Viu Review - ml-vc

A Casa

"A Casa" é mais um suspense psicológico que vem da Espanha e que justifica seu sucesso. Embora tenha lido muita gente reclamando do final (algo que se repetiu no ótimo "O Poço"), posso dizer tranquilamente que o filme entrega o que promete - angústia e mal estar!

Javier Muñoz (Javier Gutierrez) é um publicitário muito conhecido em Barcelona que está desempregado há algum tempo. O temor iminente de uma queda de padrão social só aumenta a cada entrevista de emprego frustada. Marga (Ruth Díaz), sua esposa, sugere a Javier que se mudem para um apartamento mais simples até que as coisas se restabeleçam. Acontece que Javier não se conforma com a situação, sente-se humilhado, inseguro. Quando ele vê o jovem casal que agora mora no seu antigo apartamento e que parece viver uma vida perfeita, ele é tomado pela inveja e a partir daí, começa a arquitetar um plano minucioso para retomar o seu antigo status e a felicidade de viver no topo. Confira o trailer:

O filme é ótimo, mas se você espera um thriller ao melhor estilo americano , esqueça, "A Casa" não é para você! O filme tem um levada psicológica menos intensa na ação - ele funciona muito mais na empatia que sentimos pelo personagem, mesmo sabendo que suas atitudes vão se distanciando cada vez mais dos nosso valores. É quase o sentimento que tínhamos pelo inesquecível Walter White de "Breaking Bad". Isso não é uma comparação, é apenas uma citação para explicar que a "A Casa" é um filme mais cadenciado, mas que é muito competente em nos colocar dentro da trama sem o menor esforço! Vale muito a pena!

Assista Agora ou

"A Casa" é mais um suspense psicológico que vem da Espanha e que justifica seu sucesso. Embora tenha lido muita gente reclamando do final (algo que se repetiu no ótimo "O Poço"), posso dizer tranquilamente que o filme entrega o que promete - angústia e mal estar!

Javier Muñoz (Javier Gutierrez) é um publicitário muito conhecido em Barcelona que está desempregado há algum tempo. O temor iminente de uma queda de padrão social só aumenta a cada entrevista de emprego frustada. Marga (Ruth Díaz), sua esposa, sugere a Javier que se mudem para um apartamento mais simples até que as coisas se restabeleçam. Acontece que Javier não se conforma com a situação, sente-se humilhado, inseguro. Quando ele vê o jovem casal que agora mora no seu antigo apartamento e que parece viver uma vida perfeita, ele é tomado pela inveja e a partir daí, começa a arquitetar um plano minucioso para retomar o seu antigo status e a felicidade de viver no topo. Confira o trailer:

O filme é ótimo, mas se você espera um thriller ao melhor estilo americano , esqueça, "A Casa" não é para você! O filme tem um levada psicológica menos intensa na ação - ele funciona muito mais na empatia que sentimos pelo personagem, mesmo sabendo que suas atitudes vão se distanciando cada vez mais dos nosso valores. É quase o sentimento que tínhamos pelo inesquecível Walter White de "Breaking Bad". Isso não é uma comparação, é apenas uma citação para explicar que a "A Casa" é um filme mais cadenciado, mas que é muito competente em nos colocar dentro da trama sem o menor esforço! Vale muito a pena!

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A Grande Mentira

Existe um linha muito tênue entre o bom e o ruim e alguns filmes acabam transitando por ela - "A Grande Mentira" é um ótimo exemplo disso! O filme acompanha o golpista Roy Courtnay (Ian McKellen) desde o momento em que ele conhece a viúva Betty McLeish (Hellen Mirren) em um site de namoro. Depois de alguns poucos encontros, Betty abre sua casa e sua vida para Courtnay que enxerga nesse novo relacionamento mais uma chance para dar um grande golpe. O problema é que Roy acaba se apaixonando por ela ao mesmo tempo em que o desconfiado sobrinho de Betty começa investigar o seu passado. Assista o trailer para continuarmos nossa análise:

Baseado no livro de Nicholas Searle, "A Grande Mentira" transita muito bem entre alguns gêneros como suspense e drama, com personagens mais complexos, daqueles que só o passado pode explicar as atitudes do presente, muito comum em filmes dos anos 90 como "Mulher Solteira Procura" ou "Louca Obsessão". Então vamos lá: por muito tempo o "flashback" carregou a fama de servir de muleta para os roteiristas, afinal era a chance de tirar o coelho da cartola e surpreender o publico com um final impensável, acontece que os tempos são outros e muito da gramática cinematográfica que funcionava perfeitamente há 20 anos atrás, hoje já não gera o mesmo efeito e muito menos o mesmo resultado. Nesse contexto, é até possível imaginar a qualidade do livro de Searle, mas sua adaptação vai soar bastante superficial para os mais exigentes, pois o roteiro não tem tempo de se aprofundar no desenvolvimento dos ótimos personagens de Mirren e McKellen e muito menos em tudo que os rodeiam - as peças que precisávamos para fechar o quebra-cabeça certamente estariam lá se o roteiro fosse melhor (ou se a história proporcionasse isso de uma maneira mais inteligente), não é o caso! Não que o filme seja ruim, não é isso, mas essas tramas secundárias são tão mal desenvolvidas que pouco se aproveita no plot principal, que é o que realmente interessa - é a conexão que é fraca, não o fato delas existirem. Um bom exemplo é o relacionamento de Betty com o seu sobrinho Stephen (Russell Tovey, do excelente "Years and Years" da HBO) - ele some e aparece ao melhor estilo "Mestre dos Magos" e nada dessa relação justificaria a entrega que o filme faz no ato final - a grande verdade é que, depois da conclusão do filme, temos a sensação de que o roteirista roubou no jogo pela simples intenção de nos surpreender com um plot twist que não é ruim, mas que poderia ser muito melhor se as pistas já tivessem sido apresentadas.

Sobre o filme em si, posso dizer que é bem dirigido pelo ótimo Bill Condon (Bela e a Fera) - ele consegue criar uma certa tensão, mesmo abusando de conceitos menos criativos e já ultrapassados como a sombra na porta da cozinha no meio da madrugada azul americana que assusta a velinha indefesa ou o didatismo de um close que vai explicar (ou entregar) sua consequência um pouco mais a frente! Ao sair da sessão, me faz pensar que esse filme na mão de um Davd Fincher poderia ser bem mais intrigante, não sei! Mirren e McKellen dão força aos personagens com muita competência, mas infelizmente caem nos buracos que o roteiro tem. A fotografia do alemão Tobias A. Schliessler ("O Quinto Poder") é muito interessante, principalmente nas cenas externas de Londres e Berlin - para quem assistiu o trailer, a cena do metrô de Londres é boa mesmo!

O fato é que "A Grande Mentira" poderia ser um bom filme para alugarmos nas locadoras (se elas ainda existissem) - digo isso pela sua característica como entretenimento, pela forma como foi filmada e, principalmente, pelas escolhas de um roteiro extremamente datado. Uma hora e meia de entretenimento está garantido, uma ou outra surpresa também, mas não espere mais que isso. Bom para um sábado chuvoso e se dormir, dormiu!

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Existe um linha muito tênue entre o bom e o ruim e alguns filmes acabam transitando por ela - "A Grande Mentira" é um ótimo exemplo disso! O filme acompanha o golpista Roy Courtnay (Ian McKellen) desde o momento em que ele conhece a viúva Betty McLeish (Hellen Mirren) em um site de namoro. Depois de alguns poucos encontros, Betty abre sua casa e sua vida para Courtnay que enxerga nesse novo relacionamento mais uma chance para dar um grande golpe. O problema é que Roy acaba se apaixonando por ela ao mesmo tempo em que o desconfiado sobrinho de Betty começa investigar o seu passado. Assista o trailer para continuarmos nossa análise:

Baseado no livro de Nicholas Searle, "A Grande Mentira" transita muito bem entre alguns gêneros como suspense e drama, com personagens mais complexos, daqueles que só o passado pode explicar as atitudes do presente, muito comum em filmes dos anos 90 como "Mulher Solteira Procura" ou "Louca Obsessão". Então vamos lá: por muito tempo o "flashback" carregou a fama de servir de muleta para os roteiristas, afinal era a chance de tirar o coelho da cartola e surpreender o publico com um final impensável, acontece que os tempos são outros e muito da gramática cinematográfica que funcionava perfeitamente há 20 anos atrás, hoje já não gera o mesmo efeito e muito menos o mesmo resultado. Nesse contexto, é até possível imaginar a qualidade do livro de Searle, mas sua adaptação vai soar bastante superficial para os mais exigentes, pois o roteiro não tem tempo de se aprofundar no desenvolvimento dos ótimos personagens de Mirren e McKellen e muito menos em tudo que os rodeiam - as peças que precisávamos para fechar o quebra-cabeça certamente estariam lá se o roteiro fosse melhor (ou se a história proporcionasse isso de uma maneira mais inteligente), não é o caso! Não que o filme seja ruim, não é isso, mas essas tramas secundárias são tão mal desenvolvidas que pouco se aproveita no plot principal, que é o que realmente interessa - é a conexão que é fraca, não o fato delas existirem. Um bom exemplo é o relacionamento de Betty com o seu sobrinho Stephen (Russell Tovey, do excelente "Years and Years" da HBO) - ele some e aparece ao melhor estilo "Mestre dos Magos" e nada dessa relação justificaria a entrega que o filme faz no ato final - a grande verdade é que, depois da conclusão do filme, temos a sensação de que o roteirista roubou no jogo pela simples intenção de nos surpreender com um plot twist que não é ruim, mas que poderia ser muito melhor se as pistas já tivessem sido apresentadas.

Sobre o filme em si, posso dizer que é bem dirigido pelo ótimo Bill Condon (Bela e a Fera) - ele consegue criar uma certa tensão, mesmo abusando de conceitos menos criativos e já ultrapassados como a sombra na porta da cozinha no meio da madrugada azul americana que assusta a velinha indefesa ou o didatismo de um close que vai explicar (ou entregar) sua consequência um pouco mais a frente! Ao sair da sessão, me faz pensar que esse filme na mão de um Davd Fincher poderia ser bem mais intrigante, não sei! Mirren e McKellen dão força aos personagens com muita competência, mas infelizmente caem nos buracos que o roteiro tem. A fotografia do alemão Tobias A. Schliessler ("O Quinto Poder") é muito interessante, principalmente nas cenas externas de Londres e Berlin - para quem assistiu o trailer, a cena do metrô de Londres é boa mesmo!

O fato é que "A Grande Mentira" poderia ser um bom filme para alugarmos nas locadoras (se elas ainda existissem) - digo isso pela sua característica como entretenimento, pela forma como foi filmada e, principalmente, pelas escolhas de um roteiro extremamente datado. Uma hora e meia de entretenimento está garantido, uma ou outra surpresa também, mas não espere mais que isso. Bom para um sábado chuvoso e se dormir, dormiu!

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A Lenda de Candyman

Se você gosta de um bom suspense, com aqueles elementos que já fizeram muito sucesso em filmes de terror na década de 90, que transformam a jornada em algo ainda mais violento e sombrio, e ainda com uma história muito interessante que provoca o inconsciente coletivo e nossa memória afetiva, "A Lenda de Candyman" definitivamente é para você!

Em um bairro pobre de Chicago, a lenda de um espírito assassino conhecido como Candyman (Tony Todd) assolou a população anos atrás, aterrorizando os moradores do complexo habitacional de Cabini-Green. Agora, o local foi renovado e é lar de cidadãos de alta classe, na sua maioria brancos. O artista visual Anthony McCoy (Yahya Abdul-Mateen III) e sua namorada, diretora da galeria, Brianna Cartwright (Teyona Parris), se mudam para Cabrini, onde Anthony encontra uma nova fonte de inspiração para sua próxima exposição. Mas quando o espírito maligno retorna, os novos habitantes também são obrigados a enfrentar a ira de Candyman. Confira o trailer:

Antes de mais nada é preciso contextualizar "A Lenda de Candyman" na linha do tempo: durante a década de 90 foram feitos três filmes a partir do conto "The Forbidden", do escritor britânico Clive Barker - pelas mãos do diretor Bernard Rose (de "Minha Amada Imortal"), e do ator Tony Todd, foi que Candyman se tomou conhecido do grande público. O personagem foi tirado da Inglaterra e levado para os Estados Unidos de 1992, onde sofreu algumas adaptações que impactaram na sua mitologia até hoje: o cenário que era um decadente conjunto habitacional de classe média se tornou um conjunto habitacional marginalizado; sua raça ganhou força ao ser apresentado como um homem negro, enquanto entidade é um reflexo de um crime de ódio que passou a ser movido por vingança e que se apoia na violência para deixar sua mensagem.

Pois bem, o filme original, "O Mistério de Candyman", sem a menor dúvida enriqueceu a obra de Barker e inovou ao ir além de um conto de terror sobre lendas urbanas para incorporar discussões sobre o preconceito e exclusão. Como os outros dois filmes, "Candyman 2: A Vingança" e "Candyman 3: Dia dos Mortos" reduziram o personagem a mais um assassino slasher, por favor, desconsiderem; mas em relação ao primeiro, o respeito da diretora Nia DaCosta (Passando dos Limites) e dos produtores (e roteiristas) Jordan Peele ("Corra" e "Nós") e Win Rosenfeld (Infiltrados na Klan), entrelaçando as duas histórias ao ponto de recriar representações conceituais em um belíssimo teatro de sombras, acabam nos mostrando um universo cheio de detalhes que colocam uma franquia adormecida (quase esquecida) em outro patamar. 

Mas é preciso assistir ao primeiro filme? Não, mas caso o faça, sua experiência será mais rica - até porquê existe um certo espelhamento entre os protagonistas: o Anthony McCoy de hoje e a Helen Lyle (Virginia Madsen) de 92. O fato é que a história de "A Lenda de Candyman" se conta sozinha, sem esquecer do seu legado, claro, mas de uma forma coerente e muito inteligente. Bem dirigido e com um desenho de som que funciona perfeitamente como gatilhos emocionais sem exagerar na dose, o filme é uma aula de gramática cinematográfica de gênero e um entretenimento da melhor qualidade. Confesso o meu receio desde que assisti o primeiro trailer, porém te tranquilizo: o filme é supreendentemente bom!

Vale o seu play!

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Se você gosta de um bom suspense, com aqueles elementos que já fizeram muito sucesso em filmes de terror na década de 90, que transformam a jornada em algo ainda mais violento e sombrio, e ainda com uma história muito interessante que provoca o inconsciente coletivo e nossa memória afetiva, "A Lenda de Candyman" definitivamente é para você!

Em um bairro pobre de Chicago, a lenda de um espírito assassino conhecido como Candyman (Tony Todd) assolou a população anos atrás, aterrorizando os moradores do complexo habitacional de Cabini-Green. Agora, o local foi renovado e é lar de cidadãos de alta classe, na sua maioria brancos. O artista visual Anthony McCoy (Yahya Abdul-Mateen III) e sua namorada, diretora da galeria, Brianna Cartwright (Teyona Parris), se mudam para Cabrini, onde Anthony encontra uma nova fonte de inspiração para sua próxima exposição. Mas quando o espírito maligno retorna, os novos habitantes também são obrigados a enfrentar a ira de Candyman. Confira o trailer:

Antes de mais nada é preciso contextualizar "A Lenda de Candyman" na linha do tempo: durante a década de 90 foram feitos três filmes a partir do conto "The Forbidden", do escritor britânico Clive Barker - pelas mãos do diretor Bernard Rose (de "Minha Amada Imortal"), e do ator Tony Todd, foi que Candyman se tomou conhecido do grande público. O personagem foi tirado da Inglaterra e levado para os Estados Unidos de 1992, onde sofreu algumas adaptações que impactaram na sua mitologia até hoje: o cenário que era um decadente conjunto habitacional de classe média se tornou um conjunto habitacional marginalizado; sua raça ganhou força ao ser apresentado como um homem negro, enquanto entidade é um reflexo de um crime de ódio que passou a ser movido por vingança e que se apoia na violência para deixar sua mensagem.

Pois bem, o filme original, "O Mistério de Candyman", sem a menor dúvida enriqueceu a obra de Barker e inovou ao ir além de um conto de terror sobre lendas urbanas para incorporar discussões sobre o preconceito e exclusão. Como os outros dois filmes, "Candyman 2: A Vingança" e "Candyman 3: Dia dos Mortos" reduziram o personagem a mais um assassino slasher, por favor, desconsiderem; mas em relação ao primeiro, o respeito da diretora Nia DaCosta (Passando dos Limites) e dos produtores (e roteiristas) Jordan Peele ("Corra" e "Nós") e Win Rosenfeld (Infiltrados na Klan), entrelaçando as duas histórias ao ponto de recriar representações conceituais em um belíssimo teatro de sombras, acabam nos mostrando um universo cheio de detalhes que colocam uma franquia adormecida (quase esquecida) em outro patamar. 

Mas é preciso assistir ao primeiro filme? Não, mas caso o faça, sua experiência será mais rica - até porquê existe um certo espelhamento entre os protagonistas: o Anthony McCoy de hoje e a Helen Lyle (Virginia Madsen) de 92. O fato é que a história de "A Lenda de Candyman" se conta sozinha, sem esquecer do seu legado, claro, mas de uma forma coerente e muito inteligente. Bem dirigido e com um desenho de som que funciona perfeitamente como gatilhos emocionais sem exagerar na dose, o filme é uma aula de gramática cinematográfica de gênero e um entretenimento da melhor qualidade. Confesso o meu receio desde que assisti o primeiro trailer, porém te tranquilizo: o filme é supreendentemente bom!

Vale o seu play!

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A Ligação

"A Ligação", é uma adaptação de um filme de 2011 escrito pelo roteirista de "O Chalé", Sergio Casci. O fato é que essa produção coreana da Netflix, é o equilíbrio perfeito entre uma boa ficção científica e um ótimo suspense! Tudo o que eu disser além disso pode estragar sua experiência, então vou focar em dois pontos: o filme é extremamente bem produzido, tecnicamente perfeito e, como qualquer filme sobre o tema, vai exigir uma certa suspensão da realidade para que a jornada seja totalmente imersiva!

Seo-yeon (Park Shin-Hye) é uma jovem que acaba de se mudar para a antiga casa da sua família, onde passara a infância e onde, anos atrás, perdera o pai (Ho-San Park) em um incêndio. Porém, as dolorosas memórias do passado não são as únicas ameaças na sua vida atual: após perder o celular, Seo-yeon passa a receber ligações sinistras de Young-sook (Jong-seo Jun), uma antiga moradora da casa, no telefone fixo. Aos poucos, o que parecia ser obra do acaso se transforma em uma experiência aterrorizante onde os fantasmas do passado voltam para cobrar por algumas decisões que Seo-yeon precisou tomar. Confira o trailer (em inglês):

O maior mérito de "A Ligação", é a forma como o diretor estreante Chung-Hyun Lee (olho nesse cara) vai mudando o gênero do filme de acordo com progresso da história. O interessante é que nosso mood acompanha essas escolhas narrativas, fazendo com que um de argumento nada original se transforme em algo único - muito parecido com o estilo conceitual do próprio Bong Joon Ho em "Parasita".

Reparem na qualidade de três elementos-chave que só reforçam o poder desse roteiro: 1. a fotografia é linda, 2. os efeitos visuais criam uma atmosfera sensacional e 3. as duas atrizes dão uma aula de interpretação.

Olha, se você gostou do espanhol "Durante a Tormenta", dê o play voando em "A Ligação" porque além de um ótimo thriller, ele vai prender sua atenção como poucos e ainda oferecer muito mais do que a sinopse apresentou (literalmente) - e não deixe de experimentar o final de verdade! 

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"A Ligação", é uma adaptação de um filme de 2011 escrito pelo roteirista de "O Chalé", Sergio Casci. O fato é que essa produção coreana da Netflix, é o equilíbrio perfeito entre uma boa ficção científica e um ótimo suspense! Tudo o que eu disser além disso pode estragar sua experiência, então vou focar em dois pontos: o filme é extremamente bem produzido, tecnicamente perfeito e, como qualquer filme sobre o tema, vai exigir uma certa suspensão da realidade para que a jornada seja totalmente imersiva!

Seo-yeon (Park Shin-Hye) é uma jovem que acaba de se mudar para a antiga casa da sua família, onde passara a infância e onde, anos atrás, perdera o pai (Ho-San Park) em um incêndio. Porém, as dolorosas memórias do passado não são as únicas ameaças na sua vida atual: após perder o celular, Seo-yeon passa a receber ligações sinistras de Young-sook (Jong-seo Jun), uma antiga moradora da casa, no telefone fixo. Aos poucos, o que parecia ser obra do acaso se transforma em uma experiência aterrorizante onde os fantasmas do passado voltam para cobrar por algumas decisões que Seo-yeon precisou tomar. Confira o trailer (em inglês):

O maior mérito de "A Ligação", é a forma como o diretor estreante Chung-Hyun Lee (olho nesse cara) vai mudando o gênero do filme de acordo com progresso da história. O interessante é que nosso mood acompanha essas escolhas narrativas, fazendo com que um de argumento nada original se transforme em algo único - muito parecido com o estilo conceitual do próprio Bong Joon Ho em "Parasita".

Reparem na qualidade de três elementos-chave que só reforçam o poder desse roteiro: 1. a fotografia é linda, 2. os efeitos visuais criam uma atmosfera sensacional e 3. as duas atrizes dão uma aula de interpretação.

Olha, se você gostou do espanhol "Durante a Tormenta", dê o play voando em "A Ligação" porque além de um ótimo thriller, ele vai prender sua atenção como poucos e ainda oferecer muito mais do que a sinopse apresentou (literalmente) - e não deixe de experimentar o final de verdade! 

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A Mulher da Janela

A Mulher da Janela

Se você leu o livro que deu origem ao filme "A Mulher na Janela", provavelmente você vai se decepcionar! Se você não leu, você tem 50% de chance de gostar e te explico a razão: o filme tem uma dinâmica narrativa muito particular dos anos 90 e inicio dos anos 2000, uma época onde nossas referências eram bem mais limitadas do que temos hoje, com isso nosso nível de percepção da história era menos rigoroso, o que nos proporcionava ótimos momentos de entretenimento com o gênero como em "Quarto do Pânico", "A Mão Que Balança o Berço" ou "Medo". Dito isso, esse suspense psicológico da Netflix com Amy Adams e Julianne Moore, vai te divertir mas não empolgar como deveria!

“A Mulher na Janela” é uma adaptação do livro homônimo de A.J. Finn que acompanha Anna Fox (Adams), uma psicóloga infantil que sofre de agorafobia (um tipo de transtorno de ansiedade em que a pessoa tem medo e evita lugares ou situações que podem causar pânico). Confinada em casa e a base da combinação entre remédios e álcool, ela começa a observar pela sua janela a vida aparentemente perfeita dos vizinhos que acabaram de se mudar para o prédio da frente. Um dia, ela acaba sendo testemunha de um crime violento e isso vira sua vida de cabeça para baixo. Confira o trailer:

Desde seu anúncio, "A Mulher na Janela" vinha sendo aguardado com muitas expectativas. A premissa "HBO" do filme se justificava pelos nomes envolvidos no projeto: Tracy Letts no roteiro (de "Killer Joe - Matador de Aluguel" e "Álbum de Família"), Joe Wright diretor de “O Destino de Uma Nação“ e um elenco incrível com Amy Adams, Julianne Moore, Gary Oldman e Brian Tyree Henry. Pois bem, o fato é que esses talentos todos até funcionam no primeiro ato, criando um clima de suspense, drama e mistério dos melhores, mas que acaba não se sustentando até o final. O segundo ato é mediano e a conclusão muito apressada. Ok, mas isso faz o filme ser ruim? Depende da sua expectativa - como entretenimento é ótimo, você vai se sentir angustiado, provocado pelo mistério e ainda tomar alguns sustos; mas quando os créditos subirem sua mente não estará explodindo!

Veja, a personagem Anna Fox é alcóolatra, viciada em remédios, tem um trauma familiar, é agorafóbica e sofre de alucinações - um personagem complexo e cheio de camadas que funciona nas mão de Adams, mas que se desperdiça no filme pela necessidade de entregar toda a jornada em pouco mais de 90 minutos. Seria uma excelente minissérie, tem muito mistério e personagens orbitais que teriam muito a acrescentar na dinâmica narrativa e na construção de uma trama consistente, além da própria protagonista - basta lembrar de "The Undoing".

O fato é que “A Mulher na Janela” sofre com a expectativa criada, com os nomes envolvidos e com o sucesso do livro. Agora, se você um dia entrou na locadora só para alugar "Invasão de Privacidade", "Dormindo com o Inimigo", "Mulher Solteira Procura"; certamente você vai se divertir com o play!   

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Se você leu o livro que deu origem ao filme "A Mulher na Janela", provavelmente você vai se decepcionar! Se você não leu, você tem 50% de chance de gostar e te explico a razão: o filme tem uma dinâmica narrativa muito particular dos anos 90 e inicio dos anos 2000, uma época onde nossas referências eram bem mais limitadas do que temos hoje, com isso nosso nível de percepção da história era menos rigoroso, o que nos proporcionava ótimos momentos de entretenimento com o gênero como em "Quarto do Pânico", "A Mão Que Balança o Berço" ou "Medo". Dito isso, esse suspense psicológico da Netflix com Amy Adams e Julianne Moore, vai te divertir mas não empolgar como deveria!

“A Mulher na Janela” é uma adaptação do livro homônimo de A.J. Finn que acompanha Anna Fox (Adams), uma psicóloga infantil que sofre de agorafobia (um tipo de transtorno de ansiedade em que a pessoa tem medo e evita lugares ou situações que podem causar pânico). Confinada em casa e a base da combinação entre remédios e álcool, ela começa a observar pela sua janela a vida aparentemente perfeita dos vizinhos que acabaram de se mudar para o prédio da frente. Um dia, ela acaba sendo testemunha de um crime violento e isso vira sua vida de cabeça para baixo. Confira o trailer:

Desde seu anúncio, "A Mulher na Janela" vinha sendo aguardado com muitas expectativas. A premissa "HBO" do filme se justificava pelos nomes envolvidos no projeto: Tracy Letts no roteiro (de "Killer Joe - Matador de Aluguel" e "Álbum de Família"), Joe Wright diretor de “O Destino de Uma Nação“ e um elenco incrível com Amy Adams, Julianne Moore, Gary Oldman e Brian Tyree Henry. Pois bem, o fato é que esses talentos todos até funcionam no primeiro ato, criando um clima de suspense, drama e mistério dos melhores, mas que acaba não se sustentando até o final. O segundo ato é mediano e a conclusão muito apressada. Ok, mas isso faz o filme ser ruim? Depende da sua expectativa - como entretenimento é ótimo, você vai se sentir angustiado, provocado pelo mistério e ainda tomar alguns sustos; mas quando os créditos subirem sua mente não estará explodindo!

Veja, a personagem Anna Fox é alcóolatra, viciada em remédios, tem um trauma familiar, é agorafóbica e sofre de alucinações - um personagem complexo e cheio de camadas que funciona nas mão de Adams, mas que se desperdiça no filme pela necessidade de entregar toda a jornada em pouco mais de 90 minutos. Seria uma excelente minissérie, tem muito mistério e personagens orbitais que teriam muito a acrescentar na dinâmica narrativa e na construção de uma trama consistente, além da própria protagonista - basta lembrar de "The Undoing".

O fato é que “A Mulher na Janela” sofre com a expectativa criada, com os nomes envolvidos e com o sucesso do livro. Agora, se você um dia entrou na locadora só para alugar "Invasão de Privacidade", "Dormindo com o Inimigo", "Mulher Solteira Procura"; certamente você vai se divertir com o play!   

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Angela Black

"Angela Black" é uma minissérie de seis episódios fruto de uma parceria internacional entre a Spectrum (produtora responsável pelo excelente "Manhunt") e a emissora britânica ITV (principal concorrente da BBC). Exibida com exclusividade no Brasil pela Globoplay, "Angela Black" é um bom drama com elementos de investigação e suspense que toca em assuntos delicados como violência doméstica, por exemplo. Aliás, o prólogo do primeiro episódio já nos prende pelo impacto da sugestão, ao mesmo tempo que também entrega uma característica que pode incomodar uma audiência mais exigente: a direção de Craig Viveiros (Ghosted) é muito expositiva - mas vamos nos aprofundar sobre o assunto um pouco mais abaixo.

Na história conhecemos Angela (Joanne Froggatt de "Downton Abbey"), uma mulher que parece levar uma vida normal com uma uma linda casa no subúrbio de Londres. A personagem se mostra em uma vida perfeita, com dois lindos filhos e um marido bem sucedido, charmoso e trabalhador, além de prestar serviços voluntários em um abrigo para cães. Porém, na realidade, Angela vive em um casamento extremamente tóxico com Olivier Meyer (Michiel Huisman), um homem extremamente controlador e agressivo, que já a violentou várias vezes. Após um dos ataques de fúria de Meyer, ela se encontra com um estranho chamado Ed (Samuel Adewunmi), e é ele que acaba revelando todos os segredos e traições do seu marido, levando a Angela a querer resolver tudo da sua maneira. Confira o trailer (em inglês):

Vamos lá, antes de mais nada é preciso dizer que "Angela Black" é um ótimo entretenimento e mesmo que se afaste do tema pela qual a série ganhou muita relevância na Inglaterra (a violência doméstica), a narrativa não enrola, trazendo uma dinâmica interessante para a história, mesmo abusando dos esteriótipos do gênero. O que eu quero dizer é que  "Angela Black" é uma mistura do clássico "Dormindo com o Inimigo", "Doctor Foster", "The Undoing", tudo isso com um toque muito presente do "estilo Harlan Coben" ("Não Fale com Estranhos") de mistério - e é daí que deve vir tanta exposição e didatismo!

Viveiros tem um bom roteiro na mão, com várias passagens que vão exigir uma certa suspensão da realidade (claro!), algumas tramas completamente dispensáveis de conspirações e assassinatos, mas é impossível negar que a história é, de fato, bem amarrada. Talvez por se tratar de um produto veiculado na TV aberta do Reino Unido, algumas escolhas conceituais acabam afastando a minissérie daquele "estilo HBO" de dramas profundos de investigação que fundem nossa cabeça. A performance dos atores soa um pouco acima do tom - a própria Froggatt parece não acreditar na dor e desespero íntimo que sua personagem está sentindo em muitos momentos. Huisman não prejudica, mas definitivamente não tem a capacidade de Alexander Skarsgård (o Perry Wright de "Big Little Lies"). A produção em si é excelente, com uma fotografia bem elaborada e até com uma direção interessante - os movimentos de câmera são ótimos, não fosse a obrigação de deixar tudo muito claro: se escutamos o marido bater na mulher, por que terminar a cena com um close no dente arrancado no chão?

"Angela Black" é mais um bom achado no catálogo da Globoplay que vai agradar muitas pessoas e mesmo com suas imperfeições, não deve afastar quem gosta de um bom mistério com um gostinho de vingança e superação. 

Vale a pena!

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"Angela Black" é uma minissérie de seis episódios fruto de uma parceria internacional entre a Spectrum (produtora responsável pelo excelente "Manhunt") e a emissora britânica ITV (principal concorrente da BBC). Exibida com exclusividade no Brasil pela Globoplay, "Angela Black" é um bom drama com elementos de investigação e suspense que toca em assuntos delicados como violência doméstica, por exemplo. Aliás, o prólogo do primeiro episódio já nos prende pelo impacto da sugestão, ao mesmo tempo que também entrega uma característica que pode incomodar uma audiência mais exigente: a direção de Craig Viveiros (Ghosted) é muito expositiva - mas vamos nos aprofundar sobre o assunto um pouco mais abaixo.

Na história conhecemos Angela (Joanne Froggatt de "Downton Abbey"), uma mulher que parece levar uma vida normal com uma uma linda casa no subúrbio de Londres. A personagem se mostra em uma vida perfeita, com dois lindos filhos e um marido bem sucedido, charmoso e trabalhador, além de prestar serviços voluntários em um abrigo para cães. Porém, na realidade, Angela vive em um casamento extremamente tóxico com Olivier Meyer (Michiel Huisman), um homem extremamente controlador e agressivo, que já a violentou várias vezes. Após um dos ataques de fúria de Meyer, ela se encontra com um estranho chamado Ed (Samuel Adewunmi), e é ele que acaba revelando todos os segredos e traições do seu marido, levando a Angela a querer resolver tudo da sua maneira. Confira o trailer (em inglês):

Vamos lá, antes de mais nada é preciso dizer que "Angela Black" é um ótimo entretenimento e mesmo que se afaste do tema pela qual a série ganhou muita relevância na Inglaterra (a violência doméstica), a narrativa não enrola, trazendo uma dinâmica interessante para a história, mesmo abusando dos esteriótipos do gênero. O que eu quero dizer é que  "Angela Black" é uma mistura do clássico "Dormindo com o Inimigo", "Doctor Foster", "The Undoing", tudo isso com um toque muito presente do "estilo Harlan Coben" ("Não Fale com Estranhos") de mistério - e é daí que deve vir tanta exposição e didatismo!

Viveiros tem um bom roteiro na mão, com várias passagens que vão exigir uma certa suspensão da realidade (claro!), algumas tramas completamente dispensáveis de conspirações e assassinatos, mas é impossível negar que a história é, de fato, bem amarrada. Talvez por se tratar de um produto veiculado na TV aberta do Reino Unido, algumas escolhas conceituais acabam afastando a minissérie daquele "estilo HBO" de dramas profundos de investigação que fundem nossa cabeça. A performance dos atores soa um pouco acima do tom - a própria Froggatt parece não acreditar na dor e desespero íntimo que sua personagem está sentindo em muitos momentos. Huisman não prejudica, mas definitivamente não tem a capacidade de Alexander Skarsgård (o Perry Wright de "Big Little Lies"). A produção em si é excelente, com uma fotografia bem elaborada e até com uma direção interessante - os movimentos de câmera são ótimos, não fosse a obrigação de deixar tudo muito claro: se escutamos o marido bater na mulher, por que terminar a cena com um close no dente arrancado no chão?

"Angela Black" é mais um bom achado no catálogo da Globoplay que vai agradar muitas pessoas e mesmo com suas imperfeições, não deve afastar quem gosta de um bom mistério com um gostinho de vingança e superação. 

Vale a pena!

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Bata antes de Entrar

Angustiante - eu só te digo isso: angustiante!!! "Bata antes de Entrar" acompanha a história do que acontece na vida de um homem depois que duas lindas belas mulheres que, em uma noite chuvosa, batem na sua porta. Evan Webber (Keanu Reeves) está sozinho em casa, já que a esposa e filho estão viajando. Não demora muito para que essas mulheres o seduzam, tendo uma noite de amor com ele. Só que, no dia seguinte, elas passam a persegui-lo implacavelmente, transformando uma ato de fraqueza em uma experiência macabra! Confira o trailer:

Eu achei o roteiro muito bom, mas o estilo do Eli Roth ("O Albergue"não me agradou, pelo simples fato que ele transformou um roteiro com muito potencial em um típico enlatado americano - certamente, poderia ter ficado muito melhor na mão de um diretor com mais conceito estético. Eu assistia o filme e pensava em como ele poderia ter ficado incrível!!!! Fora isso, como entretenimento, acho que cumpre muito bem seu papel. "Bata antes de Entrar" é provocativo ao extremo, um suspense psicológico sem derramar uma gota de sangue (ou, pelo menos, sem derramar muito sangue...rs) que brinca com nossas mais diversas sensações! Olha, não fácil assistir ao filme se você se empatizar com o protagonista!


Vale muito a pena e aguça a curiosidade para assistir a primeira versão de 1977.

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Angustiante - eu só te digo isso: angustiante!!! "Bata antes de Entrar" acompanha a história do que acontece na vida de um homem depois que duas lindas belas mulheres que, em uma noite chuvosa, batem na sua porta. Evan Webber (Keanu Reeves) está sozinho em casa, já que a esposa e filho estão viajando. Não demora muito para que essas mulheres o seduzam, tendo uma noite de amor com ele. Só que, no dia seguinte, elas passam a persegui-lo implacavelmente, transformando uma ato de fraqueza em uma experiência macabra! Confira o trailer:

Eu achei o roteiro muito bom, mas o estilo do Eli Roth ("O Albergue"não me agradou, pelo simples fato que ele transformou um roteiro com muito potencial em um típico enlatado americano - certamente, poderia ter ficado muito melhor na mão de um diretor com mais conceito estético. Eu assistia o filme e pensava em como ele poderia ter ficado incrível!!!! Fora isso, como entretenimento, acho que cumpre muito bem seu papel. "Bata antes de Entrar" é provocativo ao extremo, um suspense psicológico sem derramar uma gota de sangue (ou, pelo menos, sem derramar muito sangue...rs) que brinca com nossas mais diversas sensações! Olha, não fácil assistir ao filme se você se empatizar com o protagonista!


Vale muito a pena e aguça a curiosidade para assistir a primeira versão de 1977.

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Bird Box

Se você assiste "Bird Box", suspense da Netflix, com a expectativa de levar um caminhão de sustos ou de se deparar com uma terrível criatura de outro mundo em alguma cena-chave do filme, você vai se decepcionar!!! "Bird Box" não é esse tipo suspense, ele mais esconde (ou sugere) do que mostra! Se inicialmente isso te parece um problema, te garanto que não é - o filme tem uma trama bem desenvolvida e uma edição que potencializa essa virtude, criando uma dinâmica bastante envolvente! Ah, mas eu também preciso mencionar que assisti o filme sem ler o livro, o que ajudou muito na minha experiência, porque eu não sabia quase nada sobre a história além do que vi no trailer.

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Se você assiste "Bird Box", suspense da Netflix, com a expectativa de levar um caminhão de sustos ou de se deparar com uma terrível criatura de outro mundo em alguma cena-chave do filme, você vai se decepcionar!!! "Bird Box" não é esse tipo suspense, ele mais esconde (ou sugere) do que mostra! Se inicialmente isso te parece um problema, te garanto que não é - o filme tem uma trama bem desenvolvida e uma edição que potencializa essa virtude, criando uma dinâmica bastante envolvente! Ah, mas eu também preciso mencionar que assisti o filme sem ler o livro, o que ajudou muito na minha experiência, porque eu não sabia quase nada sobre a história além do que vi no trailer.

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Cadáver

"Cadáver" (ou Kadaver, no seu título original) é um filme norueguês que vem chamando muito a atenção dos assinantes da Netflix por apresentar uma história criativa bem ao estilo "Sleep No More" - espetáculo que trás uma interessante proposta narrativa conhecida como teatro de imersão. Vale ressaltar que essa é, provavelmente, a experiência teatral mais original em muito tempo, de Nova York, onde você não senta para assistir a peça, pois não existe palco para se ter platéia; se você quer saber a história, é preciso acompanhar os atores pelos corredores e cômodos de um hotel, vivenciar as cenas, mesmo que mascarados para diferenciar público de personagens.

Pois bem, esse suspense psicológico da Netflix mostra uma cidade arrasada por uma catástrofe nuclear, onde as pessoas não tem o que comer e, literalmente, estão morrendo de fome e de frio pelas ruas. Escondidos em uma casa, a ex-atriz Leo (Gitte Witt) tenta sobreviver como pode com sua filha de dez anos, Alice (Tuva Olivia Remman), e com seu marido, Jacob (Thomas Gullestad). É nessa realidade devastadora, mas relativizada pelo lúdico da relação mãe e filha, que surge um fio de esperança quando o dono de um hotel de luxo da cidade convida alguns moradores para um misterioso jantar que culminará, justamente, em um bizarro espetáculo de teatro imersivo! Confira o trailer:

Talvez "Cadáver" não tenha o impacto visual para chocar ou até uma profundidade narrativa como o "O Poço", porém é preciso dizer que o diretor e roteirista Jarand Herdal (Everywhen) teve o grande mérito de criar uma constante tensão se apoiando muito mais no medo do desconhecido do que nos sustos que poderíamos levar durante o filme e isso, propositalmente, nos remete ao estilo de entretenimento que temos ao assistir um teatro imersivo: o fato de Herdal manipular nossa curiosidade ao mesmo tempo que manipula as sensações de insegurança dos protagonistas nos coloca dentro daquela realidade!

Saiba que não se trata de algo tão marcante, mas mesmo assim vale muito a pena se você se interessa pelo estilo do filme, por se tratar de uma escola cinematográfica completamente diferente do que estamos acostumados e, claro, por nos provocar a entender o que de fato está acontecendo ali.

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"Cadáver" (ou Kadaver, no seu título original) é um filme norueguês que vem chamando muito a atenção dos assinantes da Netflix por apresentar uma história criativa bem ao estilo "Sleep No More" - espetáculo que trás uma interessante proposta narrativa conhecida como teatro de imersão. Vale ressaltar que essa é, provavelmente, a experiência teatral mais original em muito tempo, de Nova York, onde você não senta para assistir a peça, pois não existe palco para se ter platéia; se você quer saber a história, é preciso acompanhar os atores pelos corredores e cômodos de um hotel, vivenciar as cenas, mesmo que mascarados para diferenciar público de personagens.

Pois bem, esse suspense psicológico da Netflix mostra uma cidade arrasada por uma catástrofe nuclear, onde as pessoas não tem o que comer e, literalmente, estão morrendo de fome e de frio pelas ruas. Escondidos em uma casa, a ex-atriz Leo (Gitte Witt) tenta sobreviver como pode com sua filha de dez anos, Alice (Tuva Olivia Remman), e com seu marido, Jacob (Thomas Gullestad). É nessa realidade devastadora, mas relativizada pelo lúdico da relação mãe e filha, que surge um fio de esperança quando o dono de um hotel de luxo da cidade convida alguns moradores para um misterioso jantar que culminará, justamente, em um bizarro espetáculo de teatro imersivo! Confira o trailer:

Talvez "Cadáver" não tenha o impacto visual para chocar ou até uma profundidade narrativa como o "O Poço", porém é preciso dizer que o diretor e roteirista Jarand Herdal (Everywhen) teve o grande mérito de criar uma constante tensão se apoiando muito mais no medo do desconhecido do que nos sustos que poderíamos levar durante o filme e isso, propositalmente, nos remete ao estilo de entretenimento que temos ao assistir um teatro imersivo: o fato de Herdal manipular nossa curiosidade ao mesmo tempo que manipula as sensações de insegurança dos protagonistas nos coloca dentro daquela realidade!

Saiba que não se trata de algo tão marcante, mas mesmo assim vale muito a pena se você se interessa pelo estilo do filme, por se tratar de uma escola cinematográfica completamente diferente do que estamos acostumados e, claro, por nos provocar a entender o que de fato está acontecendo ali.

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Capital Humano

As pessoas são essencialmente egoístas quando uma atitude (impensada ou não) pode imediatamente se reverter em algo muito prejudicial para elas mesmas - é quase um súbito de auto-preservação. Isso pode parecer banal ou até mesmo generalista demais, afinal o caráter não se põe a prova, certo? Errado! "Capital Humano", produção italiana de 2013, provoca justamente essa reflexão sobre a desvalorização da condição humana, partindo de eventos simples (mesmo que com reflexos sérios), com pessoas diferentes e em momentos de vida distantes, mas que, de alguma maneira, querem algo em comum, com o poder da escolha e a chance de mudar uma vida - que não necessariamente é a própria.

Dividido em quatros atos, cada um mostrando o ponto de vista de um personagem-chave (mais um epílogo), "Capital Humano" acompanha o destino de três famílias de classes sociais completamente diferentes (Ossola, Bernaschi e Ambrosini), que estão irrevogavelmente conectadas depois que um ciclista é acidentalmente atropelado enquanto voltava para casa depois de uma longa noite de trabalho. Confira o trailer:

O filme se baseia no livro homônimo do crítico de cinema Stephen Amidon para fazer um retrato de uma Itália decadente em que a ganância e o egoísmo fazem com que as pessoas não meçam suas atitudes, mesmo quando existe um outro ser humano no centro da equação. Dirigido pelo premiado diretor italiano Paolo Virzì, "Capital Humano" tem uma narrativa extremamente dinâmica e envolvente, onde, com o passar dos atos, juntamos todas as peças até entendermos o que de fato aconteceu naquela noite - esse conceito narrativo, muito utilizado por roteiristas mexicanos e argentinos do circuito mais independente, traz uma certa elegância para a história e, nesse caso, um tom de mistério muito bem desenvolvido na trama por personagens cheios de camadas (e que são absolutamente surpreendentes).

Ligue os pontos: Primeiro Dino Ossola (Fabrizio Bentivoglio), um pacato corretor de imóveis, quer ganhar um dinheiro que nunca viu na vida, pedindo um empréstimo no banco apenas para aplicar na empresa de Giovanni Bernaschi (Fabrizio Gifuni), um bem sucedido empresário e pai do namorado da sua filha. Depois temos Carla (Valeria Bruni Tedeschi), mulher de Giovanni, que busca encontrar um ressignificado para sua vida e assim recuperar uma paixão antiga pelas artes a partir de tudo que o marido conquistou ao seu lado. E por fim, Serena (Matilde Gioli), filha de Dino, que conhece Luca (Giovanni Anzaldo), um rapaz recém saído do reformatório após ser detido com drogas e paciente de sua madrasta, a psicóloga Roberta (Valeria Golino), por quem se apaixona mesmo tendo o namorado "ideal", Massimiliano (Guglielmo Pinelli).

Com essa espécie de mosaico de personagens e situações, Virzì vai costurando um drama com um leve tom de ironia e acaba entregando um filme muito mais profundo do que parece - bem ao estilo "Parasita" no conteúdo e "Amores Perros" na forma. Sua habilidade como diretor transforma a performance desse elenco incrível em um conjunto caricato (aqui no bom sentido) de sensações e sentimentos que retratam toda a podridão da humanidade a partir de gestos "inofensivos", mas que impactam diretamente no próximo, sem a menor preocupação com a empatia.

Só por isso o filme já valeria a pena, mas antecipo que "Capital Humano" foi uma das produções mais premiadas no circuito de festivais independentes entre 2013 e 2014, ganhando 7 prêmios no Oscar Italiano (das 18 indicações), inclusive, o de "Melhor Filme do Ano".

Pode dar play sem medo!

Em tempo, "Capital Humano" ganhou uma versão americana com a direção de Marc Meyers e tendo no elenco  Marisa Tomei e Liev Schreiber.

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As pessoas são essencialmente egoístas quando uma atitude (impensada ou não) pode imediatamente se reverter em algo muito prejudicial para elas mesmas - é quase um súbito de auto-preservação. Isso pode parecer banal ou até mesmo generalista demais, afinal o caráter não se põe a prova, certo? Errado! "Capital Humano", produção italiana de 2013, provoca justamente essa reflexão sobre a desvalorização da condição humana, partindo de eventos simples (mesmo que com reflexos sérios), com pessoas diferentes e em momentos de vida distantes, mas que, de alguma maneira, querem algo em comum, com o poder da escolha e a chance de mudar uma vida - que não necessariamente é a própria.

Dividido em quatros atos, cada um mostrando o ponto de vista de um personagem-chave (mais um epílogo), "Capital Humano" acompanha o destino de três famílias de classes sociais completamente diferentes (Ossola, Bernaschi e Ambrosini), que estão irrevogavelmente conectadas depois que um ciclista é acidentalmente atropelado enquanto voltava para casa depois de uma longa noite de trabalho. Confira o trailer:

O filme se baseia no livro homônimo do crítico de cinema Stephen Amidon para fazer um retrato de uma Itália decadente em que a ganância e o egoísmo fazem com que as pessoas não meçam suas atitudes, mesmo quando existe um outro ser humano no centro da equação. Dirigido pelo premiado diretor italiano Paolo Virzì, "Capital Humano" tem uma narrativa extremamente dinâmica e envolvente, onde, com o passar dos atos, juntamos todas as peças até entendermos o que de fato aconteceu naquela noite - esse conceito narrativo, muito utilizado por roteiristas mexicanos e argentinos do circuito mais independente, traz uma certa elegância para a história e, nesse caso, um tom de mistério muito bem desenvolvido na trama por personagens cheios de camadas (e que são absolutamente surpreendentes).

Ligue os pontos: Primeiro Dino Ossola (Fabrizio Bentivoglio), um pacato corretor de imóveis, quer ganhar um dinheiro que nunca viu na vida, pedindo um empréstimo no banco apenas para aplicar na empresa de Giovanni Bernaschi (Fabrizio Gifuni), um bem sucedido empresário e pai do namorado da sua filha. Depois temos Carla (Valeria Bruni Tedeschi), mulher de Giovanni, que busca encontrar um ressignificado para sua vida e assim recuperar uma paixão antiga pelas artes a partir de tudo que o marido conquistou ao seu lado. E por fim, Serena (Matilde Gioli), filha de Dino, que conhece Luca (Giovanni Anzaldo), um rapaz recém saído do reformatório após ser detido com drogas e paciente de sua madrasta, a psicóloga Roberta (Valeria Golino), por quem se apaixona mesmo tendo o namorado "ideal", Massimiliano (Guglielmo Pinelli).

Com essa espécie de mosaico de personagens e situações, Virzì vai costurando um drama com um leve tom de ironia e acaba entregando um filme muito mais profundo do que parece - bem ao estilo "Parasita" no conteúdo e "Amores Perros" na forma. Sua habilidade como diretor transforma a performance desse elenco incrível em um conjunto caricato (aqui no bom sentido) de sensações e sentimentos que retratam toda a podridão da humanidade a partir de gestos "inofensivos", mas que impactam diretamente no próximo, sem a menor preocupação com a empatia.

Só por isso o filme já valeria a pena, mas antecipo que "Capital Humano" foi uma das produções mais premiadas no circuito de festivais independentes entre 2013 e 2014, ganhando 7 prêmios no Oscar Italiano (das 18 indicações), inclusive, o de "Melhor Filme do Ano".

Pode dar play sem medo!

Em tempo, "Capital Humano" ganhou uma versão americana com a direção de Marc Meyers e tendo no elenco  Marisa Tomei e Liev Schreiber.

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Cela 211

"Cela 211" é um grande filme, mas não é uma grande produção - o que eu quero dizer é que o roteiro de Jorge Guerricaechevarría (El Bar) e do diretor Daniel Monzón (O Segredo de Kovak) merecia um orçamento de super-produção (tipo "Prison Break") - o que inviabilizaria o projeto; então será preciso fechar os olhos para a falta de cuidado no que acontece em segundo plano, mesmo tendo no foco da narrativa um grande ator como Luis Tosar (de "Quem com ferro fere"). É preciso dizer também que eram outros tempos, quando do lançamento de "Cela 211", uma era pré-streaming, portanto é natural essa dificuldade na produção, mas eu adianto: essas limitações pouco vão interferir na experiência imersiva que é assistir o filme!

Juan Oliver (Alberto Ammann) é um funcionário novato de uma prisão espanhola, que acaba sofrendo um acidente no seu primeiro dia de trabalho. Acontece que logo depois explode um motim justamente na área onde Oliver está sendo cuidado e que acaba sendo tomada pelos presos mais temidos e perigosos, encabeçado por Mala Madre (Luis Tosar). Para salvar suas vidas, os companheiros de Oliver fogem deixando ele desmaiado na cela 211 - a única vazia do pavilhão. Ao acordar, Oliver compreende o perigo da situação e resolve se passar por um presidiário perante os amotinados. A partir desse momento, o protagonista tem que sobreviver a base de mentiras até que tudo muda de uma hora para outra. Confira o trailer original, com legendas em inglês:

Vencedor de 8 prêmios Goya em 2010 (o Oscar Espanhol), entre eles o de Melhor Filme, superando, inclusive, o sensacional "O Segredo dos seus Olhos", "Cela 211" se estabelece como uma crítica pesada às condições precárias a que os presos são submetidos e ao funcionamento do sistema carcerário espanhol. Porém esse é só o pano fundo para discutir algo muito mais profundo: a capacidade que o "meio" tem de corromper até aqueles de caráter (aparentemente) inabalável - e o pior de tudo é que damos razão a essa transformação do personagem porque o sistema é realmente falho e muitas vezes até desleal.

Sem dúvida que o ponto alto do filme é a bem estruturada construção da personalidade complexa do protagonista, que vai de um extremo ao outro durante as quase duas horas de filme, sempre motivado por situações onde as próprias relações com os presos e com os funcionários do presídio, vão sendo propostas - essa transformação me lembrou muito uma imperdível minissérie da HBO chamada "The Night Of". Como Riz Ahmed lá, Ammann se apoia em pequenas expressões, sem apelar para o exagero, trazendo uma realidade brutal para seu personagem que chega a ser impressionante, enquanto Luis Tosar nos entrega um antagonista, líder entre os presidiários, Malamadre, controlado e assustador - ambas performances, inclusive, foram vencedoras no Goya.

"Cela 211" é mais um belo trabalho do cinema espanhol, com uma narrativa ágil e muito bem construída,que chega ao ápice no final do segundo ato com uma reviravolta surpreendente e, na minha opinião, extremamente corajosa. Aliás, o filme do talentoso Daniel Monzón, em nenhum momento cai na covardia de encontrar o caminho mais fácil, mesmo nas passagens mais previsíveis, ele encontra camadas que geram, no mínimo, certa angústia em quem assiste. Com um tom independente, "Cela 211" deve agradar a todos que buscam um bom drama com ótimos elementos de ação.

Vale a pena!

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"Cela 211" é um grande filme, mas não é uma grande produção - o que eu quero dizer é que o roteiro de Jorge Guerricaechevarría (El Bar) e do diretor Daniel Monzón (O Segredo de Kovak) merecia um orçamento de super-produção (tipo "Prison Break") - o que inviabilizaria o projeto; então será preciso fechar os olhos para a falta de cuidado no que acontece em segundo plano, mesmo tendo no foco da narrativa um grande ator como Luis Tosar (de "Quem com ferro fere"). É preciso dizer também que eram outros tempos, quando do lançamento de "Cela 211", uma era pré-streaming, portanto é natural essa dificuldade na produção, mas eu adianto: essas limitações pouco vão interferir na experiência imersiva que é assistir o filme!

Juan Oliver (Alberto Ammann) é um funcionário novato de uma prisão espanhola, que acaba sofrendo um acidente no seu primeiro dia de trabalho. Acontece que logo depois explode um motim justamente na área onde Oliver está sendo cuidado e que acaba sendo tomada pelos presos mais temidos e perigosos, encabeçado por Mala Madre (Luis Tosar). Para salvar suas vidas, os companheiros de Oliver fogem deixando ele desmaiado na cela 211 - a única vazia do pavilhão. Ao acordar, Oliver compreende o perigo da situação e resolve se passar por um presidiário perante os amotinados. A partir desse momento, o protagonista tem que sobreviver a base de mentiras até que tudo muda de uma hora para outra. Confira o trailer original, com legendas em inglês:

Vencedor de 8 prêmios Goya em 2010 (o Oscar Espanhol), entre eles o de Melhor Filme, superando, inclusive, o sensacional "O Segredo dos seus Olhos", "Cela 211" se estabelece como uma crítica pesada às condições precárias a que os presos são submetidos e ao funcionamento do sistema carcerário espanhol. Porém esse é só o pano fundo para discutir algo muito mais profundo: a capacidade que o "meio" tem de corromper até aqueles de caráter (aparentemente) inabalável - e o pior de tudo é que damos razão a essa transformação do personagem porque o sistema é realmente falho e muitas vezes até desleal.

Sem dúvida que o ponto alto do filme é a bem estruturada construção da personalidade complexa do protagonista, que vai de um extremo ao outro durante as quase duas horas de filme, sempre motivado por situações onde as próprias relações com os presos e com os funcionários do presídio, vão sendo propostas - essa transformação me lembrou muito uma imperdível minissérie da HBO chamada "The Night Of". Como Riz Ahmed lá, Ammann se apoia em pequenas expressões, sem apelar para o exagero, trazendo uma realidade brutal para seu personagem que chega a ser impressionante, enquanto Luis Tosar nos entrega um antagonista, líder entre os presidiários, Malamadre, controlado e assustador - ambas performances, inclusive, foram vencedoras no Goya.

"Cela 211" é mais um belo trabalho do cinema espanhol, com uma narrativa ágil e muito bem construída,que chega ao ápice no final do segundo ato com uma reviravolta surpreendente e, na minha opinião, extremamente corajosa. Aliás, o filme do talentoso Daniel Monzón, em nenhum momento cai na covardia de encontrar o caminho mais fácil, mesmo nas passagens mais previsíveis, ele encontra camadas que geram, no mínimo, certa angústia em quem assiste. Com um tom independente, "Cela 211" deve agradar a todos que buscam um bom drama com ótimos elementos de ação.

Vale a pena!

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Corra

"Get Out" (título original) talvez seja o maior exemplo recente de um marketing mal feito: o cartaz e o nome em português, "Corra", devem ter afastado muita gente (inclusive eu), o que é uma pena porque o filme é muito mais do que aquela estrutura superficial de humor negro que foi apresentada.

Chris (Daniel Kaluuya) e Rose (Allison Williams) são namorados há já algum tempo. Com o evoluir da relação, ela acha que chegou o momento de apresentar o namorado para os pais, Missy (Catherine Keener) e Dean (Bradley Whitford). Ela, então, resolve convidá-lo para uma reunião familiar que todos os anos os pais organizam em sua casa, numa zona rural dos EUA. Apesar de alguma relutância por parte de Chris, Rose acha que não há a menor necessidade de avisar seus pais, que ela considera cultos e esclarecidos, o fato de que ele é negro. Quando chegam ao evento, apesar de toda a simpatia com que é tratado, Chris percebe que algo de muito estranho se passa naquela casa e com aqueles convidados. Quando ele resolve fugir daquele ambiente bizarro e um pouco claustrofóbico, percebe que ninguém está interessado em deixá-lo partir e isso é só o começo de uma longa jornada. Confira o trailer:

"Corra" é muito bem dirigido pelo excelente Jordan Peele que estreia na função - ele foi capaz que trazer muito de um conceito que estava em alta na época: um suspense independente com um roteiro bem inteligente, cheio de críticas sociais e ideológicas e com momentos completamente non-sense. De fato, Jordan Peele representou muito bem uma nova geração de diretores e roteiristas de gênero que estão bombando atualmente!

O filme foi muito bem de publico, não nos patamares de "Bruxa de Blair" como muita gente falou, mas teve um lucro de respeito: custou 5 milhões de dólares e já faturou quase 250 milhões - foi um bom investimento ou não? O filme tem um roteiro muito bem estruturado, com bons plots e muito, mas muito, criativo - o que lhe rendeu o Oscar de Melhor Roteiro Original em 2018.

"Corra" é um suspense muito bem realizado, sai do lugar comum, passa sua mensagem sem parecer enfadonho e para quem gosta do gênero, é uma ótima pedida! Vale seu play tranquilamente!

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"Get Out" (título original) talvez seja o maior exemplo recente de um marketing mal feito: o cartaz e o nome em português, "Corra", devem ter afastado muita gente (inclusive eu), o que é uma pena porque o filme é muito mais do que aquela estrutura superficial de humor negro que foi apresentada.

Chris (Daniel Kaluuya) e Rose (Allison Williams) são namorados há já algum tempo. Com o evoluir da relação, ela acha que chegou o momento de apresentar o namorado para os pais, Missy (Catherine Keener) e Dean (Bradley Whitford). Ela, então, resolve convidá-lo para uma reunião familiar que todos os anos os pais organizam em sua casa, numa zona rural dos EUA. Apesar de alguma relutância por parte de Chris, Rose acha que não há a menor necessidade de avisar seus pais, que ela considera cultos e esclarecidos, o fato de que ele é negro. Quando chegam ao evento, apesar de toda a simpatia com que é tratado, Chris percebe que algo de muito estranho se passa naquela casa e com aqueles convidados. Quando ele resolve fugir daquele ambiente bizarro e um pouco claustrofóbico, percebe que ninguém está interessado em deixá-lo partir e isso é só o começo de uma longa jornada. Confira o trailer:

"Corra" é muito bem dirigido pelo excelente Jordan Peele que estreia na função - ele foi capaz que trazer muito de um conceito que estava em alta na época: um suspense independente com um roteiro bem inteligente, cheio de críticas sociais e ideológicas e com momentos completamente non-sense. De fato, Jordan Peele representou muito bem uma nova geração de diretores e roteiristas de gênero que estão bombando atualmente!

O filme foi muito bem de publico, não nos patamares de "Bruxa de Blair" como muita gente falou, mas teve um lucro de respeito: custou 5 milhões de dólares e já faturou quase 250 milhões - foi um bom investimento ou não? O filme tem um roteiro muito bem estruturado, com bons plots e muito, mas muito, criativo - o que lhe rendeu o Oscar de Melhor Roteiro Original em 2018.

"Corra" é um suspense muito bem realizado, sai do lugar comum, passa sua mensagem sem parecer enfadonho e para quem gosta do gênero, é uma ótima pedida! Vale seu play tranquilamente!

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Equinox

"Equinox" é um ótima série, mesmo se apoiando em alguns esteriótipos para se estabelecer no gênero, eu diria que já é possível defini-la como a primeira grande surpresa do ano de 2021 no catálogo da Netflix (mesmo tendo chegado no finalzinho de 2020). Agora não espere uma jornada fácil, essa série dinamarquesa é cheia de simbolismos e informações que não necessariamente se encontram nos seis primeiros episódios da primeira temporada - mais ou menos como "Hereditário"ou "Midsommar".

A série acompanha a jornada de Astrid (Danica Curcic), uma jovem que, em 1999, viu sua irmã mais velha e quase todos os colegas de classe desaparecerem de uma forma completamente misteriosa e sem deixar qualquer vestígio, na noite de formatura. Desde então ela ficou traumatizada, crescendo cercada por visões terríveis e pesadelos envolvendo sua irmã e os outros desaparecidos. 21 anos depois, Astrid volta a ser assombrada e depois de receber uma ligação de um dos sobreviventes, ela se propõe a investigar o que realmente aconteceu na época e buscar a verdade sobre o paradeiro de sua irmã Ida (Karoline Hamm). Confira o trailer:

Se você é daqueles que precisam de todas as respostas para chancelar a qualidade de uma série ou de um filme, "Equinox" não é para você - pelo menos não por enquanto. A primeira temporada tem um história bastante consistente, envolvente e bem desenvolvida, mas difícil. As peças vão se encaixando com a mesma velocidade que outras pontas vão se abrindo, porém a sensação que nos dá é que tudo parece fazer parte de um planejamento (o que é um alívio). Mesmo que algumas soluções, ainda assim, possam incomodar pela superficialidade, existe um contraste narrativo muito interessante entre o palpável e o interpretativo, que é capaz de sustentar o mistério até o final. O próprio produtor da série, Piv Bernth (de "The Killing"- o original) definiu: “Equinox é uma história muito única sobre a diferença entre realidade e imaginação, e a relação entre livre arbítrio e destino – tudo isso em uma família dinamarquesa normal”.

"Equinox" foi competente ao misturar (possíveis) elementos sobrenaturais com problemas reais, típicos da adolescência, sem ser piegas, com isso o roteiro estabeleceu um drama sólido de como as pessoas vulneráveis podem ser levadas a acreditar em crenças surreais, seja por fragilidade ou até por distúrbios psicológicos - e aqui vale ressaltar que a primeira temporada foi baseada em um podcast de muito sucesso na Dinamarca chamado "Equinox 1985", mas não se sabe ao certo como seria uma segunda temporada, embora o gancho do final (que ainda pode dividir opiniões) nos provoque a torcer para que ela aconteça. 

Tendo em vista todas as observações que pontuamos acima, recomendamos "Equinox" com tranquilidade e mesmo se tratando de lendas e folclores locais, fica a dica: tudo tem uma explicação, mesmo que, nesse caso, ela não venha como estamos acostumados!

Assista Agora

"Equinox" é um ótima série, mesmo se apoiando em alguns esteriótipos para se estabelecer no gênero, eu diria que já é possível defini-la como a primeira grande surpresa do ano de 2021 no catálogo da Netflix (mesmo tendo chegado no finalzinho de 2020). Agora não espere uma jornada fácil, essa série dinamarquesa é cheia de simbolismos e informações que não necessariamente se encontram nos seis primeiros episódios da primeira temporada - mais ou menos como "Hereditário"ou "Midsommar".

A série acompanha a jornada de Astrid (Danica Curcic), uma jovem que, em 1999, viu sua irmã mais velha e quase todos os colegas de classe desaparecerem de uma forma completamente misteriosa e sem deixar qualquer vestígio, na noite de formatura. Desde então ela ficou traumatizada, crescendo cercada por visões terríveis e pesadelos envolvendo sua irmã e os outros desaparecidos. 21 anos depois, Astrid volta a ser assombrada e depois de receber uma ligação de um dos sobreviventes, ela se propõe a investigar o que realmente aconteceu na época e buscar a verdade sobre o paradeiro de sua irmã Ida (Karoline Hamm). Confira o trailer:

Se você é daqueles que precisam de todas as respostas para chancelar a qualidade de uma série ou de um filme, "Equinox" não é para você - pelo menos não por enquanto. A primeira temporada tem um história bastante consistente, envolvente e bem desenvolvida, mas difícil. As peças vão se encaixando com a mesma velocidade que outras pontas vão se abrindo, porém a sensação que nos dá é que tudo parece fazer parte de um planejamento (o que é um alívio). Mesmo que algumas soluções, ainda assim, possam incomodar pela superficialidade, existe um contraste narrativo muito interessante entre o palpável e o interpretativo, que é capaz de sustentar o mistério até o final. O próprio produtor da série, Piv Bernth (de "The Killing"- o original) definiu: “Equinox é uma história muito única sobre a diferença entre realidade e imaginação, e a relação entre livre arbítrio e destino – tudo isso em uma família dinamarquesa normal”.

"Equinox" foi competente ao misturar (possíveis) elementos sobrenaturais com problemas reais, típicos da adolescência, sem ser piegas, com isso o roteiro estabeleceu um drama sólido de como as pessoas vulneráveis podem ser levadas a acreditar em crenças surreais, seja por fragilidade ou até por distúrbios psicológicos - e aqui vale ressaltar que a primeira temporada foi baseada em um podcast de muito sucesso na Dinamarca chamado "Equinox 1985", mas não se sabe ao certo como seria uma segunda temporada, embora o gancho do final (que ainda pode dividir opiniões) nos provoque a torcer para que ela aconteça. 

Tendo em vista todas as observações que pontuamos acima, recomendamos "Equinox" com tranquilidade e mesmo se tratando de lendas e folclores locais, fica a dica: tudo tem uma explicação, mesmo que, nesse caso, ela não venha como estamos acostumados!

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Fresh

"Fresh" é para você que gosta dos filmes do Jordan Peele, como "Corra!" e "Nós" - e olha, a similaridade não está no conteúdo e sim na forma quase non-sense de contar uma história de suspense com muitos elementos de terror e sangue, muito sangue. Então esteja preparado para uma experiência sensorial que vai do nojo ao humor indelicado, surpreendente, contagiante, mas com um gosto muito particular de gênero.

Em "Fresh" conhecemos a  jovem e solteira Noa (Daisy Edgar-Jones), que inesperadamente encontra o sedutor Steve (Sebastian Stan) em um supermercado e, devido à frustração das recentes experiências com aplicativos de namoro, resolve arriscar e dar o seu número para o rapaz. Após um primeiro encontro romântico e envolvente, Noa aceita o convite de Steve para passar um final de semana juntos, porém o que parecia a chance de um grande amor acaba se tornando um pesadelo cheio de gostos e sabores. Confira o trailer:

Embora seja o primeiro trabalho da diretora Mimi Cave é notável seu domínio narrativo de uma gramática cinematográfica que nem sempre se encaixa com a proposta conceitual de um roteiro como esse - aliás, essa poderia ser uma história aterrorizante se fosse levada a sério, mas Cave parece ser uma diretora que não teme correr riscos e referenciada por nomes como o já citado Jordan Peele, Quentin Tarantino e até Bong Joon-Ho, entrega um filme que abusa do over-acting e se aproxima do kitsch para criar uma dinâmica tão absurda quanto divertida.

Unir todos esses pontos me pareceu ser o maior mérito de "Fresh" - é um fato que estamos sempre com os nervos a flor da pele esperando uma catástrofe que está anunciada desde o final de um bem desenvolvido primeiro ato. A montagem do Martin Pensa (de "Clube de Compras Dallas") brinca com nossa percepção ao traçar paralelos entre o arco principal e as subtramas - a verdade é que nunca sabemos o que vamos encontrar já que os cortes secos e dinâmicos criam uma atmosfera de insegurança absurda: seja na hora em que Steve está cozinhando, seja no sincronismo das ações em ambientes distintos.

É claro que "Fresh" não tem a profundidade e muito mesmo a força crítica de "Parasita" (embora tente), mas também é inegável a intenção da diretora, e da roteirista Lauryn Kahn, em dar voz ao feminismo, empoderando as protagonistas e ridicularizando qualquer figura masculina do filme. A própria importância do cenário (e de todo desenho de produção) nesse contexto, ajuda na construção de um clima claustrofóbico, ao mesmo tempo requintado, onde Steve reina e que, mais uma vez, nos remete ao filme de Bong Joon-Ho. Talvez até o final siga o mesmo caminho, mas aí já com um toque de "Silêncio dos Inocentes", mas o fato é que o nível de catarse é incrível e a sensação de originalidade soa maior ainda e, mesmo que essa não a realidade, toda essa mistura funciona muito bem.

Vale o play!

Assista Agora

"Fresh" é para você que gosta dos filmes do Jordan Peele, como "Corra!" e "Nós" - e olha, a similaridade não está no conteúdo e sim na forma quase non-sense de contar uma história de suspense com muitos elementos de terror e sangue, muito sangue. Então esteja preparado para uma experiência sensorial que vai do nojo ao humor indelicado, surpreendente, contagiante, mas com um gosto muito particular de gênero.

Em "Fresh" conhecemos a  jovem e solteira Noa (Daisy Edgar-Jones), que inesperadamente encontra o sedutor Steve (Sebastian Stan) em um supermercado e, devido à frustração das recentes experiências com aplicativos de namoro, resolve arriscar e dar o seu número para o rapaz. Após um primeiro encontro romântico e envolvente, Noa aceita o convite de Steve para passar um final de semana juntos, porém o que parecia a chance de um grande amor acaba se tornando um pesadelo cheio de gostos e sabores. Confira o trailer:

Embora seja o primeiro trabalho da diretora Mimi Cave é notável seu domínio narrativo de uma gramática cinematográfica que nem sempre se encaixa com a proposta conceitual de um roteiro como esse - aliás, essa poderia ser uma história aterrorizante se fosse levada a sério, mas Cave parece ser uma diretora que não teme correr riscos e referenciada por nomes como o já citado Jordan Peele, Quentin Tarantino e até Bong Joon-Ho, entrega um filme que abusa do over-acting e se aproxima do kitsch para criar uma dinâmica tão absurda quanto divertida.

Unir todos esses pontos me pareceu ser o maior mérito de "Fresh" - é um fato que estamos sempre com os nervos a flor da pele esperando uma catástrofe que está anunciada desde o final de um bem desenvolvido primeiro ato. A montagem do Martin Pensa (de "Clube de Compras Dallas") brinca com nossa percepção ao traçar paralelos entre o arco principal e as subtramas - a verdade é que nunca sabemos o que vamos encontrar já que os cortes secos e dinâmicos criam uma atmosfera de insegurança absurda: seja na hora em que Steve está cozinhando, seja no sincronismo das ações em ambientes distintos.

É claro que "Fresh" não tem a profundidade e muito mesmo a força crítica de "Parasita" (embora tente), mas também é inegável a intenção da diretora, e da roteirista Lauryn Kahn, em dar voz ao feminismo, empoderando as protagonistas e ridicularizando qualquer figura masculina do filme. A própria importância do cenário (e de todo desenho de produção) nesse contexto, ajuda na construção de um clima claustrofóbico, ao mesmo tempo requintado, onde Steve reina e que, mais uma vez, nos remete ao filme de Bong Joon-Ho. Talvez até o final siga o mesmo caminho, mas aí já com um toque de "Silêncio dos Inocentes", mas o fato é que o nível de catarse é incrível e a sensação de originalidade soa maior ainda e, mesmo que essa não a realidade, toda essa mistura funciona muito bem.

Vale o play!

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Fuja

"Fuja" é a boa opção de entretenimento da Netflix. Um drama familiar recheado de momentos de tensão e ótimas atuações. O diretor Aneesh Chaganty já deu mostras da sua criatividade e objetividade no disruptivo "Buscando..." (2018). Aqui, ele traz mais uma história urgente e ágil; porém, adota uma estética tradicional para compor sua narrativa.

Na trama, temos uma adolescente, Chloe (Kiera Allen), que nasceu com várias doenças físicas, exigindo adaptações na sua casa e na sua alimentação. Apesar disso, logo percebemos que a rotina dela é excessivamente controlada pela mãe (Sarah Paulson): de homeschooling (substituição da escola por estudos em casa) à restrição total de celular. Após presenciar alguns acontecimentos estranhos, desconfiada, Chloe inicia uma espécie de investigação que a leva a descobertas surpreendentes. Confira o trailer:

A superação física e a inteligência de Chloe faz com que tenhamos empatia imediata por ela. Isso é fundamental para que a narrativa funcione, pois é através do ponto de vista dela que enxergamos a história. Ponto para a atriz Kiera Allen, que ainda possui poucos trabalhos no currículo. E o que falar de Sarah Paulson? A queridinha do universo das séries honra sua fama de "força da natureza", dando vida (e morbidade) a uma mãe dúbia, controladora e misteriosa. É interessante notar que, apesar de não ser a protagonista, ela é vendida como tal na divulgação do filme, tamanho o prestígio que sua imagem tem.

O roteiro acha soluções criativas para os obstáculos enfrentados pela jovem. Além disso, é competente em criar tensão e preciso na duração das cenas. Entretanto, sofre com a estrutura convencional e relativamente previsível, perdendo forças no ato final – principalmente se você conhece histórias recentes como "Objetos Cortantes" e "The Act". Com um desfecho controverso (ou seria apenas subversivo?), "Run" (título original) é um thriller competente e bem executado. Para além do entretenimento, a reflexão causada não é das mais profundas. E menos ainda otimistas!

Vale seu play desde que acompanhado com muita pipoca!

Escrito por Ricelli Ribeiro - uma parceria @dicastreaming 

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"Fuja" é a boa opção de entretenimento da Netflix. Um drama familiar recheado de momentos de tensão e ótimas atuações. O diretor Aneesh Chaganty já deu mostras da sua criatividade e objetividade no disruptivo "Buscando..." (2018). Aqui, ele traz mais uma história urgente e ágil; porém, adota uma estética tradicional para compor sua narrativa.

Na trama, temos uma adolescente, Chloe (Kiera Allen), que nasceu com várias doenças físicas, exigindo adaptações na sua casa e na sua alimentação. Apesar disso, logo percebemos que a rotina dela é excessivamente controlada pela mãe (Sarah Paulson): de homeschooling (substituição da escola por estudos em casa) à restrição total de celular. Após presenciar alguns acontecimentos estranhos, desconfiada, Chloe inicia uma espécie de investigação que a leva a descobertas surpreendentes. Confira o trailer:

A superação física e a inteligência de Chloe faz com que tenhamos empatia imediata por ela. Isso é fundamental para que a narrativa funcione, pois é através do ponto de vista dela que enxergamos a história. Ponto para a atriz Kiera Allen, que ainda possui poucos trabalhos no currículo. E o que falar de Sarah Paulson? A queridinha do universo das séries honra sua fama de "força da natureza", dando vida (e morbidade) a uma mãe dúbia, controladora e misteriosa. É interessante notar que, apesar de não ser a protagonista, ela é vendida como tal na divulgação do filme, tamanho o prestígio que sua imagem tem.

O roteiro acha soluções criativas para os obstáculos enfrentados pela jovem. Além disso, é competente em criar tensão e preciso na duração das cenas. Entretanto, sofre com a estrutura convencional e relativamente previsível, perdendo forças no ato final – principalmente se você conhece histórias recentes como "Objetos Cortantes" e "The Act". Com um desfecho controverso (ou seria apenas subversivo?), "Run" (título original) é um thriller competente e bem executado. Para além do entretenimento, a reflexão causada não é das mais profundas. E menos ainda otimistas!

Vale seu play desde que acompanhado com muita pipoca!

Escrito por Ricelli Ribeiro - uma parceria @dicastreaming 

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Hereditário

"Hereditário" é um suspense sobrenatural clássico na sua narrativa, mas inovador na forma como ela é articulada pelo roteirista e diretor Ari Aster - e justamente por isso vai causar o efeito: ame ou odeie! Se você gostou de "Midsommar", outro filme do mesmo diretor, é bem provável que "Hereditário" te conquiste ainda mais, porém se você achou "Midsommar" sem pé nem cabeça, pare de ler esse review agora e parta para a próxima recomendação - sem ressentimentos! É isso, praticamente impossível existir um "meio-termo" para definir a qualidade desse filme, como explicarei no texto abaixo.

"Hereditário" conta, de forma perturbadora, a história de uma família classe média americana que está em luto pela perda de sua matriarca Ellen (Kathleen Chalfant), mãe de Annie (Toni Collette) e avó de Peter (Alex Wolff) e Charlie (Milly Shapiro). Após o funeral, fenômenos estranhos começam a acontecer na casa onde a família reside, o que acaba culminando em novas desgraças e trazendo à tona um incrível mistério sobre as circunstâncias que envolveram a morte de Ellen e seu passado. Confira o trailer:

Pois bem, "Hereditário" é considerado por muitos o melhor filme de suspense de 2018, o que para mim soa como um certo exagero, mas é compreensível essa adoração que o filme do então novato, Ari Aster, gerou na audiência. Foram mais de 100 indicações em festivais do mundo inteiro e 45 prêmios, inclusive foi finalista no "Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films"em 2019, um dos prêmios mais respeitados do gênero - Aster acabou ganhando o Saturn Awards nesse mesmo ano! Mesmo com todo esse cartão de visitas, nem todos vão gostar, pois o filme, de fato, não segue um contexto tão convencional, onde tudo é explicado e o maior mérito fica para a quantidade de sustos que o filme provoca! "Hereditário" definitivamente não é isso; ele é um suspense sobrenatural sim, mas com elementos de drama psicológico que enriquecem o roteiro, mesmo com alguns esteriótipos de gênero. É o típico filme que você assiste, se envolve e assim que termina corre para a internet em busca de explicações que estão escondidas em pequenos detalhes ou em diálogos que podem parecer despretensiosos, mas que funcionam como estrutura vital para que a história faça algum sentido. É por isso que gostei mais do roteiro do que do filme - comparando com "Midsommar", por exemplo, achei que faltou algo que me causasse uma certa angústia; em todo caso, acho que vale muito a pena o play! 

Ari Aster é um diretor extremamente criativo e seu trabalho merece muitos elogios: já na primeira sequência do filme entendemos que se trata de um diretor diferenciado, elegante na sua maneira de enquadrar e de dar dinâmica para a história. O fato dele ter escrito o filme ajuda nesse alinhamento conceitual entre o que está no roteiro e o que vai para a tela e é aqui que temos o ponto alto do filme: cheio de surpresas, "Hereditário" é um filme para ser interpretado, ele tem várias camadas e muitos (muitos) detalhes que impactam diretamente em como nos relacionamos com ele - um ótimo exemplo é o fato de que tudo leva a crer que a filha mais nova, Charlie, será a protagonista, porém já no final do primeiro ato o diretor nos mostra que nem tudo "é", aquilo que "parece"! Reparem também que o simbolismo está em todos os lugares e será ele o guia dessa jornada - mas, aviso: será preciso ficar muito atento, pois Aster alterna o "explícito" e o "sugestionável" com a mesma eficiência - reparem (sem spoiler) no colar que Ellen está usando no seu velório e onde mais aquele mesmo símbolo vai aparecer, e muita coisa fará sentido!

Outro elemento do roteiro que me chamou atenção é a mitologia que Aster usa para invocar o sobrenatural: ele escolhe "Paimon" em vez do "Demônio" e com isso amplia a curiosidade sobre a história, já que nos provoca a pesquisar as razões que levaram os personagens a agir de determinadas formas - eu acho isso genial, uma pequena troca e tudo ganha um sentido muito mais amplo! Dica: se após o filme você quiser ir mais profundamente na história por trás das decisões criativas do diretor, eu sugiro esse ótimo texto escrito pela Boo Mesquita para o site "Farofa Geek".

A produtora americana "A24", responsável por "Hereditário", já possui inúmeros sucessos que surpreenderam por agradar tanto a crítica como o público: é o caso de “A Bruxa” (2016) e “Ex Machina" (2015), além de todos os prêmios que conquistou com “Moonlight” (2017) e “O Quarto de Jack” (2016), e ainda inúmeras indicações com “Lady Bird" (2018) e “Projeto Flórida” (2018), com isso é de se esperar que a qualidade técnica esteja a altura da artística e é o que acontece. A produção, mesmo com um baixo orçamento - apenas 10 milhões de dólares - é um primor de detalhes! Basicamente faz uma releitura da "Casa mal-assombrada", ao melhor estilo "O Exorcista", que funciona de gatilho para gerar uma tensão permanente durante as duas horas de filme. A fotografia do Pawel Pogorzelski lembra muito o trabalho que vemos, alguns anos depois, em "Servant" da AppleTv+. O elenco é excelente também - Toni Collette (Sexto Sentido) merecia ter sido lembrada nas premiações por esse trabalho, ela está incrível como uma mãe completamente perturbada que transita com muita sensibilidade entre o "real" e o "paranóico". Mesmo muito contido, Gabriel Byrne também merece elogios e, claro, Alex Wolff é o grande destaque do filme. Apenas a jovem Milly Shapiro não me agradou - muito caricata para o meu gosto.

É bem possível que "Hereditário" vá te assustar, mas é o aspecto oculto que vai mexer com você. A riqueza da história está em uma camada mais profunda e se você não estiver disposto a acessá-la, provavelmente, você vai se decepcionar. Agora, se você quiser ir além do que a tela está sugerindo, certamente você vai encontrar um material vasto que serve como ferramenta na construção de um quebra-cabeça muito bem pensado. Visto o lucro nas bilheterias, mais de 80 milhões de dólares, "Hereditário" conseguiu alcançar o seu público e ainda fortalecer essa nova geração de diretores que estão transformando as histórias de suspense/terror no cinema!

Indico! 

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"Hereditário" é um suspense sobrenatural clássico na sua narrativa, mas inovador na forma como ela é articulada pelo roteirista e diretor Ari Aster - e justamente por isso vai causar o efeito: ame ou odeie! Se você gostou de "Midsommar", outro filme do mesmo diretor, é bem provável que "Hereditário" te conquiste ainda mais, porém se você achou "Midsommar" sem pé nem cabeça, pare de ler esse review agora e parta para a próxima recomendação - sem ressentimentos! É isso, praticamente impossível existir um "meio-termo" para definir a qualidade desse filme, como explicarei no texto abaixo.

"Hereditário" conta, de forma perturbadora, a história de uma família classe média americana que está em luto pela perda de sua matriarca Ellen (Kathleen Chalfant), mãe de Annie (Toni Collette) e avó de Peter (Alex Wolff) e Charlie (Milly Shapiro). Após o funeral, fenômenos estranhos começam a acontecer na casa onde a família reside, o que acaba culminando em novas desgraças e trazendo à tona um incrível mistério sobre as circunstâncias que envolveram a morte de Ellen e seu passado. Confira o trailer:

Pois bem, "Hereditário" é considerado por muitos o melhor filme de suspense de 2018, o que para mim soa como um certo exagero, mas é compreensível essa adoração que o filme do então novato, Ari Aster, gerou na audiência. Foram mais de 100 indicações em festivais do mundo inteiro e 45 prêmios, inclusive foi finalista no "Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films"em 2019, um dos prêmios mais respeitados do gênero - Aster acabou ganhando o Saturn Awards nesse mesmo ano! Mesmo com todo esse cartão de visitas, nem todos vão gostar, pois o filme, de fato, não segue um contexto tão convencional, onde tudo é explicado e o maior mérito fica para a quantidade de sustos que o filme provoca! "Hereditário" definitivamente não é isso; ele é um suspense sobrenatural sim, mas com elementos de drama psicológico que enriquecem o roteiro, mesmo com alguns esteriótipos de gênero. É o típico filme que você assiste, se envolve e assim que termina corre para a internet em busca de explicações que estão escondidas em pequenos detalhes ou em diálogos que podem parecer despretensiosos, mas que funcionam como estrutura vital para que a história faça algum sentido. É por isso que gostei mais do roteiro do que do filme - comparando com "Midsommar", por exemplo, achei que faltou algo que me causasse uma certa angústia; em todo caso, acho que vale muito a pena o play! 

Ari Aster é um diretor extremamente criativo e seu trabalho merece muitos elogios: já na primeira sequência do filme entendemos que se trata de um diretor diferenciado, elegante na sua maneira de enquadrar e de dar dinâmica para a história. O fato dele ter escrito o filme ajuda nesse alinhamento conceitual entre o que está no roteiro e o que vai para a tela e é aqui que temos o ponto alto do filme: cheio de surpresas, "Hereditário" é um filme para ser interpretado, ele tem várias camadas e muitos (muitos) detalhes que impactam diretamente em como nos relacionamos com ele - um ótimo exemplo é o fato de que tudo leva a crer que a filha mais nova, Charlie, será a protagonista, porém já no final do primeiro ato o diretor nos mostra que nem tudo "é", aquilo que "parece"! Reparem também que o simbolismo está em todos os lugares e será ele o guia dessa jornada - mas, aviso: será preciso ficar muito atento, pois Aster alterna o "explícito" e o "sugestionável" com a mesma eficiência - reparem (sem spoiler) no colar que Ellen está usando no seu velório e onde mais aquele mesmo símbolo vai aparecer, e muita coisa fará sentido!

Outro elemento do roteiro que me chamou atenção é a mitologia que Aster usa para invocar o sobrenatural: ele escolhe "Paimon" em vez do "Demônio" e com isso amplia a curiosidade sobre a história, já que nos provoca a pesquisar as razões que levaram os personagens a agir de determinadas formas - eu acho isso genial, uma pequena troca e tudo ganha um sentido muito mais amplo! Dica: se após o filme você quiser ir mais profundamente na história por trás das decisões criativas do diretor, eu sugiro esse ótimo texto escrito pela Boo Mesquita para o site "Farofa Geek".

A produtora americana "A24", responsável por "Hereditário", já possui inúmeros sucessos que surpreenderam por agradar tanto a crítica como o público: é o caso de “A Bruxa” (2016) e “Ex Machina" (2015), além de todos os prêmios que conquistou com “Moonlight” (2017) e “O Quarto de Jack” (2016), e ainda inúmeras indicações com “Lady Bird" (2018) e “Projeto Flórida” (2018), com isso é de se esperar que a qualidade técnica esteja a altura da artística e é o que acontece. A produção, mesmo com um baixo orçamento - apenas 10 milhões de dólares - é um primor de detalhes! Basicamente faz uma releitura da "Casa mal-assombrada", ao melhor estilo "O Exorcista", que funciona de gatilho para gerar uma tensão permanente durante as duas horas de filme. A fotografia do Pawel Pogorzelski lembra muito o trabalho que vemos, alguns anos depois, em "Servant" da AppleTv+. O elenco é excelente também - Toni Collette (Sexto Sentido) merecia ter sido lembrada nas premiações por esse trabalho, ela está incrível como uma mãe completamente perturbada que transita com muita sensibilidade entre o "real" e o "paranóico". Mesmo muito contido, Gabriel Byrne também merece elogios e, claro, Alex Wolff é o grande destaque do filme. Apenas a jovem Milly Shapiro não me agradou - muito caricata para o meu gosto.

É bem possível que "Hereditário" vá te assustar, mas é o aspecto oculto que vai mexer com você. A riqueza da história está em uma camada mais profunda e se você não estiver disposto a acessá-la, provavelmente, você vai se decepcionar. Agora, se você quiser ir além do que a tela está sugerindo, certamente você vai encontrar um material vasto que serve como ferramenta na construção de um quebra-cabeça muito bem pensado. Visto o lucro nas bilheterias, mais de 80 milhões de dólares, "Hereditário" conseguiu alcançar o seu público e ainda fortalecer essa nova geração de diretores que estão transformando as histórias de suspense/terror no cinema!

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IT - Capítulo II

Antes de mais nada eu preciso dizer que não sou um leitor, nem um fã incondicional das obras do Stephen King, mas reconheço a complexidade da sua escrita e sua habilidade para criar universos e histórias que brincam com nossa imaginação como ninguém. Não tenho a menor dúvida da qualidade dos seus livros, mas sei também da enorme dificuldade que é adaptar para o cinema, então sempre relativizo o resultado de alguns desses filmes. O fato é que gostei de pouca coisa que já foi para tela - "Um Sonho de Liberdade", "Carrie – A Estranha" (de 76), "O Iluminado" e "À espera de um Milagre" (tirando os 10 minutos finais) talvez sejam os meus preferidos. Existem outros honestos, mas também já saiu muita porcaria.

Dito isso e antes de comentar sobre o segundo capítulo de "IT", quero fazer algumas colocações sobre o primeiro. Para quem não sabe, "IT" parte da história de uma série de desaparecimentos que acontecem na pequena cidade de Derry no final dos anos 80 - sim, ao assistir a versão cinematográfica de 2017, fica impossível não se lembrar de "Stranger Things", principalmente quando a trama começa acompanhar o drama de Bill, irmão mais velho de um garoto de 8 anos chamado George, um dos desaparecidos. Inconformado, Bill passa a investigar esses desaparecimentos com a ajuda de seus melhores amigos, o conhecido “Clube dos Perdedores”. Quando o grupo passa ser assombrado pro visões dos seus medos mais profundos, o tom sobrenatural toma conta da história e o ameaçador Palhaço Pennywise ganha status de entidade maléfica. Veja o trailer do primeiro filme:

Sou capaz de imaginar como o livro pode ser assustador, mas no filme, o tom "anos 80" da narrativa, transforma a trama em um apanhado de clichês, se afastando da proposta mais séria que o diretor tenta imprimir no primeiro ato do filme. Conforme a trama vai se desenrolando, acaba ficando claro que não dá para levar aquela história tão a sério. Admito que o filme me prendeu, mas nem de longe me conquistou - talvez porque eu não seja o publico alvo. É inegável que o filme tem seu valor e isso se refletiu nas bilheterias do mundo inteiro, mas é preciso estar disposto a embarcar naquele tipo de história! Embora se apresente (e tenha sido vendido) como um terror clássico, para mim, "IT" é mais uma aventura adolescente com pitadas de suspense - uma espécie de "Stranger Things" versão Stephen King! Se você acha que pode gostar da mistura, assista o Capítulo I antes de seguir adiante pois alguns comentários a seguir podem conter spoilers.

A 2ª parte (ou capítulo II, como preferir) retoma a história vinte e sete anos depois que o "Clube dos Perdedores", supostamente, derrotaram Pennywise. Quando algumas crianças começam a desaparecer novamente, Mike, o único do grupo que permaneceu na cidade, convoca um a um do grupo de volta para Derry para cumprirem o pacto de sangue que fizeram quando ainda eram adolescentes. Traumatizados pelas experiências desse passado, eles precisam dominar seus medos mais uma vez, pois só assim terão alguma chance de eliminar Pennywise de uma vez por todas. Acontece que o filme, agora com o dobro do orçamento do primeiro, acaba se perdendo no que o anterior tinha de melhor - a ingenuidade! Os protagonistas cresceram, são adultos, não cabe mais aquele tom de aventura ao estilo "Goonies" e aquela suspensão da realidade precisa, mais uma vez, ser levada em conta - só que agora em níveis muito mais elevados. Além disso o roteiro rouba no jogo, pois ele trás para narrativa fashbacks de momentos-chave para a história que simplesmente não existiram na primeira parte. A jornada não se completa, as peças ficam perdidas e aí é preciso inventar soluções para que tudo se encaixe de alguma forma - e isso pode incomodar!

A direção do mesmo Andy Muschietti continua muito competente, mesmo com a mania de querer sempre fazer transições entre passado e presente a cada retrospectiva de personagem. A fotografia e o look do filme continuam belíssimos - a sequência inicial é tão boa quanto do primeiro filme, talvez até mais impactante pela violência. Os efeitos especiais ganharam um up grade com o orçamento maior, mas, em alguns momentos, continuam over (propositalmente). Agora, o que me incomodou mesmo foi o ritmo do filme! São quase 3 horas contando a história de cada um dos protagonistas isoladamente - fica tão arrastado que quando chega o momento deles enfrentarem Pennywise, você já está torcendo para acabar logo, porque ninguém aguenta mais. Digamos que não é um filme tão bom assim para nos prender durante tanto tempo!

 "IT 2" tem coisas boas, mas tem muita coisa questionável. Eu não comprei essa continuação. Talvez o fã ou leitor de Stephen King se identifique mais com o filme do que eu e por isso sigo com a indicação. O primeiro não tinha me conquistado, mas como eu disse: me prendeu. O segundo me cansou e continuou não me conquistando. Achei mais fraco, uma repetição de situações, só que com protagonistas mais velhos e ainda sem unidade narrativa nenhuma. Acredito pode até ter seu valor como filme de gênero, mas como a expectativa estava muito alta, sou capaz de afirmar que essa segunda parte pode decepcionar muita gente! 

Assista Agora

Antes de mais nada eu preciso dizer que não sou um leitor, nem um fã incondicional das obras do Stephen King, mas reconheço a complexidade da sua escrita e sua habilidade para criar universos e histórias que brincam com nossa imaginação como ninguém. Não tenho a menor dúvida da qualidade dos seus livros, mas sei também da enorme dificuldade que é adaptar para o cinema, então sempre relativizo o resultado de alguns desses filmes. O fato é que gostei de pouca coisa que já foi para tela - "Um Sonho de Liberdade", "Carrie – A Estranha" (de 76), "O Iluminado" e "À espera de um Milagre" (tirando os 10 minutos finais) talvez sejam os meus preferidos. Existem outros honestos, mas também já saiu muita porcaria.

Dito isso e antes de comentar sobre o segundo capítulo de "IT", quero fazer algumas colocações sobre o primeiro. Para quem não sabe, "IT" parte da história de uma série de desaparecimentos que acontecem na pequena cidade de Derry no final dos anos 80 - sim, ao assistir a versão cinematográfica de 2017, fica impossível não se lembrar de "Stranger Things", principalmente quando a trama começa acompanhar o drama de Bill, irmão mais velho de um garoto de 8 anos chamado George, um dos desaparecidos. Inconformado, Bill passa a investigar esses desaparecimentos com a ajuda de seus melhores amigos, o conhecido “Clube dos Perdedores”. Quando o grupo passa ser assombrado pro visões dos seus medos mais profundos, o tom sobrenatural toma conta da história e o ameaçador Palhaço Pennywise ganha status de entidade maléfica. Veja o trailer do primeiro filme:

Sou capaz de imaginar como o livro pode ser assustador, mas no filme, o tom "anos 80" da narrativa, transforma a trama em um apanhado de clichês, se afastando da proposta mais séria que o diretor tenta imprimir no primeiro ato do filme. Conforme a trama vai se desenrolando, acaba ficando claro que não dá para levar aquela história tão a sério. Admito que o filme me prendeu, mas nem de longe me conquistou - talvez porque eu não seja o publico alvo. É inegável que o filme tem seu valor e isso se refletiu nas bilheterias do mundo inteiro, mas é preciso estar disposto a embarcar naquele tipo de história! Embora se apresente (e tenha sido vendido) como um terror clássico, para mim, "IT" é mais uma aventura adolescente com pitadas de suspense - uma espécie de "Stranger Things" versão Stephen King! Se você acha que pode gostar da mistura, assista o Capítulo I antes de seguir adiante pois alguns comentários a seguir podem conter spoilers.

A 2ª parte (ou capítulo II, como preferir) retoma a história vinte e sete anos depois que o "Clube dos Perdedores", supostamente, derrotaram Pennywise. Quando algumas crianças começam a desaparecer novamente, Mike, o único do grupo que permaneceu na cidade, convoca um a um do grupo de volta para Derry para cumprirem o pacto de sangue que fizeram quando ainda eram adolescentes. Traumatizados pelas experiências desse passado, eles precisam dominar seus medos mais uma vez, pois só assim terão alguma chance de eliminar Pennywise de uma vez por todas. Acontece que o filme, agora com o dobro do orçamento do primeiro, acaba se perdendo no que o anterior tinha de melhor - a ingenuidade! Os protagonistas cresceram, são adultos, não cabe mais aquele tom de aventura ao estilo "Goonies" e aquela suspensão da realidade precisa, mais uma vez, ser levada em conta - só que agora em níveis muito mais elevados. Além disso o roteiro rouba no jogo, pois ele trás para narrativa fashbacks de momentos-chave para a história que simplesmente não existiram na primeira parte. A jornada não se completa, as peças ficam perdidas e aí é preciso inventar soluções para que tudo se encaixe de alguma forma - e isso pode incomodar!

A direção do mesmo Andy Muschietti continua muito competente, mesmo com a mania de querer sempre fazer transições entre passado e presente a cada retrospectiva de personagem. A fotografia e o look do filme continuam belíssimos - a sequência inicial é tão boa quanto do primeiro filme, talvez até mais impactante pela violência. Os efeitos especiais ganharam um up grade com o orçamento maior, mas, em alguns momentos, continuam over (propositalmente). Agora, o que me incomodou mesmo foi o ritmo do filme! São quase 3 horas contando a história de cada um dos protagonistas isoladamente - fica tão arrastado que quando chega o momento deles enfrentarem Pennywise, você já está torcendo para acabar logo, porque ninguém aguenta mais. Digamos que não é um filme tão bom assim para nos prender durante tanto tempo!

 "IT 2" tem coisas boas, mas tem muita coisa questionável. Eu não comprei essa continuação. Talvez o fã ou leitor de Stephen King se identifique mais com o filme do que eu e por isso sigo com a indicação. O primeiro não tinha me conquistado, mas como eu disse: me prendeu. O segundo me cansou e continuou não me conquistando. Achei mais fraco, uma repetição de situações, só que com protagonistas mais velhos e ainda sem unidade narrativa nenhuma. Acredito pode até ter seu valor como filme de gênero, mas como a expectativa estava muito alta, sou capaz de afirmar que essa segunda parte pode decepcionar muita gente! 

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Mãe!

Depois de assistir "Mother!" (título original) é tanta coisa pra dizer que fica até difícil começar. O fato é que fica muito claro que é um filme do Darren Aronofsky ("Cisne Negro") - é o estilo dele: da escolha das lentes, dos enquadramentos (basicamente três no filme inteiro), do movimento de câmera, da direção de atores com precisão até chegar no tom perfeito, a cor e a velocidade da narrativa extremamente pontual e objetiva - nos permitindo entender apenas o que ele mostra em um determinado momento e só! Para mim, ao lado do Denis Villeneuve e do (um pouco mais novo) Derek Cianfrance, o Aronofsky está entre os melhores diretores dessa geração.

No filme, uma mulher pensa que terá um final de semana tranquilo com o marido em casa. Porém, começam a chegar diversos convidados misteriosos na sua residência e isso faz com que o casamento deles seja testado das mais variadas maneiras. Confira o trailer:

Só pelo trailer o filme já merece ser assistido, agora saiba que não será uma experiência fácil e muito menos superficial. O filme possui várias camadas e as alegorias religiosas (muito bem embasadas, inclusive) estão por todos os lados, mas nem por isso são 100% perceptíveis - mas tenha certeza: nada no filme está ali por acaso (ele vai te provar isso, mas para isso você vai ser obrigado a assistir de novo e talvez "de novo"). 

"A história surgiu de viver nesse planeta e meio que ver o que acontece à nossa volta e ser incapaz de fazer algo", disse Aronofsky em entrevista à Variety. "Eu apenas sentia muita raiva, ódio, e quis canalizar isso em uma só emoção, em um só sentimento. Em cinco dias eu escrevi a primeira versão do roteiro. Foi como se ele fluísse dentro de mim", explica o cineasta sobre o processo criativo que o acometeu ao conceber "Mãe!".

É preciso dizer que muita gente não gostou do filme e eu respeito, mas esse é o tipo de filme que te obriga a sair da zona de conforto. Não é pra qualquer um (sem deméritos, mas é preciso gostar do estilo)! É o filme que te convida à embarcar em uma viagem que faz todo o sentido quando você busca as respostas no outro ou até mesmo no google (rs). Não é um filme comum e por isso seu roteiro é simplesmente genial. A metáfora fundamental de que "Mãe!" é a personificação da natureza e o conflito está na forma perversa como as pessoas se relacionam com o universo, faz Aronofsky adotar a típica estrutura de um suspense psicológico, onde um casal e a sua casa são os protagonistas, mas a narrativa se apoia em histórias bíblicas para recontar surgimento da humanidade no planeta Terra - parece loucura? Eu sei, mas faz todo sentido!

Na direção, Aronofsky faz o que quer com a câmera, com a lente (tenho a impressão que ele rodou tudo com uma 85mm, em close e só mudava o campo focal com a "facilidade" de ter a câmera na mão) - é coisa de quem sabe brincar de cinema, e muito bem! As percepções de Deus, da Natureza, de Adão, Eva, Caim, Abel, do Planeta, do Homem e da própria vaidade são jogadas na nossa cara a todo momento - e como ganha valor quando ele se critica também, afinal ele é o criador "desse" universo!!! Cada alegoria te permite muitas interpretações e, como ele mesmo disse: "são passíveis de discussão".

Eu acho que a Academia entrou no Hype do "filme cabeça demais para o meu gosto", mas não deveria. Por justiça, Jennifer Lawrence (no melhor papel da carreira) e Javier Bardem mereciam uma indicação (interpretação de olhar). Michelle Pfeiffer também, embora um pouco mais estereotipada! Montagem e Edição de Som tinham potencial até surpreender. Agora, não ter direção, roteiro e fotografia indicados, foi para perder as esperanças no mundo!!!

Vale muito o play... 3x no mínimo!!!

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Depois de assistir "Mother!" (título original) é tanta coisa pra dizer que fica até difícil começar. O fato é que fica muito claro que é um filme do Darren Aronofsky ("Cisne Negro") - é o estilo dele: da escolha das lentes, dos enquadramentos (basicamente três no filme inteiro), do movimento de câmera, da direção de atores com precisão até chegar no tom perfeito, a cor e a velocidade da narrativa extremamente pontual e objetiva - nos permitindo entender apenas o que ele mostra em um determinado momento e só! Para mim, ao lado do Denis Villeneuve e do (um pouco mais novo) Derek Cianfrance, o Aronofsky está entre os melhores diretores dessa geração.

No filme, uma mulher pensa que terá um final de semana tranquilo com o marido em casa. Porém, começam a chegar diversos convidados misteriosos na sua residência e isso faz com que o casamento deles seja testado das mais variadas maneiras. Confira o trailer:

Só pelo trailer o filme já merece ser assistido, agora saiba que não será uma experiência fácil e muito menos superficial. O filme possui várias camadas e as alegorias religiosas (muito bem embasadas, inclusive) estão por todos os lados, mas nem por isso são 100% perceptíveis - mas tenha certeza: nada no filme está ali por acaso (ele vai te provar isso, mas para isso você vai ser obrigado a assistir de novo e talvez "de novo"). 

"A história surgiu de viver nesse planeta e meio que ver o que acontece à nossa volta e ser incapaz de fazer algo", disse Aronofsky em entrevista à Variety. "Eu apenas sentia muita raiva, ódio, e quis canalizar isso em uma só emoção, em um só sentimento. Em cinco dias eu escrevi a primeira versão do roteiro. Foi como se ele fluísse dentro de mim", explica o cineasta sobre o processo criativo que o acometeu ao conceber "Mãe!".

É preciso dizer que muita gente não gostou do filme e eu respeito, mas esse é o tipo de filme que te obriga a sair da zona de conforto. Não é pra qualquer um (sem deméritos, mas é preciso gostar do estilo)! É o filme que te convida à embarcar em uma viagem que faz todo o sentido quando você busca as respostas no outro ou até mesmo no google (rs). Não é um filme comum e por isso seu roteiro é simplesmente genial. A metáfora fundamental de que "Mãe!" é a personificação da natureza e o conflito está na forma perversa como as pessoas se relacionam com o universo, faz Aronofsky adotar a típica estrutura de um suspense psicológico, onde um casal e a sua casa são os protagonistas, mas a narrativa se apoia em histórias bíblicas para recontar surgimento da humanidade no planeta Terra - parece loucura? Eu sei, mas faz todo sentido!

Na direção, Aronofsky faz o que quer com a câmera, com a lente (tenho a impressão que ele rodou tudo com uma 85mm, em close e só mudava o campo focal com a "facilidade" de ter a câmera na mão) - é coisa de quem sabe brincar de cinema, e muito bem! As percepções de Deus, da Natureza, de Adão, Eva, Caim, Abel, do Planeta, do Homem e da própria vaidade são jogadas na nossa cara a todo momento - e como ganha valor quando ele se critica também, afinal ele é o criador "desse" universo!!! Cada alegoria te permite muitas interpretações e, como ele mesmo disse: "são passíveis de discussão".

Eu acho que a Academia entrou no Hype do "filme cabeça demais para o meu gosto", mas não deveria. Por justiça, Jennifer Lawrence (no melhor papel da carreira) e Javier Bardem mereciam uma indicação (interpretação de olhar). Michelle Pfeiffer também, embora um pouco mais estereotipada! Montagem e Edição de Som tinham potencial até surpreender. Agora, não ter direção, roteiro e fotografia indicados, foi para perder as esperanças no mundo!!!

Vale muito o play... 3x no mínimo!!!

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Midsommar

"Midsommar" é uma experiência interessante, principalmente se você entender a proposta, se permitir mergulhar na dinâmica narrativa e na psique dos personagens. Veja, a história acompanha Dani (Florence Pugh) que após um terrível incidente que tirou a vida de toda sua família, se vê sozinha. Ao buscar o apoio em seu namorado Christian (Jack Reynor), ela percebe que os dois passam por um momento delicado do relacionamento - o que só aumenta sua insegurança. Quando Pelle (Vilhelm Blomgren), amigo sueco de Christian, convida ele e mais dois amigos para uma tradicional celebração de verão na aldeia onde cresceu, Dani não lida muito bem com a situação e praticamente obriga o namorado a convidá-la. O fato é que ela vê nessa viagem a chance de processar seu luto, porém o que ela encontra é algo completamente fora do esperado, do seu entendimento, o que transforma essa experiência em algo extremamente macabro. Confira o trailer:

"Midsommar" é o segundo trabalho do diretor Ari Aster, do excelente e premiadíssimo "Hereditário" - talvez por essa razão, o filme chegou cheio de expectativas entre os amantes de suspense com uma levada mais "Boa Noite, Mamãe" de 2014. Embora completamente distintos, existe um ponto de convergência entre esses filmes que nos ajuda a entender o fascínio pela forma como Ari Aster constrói a história: o desenvolvimento na relação dos personagens com o ambiente que eles estão inseridos é delicadamente formatado por camadas que, juntas, intensificam a sensação de angústia e que separadas focam em elementos essências para um bom suspense: umas são mais delicadas, outras mais brutas, mas quando tudo nos leva a crer que o problema é externo - visualmente representada por cenas bem impactantes; entendemos que é o íntimo que transforma a situação em algo quase insuportável. Isso tudo para dizer que "Midsommar" é um filme que vai além do que vemos na tela e isso não deve agradar a todos, porém é preciso elogiar o trabalho conceitual que o diretor nos entrega.Vale muito a pena se você gostar do gênero e da forma como ele é representado!

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"Midsommar" é uma experiência interessante, principalmente se você entender a proposta, se permitir mergulhar na dinâmica narrativa e na psique dos personagens. Veja, a história acompanha Dani (Florence Pugh) que após um terrível incidente que tirou a vida de toda sua família, se vê sozinha. Ao buscar o apoio em seu namorado Christian (Jack Reynor), ela percebe que os dois passam por um momento delicado do relacionamento - o que só aumenta sua insegurança. Quando Pelle (Vilhelm Blomgren), amigo sueco de Christian, convida ele e mais dois amigos para uma tradicional celebração de verão na aldeia onde cresceu, Dani não lida muito bem com a situação e praticamente obriga o namorado a convidá-la. O fato é que ela vê nessa viagem a chance de processar seu luto, porém o que ela encontra é algo completamente fora do esperado, do seu entendimento, o que transforma essa experiência em algo extremamente macabro. Confira o trailer:

"Midsommar" é o segundo trabalho do diretor Ari Aster, do excelente e premiadíssimo "Hereditário" - talvez por essa razão, o filme chegou cheio de expectativas entre os amantes de suspense com uma levada mais "Boa Noite, Mamãe" de 2014. Embora completamente distintos, existe um ponto de convergência entre esses filmes que nos ajuda a entender o fascínio pela forma como Ari Aster constrói a história: o desenvolvimento na relação dos personagens com o ambiente que eles estão inseridos é delicadamente formatado por camadas que, juntas, intensificam a sensação de angústia e que separadas focam em elementos essências para um bom suspense: umas são mais delicadas, outras mais brutas, mas quando tudo nos leva a crer que o problema é externo - visualmente representada por cenas bem impactantes; entendemos que é o íntimo que transforma a situação em algo quase insuportável. Isso tudo para dizer que "Midsommar" é um filme que vai além do que vemos na tela e isso não deve agradar a todos, porém é preciso elogiar o trabalho conceitual que o diretor nos entrega.Vale muito a pena se você gostar do gênero e da forma como ele é representado!

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Não Fale com Estranhos

"Não Fale com Estranhos", é a nova minissérie da Netflix que vem chamando a atenção de muitos assinantes e que, surpreendentemente, vem recebendo muitos elogios da crítica especializada. Mas, antes de mais nada, em respeito aos nossos usuários, eu preciso ser muito sincero: achei a história um pouco previsível e a minissérie muito mal dirigida (e explicarei melhor meu ponto de vista logo abaixo), mas admito que o projeto tem alguns bons elementos: os ganchos entre os episódios são excelentes (razão que me fez continuar assistindo, inclusive) e um final bastante corajoso e que, além de me agradar, me surpreendeu!

Dito isso, "Não Fale com Estranhos" é baseada no best-seller ("Stranger") de Harlan Coben (o mesmo de "Safe") e conta a história de Adam Price (Richard Armitage) um pai de uma família da classe média/alta britânica que, aparentemente, tem uma vida perfeita: é casado com uma linda e talentosa esposa que o ama, é bem-sucedido como advogado em seu escritório e tem um excelente relacionamento com os filhos; até que uma jovem desconhecida (Hannah John-Kamen) se aproxima de Price e revela que sua mulher mentiu sobre uma recente gravidez e sugere que ele pode não ser o pai biológico dos seus dois filhos. Confrontada, Corrine Price (Dervla Kirwan) nega tais acusações, mas promete se explicar assim que se sentir confortável, porém, no dia seguinte, ela simplesmente desaparece deixando apenas um recado no celular para o marido!

Aparentemente "Não Fale com Estranhos" tem muitos elementos que me chamaram atenção em "The Undoing", só que bastou eu assistir alguns episódios da minissérie da Netflix para perceber que se tratava de um novelão, tamanho era a quantidade de subtramas que, mesmo tendo alguma relação com o arco principal, serviram muito mais de "distração" do que como elementos dramáticos essenciais para o desenvolvimento da história que realmente interessava - isso sem falar na sensível diferença de qualidade estética entre os dois projetos! Mesmo assim, é bem provável que "Não Fale com Estranhos" agrade ao assinante da Netflix que seguiu todas as temporadas de "Revenge" ou "Orphan Black" e que se divertiu com "Safe". Para os mais exigentes, sugiro outras opções!

É claro que o livro de Coben deve ter uma história mais fluída que sua adaptação para Netflix, pois o roteiro (mesmo com a supervisão do próprio autor) ficou cheio de furos, com uma narrativa, ao meu ver, preguiçosa e muito mais preocupada em distrair quem assistia a minissérie do que nos convidando a montar um enorme e intrigante quebra-cabeça (como "The Sinner" fez tão bem) - pelo simples fato de que muitas daquelas peças não serviram para nada! É claro que não sabemos disso logo de cara - a minissérie começa muito bem por sinal e vai nos enchendo de perguntas com o roteiro lançando diversos núcleos (assim como uma novela, por isso a comparação), cada qual com um drama bem particular, nos prendendo em um emaranhado de situações misteriosas. Imagine: a mulher que desaparece após um confronto com o marido que pode acabar com uma história de "contos de fadas", um estudante é encontrado nu após uma festa escolar que mais parece um ritual, um alpaca decapitada no meio de Manchester, um empreiteiro querendo destruir um bairro tradicional enquanto um dos moradores procura resistir à desapropriação e o assassinato da melhor amiga da detetive que investiga tudo isso - sem falar, claro, na jovem desconhecida e misteriosa que costura várias dessas situações! Aliás, as situações são tão distantes uma das outras que se unidas com um propósito narrativo mais inteligente, poderiam transformar a história em algo incrível! Esquece! Existem conexões sim, mas a grande maioria delas são mais superficiais, eu diria mal desenvolvidas, e ainda extremamente forçadas ao melhor estilo novelão - e, mais uma vez, se você gosta da dinâmica de novela, você provavelmente vai gostar de "Não Fale com Estranhos", mas é um outro produto audiovisual com suas forças, mas também com suas fraquezas.

"Não Fale com Estranhos" vai agradar mais uns do que outros - esses 8 episódios podem ser um bom entretenimento, sim, se você estiver buscando algo menos profundo e menos elaborado, mas mesmo assim com algum mistério - só não espere algo como "Big Little Lies" ou "Sharp Objects" por exemplo!

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"Não Fale com Estranhos", é a nova minissérie da Netflix que vem chamando a atenção de muitos assinantes e que, surpreendentemente, vem recebendo muitos elogios da crítica especializada. Mas, antes de mais nada, em respeito aos nossos usuários, eu preciso ser muito sincero: achei a história um pouco previsível e a minissérie muito mal dirigida (e explicarei melhor meu ponto de vista logo abaixo), mas admito que o projeto tem alguns bons elementos: os ganchos entre os episódios são excelentes (razão que me fez continuar assistindo, inclusive) e um final bastante corajoso e que, além de me agradar, me surpreendeu!

Dito isso, "Não Fale com Estranhos" é baseada no best-seller ("Stranger") de Harlan Coben (o mesmo de "Safe") e conta a história de Adam Price (Richard Armitage) um pai de uma família da classe média/alta britânica que, aparentemente, tem uma vida perfeita: é casado com uma linda e talentosa esposa que o ama, é bem-sucedido como advogado em seu escritório e tem um excelente relacionamento com os filhos; até que uma jovem desconhecida (Hannah John-Kamen) se aproxima de Price e revela que sua mulher mentiu sobre uma recente gravidez e sugere que ele pode não ser o pai biológico dos seus dois filhos. Confrontada, Corrine Price (Dervla Kirwan) nega tais acusações, mas promete se explicar assim que se sentir confortável, porém, no dia seguinte, ela simplesmente desaparece deixando apenas um recado no celular para o marido!

Aparentemente "Não Fale com Estranhos" tem muitos elementos que me chamaram atenção em "The Undoing", só que bastou eu assistir alguns episódios da minissérie da Netflix para perceber que se tratava de um novelão, tamanho era a quantidade de subtramas que, mesmo tendo alguma relação com o arco principal, serviram muito mais de "distração" do que como elementos dramáticos essenciais para o desenvolvimento da história que realmente interessava - isso sem falar na sensível diferença de qualidade estética entre os dois projetos! Mesmo assim, é bem provável que "Não Fale com Estranhos" agrade ao assinante da Netflix que seguiu todas as temporadas de "Revenge" ou "Orphan Black" e que se divertiu com "Safe". Para os mais exigentes, sugiro outras opções!

É claro que o livro de Coben deve ter uma história mais fluída que sua adaptação para Netflix, pois o roteiro (mesmo com a supervisão do próprio autor) ficou cheio de furos, com uma narrativa, ao meu ver, preguiçosa e muito mais preocupada em distrair quem assistia a minissérie do que nos convidando a montar um enorme e intrigante quebra-cabeça (como "The Sinner" fez tão bem) - pelo simples fato de que muitas daquelas peças não serviram para nada! É claro que não sabemos disso logo de cara - a minissérie começa muito bem por sinal e vai nos enchendo de perguntas com o roteiro lançando diversos núcleos (assim como uma novela, por isso a comparação), cada qual com um drama bem particular, nos prendendo em um emaranhado de situações misteriosas. Imagine: a mulher que desaparece após um confronto com o marido que pode acabar com uma história de "contos de fadas", um estudante é encontrado nu após uma festa escolar que mais parece um ritual, um alpaca decapitada no meio de Manchester, um empreiteiro querendo destruir um bairro tradicional enquanto um dos moradores procura resistir à desapropriação e o assassinato da melhor amiga da detetive que investiga tudo isso - sem falar, claro, na jovem desconhecida e misteriosa que costura várias dessas situações! Aliás, as situações são tão distantes uma das outras que se unidas com um propósito narrativo mais inteligente, poderiam transformar a história em algo incrível! Esquece! Existem conexões sim, mas a grande maioria delas são mais superficiais, eu diria mal desenvolvidas, e ainda extremamente forçadas ao melhor estilo novelão - e, mais uma vez, se você gosta da dinâmica de novela, você provavelmente vai gostar de "Não Fale com Estranhos", mas é um outro produto audiovisual com suas forças, mas também com suas fraquezas.

"Não Fale com Estranhos" vai agradar mais uns do que outros - esses 8 episódios podem ser um bom entretenimento, sim, se você estiver buscando algo menos profundo e menos elaborado, mas mesmo assim com algum mistério - só não espere algo como "Big Little Lies" ou "Sharp Objects" por exemplo!

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