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Dirty John – O Golpe do Amor

"Dirty John – O Golpe do Amor" é uma série interessante pela sua premissa, mas mediana na sua execução. É claro que fato de ser baseado em uma história real e trazer um personagem forte como protagonista chama atenção de cara! Inicialmente, me fez lembrar "American Crime Story", porém, na prática, "Dirty John" acaba se enrolando em todo seu potencial com um roteiro menos empolgante e uma estrutura narrativa um pouco confusa, se afastando de qualquer tipo de comparação com as duas temporadas de "American Crime" - até podemos considerar uma similaridade com "Versace" nos primeiros episódios, mas depois não se sustenta.

"Dirty John – O Golpe do Amor" é a versão para TV de um podcast do jornal Los Angeles Times que fez muito sucesso nos EUA. A série mostra a relação do golpista "profissional" John Meehan, com a empresária Debra Newell. Debra é uma mulher bem sucedida profissionalmente, mas com uma vida amorosa completamente fracassada. Carente e insegura, ela se torna uma presa fácil para John depois de um encontro marcado, veja só, pela internet! Com seu charme e sedução, John vai tomando conta da vida de Debra e é, justamente, esse o elemento que mais atrapalha e transforma a série em apenas um bom entretenimento. Confira o trailer:

As consequências do relacionamento abusivo e conturbado dos personagens são apresentados muito rapidamente, ou seja, nem bem nos envolvemos com o personagem do John e já definimos que ele é um canalha. O roteiro não nos coloca no papel da ótima Connie Britton, pois em nenhum momento temos a impressão que ele pode ser apenas um cara mal interpretado. O grande mérito de "American Crime Story", por exemplo, é sempre mostrar os dois lados e isso nos gera dúvidas ou até incredulidade em alguns momentos: O. J. Simpson era um monstro assassino ou um bode expiatório resultado de um ambiente conturbado pelas disputas raciais que os EUA vivia na época? John, nunca é tratado como um inocente pelo roteiro e isso é rotular demais o personagem. O próprio Eric Bana também não ajuda muito nesse processo - ele é muito canastrão, sem carisma e limitado demais para construir um personagem tão sedutor e cheio de camadas como o John deveria ser pra ter enganado tanta mulher inteligente e bem sucedida. A própria estrutura narrativa também começa a derrapar depois do 4º ou 5º episódio: ela se torna confusa demais com a construção do passado do John que simplesmente "cai de paraquedas" no episódio. Quando terminei série, tive a percepção que não existe uma linha narrativa convincente que justifique os 8 episódios - talvez por ser uma adaptação de um podcast, isso tenha se tornado um complicador. Não sei, em muitos momentos me pareceu arrastado demais!

O fato é que Dirty John nasceu para ser uma minissérie, mas se fez dela uma série que poderia ser muito melhor do que é! Não é ruim, de verdade... mas poderia ser melhor! Se você gostou de "American Crime Story" e até de "Você", é possível que se divirta com a série, mesmo com todas essas limitações criativas. É um entretenimento razoável de um gênero que está em alta na Netflix e que faz muito sucesso com a audiência!

Ah, uma segunda temporada já está confirmada e pelo que apurei deve mostrar um outro caso do próprio John que não, necessariamente, tenha a ver com a primeira temporada, criando assim uma contextualização mais antológica para o projeto. Vamos esperar!!!

Assista Agora

"Dirty John – O Golpe do Amor" é uma série interessante pela sua premissa, mas mediana na sua execução. É claro que fato de ser baseado em uma história real e trazer um personagem forte como protagonista chama atenção de cara! Inicialmente, me fez lembrar "American Crime Story", porém, na prática, "Dirty John" acaba se enrolando em todo seu potencial com um roteiro menos empolgante e uma estrutura narrativa um pouco confusa, se afastando de qualquer tipo de comparação com as duas temporadas de "American Crime" - até podemos considerar uma similaridade com "Versace" nos primeiros episódios, mas depois não se sustenta.

"Dirty John – O Golpe do Amor" é a versão para TV de um podcast do jornal Los Angeles Times que fez muito sucesso nos EUA. A série mostra a relação do golpista "profissional" John Meehan, com a empresária Debra Newell. Debra é uma mulher bem sucedida profissionalmente, mas com uma vida amorosa completamente fracassada. Carente e insegura, ela se torna uma presa fácil para John depois de um encontro marcado, veja só, pela internet! Com seu charme e sedução, John vai tomando conta da vida de Debra e é, justamente, esse o elemento que mais atrapalha e transforma a série em apenas um bom entretenimento. Confira o trailer:

As consequências do relacionamento abusivo e conturbado dos personagens são apresentados muito rapidamente, ou seja, nem bem nos envolvemos com o personagem do John e já definimos que ele é um canalha. O roteiro não nos coloca no papel da ótima Connie Britton, pois em nenhum momento temos a impressão que ele pode ser apenas um cara mal interpretado. O grande mérito de "American Crime Story", por exemplo, é sempre mostrar os dois lados e isso nos gera dúvidas ou até incredulidade em alguns momentos: O. J. Simpson era um monstro assassino ou um bode expiatório resultado de um ambiente conturbado pelas disputas raciais que os EUA vivia na época? John, nunca é tratado como um inocente pelo roteiro e isso é rotular demais o personagem. O próprio Eric Bana também não ajuda muito nesse processo - ele é muito canastrão, sem carisma e limitado demais para construir um personagem tão sedutor e cheio de camadas como o John deveria ser pra ter enganado tanta mulher inteligente e bem sucedida. A própria estrutura narrativa também começa a derrapar depois do 4º ou 5º episódio: ela se torna confusa demais com a construção do passado do John que simplesmente "cai de paraquedas" no episódio. Quando terminei série, tive a percepção que não existe uma linha narrativa convincente que justifique os 8 episódios - talvez por ser uma adaptação de um podcast, isso tenha se tornado um complicador. Não sei, em muitos momentos me pareceu arrastado demais!

O fato é que Dirty John nasceu para ser uma minissérie, mas se fez dela uma série que poderia ser muito melhor do que é! Não é ruim, de verdade... mas poderia ser melhor! Se você gostou de "American Crime Story" e até de "Você", é possível que se divirta com a série, mesmo com todas essas limitações criativas. É um entretenimento razoável de um gênero que está em alta na Netflix e que faz muito sucesso com a audiência!

Ah, uma segunda temporada já está confirmada e pelo que apurei deve mostrar um outro caso do próprio John que não, necessariamente, tenha a ver com a primeira temporada, criando assim uma contextualização mais antológica para o projeto. Vamos esperar!!!

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Invocação do Mal 3

"Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio" é um ótimo exemplo de filme que vai do céu ao inferno de acordo com a expectativa de quem assiste. Para nós, que trouxemos a informação sobre as estratégias de criação desse capítulo da franquia, que passou a utilizar elementos de "true crime" na história com o intuito de trazer para realidade situações que soam fantasiosas para os descrentes (mesmo com o aviso de "baseado em fatos reais"), a experiência foi das melhores! Um perfeito equilíbrio entre o suspense sobrenatural e o drama investigativo, bem ao estilo do recente "Outsider" da mesma HBO (e que inexplicavelmente não está disponível na nova plataforma HBO Max).

O filme segue contando a história dos investigadores de atividades paranormais Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga). Desta vez, o casal precisa investigar o caso de Arne Johnson (Ruairi O’Conner), que alega ter tido uma possessão demoníaca no momento em que assassinava um colega. Embora soe como uma desculpa das mais esfarrapadas, o contexto em que Arne estava envolvido colaborava para a tese de que ele não estava mentindo, afinal ele havia participado de um ritual de exorcismo de David Glatzel, irmão mais novo de sua namorada, pouco tempo antes de cometer o crime. Confira o trailer:

Michael Chaves foi o responsável "Invocação do Mal 3" seguindo a estratégia de James Wan de ampliar suas franquias e criar universos que possam caminhar sozinhos, independente da sua participação no projeto - nesse caso, para Chaves, é o segundo filme após uma estreia um tanto quanto morna em “A Maldição da Chorona”. Pois bem, embora não prejudique a experiência de quem assiste (e de quem conhece a franquia), o diretor não inova na narrativa e muito menos no conceito visual - é como se ele seguisse a cartilha de Wan, mas sem aquele enorme talento e capacidade técnica. Ao apresentar o exorcismo de David Glatzel (Julian Hilliard), Chaves entrega uma bom prólogo, que conta com uma ambientação bem trabalhada, com objetos voando, ventania dentro de casa, uma verdadeira imersão que coloca quem assiste no ponto certo para o que vem a seguir, porém o ritmo muda daí para frente - e é quando as pessoas com a alta expectativa criada, se decepcionam.

Veja, "Invocação do Mal 3" não é um filme de exorcismo ou com um monstro ou entidade sobrenatural como vilão (igual a Freira ou o Homem-Torto, para seguir no mesmo universo). Nesse caso estamos falando de um filme de investigação onde o principal objetivo é provar que houve, de fato, possessão demoníaca durante um real crime de assassinato! É claro que os elementos de suspense e ocultismo estão presentes no roteiro de David Leslie Johnson (de "A Órfã"), que existem conexões interessantes com bruxaria e rituais (tão bem aceitos pelo público em projetos documentais como "Os Filhos de Sam"), mas o conflito aqui é muito mais dramático do que de ação - naturalmente o ritmo é um pouco mais cadenciado em relação aos filmes anteriores da franquia, mas isso não o torna ruim! O filme é muito bom!

"Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio" deve ser considerado o filme menos assustador da franquia, mas continua sendo muito bom tecnicamente e ainda acima das demais produções de terror e suspense recentes. Patrick Wilson e Vera Farmiga são a grande sustentação dessa estratégia mais "true crime" da história e mesmo soando um pouco desgastados com seus personagens (e a cena final do filme comprova essa tese, colocando quase tudo a perder), ambos funcionam muito bem juntos. Eu diria que esse filme é o mais equilibrado da franquia, com uma gramática cinematográfica mais madura no sentido mais técnico da construção da história - e isso vai decepcionar alguns, mas definitivamente não foi nosso caso. Indico!

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"Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio" é um ótimo exemplo de filme que vai do céu ao inferno de acordo com a expectativa de quem assiste. Para nós, que trouxemos a informação sobre as estratégias de criação desse capítulo da franquia, que passou a utilizar elementos de "true crime" na história com o intuito de trazer para realidade situações que soam fantasiosas para os descrentes (mesmo com o aviso de "baseado em fatos reais"), a experiência foi das melhores! Um perfeito equilíbrio entre o suspense sobrenatural e o drama investigativo, bem ao estilo do recente "Outsider" da mesma HBO (e que inexplicavelmente não está disponível na nova plataforma HBO Max).

O filme segue contando a história dos investigadores de atividades paranormais Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga). Desta vez, o casal precisa investigar o caso de Arne Johnson (Ruairi O’Conner), que alega ter tido uma possessão demoníaca no momento em que assassinava um colega. Embora soe como uma desculpa das mais esfarrapadas, o contexto em que Arne estava envolvido colaborava para a tese de que ele não estava mentindo, afinal ele havia participado de um ritual de exorcismo de David Glatzel, irmão mais novo de sua namorada, pouco tempo antes de cometer o crime. Confira o trailer:

Michael Chaves foi o responsável "Invocação do Mal 3" seguindo a estratégia de James Wan de ampliar suas franquias e criar universos que possam caminhar sozinhos, independente da sua participação no projeto - nesse caso, para Chaves, é o segundo filme após uma estreia um tanto quanto morna em “A Maldição da Chorona”. Pois bem, embora não prejudique a experiência de quem assiste (e de quem conhece a franquia), o diretor não inova na narrativa e muito menos no conceito visual - é como se ele seguisse a cartilha de Wan, mas sem aquele enorme talento e capacidade técnica. Ao apresentar o exorcismo de David Glatzel (Julian Hilliard), Chaves entrega uma bom prólogo, que conta com uma ambientação bem trabalhada, com objetos voando, ventania dentro de casa, uma verdadeira imersão que coloca quem assiste no ponto certo para o que vem a seguir, porém o ritmo muda daí para frente - e é quando as pessoas com a alta expectativa criada, se decepcionam.

Veja, "Invocação do Mal 3" não é um filme de exorcismo ou com um monstro ou entidade sobrenatural como vilão (igual a Freira ou o Homem-Torto, para seguir no mesmo universo). Nesse caso estamos falando de um filme de investigação onde o principal objetivo é provar que houve, de fato, possessão demoníaca durante um real crime de assassinato! É claro que os elementos de suspense e ocultismo estão presentes no roteiro de David Leslie Johnson (de "A Órfã"), que existem conexões interessantes com bruxaria e rituais (tão bem aceitos pelo público em projetos documentais como "Os Filhos de Sam"), mas o conflito aqui é muito mais dramático do que de ação - naturalmente o ritmo é um pouco mais cadenciado em relação aos filmes anteriores da franquia, mas isso não o torna ruim! O filme é muito bom!

"Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio" deve ser considerado o filme menos assustador da franquia, mas continua sendo muito bom tecnicamente e ainda acima das demais produções de terror e suspense recentes. Patrick Wilson e Vera Farmiga são a grande sustentação dessa estratégia mais "true crime" da história e mesmo soando um pouco desgastados com seus personagens (e a cena final do filme comprova essa tese, colocando quase tudo a perder), ambos funcionam muito bem juntos. Eu diria que esse filme é o mais equilibrado da franquia, com uma gramática cinematográfica mais madura no sentido mais técnico da construção da história - e isso vai decepcionar alguns, mas definitivamente não foi nosso caso. Indico!

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O Desaparecimento de Madeleine McCann

De cara eu já te digo:  "O Desaparecimento de Madeleine McCann" é viciante!!! A série de 8 episódios, com 50 minutos em média, conta, em detalhes, tudo o que envolveu a investigação sobre o sumiço da garotinha inglesa Madeleine em Portugal. Mas antes das minhas impressões, vamos entender o que aconteceu: um casal de médicos ingleses viaja para um Resort, em uma linda praia de Portugal, com um grupo de amigos e seus respectivos filhos pequenos. Todos se divertem muito no verão europeu até que um dia resolvem sair para jantar e deixam as crianças no quarto dormindo. Como o restaurante ficava no mesmo complexo e era bem próximo aos quartos, tudo parecia normal, tranquilo, seguro - além do que, a cada 30 minutos ia alguém dar aquela espiada para ver se estava tudo certo com as crianças. Bom, por volta das 22:00, a mãe de Madeleine vai até o quarto e percebe que sua filha não está mais lá, seus outros filhos (um casal de gêmeos) continuavam dormindo no mesmo quarto, mas Madeleine havia desaparecido do nada!  Começava ai um mobilização no hotel e seus hospedes em busca da menina desaparecida!!! Só por esse prólogo já dá para começar os julgamentos...rs, ou melhor, as perguntas: "Por que catso os pais deixaram as crianças sozinhas dormindo no quarto se o hotel disponibilizava um serviço de babá??? E é a partir dessa simples pergunta que começa a se desenrolar uma série de teorias (e conspirações) que fazem com que você não queira parar de assistir a série!!! O diretor Chris Smith (o mesmo de Fyre) conduz os episódios incitando questionamentos a todo momento. As teorias que criamos vão variando de acordo com os fatos que vão sendo apresentados pouco a pouco e isso é sensacional! A estrutra narrativa que ele constrói é quase que uma provocação com quem assiste - ele mistura depoimentos, com imagens de arquivo, com encenações, de maneira muito equilibrada e inteligente: a sensação é como se ele nos perguntasse a toda hora: O que você acha que aconteceu? Quem é o culpado? E, meu amigo, posso te garantir, a cada episódio você vai mudando de idéia!!!

 Assista Agora ou

De cara eu já te digo:  "O Desaparecimento de Madeleine McCann" é viciante!!! A série de 8 episódios, com 50 minutos em média, conta, em detalhes, tudo o que envolveu a investigação sobre o sumiço da garotinha inglesa Madeleine em Portugal. Mas antes das minhas impressões, vamos entender o que aconteceu: um casal de médicos ingleses viaja para um Resort, em uma linda praia de Portugal, com um grupo de amigos e seus respectivos filhos pequenos. Todos se divertem muito no verão europeu até que um dia resolvem sair para jantar e deixam as crianças no quarto dormindo. Como o restaurante ficava no mesmo complexo e era bem próximo aos quartos, tudo parecia normal, tranquilo, seguro - além do que, a cada 30 minutos ia alguém dar aquela espiada para ver se estava tudo certo com as crianças. Bom, por volta das 22:00, a mãe de Madeleine vai até o quarto e percebe que sua filha não está mais lá, seus outros filhos (um casal de gêmeos) continuavam dormindo no mesmo quarto, mas Madeleine havia desaparecido do nada!  Começava ai um mobilização no hotel e seus hospedes em busca da menina desaparecida!!! Só por esse prólogo já dá para começar os julgamentos...rs, ou melhor, as perguntas: "Por que catso os pais deixaram as crianças sozinhas dormindo no quarto se o hotel disponibilizava um serviço de babá??? E é a partir dessa simples pergunta que começa a se desenrolar uma série de teorias (e conspirações) que fazem com que você não queira parar de assistir a série!!! O diretor Chris Smith (o mesmo de Fyre) conduz os episódios incitando questionamentos a todo momento. As teorias que criamos vão variando de acordo com os fatos que vão sendo apresentados pouco a pouco e isso é sensacional! A estrutra narrativa que ele constrói é quase que uma provocação com quem assiste - ele mistura depoimentos, com imagens de arquivo, com encenações, de maneira muito equilibrada e inteligente: a sensação é como se ele nos perguntasse a toda hora: O que você acha que aconteceu? Quem é o culpado? E, meu amigo, posso te garantir, a cada episódio você vai mudando de idéia!!!

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13 de Novembro: Terror em Paris

Por mais dolorido que possa parecer, a série documental da Netflix é um retrato da capacidade humana de se reinventar, seja nos momentos mais extremos, seja pela forma como ela reage ao evento que transformou sua vida!

São 3 episódios de quase 1 hora, mostrando minuto a minuto, tudo o que aconteceu naquela noite em Paris quando as primeiras explosões chamaram a atenção de todos que acompanhavam o amistoso França e Alemanha no Stade de France em Saint-Denis. As 80 mil pessoas que ali estavam, não tinham a menor noção do se transformaria aquela noite quando, poucos minutos depois, restaurantes e bares começaram a ser atacados por terroristas, culminando no massacre da boate Bataclan.

Pelo olhar e a lembrança de quem estava lá, em cada um desses lugares, ou pelos depoimentos de quem socorreu as vítimas naquela noite, e até pelas constatações dos políticos e policiais que precisaram tomar decisões difíceis durante os ataques, "13 de Novembro: Terror em Paris", talvez seja o documentário mais humano sobre um ataque terrorista que eu já assisti. É impressionante, marcante, mas, principalmente, necessário, pois só assim vamos entender o quanto a humanidade está machucada, mas ainda luta para continuar caminhando com a cabeça erguida! Vale muito o seu play!!!!

Assista Agora ou

Por mais dolorido que possa parecer, a série documental da Netflix é um retrato da capacidade humana de se reinventar, seja nos momentos mais extremos, seja pela forma como ela reage ao evento que transformou sua vida!

São 3 episódios de quase 1 hora, mostrando minuto a minuto, tudo o que aconteceu naquela noite em Paris quando as primeiras explosões chamaram a atenção de todos que acompanhavam o amistoso França e Alemanha no Stade de France em Saint-Denis. As 80 mil pessoas que ali estavam, não tinham a menor noção do se transformaria aquela noite quando, poucos minutos depois, restaurantes e bares começaram a ser atacados por terroristas, culminando no massacre da boate Bataclan.

Pelo olhar e a lembrança de quem estava lá, em cada um desses lugares, ou pelos depoimentos de quem socorreu as vítimas naquela noite, e até pelas constatações dos políticos e policiais que precisaram tomar decisões difíceis durante os ataques, "13 de Novembro: Terror em Paris", talvez seja o documentário mais humano sobre um ataque terrorista que eu já assisti. É impressionante, marcante, mas, principalmente, necessário, pois só assim vamos entender o quanto a humanidade está machucada, mas ainda luta para continuar caminhando com a cabeça erguida! Vale muito o seu play!!!!

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A Caça

A Caça

Criança não mente! Será?

Essa é apenas uma das polêmicas abordadas pelo excelente drama dinamarquês "A Caça" - o filme rendeu para Mads Mikkelsen o prêmio de Melhor Ator no festival de Cannes em 2012 e o credenciou para protagonizar a incrível série "Hannibal". Além disso, "Jagten" (título original) concorreu ao Globo de Ouro, ao Batfa e ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2014.

Na trama, Lucas é um homem recém-divorciado que tenta se reerguer no novo emprego em uma escola infantil, mas sua sorte começa a mudar quando Klara (Annika Wedderkopp), filha do seu melhor amigo Marcus (Lasse Fogelstrøm), inventa uma mentira impiedosa com graves consequências, após ela não ter dele a atenção que queria. Antes que Lucas tenha a real dimensão do que está acontecendo, ele se torna o Inimigo número 1 da cidade e enfrenta a hostilidade de todos ao redor, correndo o risco de não conseguir provar sua inocência. Confira o trailer:


Traçando um paralelo entre os acontecimentos do filme e o momento em que vivemos, é inevitável concluir que o "cancelamento sempre existiu" - mesmo antes da internet. Se você mora ou já morou em cidade pequena, sabe bem disso. Uma pessoa "supostamente" tem uma atitude questionável, a notícia se espalha, o julgamento popular é imediato e dá início a um processo de "assassinato de reputação", que muitas vezes é irreversível - mesmo após provado que tudo não passava de boato ou engano. É exatamente o mesmo mecanismo do cancelamento da internet, que se diferencia somente pela velocidade e escala em que acontece. Nota-se, também, o poder do senso comum na sociedade: instantaneamente, as pessoas acreditam que “criança não mente” e que “se falam e voltam atrás, é porque criaram trauma ou medo”. Sabemos que isso é o que realmente acontece na grande maioria dos casos, mas os "canceladores" ignoram o benefício da dúvida e as autoridades legais, antecipando o julgamento.

Dirigido pelo excelente Thomas Vinterberg (de "Kursk - A Última Missão" e do também indicado ao Oscar, "Druk - Mais Uma Rodada") e com roteiro de Tobias Lindholm,  "A Caça" constrói com maestria um clima crescente de suspense e o final nos mostra a amplitude semântica da palavra "sequelas". A última cena, especialmente, não poderia justificar melhor o título desse filme que é simplesmente imperdível!

Escrito por Ricelli Ribeiro - uma parceria @dicastreaming 

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Criança não mente! Será?

Essa é apenas uma das polêmicas abordadas pelo excelente drama dinamarquês "A Caça" - o filme rendeu para Mads Mikkelsen o prêmio de Melhor Ator no festival de Cannes em 2012 e o credenciou para protagonizar a incrível série "Hannibal". Além disso, "Jagten" (título original) concorreu ao Globo de Ouro, ao Batfa e ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2014.

Na trama, Lucas é um homem recém-divorciado que tenta se reerguer no novo emprego em uma escola infantil, mas sua sorte começa a mudar quando Klara (Annika Wedderkopp), filha do seu melhor amigo Marcus (Lasse Fogelstrøm), inventa uma mentira impiedosa com graves consequências, após ela não ter dele a atenção que queria. Antes que Lucas tenha a real dimensão do que está acontecendo, ele se torna o Inimigo número 1 da cidade e enfrenta a hostilidade de todos ao redor, correndo o risco de não conseguir provar sua inocência. Confira o trailer:


Traçando um paralelo entre os acontecimentos do filme e o momento em que vivemos, é inevitável concluir que o "cancelamento sempre existiu" - mesmo antes da internet. Se você mora ou já morou em cidade pequena, sabe bem disso. Uma pessoa "supostamente" tem uma atitude questionável, a notícia se espalha, o julgamento popular é imediato e dá início a um processo de "assassinato de reputação", que muitas vezes é irreversível - mesmo após provado que tudo não passava de boato ou engano. É exatamente o mesmo mecanismo do cancelamento da internet, que se diferencia somente pela velocidade e escala em que acontece. Nota-se, também, o poder do senso comum na sociedade: instantaneamente, as pessoas acreditam que “criança não mente” e que “se falam e voltam atrás, é porque criaram trauma ou medo”. Sabemos que isso é o que realmente acontece na grande maioria dos casos, mas os "canceladores" ignoram o benefício da dúvida e as autoridades legais, antecipando o julgamento.

Dirigido pelo excelente Thomas Vinterberg (de "Kursk - A Última Missão" e do também indicado ao Oscar, "Druk - Mais Uma Rodada") e com roteiro de Tobias Lindholm,  "A Caça" constrói com maestria um clima crescente de suspense e o final nos mostra a amplitude semântica da palavra "sequelas". A última cena, especialmente, não poderia justificar melhor o título desse filme que é simplesmente imperdível!

Escrito por Ricelli Ribeiro - uma parceria @dicastreaming 

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A Garota Desconhecida

Uma co-produção entre Bélgica e França, "La fille inconnue" (título original) foi indicado para a Palme d'Or em 2016 e conta a história de uma jovem médica chamada Jenny (Adèle Haenel), que certa noite resolve não atender ao interfone do consultório pois o horário de expediente já havia terminado. Acontece que na manhã seguinte, ela é informada pela polícia que uma garota não identificada foi encontrada morta próximo ao seu local de trabalho. Sentindo-se culpada, Jenny passa a acreditar que poderia ter salvado a vítima se tivesse atendido sua chamada e como uma forma de redenção (ou perdão), ela inicia sua busca incessante pela verdade sobre o ocorrido. Confira o trailer:

O roteiro é inteligente em discutir algumas questões morais baseado na necessidade da protagonista em diminuir o peso de uma responsabilidade que ela acredita ser sua, o fato de que a garota não teria morrido se ela tive agido diferente só fortalece dois elementos que regem suas ações em todo o filme e que nos convidam à reflexão: o poder da culpa e as escolhas que fazemos sem nem ao menos pensar nas consequências. O problema é que o mesmo roteiro que entrega um subtexto interessante, falha ao querer dar a mesma importância aos dramas paralelos, deixando com que um conceito narrativo bem elaborado se esvazie na superficialidade com que os irmãos Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, diretores e roteiristas, tratam seus personagens: os pais do estagiário de Jenny, Bryan (Louka Minnella), que tentam reatar o casamento e o trauma de Julien (Olivier Bonnaud) com o pai abusivo, são ótimos exemplos de tramas que não levam a lugar algum!

Embora simples, o filme é muito bem realizado, bem dirigido e tem uma fotografia bem peculiar (mérito de Alain Marcoen) e alinhada com o conceito estético marcante dos irmãos Dardenne, porém essa falta de foco, quase um emaranhado de sub-tramas sem muita conexão com o que realmente importa, prejudicam um pouco nossa percepção sobre o filme. Não que seja ruim, ele não é, mas ao assumir seu caráter independente, transformando algo que poderia ter a força de um thriller investigativo ao melhor estilo "Garota Exemplar" em algo muito mais conceitual, "A Garota Desconhecida" se torna interessante para um publico bastante nichado.

O assinante que se apegar a grife dos irmãos Dardenne: Jean-Pierre, de 65 anos, e Luc, de 62, ambos com duas Palmas de Ouro por "Rosetta" em 1999 e por "A Criança" em 2005 - além de mais de 50 prêmios nos maiores festivais de cinema do mundo e cujo maior sucesso recente foi "Dois Dias, uma Noite" com Marion Cotillard indicada ao Oscar de Melhor Atriz em 2015 por sua personagem no filme, certamente vai relevar muito do que comentei nesse review, mas para você que busca um filme de investigação ou até um drama melhor estruturado, mesmo que comercial, pode ter certeza que existem melhores opções no seu serviço de streaming!

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Uma co-produção entre Bélgica e França, "La fille inconnue" (título original) foi indicado para a Palme d'Or em 2016 e conta a história de uma jovem médica chamada Jenny (Adèle Haenel), que certa noite resolve não atender ao interfone do consultório pois o horário de expediente já havia terminado. Acontece que na manhã seguinte, ela é informada pela polícia que uma garota não identificada foi encontrada morta próximo ao seu local de trabalho. Sentindo-se culpada, Jenny passa a acreditar que poderia ter salvado a vítima se tivesse atendido sua chamada e como uma forma de redenção (ou perdão), ela inicia sua busca incessante pela verdade sobre o ocorrido. Confira o trailer:

O roteiro é inteligente em discutir algumas questões morais baseado na necessidade da protagonista em diminuir o peso de uma responsabilidade que ela acredita ser sua, o fato de que a garota não teria morrido se ela tive agido diferente só fortalece dois elementos que regem suas ações em todo o filme e que nos convidam à reflexão: o poder da culpa e as escolhas que fazemos sem nem ao menos pensar nas consequências. O problema é que o mesmo roteiro que entrega um subtexto interessante, falha ao querer dar a mesma importância aos dramas paralelos, deixando com que um conceito narrativo bem elaborado se esvazie na superficialidade com que os irmãos Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, diretores e roteiristas, tratam seus personagens: os pais do estagiário de Jenny, Bryan (Louka Minnella), que tentam reatar o casamento e o trauma de Julien (Olivier Bonnaud) com o pai abusivo, são ótimos exemplos de tramas que não levam a lugar algum!

Embora simples, o filme é muito bem realizado, bem dirigido e tem uma fotografia bem peculiar (mérito de Alain Marcoen) e alinhada com o conceito estético marcante dos irmãos Dardenne, porém essa falta de foco, quase um emaranhado de sub-tramas sem muita conexão com o que realmente importa, prejudicam um pouco nossa percepção sobre o filme. Não que seja ruim, ele não é, mas ao assumir seu caráter independente, transformando algo que poderia ter a força de um thriller investigativo ao melhor estilo "Garota Exemplar" em algo muito mais conceitual, "A Garota Desconhecida" se torna interessante para um publico bastante nichado.

O assinante que se apegar a grife dos irmãos Dardenne: Jean-Pierre, de 65 anos, e Luc, de 62, ambos com duas Palmas de Ouro por "Rosetta" em 1999 e por "A Criança" em 2005 - além de mais de 50 prêmios nos maiores festivais de cinema do mundo e cujo maior sucesso recente foi "Dois Dias, uma Noite" com Marion Cotillard indicada ao Oscar de Melhor Atriz em 2015 por sua personagem no filme, certamente vai relevar muito do que comentei nesse review, mas para você que busca um filme de investigação ou até um drama melhor estruturado, mesmo que comercial, pode ter certeza que existem melhores opções no seu serviço de streaming!

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A Grande Mentira

Existe um linha muito tênue entre o bom e o ruim e alguns filmes acabam transitando por ela - "A Grande Mentira" é um ótimo exemplo disso! O filme acompanha o golpista Roy Courtnay (Ian McKellen) desde o momento em que ele conhece a viúva Betty McLeish (Hellen Mirren) em um site de namoro. Depois de alguns poucos encontros, Betty abre sua casa e sua vida para Courtnay que enxerga nesse novo relacionamento mais uma chance para dar um grande golpe. O problema é que Roy acaba se apaixonando por ela ao mesmo tempo em que o desconfiado sobrinho de Betty começa investigar o seu passado. Assista o trailer para continuarmos nossa análise:

Baseado no livro de Nicholas Searle, "A Grande Mentira" transita muito bem entre alguns gêneros como suspense e drama, com personagens mais complexos, daqueles que só o passado pode explicar as atitudes do presente, muito comum em filmes dos anos 90 como "Mulher Solteira Procura" ou "Louca Obsessão". Então vamos lá: por muito tempo o "flashback" carregou a fama de servir de muleta para os roteiristas, afinal era a chance de tirar o coelho da cartola e surpreender o publico com um final impensável, acontece que os tempos são outros e muito da gramática cinematográfica que funcionava perfeitamente há 20 anos atrás, hoje já não gera o mesmo efeito e muito menos o mesmo resultado. Nesse contexto, é até possível imaginar a qualidade do livro de Searle, mas sua adaptação vai soar bastante superficial para os mais exigentes, pois o roteiro não tem tempo de se aprofundar no desenvolvimento dos ótimos personagens de Mirren e McKellen e muito menos em tudo que os rodeiam - as peças que precisávamos para fechar o quebra-cabeça certamente estariam lá se o roteiro fosse melhor (ou se a história proporcionasse isso de uma maneira mais inteligente), não é o caso! Não que o filme seja ruim, não é isso, mas essas tramas secundárias são tão mal desenvolvidas que pouco se aproveita no plot principal, que é o que realmente interessa - é a conexão que é fraca, não o fato delas existirem. Um bom exemplo é o relacionamento de Betty com o seu sobrinho Stephen (Russell Tovey, do excelente "Years and Years" da HBO) - ele some e aparece ao melhor estilo "Mestre dos Magos" e nada dessa relação justificaria a entrega que o filme faz no ato final - a grande verdade é que, depois da conclusão do filme, temos a sensação de que o roteirista roubou no jogo pela simples intenção de nos surpreender com um plot twist que não é ruim, mas que poderia ser muito melhor se as pistas já tivessem sido apresentadas.

Sobre o filme em si, posso dizer que é bem dirigido pelo ótimo Bill Condon (Bela e a Fera) - ele consegue criar uma certa tensão, mesmo abusando de conceitos menos criativos e já ultrapassados como a sombra na porta da cozinha no meio da madrugada azul americana que assusta a velinha indefesa ou o didatismo de um close que vai explicar (ou entregar) sua consequência um pouco mais a frente! Ao sair da sessão, me faz pensar que esse filme na mão de um Davd Fincher poderia ser bem mais intrigante, não sei! Mirren e McKellen dão força aos personagens com muita competência, mas infelizmente caem nos buracos que o roteiro tem. A fotografia do alemão Tobias A. Schliessler ("O Quinto Poder") é muito interessante, principalmente nas cenas externas de Londres e Berlin - para quem assistiu o trailer, a cena do metrô de Londres é boa mesmo!

O fato é que "A Grande Mentira" poderia ser um bom filme para alugarmos nas locadoras (se elas ainda existissem) - digo isso pela sua característica como entretenimento, pela forma como foi filmada e, principalmente, pelas escolhas de um roteiro extremamente datado. Uma hora e meia de entretenimento está garantido, uma ou outra surpresa também, mas não espere mais que isso. Bom para um sábado chuvoso e se dormir, dormiu!

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Existe um linha muito tênue entre o bom e o ruim e alguns filmes acabam transitando por ela - "A Grande Mentira" é um ótimo exemplo disso! O filme acompanha o golpista Roy Courtnay (Ian McKellen) desde o momento em que ele conhece a viúva Betty McLeish (Hellen Mirren) em um site de namoro. Depois de alguns poucos encontros, Betty abre sua casa e sua vida para Courtnay que enxerga nesse novo relacionamento mais uma chance para dar um grande golpe. O problema é que Roy acaba se apaixonando por ela ao mesmo tempo em que o desconfiado sobrinho de Betty começa investigar o seu passado. Assista o trailer para continuarmos nossa análise:

Baseado no livro de Nicholas Searle, "A Grande Mentira" transita muito bem entre alguns gêneros como suspense e drama, com personagens mais complexos, daqueles que só o passado pode explicar as atitudes do presente, muito comum em filmes dos anos 90 como "Mulher Solteira Procura" ou "Louca Obsessão". Então vamos lá: por muito tempo o "flashback" carregou a fama de servir de muleta para os roteiristas, afinal era a chance de tirar o coelho da cartola e surpreender o publico com um final impensável, acontece que os tempos são outros e muito da gramática cinematográfica que funcionava perfeitamente há 20 anos atrás, hoje já não gera o mesmo efeito e muito menos o mesmo resultado. Nesse contexto, é até possível imaginar a qualidade do livro de Searle, mas sua adaptação vai soar bastante superficial para os mais exigentes, pois o roteiro não tem tempo de se aprofundar no desenvolvimento dos ótimos personagens de Mirren e McKellen e muito menos em tudo que os rodeiam - as peças que precisávamos para fechar o quebra-cabeça certamente estariam lá se o roteiro fosse melhor (ou se a história proporcionasse isso de uma maneira mais inteligente), não é o caso! Não que o filme seja ruim, não é isso, mas essas tramas secundárias são tão mal desenvolvidas que pouco se aproveita no plot principal, que é o que realmente interessa - é a conexão que é fraca, não o fato delas existirem. Um bom exemplo é o relacionamento de Betty com o seu sobrinho Stephen (Russell Tovey, do excelente "Years and Years" da HBO) - ele some e aparece ao melhor estilo "Mestre dos Magos" e nada dessa relação justificaria a entrega que o filme faz no ato final - a grande verdade é que, depois da conclusão do filme, temos a sensação de que o roteirista roubou no jogo pela simples intenção de nos surpreender com um plot twist que não é ruim, mas que poderia ser muito melhor se as pistas já tivessem sido apresentadas.

Sobre o filme em si, posso dizer que é bem dirigido pelo ótimo Bill Condon (Bela e a Fera) - ele consegue criar uma certa tensão, mesmo abusando de conceitos menos criativos e já ultrapassados como a sombra na porta da cozinha no meio da madrugada azul americana que assusta a velinha indefesa ou o didatismo de um close que vai explicar (ou entregar) sua consequência um pouco mais a frente! Ao sair da sessão, me faz pensar que esse filme na mão de um Davd Fincher poderia ser bem mais intrigante, não sei! Mirren e McKellen dão força aos personagens com muita competência, mas infelizmente caem nos buracos que o roteiro tem. A fotografia do alemão Tobias A. Schliessler ("O Quinto Poder") é muito interessante, principalmente nas cenas externas de Londres e Berlin - para quem assistiu o trailer, a cena do metrô de Londres é boa mesmo!

O fato é que "A Grande Mentira" poderia ser um bom filme para alugarmos nas locadoras (se elas ainda existissem) - digo isso pela sua característica como entretenimento, pela forma como foi filmada e, principalmente, pelas escolhas de um roteiro extremamente datado. Uma hora e meia de entretenimento está garantido, uma ou outra surpresa também, mas não espere mais que isso. Bom para um sábado chuvoso e se dormir, dormiu!

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A Ligação

"A Ligação", é uma adaptação de um filme de 2011 escrito pelo roteirista de "O Chalé", Sergio Casci. O fato é que essa produção coreana da Netflix, é o equilíbrio perfeito entre uma boa ficção científica e um ótimo suspense! Tudo o que eu disser além disso pode estragar sua experiência, então vou focar em dois pontos: o filme é extremamente bem produzido, tecnicamente perfeito e, como qualquer filme sobre o tema, vai exigir uma certa suspensão da realidade para que a jornada seja totalmente imersiva!

Seo-yeon (Park Shin-Hye) é uma jovem que acaba de se mudar para a antiga casa da sua família, onde passara a infância e onde, anos atrás, perdera o pai (Ho-San Park) em um incêndio. Porém, as dolorosas memórias do passado não são as únicas ameaças na sua vida atual: após perder o celular, Seo-yeon passa a receber ligações sinistras de Young-sook (Jong-seo Jun), uma antiga moradora da casa, no telefone fixo. Aos poucos, o que parecia ser obra do acaso se transforma em uma experiência aterrorizante onde os fantasmas do passado voltam para cobrar por algumas decisões que Seo-yeon precisou tomar. Confira o trailer (em inglês):

O maior mérito de "A Ligação", é a forma como o diretor estreante Chung-Hyun Lee (olho nesse cara) vai mudando o gênero do filme de acordo com progresso da história. O interessante é que nosso mood acompanha essas escolhas narrativas, fazendo com que um de argumento nada original se transforme em algo único - muito parecido com o estilo conceitual do próprio Bong Joon Ho em "Parasita".

Reparem na qualidade de três elementos-chave que só reforçam o poder desse roteiro: 1. a fotografia é linda, 2. os efeitos visuais criam uma atmosfera sensacional e 3. as duas atrizes dão uma aula de interpretação.

Olha, se você gostou do espanhol "Durante a Tormenta", dê o play voando em "A Ligação" porque além de um ótimo thriller, ele vai prender sua atenção como poucos e ainda oferecer muito mais do que a sinopse apresentou (literalmente) - e não deixe de experimentar o final de verdade! 

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"A Ligação", é uma adaptação de um filme de 2011 escrito pelo roteirista de "O Chalé", Sergio Casci. O fato é que essa produção coreana da Netflix, é o equilíbrio perfeito entre uma boa ficção científica e um ótimo suspense! Tudo o que eu disser além disso pode estragar sua experiência, então vou focar em dois pontos: o filme é extremamente bem produzido, tecnicamente perfeito e, como qualquer filme sobre o tema, vai exigir uma certa suspensão da realidade para que a jornada seja totalmente imersiva!

Seo-yeon (Park Shin-Hye) é uma jovem que acaba de se mudar para a antiga casa da sua família, onde passara a infância e onde, anos atrás, perdera o pai (Ho-San Park) em um incêndio. Porém, as dolorosas memórias do passado não são as únicas ameaças na sua vida atual: após perder o celular, Seo-yeon passa a receber ligações sinistras de Young-sook (Jong-seo Jun), uma antiga moradora da casa, no telefone fixo. Aos poucos, o que parecia ser obra do acaso se transforma em uma experiência aterrorizante onde os fantasmas do passado voltam para cobrar por algumas decisões que Seo-yeon precisou tomar. Confira o trailer (em inglês):

O maior mérito de "A Ligação", é a forma como o diretor estreante Chung-Hyun Lee (olho nesse cara) vai mudando o gênero do filme de acordo com progresso da história. O interessante é que nosso mood acompanha essas escolhas narrativas, fazendo com que um de argumento nada original se transforme em algo único - muito parecido com o estilo conceitual do próprio Bong Joon Ho em "Parasita".

Reparem na qualidade de três elementos-chave que só reforçam o poder desse roteiro: 1. a fotografia é linda, 2. os efeitos visuais criam uma atmosfera sensacional e 3. as duas atrizes dão uma aula de interpretação.

Olha, se você gostou do espanhol "Durante a Tormenta", dê o play voando em "A Ligação" porque além de um ótimo thriller, ele vai prender sua atenção como poucos e ainda oferecer muito mais do que a sinopse apresentou (literalmente) - e não deixe de experimentar o final de verdade! 

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A Louva a Deus

Syd Field, um dos especialistas em desenvolvimento de roteiros nos EUA,  sempre afirmou que um diretor mediano seria capaz de fazer um bom filme desde que o roteiro fosse bom (mas que o contrário seria impossível!). "A Louva-a-deus", minissérie que acabou de estrear na Netflix, ratifica essa afirmação ao cometer alguns dos mesmos erros de outra série francesa, "Marseille": uma produção de altíssimo nível, um roteiro bom, mas, infelizmente, uma direção fraca.

Na história, Jeanne Deber (Carole Bouquet) também conhecida como A Louva-a-Deus, é uma famosa assassina em série que aterrorizou a França há 25 anos atrás. Após três novos assassinatos, Deber é procurada pela polícia para ajudar nas investigações de um imitador. Ela aceita colaborar, desde que seu filho, agora policial, trabalhe ao seu lado. Confira o trailer, dublado:

"La Mante" (titulo original) tem uma premissa muito boa, um ritmo narrativo bem interessante e uma história que prende - mas, infelizmente, tem muitas falhas de direção, de continuidade, de fotografia. Embora tenha algumas cenas mais clichês bem estabelecidas, o(s) diretor(es) não conseguem criar o clima de tensão que o roteiro pede - fora um ou outro lampejo de criatividade e competência. A direção de atores é sofrível - todos estão completamente fora do tom. Não sei se existe um showrunner na minissérie, mas se existe o cara parece não ter uma concepção estética bem definida - em cada episódio a câmera trabalha de um jeito. Reparem! Para ficar mais fácil de entender, é como se dessem o roteiro de "Silêncio dos Inocentes" para o diretor iniciante dirigir! Ok, talvez eu tenha exagerado, mas a verdade é que a série tem um potencial enorme, mas o resultado de tela não por causa desses detalhes - não tem alma!!!!

Vale a pena assistir "A Louva a Deus" até o final porque o tema (serial killer) é realmente envolvente, mas fica difícil não imaginar esse roteiro na mão de um diretor dinamarquês como o Kaspar Munk (de "Forbrydelsen") ou até o Niels Arden Oplev (de "Millennium") - caras que sabem potencializar um roteiro mais sombrio com uma estética autoral bem diferenciada!

Tenho certeza que o usuário menos exigente com a estética da série vai se divertir, afinal a minissérie é um ótimo entretenimento!

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Syd Field, um dos especialistas em desenvolvimento de roteiros nos EUA,  sempre afirmou que um diretor mediano seria capaz de fazer um bom filme desde que o roteiro fosse bom (mas que o contrário seria impossível!). "A Louva-a-deus", minissérie que acabou de estrear na Netflix, ratifica essa afirmação ao cometer alguns dos mesmos erros de outra série francesa, "Marseille": uma produção de altíssimo nível, um roteiro bom, mas, infelizmente, uma direção fraca.

Na história, Jeanne Deber (Carole Bouquet) também conhecida como A Louva-a-Deus, é uma famosa assassina em série que aterrorizou a França há 25 anos atrás. Após três novos assassinatos, Deber é procurada pela polícia para ajudar nas investigações de um imitador. Ela aceita colaborar, desde que seu filho, agora policial, trabalhe ao seu lado. Confira o trailer, dublado:

"La Mante" (titulo original) tem uma premissa muito boa, um ritmo narrativo bem interessante e uma história que prende - mas, infelizmente, tem muitas falhas de direção, de continuidade, de fotografia. Embora tenha algumas cenas mais clichês bem estabelecidas, o(s) diretor(es) não conseguem criar o clima de tensão que o roteiro pede - fora um ou outro lampejo de criatividade e competência. A direção de atores é sofrível - todos estão completamente fora do tom. Não sei se existe um showrunner na minissérie, mas se existe o cara parece não ter uma concepção estética bem definida - em cada episódio a câmera trabalha de um jeito. Reparem! Para ficar mais fácil de entender, é como se dessem o roteiro de "Silêncio dos Inocentes" para o diretor iniciante dirigir! Ok, talvez eu tenha exagerado, mas a verdade é que a série tem um potencial enorme, mas o resultado de tela não por causa desses detalhes - não tem alma!!!!

Vale a pena assistir "A Louva a Deus" até o final porque o tema (serial killer) é realmente envolvente, mas fica difícil não imaginar esse roteiro na mão de um diretor dinamarquês como o Kaspar Munk (de "Forbrydelsen") ou até o Niels Arden Oplev (de "Millennium") - caras que sabem potencializar um roteiro mais sombrio com uma estética autoral bem diferenciada!

Tenho certeza que o usuário menos exigente com a estética da série vai se divertir, afinal a minissérie é um ótimo entretenimento!

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A Mente do Assassino: Aaron Hernandez

"A Mente do Assassino: Aaron Hernandez" é mais um daqueles documentários que nos fazem refletir sobre a verdadeira condição humana como reflexo de uma sociedade doente, onde os valores são facilmente subvertidos e uma família desestruturada só colabora para essa quebra de confiança e afeto. Claro que existia uma patologia, a encefalopatia traumática crônica - uma doença que causa trauma cerebral em jogadores de futebol americano, resultado de concussões repetidas na cabeça e que merece nossa atenção; mas o fato é que alguns (ou a combinação) desses fatores transformaram um jovem jogador da NFL em um frio assassino! Aaron Hernandez já era uma realidade do esporte com pouco mais de 20 anos, jogava no New England Patriots com Tom Brady e ao lado de Rob Gronkowski, tinha acabado de jogar um Super Bowl onde, inclusive, marcou um Touchdown, tinha um contrato de 40 milhões de dólares garantidos, uma esposa e uma filha recém nascida! Tudo caminhava bem até que o corpo de Ortiz Lloyd é encontrado em North Attleboro, próximo a mansão de Aaron. Lloyd era namorado da irmã de sua esposa e foi só a investigação começar que o jogador  já foi preso graças as inúmeras evidências que o colocavam como principal suspeito! A série da Netflix, destrincha essas evidências ao mesmo tempo em que reconstrói a caminhada esportiva e social de Aaron Hernandez até o dia do seu suicídio. São três episódios de uma hora, com uma dinâmica bastante interessante que não se propõem em inocentar o atleta e sim tentar descobrir as razões que o levaram a cometer o crime! Olha, se você gostou de "O.J.: Made in America", não perca tempo, dê o play porque você não vai se arrepender!

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"A Mente do Assassino: Aaron Hernandez" é mais um daqueles documentários que nos fazem refletir sobre a verdadeira condição humana como reflexo de uma sociedade doente, onde os valores são facilmente subvertidos e uma família desestruturada só colabora para essa quebra de confiança e afeto. Claro que existia uma patologia, a encefalopatia traumática crônica - uma doença que causa trauma cerebral em jogadores de futebol americano, resultado de concussões repetidas na cabeça e que merece nossa atenção; mas o fato é que alguns (ou a combinação) desses fatores transformaram um jovem jogador da NFL em um frio assassino! Aaron Hernandez já era uma realidade do esporte com pouco mais de 20 anos, jogava no New England Patriots com Tom Brady e ao lado de Rob Gronkowski, tinha acabado de jogar um Super Bowl onde, inclusive, marcou um Touchdown, tinha um contrato de 40 milhões de dólares garantidos, uma esposa e uma filha recém nascida! Tudo caminhava bem até que o corpo de Ortiz Lloyd é encontrado em North Attleboro, próximo a mansão de Aaron. Lloyd era namorado da irmã de sua esposa e foi só a investigação começar que o jogador  já foi preso graças as inúmeras evidências que o colocavam como principal suspeito! A série da Netflix, destrincha essas evidências ao mesmo tempo em que reconstrói a caminhada esportiva e social de Aaron Hernandez até o dia do seu suicídio. São três episódios de uma hora, com uma dinâmica bastante interessante que não se propõem em inocentar o atleta e sim tentar descobrir as razões que o levaram a cometer o crime! Olha, se você gostou de "O.J.: Made in America", não perca tempo, dê o play porque você não vai se arrepender!

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A Mulher da Janela

Se você leu o livro que deu origem ao filme "A Mulher na Janela", provavelmente você vai se decepcionar! Se você não leu, você tem 50% de chance de gostar e te explico a razão: o filme tem uma dinâmica narrativa muito particular dos anos 90 e inicio dos anos 2000, uma época onde nossas referências eram bem mais limitadas do que temos hoje, com isso nosso nível de percepção da história era menos rigoroso, o que nos proporcionava ótimos momentos de entretenimento com o gênero como em "Quarto do Pânico", "A Mão Que Balança o Berço" ou "Medo". Dito isso, esse suspense psicológico da Netflix com Amy Adams e Julianne Moore, vai te divertir mas não empolgar como deveria!

“A Mulher na Janela” é uma adaptação do livro homônimo de A.J. Finn que acompanha Anna Fox (Adams), uma psicóloga infantil que sofre de agorafobia (um tipo de transtorno de ansiedade em que a pessoa tem medo e evita lugares ou situações que podem causar pânico). Confinada em casa e a base da combinação entre remédios e álcool, ela começa a observar pela sua janela a vida aparentemente perfeita dos vizinhos que acabaram de se mudar para o prédio da frente. Um dia, ela acaba sendo testemunha de um crime violento e isso vira sua vida de cabeça para baixo. Confira o trailer:

Desde seu anúncio, "A Mulher na Janela" vinha sendo aguardado com muitas expectativas. A premissa "HBO" do filme se justificava pelos nomes envolvidos no projeto: Tracy Letts no roteiro (de "Killer Joe - Matador de Aluguel" e "Álbum de Família"), Joe Wright diretor de “O Destino de Uma Nação“ e um elenco incrível com Amy Adams, Julianne Moore, Gary Oldman e Brian Tyree Henry. Pois bem, o fato é que esses talentos todos até funcionam no primeiro ato, criando um clima de suspense, drama e mistério dos melhores, mas que acaba não se sustentando até o final. O segundo ato é mediano e a conclusão muito apressada. Ok, mas isso faz o filme ser ruim? Depende da sua expectativa - como entretenimento é ótimo, você vai se sentir angustiado, provocado pelo mistério e ainda tomar alguns sustos; mas quando os créditos subirem sua mente não estará explodindo!

Veja, a personagem Anna Fox é alcóolatra, viciada em remédios, tem um trauma familiar, é agorafóbica e sofre de alucinações - um personagem complexo e cheio de camadas que funciona nas mão de Adams, mas que se desperdiça no filme pela necessidade de entregar toda a jornada em pouco mais de 90 minutos. Seria uma excelente minissérie, tem muito mistério e personagens orbitais que teriam muito a acrescentar na dinâmica narrativa e na construção de uma trama consistente, além da própria protagonista - basta lembrar de "The Undoing".

O fato é que “A Mulher na Janela” sofre com a expectativa criada, com os nomes envolvidos e com o sucesso do livro. Agora, se você um dia entrou na locadora só para alugar "Invasão de Privacidade", "Dormindo com o Inimigo", "Mulher Solteira Procura"; certamente você vai se divertir com o play!   

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Se você leu o livro que deu origem ao filme "A Mulher na Janela", provavelmente você vai se decepcionar! Se você não leu, você tem 50% de chance de gostar e te explico a razão: o filme tem uma dinâmica narrativa muito particular dos anos 90 e inicio dos anos 2000, uma época onde nossas referências eram bem mais limitadas do que temos hoje, com isso nosso nível de percepção da história era menos rigoroso, o que nos proporcionava ótimos momentos de entretenimento com o gênero como em "Quarto do Pânico", "A Mão Que Balança o Berço" ou "Medo". Dito isso, esse suspense psicológico da Netflix com Amy Adams e Julianne Moore, vai te divertir mas não empolgar como deveria!

“A Mulher na Janela” é uma adaptação do livro homônimo de A.J. Finn que acompanha Anna Fox (Adams), uma psicóloga infantil que sofre de agorafobia (um tipo de transtorno de ansiedade em que a pessoa tem medo e evita lugares ou situações que podem causar pânico). Confinada em casa e a base da combinação entre remédios e álcool, ela começa a observar pela sua janela a vida aparentemente perfeita dos vizinhos que acabaram de se mudar para o prédio da frente. Um dia, ela acaba sendo testemunha de um crime violento e isso vira sua vida de cabeça para baixo. Confira o trailer:

Desde seu anúncio, "A Mulher na Janela" vinha sendo aguardado com muitas expectativas. A premissa "HBO" do filme se justificava pelos nomes envolvidos no projeto: Tracy Letts no roteiro (de "Killer Joe - Matador de Aluguel" e "Álbum de Família"), Joe Wright diretor de “O Destino de Uma Nação“ e um elenco incrível com Amy Adams, Julianne Moore, Gary Oldman e Brian Tyree Henry. Pois bem, o fato é que esses talentos todos até funcionam no primeiro ato, criando um clima de suspense, drama e mistério dos melhores, mas que acaba não se sustentando até o final. O segundo ato é mediano e a conclusão muito apressada. Ok, mas isso faz o filme ser ruim? Depende da sua expectativa - como entretenimento é ótimo, você vai se sentir angustiado, provocado pelo mistério e ainda tomar alguns sustos; mas quando os créditos subirem sua mente não estará explodindo!

Veja, a personagem Anna Fox é alcóolatra, viciada em remédios, tem um trauma familiar, é agorafóbica e sofre de alucinações - um personagem complexo e cheio de camadas que funciona nas mão de Adams, mas que se desperdiça no filme pela necessidade de entregar toda a jornada em pouco mais de 90 minutos. Seria uma excelente minissérie, tem muito mistério e personagens orbitais que teriam muito a acrescentar na dinâmica narrativa e na construção de uma trama consistente, além da própria protagonista - basta lembrar de "The Undoing".

O fato é que “A Mulher na Janela” sofre com a expectativa criada, com os nomes envolvidos e com o sucesso do livro. Agora, se você um dia entrou na locadora só para alugar "Invasão de Privacidade", "Dormindo com o Inimigo", "Mulher Solteira Procura"; certamente você vai se divertir com o play!   

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A última coisa que ele queria

"A última coisa que ele queria" chegou no catálogo da Netflix com algumas credenciais importantes: tinha no seu comando uma diretora extremamente competente, Dee Rees (de Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi); um elenco com nomes de muito peso como: Anne Hathaway, Ben Affleck e Willem Dafoe; e para finalizar, era baseado em um livro que, mesmo sem tanta projeção, parecia servir como uma excelente premissa para um ótimo filme de ação com elementos dramáticos, políticos, históricos e até jornalísticos - um pouco na linha de "Argo"!

Confira o trailer:

Mesmo com tudo isso a favor, o filme tem problemas sérios de roteiro - são muitos detalhes (históricos, inclusive) que não dá tempo de desenvolver, explicar e até organizar dentro de um arco consistente: a história de uma repórter, Elena McMahon (Anne Hathaway), que investiga uma conspiração politica envolvendo contrabando de armas e que, por acaso, acaba se envolvendo nessas negociações em uma América Central marcada pela guerra miliciana; merecia, pelo menos, mais umas duas ou três horas! O filme não é ruim, mas eu tenho que admitir que esperava mais - talvez se fosse mesmo uma minissérie, teríamos um excelente entretenimento disponível, como é um filme, o resultado ficou apenas mediano!

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"A última coisa que ele queria" chegou no catálogo da Netflix com algumas credenciais importantes: tinha no seu comando uma diretora extremamente competente, Dee Rees (de Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi); um elenco com nomes de muito peso como: Anne Hathaway, Ben Affleck e Willem Dafoe; e para finalizar, era baseado em um livro que, mesmo sem tanta projeção, parecia servir como uma excelente premissa para um ótimo filme de ação com elementos dramáticos, políticos, históricos e até jornalísticos - um pouco na linha de "Argo"!

Confira o trailer:

Mesmo com tudo isso a favor, o filme tem problemas sérios de roteiro - são muitos detalhes (históricos, inclusive) que não dá tempo de desenvolver, explicar e até organizar dentro de um arco consistente: a história de uma repórter, Elena McMahon (Anne Hathaway), que investiga uma conspiração politica envolvendo contrabando de armas e que, por acaso, acaba se envolvendo nessas negociações em uma América Central marcada pela guerra miliciana; merecia, pelo menos, mais umas duas ou três horas! O filme não é ruim, mas eu tenho que admitir que esperava mais - talvez se fosse mesmo uma minissérie, teríamos um excelente entretenimento disponível, como é um filme, o resultado ficou apenas mediano!

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A Very English Scandal

"A Very English Scandal" é simplesmente sensacional, em sua forma e em seu conteúdo.  Essa produção da BBC traz elementos praticamente tirados de um cartoon para retratar um caso real, com um assunto sério e relevante para época (e para os dias de hoje) em meio a uma sociedade politica hipócrita e preconceituosa da Inglaterra dos anos 60 e 70. O assunto, aliás, mistura um drama pessoal com outro politico como muitas vezes acompanhamos em "House of Cards", mas é na forma que a série brilha - o diretor Stephen Frears ("A Rainha") desenvolveu um conceito narrativo (e visual) que chama atenção ao encontrar o equilíbrio perfeito entre o satírico de "Entre Facas e Segredos" de Rian Johnson com o carrancudo "O Destino de uma Nação" de Joe Wright. 

Baseada no livro "A Very English Scandal: Sex, Lies and a Murder Plot at the Heart of the Establishment" de John Preston, esta minissérie britânica de três episódios de uma hora, narra os bastidores do Escândalo Jeremy Thorpe, que teve basicamente duas fases, a primeira em 1976, e a segunda, mais conhecida, longa e impactante, entre 1978 e 1979, quando aconteceu o julgamento do importante político por tramar e mandar assassinar Norman Scott (Norman Josiffe), jovem com quem tivera um relacionamento homossexual nos anos 1960. Confira o trailer (em inglês):

Além da direção cirúrgica de Frears, é de elogiar o trabalho dos atores, especialmente Hugh Grant que vive Jeremy Thorpe e Ben Whishaw que interpreta o amante, Norman Scott - esse personagem, inclusive, garantiu a Whishaw quase todos os prêmios da televisão na temporada de 2019 como o Globo de Ouro e o Emmy de melhor ator coadjuvante para minisséries. Veja, enquanto Grant dá ao seu personagem um tom mais maquiavélica, frio, bem ao estilo Frank Underwod - necessário para um político disposto a fazer qualquer coisa para escalar os degraus hierárquicos do Parlamento e disposto a usar de sua posição para encobrir atos que, se fossem cometidos por outras pessoas, certamente seriam punidos de maneira muito mais severa; Whishaw exterioriza o sofrimento contido em sua posição social desprivilegiada - um homem publicamente gay, com postura mais afeminada, que passou a vinda inteira ouvindo todo tipo de gracinhas e sofrendo preconceitos e que, mesmo chorando sozinho, consegue manter-se forte e imponente em público, para enfrentar aqueles que queriam diminui-lo. O contraste é simplesmente incrível e digno de muitos aplausos! Detalhe, o tom mais conceitual da minissérie exige um certo estereótipo na interpretação, mas que não agride, pois é tão orgânico dentro do contexto que justifica perfeitamente cada movimento dos atores em cena!

Mesmo com um roteiro bem afinado é perceptível um certo crescimento na qualidade narrativa durante os episódios com seu ápice no terceiro ato. É um fato a existência de uma forte crítica no texto, aplicada de maneira muito inteligente, e também de uma excelente reconstrução de época, com figurinos e cenários que exaltam a fotografia do genial diretor Danny Cohen ( de "O discurso do Rei" e "Les Miserables"). Reparem como agilidade dos episódios funciona bem: das cenas que constroem as relações politica e pessoal de Jeremy Thorpe ao seu histórico e tumultuado julgamento.

"A Very English Scandal" é mais uma minissérie da BBC que merece todos os prêmios - e foram muitos! Imperdível!

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"A Very English Scandal" é simplesmente sensacional, em sua forma e em seu conteúdo.  Essa produção da BBC traz elementos praticamente tirados de um cartoon para retratar um caso real, com um assunto sério e relevante para época (e para os dias de hoje) em meio a uma sociedade politica hipócrita e preconceituosa da Inglaterra dos anos 60 e 70. O assunto, aliás, mistura um drama pessoal com outro politico como muitas vezes acompanhamos em "House of Cards", mas é na forma que a série brilha - o diretor Stephen Frears ("A Rainha") desenvolveu um conceito narrativo (e visual) que chama atenção ao encontrar o equilíbrio perfeito entre o satírico de "Entre Facas e Segredos" de Rian Johnson com o carrancudo "O Destino de uma Nação" de Joe Wright. 

Baseada no livro "A Very English Scandal: Sex, Lies and a Murder Plot at the Heart of the Establishment" de John Preston, esta minissérie britânica de três episódios de uma hora, narra os bastidores do Escândalo Jeremy Thorpe, que teve basicamente duas fases, a primeira em 1976, e a segunda, mais conhecida, longa e impactante, entre 1978 e 1979, quando aconteceu o julgamento do importante político por tramar e mandar assassinar Norman Scott (Norman Josiffe), jovem com quem tivera um relacionamento homossexual nos anos 1960. Confira o trailer (em inglês):

Além da direção cirúrgica de Frears, é de elogiar o trabalho dos atores, especialmente Hugh Grant que vive Jeremy Thorpe e Ben Whishaw que interpreta o amante, Norman Scott - esse personagem, inclusive, garantiu a Whishaw quase todos os prêmios da televisão na temporada de 2019 como o Globo de Ouro e o Emmy de melhor ator coadjuvante para minisséries. Veja, enquanto Grant dá ao seu personagem um tom mais maquiavélica, frio, bem ao estilo Frank Underwod - necessário para um político disposto a fazer qualquer coisa para escalar os degraus hierárquicos do Parlamento e disposto a usar de sua posição para encobrir atos que, se fossem cometidos por outras pessoas, certamente seriam punidos de maneira muito mais severa; Whishaw exterioriza o sofrimento contido em sua posição social desprivilegiada - um homem publicamente gay, com postura mais afeminada, que passou a vinda inteira ouvindo todo tipo de gracinhas e sofrendo preconceitos e que, mesmo chorando sozinho, consegue manter-se forte e imponente em público, para enfrentar aqueles que queriam diminui-lo. O contraste é simplesmente incrível e digno de muitos aplausos! Detalhe, o tom mais conceitual da minissérie exige um certo estereótipo na interpretação, mas que não agride, pois é tão orgânico dentro do contexto que justifica perfeitamente cada movimento dos atores em cena!

Mesmo com um roteiro bem afinado é perceptível um certo crescimento na qualidade narrativa durante os episódios com seu ápice no terceiro ato. É um fato a existência de uma forte crítica no texto, aplicada de maneira muito inteligente, e também de uma excelente reconstrução de época, com figurinos e cenários que exaltam a fotografia do genial diretor Danny Cohen ( de "O discurso do Rei" e "Les Miserables"). Reparem como agilidade dos episódios funciona bem: das cenas que constroem as relações politica e pessoal de Jeremy Thorpe ao seu histórico e tumultuado julgamento.

"A Very English Scandal" é mais uma minissérie da BBC que merece todos os prêmios - e foram muitos! Imperdível!

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Alias Grace

"Alias Grace" é uma minissérie do Netflix que conta a história de uma empregada doméstica (Sarah Gadon), imigrante da Irland, ,que foi condenada à prisão perpétua após ser acusada de ter planejado a morte de seu patrão Thomas Kinnear (Paul Gross) e de sua superior na casa em que trabalhava. Grace afirma não ter lembrança do assassinato, mas os fatos são irrefutáveis. Uma década depois, o Dr. Simon Jordan (Edward Holcroft) tenta ajudar Grace a recordar seu passado e finalmente esclarecer o crime. O bacana (e surpreendente) é que a história foi inspirada em um caso real que aconteceu no século XIX. Confira o trailer:

Tecnicamente a série é impecável. A direção de Arte é muito detalhista e junto com uma Fotografia precisa (principalmente nos movimentos de câmera em primeira pessoa) dita um tom muito interessante para série e sem ser piegas.

Já aviso: não é uma série fácil. Ela parece lenta, um pouco arrastada com tantas narrações em Off, mas o roteiro é cheio de detalhes e muito (mas muito) bem construído. São seis episódios de uma história sem muitas reviravoltas, mas que surpreende pela coerência dos fatos sem a pretenção de esconder seu arco principal - que instiga pelas inúmeras possibilidades (ou razões) conforme vai se aproximando do final. Vale muito a pena pela produção, pela atuação da Sarah Gadon (olho nela) e pelo roteiro excelente!!!

Vale muito a pena!

PS: A história é baseada no romance da Margaret Atwood, a mesma da premiada "The Handmaid’s Tale

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"Alias Grace" é uma minissérie do Netflix que conta a história de uma empregada doméstica (Sarah Gadon), imigrante da Irland, ,que foi condenada à prisão perpétua após ser acusada de ter planejado a morte de seu patrão Thomas Kinnear (Paul Gross) e de sua superior na casa em que trabalhava. Grace afirma não ter lembrança do assassinato, mas os fatos são irrefutáveis. Uma década depois, o Dr. Simon Jordan (Edward Holcroft) tenta ajudar Grace a recordar seu passado e finalmente esclarecer o crime. O bacana (e surpreendente) é que a história foi inspirada em um caso real que aconteceu no século XIX. Confira o trailer:

Tecnicamente a série é impecável. A direção de Arte é muito detalhista e junto com uma Fotografia precisa (principalmente nos movimentos de câmera em primeira pessoa) dita um tom muito interessante para série e sem ser piegas.

Já aviso: não é uma série fácil. Ela parece lenta, um pouco arrastada com tantas narrações em Off, mas o roteiro é cheio de detalhes e muito (mas muito) bem construído. São seis episódios de uma história sem muitas reviravoltas, mas que surpreende pela coerência dos fatos sem a pretenção de esconder seu arco principal - que instiga pelas inúmeras possibilidades (ou razões) conforme vai se aproximando do final. Vale muito a pena pela produção, pela atuação da Sarah Gadon (olho nela) e pelo roteiro excelente!!!

Vale muito a pena!

PS: A história é baseada no romance da Margaret Atwood, a mesma da premiada "The Handmaid’s Tale

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Allen contra Farrow

"Allen contra Farrow" é mais um soco no estômago - provavelmente tão intenso quando "Deixando Neverland". Talvez porquê o Woody Allen seja uma espécie Michael Jackson do cinema, se não para o público, certamente para toda classe cinematográfica de Hollywood. Não sei até que ponto a grandiosidade artística de um profissional como Allen interferiu na quantidade avassaladora de criticas que esse documentário em 4 partes da HBO recebeu, mas o fato é que, para mim e independente das minhas convicções como ser humano, a série é muito boa - mas é preciso dizer: existe uma certa espetacularização ao melhor estilo "American Crime Story" de um assunto bastante sensível.

A série mergulha nos bastidores de um dos escândalos mais notórios de Hollywood: a denúncia de abuso sexual que recaiu sobre o diretor Woody Allen em 1992, levada a público por Dylan Farrow, sua filha adotiva com a atriz Mia Farrow. Dylan tinha apenas sete anos quando acusou o pai de molestá-la dentro da casa de sua mãe, no estado americano de Connecticut. Deu-se início, em seguida, a um turbulento processo de custódia que ganhou as manchetes do mundo todo. Na época, Allen e Mia viviam um relacionamento de 12 anos e tinham três filhos – dois adotivos, Dylan e Moses, e um biológico, Satchel (agora conhecido como Ronan Farrow). Na esteira das alegações feitas por Dylan, veio à tona o fato de que Allen também se relacionava com outra filha de Mia, Soon-Yi Previn, sem que ninguém soubesse. Confira o trailer:

Se você espera um documentário marcado por uma investigação jornalística profunda e uma narrativa menos cinematográfica, pode esquecer, "Allen contra Farrow" não é para você. A série traz para a discussão temas pesados e quase sempre pautados por imagens bastante perturbadoras, porém o conceito narrativo é extremamente voltado para o entretenimento, com uma edição dinâmica, uma direção claramente orientada para manipulação de sentimentos, apoiada em artifícios dramáticos e, claro, que explora apenas um lado da história - mesmo citando o outro lado em todos os episódios, mas sem a mesma força de contra-argumentação.

O que pode incomodar, é o fato dos diretores Kirby Dick (duas vezes indicado ao Oscar - "The Invisible War" e "Twist of Faith") e Amy Ziering (com uma indicação por "The Invisible War"), e que repetem a parceria no assunto depois do aclamado "The Hunting Ground", escancararem suas opiniões sobre o caso e com isso desacreditarem nas provas contrárias à acusação, como por exemplo um depoimento de Moses Farrow (filho adotivo de Mia), que diz ter sofrido abuso físico pelas mãos de sua mãe. A impressão de que foi "dois pesos duas medidas" não para por aí - Ronan Farrow (filho biológico do casal) alega ter sido orientado pelo pai para defende-lo publicamente em troca de dinheiro para faculdade, porém em nenhum momento do documentário é abordado o fato de que Mia Farrow tenha feito uma oferta para Woody Allen em troca de abafar o caso mediante ao pagamento. Esse tipo de atitude, aliás, acaba desqualificando algo muito sério, como o filme que Farrow fez com Dylan dias depois dela ter, supostamente, sofrido abuso.

Ao se pautar apenas pelo documentário, qualquer ser humano será incapaz de dar um play em qualquer outro filme do Woody Allen, mas, sinceramente, não sei se seria esse o caso - muita coisa fica no ar, é pouco conclusivo e até os fatos são confusos. Cabe a quem assiste interpretar os fatos e tentar se abster da manipulação emocional que a própria história propõe. Tecnicamente, o documentário merece elogios, aproveitando muito bem os filmes caseiros da família, depoimentos de muitas pessoas que estiveram envolvidos com aquela situação, cenas de arquivo dos noticiários da época, ilustrações dos julgamentos pela guarda dos filhos, gravações telefônicas inéditas, enfim, é um show de montagem e de conexão dos fatos - algumas forçando demais a barra (como a que tenta encontrar padrões nos filmes de Allen para justificar suas atitudes pessoais) e outras completamente coerentes com a visão de quem sofreu durante anos com o fato - o encontro de Dylan com o promotor do caso é rápido, mas muito humano!

Olha, mesmo sabendo que vai dividir opiniões eu indico "Allen contra Farrow" de olhos fechados, mas aviso: não será uma jornada fácil (principalmente nos episódios 2 e 3)!

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"Allen contra Farrow" é mais um soco no estômago - provavelmente tão intenso quando "Deixando Neverland". Talvez porquê o Woody Allen seja uma espécie Michael Jackson do cinema, se não para o público, certamente para toda classe cinematográfica de Hollywood. Não sei até que ponto a grandiosidade artística de um profissional como Allen interferiu na quantidade avassaladora de criticas que esse documentário em 4 partes da HBO recebeu, mas o fato é que, para mim e independente das minhas convicções como ser humano, a série é muito boa - mas é preciso dizer: existe uma certa espetacularização ao melhor estilo "American Crime Story" de um assunto bastante sensível.

A série mergulha nos bastidores de um dos escândalos mais notórios de Hollywood: a denúncia de abuso sexual que recaiu sobre o diretor Woody Allen em 1992, levada a público por Dylan Farrow, sua filha adotiva com a atriz Mia Farrow. Dylan tinha apenas sete anos quando acusou o pai de molestá-la dentro da casa de sua mãe, no estado americano de Connecticut. Deu-se início, em seguida, a um turbulento processo de custódia que ganhou as manchetes do mundo todo. Na época, Allen e Mia viviam um relacionamento de 12 anos e tinham três filhos – dois adotivos, Dylan e Moses, e um biológico, Satchel (agora conhecido como Ronan Farrow). Na esteira das alegações feitas por Dylan, veio à tona o fato de que Allen também se relacionava com outra filha de Mia, Soon-Yi Previn, sem que ninguém soubesse. Confira o trailer:

Se você espera um documentário marcado por uma investigação jornalística profunda e uma narrativa menos cinematográfica, pode esquecer, "Allen contra Farrow" não é para você. A série traz para a discussão temas pesados e quase sempre pautados por imagens bastante perturbadoras, porém o conceito narrativo é extremamente voltado para o entretenimento, com uma edição dinâmica, uma direção claramente orientada para manipulação de sentimentos, apoiada em artifícios dramáticos e, claro, que explora apenas um lado da história - mesmo citando o outro lado em todos os episódios, mas sem a mesma força de contra-argumentação.

O que pode incomodar, é o fato dos diretores Kirby Dick (duas vezes indicado ao Oscar - "The Invisible War" e "Twist of Faith") e Amy Ziering (com uma indicação por "The Invisible War"), e que repetem a parceria no assunto depois do aclamado "The Hunting Ground", escancararem suas opiniões sobre o caso e com isso desacreditarem nas provas contrárias à acusação, como por exemplo um depoimento de Moses Farrow (filho adotivo de Mia), que diz ter sofrido abuso físico pelas mãos de sua mãe. A impressão de que foi "dois pesos duas medidas" não para por aí - Ronan Farrow (filho biológico do casal) alega ter sido orientado pelo pai para defende-lo publicamente em troca de dinheiro para faculdade, porém em nenhum momento do documentário é abordado o fato de que Mia Farrow tenha feito uma oferta para Woody Allen em troca de abafar o caso mediante ao pagamento. Esse tipo de atitude, aliás, acaba desqualificando algo muito sério, como o filme que Farrow fez com Dylan dias depois dela ter, supostamente, sofrido abuso.

Ao se pautar apenas pelo documentário, qualquer ser humano será incapaz de dar um play em qualquer outro filme do Woody Allen, mas, sinceramente, não sei se seria esse o caso - muita coisa fica no ar, é pouco conclusivo e até os fatos são confusos. Cabe a quem assiste interpretar os fatos e tentar se abster da manipulação emocional que a própria história propõe. Tecnicamente, o documentário merece elogios, aproveitando muito bem os filmes caseiros da família, depoimentos de muitas pessoas que estiveram envolvidos com aquela situação, cenas de arquivo dos noticiários da época, ilustrações dos julgamentos pela guarda dos filhos, gravações telefônicas inéditas, enfim, é um show de montagem e de conexão dos fatos - algumas forçando demais a barra (como a que tenta encontrar padrões nos filmes de Allen para justificar suas atitudes pessoais) e outras completamente coerentes com a visão de quem sofreu durante anos com o fato - o encontro de Dylan com o promotor do caso é rápido, mas muito humano!

Olha, mesmo sabendo que vai dividir opiniões eu indico "Allen contra Farrow" de olhos fechados, mas aviso: não será uma jornada fácil (principalmente nos episódios 2 e 3)!

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Amar

Gostei do Filme! Um pouco diferente do cinema espanhol que venho acompanhando ultimamente, mas não deixa de ser uma ótima surpresa.

"Amar" acompanha a história de amor que Laura (María Pedraza) e Carlos (Pol Monen) vivenciam: desde sua intensidade até a natural fragilidade do primeiro amor e como eles enxergam a realidade quando se sentem abalados pelas dificuldades naturais de uma relação e sentem que todo romantismo que idealizaram não passou de uma fase! Confira o trailer (em espanhol):

Antes de mais nada é preciso dizer que "Amar" é muito bem dirigido pelo Esteban Crespo, embora seja seu primeiro longa-metragem. O filme dialoga com alguns dramas adolescentes como sexualidade, descobertas, inseguranças, sonhos e decepções; mas sem se fazer piegas. Não é um grande roteiro, mas a forma como o diretor levou a narrativa, provocando os atores, trabalhando com as lentes mais fechadas nos momentos mais introspectivos, mas enquadrando a cidade ora em segundo plano como um pano de fundo completamente desfocado e colorido, ora como um personagem com uso das grandes angulares, para estabelecer todo aquele universo underground europeu - o resultado desse apuro estético é um filme, para mim, bastante maduro e merecedor de todos os elogios que recebeu - além de uma indicação para o Goya (Oscar Espanhol) para Pol Monen.

Um filme de relações adolescentes muito bem realizado. Vale o play como entretenimento, mas com uma pegada de cinema independente!

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Gostei do Filme! Um pouco diferente do cinema espanhol que venho acompanhando ultimamente, mas não deixa de ser uma ótima surpresa.

"Amar" acompanha a história de amor que Laura (María Pedraza) e Carlos (Pol Monen) vivenciam: desde sua intensidade até a natural fragilidade do primeiro amor e como eles enxergam a realidade quando se sentem abalados pelas dificuldades naturais de uma relação e sentem que todo romantismo que idealizaram não passou de uma fase! Confira o trailer (em espanhol):

Antes de mais nada é preciso dizer que "Amar" é muito bem dirigido pelo Esteban Crespo, embora seja seu primeiro longa-metragem. O filme dialoga com alguns dramas adolescentes como sexualidade, descobertas, inseguranças, sonhos e decepções; mas sem se fazer piegas. Não é um grande roteiro, mas a forma como o diretor levou a narrativa, provocando os atores, trabalhando com as lentes mais fechadas nos momentos mais introspectivos, mas enquadrando a cidade ora em segundo plano como um pano de fundo completamente desfocado e colorido, ora como um personagem com uso das grandes angulares, para estabelecer todo aquele universo underground europeu - o resultado desse apuro estético é um filme, para mim, bastante maduro e merecedor de todos os elogios que recebeu - além de uma indicação para o Goya (Oscar Espanhol) para Pol Monen.

Um filme de relações adolescentes muito bem realizado. Vale o play como entretenimento, mas com uma pegada de cinema independente!

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Areia Movediça

Desde o primeiro trailer de "Areia Movediça" algo me chamou muito a atenção, embora o "mistério" desse o tom daquela narrativa. Uma minissérie original sueca, produzida pela Netflix, com 6 episódios de 40 minutos cada, baseada em um best-seller, certamente viria com muito potencial!!! O livro de autor Malin Persson Giolito foi publicado em mais de 20 países e foi eleito o melhor romance nórdico de crimes de 2016. Depois de tudo que eu vi e li sobre a minissérie, eu só precisava confirmar se minhas expectativas iriam se comprovar e, posso te garantir: de fato, a história é muito interessante, envolvente e misteriosa! Típico projeto que tem tudo para agradar, mas as pessoas ainda precisam descobrir a enorme qualidade da produção sueca e tudo que envolve essa história.

Então vamos lá: a história é contada em duas linhas temporais diferentes. No presente Maja Norberg, uma jovem e linda estudante pré-vestibular, é acusada de matar seus colegas de escola à tiros, em plena sala de aula. No passado recente, vemos a mesma personagem envolvida com os estudos, se relacionando com a família e com os amigos da melhor forma possível, até que conhece o jovem Sebastian Fagerman - um garoto educado, bem nascido e apaixonado por ela. A primeira dúvida que surge é: como uma jovem tão educada e amorosa foi capaz de matar seus colegas de classe com tanto sangue frio?

Olha, é impossível não se envolver com a história logo de cara, pois "Areia Movediça" trás elementos de dois outros grandes sucessos da Netflix "The Sinner" e "13 Reasons Why"!!! A minissérie transita muito bem no universo dos jovens ao mesmo tempo que trás o mistério da transformação humana e as razões que nos fariam cometer loucuras. Me lembrou quando assisti "Breaking Bad" pela primeira vez - não entendia como um cara como Walter White poderia se transformar em um assassino (ou um traficante) como Heisenberg. Se "Areia Movediça" não tem a genialidade (e profundidade) de "Breaking Bad", merece elogios pela coragem de tocar em assuntos delicados como tiroteio nas escolas, estupro, relacionamento abusivo em vários níveis e o uso de drogas. Tenha em mente que, como o bom cinema sueco exige, é preciso ter estômago!

A Produção é excelente. As locações na Suécia e na França são incríveis. A minissérie é muito bem fotografada, muito bem dirigida e os atores que interpretam a Maja Norberg e o Sebastian Fagerman, respectivamente Hanna Ardéhn e Felix Sandman, dão um verdadeiro show: a maneira como eles vão se desconstruindo durante os episódios vale o "ingresso"! Em muitos momentos o diretor Per-Olav Sørensen usa de técnicas documentais para humanizar ainda mais as situações. Com as câmeras mais soltas e um trabalho genial com o zoom, o diretor trás uma realidade muito interessante para essa ficção que nos faz refletir se aquilo tudo não foi baseado em fatos reais... Poderia!!! 

"Areia Movediça" é um ótima surpresa que ainda não caiu nas graças da audiência por puro desconhecimento, pois é impossível não se relacionar com todas as situações que o roteiro propõe!!! Vale muito o play!!!!

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Desde o primeiro trailer de "Areia Movediça" algo me chamou muito a atenção, embora o "mistério" desse o tom daquela narrativa. Uma minissérie original sueca, produzida pela Netflix, com 6 episódios de 40 minutos cada, baseada em um best-seller, certamente viria com muito potencial!!! O livro de autor Malin Persson Giolito foi publicado em mais de 20 países e foi eleito o melhor romance nórdico de crimes de 2016. Depois de tudo que eu vi e li sobre a minissérie, eu só precisava confirmar se minhas expectativas iriam se comprovar e, posso te garantir: de fato, a história é muito interessante, envolvente e misteriosa! Típico projeto que tem tudo para agradar, mas as pessoas ainda precisam descobrir a enorme qualidade da produção sueca e tudo que envolve essa história.

Então vamos lá: a história é contada em duas linhas temporais diferentes. No presente Maja Norberg, uma jovem e linda estudante pré-vestibular, é acusada de matar seus colegas de escola à tiros, em plena sala de aula. No passado recente, vemos a mesma personagem envolvida com os estudos, se relacionando com a família e com os amigos da melhor forma possível, até que conhece o jovem Sebastian Fagerman - um garoto educado, bem nascido e apaixonado por ela. A primeira dúvida que surge é: como uma jovem tão educada e amorosa foi capaz de matar seus colegas de classe com tanto sangue frio?

Olha, é impossível não se envolver com a história logo de cara, pois "Areia Movediça" trás elementos de dois outros grandes sucessos da Netflix "The Sinner" e "13 Reasons Why"!!! A minissérie transita muito bem no universo dos jovens ao mesmo tempo que trás o mistério da transformação humana e as razões que nos fariam cometer loucuras. Me lembrou quando assisti "Breaking Bad" pela primeira vez - não entendia como um cara como Walter White poderia se transformar em um assassino (ou um traficante) como Heisenberg. Se "Areia Movediça" não tem a genialidade (e profundidade) de "Breaking Bad", merece elogios pela coragem de tocar em assuntos delicados como tiroteio nas escolas, estupro, relacionamento abusivo em vários níveis e o uso de drogas. Tenha em mente que, como o bom cinema sueco exige, é preciso ter estômago!

A Produção é excelente. As locações na Suécia e na França são incríveis. A minissérie é muito bem fotografada, muito bem dirigida e os atores que interpretam a Maja Norberg e o Sebastian Fagerman, respectivamente Hanna Ardéhn e Felix Sandman, dão um verdadeiro show: a maneira como eles vão se desconstruindo durante os episódios vale o "ingresso"! Em muitos momentos o diretor Per-Olav Sørensen usa de técnicas documentais para humanizar ainda mais as situações. Com as câmeras mais soltas e um trabalho genial com o zoom, o diretor trás uma realidade muito interessante para essa ficção que nos faz refletir se aquilo tudo não foi baseado em fatos reais... Poderia!!! 

"Areia Movediça" é um ótima surpresa que ainda não caiu nas graças da audiência por puro desconhecimento, pois é impossível não se relacionar com todas as situações que o roteiro propõe!!! Vale muito o play!!!!

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Atleta A

"Atleta A" é um verdadeiro soco no estômago! Esse documentário da Netflix, expõe o médico oficial da equipe de ginástica olímpica do EUA, Larry Nassar, que abusou das jovens atletas durante anos, sem que a Federação iniciasse, ao menos, uma investigação depois de denúncias que vinham desde 2015! Olha, além de emocionante, "Atleta A" é desconfortável como duas outras recentes produções: "Jeffrey Epstein: Poder e Perversão"da Netflix e "Deixando Neverland" da HBO. Confira o trailer:

O grande mérito do documentário dirigido pela dupla Bonni Cohen e Jon Shenk e talvez a razão pela qual ele seja diferente dos outros dois títulos mencionados, é a forma direta e avassaladora como o roteiro vai ligando os fatos a partir da denúncia de uma potencial medalhista olímpica, Maggie Nichols, que teve seu sonho de disputar uma Olimpíada ceifado por uma Federação hipócrita, mais preocupada com uma medalha de ouro do que com o respeito por suas atletas, adolescentes de 13 anos que foram abusadas sistematicamente por Nassar. Para quem gosta de esporte e, no meu caso, pai de um menina, fica quase impossível não pausar o filme para recuperar o fôlego, dada a potência e coragem dos depoimentos que assistimos - é simplesmente sensacional a forma como uma história complexa foi bem explicada em apenas 1:40.

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"Atleta A" é um verdadeiro soco no estômago! Esse documentário da Netflix, expõe o médico oficial da equipe de ginástica olímpica do EUA, Larry Nassar, que abusou das jovens atletas durante anos, sem que a Federação iniciasse, ao menos, uma investigação depois de denúncias que vinham desde 2015! Olha, além de emocionante, "Atleta A" é desconfortável como duas outras recentes produções: "Jeffrey Epstein: Poder e Perversão"da Netflix e "Deixando Neverland" da HBO. Confira o trailer:

O grande mérito do documentário dirigido pela dupla Bonni Cohen e Jon Shenk e talvez a razão pela qual ele seja diferente dos outros dois títulos mencionados, é a forma direta e avassaladora como o roteiro vai ligando os fatos a partir da denúncia de uma potencial medalhista olímpica, Maggie Nichols, que teve seu sonho de disputar uma Olimpíada ceifado por uma Federação hipócrita, mais preocupada com uma medalha de ouro do que com o respeito por suas atletas, adolescentes de 13 anos que foram abusadas sistematicamente por Nassar. Para quem gosta de esporte e, no meu caso, pai de um menina, fica quase impossível não pausar o filme para recuperar o fôlego, dada a potência e coragem dos depoimentos que assistimos - é simplesmente sensacional a forma como uma história complexa foi bem explicada em apenas 1:40.

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Big Little Lies

Não por acaso esperei terminar as duas temporadas de "Big Little Lies" para fazer esse review. A série (que nasceu como minissérie em 2017 na HBO) é daquelas imperdíveis, pois equilibra muito bem uma ótima produção, uma excelente direção e uma trama inteligente - principalmente na temporada 1. Vale dizer, inclusive, que se você já assistiu a primeira temporada, fizemos um "primeiras impressões" sobre essa última e você pode ler aqui. Pois bem, para quem ainda não teve o prazer de assistir os 14 episódios disponíveis, vai uma rápida sinopse que vou me aprofundar um pouco mais abaixo: A série tem como ponto de partida um possível assassinado que ocorreu na pequena cidade de Monterrey, na Califórnia. Como toda cidade pequena, fofocas e comentários tomam conta do dia a dia da comunidade que é mostrado em retrospectiva (com um show de edição) pelo ponto de vista de quatro mulheres: Madeline (Reese Witherspoon), Celeste (Nicole Kidman), Renata (Laura Dern) e Jane (Shailene Woodley). Tendo esse mistério como pano de fundo, "Big Little Lies" fala sobre conflitos de relacionamentos entre amigos, pares e filhos de uma forma muito direta. Ao mesmo tempo que expõe a fragilidade do ser humano com temas complexos como o de uma relação violenta e abusiva, também trata de casualidades como um desentendimento entre crianças na sala de aula.  O fato é que Big Little Lies trás o que tem de melhor em entretenimento disponível e vale muito (mas muito) à pena! Confira o trailer:

O ritmo fragmentado, completamente não linear, cheio de cortes bruscos e flashes aparentemente sem sentido pode assustar num primeiro momento. É compreensível, pois o diretor Jean-Marc Vallée usa de uma técnica extremamente clipada para criar uma série de sensações e expectativas - o fato é que, de repente, já estamos vidrados e imersos naquela trama cheia de mistérios. Embora "Big Little Lies" tenha uma divisão narrativa bastante clara ente uma e outra temporada, o conceito estético se mantém como um dos maiores acertos da produção - é realmente lindo o trabalho de concepção de Vallée que a diretora Andrea Arnold mantém na segunda temporada. Se engana quem acredita que a série tem como objetivo falar apenas sobre um possível crime onde não sabemos nada sobre a vítima e sobre o assassino, isso é só o gatilho para focar em temas espinhosos e cotidianos. Sim, no final da primeira temporada descobrimos quem matou e quem é a vítima e isso seria suficiente para finalizar a obra, mas com tanto sucesso a HBO resolveu arriscar uma continuação e, digamos, se deu bem, mas com um "porém". A segunda temporada continua tratando dos mesmos temas espinhosos, mas com uma pequena (mas importante) falha na identidade narrativa - ela muda de sub-gênero sem mais nem menos. No inicio tudo leva a crer que o pano de fundo será a consequência do crime e sua investigação, mas lentamente vai se perdendo ao dar mais valor à uma disputa familiar do tribunal. São 4 ou 5 episódios alinhados àquela trama consistente da primeira temporada e outros 2 episódios perdidos pelo caminho. Que fique claro que isso não torna a série ruim, menos intrigante ou dispensável, muito pelo contrario, assistir Meryl Streep como Mary Louise Wright é um enorme prazer, mas não se pode negar que a série se mostrou de uma forma e a entrega não acompanhou a expectativa inicial. Digamos que fugiu do tema!

É óbvio que a primeira temporada de "Big Little Lies" é melhor, mas não achei ruim a segunda não. Começa muito bem, dá a impressão que vai decolar, mas aí caí no comum, no caricato do sonho americano e não surpreende, mas diverte! Já a relação entre as personagens e seus problemas íntimos e sociais continuam bem consistentes como na temporada anterior - eu diria que é isso que segura a série, embora as soluções sejam incrivelmente mais rápidas que o seu desenvolvimento. O destaque positivo, para mim, foi o enorme crescimento da personagem Renata (Laura Dern) e o negativo foi a falta de protagonismo da personagem Jane (Shailene Woodley). Madeline (Reese Witherspoon) e Celeste (Nicole Kidman) continuam interessantes. A quinta do grupo e que, naturalmente, ganhou um pouco mais de destaque nessa temporada, Bonnie (Zoë Kravitz) não se encaixou - é possível entender seu arco, tem um final interessante, mas não tem o menor carisma e o plot sobrenatural da relação com sua mãe é completamente dispensável!

Como disse acima, "Big Little Lies" é imperdível. Tem uma primeira temporada digna das dezenas de prêmios que ganhou, com uma trama muito bem amarrada e um final interessante. Já aquele famoso receio de transformar uma minissérie em série se confirma, faz com que BLL perca força e tenha que se apoiar exclusivamente no talento das protagonistas. Fica ruim? Não, mas se perde dentro dos seus próprios méritos - me trouxe um pouco da ressaca de "Bloodline". Vale a pena? Muito! 

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Não por acaso esperei terminar as duas temporadas de "Big Little Lies" para fazer esse review. A série (que nasceu como minissérie em 2017 na HBO) é daquelas imperdíveis, pois equilibra muito bem uma ótima produção, uma excelente direção e uma trama inteligente - principalmente na temporada 1. Vale dizer, inclusive, que se você já assistiu a primeira temporada, fizemos um "primeiras impressões" sobre essa última e você pode ler aqui. Pois bem, para quem ainda não teve o prazer de assistir os 14 episódios disponíveis, vai uma rápida sinopse que vou me aprofundar um pouco mais abaixo: A série tem como ponto de partida um possível assassinado que ocorreu na pequena cidade de Monterrey, na Califórnia. Como toda cidade pequena, fofocas e comentários tomam conta do dia a dia da comunidade que é mostrado em retrospectiva (com um show de edição) pelo ponto de vista de quatro mulheres: Madeline (Reese Witherspoon), Celeste (Nicole Kidman), Renata (Laura Dern) e Jane (Shailene Woodley). Tendo esse mistério como pano de fundo, "Big Little Lies" fala sobre conflitos de relacionamentos entre amigos, pares e filhos de uma forma muito direta. Ao mesmo tempo que expõe a fragilidade do ser humano com temas complexos como o de uma relação violenta e abusiva, também trata de casualidades como um desentendimento entre crianças na sala de aula.  O fato é que Big Little Lies trás o que tem de melhor em entretenimento disponível e vale muito (mas muito) à pena! Confira o trailer:

O ritmo fragmentado, completamente não linear, cheio de cortes bruscos e flashes aparentemente sem sentido pode assustar num primeiro momento. É compreensível, pois o diretor Jean-Marc Vallée usa de uma técnica extremamente clipada para criar uma série de sensações e expectativas - o fato é que, de repente, já estamos vidrados e imersos naquela trama cheia de mistérios. Embora "Big Little Lies" tenha uma divisão narrativa bastante clara ente uma e outra temporada, o conceito estético se mantém como um dos maiores acertos da produção - é realmente lindo o trabalho de concepção de Vallée que a diretora Andrea Arnold mantém na segunda temporada. Se engana quem acredita que a série tem como objetivo falar apenas sobre um possível crime onde não sabemos nada sobre a vítima e sobre o assassino, isso é só o gatilho para focar em temas espinhosos e cotidianos. Sim, no final da primeira temporada descobrimos quem matou e quem é a vítima e isso seria suficiente para finalizar a obra, mas com tanto sucesso a HBO resolveu arriscar uma continuação e, digamos, se deu bem, mas com um "porém". A segunda temporada continua tratando dos mesmos temas espinhosos, mas com uma pequena (mas importante) falha na identidade narrativa - ela muda de sub-gênero sem mais nem menos. No inicio tudo leva a crer que o pano de fundo será a consequência do crime e sua investigação, mas lentamente vai se perdendo ao dar mais valor à uma disputa familiar do tribunal. São 4 ou 5 episódios alinhados àquela trama consistente da primeira temporada e outros 2 episódios perdidos pelo caminho. Que fique claro que isso não torna a série ruim, menos intrigante ou dispensável, muito pelo contrario, assistir Meryl Streep como Mary Louise Wright é um enorme prazer, mas não se pode negar que a série se mostrou de uma forma e a entrega não acompanhou a expectativa inicial. Digamos que fugiu do tema!

É óbvio que a primeira temporada de "Big Little Lies" é melhor, mas não achei ruim a segunda não. Começa muito bem, dá a impressão que vai decolar, mas aí caí no comum, no caricato do sonho americano e não surpreende, mas diverte! Já a relação entre as personagens e seus problemas íntimos e sociais continuam bem consistentes como na temporada anterior - eu diria que é isso que segura a série, embora as soluções sejam incrivelmente mais rápidas que o seu desenvolvimento. O destaque positivo, para mim, foi o enorme crescimento da personagem Renata (Laura Dern) e o negativo foi a falta de protagonismo da personagem Jane (Shailene Woodley). Madeline (Reese Witherspoon) e Celeste (Nicole Kidman) continuam interessantes. A quinta do grupo e que, naturalmente, ganhou um pouco mais de destaque nessa temporada, Bonnie (Zoë Kravitz) não se encaixou - é possível entender seu arco, tem um final interessante, mas não tem o menor carisma e o plot sobrenatural da relação com sua mãe é completamente dispensável!

Como disse acima, "Big Little Lies" é imperdível. Tem uma primeira temporada digna das dezenas de prêmios que ganhou, com uma trama muito bem amarrada e um final interessante. Já aquele famoso receio de transformar uma minissérie em série se confirma, faz com que BLL perca força e tenha que se apoiar exclusivamente no talento das protagonistas. Fica ruim? Não, mas se perde dentro dos seus próprios méritos - me trouxe um pouco da ressaca de "Bloodline". Vale a pena? Muito! 

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Borderliner

"Borderliner" (Grenseland) é uma minissérie norueguesa bem ao estilo "Forbrydelsen" mas com uma pegada mais "The Killing" - eu explico: a minissérie trás o tom sombrio da dinamarquesa "Forbrydelsen", mas com a narrativa um pouco mais dinâmica como da sua versão americana"The Killing".

Para proteger sua família, o detetive Nikolai (Tobias Santelmann) encobre um caso de assassinato. Mas quando sua parceira, a também investigadora Anniken (Ellen Dorrit Petersen) suspeita que algo está errado, Nikolai acaba ficando preso em um jogo perigoso de mentiras, tirando completamente sua percepção  entre o certo e o errado.

"Borderliner" estava na minha lista há algum um tempo e acabava sempre deixando de lado,.Não cometa esse erro, se você gosta de séries policiais, investigação, bem ao estilo "The Killing", "The Sinner"; assista "Borderliner"! Sua estrutura narrativa é bem interessante e a maneira como Nikolai vai se complicando a cada descoberta é angustiante. Seguindo o conceito nórdico de cinematografia, é impressionante como o conceito visual se apropria da história e provoca os nossos sentidos - reparem!

Minissérie em 8 episódios e sem previsão de uma segunda temporada... ainda bem!

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"Borderliner" (Grenseland) é uma minissérie norueguesa bem ao estilo "Forbrydelsen" mas com uma pegada mais "The Killing" - eu explico: a minissérie trás o tom sombrio da dinamarquesa "Forbrydelsen", mas com a narrativa um pouco mais dinâmica como da sua versão americana"The Killing".

Para proteger sua família, o detetive Nikolai (Tobias Santelmann) encobre um caso de assassinato. Mas quando sua parceira, a também investigadora Anniken (Ellen Dorrit Petersen) suspeita que algo está errado, Nikolai acaba ficando preso em um jogo perigoso de mentiras, tirando completamente sua percepção  entre o certo e o errado.

"Borderliner" estava na minha lista há algum um tempo e acabava sempre deixando de lado,.Não cometa esse erro, se você gosta de séries policiais, investigação, bem ao estilo "The Killing", "The Sinner"; assista "Borderliner"! Sua estrutura narrativa é bem interessante e a maneira como Nikolai vai se complicando a cada descoberta é angustiante. Seguindo o conceito nórdico de cinematografia, é impressionante como o conceito visual se apropria da história e provoca os nossos sentidos - reparem!

Minissérie em 8 episódios e sem previsão de uma segunda temporada... ainda bem!

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