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Dirty John – O Golpe do Amor

"Dirty John – O Golpe do Amor" é uma série interessante pela sua premissa, mas mediana na sua execução. É claro que fato de ser baseado em uma história real e trazer um personagem forte como protagonista chama atenção de cara! Inicialmente, me fez lembrar "American Crime Story", porém, na prática, "Dirty John" acaba se enrolando em todo seu potencial com um roteiro menos empolgante e uma estrutura narrativa um pouco confusa, se afastando de qualquer tipo de comparação com as duas temporadas de "American Crime" - até podemos considerar uma similaridade com "Versace" nos primeiros episódios, mas depois não se sustenta.

"Dirty John – O Golpe do Amor" é a versão para TV de um podcast do jornal Los Angeles Times que fez muito sucesso nos EUA. A série mostra a relação do golpista "profissional" John Meehan, com a empresária Debra Newell. Debra é uma mulher bem sucedida profissionalmente, mas com uma vida amorosa completamente fracassada. Carente e insegura, ela se torna uma presa fácil para John depois de um encontro marcado, veja só, pela internet! Com seu charme e sedução, John vai tomando conta da vida de Debra e é, justamente, esse o elemento que mais atrapalha e transforma a série em apenas um bom entretenimento. Confira o trailer:

As consequências do relacionamento abusivo e conturbado dos personagens são apresentados muito rapidamente, ou seja, nem bem nos envolvemos com o personagem do John e já definimos que ele é um canalha. O roteiro não nos coloca no papel da ótima Connie Britton, pois em nenhum momento temos a impressão que ele pode ser apenas um cara mal interpretado. O grande mérito de "American Crime Story", por exemplo, é sempre mostrar os dois lados e isso nos gera dúvidas ou até incredulidade em alguns momentos: O. J. Simpson era um monstro assassino ou um bode expiatório resultado de um ambiente conturbado pelas disputas raciais que os EUA vivia na época? John, nunca é tratado como um inocente pelo roteiro e isso é rotular demais o personagem. O próprio Eric Bana também não ajuda muito nesse processo - ele é muito canastrão, sem carisma e limitado demais para construir um personagem tão sedutor e cheio de camadas como o John deveria ser pra ter enganado tanta mulher inteligente e bem sucedida. A própria estrutura narrativa também começa a derrapar depois do 4º ou 5º episódio: ela se torna confusa demais com a construção do passado do John que simplesmente "cai de paraquedas" no episódio. Quando terminei série, tive a percepção que não existe uma linha narrativa convincente que justifique os 8 episódios - talvez por ser uma adaptação de um podcast, isso tenha se tornado um complicador. Não sei, em muitos momentos me pareceu arrastado demais!

O fato é que Dirty John nasceu para ser uma minissérie, mas se fez dela uma série que poderia ser muito melhor do que é! Não é ruim, de verdade... mas poderia ser melhor! Se você gostou de "American Crime Story" e até de "Você", é possível que se divirta com a série, mesmo com todas essas limitações criativas. É um entretenimento razoável de um gênero que está em alta na Netflix e que faz muito sucesso com a audiência!

Ah, uma segunda temporada já está confirmada e pelo que apurei deve mostrar um outro caso do próprio John que não, necessariamente, tenha a ver com a primeira temporada, criando assim uma contextualização mais antológica para o projeto. Vamos esperar!!!

Assista Agora

"Dirty John – O Golpe do Amor" é uma série interessante pela sua premissa, mas mediana na sua execução. É claro que fato de ser baseado em uma história real e trazer um personagem forte como protagonista chama atenção de cara! Inicialmente, me fez lembrar "American Crime Story", porém, na prática, "Dirty John" acaba se enrolando em todo seu potencial com um roteiro menos empolgante e uma estrutura narrativa um pouco confusa, se afastando de qualquer tipo de comparação com as duas temporadas de "American Crime" - até podemos considerar uma similaridade com "Versace" nos primeiros episódios, mas depois não se sustenta.

"Dirty John – O Golpe do Amor" é a versão para TV de um podcast do jornal Los Angeles Times que fez muito sucesso nos EUA. A série mostra a relação do golpista "profissional" John Meehan, com a empresária Debra Newell. Debra é uma mulher bem sucedida profissionalmente, mas com uma vida amorosa completamente fracassada. Carente e insegura, ela se torna uma presa fácil para John depois de um encontro marcado, veja só, pela internet! Com seu charme e sedução, John vai tomando conta da vida de Debra e é, justamente, esse o elemento que mais atrapalha e transforma a série em apenas um bom entretenimento. Confira o trailer:

As consequências do relacionamento abusivo e conturbado dos personagens são apresentados muito rapidamente, ou seja, nem bem nos envolvemos com o personagem do John e já definimos que ele é um canalha. O roteiro não nos coloca no papel da ótima Connie Britton, pois em nenhum momento temos a impressão que ele pode ser apenas um cara mal interpretado. O grande mérito de "American Crime Story", por exemplo, é sempre mostrar os dois lados e isso nos gera dúvidas ou até incredulidade em alguns momentos: O. J. Simpson era um monstro assassino ou um bode expiatório resultado de um ambiente conturbado pelas disputas raciais que os EUA vivia na época? John, nunca é tratado como um inocente pelo roteiro e isso é rotular demais o personagem. O próprio Eric Bana também não ajuda muito nesse processo - ele é muito canastrão, sem carisma e limitado demais para construir um personagem tão sedutor e cheio de camadas como o John deveria ser pra ter enganado tanta mulher inteligente e bem sucedida. A própria estrutura narrativa também começa a derrapar depois do 4º ou 5º episódio: ela se torna confusa demais com a construção do passado do John que simplesmente "cai de paraquedas" no episódio. Quando terminei série, tive a percepção que não existe uma linha narrativa convincente que justifique os 8 episódios - talvez por ser uma adaptação de um podcast, isso tenha se tornado um complicador. Não sei, em muitos momentos me pareceu arrastado demais!

O fato é que Dirty John nasceu para ser uma minissérie, mas se fez dela uma série que poderia ser muito melhor do que é! Não é ruim, de verdade... mas poderia ser melhor! Se você gostou de "American Crime Story" e até de "Você", é possível que se divirta com a série, mesmo com todas essas limitações criativas. É um entretenimento razoável de um gênero que está em alta na Netflix e que faz muito sucesso com a audiência!

Ah, uma segunda temporada já está confirmada e pelo que apurei deve mostrar um outro caso do próprio John que não, necessariamente, tenha a ver com a primeira temporada, criando assim uma contextualização mais antológica para o projeto. Vamos esperar!!!

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2 Outonos e 3 Invernos

"2 Outonos e 3 Invernos" é um premiado filme francês dirigido pelo Sébastien Betbeder que fala, basicamente, sobre os ciclos de um relacionamento. Com um conceito narrativo e visual bem particular, Betbeder nos entrega um filme leve, mas não por isso superficial, que nos provoca a entender como cada um dos personagens se relaciona com o amor.

Na história, Arman, um jovem de  33 anos, está querendo mudar seu estilo de vida e para começar, ele resolve correr no parque aos sábados. É lá que ele conhece Amélie, uma linda parisiense que parece não ser muito, digamos, feliz na escolha de seus relacionamentos. Ao se esbarrem, a primeira impressão causa um choque, porém é no segundo encontro casual que eles realmente se dão uma chance. Benjamin, melhor amigo de Arman, também está no inicio de relacionamento depois de se recuperar de um AVC e ambos vão trocando experiências para tentar encontrar o caminho da felicidade. Entre dois outonos e três invernos, as vidas de Amélie, Arman e Benjamin se cruzam em encontros, desencontros, acidentes e muitas memórias, em um cenário belíssimo! Confira o trailer:

Embora "2 Outonos e 3 Invernos" tenha muitos elementos que o confundem com uma comédia romântica, eu diria que sua história está mais para um leve drama com toques de romance e bem pouco de comédia - um típico filme francês de relações, eu diria: simpático e muito gostoso de assistir! Vale muito o seu play se você estiver no clima, se gostar do estilo Woody Allen e se curtiu a série da Prime Video, "Modern Love"!

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"2 Outonos e 3 Invernos" é um premiado filme francês dirigido pelo Sébastien Betbeder que fala, basicamente, sobre os ciclos de um relacionamento. Com um conceito narrativo e visual bem particular, Betbeder nos entrega um filme leve, mas não por isso superficial, que nos provoca a entender como cada um dos personagens se relaciona com o amor.

Na história, Arman, um jovem de  33 anos, está querendo mudar seu estilo de vida e para começar, ele resolve correr no parque aos sábados. É lá que ele conhece Amélie, uma linda parisiense que parece não ser muito, digamos, feliz na escolha de seus relacionamentos. Ao se esbarrem, a primeira impressão causa um choque, porém é no segundo encontro casual que eles realmente se dão uma chance. Benjamin, melhor amigo de Arman, também está no inicio de relacionamento depois de se recuperar de um AVC e ambos vão trocando experiências para tentar encontrar o caminho da felicidade. Entre dois outonos e três invernos, as vidas de Amélie, Arman e Benjamin se cruzam em encontros, desencontros, acidentes e muitas memórias, em um cenário belíssimo! Confira o trailer:

Embora "2 Outonos e 3 Invernos" tenha muitos elementos que o confundem com uma comédia romântica, eu diria que sua história está mais para um leve drama com toques de romance e bem pouco de comédia - um típico filme francês de relações, eu diria: simpático e muito gostoso de assistir! Vale muito o seu play se você estiver no clima, se gostar do estilo Woody Allen e se curtiu a série da Prime Video, "Modern Love"!

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7 anos

Quatro amigos e sócios de uma empresa bem sucedida, discutindo por mais de uma hora, tentando escolher qual deles vai passar 7 anos na cadeia após a Receita Federal descobrir uma transação ilegal que todos estavam cientes. É exatamente isso: 77 minutos em uma mesma locação, com apenas 5 atores e só diálogos! Essa é a história de "7 anos", produção Original da Netflix de 2016. O conceito é o mesmo (ou muito parecido) que vimos nos bem sucedidos "Perfectos Desconocidos"e de "El Bar" - do genial Álex de la Iglesia!

Muito talentoso, premiado em filmes anteriores e diretor de alguns episódios da série "As telefonistas", Roger Gual guia a história de uma forma muito segura. Nos coloca no meio de discussões que deixariam qualquer um constrangido, tantas são as camadas que o texto começa a desvendar conforme o tempo (e a paciência dos personagens) vai passando. É impressionante como não nos damos conta que estamos quase sempre no mesmo ambiente, com as mesmas pessoas. O Fato é que "7 anos" tem diálogos inteligentes e atores muito bem dirigidos (destaque para o ótimo Manuel Morón).

Não é um filme tão fácil, nem todos vão vão gostar, mas se você vem assistindo a nova geração de diretores (e filmes) espanhóis e tem se divertido, "7 años" é, digamos, uma versão mais séria desse movimento!

Vale o play!

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Quatro amigos e sócios de uma empresa bem sucedida, discutindo por mais de uma hora, tentando escolher qual deles vai passar 7 anos na cadeia após a Receita Federal descobrir uma transação ilegal que todos estavam cientes. É exatamente isso: 77 minutos em uma mesma locação, com apenas 5 atores e só diálogos! Essa é a história de "7 anos", produção Original da Netflix de 2016. O conceito é o mesmo (ou muito parecido) que vimos nos bem sucedidos "Perfectos Desconocidos"e de "El Bar" - do genial Álex de la Iglesia!

Muito talentoso, premiado em filmes anteriores e diretor de alguns episódios da série "As telefonistas", Roger Gual guia a história de uma forma muito segura. Nos coloca no meio de discussões que deixariam qualquer um constrangido, tantas são as camadas que o texto começa a desvendar conforme o tempo (e a paciência dos personagens) vai passando. É impressionante como não nos damos conta que estamos quase sempre no mesmo ambiente, com as mesmas pessoas. O Fato é que "7 anos" tem diálogos inteligentes e atores muito bem dirigidos (destaque para o ótimo Manuel Morón).

Não é um filme tão fácil, nem todos vão vão gostar, mas se você vem assistindo a nova geração de diretores (e filmes) espanhóis e tem se divertido, "7 años" é, digamos, uma versão mais séria desse movimento!

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A Bela e a Fera

Quando assisti a versão para cinema do musical "Les Miserables" fiz um review (que você pode ler aqui) torcendo para que desse muito certo e tudo aquilo que eu havia assistido no teatro se transformasse em grandes filmes. "Beauty and the Beast" (título original) é um grande filme, no sentido mais cinematográfico da afirmação! É uma história que fez sucesso em Animação, na Broadway e agora no Cinema - custou 160 milhões e "só" no final de semana de lançamento arrecadou 174 milhões (apenas nos EUA)! Confira o belíssimo trailer e tente não se emocionar:

O filme é sobre a fantástica história de Bela (Emma Watson), uma jovem brilhante, bonita e independente, que é aprisionada por um Monstro (Dan Stevens) no seu castelo. Apesar dos seus receios, Bela torna-se amiga dos empregados - figuras encantadas que personificam objetos de decoração ou de cozinha. A jovem se diferencia de outras "convidadas" por conseguir ver além do terrível exterior da Fera assim que começa conhecer a alma e o coração de um verdadeiro Príncipe amaldiçoado!

Dirigido pelo ótimo Bill Condon (de "Dreamgirls"), o filme é muito bem feito, muito bonito visualmente e pode separar um monte de estatuetas para as categorias técnicas e de arte (desenho de produção, figurino, maquiagem e se bobear até efeitos especiais) do Oscar 2018. É muito bacana o conceito que imprimiram no filme, você tem a impressão que está assistindo uma animação só que com pessoas de verdade - as cores, os efeitos, os movimentos de câmera, a fotografia; tudo colabora pra isso e trás muito da magia que é assistir "A Bela e a Fera" na Broadway.  

Torço para que a Disney traga mais dos seus clássicos para o cinema e que outros estúdios acreditem e invistam em adaptações de outras clássicos como Miss Saygon, Phanton of the Opera, Cats, etc!

É um filme para toda a familia! Vale muito o play!

Up-date: "A Bela e a Fera" foi indicada em duas categorias no Oscar 2018: Melhor Figurino e Melhor Desenho de Produção, mas acabou não ganhando nenhuma estatueta!

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Quando assisti a versão para cinema do musical "Les Miserables" fiz um review (que você pode ler aqui) torcendo para que desse muito certo e tudo aquilo que eu havia assistido no teatro se transformasse em grandes filmes. "Beauty and the Beast" (título original) é um grande filme, no sentido mais cinematográfico da afirmação! É uma história que fez sucesso em Animação, na Broadway e agora no Cinema - custou 160 milhões e "só" no final de semana de lançamento arrecadou 174 milhões (apenas nos EUA)! Confira o belíssimo trailer e tente não se emocionar:

O filme é sobre a fantástica história de Bela (Emma Watson), uma jovem brilhante, bonita e independente, que é aprisionada por um Monstro (Dan Stevens) no seu castelo. Apesar dos seus receios, Bela torna-se amiga dos empregados - figuras encantadas que personificam objetos de decoração ou de cozinha. A jovem se diferencia de outras "convidadas" por conseguir ver além do terrível exterior da Fera assim que começa conhecer a alma e o coração de um verdadeiro Príncipe amaldiçoado!

Dirigido pelo ótimo Bill Condon (de "Dreamgirls"), o filme é muito bem feito, muito bonito visualmente e pode separar um monte de estatuetas para as categorias técnicas e de arte (desenho de produção, figurino, maquiagem e se bobear até efeitos especiais) do Oscar 2018. É muito bacana o conceito que imprimiram no filme, você tem a impressão que está assistindo uma animação só que com pessoas de verdade - as cores, os efeitos, os movimentos de câmera, a fotografia; tudo colabora pra isso e trás muito da magia que é assistir "A Bela e a Fera" na Broadway.  

Torço para que a Disney traga mais dos seus clássicos para o cinema e que outros estúdios acreditem e invistam em adaptações de outras clássicos como Miss Saygon, Phanton of the Opera, Cats, etc!

É um filme para toda a familia! Vale muito o play!

Up-date: "A Bela e a Fera" foi indicada em duas categorias no Oscar 2018: Melhor Figurino e Melhor Desenho de Produção, mas acabou não ganhando nenhuma estatueta!

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A Cabana

A Cabana

Antes de mais nada é preciso dizer que assisti "A Cabana" sem ter lido o livro, então vou basear minha análise exclusivamente no filme. Eu gosto muito do assunto e levando em consideração que o filme não poderia ser muito mais longo do que foi (o que deve ter deixado o roteirista que adaptou a obra maluco), eu gostei; mas, infelizmente, não é um filme daqueles inesquecíveis - o que me chateia um pouco, pois a história (e todo contexto que envolveu a produção) tinha potencial para ser!

O filme conta a história de Mack Phillips (Sam Worthington​) que, depois de sofrer uma tragédia familiar, entra em uma profunda depressão, que o faz questionar suas crenças mais íntimas. Diante de uma crise de fé, ele recebe uma carta misteriosa convidando ele para ir até uma cabana abandonada. Mesmo sem a aprovação dos mais próximos, Mack inicia uma jornada na busca por algumas respostas e acaba encontrando verdades tão significativas que transformam seu entendimento sobre a tragédia que abalou sua família e que vai fazer com que sua vida mude para sempre. Confira o trailer:


Inspirada no best-seller de William P. Young, "A Cabana"  é o típico filme "Sessão da Tarde" - o que nesse caso nem é depreciativo, mas que claramente foi produzido para todo mundo assistir e, principalmente, para todo mundo se emocionar! Embora o roteiro module uma certa profundidade reflexiva ao colocar fortes elementos religiosos como "Deus" (ou Papa) personagem interpretado pela excelente Octavia Spencer, "Jesus" do também elogiado Avraham Aviv Alush e o "Espírito Santo" (ou Sarayu) de Sumire Matsubara, em um contexto interessante sobre o perdão e a culpa que nos consome, a estrutura narrativa escolhida não se aprofunda no elemento que mais importaria para o filme: a dor - e aí, um filme como "Amor além da Vida" (1998) se sobressai em relação "A Cabana"!

Vale o play? Sim, mas não espere nada mais que um filme água com açúcar, com um tema ótimo, uma discussão conceitual pertinente e alguma emoção!

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Antes de mais nada é preciso dizer que assisti "A Cabana" sem ter lido o livro, então vou basear minha análise exclusivamente no filme. Eu gosto muito do assunto e levando em consideração que o filme não poderia ser muito mais longo do que foi (o que deve ter deixado o roteirista que adaptou a obra maluco), eu gostei; mas, infelizmente, não é um filme daqueles inesquecíveis - o que me chateia um pouco, pois a história (e todo contexto que envolveu a produção) tinha potencial para ser!

O filme conta a história de Mack Phillips (Sam Worthington​) que, depois de sofrer uma tragédia familiar, entra em uma profunda depressão, que o faz questionar suas crenças mais íntimas. Diante de uma crise de fé, ele recebe uma carta misteriosa convidando ele para ir até uma cabana abandonada. Mesmo sem a aprovação dos mais próximos, Mack inicia uma jornada na busca por algumas respostas e acaba encontrando verdades tão significativas que transformam seu entendimento sobre a tragédia que abalou sua família e que vai fazer com que sua vida mude para sempre. Confira o trailer:


Inspirada no best-seller de William P. Young, "A Cabana"  é o típico filme "Sessão da Tarde" - o que nesse caso nem é depreciativo, mas que claramente foi produzido para todo mundo assistir e, principalmente, para todo mundo se emocionar! Embora o roteiro module uma certa profundidade reflexiva ao colocar fortes elementos religiosos como "Deus" (ou Papa) personagem interpretado pela excelente Octavia Spencer, "Jesus" do também elogiado Avraham Aviv Alush e o "Espírito Santo" (ou Sarayu) de Sumire Matsubara, em um contexto interessante sobre o perdão e a culpa que nos consome, a estrutura narrativa escolhida não se aprofunda no elemento que mais importaria para o filme: a dor - e aí, um filme como "Amor além da Vida" (1998) se sobressai em relação "A Cabana"!

Vale o play? Sim, mas não espere nada mais que um filme água com açúcar, com um tema ótimo, uma discussão conceitual pertinente e alguma emoção!

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A Delicadeza do Amor

"La délicatesse" (no original) é mais um daqueles filmes que você assiste sorrindo - até quando o peito aperta um pouquinho, dá para prever que algo bom vem pela frente. Eu diria que o filme traz um cinema francês clássico sob um novo olhar, com a propriedade de quem tem a sensibilidade de captar os pequenos gestos no meio de grandes atuações. Mérito de Audrey Tautou e François Damiens e de uma direção segura de David e Stéphane Foenkinos que vale a sessão!

Nathalie (Audrey Tautou) tem uma vida maravilhosa. Ela é jovem, bonita e tem o casamento perfeito. Mas depois de um terrível acidente, seu mundo vira de ponta cabeça. Nos anos seguintes, ela foca em seu trabalho, deixando seus sentimentos de lado. Então, de repente, sem mesmo entender o porquê, ela beija o homem mais inesperado -- seu colega de trabalho, Markus (François Damiens). Esse casal incomum embarca numa jornada emocional; uma jornada que suscita todos os tipos de questões e hostilidade no trabalho. Confira o trailer:

A grande questão que o roteiro levanta, brilhantemente adaptado do romance do próprio David Foenkinos, é se, de fato, podemos escolher uma maneira de redescobrir o prazer de viver?

Veja, Nathalie e Markus formam um casal improvável: ele, sueco, introspectivo e fisicamente desajeitado; ela, linda, naturalmente irradiante. E aqui cabe uma passagem interessante do filme que define a inteligência do roteiro e a felicidade da escolha do elenco: em um fim de noite, já levemente bêbado de vinho (e paixão), Charles (Bruno Todeschini), o chefe de Nathalie , diz: “Nathalie é daquela categoria especial de mulher que anula todas as outras. Nathalie é Yoko Ono – do tipo que é capaz de acabar com a maior banda de rock do mundo.”

Talvez o prólogo de "A Delicadeza do Amor" não justifique o que vem a seguir, mas ao mesmo tempo é muito inteligente ao nos posicionar naquilo que Tautou parece fazer de melhor no cinema: viver um conto de fadas - então espere, tenha paciência com a história! A própria fotografia do diretor Rémy Chevrin vai nos transportando para Paris pouco a pouco, da mesma forma que Gordon Willis fez com Manhattan de Woody Allen. Ela cria uma atmosfera de fantasia dentro de um cenário realista que é lindo de sentir. O filme dos irmãos Foenkinos é justamente isso: um drama sensorial, que nos tira da realidade, mesmo em muitos momentos explorando situações brutalmente reais! Esse choque é justamente o diferencial da narrativa!

"A Delicadeza do Amor" é uma história de renascimento, mas é também um conto sobre a singularidade do amor, que prova, mais uma vez, que a beleza está nos detalhes. Reparem como um filme de 2011 continua extremamente atual, em tempos instagramáveis de uma supervalorização da aparência, da beleza fútil, do sucesso material e da riqueza vazia, existem valores muito mais importantes e verdadeiros!

Vale muito a pena!

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"La délicatesse" (no original) é mais um daqueles filmes que você assiste sorrindo - até quando o peito aperta um pouquinho, dá para prever que algo bom vem pela frente. Eu diria que o filme traz um cinema francês clássico sob um novo olhar, com a propriedade de quem tem a sensibilidade de captar os pequenos gestos no meio de grandes atuações. Mérito de Audrey Tautou e François Damiens e de uma direção segura de David e Stéphane Foenkinos que vale a sessão!

Nathalie (Audrey Tautou) tem uma vida maravilhosa. Ela é jovem, bonita e tem o casamento perfeito. Mas depois de um terrível acidente, seu mundo vira de ponta cabeça. Nos anos seguintes, ela foca em seu trabalho, deixando seus sentimentos de lado. Então, de repente, sem mesmo entender o porquê, ela beija o homem mais inesperado -- seu colega de trabalho, Markus (François Damiens). Esse casal incomum embarca numa jornada emocional; uma jornada que suscita todos os tipos de questões e hostilidade no trabalho. Confira o trailer:

A grande questão que o roteiro levanta, brilhantemente adaptado do romance do próprio David Foenkinos, é se, de fato, podemos escolher uma maneira de redescobrir o prazer de viver?

Veja, Nathalie e Markus formam um casal improvável: ele, sueco, introspectivo e fisicamente desajeitado; ela, linda, naturalmente irradiante. E aqui cabe uma passagem interessante do filme que define a inteligência do roteiro e a felicidade da escolha do elenco: em um fim de noite, já levemente bêbado de vinho (e paixão), Charles (Bruno Todeschini), o chefe de Nathalie , diz: “Nathalie é daquela categoria especial de mulher que anula todas as outras. Nathalie é Yoko Ono – do tipo que é capaz de acabar com a maior banda de rock do mundo.”

Talvez o prólogo de "A Delicadeza do Amor" não justifique o que vem a seguir, mas ao mesmo tempo é muito inteligente ao nos posicionar naquilo que Tautou parece fazer de melhor no cinema: viver um conto de fadas - então espere, tenha paciência com a história! A própria fotografia do diretor Rémy Chevrin vai nos transportando para Paris pouco a pouco, da mesma forma que Gordon Willis fez com Manhattan de Woody Allen. Ela cria uma atmosfera de fantasia dentro de um cenário realista que é lindo de sentir. O filme dos irmãos Foenkinos é justamente isso: um drama sensorial, que nos tira da realidade, mesmo em muitos momentos explorando situações brutalmente reais! Esse choque é justamente o diferencial da narrativa!

"A Delicadeza do Amor" é uma história de renascimento, mas é também um conto sobre a singularidade do amor, que prova, mais uma vez, que a beleza está nos detalhes. Reparem como um filme de 2011 continua extremamente atual, em tempos instagramáveis de uma supervalorização da aparência, da beleza fútil, do sucesso material e da riqueza vazia, existem valores muito mais importantes e verdadeiros!

Vale muito a pena!

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A Escavação

"A Escavação" me surpreendeu. Talvez por ter entrado sem muitas expectativas, logo nos primeiros minutos do filme já foi possível perceber muita qualidade em todos os sentidos. Embora não tenha muitas similaridades narrativas, essa produção da Netflix me lembrou muito a atmosfera do "O Jardineiro Fiel", inclusive em sua direção - o diretor Simon Stone traz muito do cinema autoral do Fernando Meirelles para o seu filme e isso agrada demais!

A trama, baseada em uma história real, se passa em 1939, às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Edith Pretty (Carey Mulligan) é uma viúva que mora com seu filho Robert (Archie Barnes) em uma mansão em Sutton Hoo, localizada perto do condado de Suffolk, na Inglaterra. Curiosa com alguns montes que fazem parte da sua propriedade, ela chama Basil Brown (Ralph Fiennes), um arqueólogo amador, para escavar suas terras. É lá que ele encontra um dos tesouros mais importantes da história - um grande barco funerário muito bem preservado, principalmente quando consideramos que ele pode ser rastreado para uma Europa da Idade Média, que até o momento era uma área quase carente de mais informações para os historiadores. Com a descoberta de prataria e outros acessórios de enorme valor, o trabalho toma outra dimensão, com museus e outras entidades governamentais se envolvendo cada vez mais na escavação e, mais uma vez, deixando de lado os créditos de Brown. Confira o trailer:

Além de uma ótima direção, a trilha sonora de Stefan Gregory, em seu primeiro longa-metragem, também me chamou a atenção e é impressionante como ela se encaixa perfeitamente a uma bela fotografia, digna de prêmios (inclusive), do Mike Eley. Já o roteiro de Moira Buffini, de “O Último Vice-Rei”, dá uma leve vacilada quando desvia o foco desenvolvido em um primeiro ato sensacional, para um romance dispensável - principalmente por se tratar de um filme que se apoia no drama denso de uma protagonista bastante complexa, cheia de camadas, e no desafio de um personagem igualmente profundo e que parece buscar uma redenção quase espiritual - e aqui cabe uma observação: enquanto a relação entre Pretty e Brown nos provoca algumas dúvidas e até uma certa angústia, o de Piggott (Lily James) com Rory Lomax (Johnny Flynn) é quase adolescente de tão óbvio. Se o propósito era se permitir uma certa liberdade criativa ao trazer um romance ficcional para história, por que não focar na relação com o filho, com o passado, com os questionamentos de um luto mal vivido ou, no caso de Brown, no distanciamento da esposa e na insegurança no futuro do casamento?

"A Escavação" tem uma história envolvente, mas poderia ter ido mais longe! Não prejudica em nada na experiência de quem está assistindo, o filme continua sendo muito bom, com um drama bem estabelecido, só que o potencial era tão grande que fica impossível não comentar. Ao pontuar conceitos espirituais sobre o que realmente deixamos para a próxima geração, através de paralelos com a arqueologia, "The Dig" (titulo original) nos provoca a refletir sobre como lidar com a vida mesmo sabendo da vulnerabilidade que ela representa! 

É um belo filme, com seus defeitos e qualidades, que merece ser visto e fatalmente vai te surpreender também!

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"A Escavação" me surpreendeu. Talvez por ter entrado sem muitas expectativas, logo nos primeiros minutos do filme já foi possível perceber muita qualidade em todos os sentidos. Embora não tenha muitas similaridades narrativas, essa produção da Netflix me lembrou muito a atmosfera do "O Jardineiro Fiel", inclusive em sua direção - o diretor Simon Stone traz muito do cinema autoral do Fernando Meirelles para o seu filme e isso agrada demais!

A trama, baseada em uma história real, se passa em 1939, às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Edith Pretty (Carey Mulligan) é uma viúva que mora com seu filho Robert (Archie Barnes) em uma mansão em Sutton Hoo, localizada perto do condado de Suffolk, na Inglaterra. Curiosa com alguns montes que fazem parte da sua propriedade, ela chama Basil Brown (Ralph Fiennes), um arqueólogo amador, para escavar suas terras. É lá que ele encontra um dos tesouros mais importantes da história - um grande barco funerário muito bem preservado, principalmente quando consideramos que ele pode ser rastreado para uma Europa da Idade Média, que até o momento era uma área quase carente de mais informações para os historiadores. Com a descoberta de prataria e outros acessórios de enorme valor, o trabalho toma outra dimensão, com museus e outras entidades governamentais se envolvendo cada vez mais na escavação e, mais uma vez, deixando de lado os créditos de Brown. Confira o trailer:

Além de uma ótima direção, a trilha sonora de Stefan Gregory, em seu primeiro longa-metragem, também me chamou a atenção e é impressionante como ela se encaixa perfeitamente a uma bela fotografia, digna de prêmios (inclusive), do Mike Eley. Já o roteiro de Moira Buffini, de “O Último Vice-Rei”, dá uma leve vacilada quando desvia o foco desenvolvido em um primeiro ato sensacional, para um romance dispensável - principalmente por se tratar de um filme que se apoia no drama denso de uma protagonista bastante complexa, cheia de camadas, e no desafio de um personagem igualmente profundo e que parece buscar uma redenção quase espiritual - e aqui cabe uma observação: enquanto a relação entre Pretty e Brown nos provoca algumas dúvidas e até uma certa angústia, o de Piggott (Lily James) com Rory Lomax (Johnny Flynn) é quase adolescente de tão óbvio. Se o propósito era se permitir uma certa liberdade criativa ao trazer um romance ficcional para história, por que não focar na relação com o filho, com o passado, com os questionamentos de um luto mal vivido ou, no caso de Brown, no distanciamento da esposa e na insegurança no futuro do casamento?

"A Escavação" tem uma história envolvente, mas poderia ter ido mais longe! Não prejudica em nada na experiência de quem está assistindo, o filme continua sendo muito bom, com um drama bem estabelecido, só que o potencial era tão grande que fica impossível não comentar. Ao pontuar conceitos espirituais sobre o que realmente deixamos para a próxima geração, através de paralelos com a arqueologia, "The Dig" (titulo original) nos provoca a refletir sobre como lidar com a vida mesmo sabendo da vulnerabilidade que ela representa! 

É um belo filme, com seus defeitos e qualidades, que merece ser visto e fatalmente vai te surpreender também!

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A Esposa

"A Esposa" é um ótimo filme, sem nenhum "porém" técnico ou até artístico, com todos os elementos cinematográficos muito bem equilibrados (uma marca do diretor Björn Runge), chancelando a obra como irretocável. Dito isso, é preciso ressaltar o sensacional trabalho de Glenn Close - muito acima da média (que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz em 2019)! Reparem como desde o primeiro minuto é possível encontrar um certo desconforto no olhar de sua personagem e mesmo deixando o roteiro um pouco previsível, sua performance é o que vai transformar a simplicidade da história em algo imperdível.

O filme conta a história de um escritor bem-sucedido que acaba de ganhar o Nobel de literatura, chamado Joseph Castleman (Jonathan Pryce) e de sua esposa Joan (Glenn Close) que o acompanha em todos os momentos, inclusive na grande cerimônia de premiação. Acontece que o casal guarda alguns segredos que pouco a pouco vão submergindo graças a presença constante de Nathanial Bone (Christian Slater) um jornalista que trabalha na biografia não autorizada de Castleman. Confira o trailer:

Tem um lado em "A Esposa" que eu gostaria que vocês reparassem: ainda na apresentação dos personagens, percebemos a cumplicidade entre o casal pelos olhos de Joseph Castleman, mas também um certo distanciamento, culposo talvez, pelos olhos de Joan. Até nos momentos de maior alegria do casal, algo insiste em nos incomodar, mesmo que vindo do próprio silêncio - isso, na verdade, é tão raro, que quase nos obriga a voltar o filme para termos a certeza que não perdemos nada. O diretor Björn Runge trabalha essas camadas mais profundas com muita delicadeza, mas durante a progressão da história entendemos a importância dessas marcas do passado e como elas estão muito mais vivas do que imaginávamos lá atrás!

Embora Jonathan Pryce não tenha chamado tanto a atenção como Glenn Close, seu trabalho é igualmente competente! O diretor de fotografia Ulf Brantås (Areia Movediça) é outro que ajuda muito o trabalho dos atores - ele foi capaz de captar o vazio com a mesma habilidade que enquadra as inúmeras emoções com a qual os atores vão nos presenteando - tudo na mesma cena! Uma aula!

A roteirista Jane Anderson adaptou o livro homônimo de Meg Wolitzer com o intuito de expor todas essas nuances, mas sem jamais ignorar a dimensão da dominação que Castleman impunha à Joan - e olhando pelas lentes da humanidade, nos perguntamos se Joseph tinha noção de suas atitudes em todo momento. Essa resposta está no filme, só é preciso encontra-la.

Olha, provavelmente a história vai impactar algumas pessoas com mais força, especialmente as mulheres, mas independente de relações emocionais e empáticas com os personagens, "A Esposa" já vai valer muito a pena por provocar alguns questionamentos bem importantes e que não devem ser ignorados nunca!

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"A Esposa" é um ótimo filme, sem nenhum "porém" técnico ou até artístico, com todos os elementos cinematográficos muito bem equilibrados (uma marca do diretor Björn Runge), chancelando a obra como irretocável. Dito isso, é preciso ressaltar o sensacional trabalho de Glenn Close - muito acima da média (que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz em 2019)! Reparem como desde o primeiro minuto é possível encontrar um certo desconforto no olhar de sua personagem e mesmo deixando o roteiro um pouco previsível, sua performance é o que vai transformar a simplicidade da história em algo imperdível.

O filme conta a história de um escritor bem-sucedido que acaba de ganhar o Nobel de literatura, chamado Joseph Castleman (Jonathan Pryce) e de sua esposa Joan (Glenn Close) que o acompanha em todos os momentos, inclusive na grande cerimônia de premiação. Acontece que o casal guarda alguns segredos que pouco a pouco vão submergindo graças a presença constante de Nathanial Bone (Christian Slater) um jornalista que trabalha na biografia não autorizada de Castleman. Confira o trailer:

Tem um lado em "A Esposa" que eu gostaria que vocês reparassem: ainda na apresentação dos personagens, percebemos a cumplicidade entre o casal pelos olhos de Joseph Castleman, mas também um certo distanciamento, culposo talvez, pelos olhos de Joan. Até nos momentos de maior alegria do casal, algo insiste em nos incomodar, mesmo que vindo do próprio silêncio - isso, na verdade, é tão raro, que quase nos obriga a voltar o filme para termos a certeza que não perdemos nada. O diretor Björn Runge trabalha essas camadas mais profundas com muita delicadeza, mas durante a progressão da história entendemos a importância dessas marcas do passado e como elas estão muito mais vivas do que imaginávamos lá atrás!

Embora Jonathan Pryce não tenha chamado tanto a atenção como Glenn Close, seu trabalho é igualmente competente! O diretor de fotografia Ulf Brantås (Areia Movediça) é outro que ajuda muito o trabalho dos atores - ele foi capaz de captar o vazio com a mesma habilidade que enquadra as inúmeras emoções com a qual os atores vão nos presenteando - tudo na mesma cena! Uma aula!

A roteirista Jane Anderson adaptou o livro homônimo de Meg Wolitzer com o intuito de expor todas essas nuances, mas sem jamais ignorar a dimensão da dominação que Castleman impunha à Joan - e olhando pelas lentes da humanidade, nos perguntamos se Joseph tinha noção de suas atitudes em todo momento. Essa resposta está no filme, só é preciso encontra-la.

Olha, provavelmente a história vai impactar algumas pessoas com mais força, especialmente as mulheres, mas independente de relações emocionais e empáticas com os personagens, "A Esposa" já vai valer muito a pena por provocar alguns questionamentos bem importantes e que não devem ser ignorados nunca!

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A Favorita

"A Favorita" teve 10 indicações para o Oscar de 2019 e isso, por si só, já o credenciaria como um grande filme. Na verdade é filme grandioso, mas não sei se é um grande filme - daqueles inesquecíveis!

"A Favorita" conta a história conturbada da Rainha Anne com sua amiga e confidente Sarah. A influência que Sarah tem sobre a Rainha abre caminho para vários tipos de interpretação e isso ganha ainda mais força com a chegada Abigail que, pouso a pouco, vai se inserindo no meio dessa relação. A disputa pela atenção da Rainha é só a maquiagem que o diretor usou para falar sobre a imperfeição do ser humano quando o assunto é a busca pelo poder!!!

A maneira provocativa que o diretor grego Yorgos Lanthimos imprime no filme émuito interessante: ele alinha esse conceito com vários elementos narrativos que vão pontuandomuito bem esse "tom acima", o problema éque essa escolha faz com que a história derrape em vários momentos!!! A interpretação é estereotipada, com raros momentos de internalização e isso, para mim, soa como o caminho mais fácil! Funcionou, pois das 10 indicações, 3 envolvem as atrizes do filme, 2em uma mesma categoria "Atriz Coadjuvante". A fotografia têm momentos magníficos e outros extremamente duvidosos. Na verdade, desde o "Cervo Sagrado", eu acho que Yorgos Lanthimos coloca tantas idéias, algumas desconexas, na sua direção que acabam atrapalhando o resultado final. 

Bom, dito isso, talvez seja necessário entender cada uma das indicações: (1) "Edição", muito boa, mas não vai levar! (2) "Fotografia", como comentei acima, tem grandes momentos, lindos planos, o trabalho que o Robbie Ryan fez com o a luz do fogo contrastando com o fundo preto é lindo, mas foram nas escolhas das lentes que eu acho que ele derrapou. Eu vi ele explicando que era uma sensação de aprisionamento que ele buscou, para mim, não funcionou. A distorção da imagem ficou desconexa demais, mas é uma opinião muito pessoal. Nunca trocaria a fotografia de "Roma" pela de "A Favorita" - que se beneficia muito mais do cenário para compor grandes quadros! (3) "Desenho de Produção", forte candidato. Tudo é realmente lindo e vai brigar cabeça a cabeça com "Pantera Negra" - eu acho que essa é uma das categorias mais disputadas do ano! (4) "Figurino", também acho uma das favoritas, mas com um "Pantera Negra" bem próximo! (5) e (6) "Atriz Coadjuvante", Emma Stone e Rachel Weisz, ambas tem chance, talvez com Rachel Weisz um pouco a frente, mas acho difícil a Regina King de  "Se a rua Beale falasse" não levar - lembrando que a Amy Adams ainda corre forte por fora!!! (6) "Atriz", Olivia Colman, mereceria demais, foi um grande trabalho - o ponto alto do filme ao lado do departamento de arte. (8) "Roteiro Original", não vai levar, pode esquecer - é bom, sim, critico, inteligente, mas tem "Green Book", "Roma" e "Vice" na frente! (9) Direção, se Yorgos Lanthimos ganhar eu mudo de nome! (10) "Melhor Filme", o prêmio foi a indicação!

O fato é que "A Favorita" é interessante, bem feito, bonito... mas achei um pouco super estimado pela Academia. Das 10 indicações, 3 ou 4 estariam de bom tamanho!! Eu não me apaixonei, mas não posso dizer que não é um filme bom!!! Como disse um amigo: Gostei, mas não gostei!!!!...rs

Up-Date: "A Favorita" ganhou em uma categoria no Oscar 2020: Melhor Atriz!

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"A Favorita" teve 10 indicações para o Oscar de 2019 e isso, por si só, já o credenciaria como um grande filme. Na verdade é filme grandioso, mas não sei se é um grande filme - daqueles inesquecíveis!

"A Favorita" conta a história conturbada da Rainha Anne com sua amiga e confidente Sarah. A influência que Sarah tem sobre a Rainha abre caminho para vários tipos de interpretação e isso ganha ainda mais força com a chegada Abigail que, pouso a pouco, vai se inserindo no meio dessa relação. A disputa pela atenção da Rainha é só a maquiagem que o diretor usou para falar sobre a imperfeição do ser humano quando o assunto é a busca pelo poder!!!

A maneira provocativa que o diretor grego Yorgos Lanthimos imprime no filme émuito interessante: ele alinha esse conceito com vários elementos narrativos que vão pontuandomuito bem esse "tom acima", o problema éque essa escolha faz com que a história derrape em vários momentos!!! A interpretação é estereotipada, com raros momentos de internalização e isso, para mim, soa como o caminho mais fácil! Funcionou, pois das 10 indicações, 3 envolvem as atrizes do filme, 2em uma mesma categoria "Atriz Coadjuvante". A fotografia têm momentos magníficos e outros extremamente duvidosos. Na verdade, desde o "Cervo Sagrado", eu acho que Yorgos Lanthimos coloca tantas idéias, algumas desconexas, na sua direção que acabam atrapalhando o resultado final. 

Bom, dito isso, talvez seja necessário entender cada uma das indicações: (1) "Edição", muito boa, mas não vai levar! (2) "Fotografia", como comentei acima, tem grandes momentos, lindos planos, o trabalho que o Robbie Ryan fez com o a luz do fogo contrastando com o fundo preto é lindo, mas foram nas escolhas das lentes que eu acho que ele derrapou. Eu vi ele explicando que era uma sensação de aprisionamento que ele buscou, para mim, não funcionou. A distorção da imagem ficou desconexa demais, mas é uma opinião muito pessoal. Nunca trocaria a fotografia de "Roma" pela de "A Favorita" - que se beneficia muito mais do cenário para compor grandes quadros! (3) "Desenho de Produção", forte candidato. Tudo é realmente lindo e vai brigar cabeça a cabeça com "Pantera Negra" - eu acho que essa é uma das categorias mais disputadas do ano! (4) "Figurino", também acho uma das favoritas, mas com um "Pantera Negra" bem próximo! (5) e (6) "Atriz Coadjuvante", Emma Stone e Rachel Weisz, ambas tem chance, talvez com Rachel Weisz um pouco a frente, mas acho difícil a Regina King de  "Se a rua Beale falasse" não levar - lembrando que a Amy Adams ainda corre forte por fora!!! (6) "Atriz", Olivia Colman, mereceria demais, foi um grande trabalho - o ponto alto do filme ao lado do departamento de arte. (8) "Roteiro Original", não vai levar, pode esquecer - é bom, sim, critico, inteligente, mas tem "Green Book", "Roma" e "Vice" na frente! (9) Direção, se Yorgos Lanthimos ganhar eu mudo de nome! (10) "Melhor Filme", o prêmio foi a indicação!

O fato é que "A Favorita" é interessante, bem feito, bonito... mas achei um pouco super estimado pela Academia. Das 10 indicações, 3 ou 4 estariam de bom tamanho!! Eu não me apaixonei, mas não posso dizer que não é um filme bom!!! Como disse um amigo: Gostei, mas não gostei!!!!...rs

Up-Date: "A Favorita" ganhou em uma categoria no Oscar 2020: Melhor Atriz!

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A Forma da Água

Já na maratona do Oscar 2018, assisti "A Forma da Água" e gostei - uma mistura de "Amélie Poulain" com a "Bela e a Fera"! Em 1963, durante o auge da Guerra Fria, Elisa (Sally Hawkins), uma solitária funcionária responsável pela limpeza em laboratório ultra-secreto do governo, vê a sua vida mudar para sempre quando ela descobre a existência de um estranho ser aquático que vive isolado dentro de um tanque. Para executar um arriscado e apaixonado resgate, ela recorre ao melhor amigo Giles (Richard Jenkins) e à colega de turno Zelda (Otavia Spencer), em uma aventura que pode custar muito mais do que o seu emprego. Confira o lindo trailer:

Admito que não me impressionei o bastante para apostar em "A Forma da Água" como o grande vencedor da noite. Claro que se ganhar não será nenhum absurdo, mas, pra mim, são nas indicações do Departamento de Arte que o filme vai disputar prêmio a prêmio com "O Destino de Uma Nação". Já nos prêmios técnicos, Dunkirk me pareceu um trabalho mais complexo, embora o trabalho do diretor Guillermo del Toro tenha sido primoroso - existem duas ou três cenas que equilibra tão bem a fantasia com a realidade que chegamos a acreditar que tudo aquilo seria possível - olha, Del Toro tem boas chances! Prestem atenção na trilha sonora e no trabalho Otavia Spencer indicada como atriz coadjuvante - ambos podem surpreender. Na categoria de "Atriz Principal" a Sally Hawkins mandou muito bem, mas está tão disputado que fica difícil arriscar - eu não apostaria! Dan Laustsen na fotografia também pode levar - embora com "Dunkirk" na disputa complica um pouco.

Das incríveis 13 indicações, se levar 4 ou 5 estará de bom tamanho - e aproveito para dizer, o filme merece cada uma delas e seu play só vai comprovar a enorme qualidade do filme!

Up-date: "A Forma da Água" ganhou em quatro categorias no Oscar 2020: Melhor Trilha Sonora, Melhor Desenho de Produção, Melhor Diretor e Melhor Filme!

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Já na maratona do Oscar 2018, assisti "A Forma da Água" e gostei - uma mistura de "Amélie Poulain" com a "Bela e a Fera"! Em 1963, durante o auge da Guerra Fria, Elisa (Sally Hawkins), uma solitária funcionária responsável pela limpeza em laboratório ultra-secreto do governo, vê a sua vida mudar para sempre quando ela descobre a existência de um estranho ser aquático que vive isolado dentro de um tanque. Para executar um arriscado e apaixonado resgate, ela recorre ao melhor amigo Giles (Richard Jenkins) e à colega de turno Zelda (Otavia Spencer), em uma aventura que pode custar muito mais do que o seu emprego. Confira o lindo trailer:

Admito que não me impressionei o bastante para apostar em "A Forma da Água" como o grande vencedor da noite. Claro que se ganhar não será nenhum absurdo, mas, pra mim, são nas indicações do Departamento de Arte que o filme vai disputar prêmio a prêmio com "O Destino de Uma Nação". Já nos prêmios técnicos, Dunkirk me pareceu um trabalho mais complexo, embora o trabalho do diretor Guillermo del Toro tenha sido primoroso - existem duas ou três cenas que equilibra tão bem a fantasia com a realidade que chegamos a acreditar que tudo aquilo seria possível - olha, Del Toro tem boas chances! Prestem atenção na trilha sonora e no trabalho Otavia Spencer indicada como atriz coadjuvante - ambos podem surpreender. Na categoria de "Atriz Principal" a Sally Hawkins mandou muito bem, mas está tão disputado que fica difícil arriscar - eu não apostaria! Dan Laustsen na fotografia também pode levar - embora com "Dunkirk" na disputa complica um pouco.

Das incríveis 13 indicações, se levar 4 ou 5 estará de bom tamanho - e aproveito para dizer, o filme merece cada uma delas e seu play só vai comprovar a enorme qualidade do filme!

Up-date: "A Forma da Água" ganhou em quatro categorias no Oscar 2020: Melhor Trilha Sonora, Melhor Desenho de Produção, Melhor Diretor e Melhor Filme!

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A Grande Mentira

Existe um linha muito tênue entre o bom e o ruim e alguns filmes acabam transitando por ela - "A Grande Mentira" é um ótimo exemplo disso! O filme acompanha o golpista Roy Courtnay (Ian McKellen) desde o momento em que ele conhece a viúva Betty McLeish (Hellen Mirren) em um site de namoro. Depois de alguns poucos encontros, Betty abre sua casa e sua vida para Courtnay que enxerga nesse novo relacionamento mais uma chance para dar um grande golpe. O problema é que Roy acaba se apaixonando por ela ao mesmo tempo em que o desconfiado sobrinho de Betty começa investigar o seu passado. Assista o trailer para continuarmos nossa análise:

Baseado no livro de Nicholas Searle, "A Grande Mentira" transita muito bem entre alguns gêneros como suspense e drama, com personagens mais complexos, daqueles que só o passado pode explicar as atitudes do presente, muito comum em filmes dos anos 90 como "Mulher Solteira Procura" ou "Louca Obsessão". Então vamos lá: por muito tempo o "flashback" carregou a fama de servir de muleta para os roteiristas, afinal era a chance de tirar o coelho da cartola e surpreender o publico com um final impensável, acontece que os tempos são outros e muito da gramática cinematográfica que funcionava perfeitamente há 20 anos atrás, hoje já não gera o mesmo efeito e muito menos o mesmo resultado. Nesse contexto, é até possível imaginar a qualidade do livro de Searle, mas sua adaptação vai soar bastante superficial para os mais exigentes, pois o roteiro não tem tempo de se aprofundar no desenvolvimento dos ótimos personagens de Mirren e McKellen e muito menos em tudo que os rodeiam - as peças que precisávamos para fechar o quebra-cabeça certamente estariam lá se o roteiro fosse melhor (ou se a história proporcionasse isso de uma maneira mais inteligente), não é o caso! Não que o filme seja ruim, não é isso, mas essas tramas secundárias são tão mal desenvolvidas que pouco se aproveita no plot principal, que é o que realmente interessa - é a conexão que é fraca, não o fato delas existirem. Um bom exemplo é o relacionamento de Betty com o seu sobrinho Stephen (Russell Tovey, do excelente "Years and Years" da HBO) - ele some e aparece ao melhor estilo "Mestre dos Magos" e nada dessa relação justificaria a entrega que o filme faz no ato final - a grande verdade é que, depois da conclusão do filme, temos a sensação de que o roteirista roubou no jogo pela simples intenção de nos surpreender com um plot twist que não é ruim, mas que poderia ser muito melhor se as pistas já tivessem sido apresentadas.

Sobre o filme em si, posso dizer que é bem dirigido pelo ótimo Bill Condon (Bela e a Fera) - ele consegue criar uma certa tensão, mesmo abusando de conceitos menos criativos e já ultrapassados como a sombra na porta da cozinha no meio da madrugada azul americana que assusta a velinha indefesa ou o didatismo de um close que vai explicar (ou entregar) sua consequência um pouco mais a frente! Ao sair da sessão, me faz pensar que esse filme na mão de um Davd Fincher poderia ser bem mais intrigante, não sei! Mirren e McKellen dão força aos personagens com muita competência, mas infelizmente caem nos buracos que o roteiro tem. A fotografia do alemão Tobias A. Schliessler ("O Quinto Poder") é muito interessante, principalmente nas cenas externas de Londres e Berlin - para quem assistiu o trailer, a cena do metrô de Londres é boa mesmo!

O fato é que "A Grande Mentira" poderia ser um bom filme para alugarmos nas locadoras (se elas ainda existissem) - digo isso pela sua característica como entretenimento, pela forma como foi filmada e, principalmente, pelas escolhas de um roteiro extremamente datado. Uma hora e meia de entretenimento está garantido, uma ou outra surpresa também, mas não espere mais que isso. Bom para um sábado chuvoso e se dormir, dormiu!

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Existe um linha muito tênue entre o bom e o ruim e alguns filmes acabam transitando por ela - "A Grande Mentira" é um ótimo exemplo disso! O filme acompanha o golpista Roy Courtnay (Ian McKellen) desde o momento em que ele conhece a viúva Betty McLeish (Hellen Mirren) em um site de namoro. Depois de alguns poucos encontros, Betty abre sua casa e sua vida para Courtnay que enxerga nesse novo relacionamento mais uma chance para dar um grande golpe. O problema é que Roy acaba se apaixonando por ela ao mesmo tempo em que o desconfiado sobrinho de Betty começa investigar o seu passado. Assista o trailer para continuarmos nossa análise:

Baseado no livro de Nicholas Searle, "A Grande Mentira" transita muito bem entre alguns gêneros como suspense e drama, com personagens mais complexos, daqueles que só o passado pode explicar as atitudes do presente, muito comum em filmes dos anos 90 como "Mulher Solteira Procura" ou "Louca Obsessão". Então vamos lá: por muito tempo o "flashback" carregou a fama de servir de muleta para os roteiristas, afinal era a chance de tirar o coelho da cartola e surpreender o publico com um final impensável, acontece que os tempos são outros e muito da gramática cinematográfica que funcionava perfeitamente há 20 anos atrás, hoje já não gera o mesmo efeito e muito menos o mesmo resultado. Nesse contexto, é até possível imaginar a qualidade do livro de Searle, mas sua adaptação vai soar bastante superficial para os mais exigentes, pois o roteiro não tem tempo de se aprofundar no desenvolvimento dos ótimos personagens de Mirren e McKellen e muito menos em tudo que os rodeiam - as peças que precisávamos para fechar o quebra-cabeça certamente estariam lá se o roteiro fosse melhor (ou se a história proporcionasse isso de uma maneira mais inteligente), não é o caso! Não que o filme seja ruim, não é isso, mas essas tramas secundárias são tão mal desenvolvidas que pouco se aproveita no plot principal, que é o que realmente interessa - é a conexão que é fraca, não o fato delas existirem. Um bom exemplo é o relacionamento de Betty com o seu sobrinho Stephen (Russell Tovey, do excelente "Years and Years" da HBO) - ele some e aparece ao melhor estilo "Mestre dos Magos" e nada dessa relação justificaria a entrega que o filme faz no ato final - a grande verdade é que, depois da conclusão do filme, temos a sensação de que o roteirista roubou no jogo pela simples intenção de nos surpreender com um plot twist que não é ruim, mas que poderia ser muito melhor se as pistas já tivessem sido apresentadas.

Sobre o filme em si, posso dizer que é bem dirigido pelo ótimo Bill Condon (Bela e a Fera) - ele consegue criar uma certa tensão, mesmo abusando de conceitos menos criativos e já ultrapassados como a sombra na porta da cozinha no meio da madrugada azul americana que assusta a velinha indefesa ou o didatismo de um close que vai explicar (ou entregar) sua consequência um pouco mais a frente! Ao sair da sessão, me faz pensar que esse filme na mão de um Davd Fincher poderia ser bem mais intrigante, não sei! Mirren e McKellen dão força aos personagens com muita competência, mas infelizmente caem nos buracos que o roteiro tem. A fotografia do alemão Tobias A. Schliessler ("O Quinto Poder") é muito interessante, principalmente nas cenas externas de Londres e Berlin - para quem assistiu o trailer, a cena do metrô de Londres é boa mesmo!

O fato é que "A Grande Mentira" poderia ser um bom filme para alugarmos nas locadoras (se elas ainda existissem) - digo isso pela sua característica como entretenimento, pela forma como foi filmada e, principalmente, pelas escolhas de um roteiro extremamente datado. Uma hora e meia de entretenimento está garantido, uma ou outra surpresa também, mas não espere mais que isso. Bom para um sábado chuvoso e se dormir, dormiu!

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A História Pessoal de David Copperfield

Antes de mais nada é preciso alertar os mais desavisados: "A História Pessoal de David Copperfield" não é sobre o mágico e sim sobre o clássico personagem de Charles Dickens! Pode até parecer engraçado esse aviso, mas é justamente ele que vai alinhar as expectativas para o que veremos adiante em quase duas horas de filme: uma adaptação inteligente na sua escrita e com um conceito visual extremamente lúdico, porém basicamente teatral - muito usado nas adaptações para a tela de musicais da Broadway.

"The Personal History of David Copperfield" segue fielmente a premissa do romance original. Ambientada no século XIX, essa é a história do jovem David Copperfield (Dev Patel), órfão de pai e vivendo na miséria, que tenta superar todos os obstáculos para conseguir a vida que acredita merecer. Confira o trailer (em inglês):

O impacto visual do filme é imediato, porém o tom escolhido para contar essa história parece tirado de um espetáculo de teatro - das composições cênicas ao estilo mais caricato das interpretações, obviamente passando pelo cenário, pelo figurino e até pela fotografia do premiado diretor Zac Nicholson. E aqui cabe uma curiosidade: Nicholson foi da equipe de fotografia da adaptação para o cinema de Tom Hooper para "Les Miserables" e é muito fácil encontrar inúmeras referências entre as duas obras em todo conceito estético. Com um elenco carregado de pesos-pesados como Tilda Swinton (a Betsey Trotwood) e Hugh Laurie (o impagável Mr Dick) o roteiro se apropria do talento para impor um tom leve e facilmente cativante para assuntos tão complexos - em muitos momentos temos a nítida impressão que estamos assistindo um espetáculo de commedia dell'arte. Dev Patel como protagonista está perfeito - ao lidar com figuras cada vez mais excêntricas, ele transforma a sua inocência em humanidade de um forma impressionante. Digna de prêmios!

Partindo de uma série de piadas inteligentes, cheias de duplo sentido e trocadilhos divertidos, o filme parece até não engatar - já que o peso dramático praticamente se desfaz com a forma escolhida para contar a história. isso não é necessariamente um problema para quem conhece a literatura de Dickens, mas certamente vai afastar um público preocupado com conflitos menos existenciais. O diretor Armando Iannucci, conhecido por sátiras políticas como "A Morte de Stalin" e a premiada série "Veep", da HBO usa e abusa de transições criativas e de uma montagem bastante dinâmica para minimizar o peso literário da obra - as vezes funciona, outras nem tanto!

O fato é que "A História Pessoal de David Copperfield" não vai agradar a todos, mas para os amantes da literatura clássica e do teatro inglês, o filme entrega uma excelente jornada de superação e otimismo sem ser piegas - existe muita honestidade nos personagens, mesmo que esteriotipados pelo conceito narrativo e visual. Continua sendo um drama, mas fantasiado de comédia e para um público bastante específico.

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Antes de mais nada é preciso alertar os mais desavisados: "A História Pessoal de David Copperfield" não é sobre o mágico e sim sobre o clássico personagem de Charles Dickens! Pode até parecer engraçado esse aviso, mas é justamente ele que vai alinhar as expectativas para o que veremos adiante em quase duas horas de filme: uma adaptação inteligente na sua escrita e com um conceito visual extremamente lúdico, porém basicamente teatral - muito usado nas adaptações para a tela de musicais da Broadway.

"The Personal History of David Copperfield" segue fielmente a premissa do romance original. Ambientada no século XIX, essa é a história do jovem David Copperfield (Dev Patel), órfão de pai e vivendo na miséria, que tenta superar todos os obstáculos para conseguir a vida que acredita merecer. Confira o trailer (em inglês):

O impacto visual do filme é imediato, porém o tom escolhido para contar essa história parece tirado de um espetáculo de teatro - das composições cênicas ao estilo mais caricato das interpretações, obviamente passando pelo cenário, pelo figurino e até pela fotografia do premiado diretor Zac Nicholson. E aqui cabe uma curiosidade: Nicholson foi da equipe de fotografia da adaptação para o cinema de Tom Hooper para "Les Miserables" e é muito fácil encontrar inúmeras referências entre as duas obras em todo conceito estético. Com um elenco carregado de pesos-pesados como Tilda Swinton (a Betsey Trotwood) e Hugh Laurie (o impagável Mr Dick) o roteiro se apropria do talento para impor um tom leve e facilmente cativante para assuntos tão complexos - em muitos momentos temos a nítida impressão que estamos assistindo um espetáculo de commedia dell'arte. Dev Patel como protagonista está perfeito - ao lidar com figuras cada vez mais excêntricas, ele transforma a sua inocência em humanidade de um forma impressionante. Digna de prêmios!

Partindo de uma série de piadas inteligentes, cheias de duplo sentido e trocadilhos divertidos, o filme parece até não engatar - já que o peso dramático praticamente se desfaz com a forma escolhida para contar a história. isso não é necessariamente um problema para quem conhece a literatura de Dickens, mas certamente vai afastar um público preocupado com conflitos menos existenciais. O diretor Armando Iannucci, conhecido por sátiras políticas como "A Morte de Stalin" e a premiada série "Veep", da HBO usa e abusa de transições criativas e de uma montagem bastante dinâmica para minimizar o peso literário da obra - as vezes funciona, outras nem tanto!

O fato é que "A História Pessoal de David Copperfield" não vai agradar a todos, mas para os amantes da literatura clássica e do teatro inglês, o filme entrega uma excelente jornada de superação e otimismo sem ser piegas - existe muita honestidade nos personagens, mesmo que esteriotipados pelo conceito narrativo e visual. Continua sendo um drama, mas fantasiado de comédia e para um público bastante específico.

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A Jornada

"A Jornada" é um filme muito bacana, que fala sobre o empoderamento feminino, mas com muita sensibilidade e inteligência. O interessante, inclusive, é perceber como algumas difíceis escolhas que a mulher precisa fazer durante sua vida se transformam em um processo de auto-aceitação ao mesmo tempo em que ela mesmo precisa lidar com uma sociedade notavelmente machista. O filme se aproveita do dia a dia de muito esforço e superação da astronauta francesa Sarah (Eva Green), uma mãe solteira que se prepara para uma missão espacial. Ela luta para equilibrar o tempo e a atenção que sua filha pequena precisa com o intenso e rigoroso treinamento de uma missão espacial. Confira o trailer:

Talvez a frase do seu colega de missão Mike Shannon (Matt Dillon), defina muito bem o que "A Jornada" nos propõe: “Não existe um astronauta perfeito. Assim como não existe uma mãe perfeita” - e certamente, isso vai tocar algumas mulheres mais do que aos homens, mas a sua profundidade merece uma reflexão sincera para ambos os gêneros. Vale a pena, mesmo não sendo um filme inesquecível, ele pode mexer com você!

"Proxima" (título original), foi exibido nos Festivais de Toronto e San Sebastian em 2019, recebendo ótimas críticas e várias recomendações. Eu diria que o filme soube relatar muito bem os sentimentos mais íntimos de uma astronauta mulher pouco antes de partir para uma missão internacional no espaço. A cineasta Alice Winocour (de “Augustine” e “Transtorno”) imprime um tom aspiracional no filme, mas sem esquecer da humanidade da personagem - o antagonismo emocional entre a realização profissional e a responsabilidade como mãe é muito bem trabalhado em vários momentos críticos do roteiro. O trabalho da Eva Green (de "007: Cassino Royale") merece ser mencionado - ela é de uma verdade no olhar, no silêncio, no que não é dito, mas é sentido; impressionante! O próprio Matt Dillon surpreende, embora ainda que um pouco canastrão (e aí não sei se é uma birra que eu tenho), entregando um personagem bastante interessante e, de certa forma, até complexo - mas é uma pena que o roteiro não soube aproveitar mais o potencial do personagem. Faltou desenvolvimento.

A fotografia do diretor Georges Lechaptois é bem interessante e lembra muito a forma como o vencedor do Emmy Jakob Ihre retratou "Chernobyl". A diretora Alice Winocour destaca um elemento que vimos em "Interestelar" do Nolan, mas de uma forma diferente - reparem nas suas palavras: “Para mim, o cerne deste filme está em recontar as emoções, capturar a vida e a intensidade vital dos personagens. À medida que o lançamento se aproxima, esse impulso de viver deve se tornar ainda mais urgente, ardente e consumir a todos. Toda cena foi filmada para evocar velocidade, uma sensação de energia bruta”!

De fato "A Jornada" tem esse poder, mas de uma forma muito mais introspectiva do que ativa. A ação praticamente não existe, mas o drama familiar e a discussão sobre os limites das nossas escolhas ou os reflexos delas na vida de quem amamos, isso sim está lá. Não se trata de um filme dinâmico, mas sua pontuação nos permite empatizar pela personagem e por seus dramas. "A Jornada" é um presente de Winocour para Eva Green da mesma forma que Greta Gerwig fez com Saoirse Ronan em "Lady Bird".

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"A Jornada" é um filme muito bacana, que fala sobre o empoderamento feminino, mas com muita sensibilidade e inteligência. O interessante, inclusive, é perceber como algumas difíceis escolhas que a mulher precisa fazer durante sua vida se transformam em um processo de auto-aceitação ao mesmo tempo em que ela mesmo precisa lidar com uma sociedade notavelmente machista. O filme se aproveita do dia a dia de muito esforço e superação da astronauta francesa Sarah (Eva Green), uma mãe solteira que se prepara para uma missão espacial. Ela luta para equilibrar o tempo e a atenção que sua filha pequena precisa com o intenso e rigoroso treinamento de uma missão espacial. Confira o trailer:

Talvez a frase do seu colega de missão Mike Shannon (Matt Dillon), defina muito bem o que "A Jornada" nos propõe: “Não existe um astronauta perfeito. Assim como não existe uma mãe perfeita” - e certamente, isso vai tocar algumas mulheres mais do que aos homens, mas a sua profundidade merece uma reflexão sincera para ambos os gêneros. Vale a pena, mesmo não sendo um filme inesquecível, ele pode mexer com você!

"Proxima" (título original), foi exibido nos Festivais de Toronto e San Sebastian em 2019, recebendo ótimas críticas e várias recomendações. Eu diria que o filme soube relatar muito bem os sentimentos mais íntimos de uma astronauta mulher pouco antes de partir para uma missão internacional no espaço. A cineasta Alice Winocour (de “Augustine” e “Transtorno”) imprime um tom aspiracional no filme, mas sem esquecer da humanidade da personagem - o antagonismo emocional entre a realização profissional e a responsabilidade como mãe é muito bem trabalhado em vários momentos críticos do roteiro. O trabalho da Eva Green (de "007: Cassino Royale") merece ser mencionado - ela é de uma verdade no olhar, no silêncio, no que não é dito, mas é sentido; impressionante! O próprio Matt Dillon surpreende, embora ainda que um pouco canastrão (e aí não sei se é uma birra que eu tenho), entregando um personagem bastante interessante e, de certa forma, até complexo - mas é uma pena que o roteiro não soube aproveitar mais o potencial do personagem. Faltou desenvolvimento.

A fotografia do diretor Georges Lechaptois é bem interessante e lembra muito a forma como o vencedor do Emmy Jakob Ihre retratou "Chernobyl". A diretora Alice Winocour destaca um elemento que vimos em "Interestelar" do Nolan, mas de uma forma diferente - reparem nas suas palavras: “Para mim, o cerne deste filme está em recontar as emoções, capturar a vida e a intensidade vital dos personagens. À medida que o lançamento se aproxima, esse impulso de viver deve se tornar ainda mais urgente, ardente e consumir a todos. Toda cena foi filmada para evocar velocidade, uma sensação de energia bruta”!

De fato "A Jornada" tem esse poder, mas de uma forma muito mais introspectiva do que ativa. A ação praticamente não existe, mas o drama familiar e a discussão sobre os limites das nossas escolhas ou os reflexos delas na vida de quem amamos, isso sim está lá. Não se trata de um filme dinâmico, mas sua pontuação nos permite empatizar pela personagem e por seus dramas. "A Jornada" é um presente de Winocour para Eva Green da mesma forma que Greta Gerwig fez com Saoirse Ronan em "Lady Bird".

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A Linha Vermelha do Destino

"A Linha Vermelha do Destino" é uma espécie de "Before Sunrise" argentino, mas, infelizmente, sem o talento do diretor Richard Linklater! 

Uma lenda antiga diz que um fio vermelho invisível conecta aqueles que estão destinados a se encontrar, independentemente de hora, local ou das circunstâncias. Essa linha pode esticar ou contrair, mas nunca quebrar. Manuel (Benjamín Vicuña) e April (Eugenia Suárez) parecem estar vinculados por esse destino infalível. Depois de se conhecerem em um avião, eles se apaixonam instantaneamente, sentem que são um para o outro, mas o destino faz com que se separem e nunca mais se encontrem. Sete anos depois, ambos formaram suas famílias e estão felizes: Manuelcom Laura (Guillermina Valdés) e April com Bruno (Hugo Silva). Mas desejo, amor e destino os colocam frente a frente novamente para viver outro encontro inesquecível, colocando seus valores e crenças sobre o amor em crise e onde surgem aquelas perguntas com as respostas mais difíceis: Você pode amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo? Reencontrar o grande amor da vida é uma coisa boa? Quando existe amor entre duas pessoas, o fim é sempre feliz?

Olha, o filme não é ruim, longe disso - mas poderia ter ido além com uma premissa tão bacana quando essa! "El Hilo Rojo" (titulo original), na minha opinião, pecou pela falta de sensibilidade na hora de transformar algo simples em um filme com mais alma. É fato que existem lampejos de profundidade no roteiro, principalmente ao relatar aquela confusão de sentimentos tão único que os personagens estão vivendo, mas, infelizmente, 80% do tempo não passou de uma comédia romântica com um pouco mais de estilo. Nesse caso não acho que seja demérito e sim a proposta que a diretora Daniela Goggi escolheu.

Pra quem gosta do gênero, vale muito a pena; mas fica claro, como comentei no inicio do review: não é nada fácil ser um Linklater!

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"A Linha Vermelha do Destino" é uma espécie de "Before Sunrise" argentino, mas, infelizmente, sem o talento do diretor Richard Linklater! 

Uma lenda antiga diz que um fio vermelho invisível conecta aqueles que estão destinados a se encontrar, independentemente de hora, local ou das circunstâncias. Essa linha pode esticar ou contrair, mas nunca quebrar. Manuel (Benjamín Vicuña) e April (Eugenia Suárez) parecem estar vinculados por esse destino infalível. Depois de se conhecerem em um avião, eles se apaixonam instantaneamente, sentem que são um para o outro, mas o destino faz com que se separem e nunca mais se encontrem. Sete anos depois, ambos formaram suas famílias e estão felizes: Manuelcom Laura (Guillermina Valdés) e April com Bruno (Hugo Silva). Mas desejo, amor e destino os colocam frente a frente novamente para viver outro encontro inesquecível, colocando seus valores e crenças sobre o amor em crise e onde surgem aquelas perguntas com as respostas mais difíceis: Você pode amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo? Reencontrar o grande amor da vida é uma coisa boa? Quando existe amor entre duas pessoas, o fim é sempre feliz?

Olha, o filme não é ruim, longe disso - mas poderia ter ido além com uma premissa tão bacana quando essa! "El Hilo Rojo" (titulo original), na minha opinião, pecou pela falta de sensibilidade na hora de transformar algo simples em um filme com mais alma. É fato que existem lampejos de profundidade no roteiro, principalmente ao relatar aquela confusão de sentimentos tão único que os personagens estão vivendo, mas, infelizmente, 80% do tempo não passou de uma comédia romântica com um pouco mais de estilo. Nesse caso não acho que seja demérito e sim a proposta que a diretora Daniela Goggi escolheu.

Pra quem gosta do gênero, vale muito a pena; mas fica claro, como comentei no inicio do review: não é nada fácil ser um Linklater!

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A Luz entre Oceanos

Derek Cianfrance (de "Blue Vallentine") é um dos melhores diretores da sua geração! O cara manda muito bem, a câmera está sempre no lugar certo, para contar a história que tem que ser contada! Em "A Luz entre Oceanos" ele mais uma vez está impecável para contara a história de Tom Sherbourne (Michael Fassbender) e a sua esposa Isabel (Alicia Vikander), um casal feliz que vive em uma ilha na costa da Austrália, no período após a Primeira Guerra Mundial. O maior desejo de Tom e Isabel é ter um filho, mas depois de Isabel abortar algumas vezes, eles acabam perdendo a esperança. No entanto, um dia o casal resgata uma menina em um barco, provavelmente resultado de um naufrágio. Os dois decidem chamá-la de Lucy e adotá-la como filha. Após alguns anos de felicidade, Tom e Isabel, em uma visita ao continente, encontram a viúva Hannah Roennfeldt (Rachel Weisz) que perdeu o marido e a filha no mar. Fica claro para Tom que Lucy é, na verdade, filha de Hannah, e ele sente que é o seu dever devolver a criança à mãe. Mas Isabel não quer que a sua família seja destruída por uma crise de consciência do marido. A partir daí, um maravilhoso sonho se transforma em um terrível pesadelo, trazendo à tona questões difíceis sobre o casamento e a paternidade. Confira o trailer:

"A Luz entre Oceanos" é lindamente bem fotografado pelo diretor Adam Arkapaw (True Detective) e tem um trilha sonora digna de Oscar do, 10 vezes indicado, Alexandre Desplat (Adoráveis Mulheres) - ele venceu duas vezes com "O Grande Hotel Budapeste" e "A Forma da Água". Embora tenha vencido o Festival de Veneza em 2016, o filme me deu a sensação que se tivesse 15 minutos a menos tudo terminaria melhor. Na verdade não sei se é só uma opinião pessoal, certa ou errada, mas quando me entregam demais acabo ficando com preguiça de me envolver tanto. Mas e o público, será que não prefere algo mais fácil? Talvez achar o equilíbrio seja o melhor caminho, talvez o roteiro do próprio Cianfrance, baseado no livro de M.L. Stedman, tenha feito essa escolha, mas para mim ficou a nítida impressão que o filme poderia ter me levado mais longe, porque a história é muito envolvente de fato, mas são aconteceu - ele acabou não me permitindo discutir sobre o final, sobre as escolhas, sobre a história em si!

Eu gostei do filme, ele poético, profundo e visceral em muitos momentos. Para quem acompanha o diretor, o filme é imperdível! Se você gostou de "Blue Valentine" certamente vai encontrar a marca de Cianfrance nesse filme! Não é um filme muito dinâmico, mas mesmo assim vale à pena - só não espere algo que te surpreenda!

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Derek Cianfrance (de "Blue Vallentine") é um dos melhores diretores da sua geração! O cara manda muito bem, a câmera está sempre no lugar certo, para contar a história que tem que ser contada! Em "A Luz entre Oceanos" ele mais uma vez está impecável para contara a história de Tom Sherbourne (Michael Fassbender) e a sua esposa Isabel (Alicia Vikander), um casal feliz que vive em uma ilha na costa da Austrália, no período após a Primeira Guerra Mundial. O maior desejo de Tom e Isabel é ter um filho, mas depois de Isabel abortar algumas vezes, eles acabam perdendo a esperança. No entanto, um dia o casal resgata uma menina em um barco, provavelmente resultado de um naufrágio. Os dois decidem chamá-la de Lucy e adotá-la como filha. Após alguns anos de felicidade, Tom e Isabel, em uma visita ao continente, encontram a viúva Hannah Roennfeldt (Rachel Weisz) que perdeu o marido e a filha no mar. Fica claro para Tom que Lucy é, na verdade, filha de Hannah, e ele sente que é o seu dever devolver a criança à mãe. Mas Isabel não quer que a sua família seja destruída por uma crise de consciência do marido. A partir daí, um maravilhoso sonho se transforma em um terrível pesadelo, trazendo à tona questões difíceis sobre o casamento e a paternidade. Confira o trailer:

"A Luz entre Oceanos" é lindamente bem fotografado pelo diretor Adam Arkapaw (True Detective) e tem um trilha sonora digna de Oscar do, 10 vezes indicado, Alexandre Desplat (Adoráveis Mulheres) - ele venceu duas vezes com "O Grande Hotel Budapeste" e "A Forma da Água". Embora tenha vencido o Festival de Veneza em 2016, o filme me deu a sensação que se tivesse 15 minutos a menos tudo terminaria melhor. Na verdade não sei se é só uma opinião pessoal, certa ou errada, mas quando me entregam demais acabo ficando com preguiça de me envolver tanto. Mas e o público, será que não prefere algo mais fácil? Talvez achar o equilíbrio seja o melhor caminho, talvez o roteiro do próprio Cianfrance, baseado no livro de M.L. Stedman, tenha feito essa escolha, mas para mim ficou a nítida impressão que o filme poderia ter me levado mais longe, porque a história é muito envolvente de fato, mas são aconteceu - ele acabou não me permitindo discutir sobre o final, sobre as escolhas, sobre a história em si!

Eu gostei do filme, ele poético, profundo e visceral em muitos momentos. Para quem acompanha o diretor, o filme é imperdível! Se você gostou de "Blue Valentine" certamente vai encontrar a marca de Cianfrance nesse filme! Não é um filme muito dinâmico, mas mesmo assim vale à pena - só não espere algo que te surpreenda!

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A Million Little Things

Acho que um dos grandes méritos dessa "segunda fase" do Globoplay é fazer o caminho inverso ao da Netflix, mas com o objetivo de chegar, exatamente, no mesmo lugar. Quando o Globoplay foi lançado, encontrávamos apenas conteúdo da Globo, ou seja, um catálogo enorme de produções próprias de altíssima qualidade, mas que não eram inéditos e representavam um material com características bem regionais. Com o tempo a plataforma foi mudando sua estratégia, ampliando seu olhar para o mercado e alinhando seu conteúdo inédito com as estréias da TV, até que veio a excelente sacada de lançar antes na plataforma e, em alguns casos, tudo de uma vez para o usuário "maratonar". Agora o Globoplay evoluiu ainda mais, pois passou a produzir projetos exclusivos para o streaming, sem nem passar pela TV e também licenciar conteúdo criado (e exibido) fora da emissora!!! Vamos falar muito desses conteúdos, mas fiz essa introdução toda apenas para dizer que: "A Million Little Things" está lá, no Globoplay, e você não pode deixar de assistir!!!!!

Essa série é a versão da ABC do sucesso da NBC, "This is Us". Na verdade uma série não tem nada a ver com a outra no seu conteúdo, mas a forma de contar a história e os sentimentos que ela é capaz de gerar ao assistirmos cada episódio é exatamente o mesmo! "A Million Little Things" não foca na família, foca na amizade! Seu ponto de partida é o suicídio de um dos protagonistas e, sempre misturando passado e presente, como essa tragédia refletiu na vida de cada um dos seus melhores amigos. Veja o trailer:

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Acho que um dos grandes méritos dessa "segunda fase" do Globoplay é fazer o caminho inverso ao da Netflix, mas com o objetivo de chegar, exatamente, no mesmo lugar. Quando o Globoplay foi lançado, encontrávamos apenas conteúdo da Globo, ou seja, um catálogo enorme de produções próprias de altíssima qualidade, mas que não eram inéditos e representavam um material com características bem regionais. Com o tempo a plataforma foi mudando sua estratégia, ampliando seu olhar para o mercado e alinhando seu conteúdo inédito com as estréias da TV, até que veio a excelente sacada de lançar antes na plataforma e, em alguns casos, tudo de uma vez para o usuário "maratonar". Agora o Globoplay evoluiu ainda mais, pois passou a produzir projetos exclusivos para o streaming, sem nem passar pela TV e também licenciar conteúdo criado (e exibido) fora da emissora!!! Vamos falar muito desses conteúdos, mas fiz essa introdução toda apenas para dizer que: "A Million Little Things" está lá, no Globoplay, e você não pode deixar de assistir!!!!!

Essa série é a versão da ABC do sucesso da NBC, "This is Us". Na verdade uma série não tem nada a ver com a outra no seu conteúdo, mas a forma de contar a história e os sentimentos que ela é capaz de gerar ao assistirmos cada episódio é exatamente o mesmo! "A Million Little Things" não foca na família, foca na amizade! Seu ponto de partida é o suicídio de um dos protagonistas e, sempre misturando passado e presente, como essa tragédia refletiu na vida de cada um dos seus melhores amigos. Veja o trailer:

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A Qualquer Custo

"Hell or High Water" (título original) é um ótimo filme, mas talvez para alguns não será inesquecível por, justamente, dramatizar a relação familiar dentro de um universo que depende de muita ação para prender a atenção de quem assiste.

O filme acompanha a história de dois irmãos no Oeste americano: Toby (Chris Pine), um pai divorciado que tenta assegurar uma vida melhor para o filho, e Tanner (Ben Foster), um ex-presidiário com tendências violentas. Juntos, eles decidem assaltar várias agências do banco que está penhorando a propriedade da sua família. Esta espécie de vingança parece ser um sucesso até que Toby e Tanner se cruzam com um incansável policial texano à procura de um triunfo final antes da aposentadoria. Assim, ao mesmo tempo que os dois assaltantes planeiam um último roubo para completarem o seu plano, o cerco parece se fechar sob o comando do Ranger Marcus Hamilton (Jeff Bridges).

O filme é muito bem dirigido pelo David Mackenzie, a fotografia do Giles Nuttgensé linda e, de fato, Jeff Bridges tinha tudo pra levar o Oscar de "Ator de Coadjuvante" em 2016 - mas não levou! Aliás, "A Qualquer Custo" teve 4 indicações naquele ano: Melhor Edição, Melhor Roteiro Original, Melhor Ator de Coadjuvante e Melhor Filme; e acabou saindo com as mãos vazias!

É preciso dizer que história é realmente boa, mas faltou algum plot twist que justificasse todo o clamor pelo filme, mas ele nunca vem, deixando a experiência bastante previsível! Vale o play, claro, mas encare como um entretenimento de muita qualidade e não um filme marcante!

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"Hell or High Water" (título original) é um ótimo filme, mas talvez para alguns não será inesquecível por, justamente, dramatizar a relação familiar dentro de um universo que depende de muita ação para prender a atenção de quem assiste.

O filme acompanha a história de dois irmãos no Oeste americano: Toby (Chris Pine), um pai divorciado que tenta assegurar uma vida melhor para o filho, e Tanner (Ben Foster), um ex-presidiário com tendências violentas. Juntos, eles decidem assaltar várias agências do banco que está penhorando a propriedade da sua família. Esta espécie de vingança parece ser um sucesso até que Toby e Tanner se cruzam com um incansável policial texano à procura de um triunfo final antes da aposentadoria. Assim, ao mesmo tempo que os dois assaltantes planeiam um último roubo para completarem o seu plano, o cerco parece se fechar sob o comando do Ranger Marcus Hamilton (Jeff Bridges).

O filme é muito bem dirigido pelo David Mackenzie, a fotografia do Giles Nuttgensé linda e, de fato, Jeff Bridges tinha tudo pra levar o Oscar de "Ator de Coadjuvante" em 2016 - mas não levou! Aliás, "A Qualquer Custo" teve 4 indicações naquele ano: Melhor Edição, Melhor Roteiro Original, Melhor Ator de Coadjuvante e Melhor Filme; e acabou saindo com as mãos vazias!

É preciso dizer que história é realmente boa, mas faltou algum plot twist que justificasse todo o clamor pelo filme, mas ele nunca vem, deixando a experiência bastante previsível! Vale o play, claro, mas encare como um entretenimento de muita qualidade e não um filme marcante!

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À Sombra de Duas Mulheres

"À Sombra de Duas Mulheres" é um filme francês de 2015 com uma carreira bastante interessante em festivais independentes pelo mundo. Mas mais importante que isso, certamente é a forma magistral como o diretor Philippe Garrel foi capaz de construir um relação completamente destruída pelo dia a dia e como a confiança passa a ser o maior problema de um casal, visivelmente frágil. Reparem que Garrel vai nos direcionando por um caminho, de repente ele quebra nossa expectativa e aí ele sugere uma solução que parece menos provável até que ele encontra seu ponto final - ele, de fato, brinca com nossa percepção ao nos colocar no papel dos protagonistas!

Pierre (Stanislas Merhar) e Manon (Clotilde Courau) formam um casal de documentaristas que sobrevivem fazendo trabalhos temporários para poder dar suporte aos filmes que desejam realizar. Cansado do cotidiano e de suas dificuldades e mesmo, aparentemente, apaixonado por Manon, Pierre acaba se aproximando de Elizabeth (Lena Paugam) uma estágiaria de cinema formada em história e, a partir daí, passa a manter um relacionamento constante com as duas mulheres. Acontece que a atração sexual do primeiro contato vai se transformando e o que parecia um caso passageiro, passa a complicar a relação de todos os envolvidos e mesmo sem ao menos se conhecerem, muitas verdades começam vir à tona. Confira o trailer:

Para quem assistiu o recente "Malcolm e Marie""À Sombra de Duas Mulheres" vai cair como uma luva! O filme francês é notavelmente mais profundo ao discutir as camadas de uma relação fragilizada pela convivência. Se pela sinopse e pelo trailer temos a impressão que o assunto abordado é a traição, eu já te aviso: traição é só o "fim", porque o "meio" mesmo, são as pequenas situações que nos levam, justamente, praticar a traição - e o bacana é que o roteiro nos mostra ambos os lados e é assim que julgamos muitas atitudes, seja se baseando no gênero, seja quando percebemos que na verdade, cada um dos personagens sempre foi incapaz de enxergar o que o outro precisava ou estava sentindo.

Diferente da produção da Netflix, Philippe Garrel usa e abusa do silêncio propositalmente - e isso é cruel para quem assiste, pois nos dá o tempo suficiente para visitarmos nossas lembranças, recapitular algumas de nossas atitudes durante a vida e ainda espelhar nossas fraquezas nos personagens. Se no inicio temos uma visão machista de um relacionamento falido, logo entendemos o lado da mulher e suas necessidades, mesmo sem levantar nenhuma bandeira, todos podem errar -  quando se trata de discutir a igualdade com isenção, na alegria e na tristeza, as consequências são para todos!

"À Sombra de Duas Mulheres" é um filme muito cadenciado, focado no que é dito e no que é sentido, sem nenhuma dinâmica cênica que nos impacte visualmente, porém é tão profundo na sua proposta, que rapidamente somos fisgados e nem vemos o tempo passar - que diga-se de passagem é o ideal para uma narrativa com esse  conceito: não cansa, é objetivo e nos faz refletir intensamente sobre "escolhas"! Não é um filme fácil, mas para quem for capaz de perceber a sensibilidade nos pequenos atos e entender onde esses mesmos atos podem nos levar, certamente a experiência vai valer a pena!

Vale seu play!

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"À Sombra de Duas Mulheres" é um filme francês de 2015 com uma carreira bastante interessante em festivais independentes pelo mundo. Mas mais importante que isso, certamente é a forma magistral como o diretor Philippe Garrel foi capaz de construir um relação completamente destruída pelo dia a dia e como a confiança passa a ser o maior problema de um casal, visivelmente frágil. Reparem que Garrel vai nos direcionando por um caminho, de repente ele quebra nossa expectativa e aí ele sugere uma solução que parece menos provável até que ele encontra seu ponto final - ele, de fato, brinca com nossa percepção ao nos colocar no papel dos protagonistas!

Pierre (Stanislas Merhar) e Manon (Clotilde Courau) formam um casal de documentaristas que sobrevivem fazendo trabalhos temporários para poder dar suporte aos filmes que desejam realizar. Cansado do cotidiano e de suas dificuldades e mesmo, aparentemente, apaixonado por Manon, Pierre acaba se aproximando de Elizabeth (Lena Paugam) uma estágiaria de cinema formada em história e, a partir daí, passa a manter um relacionamento constante com as duas mulheres. Acontece que a atração sexual do primeiro contato vai se transformando e o que parecia um caso passageiro, passa a complicar a relação de todos os envolvidos e mesmo sem ao menos se conhecerem, muitas verdades começam vir à tona. Confira o trailer:

Para quem assistiu o recente "Malcolm e Marie""À Sombra de Duas Mulheres" vai cair como uma luva! O filme francês é notavelmente mais profundo ao discutir as camadas de uma relação fragilizada pela convivência. Se pela sinopse e pelo trailer temos a impressão que o assunto abordado é a traição, eu já te aviso: traição é só o "fim", porque o "meio" mesmo, são as pequenas situações que nos levam, justamente, praticar a traição - e o bacana é que o roteiro nos mostra ambos os lados e é assim que julgamos muitas atitudes, seja se baseando no gênero, seja quando percebemos que na verdade, cada um dos personagens sempre foi incapaz de enxergar o que o outro precisava ou estava sentindo.

Diferente da produção da Netflix, Philippe Garrel usa e abusa do silêncio propositalmente - e isso é cruel para quem assiste, pois nos dá o tempo suficiente para visitarmos nossas lembranças, recapitular algumas de nossas atitudes durante a vida e ainda espelhar nossas fraquezas nos personagens. Se no inicio temos uma visão machista de um relacionamento falido, logo entendemos o lado da mulher e suas necessidades, mesmo sem levantar nenhuma bandeira, todos podem errar -  quando se trata de discutir a igualdade com isenção, na alegria e na tristeza, as consequências são para todos!

"À Sombra de Duas Mulheres" é um filme muito cadenciado, focado no que é dito e no que é sentido, sem nenhuma dinâmica cênica que nos impacte visualmente, porém é tão profundo na sua proposta, que rapidamente somos fisgados e nem vemos o tempo passar - que diga-se de passagem é o ideal para uma narrativa com esse  conceito: não cansa, é objetivo e nos faz refletir intensamente sobre "escolhas"! Não é um filme fácil, mas para quem for capaz de perceber a sensibilidade nos pequenos atos e entender onde esses mesmos atos podem nos levar, certamente a experiência vai valer a pena!

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A Vida em Si

Quando "A Vida em Si" estreou no Brasil, em dezembro de 2018, o filme chegou cheio de expectativas, afinal o seu diretor e roteirista era o Dan Fogelman - nada menos do que a mente criativa por trás do sucesso "This is Us" (e se você ainda não assistiu essa série, não perca tempo, clique no link e seja muito feliz!). Acontece que essa alta expectativa acabou interferindo diretamente na percepção da crítica que, após a première, caiu matando em cima do trabalho de Fogelman! É inegável que o filme tem muitos problemas, mas nem de longe é um filme ruim - eu diria, inclusive, que o filme é bom. Dê uma olhada no trailer antes de continuarmos:

No filme, acompanhamos a história de Abby (Olivia Wilde) e Will (Oscar Isaac), um casal de nova-iorquinos apaixonados e que está prestes a ter um bebê. Contudo, um evento inesperado muda completamente o rumo do casal e de muitos personagens que, de alguma forma, vivenciaram aquela situação. Dividido em 4 atos, o roteiro tenta criar um ponto de intersecção entre Irwin (Mandy Patinkin), Dylan (Olivia Cooke), Saccione (Antonio Banderas), Javier (Sergio Peris-Mencheta), Isabel (Laia Costa) e Rodrigo (Àlex Monner) expondo os reflexos do passado nas consequências do presente - um conceito narrativo, mais ou menos, como "Amores Perros", "Babel", "Crash" e outros inúmeros exemplos, porém, nesse caso, de uma forma mais romantizada, carregada de drama e de, infelizmente, uma falta de identidade - mas isso falaremos mais abaixo!

"A Vida em Si" deve ser assistido com a menor pretensão possível, pois assim a experiência de cada uma das descobertas será essencial para o seu julgamento no final do filme. Embora com um roteiro um pouco desequilibrado, a narrativa tem ótimos momentos e, de fato, sua conclusão é bastante satisfatória. Fica a impressão que Dan Fogelman quis colocar tantos elementos (narrativos e visuais) que ele acabou se perdendo no meio de suas próprias escolhas e referências em algo que poderia ser mais profundo, mesmo que ainda manipulador! Se você gosta do estilo de "This is Us" é bem possível que você vá se identificar e gostar de "A Vida em Si". Por essa similaridade, eu recomendo!

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Quando "A Vida em Si" estreou no Brasil, em dezembro de 2018, o filme chegou cheio de expectativas, afinal o seu diretor e roteirista era o Dan Fogelman - nada menos do que a mente criativa por trás do sucesso "This is Us" (e se você ainda não assistiu essa série, não perca tempo, clique no link e seja muito feliz!). Acontece que essa alta expectativa acabou interferindo diretamente na percepção da crítica que, após a première, caiu matando em cima do trabalho de Fogelman! É inegável que o filme tem muitos problemas, mas nem de longe é um filme ruim - eu diria, inclusive, que o filme é bom. Dê uma olhada no trailer antes de continuarmos:

No filme, acompanhamos a história de Abby (Olivia Wilde) e Will (Oscar Isaac), um casal de nova-iorquinos apaixonados e que está prestes a ter um bebê. Contudo, um evento inesperado muda completamente o rumo do casal e de muitos personagens que, de alguma forma, vivenciaram aquela situação. Dividido em 4 atos, o roteiro tenta criar um ponto de intersecção entre Irwin (Mandy Patinkin), Dylan (Olivia Cooke), Saccione (Antonio Banderas), Javier (Sergio Peris-Mencheta), Isabel (Laia Costa) e Rodrigo (Àlex Monner) expondo os reflexos do passado nas consequências do presente - um conceito narrativo, mais ou menos, como "Amores Perros", "Babel", "Crash" e outros inúmeros exemplos, porém, nesse caso, de uma forma mais romantizada, carregada de drama e de, infelizmente, uma falta de identidade - mas isso falaremos mais abaixo!

"A Vida em Si" deve ser assistido com a menor pretensão possível, pois assim a experiência de cada uma das descobertas será essencial para o seu julgamento no final do filme. Embora com um roteiro um pouco desequilibrado, a narrativa tem ótimos momentos e, de fato, sua conclusão é bastante satisfatória. Fica a impressão que Dan Fogelman quis colocar tantos elementos (narrativos e visuais) que ele acabou se perdendo no meio de suas próprias escolhas e referências em algo que poderia ser mais profundo, mesmo que ainda manipulador! Se você gosta do estilo de "This is Us" é bem possível que você vá se identificar e gostar de "A Vida em Si". Por essa similaridade, eu recomendo!

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A Voz Suprema do Blues

Se você gostou de "Uma noite em Miami..." certamente você vai gostar de "A Voz Suprema do Blues" já que ambos os filmes possuem elementos narrativos muito similares, embora com abordagens diferentes, um mais politico e o outro mais musical, as tramas giram em torno de diálogos muito bem construídos e de personagens cheios de camadas que interagem entre sim, em poucas locações, para que as discussões não se dissipem e ganhem o valor exato do seu propósito!

Também baseada na peça de teatro, dessa vez do premiado dramaturgo August Wilson, cujos textos são conhecidos por representarem os aspectos cômicos e trágicos da experiência dos africanos-americanos no século XX, "A Voz Suprema do Blues" se passa em Chicago de 1927 e volta sua atenção para dentro de um antigo estúdio de gravação da cidade. Lá, Ma Rainey (Viola Davis) e sua banda estão prontos para gravar mais um disco. Só que no estúdio o clima começa a esquentar quando a tensão aumenta entre a cantora, seu ambicioso trompista Levee (Chadwick Boseman) e a gerência branca determinada a controlar uma incontrolável “Mãe do Blues”. Confira o trailer:

Todo filme que possui bons personagens, a matéria prima para o ator bilhar, cria uma perspectiva de muito reconhecimento e, pode apostar, ele virá! Esse foi o último filme de Chadwick Boseman e sua performance está simplesmente magnífica, perfeita, no tom exato, com um range de interpretação impressionante, digno de Oscar! Visivelmente debilitado, sua postura praticamente transforma um problema em diferencial - tudo se encaixa tão perfeitamente que é triste condicionar esse reconhecimento em respeito por sua carreira: não é e não deveria ser o caso! Viola Davis é outra força da natureza, que nos tira o equilíbrio e explode na tela! Coberta de uma pesada maquiagem, roupas extravagantes e uma postura imponente, carregada de suor e arrogância, a atriz entrega um Ma Rainey digna de sua importância na música!

Com uma direção muito competente do George C. Wolfe (de Noites de Tormenta) e uma belíssima fotografia do Tobias Schliessler (de A Grande Mentira), o filme cria uma atmosfera desconfortável, angustiante, como se estivéssemos assistindo uma bomba prestes a explodir! O texto chega a nos provocar certa aflição e é muito inteligente ao pontuar os problemas sociais da época como racismo estrutural e todo o descaso com o negro de forma mais orgânica que ideológica.

“A Voz Suprema do Blues” é um daqueles filmes surpreendentes que usa de longos monólogos para evidenciar a força do seu texto e que transforma o ator em uma espécie de mensageiro e de ações muito mais internas do que impactantes - e o final é a maior prova disso! Filme para quem gosta do profundo, ao som de uma bela trilha sonora e daquela atmosfera nostálgica e sexy do blues bem tocado e interpretado com alma!

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Se você gostou de "Uma noite em Miami..." certamente você vai gostar de "A Voz Suprema do Blues" já que ambos os filmes possuem elementos narrativos muito similares, embora com abordagens diferentes, um mais politico e o outro mais musical, as tramas giram em torno de diálogos muito bem construídos e de personagens cheios de camadas que interagem entre sim, em poucas locações, para que as discussões não se dissipem e ganhem o valor exato do seu propósito!

Também baseada na peça de teatro, dessa vez do premiado dramaturgo August Wilson, cujos textos são conhecidos por representarem os aspectos cômicos e trágicos da experiência dos africanos-americanos no século XX, "A Voz Suprema do Blues" se passa em Chicago de 1927 e volta sua atenção para dentro de um antigo estúdio de gravação da cidade. Lá, Ma Rainey (Viola Davis) e sua banda estão prontos para gravar mais um disco. Só que no estúdio o clima começa a esquentar quando a tensão aumenta entre a cantora, seu ambicioso trompista Levee (Chadwick Boseman) e a gerência branca determinada a controlar uma incontrolável “Mãe do Blues”. Confira o trailer:

Todo filme que possui bons personagens, a matéria prima para o ator bilhar, cria uma perspectiva de muito reconhecimento e, pode apostar, ele virá! Esse foi o último filme de Chadwick Boseman e sua performance está simplesmente magnífica, perfeita, no tom exato, com um range de interpretação impressionante, digno de Oscar! Visivelmente debilitado, sua postura praticamente transforma um problema em diferencial - tudo se encaixa tão perfeitamente que é triste condicionar esse reconhecimento em respeito por sua carreira: não é e não deveria ser o caso! Viola Davis é outra força da natureza, que nos tira o equilíbrio e explode na tela! Coberta de uma pesada maquiagem, roupas extravagantes e uma postura imponente, carregada de suor e arrogância, a atriz entrega um Ma Rainey digna de sua importância na música!

Com uma direção muito competente do George C. Wolfe (de Noites de Tormenta) e uma belíssima fotografia do Tobias Schliessler (de A Grande Mentira), o filme cria uma atmosfera desconfortável, angustiante, como se estivéssemos assistindo uma bomba prestes a explodir! O texto chega a nos provocar certa aflição e é muito inteligente ao pontuar os problemas sociais da época como racismo estrutural e todo o descaso com o negro de forma mais orgânica que ideológica.

“A Voz Suprema do Blues” é um daqueles filmes surpreendentes que usa de longos monólogos para evidenciar a força do seu texto e que transforma o ator em uma espécie de mensageiro e de ações muito mais internas do que impactantes - e o final é a maior prova disso! Filme para quem gosta do profundo, ao som de uma bela trilha sonora e daquela atmosfera nostálgica e sexy do blues bem tocado e interpretado com alma!

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