando ele só sugere, já sentimos exatamente a tensão que a cena pede - e isso acontece muito, reparem! A fotografia  do diretor Jonas Alarik segue muito a escola nórdica de enquadramento, porém sem aquele look gélido, azulado, frio, e sim trazendo o marrom, o calor, cheio de contrastes de Raqqa, na Síria, intercalando planos extremamente fechados com panorâmicas belíssimas. As cenas em Estocolmo seguem a mesma lógica, sempre com a preocupação de mostrar o que é real, sem maquiagem - e isso ajuda a contar a história de uma forma muito interessante. Me lembrou um filme alemão sensacional e que eu indico de olhos fechados, chamado  "Em pedaços".

"Califado" é uma ótima surpresa e um entretenimento de altíssima qualidade para quem gosta de séries de investigação, terrorismo e dramas pessoais. O roteiro nos prende do começo ao fim e, mesmo tendo um ou outro deslize, justifica a quantidade de elogios que a série vem recebendo da crítica. Agora é esperar o anuncio da segunda temporada!

Vale seu play sem o menor medo de errar!

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Em Pedaços

"Em Pedaços" conta a história de Katia Sekerci (Diane Kruger), uma alemã que leva uma vida normal ao lado do marido turco Nuri (Numan Acar), e do filho de 7 anos. Certo dia, ela é surpreendida ao descobrir que ambos morreram devido a uma bomba colocada na frente do escritório do marido. Desesperada, Katia decide lutar por justiça ao descobrir que os responsáveis foram integrantes de um grupo neonazista. Veja o trailer:

Olha, "In the Fade" foi o vencedor do Golden Globe de 2018, foi indicado ao Palme d'Or e vencedor da categoria melhor atriz com Diane Kruger em Cannes. Sério, o filme é imperdível! Tenso do começo ao fim, é extremamente bem dirigido pelo alemão com descendência turca Fatih Akin, e tem um roteiro redondinho. Chega ser inacreditável que a Diane Kruger não tenha sido indicada ao Oscar de 2008 - ela está perfeita no filme!

A experiência de assistir esse filme sem saber muito sobre ele, é única!!! Faça isso que você não vai se arrepender!

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"Em Pedaços" conta a história de Katia Sekerci (Diane Kruger), uma alemã que leva uma vida normal ao lado do marido turco Nuri (Numan Acar), e do filho de 7 anos. Certo dia, ela é surpreendida ao descobrir que ambos morreram devido a uma bomba colocada na frente do escritório do marido. Desesperada, Katia decide lutar por justiça ao descobrir que os responsáveis foram integrantes de um grupo neonazista. Veja o trailer:

Olha, "In the Fade" foi o vencedor do Golden Globe de 2018, foi indicado ao Palme d'Or e vencedor da categoria melhor atriz com Diane Kruger em Cannes. Sério, o filme é imperdível! Tenso do começo ao fim, é extremamente bem dirigido pelo alemão com descendência turca Fatih Akin, e tem um roteiro redondinho. Chega ser inacreditável que a Diane Kruger não tenha sido indicada ao Oscar de 2008 - ela está perfeita no filme!

A experiência de assistir esse filme sem saber muito sobre ele, é única!!! Faça isso que você não vai se arrepender!

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Homeland

"Homeland" ganhou os principais prêmios no Emmy de 2012, entre eles o de melhor roteiro e melhor série dramática - o que foi uma surpresa na época. Na verdade, eu nunca havia me interessado pelo seu argumento, achava que seria "mais do mesmo"! Mas por causa dessa premiação resolvi assistir o "piloto" para entender como uma série sobre terrorismo conseguiu desbancar pesos-pesados que já acompanha como "Mad Men" e "Game of Thrones". Pois bem meus amigos, "Homeland" é genial! O roteiro de piloto é muito intrigante e chega a lembrar "24 horas" nos seus melhores anos. Não dá vontade parar de assistir. A estrutura do roteiro casa muito bem os dramas pessoais dos protagonistas (e é aí que Homeland dá um banho em 24 horas) com a tensão constante do terrorismo que está no argumento. É sensacional!

Após o desaparecimento de dois soldados americanos no Iraque, um deles, o sargento Nicholas Brody (Damian Lewis), retorna aos EUA após ser resgatado pelo exército. Repatriado, ele é recebido como herói pela família, pelos amigos e pelo governo. Porém a agente da CIA Carrie Mathison (Claire Danes), especialista em anti-terrorismo e que passou vários anos infiltrada no Afeganistão, não acredita que Brody seja realmente um herói de guerra - ela desconfia que ele é, na verdade, um espião iraquiano preparando o próximo ataque terrorista em solo dos EUA.

O ponto alto de "Homeland", como comentei acima, é a relação entre os dois personagens principais. Fica claro, logo de cara, que realmente existe algo de errado com Brody - suas atitudes remetem a uma série de referências ao islamismo ou a cultura daquela região, porém ninguém consegue reparar que essa sua postura pode significar algo que vai além do respeito às tradições. Carrie parece ser a única pessoa que consegue detectar algo suspeito nas atitudes de Brody, acontece que ela sofre de um distúrbio bipolar e sua obsessão em descobrir a verdade soa como desequilíbrio e paranóia para a maioria dos seus superiores, o que, óbvio, só a motiva em descobrir a verdade - mesmo que usando de artifícios pouco convencionais para uma agente da CIA.

É fato que o roteiro das primeiras temporadas são mais dinâmicos e inteligentes, porém a série, já com várias temporadas, consegue manter parte do seu público engajado mesmo com as trocas de elenco e as várias mudanças nas motivações de Carrie. Embora não seja uma antologia como em "24 horas", por exemplo, "Homeland" procura equilibrar suas histórias pontuais com os dramas que a protagonista tem que lidar para continuar sua caminhada como heroína. As vezes a série falha, parece perder o fôlego, mas de repente algo surge e trás um sentido novo que levanta a história novamente e a mantém sendo produzida - aliás, a produção continua excelente e mesmo com episódios de 2011, a série está em ótima forma no que diz respeito aos conceitos cinematográficos!

"Homeland" é uma livre adaptação de uma série israelense de muito sucesso chamada "Hatufim", que significa “Sequestrados” - traduzida para o inglês como "Prisioneiros de Guerra" .Ela vale cada episódio, cada temporada; e posso afirmar que já se transformou em uma referência que merece ser vista por quem gosta do gênero!

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"Homeland" ganhou os principais prêmios no Emmy de 2012, entre eles o de melhor roteiro e melhor série dramática - o que foi uma surpresa na época. Na verdade, eu nunca havia me interessado pelo seu argumento, achava que seria "mais do mesmo"! Mas por causa dessa premiação resolvi assistir o "piloto" para entender como uma série sobre terrorismo conseguiu desbancar pesos-pesados que já acompanha como "Mad Men" e "Game of Thrones". Pois bem meus amigos, "Homeland" é genial! O roteiro de piloto é muito intrigante e chega a lembrar "24 horas" nos seus melhores anos. Não dá vontade parar de assistir. A estrutura do roteiro casa muito bem os dramas pessoais dos protagonistas (e é aí que Homeland dá um banho em 24 horas) com a tensão constante do terrorismo que está no argumento. É sensacional!

Após o desaparecimento de dois soldados americanos no Iraque, um deles, o sargento Nicholas Brody (Damian Lewis), retorna aos EUA após ser resgatado pelo exército. Repatriado, ele é recebido como herói pela família, pelos amigos e pelo governo. Porém a agente da CIA Carrie Mathison (Claire Danes), especialista em anti-terrorismo e que passou vários anos infiltrada no Afeganistão, não acredita que Brody seja realmente um herói de guerra - ela desconfia que ele é, na verdade, um espião iraquiano preparando o próximo ataque terrorista em solo dos EUA.

O ponto alto de "Homeland", como comentei acima, é a relação entre os dois personagens principais. Fica claro, logo de cara, que realmente existe algo de errado com Brody - suas atitudes remetem a uma série de referências ao islamismo ou a cultura daquela região, porém ninguém consegue reparar que essa sua postura pode significar algo que vai além do respeito às tradições. Carrie parece ser a única pessoa que consegue detectar algo suspeito nas atitudes de Brody, acontece que ela sofre de um distúrbio bipolar e sua obsessão em descobrir a verdade soa como desequilíbrio e paranóia para a maioria dos seus superiores, o que, óbvio, só a motiva em descobrir a verdade - mesmo que usando de artifícios pouco convencionais para uma agente da CIA.

É fato que o roteiro das primeiras temporadas são mais dinâmicos e inteligentes, porém a série, já com várias temporadas, consegue manter parte do seu público engajado mesmo com as trocas de elenco e as várias mudanças nas motivações de Carrie. Embora não seja uma antologia como em "24 horas", por exemplo, "Homeland" procura equilibrar suas histórias pontuais com os dramas que a protagonista tem que lidar para continuar sua caminhada como heroína. As vezes a série falha, parece perder o fôlego, mas de repente algo surge e trás um sentido novo que levanta a história novamente e a mantém sendo produzida - aliás, a produção continua excelente e mesmo com episódios de 2011, a série está em ótima forma no que diz respeito aos conceitos cinematográficos!

"Homeland" é uma livre adaptação de uma série israelense de muito sucesso chamada "Hatufim", que significa “Sequestrados” - traduzida para o inglês como "Prisioneiros de Guerra" .Ela vale cada episódio, cada temporada; e posso afirmar que já se transformou em uma referência que merece ser vista por quem gosta do gênero!

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Interrompemos a Programação

"Prime Time" (que no Brasil ganhou o sugestivo título de "Interrompemos a Programação") chegou na Netflix com a chancela de ter sido indicado ao Grand Jury Prize de Sundance em 2021, porém, essa produção polonesa, certamente veio para entrar naquela prateleira de "ame ou odeie"!

A premissa é simples, mas excelente: Na véspera do Ano Novo de 1999, um homem armado invade um estúdio de uma TV de Varsóvia, fazendo um segurança e uma apresentadora como reféns, tendo apenas uma única exigência: entrar ao vivo em rede nacional para transmitir uma mensagem. Confira o trailer (dublado):

O Filme é dirigido por Jakub Piatek e conta com Bartosz Bielenia - ator que ganhou muita notoriedade por sua participação no ótimo "Corpus Christi" (de 2019), representante da Polônia na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar 2020. Embora estreante na função, Piatek teve muita personalidade ao escolher o caminho mais difícil para contar uma história aparentemente simples, mas cheia de camadas. Veja, a tensão de "Interrompemos a Programação" não se baseia na ação imersiva como no excelente "Utoya 22 de Julho" e sim na expectativa do que pode acontecer a qualquer momento e por motivos que não sabemos. Ao focar na cadência narrativa, o diretor deixa claro preferir o tom mais autoral, independente, e assume a responsabilidade por inúmeras criticas - muitas de quem via sua obra como uma nova visão de "Jogo do Dinheiro" de 2016, longa com George Clooney e Julia Roberts sobre um rapaz que invade um estúdio de TV armado e faz o apresentador refém.

Três cenas definem a força da narrativa apoiada nos detalhes e na sensibilidade do elenco. A primeira, sem dúvida, é o embate entre Sebastian e seu pai - se até ali o garoto parecia sem propósito ou força para assumir suas decisões, claramente após essa discussão, tudo ganha um novo rumo. Detalhe para o ótimo trabalho, tanto de  Bielenia quanto Juliusz Chrzastowski. Já na outra cena, vemos Mira (Magdalena Poplawska), visivelmente irritada ao ser contrariada pelos seus superiores, ligando para um contato na emissora concorrente, oferecendo uma transmissão exclusiva do seu sequestrador. Para finalizar, reparem na atitude da produtora executiva e diretora do programa de Mira, Laura (Malgorzata Hajewska), em uma das últimas cenas do filme.

Saiba que "Interrompemos a Programação" não é sobre os motivos que levaram Sebastian até ali - isso pouco importa na verdade. O filme é sobre a solidão do ser humano, sobre a vaidade, sobre a incompreensão e sobre o espetáculo, ainda que grotesco, que a mídia tenta impor com a desculpa de fazer jornalismo. Ah, e a critica politica é fácil de ser percebida em vários momentos - dentro e fora do estúdio onde 90% da narrativa acontece!

Eu entendo que pode ficar uma sensação, de certa forma até frustrante, de que o potencial de "Interrompemos a Programação" foi desperdiçado. Para alguns essa percepção será óbvia e o roteiro, em muitos momentos, colabora para esse mal-humor, mas convido nosso leitor a olhar além e buscar entender como o desespero pode nos levar a atitudes impensáveis - seja por medo ou, simplesmente, por vaidade!

Vale o play, mas com todos esses "poréns" bastante particulares que o filme não se preocupa em esconder. Filme para quem gosta do que não é óbvio!

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"Prime Time" (que no Brasil ganhou o sugestivo título de "Interrompemos a Programação") chegou na Netflix com a chancela de ter sido indicado ao Grand Jury Prize de Sundance em 2021, porém, essa produção polonesa, certamente veio para entrar naquela prateleira de "ame ou odeie"!

A premissa é simples, mas excelente: Na véspera do Ano Novo de 1999, um homem armado invade um estúdio de uma TV de Varsóvia, fazendo um segurança e uma apresentadora como reféns, tendo apenas uma única exigência: entrar ao vivo em rede nacional para transmitir uma mensagem. Confira o trailer (dublado):

O Filme é dirigido por Jakub Piatek e conta com Bartosz Bielenia - ator que ganhou muita notoriedade por sua participação no ótimo "Corpus Christi" (de 2019), representante da Polônia na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar 2020. Embora estreante na função, Piatek teve muita personalidade ao escolher o caminho mais difícil para contar uma história aparentemente simples, mas cheia de camadas. Veja, a tensão de "Interrompemos a Programação" não se baseia na ação imersiva como no excelente "Utoya 22 de Julho" e sim na expectativa do que pode acontecer a qualquer momento e por motivos que não sabemos. Ao focar na cadência narrativa, o diretor deixa claro preferir o tom mais autoral, independente, e assume a responsabilidade por inúmeras criticas - muitas de quem via sua obra como uma nova visão de "Jogo do Dinheiro" de 2016, longa com George Clooney e Julia Roberts sobre um rapaz que invade um estúdio de TV armado e faz o apresentador refém.

Três cenas definem a força da narrativa apoiada nos detalhes e na sensibilidade do elenco. A primeira, sem dúvida, é o embate entre Sebastian e seu pai - se até ali o garoto parecia sem propósito ou força para assumir suas decisões, claramente após essa discussão, tudo ganha um novo rumo. Detalhe para o ótimo trabalho, tanto de  Bielenia quanto Juliusz Chrzastowski. Já na outra cena, vemos Mira (Magdalena Poplawska), visivelmente irritada ao ser contrariada pelos seus superiores, ligando para um contato na emissora concorrente, oferecendo uma transmissão exclusiva do seu sequestrador. Para finalizar, reparem na atitude da produtora executiva e diretora do programa de Mira, Laura (Malgorzata Hajewska), em uma das últimas cenas do filme.

Saiba que "Interrompemos a Programação" não é sobre os motivos que levaram Sebastian até ali - isso pouco importa na verdade. O filme é sobre a solidão do ser humano, sobre a vaidade, sobre a incompreensão e sobre o espetáculo, ainda que grotesco, que a mídia tenta impor com a desculpa de fazer jornalismo. Ah, e a critica politica é fácil de ser percebida em vários momentos - dentro e fora do estúdio onde 90% da narrativa acontece!

Eu entendo que pode ficar uma sensação, de certa forma até frustrante, de que o potencial de "Interrompemos a Programação" foi desperdiçado. Para alguns essa percepção será óbvia e o roteiro, em muitos momentos, colabora para esse mal-humor, mas convido nosso leitor a olhar além e buscar entender como o desespero pode nos levar a atitudes impensáveis - seja por medo ou, simplesmente, por vaidade!

Vale o play, mas com todos esses "poréns" bastante particulares que o filme não se preocupa em esconder. Filme para quem gosta do que não é óbvio!

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Je Suis Karl

"Je Suis Karl" é um verdadeiro soco no estômago. Essa produção alemã usa muitos elementos de outros dois grandes sucessos do país: "Em Pedaços"e "Nós somos a Onda" - e aqui não estamos comparando as produções e sim pontuando características que facilmente conseguimos encontrar se olharmos com mais atenção para cada uma delas. Veja, "Je Suis Karl" explora várias camadas de uma complexa discussão sobre a imigração na Europa e seus reflexos em atentados terroristas, seja ele qual for a motivação - é um recorte de quem ataca e de quem é a vítima através de uma visão extremamente delicada sobre o extremismo e a ascensão da ultra direita.

Maxi Baier (Luna Wedler) é uma sobrevivente de um ataque terrorista que matou sua mãe e seus dois irmãos, restando apenas o pai. Em um belo dia, a jovem conhece Karl (Jannis Niewöhner), um sedutor estudante que a convida para um seminário de verão sobre a diversidade. Entretanto, na chamada para o evento destaca-se a frase “assuma o controle”. Juntos, eles se tornam parte de um movimento juvenil europeu que visa tomar, de fato, o poder a partir de ideias extremistas de supremacia branca. Confira o trailer (original):

Chancelado pela seleção no 71ª Festival de Berlin, o filme dirigido magistralmente por Christian Schwochow e escrito por Thomas Wendrich, apresenta uma reflexão sobre uma interpretação deturpada das origens e consequências de uma tragédia pelos olhos (e cliques) irresponsáveis de um grupo supremacista obcecado por suas estratégias de sedução - é impressionante a habilidade com que Schwochow vai quebrando a linha temporal e usando de conceitos estéticos para explorar uma narrativa que sobrepõe a dor com fanatismo, xenofobia e aliciamento, além, claro, da deturpação de valores morais com o único objetivo de mudar a mentalidade de pessoas aparentemente boas, mas facilmente influenciáveis - e aí está o grande problema (da humanidade em tempos de redes sociais).

Além de um roteiro bem redondinho e de uma direção com muita identidade, "Je Suis Karl" tem um conceito estética muito marcante, com uma fotografia deslumbrante que é potencializada por um trabalho de pós-produção das mais interessantes: reparem como as cores e as texturas se encaixam perfeitamente com a ambientação e com o clímax da história, seja em Berlim, Paris ou Praga. Mesmo em alguns momentos acima do tom, Maxi Baier faz um excelente trabalho ao lado de Jannis Niewöhner - mas a performance que mais me chamou a atenção foi a do pai de Maxi, Alex (Milan Peschel). Tem uma dor marcante no seu olhar que corta o coração.

"Je Suis Karl" tem uma levada independente que impacta na história e surpreende pelas escolhas narrativas que Schwochow e Wendrich fizeram. Saiba que o conflito prometido desde o início vai se transformando durante o segundo ato do filme e assim eliminando toda aquela previsibilidade que parecia natural, com isso a progressão das relações entre os personagens vão ganhando força e a interpretação de seus ideais, fatalmente, vai te provocar ótimas de reflexões - e esse é o ponto alto do filme!

Uma boa surpresa que vale cada minuto!

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"Je Suis Karl" é um verdadeiro soco no estômago. Essa produção alemã usa muitos elementos de outros dois grandes sucessos do país: "Em Pedaços"e "Nós somos a Onda" - e aqui não estamos comparando as produções e sim pontuando características que facilmente conseguimos encontrar se olharmos com mais atenção para cada uma delas. Veja, "Je Suis Karl" explora várias camadas de uma complexa discussão sobre a imigração na Europa e seus reflexos em atentados terroristas, seja ele qual for a motivação - é um recorte de quem ataca e de quem é a vítima através de uma visão extremamente delicada sobre o extremismo e a ascensão da ultra direita.

Maxi Baier (Luna Wedler) é uma sobrevivente de um ataque terrorista que matou sua mãe e seus dois irmãos, restando apenas o pai. Em um belo dia, a jovem conhece Karl (Jannis Niewöhner), um sedutor estudante que a convida para um seminário de verão sobre a diversidade. Entretanto, na chamada para o evento destaca-se a frase “assuma o controle”. Juntos, eles se tornam parte de um movimento juvenil europeu que visa tomar, de fato, o poder a partir de ideias extremistas de supremacia branca. Confira o trailer (original):

Chancelado pela seleção no 71ª Festival de Berlin, o filme dirigido magistralmente por Christian Schwochow e escrito por Thomas Wendrich, apresenta uma reflexão sobre uma interpretação deturpada das origens e consequências de uma tragédia pelos olhos (e cliques) irresponsáveis de um grupo supremacista obcecado por suas estratégias de sedução - é impressionante a habilidade com que Schwochow vai quebrando a linha temporal e usando de conceitos estéticos para explorar uma narrativa que sobrepõe a dor com fanatismo, xenofobia e aliciamento, além, claro, da deturpação de valores morais com o único objetivo de mudar a mentalidade de pessoas aparentemente boas, mas facilmente influenciáveis - e aí está o grande problema (da humanidade em tempos de redes sociais).

Além de um roteiro bem redondinho e de uma direção com muita identidade, "Je Suis Karl" tem um conceito estética muito marcante, com uma fotografia deslumbrante que é potencializada por um trabalho de pós-produção das mais interessantes: reparem como as cores e as texturas se encaixam perfeitamente com a ambientação e com o clímax da história, seja em Berlim, Paris ou Praga. Mesmo em alguns momentos acima do tom, Maxi Baier faz um excelente trabalho ao lado de Jannis Niewöhner - mas a performance que mais me chamou a atenção foi a do pai de Maxi, Alex (Milan Peschel). Tem uma dor marcante no seu olhar que corta o coração.

"Je Suis Karl" tem uma levada independente que impacta na história e surpreende pelas escolhas narrativas que Schwochow e Wendrich fizeram. Saiba que o conflito prometido desde o início vai se transformando durante o segundo ato do filme e assim eliminando toda aquela previsibilidade que parecia natural, com isso a progressão das relações entre os personagens vão ganhando força e a interpretação de seus ideais, fatalmente, vai te provocar ótimas de reflexões - e esse é o ponto alto do filme!

Uma boa surpresa que vale cada minuto!

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Jogo do Dinheiro

"Jogo do Dinheiro" é entretenimento puro, daqueles que será necessário uma boa dose de suspensão da realidade, mas que também te faz ficar grudado na tela durante seus 90 minutos de filme - e aqui cabe um comentário importante: mesmo com o filme sendo arquitetado para criar uma certa tensão, é a forma como os personagens vão se relacionando e construindo seus vínculos, que prende nossa atenção; não necessariamente as cenas de ação (mesmo com algumas sendo bem importantes).

Lee Gates (George Clooney) é o apresentador de um popular programa de TV chamado "Money Monster", onde presta uma espécie de consultoria financeira para sua audiência da forma mais debochada possível: ele canta, dança, pula, se veste de rapper, entra ao lado de dançarinas de palco - um autêntico showman! Diante da ingenuidade de quem segue seus conselhos, um deles, Kyle Budwell (Jack O’Connell) perde muito dinheiro devido a uma dessas dicas "infalíveis" de Lee, é quando, buscando vingança e explicações, faz do apresentador um refém em seu próprio programa e ao vivo. Lee conta com poucas pessoas para ajudá-lo a sair dessa situação, sendo a principal delas sua diretora Patty (Julia Roberts). Confira o trailer:

Diferente do recente "Interrompemos a Programação"- que tem um conceito narrativo mais autoral, independente e que tenta se aprofundar exclusivamente nos fantasmas por trás das motivações do protagonista; "Jogo do Dinheiro" foca muito mais na agilidade de um programa de TV ao vivo, com diferentes ângulos, cortes rápidos e uma urgência na transmissão da informação, custe o que custar. O interessante do roteiro, sem a menor dúvida, é a forma como é construída aquela atmosfera de tensão: de um lado o clichê, o tosco, o irônico e uma boa dose de humor (negro) personificado pelo apresentador Lee Gates; de outro, a critica social, a ingenuidade e o desespero de alguém que foi enganado (como vemos em tantos documentários sobre a relação com investidores de Wall Street) na figura de Kyle. 

O filme é dirigido pela Jodie Foster (sim, ela mesmo, a atriz de "Silêncio dos Inocentes"). Ela aproveita da dinâmica de urgência que a diretora na ficção (Patty) costuma imprimir no seu show para, em segundo plano, discutir questões importantes como a ganância de CEOs, a superficialidade da mídia americana e a irresponsabilidade de alguns programas "jornalísticos" que só pensam na audiência - mérito da conexão perfeita entre Foster e o roteiro de Jamie Linden, Alan DiFiore e Jim Kouf.

De fato, "Jogo do Dinheiro" é entretenimento, mas não esquece do conteúdo denunciativo para atender os mais atentos.

Vale a pena!

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"Jogo do Dinheiro" é entretenimento puro, daqueles que será necessário uma boa dose de suspensão da realidade, mas que também te faz ficar grudado na tela durante seus 90 minutos de filme - e aqui cabe um comentário importante: mesmo com o filme sendo arquitetado para criar uma certa tensão, é a forma como os personagens vão se relacionando e construindo seus vínculos, que prende nossa atenção; não necessariamente as cenas de ação (mesmo com algumas sendo bem importantes).

Lee Gates (George Clooney) é o apresentador de um popular programa de TV chamado "Money Monster", onde presta uma espécie de consultoria financeira para sua audiência da forma mais debochada possível: ele canta, dança, pula, se veste de rapper, entra ao lado de dançarinas de palco - um autêntico showman! Diante da ingenuidade de quem segue seus conselhos, um deles, Kyle Budwell (Jack O’Connell) perde muito dinheiro devido a uma dessas dicas "infalíveis" de Lee, é quando, buscando vingança e explicações, faz do apresentador um refém em seu próprio programa e ao vivo. Lee conta com poucas pessoas para ajudá-lo a sair dessa situação, sendo a principal delas sua diretora Patty (Julia Roberts). Confira o trailer:

Diferente do recente "Interrompemos a Programação"- que tem um conceito narrativo mais autoral, independente e que tenta se aprofundar exclusivamente nos fantasmas por trás das motivações do protagonista; "Jogo do Dinheiro" foca muito mais na agilidade de um programa de TV ao vivo, com diferentes ângulos, cortes rápidos e uma urgência na transmissão da informação, custe o que custar. O interessante do roteiro, sem a menor dúvida, é a forma como é construída aquela atmosfera de tensão: de um lado o clichê, o tosco, o irônico e uma boa dose de humor (negro) personificado pelo apresentador Lee Gates; de outro, a critica social, a ingenuidade e o desespero de alguém que foi enganado (como vemos em tantos documentários sobre a relação com investidores de Wall Street) na figura de Kyle. 

O filme é dirigido pela Jodie Foster (sim, ela mesmo, a atriz de "Silêncio dos Inocentes"). Ela aproveita da dinâmica de urgência que a diretora na ficção (Patty) costuma imprimir no seu show para, em segundo plano, discutir questões importantes como a ganância de CEOs, a superficialidade da mídia americana e a irresponsabilidade de alguns programas "jornalísticos" que só pensam na audiência - mérito da conexão perfeita entre Foster e o roteiro de Jamie Linden, Alan DiFiore e Jim Kouf.

De fato, "Jogo do Dinheiro" é entretenimento, mas não esquece do conteúdo denunciativo para atender os mais atentos.

Vale a pena!

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Manhunt: Unabomber

"Manhunt: Unabomber" passou batido no seu lançamento, mas, se você gosta de investigação, essa série é imperdível! Produzida pelo Discovery e distribuído pela Netflix, a série acompanha Jim 'Fitz' Fitzgerald (Sam Worthington) desde sua chegada ao FBI para ajudar no caso que ficou conhecido como "Unabomber" - sua função (ou especialidade), digamos, era muito inusitada para os anos 90: linguística. A busca pelo terrorista era tão improdutiva até ali que o FBI precisou arriscar e recorrer à Fitz porém seus métodos e conhecimentos eram completamente desacreditados em um momento tão delicado como esse. Confira no trailer:

De fato fica muito fácil torcer para que as análises de Fitz apresentem resultados que façam os que o denegriram se envergonharem - a cada vitória de Fitz só aumenta nossa vontade de continuar assistindo, ainda mais sabendo que seu "adversário" tinha uma forma meticulosa de enviar suas mensagens!

Ted Kaczynski (Paul Bettany), foi um gênio que frequentou Harvard com apenas 16 anos e desenvolveu uma espécie de filosofia de vida que foi "eruditamente redigida e publicada". Na verdade,  tudo que saia da boca de Ted precisava ser coerente perante as manipulações idealistas que ele mesmo propagava. As narrações que invocam trechos do manifesto de Ted na série, lembram muito os melhores momentos de "Seven" - sem demonizar essas ideias, apenas aproveitando para estudar o impacto que ela causaram nas pessoas que não estavam dispostas a explodir outras para se posicionar perante um determinado assunto!

Admito que não sou muito fã do protagonista (Sam Worthington), mas sua canastrice (no sentido profissional da palavra) não prejudicou sua performance na série. Aliás, séries de investigação/crime/terrorismo voltaram com tudo no final de 2017/2018, em um movimento, ou tendência, fácil de ser percebida e "Manhunt: Unabomber" é um ótimo exemplo de como o gênero conquista muita audiência se bem desenvolvido!

Pode dar o play tranquilamente que eu garanto!!!

Up-date: a segunda temporada, com outra história sobre o o mesmo assunto, já estreou nos EUA, mas ainda não tem data para chegar no Brasil. Ela pega carona no "O Caso Richard Jewell"que recentemente ganhou as telas pelas mãos do diretor Clint Eastwood e do roteirista Billy Ray. Confira o trailer aqui!

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"Manhunt: Unabomber" passou batido no seu lançamento, mas, se você gosta de investigação, essa série é imperdível! Produzida pelo Discovery e distribuído pela Netflix, a série acompanha Jim 'Fitz' Fitzgerald (Sam Worthington) desde sua chegada ao FBI para ajudar no caso que ficou conhecido como "Unabomber" - sua função (ou especialidade), digamos, era muito inusitada para os anos 90: linguística. A busca pelo terrorista era tão improdutiva até ali que o FBI precisou arriscar e recorrer à Fitz porém seus métodos e conhecimentos eram completamente desacreditados em um momento tão delicado como esse. Confira no trailer:

De fato fica muito fácil torcer para que as análises de Fitz apresentem resultados que façam os que o denegriram se envergonharem - a cada vitória de Fitz só aumenta nossa vontade de continuar assistindo, ainda mais sabendo que seu "adversário" tinha uma forma meticulosa de enviar suas mensagens!

Ted Kaczynski (Paul Bettany), foi um gênio que frequentou Harvard com apenas 16 anos e desenvolveu uma espécie de filosofia de vida que foi "eruditamente redigida e publicada". Na verdade,  tudo que saia da boca de Ted precisava ser coerente perante as manipulações idealistas que ele mesmo propagava. As narrações que invocam trechos do manifesto de Ted na série, lembram muito os melhores momentos de "Seven" - sem demonizar essas ideias, apenas aproveitando para estudar o impacto que ela causaram nas pessoas que não estavam dispostas a explodir outras para se posicionar perante um determinado assunto!

Admito que não sou muito fã do protagonista (Sam Worthington), mas sua canastrice (no sentido profissional da palavra) não prejudicou sua performance na série. Aliás, séries de investigação/crime/terrorismo voltaram com tudo no final de 2017/2018, em um movimento, ou tendência, fácil de ser percebida e "Manhunt: Unabomber" é um ótimo exemplo de como o gênero conquista muita audiência se bem desenvolvido!

Pode dar o play tranquilamente que eu garanto!!!

Up-date: a segunda temporada, com outra história sobre o o mesmo assunto, já estreou nos EUA, mas ainda não tem data para chegar no Brasil. Ela pega carona no "O Caso Richard Jewell"que recentemente ganhou as telas pelas mãos do diretor Clint Eastwood e do roteirista Billy Ray. Confira o trailer aqui!

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Memórias do 11 de Setembro

"Memórias do 11 de Setembro" talvez tenha sido a série documental que melhor pontuou os ataques ao World Trade Center em Nova York, especificamente. Se a excelente dinâmica narrativa, focada nos olhos das pessoas que testemunharam os ataques com suas câmeras, de "11/9 - A Vida sob Ataque" me impressionou pela humanidade e "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" trouxe um apanhado de informações e depoimentos que nos deu uma visão mais ampla sobre tudo que aconteceu naquele dia, posso te garantir que "9/11: One Day in America" (no original) é uma belíssima fusão desses dois conceitos.

Em colaboração com o "9/11 Memorial & Museum", essa série documental em seis episódios da National Geographic nos conduz por momentos angustiantes da manhã histórica de 11 de setembro de 2001 através de histórias, imagens e fotografias de quem esteve lá. São momentos tão emocionantes quanto impressionantes que valem cada segundo como se pode ter uma ideia já pelo trailer (em inglês), confira:

O Diretor Daniel Bogado (o mesmo do excelente "Bandidos na TV") não economiza nas cenas impactantes do terror que muitos personagens viveram e captaram há 20 anos atrás. São tantos ângulos e histórias que parecia até impossível que Bogado seria capaz de colocar tudo em uma linha do tempo e criar uma certa lógica narrativa para unir tantas pontas soltas - e é aqui que "9/11: One Day in America" se diferencia, pois a história é contada em depoimentos, mas a trama é construída com imagens que não só servem como apoio para a narrativa, mas também que se conecta exatamente por aquelas passagens no exato momento em que tudo acontece. Fico imaginando o quão difícil foi o trabalho de pesquisa e decupagem para encontrar os personagens dos depoimentos em tantas gravações, com tantas vítimas e em diversas fontes diferentes.

Em seis episódios, assistimos em detalhes tudo que aconteceu naquele dia de uma forma muito dinâmica graças a um roteiro excelente e uma montagem digna de muitos prêmios! A cada assunto, naturalmente surgem algumas dúvidas na nossa cabeça e é impressionante como a série responde todas elas e de uma forma que eu nunca tinha visto ou escutado falar - ou você sabia que o caças que foram designados para abater o voo 93 da United não estavam carregados com mísseis? Ok, então como eles derrubariam o avião? O documentário responde em depoimentos emocionantes!

São tanto elogios para essa produção que já o coloco entre um dos melhores do ano ao lado de "9/11: Inside the President's War Room" da Apple. Eu diria até que talvez tenhamos aqui o documentário com relatos mais interessantes e melhor ilustrados com imagens amadoras, além de cinematograficamente a série melhor finalizada - tecnicamente impecável! Reparem em dois elementos bem marcantes: na linda fotografia dos depoimentos e como os enquadramentos são cuidadosamente guiados pela emoção das pessoas; e no desenho de som que nos transporta exatamente para o local dos ataques e nos transmitem tanta angústia que chega a impressionar.

Olha, vale muito a pena mesmo! Imperdível!

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"Memórias do 11 de Setembro" talvez tenha sido a série documental que melhor pontuou os ataques ao World Trade Center em Nova York, especificamente. Se a excelente dinâmica narrativa, focada nos olhos das pessoas que testemunharam os ataques com suas câmeras, de "11/9 - A Vida sob Ataque" me impressionou pela humanidade e "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" trouxe um apanhado de informações e depoimentos que nos deu uma visão mais ampla sobre tudo que aconteceu naquele dia, posso te garantir que "9/11: One Day in America" (no original) é uma belíssima fusão desses dois conceitos.

Em colaboração com o "9/11 Memorial & Museum", essa série documental em seis episódios da National Geographic nos conduz por momentos angustiantes da manhã histórica de 11 de setembro de 2001 através de histórias, imagens e fotografias de quem esteve lá. São momentos tão emocionantes quanto impressionantes que valem cada segundo como se pode ter uma ideia já pelo trailer (em inglês), confira:

O Diretor Daniel Bogado (o mesmo do excelente "Bandidos na TV") não economiza nas cenas impactantes do terror que muitos personagens viveram e captaram há 20 anos atrás. São tantos ângulos e histórias que parecia até impossível que Bogado seria capaz de colocar tudo em uma linha do tempo e criar uma certa lógica narrativa para unir tantas pontas soltas - e é aqui que "9/11: One Day in America" se diferencia, pois a história é contada em depoimentos, mas a trama é construída com imagens que não só servem como apoio para a narrativa, mas também que se conecta exatamente por aquelas passagens no exato momento em que tudo acontece. Fico imaginando o quão difícil foi o trabalho de pesquisa e decupagem para encontrar os personagens dos depoimentos em tantas gravações, com tantas vítimas e em diversas fontes diferentes.

Em seis episódios, assistimos em detalhes tudo que aconteceu naquele dia de uma forma muito dinâmica graças a um roteiro excelente e uma montagem digna de muitos prêmios! A cada assunto, naturalmente surgem algumas dúvidas na nossa cabeça e é impressionante como a série responde todas elas e de uma forma que eu nunca tinha visto ou escutado falar - ou você sabia que o caças que foram designados para abater o voo 93 da United não estavam carregados com mísseis? Ok, então como eles derrubariam o avião? O documentário responde em depoimentos emocionantes!

São tanto elogios para essa produção que já o coloco entre um dos melhores do ano ao lado de "9/11: Inside the President's War Room" da Apple. Eu diria até que talvez tenhamos aqui o documentário com relatos mais interessantes e melhor ilustrados com imagens amadoras, além de cinematograficamente a série melhor finalizada - tecnicamente impecável! Reparem em dois elementos bem marcantes: na linda fotografia dos depoimentos e como os enquadramentos são cuidadosamente guiados pela emoção das pessoas; e no desenho de som que nos transporta exatamente para o local dos ataques e nos transmitem tanta angústia que chega a impressionar.

Olha, vale muito a pena mesmo! Imperdível!

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Messiah

Desde o lançamento do trailer, "Messiah" chamou atenção em dois aspectos: trazia uma discussão extremamente criativa (e se o Messias retornasse nos dias de hoje com toda essa tecnologia de disseminação de informação - inclusive as "fake news"?) e um nível de produção que colocou o projeto como o primeiro grande lançamento da Netflix para ano de 2020 - você pode ler esse post e assistir o trailer aqui! O fato é que "Messiah" chamou a atenção e mesmo com um certo receio de ser uma grande bobagem, assistimos toda primeira temporada tão rápido que já estamos torcendo para a chegada dos novos episódios em (provavelmente) 2021! A série conta a história de um homem (Mehdi Dehbi) que surge em meio a um conflito no Oriente Médio e chama a atenção do mundo pelos seus supostos milagres e sua mensagem de paz. Com um número de seguidores cada vez maior, todos os seus passos se tornam um evento e um perigo iminente - afinal não se sabe a verdadeira origem desse (falso?) profeta e o que ele será capaz de fazer com a multidão que o acompanha! Uma agente da CIA (Michelle Monaghan) começa uma investigação e com a "ajuda" do FBI acaba se infiltrando em uma enorme rede de conspiração politica, religiosa e ideológica com o único objetivo de desmascarar Al-Massih. A série tem elementos muito parecidos com "Homeland", então se você acompanhou a história de Brody e Carrie é bem provável que você não vá conseguir parar de assistir "Messiah". Vale muito a pena!!!!

Assista Agora ou

Desde o lançamento do trailer, "Messiah" chamou atenção em dois aspectos: trazia uma discussão extremamente criativa (e se o Messias retornasse nos dias de hoje com toda essa tecnologia de disseminação de informação - inclusive as "fake news"?) e um nível de produção que colocou o projeto como o primeiro grande lançamento da Netflix para ano de 2020 - você pode ler esse post e assistir o trailer aqui! O fato é que "Messiah" chamou a atenção e mesmo com um certo receio de ser uma grande bobagem, assistimos toda primeira temporada tão rápido que já estamos torcendo para a chegada dos novos episódios em (provavelmente) 2021! A série conta a história de um homem (Mehdi Dehbi) que surge em meio a um conflito no Oriente Médio e chama a atenção do mundo pelos seus supostos milagres e sua mensagem de paz. Com um número de seguidores cada vez maior, todos os seus passos se tornam um evento e um perigo iminente - afinal não se sabe a verdadeira origem desse (falso?) profeta e o que ele será capaz de fazer com a multidão que o acompanha! Uma agente da CIA (Michelle Monaghan) começa uma investigação e com a "ajuda" do FBI acaba se infiltrando em uma enorme rede de conspiração politica, religiosa e ideológica com o único objetivo de desmascarar Al-Massih. A série tem elementos muito parecidos com "Homeland", então se você acompanhou a história de Brody e Carrie é bem provável que você não vá conseguir parar de assistir "Messiah". Vale muito a pena!!!!

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Nós somos a Onda

"Nós somos a Onda" se apoia apenas na idéia do experimento real que aconteceu em 1967 nos EUA e que, posteriormente, foi documentado no livro a “A Onda”, de Todd Strasser, e que gerou ótimas adaptações, em 1981 (para TV) e em 2008 (para o cinema). A série é uma mistura de "The Bling Ring" com "A Casa de Papel" - mas mesmo assim é preciso dizer que essa produção alemã é, sem dúvida, a melhor série feita para o público adolescente que a Netflix lançou recentemente. Para os mais exigentes, fica claro desde o início que será preciso uma boa dose de suspensão da realidade para embarcar na história, mas como entretenimento os episódios fluem muito bem e divertem.

"Nós somos a Onda" acompanha um grupo de adolescentes de uma pequena cidade alemã que criam uma espécie de movimento ativista onde o principal inimigo não é necessariamente o extremismo político ou ideológico, mas sim uma vertente do capitalismo inconsequente, opressor e, muitas vezes, até segregador... Funciona, porque existe uma linha muito clara de desenvolvimento de personagens que, de alguma forma, lida (ou lidou) com tal problema e a própria maneira como a narrativa vai apresentando "caso a caso" fica muito alinhada à forte personalidade visual da série - inclusive, essa é uma característica do cinema alemão (bem na linha de "Dark") que coloca "Nós somos a Onda" em um patamar diferente do que estamos costumados a encontrar nas recentes produções americanas para o mesmo público. Olha, como entretenimento despretensioso, vale o play.

Quando Tristan Broch (Ludwig Simon) chega a escola; Zazie (Michelle Barthel), Hagen (Daniel Friedl) e Rahim Hadad (Mohamed Issa) percebem que agora existe alguém onde eles podem se apoiar. Os três sofrem bullying diariamente por motivos distintos, mas Tristan tenta ajuda-los a lidar com esse problema, criando assim uma forte relação entre eles. Isso chama atenção de Lea Herst (Luise Befort), a garota bem nascida e popular, que resolve se aproximar do grupo rebelde quando percebe que as coisas não deveriam ser da maneira como sempre foram apresentadas para ela - é perceptível esse choque de realidades e Luise Befort não decepciona no trabalho de atriz! Grupo estabelecido, não por acaso denominado "A Onda", eles começam a atuar como uma forma de resistência contra o capitalismo que sempre ditou o rumo desses personagens - e aqui começa a surgir o diferencial da série: "Nós somos a Onda" trás uma reflexão social relevante, mas que evita cravar uma bandeira irresponsável quando, com o passar dos episódios, desmistifica o espírito aventureiro e inconsequente dos adolescentes, mostrando que para cada ação existe uma consequência real e que manter o controle sobre uma multidão de pessoas tão diferentes, é quase impossível (e como isso enfraquece uma causa legítima). Veja o trailer:

Como no filme, será natural que muitos se aproximem do discurso polarizado que vivemos no mundo de hoje; mas não acredito que isso interfira na experiência de quem se propõe a ter alguns minutos de entretenimento e diversão. O próprio roteiro suaviza as discussões reais e nos leva para ficção de uma forma bem natural - isso poderia ser um problema, mas no caso, acaba funcionando como um alivio já que fica claro se tratar de algo distante da nossa realidade - como em "A Casa de Papel" por exemplo. Aliás, o roteiro perde uma grande chance de elevar sua proposta no quinto e no sexto episódios - ele flerta com o surpreendente, mas recua em nome do romantismo barato. Uma pena! Fora isso, a produção está impecável: as locações e a trilha sonora criam um universo interessante, fortalecendo aquele ar de rebeldia da juventude alemã dos anos 80/90 apoiado em uma fotografia belíssima do Jan-Marcello Kahl com movimentos de câmera que criam agilidade, ação e envolvimento com os episódios, além dos lindos planos abertos de tirar o fôlego. A direção é dividida entre a romena Anca Miruna Lazarescu e o alemão Mark Monheim (premiado diretor com o ótimo "About the Girl" de 2014). Ah, o elenco adolescente é realmente muito bom, acima da média.

"Nós somos a Onda" talvez não tenha a profundidade de "Areia Movediça", mas é uma série interessante e merece uma chance. São 6 episódios de 50 minutos em média - daquelas ótimas para matar no final de semana chuvoso!!! Vale a pena!

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"Nós somos a Onda" se apoia apenas na idéia do experimento real que aconteceu em 1967 nos EUA e que, posteriormente, foi documentado no livro a “A Onda”, de Todd Strasser, e que gerou ótimas adaptações, em 1981 (para TV) e em 2008 (para o cinema). A série é uma mistura de "The Bling Ring" com "A Casa de Papel" - mas mesmo assim é preciso dizer que essa produção alemã é, sem dúvida, a melhor série feita para o público adolescente que a Netflix lançou recentemente. Para os mais exigentes, fica claro desde o início que será preciso uma boa dose de suspensão da realidade para embarcar na história, mas como entretenimento os episódios fluem muito bem e divertem.

"Nós somos a Onda" acompanha um grupo de adolescentes de uma pequena cidade alemã que criam uma espécie de movimento ativista onde o principal inimigo não é necessariamente o extremismo político ou ideológico, mas sim uma vertente do capitalismo inconsequente, opressor e, muitas vezes, até segregador... Funciona, porque existe uma linha muito clara de desenvolvimento de personagens que, de alguma forma, lida (ou lidou) com tal problema e a própria maneira como a narrativa vai apresentando "caso a caso" fica muito alinhada à forte personalidade visual da série - inclusive, essa é uma característica do cinema alemão (bem na linha de "Dark") que coloca "Nós somos a Onda" em um patamar diferente do que estamos costumados a encontrar nas recentes produções americanas para o mesmo público. Olha, como entretenimento despretensioso, vale o play.

Quando Tristan Broch (Ludwig Simon) chega a escola; Zazie (Michelle Barthel), Hagen (Daniel Friedl) e Rahim Hadad (Mohamed Issa) percebem que agora existe alguém onde eles podem se apoiar. Os três sofrem bullying diariamente por motivos distintos, mas Tristan tenta ajuda-los a lidar com esse problema, criando assim uma forte relação entre eles. Isso chama atenção de Lea Herst (Luise Befort), a garota bem nascida e popular, que resolve se aproximar do grupo rebelde quando percebe que as coisas não deveriam ser da maneira como sempre foram apresentadas para ela - é perceptível esse choque de realidades e Luise Befort não decepciona no trabalho de atriz! Grupo estabelecido, não por acaso denominado "A Onda", eles começam a atuar como uma forma de resistência contra o capitalismo que sempre ditou o rumo desses personagens - e aqui começa a surgir o diferencial da série: "Nós somos a Onda" trás uma reflexão social relevante, mas que evita cravar uma bandeira irresponsável quando, com o passar dos episódios, desmistifica o espírito aventureiro e inconsequente dos adolescentes, mostrando que para cada ação existe uma consequência real e que manter o controle sobre uma multidão de pessoas tão diferentes, é quase impossível (e como isso enfraquece uma causa legítima). Veja o trailer:

Como no filme, será natural que muitos se aproximem do discurso polarizado que vivemos no mundo de hoje; mas não acredito que isso interfira na experiência de quem se propõe a ter alguns minutos de entretenimento e diversão. O próprio roteiro suaviza as discussões reais e nos leva para ficção de uma forma bem natural - isso poderia ser um problema, mas no caso, acaba funcionando como um alivio já que fica claro se tratar de algo distante da nossa realidade - como em "A Casa de Papel" por exemplo. Aliás, o roteiro perde uma grande chance de elevar sua proposta no quinto e no sexto episódios - ele flerta com o surpreendente, mas recua em nome do romantismo barato. Uma pena! Fora isso, a produção está impecável: as locações e a trilha sonora criam um universo interessante, fortalecendo aquele ar de rebeldia da juventude alemã dos anos 80/90 apoiado em uma fotografia belíssima do Jan-Marcello Kahl com movimentos de câmera que criam agilidade, ação e envolvimento com os episódios, além dos lindos planos abertos de tirar o fôlego. A direção é dividida entre a romena Anca Miruna Lazarescu e o alemão Mark Monheim (premiado diretor com o ótimo "About the Girl" de 2014). Ah, o elenco adolescente é realmente muito bom, acima da média.

"Nós somos a Onda" talvez não tenha a profundidade de "Areia Movediça", mas é uma série interessante e merece uma chance. São 6 episódios de 50 minutos em média - daquelas ótimas para matar no final de semana chuvoso!!! Vale a pena!

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O Caso Richard Jewell

"O Caso Richard Jewell" não é um filme de investigação, é um filme de empatia! 

Richard Jewell (Paul Walter Hauser) sempre sonhou em se tornar policial, mas entre um bico e outro, acabou como segurança nos jogos olímpicos de Atlanta em 1996. No dia 27 de julho, durante um show no Centennial Olympic Park, Jewell reparou em uma mochila que estava largada próximo a torre de iluminação. Receoso, ele chamou a policia local e depois o esquadrão anti-bombas - ambos não puderam fazer nada a tempo: a bomba explodiu, matando duas pessoas e ferindo outras 112. Certamente a tragédia teria sido ainda maior se Richard Jewell não tivesse agido rápido, afastando o máximo de pessoas possíveis do local da explosão. Da noite para o dia ele se tornou um herói, uma celebridade instantânea, até que um investigador do FBI sugeriu que ele pudesse ser o principal suspeito, vazando a informação para a jornalista Kathy Scruggs (Olivia Wilde) que, irresponsavelmente, o colocou em um perfil completamente estereotipado de quem seria capaz de cometer um atentado terrorista para chamar a atenção. O fato é que Jewell e sua mãe Bobi (Kathy Bates) passam a viver um inferno, sendo massacrados pela mídia e perseguidos pelo FBI.

A escolha do diretor Clint Eastwood e do roteirista Billy Ray (Captain Phillips) em contar essa história real pelos olhos inocentes de Richard Jewell, transforma nossa percepção sobre o caso e nos provoca à reflexão sobre aqueles personagens de uma forma muito próxima, quase familiar, emotiva até! Olha, vale muito a pena! O filme estreia dia 2 de janeiro e é cotado para, pelo menos, 2 ou 3 indicações no Oscar 2020! 

Embora a história seja muito interessante e nos prenda por mais de duas horas, a força do filme está, sem dúvida, no seu elenco: Paul Walter Hauser está sensacional e, para mim, seria um dos indicados no Oscar, porém sua ausência no Globo de Ouro ligou um sinal de alerta. O mesmo serve para o excelente Sam Rockwell como o advogado Watson Bryant - ele está perfeito, mas vai cair em uma das categorias mais disputadas e que deve contar com Joe Pesci (O irlandês), Anthony Hopkins (Dois papas) e Brad Pitt (Era uma Vez em Hollywood). Kathy Bates tem uma das cenas mais emocionantes que eu assisti em 2019 - um monólogo que vale o filme e que a credencia como uma das favoritas para melhor atriz coadjuvante. Até Olivia Wilde mereceria uma indicação, mas acho que não será dessa vez: sua postura como uma repórter ambiciosa é irritante ao mesmo tempo que muito charmosa - aliás, uma das polêmicas que o filme gerou diz respeito a sua personagem que, teoricamente, teria oferecido sexo em troca de uma informação. Kathy Scruggs faleceu em 2001, mas a A Cox Enterprises, responsável pelo diário Atlanta Journal-Constitutionque deu o furo na época, enviou uma carta aberta para o diretor Clint Eastwood, afirmando que sua versão para os fatos seria "errada e malévola [...] difamatória e destruidora de reputações"! O fato é que essa polêmica, em tempos de #MeToo, deve atrapalhar a corrida do filme pela disputa do prêmio máximo do Oscar.

Outros fatores contribuem para o ótimo resultado de "O Caso Richard Jewell". Sem muita inventividade , mas com muita competência, a direção de Eastwood é infinitamente melhor do que em "15h17 - Trem para Paris". A montagem de Joel Cox (Os Imperdoáveis e American Sniper) cria uma dinâmica bastante interessante, embora muito linear, mistura bem o que é arquivo e o que é ficção. A trilha sonora do Arturo Sandoval (três vezes vencedor do Grammy) ajuda a dar o tom emocional que o roteiro propõe com muita habilidade. Outro elemento que pode passar batido, mas que é muito interessante é a bela fotografia de Yves Bélanger (o cara por trás de Big Little Lies da HBO e de Clube de Compras Dallas). 

"O Caso Richard Jewell" é um filme com potencial para fazer barulho graças ao excelente trabalho de um elenco acima da média! O roteiro, mesmo acertando no conceito narrativo, dá umas pequenas vaciladas, deixando algumas ações sem muita explicação (até aí, ok) ou aprofundamento (como a dor no peito de Richard Jewell ou a crise de consciência Kathy Scruggs durante a entrevista coletiva da mãe de Richard) - dá a impressão que algo não entrou no corte final, sabe? De modo geral eu gostei muito do filme e digo que vale muito a pena! Indico de olhos fechados e com o coração apertado ao lembrar da cena da Kathy Bates!!!

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"O Caso Richard Jewell" não é um filme de investigação, é um filme de empatia! 

Richard Jewell (Paul Walter Hauser) sempre sonhou em se tornar policial, mas entre um bico e outro, acabou como segurança nos jogos olímpicos de Atlanta em 1996. No dia 27 de julho, durante um show no Centennial Olympic Park, Jewell reparou em uma mochila que estava largada próximo a torre de iluminação. Receoso, ele chamou a policia local e depois o esquadrão anti-bombas - ambos não puderam fazer nada a tempo: a bomba explodiu, matando duas pessoas e ferindo outras 112. Certamente a tragédia teria sido ainda maior se Richard Jewell não tivesse agido rápido, afastando o máximo de pessoas possíveis do local da explosão. Da noite para o dia ele se tornou um herói, uma celebridade instantânea, até que um investigador do FBI sugeriu que ele pudesse ser o principal suspeito, vazando a informação para a jornalista Kathy Scruggs (Olivia Wilde) que, irresponsavelmente, o colocou em um perfil completamente estereotipado de quem seria capaz de cometer um atentado terrorista para chamar a atenção. O fato é que Jewell e sua mãe Bobi (Kathy Bates) passam a viver um inferno, sendo massacrados pela mídia e perseguidos pelo FBI.

A escolha do diretor Clint Eastwood e do roteirista Billy Ray (Captain Phillips) em contar essa história real pelos olhos inocentes de Richard Jewell, transforma nossa percepção sobre o caso e nos provoca à reflexão sobre aqueles personagens de uma forma muito próxima, quase familiar, emotiva até! Olha, vale muito a pena! O filme estreia dia 2 de janeiro e é cotado para, pelo menos, 2 ou 3 indicações no Oscar 2020! 

Embora a história seja muito interessante e nos prenda por mais de duas horas, a força do filme está, sem dúvida, no seu elenco: Paul Walter Hauser está sensacional e, para mim, seria um dos indicados no Oscar, porém sua ausência no Globo de Ouro ligou um sinal de alerta. O mesmo serve para o excelente Sam Rockwell como o advogado Watson Bryant - ele está perfeito, mas vai cair em uma das categorias mais disputadas e que deve contar com Joe Pesci (O irlandês), Anthony Hopkins (Dois papas) e Brad Pitt (Era uma Vez em Hollywood). Kathy Bates tem uma das cenas mais emocionantes que eu assisti em 2019 - um monólogo que vale o filme e que a credencia como uma das favoritas para melhor atriz coadjuvante. Até Olivia Wilde mereceria uma indicação, mas acho que não será dessa vez: sua postura como uma repórter ambiciosa é irritante ao mesmo tempo que muito charmosa - aliás, uma das polêmicas que o filme gerou diz respeito a sua personagem que, teoricamente, teria oferecido sexo em troca de uma informação. Kathy Scruggs faleceu em 2001, mas a A Cox Enterprises, responsável pelo diário Atlanta Journal-Constitutionque deu o furo na época, enviou uma carta aberta para o diretor Clint Eastwood, afirmando que sua versão para os fatos seria "errada e malévola [...] difamatória e destruidora de reputações"! O fato é que essa polêmica, em tempos de #MeToo, deve atrapalhar a corrida do filme pela disputa do prêmio máximo do Oscar.

Outros fatores contribuem para o ótimo resultado de "O Caso Richard Jewell". Sem muita inventividade , mas com muita competência, a direção de Eastwood é infinitamente melhor do que em "15h17 - Trem para Paris". A montagem de Joel Cox (Os Imperdoáveis e American Sniper) cria uma dinâmica bastante interessante, embora muito linear, mistura bem o que é arquivo e o que é ficção. A trilha sonora do Arturo Sandoval (três vezes vencedor do Grammy) ajuda a dar o tom emocional que o roteiro propõe com muita habilidade. Outro elemento que pode passar batido, mas que é muito interessante é a bela fotografia de Yves Bélanger (o cara por trás de Big Little Lies da HBO e de Clube de Compras Dallas). 

"O Caso Richard Jewell" é um filme com potencial para fazer barulho graças ao excelente trabalho de um elenco acima da média! O roteiro, mesmo acertando no conceito narrativo, dá umas pequenas vaciladas, deixando algumas ações sem muita explicação (até aí, ok) ou aprofundamento (como a dor no peito de Richard Jewell ou a crise de consciência Kathy Scruggs durante a entrevista coletiva da mãe de Richard) - dá a impressão que algo não entrou no corte final, sabe? De modo geral eu gostei muito do filme e digo que vale muito a pena! Indico de olhos fechados e com o coração apertado ao lembrar da cena da Kathy Bates!!!

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O Mistério de D.B. Cooper

Sério, se eu estivesse assistindo um filme de ação e visse a cena que esse documentário descreve, eu provavelmente criticaria o roteiro pela falta de veracidade da solução! O que faz de "O Mistério de D.B. Cooper" um documentário inacreditável é o mesmo elemento que nos prende a cada história sobre quem seria o autor da façanha: a dúvida!

D.B. Cooper é um dos mais misteriosos sequestradores de aviões que vamos conhecer, até porquê sua verdadeira identidade nunca foi descoberta. O documentário conta a história de um fato que aconteceu em 1971, quando um passageiro entra com uma bomba em um avião doméstico nos EUA e exige um resgate de 200.000 dólares e mais 4 para-quedas. O curioso, porém, é o plano do sequestrador: para conseguir escapar, ele salta de um Boeing 737 em pleno voo! Desde então, nada mais se soube sobre o que aconteceu com Cooper ou com o dinheiro que ele levou. Confira o trailer: 

Talvez o grande mérito desse documentário da HBO é o tom escolhido para contar uma história tão mirabolante. Como se conta uma mentira, onde cada um dá sua versão, o diretor John Dower (do premiado "Thrilla in Manila") se diverte com as mais variadas versões sobre o fato, e melhor: sobre quem foi, de fato, o protagonista. Como D.B. Cooper nunca foi capturado, várias teorias foram criadas ao redor da identidade do sequestrador. Com isso Dower aproveita as lacunas deixadas na investigação para traçar sua versão sobre o acontecido e como quatro dos principais suspeitos se encaixam na história. 

Essa dinâmica despretensiosa, mistura reportagens de arquivo com depoimentos de quem esteve envolvido nas investigações e até de pessoas que "juram de pé junto" ter conhecido o verdadeiro Cooper. Cada uma com sua própria versão da verdade, como uma peça de um grande quebra-cabeça, somos provocados a investigar cada pequeno detalhe que poderia ter escapado do FBI, em uma época sem tantos recursos para solucionar um caso como esse!

"O Mistério de D.B. Cooper" é daquelas histórias para contar na mesa do bar e que ninguém vai acreditar - até por isso perdoamos o fato do documentário não nos trazer uma resposta definitiva, afinal é aí que está a graça! Vale muito a pena!

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Sério, se eu estivesse assistindo um filme de ação e visse a cena que esse documentário descreve, eu provavelmente criticaria o roteiro pela falta de veracidade da solução! O que faz de "O Mistério de D.B. Cooper" um documentário inacreditável é o mesmo elemento que nos prende a cada história sobre quem seria o autor da façanha: a dúvida!

D.B. Cooper é um dos mais misteriosos sequestradores de aviões que vamos conhecer, até porquê sua verdadeira identidade nunca foi descoberta. O documentário conta a história de um fato que aconteceu em 1971, quando um passageiro entra com uma bomba em um avião doméstico nos EUA e exige um resgate de 200.000 dólares e mais 4 para-quedas. O curioso, porém, é o plano do sequestrador: para conseguir escapar, ele salta de um Boeing 737 em pleno voo! Desde então, nada mais se soube sobre o que aconteceu com Cooper ou com o dinheiro que ele levou. Confira o trailer: 

Talvez o grande mérito desse documentário da HBO é o tom escolhido para contar uma história tão mirabolante. Como se conta uma mentira, onde cada um dá sua versão, o diretor John Dower (do premiado "Thrilla in Manila") se diverte com as mais variadas versões sobre o fato, e melhor: sobre quem foi, de fato, o protagonista. Como D.B. Cooper nunca foi capturado, várias teorias foram criadas ao redor da identidade do sequestrador. Com isso Dower aproveita as lacunas deixadas na investigação para traçar sua versão sobre o acontecido e como quatro dos principais suspeitos se encaixam na história. 

Essa dinâmica despretensiosa, mistura reportagens de arquivo com depoimentos de quem esteve envolvido nas investigações e até de pessoas que "juram de pé junto" ter conhecido o verdadeiro Cooper. Cada uma com sua própria versão da verdade, como uma peça de um grande quebra-cabeça, somos provocados a investigar cada pequeno detalhe que poderia ter escapado do FBI, em uma época sem tantos recursos para solucionar um caso como esse!

"O Mistério de D.B. Cooper" é daquelas histórias para contar na mesa do bar e que ninguém vai acreditar - até por isso perdoamos o fato do documentário não nos trazer uma resposta definitiva, afinal é aí que está a graça! Vale muito a pena!

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