Viu Review - ml-crise

A Falha

"A Falha" (ou "The Flaw" no original) é um documentário dos mais interessantes, principalmente para aqueles que se interessam por economia e por história. É um verdadeiro estudo sobre o capitalismo, mas partindo de um ponto marcante da história moderna dos EUA: a crise de 2008 - e aqui é preciso fazer um comentário pertinente: o filme não tem a pretensão de ser um manifesto ou uma crítica superficial sobre o capitalismo, ele é mais um recorte sobre os erros do sistema financeiro nos últimos 20 anos.

O premiado diretor David Sington apresenta a história da crise de crédito financeiro de 2008 que trouxe sofrimento para milhões de americanos. Abandonando explicações fáceis de banqueiros gananciosos e reguladores incompetentes, esta investigação vai às raízes da crença iludida dos EUA e do Reino Unido de que todos poderiam ser ricos e que os preços dos imóveis subiriam para sempre. Confira o trailer (em inglês):

Embora interessante, a abordagem de Sington para contar essa história pode soar um pouco mais técnica, embora o diretor se esforce muito para deixar sua mensagem a mais clara possível - em alguns momentos ele consegue, em outros nem tanto.  Quando Alan Greenspan, ex-presidente da Reserva Federal norte-americana, em uma declaração no Congresso, admitiu uma "falha" ao ter acreditado no poder de auto-correção dos mercados, um enorme estrago já tinha acontecido. Muitos documentários, inclusive, partem do mesmo principio para tentar explicar as causas da crise, mas em "A Falha" o que assistimos é um mergulho quase antropológico na raiz do problema e não nas suas ramificações.

Alguns dos economistas mais importantes do mundo, incluindo Joseph Stiglitz, Robert Wade, Louis Hyman e Robert Shiller, oferecem suas perspectivas sobre o que causou a crise, a enorme desigualdade presente na sociedade americana até hoje e como a ideologia do mercado livre de Alan Greenspan levou as pessoas acreditarem que todos poderiam estar sempre em uma melhor situação, mesmo sem nenhum ajuste em seus recebimentos. É muito interessante como Sington intercala esses depoimentos com cenas de desenhos animados utilizados como propaganda anticomunista para os soldados norte-americanos dos anos 50 e 60. 

“É uma crise de dívida, mas também é uma crise de teoria econômica” - assim definiu o diretor na época do lançamento do seu documentário indicado ao prêmio máximo do Festival de Sundance em 2011. Além de muito inteligente, "A Falha" provoca algumas reflexões sobre o momento que estamos vivendo e o que pode vir pela frente se ganância continuar pontuando as decisões pouco empáticas de quem está no 1% do topo da pirâmide.

Vale o play e vale a discussão para aqueles que não se contentam com o óbvio!

Assista Agora

"A Falha" (ou "The Flaw" no original) é um documentário dos mais interessantes, principalmente para aqueles que se interessam por economia e por história. É um verdadeiro estudo sobre o capitalismo, mas partindo de um ponto marcante da história moderna dos EUA: a crise de 2008 - e aqui é preciso fazer um comentário pertinente: o filme não tem a pretensão de ser um manifesto ou uma crítica superficial sobre o capitalismo, ele é mais um recorte sobre os erros do sistema financeiro nos últimos 20 anos.

O premiado diretor David Sington apresenta a história da crise de crédito financeiro de 2008 que trouxe sofrimento para milhões de americanos. Abandonando explicações fáceis de banqueiros gananciosos e reguladores incompetentes, esta investigação vai às raízes da crença iludida dos EUA e do Reino Unido de que todos poderiam ser ricos e que os preços dos imóveis subiriam para sempre. Confira o trailer (em inglês):

Embora interessante, a abordagem de Sington para contar essa história pode soar um pouco mais técnica, embora o diretor se esforce muito para deixar sua mensagem a mais clara possível - em alguns momentos ele consegue, em outros nem tanto.  Quando Alan Greenspan, ex-presidente da Reserva Federal norte-americana, em uma declaração no Congresso, admitiu uma "falha" ao ter acreditado no poder de auto-correção dos mercados, um enorme estrago já tinha acontecido. Muitos documentários, inclusive, partem do mesmo principio para tentar explicar as causas da crise, mas em "A Falha" o que assistimos é um mergulho quase antropológico na raiz do problema e não nas suas ramificações.

Alguns dos economistas mais importantes do mundo, incluindo Joseph Stiglitz, Robert Wade, Louis Hyman e Robert Shiller, oferecem suas perspectivas sobre o que causou a crise, a enorme desigualdade presente na sociedade americana até hoje e como a ideologia do mercado livre de Alan Greenspan levou as pessoas acreditarem que todos poderiam estar sempre em uma melhor situação, mesmo sem nenhum ajuste em seus recebimentos. É muito interessante como Sington intercala esses depoimentos com cenas de desenhos animados utilizados como propaganda anticomunista para os soldados norte-americanos dos anos 50 e 60. 

“É uma crise de dívida, mas também é uma crise de teoria econômica” - assim definiu o diretor na época do lançamento do seu documentário indicado ao prêmio máximo do Festival de Sundance em 2011. Além de muito inteligente, "A Falha" provoca algumas reflexões sobre o momento que estamos vivendo e o que pode vir pela frente se ganância continuar pontuando as decisões pouco empáticas de quem está no 1% do topo da pirâmide.

Vale o play e vale a discussão para aqueles que não se contentam com o óbvio!

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A Grande Jogada

Você não precisa criar um produto ou serviço revolucionário para se transformar em um grande empreendedor, basta conhecer muito bem seu mercado, escutar seus potenciais clientes e entregar algo melhor e que possa agradar mais do que seus concorrentes - "A Grande Jogada" fala exatamente sobre essa jornada real, mas pelos olhos de Molly Bloom (Jessica Chastain), uma ex-esquiadora olímpica forçada a abandonar a profissão após um acidente, que se tornou a "princesa do pôquer" faturando milhões organizando noitadas de jogatina VIP!

Baseado no livro "Molly’s Game: From Hollywood’s Elite to Wall Street’s Billionaire Boys Club, My High-Stakes Adventure in the World of Underground Poker", o  filme acompanha dois momentos da protagonista: sua ascensão dentro do mundo do pôquer, desde um pequeno barzinho onde trabalhava como garçonete até uma luxuosa cobertura contando com a presença de diversas celebridades; e como ela precisou enfrentar as consequências de gerenciar os jogos após ser presa por envolvimento com a máfia russa. Confira o trailer:

Embora o roteiro de "A Grande Jogada", escrito pelo excelente Aaron Sorkin (Rede Social), tenha ganho uma indicação merecida para o Oscar de 2018, foi a atriz Jessica Chastain a grande injustiçada do ano - ela merecia demais, no mínimo, a "indicação" por essa personagem. Ela está incrível! Reparem na dinâmica entre Molly e seu advogado, Charlie Jaffey (Idris Elba). A parceria entre eles, que marca a cronologia onde a personagem precisa se defender na justiça após ser presa e ter seu dinheiro confiscado, rende diálogos sensacionais, cheio de nuances e muito bem construídos por Sorkin - que também assina a direção, sua estreia.

Outro ponto que merece destaque é a edição: por causa de um ritmo bem acelerado, com muitos cortes e várias tomadas rápidas, cria-se uma dinâmica narrativa que nos impede de tirar os olhos da tela, fazendo com que o filme passe voando, sem se tornar cansativo - são mais de duas horas de filme e nem nos damos conta. Embora sem muitos riscos, a direção do Aaron Sorkin é bastante competente e a forma como ele constrói toda aquela atmosfera, que fica em uma linha muito tênue entre o luxo e o lixo, é simplesmente sensacional.

É claro que os mais familiarizados com o pôquer certamente terão uma experiência mais, digamos, interessante, pelo simples fato de entenderem o que, de fato, está acontecendo com as cartas na mesa, mas da mesma forma que "Gambito da Rainha" não é um drama sobre xadrez, "A Grande Jogada" não é sobre pôquer e sim sobre a jornada única de uma protagonista forte, inteligente, empreendedora, que encontrou na clandestinidade a chance de vencer na vida - com suas regras, com seus riscos e com sua dores! 

Vale muito o seu play!

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Você não precisa criar um produto ou serviço revolucionário para se transformar em um grande empreendedor, basta conhecer muito bem seu mercado, escutar seus potenciais clientes e entregar algo melhor e que possa agradar mais do que seus concorrentes - "A Grande Jogada" fala exatamente sobre essa jornada real, mas pelos olhos de Molly Bloom (Jessica Chastain), uma ex-esquiadora olímpica forçada a abandonar a profissão após um acidente, que se tornou a "princesa do pôquer" faturando milhões organizando noitadas de jogatina VIP!

Baseado no livro "Molly’s Game: From Hollywood’s Elite to Wall Street’s Billionaire Boys Club, My High-Stakes Adventure in the World of Underground Poker", o  filme acompanha dois momentos da protagonista: sua ascensão dentro do mundo do pôquer, desde um pequeno barzinho onde trabalhava como garçonete até uma luxuosa cobertura contando com a presença de diversas celebridades; e como ela precisou enfrentar as consequências de gerenciar os jogos após ser presa por envolvimento com a máfia russa. Confira o trailer:

Embora o roteiro de "A Grande Jogada", escrito pelo excelente Aaron Sorkin (Rede Social), tenha ganho uma indicação merecida para o Oscar de 2018, foi a atriz Jessica Chastain a grande injustiçada do ano - ela merecia demais, no mínimo, a "indicação" por essa personagem. Ela está incrível! Reparem na dinâmica entre Molly e seu advogado, Charlie Jaffey (Idris Elba). A parceria entre eles, que marca a cronologia onde a personagem precisa se defender na justiça após ser presa e ter seu dinheiro confiscado, rende diálogos sensacionais, cheio de nuances e muito bem construídos por Sorkin - que também assina a direção, sua estreia.

Outro ponto que merece destaque é a edição: por causa de um ritmo bem acelerado, com muitos cortes e várias tomadas rápidas, cria-se uma dinâmica narrativa que nos impede de tirar os olhos da tela, fazendo com que o filme passe voando, sem se tornar cansativo - são mais de duas horas de filme e nem nos damos conta. Embora sem muitos riscos, a direção do Aaron Sorkin é bastante competente e a forma como ele constrói toda aquela atmosfera, que fica em uma linha muito tênue entre o luxo e o lixo, é simplesmente sensacional.

É claro que os mais familiarizados com o pôquer certamente terão uma experiência mais, digamos, interessante, pelo simples fato de entenderem o que, de fato, está acontecendo com as cartas na mesa, mas da mesma forma que "Gambito da Rainha" não é um drama sobre xadrez, "A Grande Jogada" não é sobre pôquer e sim sobre a jornada única de uma protagonista forte, inteligente, empreendedora, que encontrou na clandestinidade a chance de vencer na vida - com suas regras, com seus riscos e com sua dores! 

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Altos Negócios

"Altos Negócios" é uma espécie de "Shiny Flakes" do golpe imobiliário e embora um seja ficção e o outro documentário, os elementos narrativos são praticamente idênticos e, por coincidência, ambas as produções são alemãs. Embora nenhum dos dois títulos sejam inesquecíveis, é impossível negar que além de curiosos, estamos falando de ótimos entretenimentos onde as discussões morais são completamente substituídas por sensações bastante peculiares - então não se assuste se, mais uma vez, você estiver torcendo para os "bandidos"!

"Altos Negócios" conta a história de Viktor Stein (David Kross), um garoto que deixa a casa de seu pai e parte para a cidade grande para se tornar um empresário de sucesso. Não demora muito para que o rapaz descubra que precisa quebrar algumas regras e assim se infiltrar em um ramo disputado como o imobiliário. Após uma parceria inesperada com o malandro Gerry Falkland (Frederick Lau) e a bancária Nicole Kleber (Janina Uhse), Stein entra em uma jornada repleta de dinheiro, glamour, álcool e drogas que não demora para fugir do seu controle. Confira o trailer (dublado):

Se em "Breaking Bad" aprendemos a olhar as motivações dos personagens por um outro ponto de vista e assim colocar em julgamento suas atitudes com a desculpa que o "fim" pode justificar os "meios", nessa produção alemã voltamos justamente para essa interpretação. O roteiro deCüneyt Kaya, que também assina a direção, parece ter uma certa dificuldade em assumir que Viktor pode ser corrompido, deixando sempre uma leve impressão de que o rapaz tem um bom coração, ou seja, mesmo sendo um mau-caráter, Viktor parece sofrer com certo arrependimento e que em algum momento isso poderá se tornar sua redenção. Dito isso, o filme me soou conformista demais, como se não tivesse coragem para expor o mal que um personagem como esse pode causar para a sociedade - e a mesma critica se extende para o próprio "Shiny Flakes".

Embora completamente linear e seguro dessa postura narrativa, é impossível não se envolver com as falcatruas do protagonista (e de seus parceiros) e assim desfrutar do sucesso e da vingança perante o "sistema" (em algum momento do filme você vai escutar exatamente isso). Será natural uma leve lembrança com o estilo e a ambientação de "O Lobo de Wall Street" - a edição ágil intercalada com a narrativa focada no ponto de vista do protagonista colabora com essa memória (quase) emotiva, mas as semelhanças tendem a parar por aí - no contexto e na qualidade como obra.

"Altos Negócios" perdeu a oportunidade de mergulhar na ganância e na maneira egocêntrica como esses tipos de personagens enxergam o mundo (como assistimos recentemente em "A Bad Boy Billionaires"), por outro lado entregou um filme dinâmico, sem muita enrolação, divertido e honesto. Muito bem produzido, dirigido e fotografado pelo Sebastian Bäumler, que construiu sua carreira nos documentários, "Betonrausch" (título original) é uma ótima recomendação para quem gosta de tramas realistas e subvertidas na linha de "Ozark" ou de "O Primeiro Milhão".

Vale o play!

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"Altos Negócios" é uma espécie de "Shiny Flakes" do golpe imobiliário e embora um seja ficção e o outro documentário, os elementos narrativos são praticamente idênticos e, por coincidência, ambas as produções são alemãs. Embora nenhum dos dois títulos sejam inesquecíveis, é impossível negar que além de curiosos, estamos falando de ótimos entretenimentos onde as discussões morais são completamente substituídas por sensações bastante peculiares - então não se assuste se, mais uma vez, você estiver torcendo para os "bandidos"!

"Altos Negócios" conta a história de Viktor Stein (David Kross), um garoto que deixa a casa de seu pai e parte para a cidade grande para se tornar um empresário de sucesso. Não demora muito para que o rapaz descubra que precisa quebrar algumas regras e assim se infiltrar em um ramo disputado como o imobiliário. Após uma parceria inesperada com o malandro Gerry Falkland (Frederick Lau) e a bancária Nicole Kleber (Janina Uhse), Stein entra em uma jornada repleta de dinheiro, glamour, álcool e drogas que não demora para fugir do seu controle. Confira o trailer (dublado):

Se em "Breaking Bad" aprendemos a olhar as motivações dos personagens por um outro ponto de vista e assim colocar em julgamento suas atitudes com a desculpa que o "fim" pode justificar os "meios", nessa produção alemã voltamos justamente para essa interpretação. O roteiro deCüneyt Kaya, que também assina a direção, parece ter uma certa dificuldade em assumir que Viktor pode ser corrompido, deixando sempre uma leve impressão de que o rapaz tem um bom coração, ou seja, mesmo sendo um mau-caráter, Viktor parece sofrer com certo arrependimento e que em algum momento isso poderá se tornar sua redenção. Dito isso, o filme me soou conformista demais, como se não tivesse coragem para expor o mal que um personagem como esse pode causar para a sociedade - e a mesma critica se extende para o próprio "Shiny Flakes".

Embora completamente linear e seguro dessa postura narrativa, é impossível não se envolver com as falcatruas do protagonista (e de seus parceiros) e assim desfrutar do sucesso e da vingança perante o "sistema" (em algum momento do filme você vai escutar exatamente isso). Será natural uma leve lembrança com o estilo e a ambientação de "O Lobo de Wall Street" - a edição ágil intercalada com a narrativa focada no ponto de vista do protagonista colabora com essa memória (quase) emotiva, mas as semelhanças tendem a parar por aí - no contexto e na qualidade como obra.

"Altos Negócios" perdeu a oportunidade de mergulhar na ganância e na maneira egocêntrica como esses tipos de personagens enxergam o mundo (como assistimos recentemente em "A Bad Boy Billionaires"), por outro lado entregou um filme dinâmico, sem muita enrolação, divertido e honesto. Muito bem produzido, dirigido e fotografado pelo Sebastian Bäumler, que construiu sua carreira nos documentários, "Betonrausch" (título original) é uma ótima recomendação para quem gosta de tramas realistas e subvertidas na linha de "Ozark" ou de "O Primeiro Milhão".

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Grande demais para Quebrar

"Grande demais para Quebrar" é um filmaço, mas não é nada fácil - embora tenha alguns diálogos bastante didáticos como o que define a crise de 2008 enquanto a equipe do governo se preparava para emitir um comunicado para a imprensa no inicio do terceiro ato. É preciso que se diga que o filme, uma ficção baseada em fatos reais, não é, nem de longe, uma narrativa fluida e auto-explicativa para quem conhece pouco do assunto ou da dinâmica econômica da época. O vencedor do Oscar de 2011, "Trabalho Interno" é quase um pré-requisito para assistir "Grande demais para Quebrar". Sim, o assunto é exatamente o mesmo, mas dessa vez acompanhamos a bomba explodindo pelos olhos de Henry Paulson, secretário do Tesouro dos Estados Unidos e na época o grande responsável pela saúde da economia do governo Bush.

O mercado financeiro era, há poucos anos, um paraíso: salários multimilionários, bônus exagerados e lucros astronômicos. Tudo começou a ruir em 2008. O filme retrata a crise econômica que até hoje afeta a economia dos EUA, tomando como tema central os esforços do então secretário do tesouro americano, Henry Paulson (William Hurt), para controlar os danos a partir de conversas com Richard Fuld, Ben Bernanke, Warren Buffett e Tim Geithner, e assim tentar salvar o Lehman Brothers. Durante as negociações, buscava-se uma solução privada envolvendo banqueiros de investimento e membros do Congresso para preservar a empresa sediada em Nova York, mas, como se sabe, o problema era muito mais complexo. Confira o trailer, em inglês:

"Grande demais para Quebrar" foi indicado para 3 Globos de Ouro em 2012: Melhor Filme para TV, Melhor Ator (William Hurt) e Melhor ator Coadjuvante (Paul Giamatti), sem contar a indicação para, acreditem, 11 Emmys em 2011 - e provavelmente você não assistiu a essa obra de arte!

O que salta aos olhos logo de cara, sem a menor dúvida, é o elenco: William Hurt, Paul Giamatti, James Woods, Cynthia Nixon, Billy Crudup - só para citar alguns! A direção de Curtis Hanson de "L.A. Confidential", a fotografia de Kramer Morgenthau (Creed II) e o roteiro de Peter Gould (Breaking Bad) terminam de compor esse perfeito Dream Team! Mas vamos aos fatos: o maior mérito do filme é o de não demonizar seus personagens, deixando o julgamento exclusivamente para quem assiste. É possível perceber em algumas cenas, todo o mindset daquele grupo de executivos e membros do governo, mas será preciso alguma sensibilidade para separar os sentimentos mais íntimos em um momento conturbado da economia com sua postura maniqueísta como tomador de decisões no ambiente corporativo - e isso humaniza os personagens de tal forma, que temos a exata impressão que não se trata de uma ficção (o prólogo do filme e as cenas de arquivo, normalmente da imprensa falada, inseridas na narrativa, ajudam muito nessa percepção).

Como todos os filmes e documentários sobre o tema, "Grande demais para Quebrar" é um retrato da hipocrisia corporativa e de como o descaso do mercado financeiro, historicamente tão em evidência, podem gerar consequências catastróficas. O diferencial está na forma como o filme mostra, por dentro e de maneira inteligente, as tentativas e equívocos do governo durante o caos financeiro – lidando com egos de grandes executivos que só pensaram em si, mesmo assistindo de camarote suas empresas afundarem após conscientes vendas de derivativos e títulos podres.

Vale muito o seu play!

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"Grande demais para Quebrar" é um filmaço, mas não é nada fácil - embora tenha alguns diálogos bastante didáticos como o que define a crise de 2008 enquanto a equipe do governo se preparava para emitir um comunicado para a imprensa no inicio do terceiro ato. É preciso que se diga que o filme, uma ficção baseada em fatos reais, não é, nem de longe, uma narrativa fluida e auto-explicativa para quem conhece pouco do assunto ou da dinâmica econômica da época. O vencedor do Oscar de 2011, "Trabalho Interno" é quase um pré-requisito para assistir "Grande demais para Quebrar". Sim, o assunto é exatamente o mesmo, mas dessa vez acompanhamos a bomba explodindo pelos olhos de Henry Paulson, secretário do Tesouro dos Estados Unidos e na época o grande responsável pela saúde da economia do governo Bush.

O mercado financeiro era, há poucos anos, um paraíso: salários multimilionários, bônus exagerados e lucros astronômicos. Tudo começou a ruir em 2008. O filme retrata a crise econômica que até hoje afeta a economia dos EUA, tomando como tema central os esforços do então secretário do tesouro americano, Henry Paulson (William Hurt), para controlar os danos a partir de conversas com Richard Fuld, Ben Bernanke, Warren Buffett e Tim Geithner, e assim tentar salvar o Lehman Brothers. Durante as negociações, buscava-se uma solução privada envolvendo banqueiros de investimento e membros do Congresso para preservar a empresa sediada em Nova York, mas, como se sabe, o problema era muito mais complexo. Confira o trailer, em inglês:

"Grande demais para Quebrar" foi indicado para 3 Globos de Ouro em 2012: Melhor Filme para TV, Melhor Ator (William Hurt) e Melhor ator Coadjuvante (Paul Giamatti), sem contar a indicação para, acreditem, 11 Emmys em 2011 - e provavelmente você não assistiu a essa obra de arte!

O que salta aos olhos logo de cara, sem a menor dúvida, é o elenco: William Hurt, Paul Giamatti, James Woods, Cynthia Nixon, Billy Crudup - só para citar alguns! A direção de Curtis Hanson de "L.A. Confidential", a fotografia de Kramer Morgenthau (Creed II) e o roteiro de Peter Gould (Breaking Bad) terminam de compor esse perfeito Dream Team! Mas vamos aos fatos: o maior mérito do filme é o de não demonizar seus personagens, deixando o julgamento exclusivamente para quem assiste. É possível perceber em algumas cenas, todo o mindset daquele grupo de executivos e membros do governo, mas será preciso alguma sensibilidade para separar os sentimentos mais íntimos em um momento conturbado da economia com sua postura maniqueísta como tomador de decisões no ambiente corporativo - e isso humaniza os personagens de tal forma, que temos a exata impressão que não se trata de uma ficção (o prólogo do filme e as cenas de arquivo, normalmente da imprensa falada, inseridas na narrativa, ajudam muito nessa percepção).

Como todos os filmes e documentários sobre o tema, "Grande demais para Quebrar" é um retrato da hipocrisia corporativa e de como o descaso do mercado financeiro, historicamente tão em evidência, podem gerar consequências catastróficas. O diferencial está na forma como o filme mostra, por dentro e de maneira inteligente, as tentativas e equívocos do governo durante o caos financeiro – lidando com egos de grandes executivos que só pensaram em si, mesmo assistindo de camarote suas empresas afundarem após conscientes vendas de derivativos e títulos podres.

Vale muito o seu play!

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Margin Call

Margin Call

"Margin Call" (ou "O dia antes do fim") do diretor e roteirista J.C. Chandor é excelente! O Roteiro foi indicado ao Oscar de 2012 e conta a história, livremente inspirada no Lehman Brothers, da noite que antecedeu a crise de 2008. E para quem gostou de "A Grande Virada" do John Wells, esse filme é simplesmente imperdível.

Peter Sullivan (Zachary Quinto), Seth Bregman (Penn Badgley) e Will Emerson (Paul Bettany) trabalham no setor de recursos humanos de uma empresa, sendo responsáveis pelos trâmites burocráticos da demissão dos funcionários. Um dos demitidos é Eric Dale (Stanley Tucci), que entrega a Peter um pendrive contendo um projeto que estava trabalhando. É quando Peter descobre que ele excede os níveis históricos de volatilidade com os quais uma instituição financeira é capaz de trabalhar com certa segurança. A situação é tão grave que faz com que os executivos que comandam o banco de investimentos se reúnam durante a madrugada para tentar encontrar uma solução o mais rápido possível. Confira o trailer: 

A história é difícil e o roteiro não ajuda muito, já que trata a rotina do mercado financeiro como se fosse algo simples, sem muitas explicações. Porém, de uma forma muito inteligente, "Margin Call" vai além das palavras e do "bla-bla-bla" corporativo, ele fala de caráter X dinheiro X sucesso profissional como poucas vezes vemos em um filme - ainda mais ao se tratar de um escândalo de créditos imobiliários tão recente e que ajudou a nos levar para uma das maiores recessões da história.

Grande filme! Vale o play com muita tranquilidade!!!!

Assista Agora

"Margin Call" (ou "O dia antes do fim") do diretor e roteirista J.C. Chandor é excelente! O Roteiro foi indicado ao Oscar de 2012 e conta a história, livremente inspirada no Lehman Brothers, da noite que antecedeu a crise de 2008. E para quem gostou de "A Grande Virada" do John Wells, esse filme é simplesmente imperdível.

Peter Sullivan (Zachary Quinto), Seth Bregman (Penn Badgley) e Will Emerson (Paul Bettany) trabalham no setor de recursos humanos de uma empresa, sendo responsáveis pelos trâmites burocráticos da demissão dos funcionários. Um dos demitidos é Eric Dale (Stanley Tucci), que entrega a Peter um pendrive contendo um projeto que estava trabalhando. É quando Peter descobre que ele excede os níveis históricos de volatilidade com os quais uma instituição financeira é capaz de trabalhar com certa segurança. A situação é tão grave que faz com que os executivos que comandam o banco de investimentos se reúnam durante a madrugada para tentar encontrar uma solução o mais rápido possível. Confira o trailer: 

A história é difícil e o roteiro não ajuda muito, já que trata a rotina do mercado financeiro como se fosse algo simples, sem muitas explicações. Porém, de uma forma muito inteligente, "Margin Call" vai além das palavras e do "bla-bla-bla" corporativo, ele fala de caráter X dinheiro X sucesso profissional como poucas vezes vemos em um filme - ainda mais ao se tratar de um escândalo de créditos imobiliários tão recente e que ajudou a nos levar para uma das maiores recessões da história.

Grande filme! Vale o play com muita tranquilidade!!!!

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O Mago das Mentiras

Você conhece a expressão "não existe almoço grátis"? Pois é, Bernie Madoff elevou essa expressão para um nível estratosférico, mais precisamente, na casa de 50 bilhões de dólares... de prejuízo. Madoff, é preciso que se diga, era um dos profissionais mais respeitados do mercado financeiro nos EUA, tendo sido presidente da NASDAQ e CEO de uma das empresas de investimentos com mais prestigio em Wall Street. O único problema é que Madoff foi ambicioso demais e para alcançar seus objetivos resolveu cortar um caminho que acabou custando muito caro para ele e para seus clientes que, da noite para dia, perderam todo seu patrimônio!

Como é de se imaginar, a trama dessa produção original da HBO de 2017 gira em torno da história real de Bernard Madoff, um ex-consultor financeiro norte-americano que acabou condenado a 150 anos de prisão - ele foi responsável por uma sofisticada operação, nomeada Esquema Ponzi, uma espécie de pirâmide, que é considerada a maior fraude financeira da história dos EUA. Confira o trailer:

Dirigido por Barry Levinson, indicado 5 vezes ao Oscar e vencendor em 1988 com "Rain Man", "The Wizard of Lies" (no original) é um retrato brutal da ganância que sempre permeou o mercado financeiro de Wall Street, justamente no auge da crise do subprime deflagrada com a quebra de um dos bancos de investimentos mais tradicionais dos EUA, o Lehman Brothers, e que desencadeou uma queda insustentável nas bolsas do mundo todo - tema que você pode se aprofundar em filmes como: "Grande demais para Quebrar", "Trabalho Interno" e "Margin Call - o dia antes do fim". É nesse contexto que o diretor traz para ficção a história real da família Madoff, incrivelmente bem interpretada por Robert De Niro (Bernie), Michelle Pfeiffer (Ruth) - ambos indicados ao Emmy pelos respectivos personagens -  e um surpreendente Alessandro Nivola (como Mark - filho mais velho do casal e completamente renegado pelo pai). Veja, se você gosta de "Succession", a relação de Bernie e Mark é incrivelmente parecida com a dinâmica de Logan e Kendall.

O roteiro de Sam Levinson (isso mesmo, aquele de Euphoria e Malcolm & Marie) é extremamente feliz ao não aliviar na seriedade em uma cena sequer. A construção da narrativa é tão consistente e simples que a imersão naquela situação terrível é imediata - reparem na cena em que Bernie pede desculpas para seus clientes minutos antes de receber sua sentença! É mais uma aula de de interpretação de De Niro! Outro ponto muito interessante do roteiro diz respeito a desconstrução do "Mito Madoff" perante seus clientes e sua família, especialmente para os filhos. Figura intocável, exemplo de honestidade, durante 15, 20 anos, ele convenceu clientes de peso a investir em fundos que simplesmente não existiam e quando houve a necessidade de liquidez devido a crise de 2008, ele não teve como honrar com o enorme volume de dinheiro que ele mesmo manipulou e o reflexo disso é perfeitamente pontuado durante o filme, seja em flashes ou no arco paralelo de sua família, criando a exata sensação de desespero e angústia que todos aqueles que foram afetados pelo golpe sofreram.

"O Mago das Mentiras" pode até ser definido como cadenciado demais, lento, mas é coerente com a proposta de entregar uma história dramática e densa, com performances de um elenco que seguram a nossa atenção do início ao fim. A forte relação entre obsessão e destruição, bem como o efeito colateral que isso gerou alcançou as últimas consequências - é de embrulhar estômago, mas nos faz refletir e nos ensina ao mesmo tempo que entretem!

Vale seu play! 

Assista Agora

Você conhece a expressão "não existe almoço grátis"? Pois é, Bernie Madoff elevou essa expressão para um nível estratosférico, mais precisamente, na casa de 50 bilhões de dólares... de prejuízo. Madoff, é preciso que se diga, era um dos profissionais mais respeitados do mercado financeiro nos EUA, tendo sido presidente da NASDAQ e CEO de uma das empresas de investimentos com mais prestigio em Wall Street. O único problema é que Madoff foi ambicioso demais e para alcançar seus objetivos resolveu cortar um caminho que acabou custando muito caro para ele e para seus clientes que, da noite para dia, perderam todo seu patrimônio!

Como é de se imaginar, a trama dessa produção original da HBO de 2017 gira em torno da história real de Bernard Madoff, um ex-consultor financeiro norte-americano que acabou condenado a 150 anos de prisão - ele foi responsável por uma sofisticada operação, nomeada Esquema Ponzi, uma espécie de pirâmide, que é considerada a maior fraude financeira da história dos EUA. Confira o trailer:

Dirigido por Barry Levinson, indicado 5 vezes ao Oscar e vencendor em 1988 com "Rain Man", "The Wizard of Lies" (no original) é um retrato brutal da ganância que sempre permeou o mercado financeiro de Wall Street, justamente no auge da crise do subprime deflagrada com a quebra de um dos bancos de investimentos mais tradicionais dos EUA, o Lehman Brothers, e que desencadeou uma queda insustentável nas bolsas do mundo todo - tema que você pode se aprofundar em filmes como: "Grande demais para Quebrar", "Trabalho Interno" e "Margin Call - o dia antes do fim". É nesse contexto que o diretor traz para ficção a história real da família Madoff, incrivelmente bem interpretada por Robert De Niro (Bernie), Michelle Pfeiffer (Ruth) - ambos indicados ao Emmy pelos respectivos personagens -  e um surpreendente Alessandro Nivola (como Mark - filho mais velho do casal e completamente renegado pelo pai). Veja, se você gosta de "Succession", a relação de Bernie e Mark é incrivelmente parecida com a dinâmica de Logan e Kendall.

O roteiro de Sam Levinson (isso mesmo, aquele de Euphoria e Malcolm & Marie) é extremamente feliz ao não aliviar na seriedade em uma cena sequer. A construção da narrativa é tão consistente e simples que a imersão naquela situação terrível é imediata - reparem na cena em que Bernie pede desculpas para seus clientes minutos antes de receber sua sentença! É mais uma aula de de interpretação de De Niro! Outro ponto muito interessante do roteiro diz respeito a desconstrução do "Mito Madoff" perante seus clientes e sua família, especialmente para os filhos. Figura intocável, exemplo de honestidade, durante 15, 20 anos, ele convenceu clientes de peso a investir em fundos que simplesmente não existiam e quando houve a necessidade de liquidez devido a crise de 2008, ele não teve como honrar com o enorme volume de dinheiro que ele mesmo manipulou e o reflexo disso é perfeitamente pontuado durante o filme, seja em flashes ou no arco paralelo de sua família, criando a exata sensação de desespero e angústia que todos aqueles que foram afetados pelo golpe sofreram.

"O Mago das Mentiras" pode até ser definido como cadenciado demais, lento, mas é coerente com a proposta de entregar uma história dramática e densa, com performances de um elenco que seguram a nossa atenção do início ao fim. A forte relação entre obsessão e destruição, bem como o efeito colateral que isso gerou alcançou as últimas consequências - é de embrulhar estômago, mas nos faz refletir e nos ensina ao mesmo tempo que entretem!

Vale seu play! 

Assista Agora

O Primeiro Milhão

"O Primeiro Milhão" colabora com a tese de que se você for um bom vendedor, a chance de você se dar bem na vida é muito grande. O grande problema é que com o talento e com ótimos resultados vem a ambição e, normalmente, é aí que o ser humano se perde. Esse filme de 2010 traz muitos elementos narrativos que viríamos a conhecer em histórias reais como "O Mago das Mentiras", "Grande demais para quebrar" ou em "Trabalho Interno" - mesmo bebendo na fonte de um clássico de 1987 como "Wall Street: Poder e Cobiça" - que aqui é homenageado em uma cena que diz muito sobre o universo daqueles personagens sem uma única frase do roteiro original.

"O Primeiro Milhão" basicamente conta a história de Seth (Giovanni Ribisi), um jovem de 19 anos de idade que ganha a vida bancando um cassino ilegal no seu apartamento. Seu pai, um rigoroso e respeitado juiz local, descobre e dá uma verdadeira lição de moral no filho que, para limpar sua barra, resolve aceitar o convite de um amigo e tentar um emprego como corretor em uma pequena, mas ascendente, empresa de investimentos - a "J.T. Marlin". O problema é que essa tal corretora vende apenas lixo, sem valor de mercado, através de técnicas de persuasão nada sutis. Quando Seth se dá conta que algo muito errado acontece nos bastidores da empresa, ele já está tão envolvido que simplesmente sair não parece ser mais uma opção. Confira o trailer (em inglês):

Olhando em retrospectiva, o mais interessante de "Boiler Room" (título original) é que ele é praticamente uma premonição do que aconteceria alguns anos depois - o que nos provoca uma reflexão imediata sobre a sujeira que sempre foi o mercado financeiro nos EUA e como as autoridades, de fato, nunca agiram com seriedade ou, no mínimo, com prudência. Pois bem, dessa vez se trata de uma ficção, com uma narrativa fácil e uma história que te prende do começo ao fim. Não se trata de um filme que será inesquecível, mas de um excelente entretenimento sobre um assunto que costuma funcionar muito bem nas telas.

"O Primeiro Milhão" foi o primeiro filme do diretor e roteirista Ben Younger que na época tinha apenas 29 anos de idade e que foi muito elogiado em sua estreia. O filme realmente traz muita autenticidade para narrativa, mas não inova em nada - eram outros tempo, eu sei, mas a direção segue uma cartilha conservadora demais. O maior mérito de Younger, e é preciso que se diga, foi sua imersão na cultura ambiciosa de Wall Street e na forma como ele conseguiu impactar um elenco promissor com essa atmosfera - um elenco que contava com Ben Affleck, Vin Diesel, Nia Long, Tom Everett Scott, entre outros. Todos estão excelentes, completamente dentro da proposta e no tom perfeito.

"O Primeiro Milhão" é um espécie de prequel lite do que seria "O Lobo de Wall Street" com toda aquela receita: dinheiro, sexo, drogas, crime e ambição - talvez mais sugerido do que explicito como no filme de Scorsese, mas com a mesma competência. O roteiro talvez escorregue um pouco, principalmente no terceiro ato e na pressa de concluir a trama onde a construção da investigação fica um pouco confusa e a relação entre os personagens praticamente se desfaz.

Se você gosta do tema, pode ir tranquilo, porque ao final, temos 120 minutos de um ótimo entretenimento! Vale o play!

Assista Agora

"O Primeiro Milhão" colabora com a tese de que se você for um bom vendedor, a chance de você se dar bem na vida é muito grande. O grande problema é que com o talento e com ótimos resultados vem a ambição e, normalmente, é aí que o ser humano se perde. Esse filme de 2010 traz muitos elementos narrativos que viríamos a conhecer em histórias reais como "O Mago das Mentiras", "Grande demais para quebrar" ou em "Trabalho Interno" - mesmo bebendo na fonte de um clássico de 1987 como "Wall Street: Poder e Cobiça" - que aqui é homenageado em uma cena que diz muito sobre o universo daqueles personagens sem uma única frase do roteiro original.

"O Primeiro Milhão" basicamente conta a história de Seth (Giovanni Ribisi), um jovem de 19 anos de idade que ganha a vida bancando um cassino ilegal no seu apartamento. Seu pai, um rigoroso e respeitado juiz local, descobre e dá uma verdadeira lição de moral no filho que, para limpar sua barra, resolve aceitar o convite de um amigo e tentar um emprego como corretor em uma pequena, mas ascendente, empresa de investimentos - a "J.T. Marlin". O problema é que essa tal corretora vende apenas lixo, sem valor de mercado, através de técnicas de persuasão nada sutis. Quando Seth se dá conta que algo muito errado acontece nos bastidores da empresa, ele já está tão envolvido que simplesmente sair não parece ser mais uma opção. Confira o trailer (em inglês):

Olhando em retrospectiva, o mais interessante de "Boiler Room" (título original) é que ele é praticamente uma premonição do que aconteceria alguns anos depois - o que nos provoca uma reflexão imediata sobre a sujeira que sempre foi o mercado financeiro nos EUA e como as autoridades, de fato, nunca agiram com seriedade ou, no mínimo, com prudência. Pois bem, dessa vez se trata de uma ficção, com uma narrativa fácil e uma história que te prende do começo ao fim. Não se trata de um filme que será inesquecível, mas de um excelente entretenimento sobre um assunto que costuma funcionar muito bem nas telas.

"O Primeiro Milhão" foi o primeiro filme do diretor e roteirista Ben Younger que na época tinha apenas 29 anos de idade e que foi muito elogiado em sua estreia. O filme realmente traz muita autenticidade para narrativa, mas não inova em nada - eram outros tempo, eu sei, mas a direção segue uma cartilha conservadora demais. O maior mérito de Younger, e é preciso que se diga, foi sua imersão na cultura ambiciosa de Wall Street e na forma como ele conseguiu impactar um elenco promissor com essa atmosfera - um elenco que contava com Ben Affleck, Vin Diesel, Nia Long, Tom Everett Scott, entre outros. Todos estão excelentes, completamente dentro da proposta e no tom perfeito.

"O Primeiro Milhão" é um espécie de prequel lite do que seria "O Lobo de Wall Street" com toda aquela receita: dinheiro, sexo, drogas, crime e ambição - talvez mais sugerido do que explicito como no filme de Scorsese, mas com a mesma competência. O roteiro talvez escorregue um pouco, principalmente no terceiro ato e na pressa de concluir a trama onde a construção da investigação fica um pouco confusa e a relação entre os personagens praticamente se desfaz.

Se você gosta do tema, pode ir tranquilo, porque ao final, temos 120 minutos de um ótimo entretenimento! Vale o play!

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Succession

Se você é um fã de "Billions" e acha que que já assistiu tudo sobre traições e armações em "Game of Thrones", provavelmente você (como eu) não vai conseguir parar de assistir "Succession" da HBO. A série pega o que tem de melhor dessas séries citadas e se aprofunda ainda mais no desenvolvimento de 5 ou 6 personagens bastante complexos e perturbadores. Ok, então como eu ainda não sabia que uma série tão interessante assim existia? Essa é uma boa pergunta, mas pode confiar: não perca mais tempo, assista e depois me agradeça. 

"Succession" acompanha o dia a dia da Família Roy dona de um dos maiores conglomerados de Mídia e Entretenimento do Mundo. Acontece que as relações dentro dos convívio familiar não são, digamos, tão sadias assim. As disputas pelo poder movem os personagens dentro desse universo corporativo, trabalhando como ninguém aquela linha bastante tênue entre o objetivo pessoal (e privado) e a ganância profissional (e pública) - tudo isso regado a muito dinheiro e ostentação capaz de deixar "Suits" no chinelo!

Logan (Brian Cox) comanda o 5º maior conglomerado de mídia de entretenimento do mundo. O patriarca da família Roy conseguiu construir um verdadeiro império e se tronar um dos homens mais poderosos (e odiados) do mundo. Seu estilo pouco popular de administrar o negócio transformou Logan em um profissional muito bem sucedido, ao mesmo tempo em que foi um pai extremamente autoritário e um ser humano rancoroso, misógino e preconceituoso. Em cima desses valores nada nobres é  que conhecemos Kendall (Jeremy Strong), o segundo filho mais velho, um rapaz esforçado e o mais envolvido com o negócio da família, o problema é que suas referências o tornaram um profissional inseguro, sem alto estima e limitado. Recém separado da mulher Rava e depois de um problema crônico com drogas, Kendall sofre para se tornar alguém respeitado dentro da empresa e principalmente para ganhar a aprovação e o apoio do pai - chega a dar dó! Roman (Kieran Culkin - o irmão de Macaulay) é o caçula, um playboy mimado, preguiçoso e sem noção, completamente sem escrúpulos nos negócios e nas relações pessoais - um perfeito idiota! Shiv (Saraha Snook), a única filha mulher, é completamente desequilibrada emocionalmente, provavelmente o reflexo da criação machista que teve durante toda sua infância. Embora seja uma profissional respeitada na carreira política, Shiv vive interferindo nas decisões da empresa da família e se colocando contra as atitudes egoístas e vaidosas dos irmãos (e muitas vezes do próprio pai). Para finalizar, o filho mais velho, Connor (Alan Ruck), não quer nenhuma ligação com a empresa desde que continue sendo financiado pelo dinheiro "que lhe é de direito"! Completamente fora da realidade, Connor mora em uma fazenda (de luxo) e namora uma jovem atriz de teatro que a família insiste em dizer que é uma prostituta! Outros três personagens coadjuvantes também chamam a atenção por sua importância nas tramas e pela complexidade com que se envolvem nas relações: Greg (Nicholas Braun) um sobrinho distante que quer vencer na vida custe o que custar, Tom (Matthew Macfadyen), noivo de Shiv e um executivo medíocre em busca de ascensão profissional / social e Marcia (Hiam Abbass), a companheira misteriosa de Logan.

A partir do trailer e da descrição dos personagens já dá para se ter uma idéia de como podem ser constrangedoras as situações envolvendo esses pares. Sério, a sensação é que somos colocados em um ambiente fechado, claustrofóbico até, com uma bomba prestes a explodir, só não sabemos exatamente "quando" e nem "como" - isso gera uma espécie de tensão como poucas vezes senti ao assistir uma série (talvez minha única lembrança imediata seja "Breaking Bad"). A relação entre eles é tão superficial e egocêntrica que chega a embrulhar o estômago e essa sensação é muito mérito do conceito estético que o showrunner aplicou na série. Com uma câmera mais solta, os diretores usam muito do "zoom" para nos aproximar da tensão de cada diálogo, trazendo um toque documental para a ficção - mais ou menos como foi feito em "The Office". A fotografia também merece destaque, os planos abertos, além de mostrar uma arquitetura moderna e luxuosa, trás uma Nova Yorke charmosa e agitada como nas já citadas "Billions" e "Suits".

É fato que "Succession" surfa na onda do hype corporativo e da tendência de dramas do mercado financeiro - como citamos recentemente no Blog da Viu Review, porém a série não deixa de ser uma grande (e agradável) surpresa, pois mesmo chegando quietinha, sem muito marketing, acabou levando o Emmy2019 de Melhor Roteiro para Série Dramática com "Nobody is ever missing" - do excelente episódio final da primeira temporada! Ah, a série ainda levou o prêmio de Melhor Música de Abertura! Olha, vale muito a pena, mas é preciso ter estômago, porque os roteiros escancaram, uma cena atrás da outra, aquele famoso ditado de que "dinheiro não traz felicidade" e vai além, trazendo para discussão uma outra pergunta: então, o que é preciso para feliz?

Dê o play e aproveite que a segunda temporada completa  também já está disponível e a terceira estrela em breve!

Assista Agora

Se você é um fã de "Billions" e acha que que já assistiu tudo sobre traições e armações em "Game of Thrones", provavelmente você (como eu) não vai conseguir parar de assistir "Succession" da HBO. A série pega o que tem de melhor dessas séries citadas e se aprofunda ainda mais no desenvolvimento de 5 ou 6 personagens bastante complexos e perturbadores. Ok, então como eu ainda não sabia que uma série tão interessante assim existia? Essa é uma boa pergunta, mas pode confiar: não perca mais tempo, assista e depois me agradeça. 

"Succession" acompanha o dia a dia da Família Roy dona de um dos maiores conglomerados de Mídia e Entretenimento do Mundo. Acontece que as relações dentro dos convívio familiar não são, digamos, tão sadias assim. As disputas pelo poder movem os personagens dentro desse universo corporativo, trabalhando como ninguém aquela linha bastante tênue entre o objetivo pessoal (e privado) e a ganância profissional (e pública) - tudo isso regado a muito dinheiro e ostentação capaz de deixar "Suits" no chinelo!

Logan (Brian Cox) comanda o 5º maior conglomerado de mídia de entretenimento do mundo. O patriarca da família Roy conseguiu construir um verdadeiro império e se tronar um dos homens mais poderosos (e odiados) do mundo. Seu estilo pouco popular de administrar o negócio transformou Logan em um profissional muito bem sucedido, ao mesmo tempo em que foi um pai extremamente autoritário e um ser humano rancoroso, misógino e preconceituoso. Em cima desses valores nada nobres é  que conhecemos Kendall (Jeremy Strong), o segundo filho mais velho, um rapaz esforçado e o mais envolvido com o negócio da família, o problema é que suas referências o tornaram um profissional inseguro, sem alto estima e limitado. Recém separado da mulher Rava e depois de um problema crônico com drogas, Kendall sofre para se tornar alguém respeitado dentro da empresa e principalmente para ganhar a aprovação e o apoio do pai - chega a dar dó! Roman (Kieran Culkin - o irmão de Macaulay) é o caçula, um playboy mimado, preguiçoso e sem noção, completamente sem escrúpulos nos negócios e nas relações pessoais - um perfeito idiota! Shiv (Saraha Snook), a única filha mulher, é completamente desequilibrada emocionalmente, provavelmente o reflexo da criação machista que teve durante toda sua infância. Embora seja uma profissional respeitada na carreira política, Shiv vive interferindo nas decisões da empresa da família e se colocando contra as atitudes egoístas e vaidosas dos irmãos (e muitas vezes do próprio pai). Para finalizar, o filho mais velho, Connor (Alan Ruck), não quer nenhuma ligação com a empresa desde que continue sendo financiado pelo dinheiro "que lhe é de direito"! Completamente fora da realidade, Connor mora em uma fazenda (de luxo) e namora uma jovem atriz de teatro que a família insiste em dizer que é uma prostituta! Outros três personagens coadjuvantes também chamam a atenção por sua importância nas tramas e pela complexidade com que se envolvem nas relações: Greg (Nicholas Braun) um sobrinho distante que quer vencer na vida custe o que custar, Tom (Matthew Macfadyen), noivo de Shiv e um executivo medíocre em busca de ascensão profissional / social e Marcia (Hiam Abbass), a companheira misteriosa de Logan.

A partir do trailer e da descrição dos personagens já dá para se ter uma idéia de como podem ser constrangedoras as situações envolvendo esses pares. Sério, a sensação é que somos colocados em um ambiente fechado, claustrofóbico até, com uma bomba prestes a explodir, só não sabemos exatamente "quando" e nem "como" - isso gera uma espécie de tensão como poucas vezes senti ao assistir uma série (talvez minha única lembrança imediata seja "Breaking Bad"). A relação entre eles é tão superficial e egocêntrica que chega a embrulhar o estômago e essa sensação é muito mérito do conceito estético que o showrunner aplicou na série. Com uma câmera mais solta, os diretores usam muito do "zoom" para nos aproximar da tensão de cada diálogo, trazendo um toque documental para a ficção - mais ou menos como foi feito em "The Office". A fotografia também merece destaque, os planos abertos, além de mostrar uma arquitetura moderna e luxuosa, trás uma Nova Yorke charmosa e agitada como nas já citadas "Billions" e "Suits".

É fato que "Succession" surfa na onda do hype corporativo e da tendência de dramas do mercado financeiro - como citamos recentemente no Blog da Viu Review, porém a série não deixa de ser uma grande (e agradável) surpresa, pois mesmo chegando quietinha, sem muito marketing, acabou levando o Emmy2019 de Melhor Roteiro para Série Dramática com "Nobody is ever missing" - do excelente episódio final da primeira temporada! Ah, a série ainda levou o prêmio de Melhor Música de Abertura! Olha, vale muito a pena, mas é preciso ter estômago, porque os roteiros escancaram, uma cena atrás da outra, aquele famoso ditado de que "dinheiro não traz felicidade" e vai além, trazendo para discussão uma outra pergunta: então, o que é preciso para feliz?

Dê o play e aproveite que a segunda temporada completa  também já está disponível e a terceira estrela em breve!

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The China Hustle

Imagina a situação: o mercado financeiro americano está em completo colapso, porém do outro lado do mundo um outro pais, com 1.4 bilhões pessoas (4x mais que os EUA) está em crescimento acelerado. Surge então a pergunta: por que não trazer empresas chinesas para a bolsa americana para que os americanos possam investir nesse crescimento? Parace um bom negócio, certo? Certo, mas para poucos! Na China, as auditorias são, digamos, duvidosas, e nem sempre o  valuation(valor da empresa perante os investidores) corresponde com a realidade, ou seja, o que parecia ser uma excelente aposta, não passava de uma bomba relógio fantasiada de oportunidade!

"The China Hustle", esse excelente documentário de 2017, expõe justamente esse processo - como analistas de investimentos descobriram que empresas chinesas que abriram capital na bolsa de valores dos Estados Unidos eram na verdade fraudes, usando empresas americanas como fachada e anunciando grandes resultados, sendo que esse volume de dinheiro (e de performance de mercado) nunca existiu. Na prática, o que aconteceu foi que essas empresas roubaram dinheiro de muitas pessoas e estes nunca mais recuperaram o dinheiro investido. Confira o trailer:

Para os mais familiarizados com o assunto, "The China Hustle" pode soar um pouco superficial ao ser pautado por generalizações em cima de um recorte bem particular dentro de várias manobras financeiras que acontecem nos EUA há anos. Para outros, que gostam do tema, tem alguma educação financeira e se divertiu com documentários como "Trabalho Interno" ou dramas como "O Mago das Mentiras" e "Margin Call", certamente a história vai colocar uma pulga atrás da orelha - para dizer o mínimo.

Desde a crise chinesa que levantou dúvidas sobre dados econômicos tanto de estatais quanto de empresasprivadas, há um clima de "Guerra Comercial" entre os EUA e a China, porém é inegável o atual poder de barganha dos asiáticos e a dependência monetária justificada pela recente participação pesada que eles fizeram em companhias de entretenimento e petróleo/energia, por exemplo, em todo planeta e especialmente no EUA. É nesse clima de incertezas que o documentário constrói uma linha temporal bastante coerente em cima da necessidade de reconstruir sua economia pelo olhos dos investidores. O diretor Jed Rothstein (indicado ao Oscar pelo curta documental "Killing in the Name" em 2010) soube equilibrar perfeitamente depoimentos de personagens bastante particulares, de vários fatos comprovados (e absurdos), do que muitos acreditam ser a segunda maior fraude da economia americana depois de Bernie Madoff.

Obviamente que a ganância continua ali, poucos anos depois da crise de 2008, mas o que chama atenção é a contínua falta de proteção para os investidores menos experientes (muitos deles até ingênuos). Partindo do pressuposto que "não existe almoço grátis", o órgão americano que deveria fiscalizar as transações no mínimo suspeitas, parece não ter forças para competir com a sagacidade de alguns bancos. A relação de confiança é, mais uma vez, a ponta frágil da história e isso é de embrulhar o estômago, mas não deixa de ser uma lição - e adianto: sobrou até para Jack Ma e seu multimilionário Alibaba.

Vale muito a pena

Assista Agora

Imagina a situação: o mercado financeiro americano está em completo colapso, porém do outro lado do mundo um outro pais, com 1.4 bilhões pessoas (4x mais que os EUA) está em crescimento acelerado. Surge então a pergunta: por que não trazer empresas chinesas para a bolsa americana para que os americanos possam investir nesse crescimento? Parace um bom negócio, certo? Certo, mas para poucos! Na China, as auditorias são, digamos, duvidosas, e nem sempre o  valuation(valor da empresa perante os investidores) corresponde com a realidade, ou seja, o que parecia ser uma excelente aposta, não passava de uma bomba relógio fantasiada de oportunidade!

"The China Hustle", esse excelente documentário de 2017, expõe justamente esse processo - como analistas de investimentos descobriram que empresas chinesas que abriram capital na bolsa de valores dos Estados Unidos eram na verdade fraudes, usando empresas americanas como fachada e anunciando grandes resultados, sendo que esse volume de dinheiro (e de performance de mercado) nunca existiu. Na prática, o que aconteceu foi que essas empresas roubaram dinheiro de muitas pessoas e estes nunca mais recuperaram o dinheiro investido. Confira o trailer:

Para os mais familiarizados com o assunto, "The China Hustle" pode soar um pouco superficial ao ser pautado por generalizações em cima de um recorte bem particular dentro de várias manobras financeiras que acontecem nos EUA há anos. Para outros, que gostam do tema, tem alguma educação financeira e se divertiu com documentários como "Trabalho Interno" ou dramas como "O Mago das Mentiras" e "Margin Call", certamente a história vai colocar uma pulga atrás da orelha - para dizer o mínimo.

Desde a crise chinesa que levantou dúvidas sobre dados econômicos tanto de estatais quanto de empresasprivadas, há um clima de "Guerra Comercial" entre os EUA e a China, porém é inegável o atual poder de barganha dos asiáticos e a dependência monetária justificada pela recente participação pesada que eles fizeram em companhias de entretenimento e petróleo/energia, por exemplo, em todo planeta e especialmente no EUA. É nesse clima de incertezas que o documentário constrói uma linha temporal bastante coerente em cima da necessidade de reconstruir sua economia pelo olhos dos investidores. O diretor Jed Rothstein (indicado ao Oscar pelo curta documental "Killing in the Name" em 2010) soube equilibrar perfeitamente depoimentos de personagens bastante particulares, de vários fatos comprovados (e absurdos), do que muitos acreditam ser a segunda maior fraude da economia americana depois de Bernie Madoff.

Obviamente que a ganância continua ali, poucos anos depois da crise de 2008, mas o que chama atenção é a contínua falta de proteção para os investidores menos experientes (muitos deles até ingênuos). Partindo do pressuposto que "não existe almoço grátis", o órgão americano que deveria fiscalizar as transações no mínimo suspeitas, parece não ter forças para competir com a sagacidade de alguns bancos. A relação de confiança é, mais uma vez, a ponta frágil da história e isso é de embrulhar o estômago, mas não deixa de ser uma lição - e adianto: sobrou até para Jack Ma e seu multimilionário Alibaba.

Vale muito a pena

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Trabalho Interno

"Trabalho Interno" é daqueles documentários que faz você perder completamente a fé no ser humano. Pode até parecer que o filme tem o objetivo de explicar como um sistema complexo foi desmoronando até encontrar o seu ápice em 2008, mas não, ele vai além: o que vemos na tela é um conjunto de ganância, hipocrisia e total falta de empatia do tamanho do bônus anual de cada um dos executivos dos bancos de investimentos envolvido na crise. Triste, mas real!

Em 2008, uma crise econômica de proporções globais fez com que milhões de pessoas perdessem suas casas e empregos. Ao todo, foram gastos mais de US$ 20 trilhões para combater a situação. Através de uma extensa pesquisa e entrevistas com pessoas ligadas ao mundo financeiro, políticos e jornalistas, é desvendado o relacionamento corrosivo que envolveu representantes da política, da justiça e do mundo acadêmico. Confira o trailer:

"Trabalho Interno" foi o grande vencedor do Oscar de melhor Documentário em 2011 e sua importância justifica o prêmio. Com o roteiro escrito pelos estreantes Chad Beck e Adam Bolt, e dirigido por Charles Ferguson (de "No End in Sight" que fazia uma abordagem critica do governo de George W. Bush e a intervenção americana no Iraque), o documentário surpreende pela clareza com que discute o assunto - é fácil perceber a organicidade do roteiro, nos dando a falsa impressão de que o tema é imensamente mais fácil e que tudo que aconteceu é muito pior do que imaginávamos. A montagem usa de uma narrativa bastante dinâmica, equilibrando perfeitamente entrevistas com animações praticamente auto-explicativas, e ainda uma narração perfeita que une todos os pontos no tom exato e sem rodeios (mérito de Matt Damon).

O bacana é que "Trabalho Interno" não se limita em explicar como a bolha econômica foi sendo construída. Ao melhor estilo "Michael Moore", há uma claro, e positivo, interesse de apontar os culpados e de denunciar, ponto a ponto, como alguns executivos enriqueceram com a crise. A desregulamentação iniciada pelo governo Reagan se estende até a administração de Barack Obama, passando, obviamente, por George W. Bush - Ferguson não passa pano em ninguém e isso qualifica sua posição como cineasta.  O problema é que as denuncias não param por aí, não se salvam professores de universidades como Havard e Columbia, lobistas, diretores de grandes bancos, bancos de investimento e até de equipes econômicas dos presidentes americanos citados. Olha, é de embrulhar o estômago!

A divisão em capítulos ajuda muito a dinâmica do documentário, mas em nenhum momento ele se apoia em performances individuais para nos conquistar. Mesmo quando as perguntas vazam pelo microfone, o foco é muito mais na reação do entrevistado (e são tantas incríveis) do que na espetacularização na situação - e é aqui que o filme se distancia de Moore. "Inside the Job" (título original) é o filme que temos que assistir antes de "Margin Call" ou "A Grande Aposta", afinal ele nos dá a base intelectual para colhermos o que tem de melhor das outras produções. 

Um grande e dolorido documentário! Vale muito seu play!

Assista Agora

"Trabalho Interno" é daqueles documentários que faz você perder completamente a fé no ser humano. Pode até parecer que o filme tem o objetivo de explicar como um sistema complexo foi desmoronando até encontrar o seu ápice em 2008, mas não, ele vai além: o que vemos na tela é um conjunto de ganância, hipocrisia e total falta de empatia do tamanho do bônus anual de cada um dos executivos dos bancos de investimentos envolvido na crise. Triste, mas real!

Em 2008, uma crise econômica de proporções globais fez com que milhões de pessoas perdessem suas casas e empregos. Ao todo, foram gastos mais de US$ 20 trilhões para combater a situação. Através de uma extensa pesquisa e entrevistas com pessoas ligadas ao mundo financeiro, políticos e jornalistas, é desvendado o relacionamento corrosivo que envolveu representantes da política, da justiça e do mundo acadêmico. Confira o trailer:

"Trabalho Interno" foi o grande vencedor do Oscar de melhor Documentário em 2011 e sua importância justifica o prêmio. Com o roteiro escrito pelos estreantes Chad Beck e Adam Bolt, e dirigido por Charles Ferguson (de "No End in Sight" que fazia uma abordagem critica do governo de George W. Bush e a intervenção americana no Iraque), o documentário surpreende pela clareza com que discute o assunto - é fácil perceber a organicidade do roteiro, nos dando a falsa impressão de que o tema é imensamente mais fácil e que tudo que aconteceu é muito pior do que imaginávamos. A montagem usa de uma narrativa bastante dinâmica, equilibrando perfeitamente entrevistas com animações praticamente auto-explicativas, e ainda uma narração perfeita que une todos os pontos no tom exato e sem rodeios (mérito de Matt Damon).

O bacana é que "Trabalho Interno" não se limita em explicar como a bolha econômica foi sendo construída. Ao melhor estilo "Michael Moore", há uma claro, e positivo, interesse de apontar os culpados e de denunciar, ponto a ponto, como alguns executivos enriqueceram com a crise. A desregulamentação iniciada pelo governo Reagan se estende até a administração de Barack Obama, passando, obviamente, por George W. Bush - Ferguson não passa pano em ninguém e isso qualifica sua posição como cineasta.  O problema é que as denuncias não param por aí, não se salvam professores de universidades como Havard e Columbia, lobistas, diretores de grandes bancos, bancos de investimento e até de equipes econômicas dos presidentes americanos citados. Olha, é de embrulhar o estômago!

A divisão em capítulos ajuda muito a dinâmica do documentário, mas em nenhum momento ele se apoia em performances individuais para nos conquistar. Mesmo quando as perguntas vazam pelo microfone, o foco é muito mais na reação do entrevistado (e são tantas incríveis) do que na espetacularização na situação - e é aqui que o filme se distancia de Moore. "Inside the Job" (título original) é o filme que temos que assistir antes de "Margin Call" ou "A Grande Aposta", afinal ele nos dá a base intelectual para colhermos o que tem de melhor das outras produções. 

Um grande e dolorido documentário! Vale muito seu play!

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