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Dirty John – O Golpe do Amor

"Dirty John – O Golpe do Amor" é uma série interessante pela sua premissa, mas mediana na sua execução. É claro que fato de ser baseado em uma história real e trazer um personagem forte como protagonista chama atenção de cara! Inicialmente, me fez lembrar "American Crime Story", porém, na prática, "Dirty John" acaba se enrolando em todo seu potencial com um roteiro menos empolgante e uma estrutura narrativa um pouco confusa, se afastando de qualquer tipo de comparação com as duas temporadas de "American Crime" - até podemos considerar uma similaridade com "Versace" nos primeiros episódios, mas depois não se sustenta.

"Dirty John – O Golpe do Amor" é a versão para TV de um podcast do jornal Los Angeles Times que fez muito sucesso nos EUA. A série mostra a relação do golpista "profissional" John Meehan, com a empresária Debra Newell. Debra é uma mulher bem sucedida profissionalmente, mas com uma vida amorosa completamente fracassada. Carente e insegura, ela se torna uma presa fácil para John depois de um encontro marcado, veja só, pela internet! Com seu charme e sedução, John vai tomando conta da vida de Debra e é, justamente, esse o elemento que mais atrapalha e transforma a série em apenas um bom entretenimento. Confira o trailer:

As consequências do relacionamento abusivo e conturbado dos personagens são apresentados muito rapidamente, ou seja, nem bem nos envolvemos com o personagem do John e já definimos que ele é um canalha. O roteiro não nos coloca no papel da ótima Connie Britton, pois em nenhum momento temos a impressão que ele pode ser apenas um cara mal interpretado. O grande mérito de "American Crime Story", por exemplo, é sempre mostrar os dois lados e isso nos gera dúvidas ou até incredulidade em alguns momentos: O. J. Simpson era um monstro assassino ou um bode expiatório resultado de um ambiente conturbado pelas disputas raciais que os EUA vivia na época? John, nunca é tratado como um inocente pelo roteiro e isso é rotular demais o personagem. O próprio Eric Bana também não ajuda muito nesse processo - ele é muito canastrão, sem carisma e limitado demais para construir um personagem tão sedutor e cheio de camadas como o John deveria ser pra ter enganado tanta mulher inteligente e bem sucedida. A própria estrutura narrativa também começa a derrapar depois do 4º ou 5º episódio: ela se torna confusa demais com a construção do passado do John que simplesmente "cai de paraquedas" no episódio. Quando terminei série, tive a percepção que não existe uma linha narrativa convincente que justifique os 8 episódios - talvez por ser uma adaptação de um podcast, isso tenha se tornado um complicador. Não sei, em muitos momentos me pareceu arrastado demais!

O fato é que Dirty John nasceu para ser uma minissérie, mas se fez dela uma série que poderia ser muito melhor do que é! Não é ruim, de verdade... mas poderia ser melhor! Se você gostou de "American Crime Story" e até de "Você", é possível que se divirta com a série, mesmo com todas essas limitações criativas. É um entretenimento razoável de um gênero que está em alta na Netflix e que faz muito sucesso com a audiência!

Ah, uma segunda temporada já está confirmada e pelo que apurei deve mostrar um outro caso do próprio John que não, necessariamente, tenha a ver com a primeira temporada, criando assim uma contextualização mais antológica para o projeto. Vamos esperar!!!

Assista Agora

"Dirty John – O Golpe do Amor" é uma série interessante pela sua premissa, mas mediana na sua execução. É claro que fato de ser baseado em uma história real e trazer um personagem forte como protagonista chama atenção de cara! Inicialmente, me fez lembrar "American Crime Story", porém, na prática, "Dirty John" acaba se enrolando em todo seu potencial com um roteiro menos empolgante e uma estrutura narrativa um pouco confusa, se afastando de qualquer tipo de comparação com as duas temporadas de "American Crime" - até podemos considerar uma similaridade com "Versace" nos primeiros episódios, mas depois não se sustenta.

"Dirty John – O Golpe do Amor" é a versão para TV de um podcast do jornal Los Angeles Times que fez muito sucesso nos EUA. A série mostra a relação do golpista "profissional" John Meehan, com a empresária Debra Newell. Debra é uma mulher bem sucedida profissionalmente, mas com uma vida amorosa completamente fracassada. Carente e insegura, ela se torna uma presa fácil para John depois de um encontro marcado, veja só, pela internet! Com seu charme e sedução, John vai tomando conta da vida de Debra e é, justamente, esse o elemento que mais atrapalha e transforma a série em apenas um bom entretenimento. Confira o trailer:

As consequências do relacionamento abusivo e conturbado dos personagens são apresentados muito rapidamente, ou seja, nem bem nos envolvemos com o personagem do John e já definimos que ele é um canalha. O roteiro não nos coloca no papel da ótima Connie Britton, pois em nenhum momento temos a impressão que ele pode ser apenas um cara mal interpretado. O grande mérito de "American Crime Story", por exemplo, é sempre mostrar os dois lados e isso nos gera dúvidas ou até incredulidade em alguns momentos: O. J. Simpson era um monstro assassino ou um bode expiatório resultado de um ambiente conturbado pelas disputas raciais que os EUA vivia na época? John, nunca é tratado como um inocente pelo roteiro e isso é rotular demais o personagem. O próprio Eric Bana também não ajuda muito nesse processo - ele é muito canastrão, sem carisma e limitado demais para construir um personagem tão sedutor e cheio de camadas como o John deveria ser pra ter enganado tanta mulher inteligente e bem sucedida. A própria estrutura narrativa também começa a derrapar depois do 4º ou 5º episódio: ela se torna confusa demais com a construção do passado do John que simplesmente "cai de paraquedas" no episódio. Quando terminei série, tive a percepção que não existe uma linha narrativa convincente que justifique os 8 episódios - talvez por ser uma adaptação de um podcast, isso tenha se tornado um complicador. Não sei, em muitos momentos me pareceu arrastado demais!

O fato é que Dirty John nasceu para ser uma minissérie, mas se fez dela uma série que poderia ser muito melhor do que é! Não é ruim, de verdade... mas poderia ser melhor! Se você gostou de "American Crime Story" e até de "Você", é possível que se divirta com a série, mesmo com todas essas limitações criativas. É um entretenimento razoável de um gênero que está em alta na Netflix e que faz muito sucesso com a audiência!

Ah, uma segunda temporada já está confirmada e pelo que apurei deve mostrar um outro caso do próprio John que não, necessariamente, tenha a ver com a primeira temporada, criando assim uma contextualização mais antológica para o projeto. Vamos esperar!!!

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Invocação do Mal 3

"Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio" é um ótimo exemplo de filme que vai do céu ao inferno de acordo com a expectativa de quem assiste. Para nós, que trouxemos a informação sobre as estratégias de criação desse capítulo da franquia, que passou a utilizar elementos de "true crime" na história com o intuito de trazer para realidade situações que soam fantasiosas para os descrentes (mesmo com o aviso de "baseado em fatos reais"), a experiência foi das melhores! Um perfeito equilíbrio entre o suspense sobrenatural e o drama investigativo, bem ao estilo do recente "Outsider" da mesma HBO (e que inexplicavelmente não está disponível na nova plataforma HBO Max).

O filme segue contando a história dos investigadores de atividades paranormais Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga). Desta vez, o casal precisa investigar o caso de Arne Johnson (Ruairi O’Conner), que alega ter tido uma possessão demoníaca no momento em que assassinava um colega. Embora soe como uma desculpa das mais esfarrapadas, o contexto em que Arne estava envolvido colaborava para a tese de que ele não estava mentindo, afinal ele havia participado de um ritual de exorcismo de David Glatzel, irmão mais novo de sua namorada, pouco tempo antes de cometer o crime. Confira o trailer:

Michael Chaves foi o responsável "Invocação do Mal 3" seguindo a estratégia de James Wan de ampliar suas franquias e criar universos que possam caminhar sozinhos, independente da sua participação no projeto - nesse caso, para Chaves, é o segundo filme após uma estreia um tanto quanto morna em “A Maldição da Chorona”. Pois bem, embora não prejudique a experiência de quem assiste (e de quem conhece a franquia), o diretor não inova na narrativa e muito menos no conceito visual - é como se ele seguisse a cartilha de Wan, mas sem aquele enorme talento e capacidade técnica. Ao apresentar o exorcismo de David Glatzel (Julian Hilliard), Chaves entrega uma bom prólogo, que conta com uma ambientação bem trabalhada, com objetos voando, ventania dentro de casa, uma verdadeira imersão que coloca quem assiste no ponto certo para o que vem a seguir, porém o ritmo muda daí para frente - e é quando as pessoas com a alta expectativa criada, se decepcionam.

Veja, "Invocação do Mal 3" não é um filme de exorcismo ou com um monstro ou entidade sobrenatural como vilão (igual a Freira ou o Homem-Torto, para seguir no mesmo universo). Nesse caso estamos falando de um filme de investigação onde o principal objetivo é provar que houve, de fato, possessão demoníaca durante um real crime de assassinato! É claro que os elementos de suspense e ocultismo estão presentes no roteiro de David Leslie Johnson (de "A Órfã"), que existem conexões interessantes com bruxaria e rituais (tão bem aceitos pelo público em projetos documentais como "Os Filhos de Sam"), mas o conflito aqui é muito mais dramático do que de ação - naturalmente o ritmo é um pouco mais cadenciado em relação aos filmes anteriores da franquia, mas isso não o torna ruim! O filme é muito bom!

"Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio" deve ser considerado o filme menos assustador da franquia, mas continua sendo muito bom tecnicamente e ainda acima das demais produções de terror e suspense recentes. Patrick Wilson e Vera Farmiga são a grande sustentação dessa estratégia mais "true crime" da história e mesmo soando um pouco desgastados com seus personagens (e a cena final do filme comprova essa tese, colocando quase tudo a perder), ambos funcionam muito bem juntos. Eu diria que esse filme é o mais equilibrado da franquia, com uma gramática cinematográfica mais madura no sentido mais técnico da construção da história - e isso vai decepcionar alguns, mas definitivamente não foi nosso caso. Indico!

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"Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio" é um ótimo exemplo de filme que vai do céu ao inferno de acordo com a expectativa de quem assiste. Para nós, que trouxemos a informação sobre as estratégias de criação desse capítulo da franquia, que passou a utilizar elementos de "true crime" na história com o intuito de trazer para realidade situações que soam fantasiosas para os descrentes (mesmo com o aviso de "baseado em fatos reais"), a experiência foi das melhores! Um perfeito equilíbrio entre o suspense sobrenatural e o drama investigativo, bem ao estilo do recente "Outsider" da mesma HBO (e que inexplicavelmente não está disponível na nova plataforma HBO Max).

O filme segue contando a história dos investigadores de atividades paranormais Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga). Desta vez, o casal precisa investigar o caso de Arne Johnson (Ruairi O’Conner), que alega ter tido uma possessão demoníaca no momento em que assassinava um colega. Embora soe como uma desculpa das mais esfarrapadas, o contexto em que Arne estava envolvido colaborava para a tese de que ele não estava mentindo, afinal ele havia participado de um ritual de exorcismo de David Glatzel, irmão mais novo de sua namorada, pouco tempo antes de cometer o crime. Confira o trailer:

Michael Chaves foi o responsável "Invocação do Mal 3" seguindo a estratégia de James Wan de ampliar suas franquias e criar universos que possam caminhar sozinhos, independente da sua participação no projeto - nesse caso, para Chaves, é o segundo filme após uma estreia um tanto quanto morna em “A Maldição da Chorona”. Pois bem, embora não prejudique a experiência de quem assiste (e de quem conhece a franquia), o diretor não inova na narrativa e muito menos no conceito visual - é como se ele seguisse a cartilha de Wan, mas sem aquele enorme talento e capacidade técnica. Ao apresentar o exorcismo de David Glatzel (Julian Hilliard), Chaves entrega uma bom prólogo, que conta com uma ambientação bem trabalhada, com objetos voando, ventania dentro de casa, uma verdadeira imersão que coloca quem assiste no ponto certo para o que vem a seguir, porém o ritmo muda daí para frente - e é quando as pessoas com a alta expectativa criada, se decepcionam.

Veja, "Invocação do Mal 3" não é um filme de exorcismo ou com um monstro ou entidade sobrenatural como vilão (igual a Freira ou o Homem-Torto, para seguir no mesmo universo). Nesse caso estamos falando de um filme de investigação onde o principal objetivo é provar que houve, de fato, possessão demoníaca durante um real crime de assassinato! É claro que os elementos de suspense e ocultismo estão presentes no roteiro de David Leslie Johnson (de "A Órfã"), que existem conexões interessantes com bruxaria e rituais (tão bem aceitos pelo público em projetos documentais como "Os Filhos de Sam"), mas o conflito aqui é muito mais dramático do que de ação - naturalmente o ritmo é um pouco mais cadenciado em relação aos filmes anteriores da franquia, mas isso não o torna ruim! O filme é muito bom!

"Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio" deve ser considerado o filme menos assustador da franquia, mas continua sendo muito bom tecnicamente e ainda acima das demais produções de terror e suspense recentes. Patrick Wilson e Vera Farmiga são a grande sustentação dessa estratégia mais "true crime" da história e mesmo soando um pouco desgastados com seus personagens (e a cena final do filme comprova essa tese, colocando quase tudo a perder), ambos funcionam muito bem juntos. Eu diria que esse filme é o mais equilibrado da franquia, com uma gramática cinematográfica mais madura no sentido mais técnico da construção da história - e isso vai decepcionar alguns, mas definitivamente não foi nosso caso. Indico!

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O Desaparecimento de Madeleine McCann

De cara eu já te digo:  "O Desaparecimento de Madeleine McCann" é viciante!!! A série de 8 episódios, com 50 minutos em média, conta, em detalhes, tudo o que envolveu a investigação sobre o sumiço da garotinha inglesa Madeleine em Portugal.

Mas antes das minhas impressões, vamos entender o que aconteceu: um casal de médicos ingleses viaja para um Resort, em uma linda praia de Portugal, com um grupo de amigos e seus respectivos filhos pequenos. Todos se divertem muito no verão europeu até que um dia resolvem sair para jantar e deixam as crianças no quarto dormindo. Como o restaurante ficava no mesmo complexo e era bem próximo aos quartos, tudo parecia normal, tranquilo, seguro - além do que, a cada 30 minutos ia alguém dar aquela espiada para ver se estava tudo certo com as crianças. Bom, por volta das 22:00, a mãe de Madeleine vai até o quarto e percebe que sua filha não está mais lá, seus outros filhos (um casal de gêmeos) continuavam dormindo no mesmo quarto, mas Madeleine havia desaparecido do nada!  Começava ai um mobilização no hotel e seus hospedes em busca da menina desaparecida!!! Só por esse prólogo já dá para começar os julgamentos...rs, ou melhor, as perguntas: "Por que catso os pais deixaram as crianças sozinhas dormindo no quarto se o hotel disponibilizava um serviço de babá??? E é a partir dessa simples pergunta que começa a se desenrolar uma série de teorias (e conspirações) que fazem com que você não queira parar de assistir a série!!!

O diretor Chris Smith (o mesmo de Fyre) conduz os episódios incitando questionamentos a todo momento. As teorias que criamos vão variando de acordo com os fatos que vão sendo apresentados pouco a pouco e isso é sensacional! A estrutra narrativa que ele constrói é quase que uma provocação com quem assiste - ele mistura depoimentos, com imagens de arquivo, com encenações, de maneira muito equilibrada e inteligente: a sensação é como se ele nos perguntasse a toda hora: O que você acha que aconteceu? Quem é o culpado? E, meu amigo, posso te garantir, a cada episódio você vai mudando de idéia!!!

O Desaparecimento de Madeleine McCann" é uma experiência muito interessante, já que a série tem o mérito de te colocar dentro da investigação, com uma certa dramaticidade (claro), mas sem aquela tendência de te influenciar logo de cara como fez ""Making a Murderer", por exemplo. A "dúvida" é, de fato, a protagonista da série. Agora, um fator precisa ser levado em consideração: diferente de "The Jinx", "Starcase" ou o do próprio "Making a Murderer", nessa série, a vítima tem a nossa empatia e isso muda tudo!!!! Outro elemento muito bem explorado, e que também apareceu no documentário da Amanda Knox, é o fato das diferenças culturais e sociais entre portugueses e ingleses interferirem ativamente na investigação e, importante, na cobertura do caso pela imprensa!!! É impressionante como a atmosfera criada ficou hostil!!! Como as particularidades de cada cultura transformou o caso em um grande circo - por isso minha brincadeira sobre os "julgamentos" no inicio do texto!!!

"O Desaparecimento de Madeleine McCann" é um ótimo entretenimento, que vai te fazer refletir, que vai te tocar emocionalmente em vários momentos (principalmente se você tiver filhos) e que vai te provocar em cada episódio!!! Se você gosta de séries investigativas de ficção, é certo que essa série documental vai te conquistar. Para mim, tão boa quanto "O.J. Made in America" que ganhou o Oscar há dois anos atrás!!!

Vale muito o play!!!!

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De cara eu já te digo:  "O Desaparecimento de Madeleine McCann" é viciante!!! A série de 8 episódios, com 50 minutos em média, conta, em detalhes, tudo o que envolveu a investigação sobre o sumiço da garotinha inglesa Madeleine em Portugal.

Mas antes das minhas impressões, vamos entender o que aconteceu: um casal de médicos ingleses viaja para um Resort, em uma linda praia de Portugal, com um grupo de amigos e seus respectivos filhos pequenos. Todos se divertem muito no verão europeu até que um dia resolvem sair para jantar e deixam as crianças no quarto dormindo. Como o restaurante ficava no mesmo complexo e era bem próximo aos quartos, tudo parecia normal, tranquilo, seguro - além do que, a cada 30 minutos ia alguém dar aquela espiada para ver se estava tudo certo com as crianças. Bom, por volta das 22:00, a mãe de Madeleine vai até o quarto e percebe que sua filha não está mais lá, seus outros filhos (um casal de gêmeos) continuavam dormindo no mesmo quarto, mas Madeleine havia desaparecido do nada!  Começava ai um mobilização no hotel e seus hospedes em busca da menina desaparecida!!! Só por esse prólogo já dá para começar os julgamentos...rs, ou melhor, as perguntas: "Por que catso os pais deixaram as crianças sozinhas dormindo no quarto se o hotel disponibilizava um serviço de babá??? E é a partir dessa simples pergunta que começa a se desenrolar uma série de teorias (e conspirações) que fazem com que você não queira parar de assistir a série!!!

O diretor Chris Smith (o mesmo de Fyre) conduz os episódios incitando questionamentos a todo momento. As teorias que criamos vão variando de acordo com os fatos que vão sendo apresentados pouco a pouco e isso é sensacional! A estrutra narrativa que ele constrói é quase que uma provocação com quem assiste - ele mistura depoimentos, com imagens de arquivo, com encenações, de maneira muito equilibrada e inteligente: a sensação é como se ele nos perguntasse a toda hora: O que você acha que aconteceu? Quem é o culpado? E, meu amigo, posso te garantir, a cada episódio você vai mudando de idéia!!!

O Desaparecimento de Madeleine McCann" é uma experiência muito interessante, já que a série tem o mérito de te colocar dentro da investigação, com uma certa dramaticidade (claro), mas sem aquela tendência de te influenciar logo de cara como fez ""Making a Murderer", por exemplo. A "dúvida" é, de fato, a protagonista da série. Agora, um fator precisa ser levado em consideração: diferente de "The Jinx", "Starcase" ou o do próprio "Making a Murderer", nessa série, a vítima tem a nossa empatia e isso muda tudo!!!! Outro elemento muito bem explorado, e que também apareceu no documentário da Amanda Knox, é o fato das diferenças culturais e sociais entre portugueses e ingleses interferirem ativamente na investigação e, importante, na cobertura do caso pela imprensa!!! É impressionante como a atmosfera criada ficou hostil!!! Como as particularidades de cada cultura transformou o caso em um grande circo - por isso minha brincadeira sobre os "julgamentos" no inicio do texto!!!

"O Desaparecimento de Madeleine McCann" é um ótimo entretenimento, que vai te fazer refletir, que vai te tocar emocionalmente em vários momentos (principalmente se você tiver filhos) e que vai te provocar em cada episódio!!! Se você gosta de séries investigativas de ficção, é certo que essa série documental vai te conquistar. Para mim, tão boa quanto "O.J. Made in America" que ganhou o Oscar há dois anos atrás!!!

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3096 Dias

Esse filme é perturbador! "3096 Dias" (que depois ganhou um complemento no título, ficando "3096 Dias de Cativeiro") não alivia na sua narrativa - uma característica muito marcante do cinema alemão inclusive, mesmo tendo uma diretora americana no comando - Sherry Hormann. Se você assistiu a excelente série documental "O Desaparecimento de Madeleine McCann", fica impossível não conectar as histórias, porém, dessa vez, sob o ponto de vista da vítima - o que traz sentimentos e sensações nada agradáveis, transformando essa experiência em uma jornada bem indigesta.

"3096 Dias" é uma adaptação do livro autobiográfico da austríaca Natascha Kampusch e conta a história de um dos mais brutais casos de sequestro já reportados pela mídia: em 2 de março de 1998, aos 10 anos de idade, Natascha (Amelia Pidgeon e depois Antonia Campbell-Hughes) foi capturada por um homem, Wolfgang Priklopil (Thure Lindhardt), que a manteve em cativeiro por mais de oito anos – ou 3096 dias, precisamente. Confira o trailer:

Outra referência que logo vem a cabeça é o ótimo "O Quarto de Jack", filme de 2015 com Brie Larson e Jacob Tremblay. Acontece que nessa produção alemã, a história não "romantiza" a situação, ela simplesmente expõe os horrores do cativeiro e de ter que se relacionar tanto tempo com um psicopata. Um dos méritos de Ruth Toma, roteirista do filme, foi capturar os momentos mais críticos dessa experiência e transformar em uma narrativa que usa e abusa da expectativa para nos manter grudados na tela. A diretora Sherry Hormann impõe um conceito muito autoral ao filme, trabalhando a narrativa sem se preocupar em dar todas as respostas ou motivações para cada ação - o que traz um caráter independente muito interessante para o filme. A ideia, aliás, é justamente criar uma espécie de confusão com o passar do tempo - algo muito claro e palpável por se tratar de uma história real que foi pautada em anos de abuso psicológico e sexual.

A criação da ambientação é sensacional. O cenário que reconstrói o porão (ou melhor, o cubículo) em que Natascha ficou presa por tanto tempo já ajuda a entender a mente doentia de Wolfgang - saber que ele construiu o local com as próprias mãos, pensando no difícil acesso, em ser um lugar sem janelas, sem cama e sem acesso as condições básicas de higiene, incomoda demais. O desenho de som também merece ser mencionado: reparem que em determinado momento do filme, só de escutar a porta que dá acesso ao porão sendo aberta, já nos causa uma péssima sensação. Outro detalhe: em muitos momentos o silêncio estará tão presente que chegamos a escutar o coração de Natascha batendo, bem ao fundo, quase imperceptível - é um grande trabalho de sonorização.

O elenco também está incrível, mas a última cena da Amelia Pidgeon (a Natascha criança) é de cortar o coração - um monólogo digno de aplausos. O trabalho corporal de Antonia Campbell-Hughes, transformando sua personagem em uma adolescente esquálida e sem vida é impressionante - prestem atenção no olhar e em como ela também se relaciona com todas as oportunidades de sair daquela situação: seja fugindo, se matando, esfaqueando o Wolfgang, etc. O trabalho de Campbell-Hughes me lembrou muito a performance premiada de Shira Haas em "Nada Ortodoxa". Obviamente que Thure Lindhardt está sensacional como Wolfgang Priklopil, principalmente quando passa a expor os problemas de sexualidade do personagem: seja em um ataque de pânico silencioso em uma boate ou até quando obriga Natascha usar cuecas e andar sem camisa em casa, como se fosse um garoto.

"3096 Dias", deixando um pouco de lado sua relação e fidelidade com um livro rico em detalhes, é possível afirmar que o filme entrega o que promete e com louvor: não é fácil adaptar uma obra como essa, com uma uma linha cronológica tão extensa e importante, ainda retratar uma história real tão marcante e complexa, repleta de frieza e crueldade. Olha, é um retrato do que existe de pior no ser humano doente e covarde!

Vale muito o seu play!

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Esse filme é perturbador! "3096 Dias" (que depois ganhou um complemento no título, ficando "3096 Dias de Cativeiro") não alivia na sua narrativa - uma característica muito marcante do cinema alemão inclusive, mesmo tendo uma diretora americana no comando - Sherry Hormann. Se você assistiu a excelente série documental "O Desaparecimento de Madeleine McCann", fica impossível não conectar as histórias, porém, dessa vez, sob o ponto de vista da vítima - o que traz sentimentos e sensações nada agradáveis, transformando essa experiência em uma jornada bem indigesta.

"3096 Dias" é uma adaptação do livro autobiográfico da austríaca Natascha Kampusch e conta a história de um dos mais brutais casos de sequestro já reportados pela mídia: em 2 de março de 1998, aos 10 anos de idade, Natascha (Amelia Pidgeon e depois Antonia Campbell-Hughes) foi capturada por um homem, Wolfgang Priklopil (Thure Lindhardt), que a manteve em cativeiro por mais de oito anos – ou 3096 dias, precisamente. Confira o trailer:

Outra referência que logo vem a cabeça é o ótimo "O Quarto de Jack", filme de 2015 com Brie Larson e Jacob Tremblay. Acontece que nessa produção alemã, a história não "romantiza" a situação, ela simplesmente expõe os horrores do cativeiro e de ter que se relacionar tanto tempo com um psicopata. Um dos méritos de Ruth Toma, roteirista do filme, foi capturar os momentos mais críticos dessa experiência e transformar em uma narrativa que usa e abusa da expectativa para nos manter grudados na tela. A diretora Sherry Hormann impõe um conceito muito autoral ao filme, trabalhando a narrativa sem se preocupar em dar todas as respostas ou motivações para cada ação - o que traz um caráter independente muito interessante para o filme. A ideia, aliás, é justamente criar uma espécie de confusão com o passar do tempo - algo muito claro e palpável por se tratar de uma história real que foi pautada em anos de abuso psicológico e sexual.

A criação da ambientação é sensacional. O cenário que reconstrói o porão (ou melhor, o cubículo) em que Natascha ficou presa por tanto tempo já ajuda a entender a mente doentia de Wolfgang - saber que ele construiu o local com as próprias mãos, pensando no difícil acesso, em ser um lugar sem janelas, sem cama e sem acesso as condições básicas de higiene, incomoda demais. O desenho de som também merece ser mencionado: reparem que em determinado momento do filme, só de escutar a porta que dá acesso ao porão sendo aberta, já nos causa uma péssima sensação. Outro detalhe: em muitos momentos o silêncio estará tão presente que chegamos a escutar o coração de Natascha batendo, bem ao fundo, quase imperceptível - é um grande trabalho de sonorização.

O elenco também está incrível, mas a última cena da Amelia Pidgeon (a Natascha criança) é de cortar o coração - um monólogo digno de aplausos. O trabalho corporal de Antonia Campbell-Hughes, transformando sua personagem em uma adolescente esquálida e sem vida é impressionante - prestem atenção no olhar e em como ela também se relaciona com todas as oportunidades de sair daquela situação: seja fugindo, se matando, esfaqueando o Wolfgang, etc. O trabalho de Campbell-Hughes me lembrou muito a performance premiada de Shira Haas em "Nada Ortodoxa". Obviamente que Thure Lindhardt está sensacional como Wolfgang Priklopil, principalmente quando passa a expor os problemas de sexualidade do personagem: seja em um ataque de pânico silencioso em uma boate ou até quando obriga Natascha usar cuecas e andar sem camisa em casa, como se fosse um garoto.

"3096 Dias", deixando um pouco de lado sua relação e fidelidade com um livro rico em detalhes, é possível afirmar que o filme entrega o que promete e com louvor: não é fácil adaptar uma obra como essa, com uma uma linha cronológica tão extensa e importante, ainda retratar uma história real tão marcante e complexa, repleta de frieza e crueldade. Olha, é um retrato do que existe de pior no ser humano doente e covarde!

Vale muito o seu play!

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A Caça

A Caça

Criança não mente! Será?

Essa é apenas uma das polêmicas abordadas pelo excelente drama dinamarquês "A Caça" - o filme rendeu para Mads Mikkelsen o prêmio de Melhor Ator no festival de Cannes em 2012 e o credenciou para protagonizar a incrível série "Hannibal". Além disso, "Jagten" (título original) concorreu ao Globo de Ouro, ao Batfa e ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2014.

Na trama, Lucas é um homem recém-divorciado que tenta se reerguer no novo emprego em uma escola infantil, mas sua sorte começa a mudar quando Klara (Annika Wedderkopp), filha do seu melhor amigo Marcus (Lasse Fogelstrøm), inventa uma mentira impiedosa com graves consequências, após ela não ter dele a atenção que queria. Antes que Lucas tenha a real dimensão do que está acontecendo, ele se torna o Inimigo número 1 da cidade e enfrenta a hostilidade de todos ao redor, correndo o risco de não conseguir provar sua inocência. Confira o trailer:


Traçando um paralelo entre os acontecimentos do filme e o momento em que vivemos, é inevitável concluir que o "cancelamento sempre existiu" - mesmo antes da internet. Se você mora ou já morou em cidade pequena, sabe bem disso. Uma pessoa "supostamente" tem uma atitude questionável, a notícia se espalha, o julgamento popular é imediato e dá início a um processo de "assassinato de reputação", que muitas vezes é irreversível - mesmo após provado que tudo não passava de boato ou engano. É exatamente o mesmo mecanismo do cancelamento da internet, que se diferencia somente pela velocidade e escala em que acontece. Nota-se, também, o poder do senso comum na sociedade: instantaneamente, as pessoas acreditam que “criança não mente” e que “se falam e voltam atrás, é porque criaram trauma ou medo”. Sabemos que isso é o que realmente acontece na grande maioria dos casos, mas os "canceladores" ignoram o benefício da dúvida e as autoridades legais, antecipando o julgamento.

Dirigido pelo excelente Thomas Vinterberg (de "Kursk - A Última Missão" e do também indicado ao Oscar, "Druk - Mais Uma Rodada") e com roteiro de Tobias Lindholm,  "A Caça" constrói com maestria um clima crescente de suspense e o final nos mostra a amplitude semântica da palavra "sequelas". A última cena, especialmente, não poderia justificar melhor o título desse filme que é simplesmente imperdível!

Escrito por Ricelli Ribeiro - uma parceria @dicastreaming 

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Criança não mente! Será?

Essa é apenas uma das polêmicas abordadas pelo excelente drama dinamarquês "A Caça" - o filme rendeu para Mads Mikkelsen o prêmio de Melhor Ator no festival de Cannes em 2012 e o credenciou para protagonizar a incrível série "Hannibal". Além disso, "Jagten" (título original) concorreu ao Globo de Ouro, ao Batfa e ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2014.

Na trama, Lucas é um homem recém-divorciado que tenta se reerguer no novo emprego em uma escola infantil, mas sua sorte começa a mudar quando Klara (Annika Wedderkopp), filha do seu melhor amigo Marcus (Lasse Fogelstrøm), inventa uma mentira impiedosa com graves consequências, após ela não ter dele a atenção que queria. Antes que Lucas tenha a real dimensão do que está acontecendo, ele se torna o Inimigo número 1 da cidade e enfrenta a hostilidade de todos ao redor, correndo o risco de não conseguir provar sua inocência. Confira o trailer:


Traçando um paralelo entre os acontecimentos do filme e o momento em que vivemos, é inevitável concluir que o "cancelamento sempre existiu" - mesmo antes da internet. Se você mora ou já morou em cidade pequena, sabe bem disso. Uma pessoa "supostamente" tem uma atitude questionável, a notícia se espalha, o julgamento popular é imediato e dá início a um processo de "assassinato de reputação", que muitas vezes é irreversível - mesmo após provado que tudo não passava de boato ou engano. É exatamente o mesmo mecanismo do cancelamento da internet, que se diferencia somente pela velocidade e escala em que acontece. Nota-se, também, o poder do senso comum na sociedade: instantaneamente, as pessoas acreditam que “criança não mente” e que “se falam e voltam atrás, é porque criaram trauma ou medo”. Sabemos que isso é o que realmente acontece na grande maioria dos casos, mas os "canceladores" ignoram o benefício da dúvida e as autoridades legais, antecipando o julgamento.

Dirigido pelo excelente Thomas Vinterberg (de "Kursk - A Última Missão" e do também indicado ao Oscar, "Druk - Mais Uma Rodada") e com roteiro de Tobias Lindholm,  "A Caça" constrói com maestria um clima crescente de suspense e o final nos mostra a amplitude semântica da palavra "sequelas". A última cena, especialmente, não poderia justificar melhor o título desse filme que é simplesmente imperdível!

Escrito por Ricelli Ribeiro - uma parceria @dicastreaming 

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A Casa que Jack Construiu

Lars Von Trier (de "Melancolia") nos presenteia com algo insano e incandescente. Uma aula de como desenvolver personagens complexos, metáforas imponentes e um roteiro genial!

Um dia, durante um encontro fortuito na estrada, o arquiteto Jack (Matt Dillon) mata uma mulher. Este evento provoca um prazer inesperado no personagem, que passa a assassinar dezenas de pessoas ao longo de doze anos. Devido ao descaso das autoridades e a indiferença dos habitantes locais, o criminoso não encontra dificuldade em planejar seus crimes, executa-los ao olhar de todos e guardar os cadáveres num grande frigorífico. Tempos mais tarde, ele compartilha os seus casos mais marcantes com o sábio Virgílio (Bruno Ganz) em uma jornada rumo ao inferno. Confira o trailer:

Indubitavelmente Lars Von Trier nos choca! Uma mente doentia? Um gênio incompreendido? Talvez seja a mistura dos dois, porém, não podemos ter a audácia de mencionar que ele não engrandece o cinema em geral - esqueça seus escândalos pessoais, estou focando no artista, e com esse foco, ele figura na prateleira de cima dos diretores deste século. Sempre será um desperdício encararmos qualquer filme de Von Trier com uma mente fechada, objetiva e crua. O alcance mensurado por suas hipérboles sistemáticas conceituais sobre religião, credo e cor nos inflamam e nos causam estranheza e repúdio, no entanto, se olharmos com olhos de libertação ou até, uma libertinagem utópica, talvez a compreensão de seus filmes passam a ser mais “mastigáveis” para o grande público.

O modo com que Lars molda essa narrativa é grosseiramente genial. O clímax imposto em cada passagem de incidentes, é fluida e intrigante. A maneira como é diluída o tesão no âmago do protagonista psicopata que usa e abusa de diálogos efervescentes e metáforas distópicas, com o único e belo intuito de colecionar corpos, é instigante e soberbo. A violência gráfica é essencial, observamos que o diretor não quer nos chocar, e sim passar a mensagem de que o mundo caminha para o limbo social - o nocivo está presente em cada canto, no entanto, sua perceptividade em demonstrar as fraquezas do protagonista, aproximando ele da audiência, nos causa medo, e esse receio não é deferido pelas atrocidades mostradas, e sim por não sabermos quem é quem no mundo de hoje, não há nada mais aterrorizante do que não saber em quem confiar, a maldade pode estar ao seu lado.

Mas o mal tem cura? O desejo de esfolar, decapitar, estrangular é subversivo? Nascemos com isso ou vamos lapidando esse ódio continuo sobre o próximo com o passar do tempo? Lars Von Trier usa a arte como ponto de ebulição. O mal é derivado desse ostracismo artístico. O diretor nos presenteia com um filme asqueroso, impactante, lindo e reflexivo. Afinal, o inferno é alcançado após a morte ou já estamos nele? Assistam, é uma viagem existencial, quase espectral, até a podridão humana!

Um serial Killer com traços normais. Você conseguiria reconhecer um assassino em série? Eu aposto que não! "A Casa que Jack Construiu" é uma obra-prima!

Escrito por Bruno Overbeck - uma parceria @overcinee

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Lars Von Trier (de "Melancolia") nos presenteia com algo insano e incandescente. Uma aula de como desenvolver personagens complexos, metáforas imponentes e um roteiro genial!

Um dia, durante um encontro fortuito na estrada, o arquiteto Jack (Matt Dillon) mata uma mulher. Este evento provoca um prazer inesperado no personagem, que passa a assassinar dezenas de pessoas ao longo de doze anos. Devido ao descaso das autoridades e a indiferença dos habitantes locais, o criminoso não encontra dificuldade em planejar seus crimes, executa-los ao olhar de todos e guardar os cadáveres num grande frigorífico. Tempos mais tarde, ele compartilha os seus casos mais marcantes com o sábio Virgílio (Bruno Ganz) em uma jornada rumo ao inferno. Confira o trailer:

Indubitavelmente Lars Von Trier nos choca! Uma mente doentia? Um gênio incompreendido? Talvez seja a mistura dos dois, porém, não podemos ter a audácia de mencionar que ele não engrandece o cinema em geral - esqueça seus escândalos pessoais, estou focando no artista, e com esse foco, ele figura na prateleira de cima dos diretores deste século. Sempre será um desperdício encararmos qualquer filme de Von Trier com uma mente fechada, objetiva e crua. O alcance mensurado por suas hipérboles sistemáticas conceituais sobre religião, credo e cor nos inflamam e nos causam estranheza e repúdio, no entanto, se olharmos com olhos de libertação ou até, uma libertinagem utópica, talvez a compreensão de seus filmes passam a ser mais “mastigáveis” para o grande público.

O modo com que Lars molda essa narrativa é grosseiramente genial. O clímax imposto em cada passagem de incidentes, é fluida e intrigante. A maneira como é diluída o tesão no âmago do protagonista psicopata que usa e abusa de diálogos efervescentes e metáforas distópicas, com o único e belo intuito de colecionar corpos, é instigante e soberbo. A violência gráfica é essencial, observamos que o diretor não quer nos chocar, e sim passar a mensagem de que o mundo caminha para o limbo social - o nocivo está presente em cada canto, no entanto, sua perceptividade em demonstrar as fraquezas do protagonista, aproximando ele da audiência, nos causa medo, e esse receio não é deferido pelas atrocidades mostradas, e sim por não sabermos quem é quem no mundo de hoje, não há nada mais aterrorizante do que não saber em quem confiar, a maldade pode estar ao seu lado.

Mas o mal tem cura? O desejo de esfolar, decapitar, estrangular é subversivo? Nascemos com isso ou vamos lapidando esse ódio continuo sobre o próximo com o passar do tempo? Lars Von Trier usa a arte como ponto de ebulição. O mal é derivado desse ostracismo artístico. O diretor nos presenteia com um filme asqueroso, impactante, lindo e reflexivo. Afinal, o inferno é alcançado após a morte ou já estamos nele? Assistam, é uma viagem existencial, quase espectral, até a podridão humana!

Um serial Killer com traços normais. Você conseguiria reconhecer um assassino em série? Eu aposto que não! "A Casa que Jack Construiu" é uma obra-prima!

Escrito por Bruno Overbeck - uma parceria @overcinee

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A Escada

Quando assisti a minissérie documental da Netflix "The Staircase" em 2018 o subgênero de "true crime" ainda estava se estabelecendo em um mercado de streaming que ainda engatinhava. A Netflix surfava no grande sucesso de "Making a Murderer" e a HBO no surpreendente final de "The Jinx", porém existia um grande diferencial nessa nova narrativa: 80% dos episódios focavam no julgamento e nas estratégias de defesa de Michael Peterson, escritor americano suspeito de assassinar sua mulher Kathleen. A história, naquele momento já era incrível, porém quatro anos depois a HBO lança uma visão, em formato de ficção, um pouco mais intima sobre o caso, ampliando nossa percepção sobre os personagens envolvidos e nos trazendo informações que o documentário não teve como explorar - e te garanto: funciona demais!

"A Escada" acompanha Michael Peterson (Colin Firth), um famoso escritor de suspense criminal acusado de assassinar brutalmente a própria esposa, Kathleen Peterson (Toni Collette). No ano de 2001, Peterson ligou para a polícia avisando que sua mulher havia sofrido um acidente, caindo da escada enquanto estava bêbada. Mas as investigações constataram que ela foi espancada até a morte e que ele mudou a cena do crime para criar a imagem de um acidente doméstico. Com a exposição na mídia, vários segredos de família foram desenterrados, incluindo a possibilidade de infidelidade, e a cada nova informação o público foi descobrindo que o casamento de Michael e Kathleen estava longe de ser perfeito. Rapidamente, Michael se tornou o único suspeito do crime e acabou sentenciado a vários anos de prisão. Ele lutou na justiça ferozmente por anos para provar sua inocência, mas todas as peças do crime apontava para sua culpa. Confira o trailer:

Criada e dirigida pelo americano Antonio Campos (de "The Sinner" e "O diabo de cada dia") a minissérie da HBO acerta ao contar essa história pela perspectiva de quem a tornou um sucesso - o diretor do documentário da Netflix, Jean-Xavier de Lestrade. Lançado originalmente em 2004 e ganhando novas imagens entre 2013 e 2018 quando o documentário saiu de 8 horas de material para mais de 13 horas, o registro feito por Lestrade foi além de um fator de admiração para Campos, como virou parte da história de Michael Peterson. O fascínio do diretor pelo caso fez com que ele usasse dessa fonte riquíssima para dramatizar toda a história, com uma abordagem mais imparcial e oferecendo um olhar inédito para a todas as dúvidas que o documentário não conseguiu responder.

A imparcialidade, aliás, é um dos trunfos de "A Escada", pois a cada dois episódios, sempre no seu final, assistimos o que aconteceu na noite do crime sob a perspectiva de uma versão específica. São basicamente 4 versões que ilustram todas as dúvidas e certezas dos envolvidos nos bastidores do julgamento de Michael Peterson. Essa dinâmica narrativa imposta por Campos é tão fascinante quanto viciante - nossa ânsia por respostas refletem exatamente a atmosfera de tensão e angústia de toda sociedade de Durham, na Carolina do Norte (onde o suposto crime aconteceu).

O elenco é primoroso: Colin Firth e Toni Collette, indicados ao Emmy de 2022 pelas performances, estão exemplares. Mas também não poderia deixar de destacar o trabalho de Vincent Vermignon (como o diretor Jean-Xavier), Juliette Binoche (como a montadora do documentário, Sophie Broussard) e Michael Stuhlbarg (como o advogado David Rudolf). Outro destaque, sem dúvida, diz respeito a reconstrução daqueles cenários - mérito de Michael Shaw (de "Billions"). A montagem e a trilha sonora também são primorosas. Graças a qualidade de todos esses elementos, em muitos momentos temos a exata impressão que as imagens saíram do documentário de Jean-Xavier com uma veracidade que a ficção seria incapaz de reproduzir!

Dito isso, fica fácil afirmar: essa é uma das melhores minisséries de 2022 e se você gosta de "American Crime Story", certamente vai se apaixonar por "A Escada", pois o conceito narrativo é basicamente o mesmo, porém com o selo adicional de qualidade HBO! Vale muito o seu play!

PS: a título de recomendação, assista a minissérie documental "The Staircase" da Neflix antes do play em "A Escada"!

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Quando assisti a minissérie documental da Netflix "The Staircase" em 2018 o subgênero de "true crime" ainda estava se estabelecendo em um mercado de streaming que ainda engatinhava. A Netflix surfava no grande sucesso de "Making a Murderer" e a HBO no surpreendente final de "The Jinx", porém existia um grande diferencial nessa nova narrativa: 80% dos episódios focavam no julgamento e nas estratégias de defesa de Michael Peterson, escritor americano suspeito de assassinar sua mulher Kathleen. A história, naquele momento já era incrível, porém quatro anos depois a HBO lança uma visão, em formato de ficção, um pouco mais intima sobre o caso, ampliando nossa percepção sobre os personagens envolvidos e nos trazendo informações que o documentário não teve como explorar - e te garanto: funciona demais!

"A Escada" acompanha Michael Peterson (Colin Firth), um famoso escritor de suspense criminal acusado de assassinar brutalmente a própria esposa, Kathleen Peterson (Toni Collette). No ano de 2001, Peterson ligou para a polícia avisando que sua mulher havia sofrido um acidente, caindo da escada enquanto estava bêbada. Mas as investigações constataram que ela foi espancada até a morte e que ele mudou a cena do crime para criar a imagem de um acidente doméstico. Com a exposição na mídia, vários segredos de família foram desenterrados, incluindo a possibilidade de infidelidade, e a cada nova informação o público foi descobrindo que o casamento de Michael e Kathleen estava longe de ser perfeito. Rapidamente, Michael se tornou o único suspeito do crime e acabou sentenciado a vários anos de prisão. Ele lutou na justiça ferozmente por anos para provar sua inocência, mas todas as peças do crime apontava para sua culpa. Confira o trailer:

Criada e dirigida pelo americano Antonio Campos (de "The Sinner" e "O diabo de cada dia") a minissérie da HBO acerta ao contar essa história pela perspectiva de quem a tornou um sucesso - o diretor do documentário da Netflix, Jean-Xavier de Lestrade. Lançado originalmente em 2004 e ganhando novas imagens entre 2013 e 2018 quando o documentário saiu de 8 horas de material para mais de 13 horas, o registro feito por Lestrade foi além de um fator de admiração para Campos, como virou parte da história de Michael Peterson. O fascínio do diretor pelo caso fez com que ele usasse dessa fonte riquíssima para dramatizar toda a história, com uma abordagem mais imparcial e oferecendo um olhar inédito para a todas as dúvidas que o documentário não conseguiu responder.

A imparcialidade, aliás, é um dos trunfos de "A Escada", pois a cada dois episódios, sempre no seu final, assistimos o que aconteceu na noite do crime sob a perspectiva de uma versão específica. São basicamente 4 versões que ilustram todas as dúvidas e certezas dos envolvidos nos bastidores do julgamento de Michael Peterson. Essa dinâmica narrativa imposta por Campos é tão fascinante quanto viciante - nossa ânsia por respostas refletem exatamente a atmosfera de tensão e angústia de toda sociedade de Durham, na Carolina do Norte (onde o suposto crime aconteceu).

O elenco é primoroso: Colin Firth e Toni Collette, indicados ao Emmy de 2022 pelas performances, estão exemplares. Mas também não poderia deixar de destacar o trabalho de Vincent Vermignon (como o diretor Jean-Xavier), Juliette Binoche (como a montadora do documentário, Sophie Broussard) e Michael Stuhlbarg (como o advogado David Rudolf). Outro destaque, sem dúvida, diz respeito a reconstrução daqueles cenários - mérito de Michael Shaw (de "Billions"). A montagem e a trilha sonora também são primorosas. Graças a qualidade de todos esses elementos, em muitos momentos temos a exata impressão que as imagens saíram do documentário de Jean-Xavier com uma veracidade que a ficção seria incapaz de reproduzir!

Dito isso, fica fácil afirmar: essa é uma das melhores minisséries de 2022 e se você gosta de "American Crime Story", certamente vai se apaixonar por "A Escada", pois o conceito narrativo é basicamente o mesmo, porém com o selo adicional de qualidade HBO! Vale muito o seu play!

PS: a título de recomendação, assista a minissérie documental "The Staircase" da Neflix antes do play em "A Escada"!

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A Garota Desconhecida

Uma co-produção entre Bélgica e França, "La fille inconnue" (título original) foi indicado para a Palme d'Or em 2016 e conta a história de uma jovem médica chamada Jenny (Adèle Haenel), que certa noite resolve não atender ao interfone do consultório pois o horário de expediente já havia terminado. Acontece que na manhã seguinte, ela é informada pela polícia que uma garota não identificada foi encontrada morta próximo ao seu local de trabalho. Sentindo-se culpada, Jenny passa a acreditar que poderia ter salvado a vítima se tivesse atendido sua chamada e como uma forma de redenção (ou perdão), ela inicia sua busca incessante pela verdade sobre o ocorrido. Confira o trailer:

O roteiro é inteligente em discutir algumas questões morais baseado na necessidade da protagonista em diminuir o peso de uma responsabilidade que ela acredita ser sua, o fato de que a garota não teria morrido se ela tive agido diferente só fortalece dois elementos que regem suas ações em todo o filme e que nos convidam à reflexão: o poder da culpa e as escolhas que fazemos sem nem ao menos pensar nas consequências. O problema é que o mesmo roteiro que entrega um subtexto interessante, falha ao querer dar a mesma importância aos dramas paralelos, deixando com que um conceito narrativo bem elaborado se esvazie na superficialidade com que os irmãos Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, diretores e roteiristas, tratam seus personagens: os pais do estagiário de Jenny, Bryan (Louka Minnella), que tentam reatar o casamento e o trauma de Julien (Olivier Bonnaud) com o pai abusivo, são ótimos exemplos de tramas que não levam a lugar algum!

Embora simples, o filme é muito bem realizado, bem dirigido e tem uma fotografia bem peculiar (mérito de Alain Marcoen) e alinhada com o conceito estético marcante dos irmãos Dardenne, porém essa falta de foco, quase um emaranhado de sub-tramas sem muita conexão com o que realmente importa, prejudicam um pouco nossa percepção sobre o filme. Não que seja ruim, ele não é, mas ao assumir seu caráter independente, transformando algo que poderia ter a força de um thriller investigativo ao melhor estilo "Garota Exemplar" em algo muito mais conceitual, "A Garota Desconhecida" se torna interessante para um publico bastante nichado.

O assinante que se apegar a grife dos irmãos Dardenne: Jean-Pierre, de 65 anos, e Luc, de 62, ambos com duas Palmas de Ouro por "Rosetta" em 1999 e por "A Criança" em 2005 - além de mais de 50 prêmios nos maiores festivais de cinema do mundo e cujo maior sucesso recente foi "Dois Dias, uma Noite" com Marion Cotillard indicada ao Oscar de Melhor Atriz em 2015 por sua personagem no filme, certamente vai relevar muito do que comentei nesse review, mas para você que busca um filme de investigação ou até um drama melhor estruturado, mesmo que comercial, pode ter certeza que existem melhores opções no seu serviço de streaming!

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Uma co-produção entre Bélgica e França, "La fille inconnue" (título original) foi indicado para a Palme d'Or em 2016 e conta a história de uma jovem médica chamada Jenny (Adèle Haenel), que certa noite resolve não atender ao interfone do consultório pois o horário de expediente já havia terminado. Acontece que na manhã seguinte, ela é informada pela polícia que uma garota não identificada foi encontrada morta próximo ao seu local de trabalho. Sentindo-se culpada, Jenny passa a acreditar que poderia ter salvado a vítima se tivesse atendido sua chamada e como uma forma de redenção (ou perdão), ela inicia sua busca incessante pela verdade sobre o ocorrido. Confira o trailer:

O roteiro é inteligente em discutir algumas questões morais baseado na necessidade da protagonista em diminuir o peso de uma responsabilidade que ela acredita ser sua, o fato de que a garota não teria morrido se ela tive agido diferente só fortalece dois elementos que regem suas ações em todo o filme e que nos convidam à reflexão: o poder da culpa e as escolhas que fazemos sem nem ao menos pensar nas consequências. O problema é que o mesmo roteiro que entrega um subtexto interessante, falha ao querer dar a mesma importância aos dramas paralelos, deixando com que um conceito narrativo bem elaborado se esvazie na superficialidade com que os irmãos Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, diretores e roteiristas, tratam seus personagens: os pais do estagiário de Jenny, Bryan (Louka Minnella), que tentam reatar o casamento e o trauma de Julien (Olivier Bonnaud) com o pai abusivo, são ótimos exemplos de tramas que não levam a lugar algum!

Embora simples, o filme é muito bem realizado, bem dirigido e tem uma fotografia bem peculiar (mérito de Alain Marcoen) e alinhada com o conceito estético marcante dos irmãos Dardenne, porém essa falta de foco, quase um emaranhado de sub-tramas sem muita conexão com o que realmente importa, prejudicam um pouco nossa percepção sobre o filme. Não que seja ruim, ele não é, mas ao assumir seu caráter independente, transformando algo que poderia ter a força de um thriller investigativo ao melhor estilo "Garota Exemplar" em algo muito mais conceitual, "A Garota Desconhecida" se torna interessante para um publico bastante nichado.

O assinante que se apegar a grife dos irmãos Dardenne: Jean-Pierre, de 65 anos, e Luc, de 62, ambos com duas Palmas de Ouro por "Rosetta" em 1999 e por "A Criança" em 2005 - além de mais de 50 prêmios nos maiores festivais de cinema do mundo e cujo maior sucesso recente foi "Dois Dias, uma Noite" com Marion Cotillard indicada ao Oscar de Melhor Atriz em 2015 por sua personagem no filme, certamente vai relevar muito do que comentei nesse review, mas para você que busca um filme de investigação ou até um drama melhor estruturado, mesmo que comercial, pode ter certeza que existem melhores opções no seu serviço de streaming!

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A Mente do Assassino: Aaron Hernandez

"A Mente do Assassino: Aaron Hernandez" é mais um daqueles documentários que nos fazem refletir sobre a verdadeira condição humana como reflexo de uma sociedade doente, onde os valores são facilmente subvertidos e uma família desestruturada só colabora para essa quebra de confiança e afeto. Claro que existia uma patologia, a encefalopatia traumática crônica - uma doença que causa trauma cerebral em jogadores de futebol americano, resultado de concussões repetidas na cabeça e que merece nossa atenção; mas o fato é que alguns (ou a combinação) desses fatores transformaram um jovem jogador da NFL em um frio assassino! Aaron Hernandez já era uma realidade do esporte com pouco mais de 20 anos, jogava no New England Patriots com Tom Brady e ao lado de Rob Gronkowski, tinha acabado de jogar um Super Bowl onde, inclusive, marcou um Touchdown, tinha um contrato de 40 milhões de dólares garantidos, uma esposa e uma filha recém nascida! Tudo caminhava bem até que o corpo de Ortiz Lloyd é encontrado em North Attleboro, próximo a mansão de Aaron. Lloyd era namorado da irmã de sua esposa e foi só a investigação começar que o jogador  já foi preso graças as inúmeras evidências que o colocavam como principal suspeito!

A série da Netflix, destrincha essas evidências ao mesmo tempo em que reconstrói a caminhada esportiva e social de Aaron Hernandez até o dia do seu suicídio. São três episódios de uma hora, com uma dinâmica bastante interessante que não se propõem em inocentar o atleta e sim tentar descobrir as razões que o levaram a cometer o crime! Olha, se você gostou de "O.J.: Made in America", não perca tempo, dê o play porque você não vai se arrepender! Confira o trailer:

O diretor de "A Mente do Assassino: Aaron Hernandez" é Geno McDermott, o produtor responsável por "The Murder Tapes". Ele foi muito inteligente em construir uma narrativa fácil de acompanhar, até para quem não conhece muito dos bastidores do futebol americano. Desde a infância de Aaron Hernandez em Connecticut, passando pela escolha de estudar (e jogar) na Universidade da Flórida, até seus últimos dias no melhor time da NFL, o New England Patriots; a série estabelece uma linha temporal que, embora não seja tão linear, equilibra muito bem vida pessoal e esportiva com depoimentos de fãs, colegas de trabalho, familiares, jornalistas e advogados, com imagens do julgamento, de reportagens da época e até uma ou outra cena dramatizada - o fato é que o documentário poderia ser um filme de ficção tranquilamente de tão potente que é a história - a dinâmica e o storytelling construído estão perfeitos! Algumas fotografias, vídeos, imagens de vigilância e até alguns telefonemas gravados enquanto Aaron Hernandez estava na prisão ajudam a construir um personagem extremamente complexo e uma história surreal, que nos convida ao julgamento a cada nova informação - muito na linha do que aprendemos a amar com "Making a Murderer". 

"A Mente do Assassino:Aaron Hernandez" é uma série documental para quem gosta do gênero. Não é um projeto tão complexo como o já citado "Making a Murderer" que acompanha a investigação, o julgamento e busca pela inocência do protagonista; também não tem tantas reviravoltas e, poucas vezes, a história nos deixa alguma dúvida, mas, certamente, tem um valor enorme como o relato de uma vida que se perde dentro das suas próprias conquistas. Tomei muito cuidado durante minha escrita para não entrar em detalhes do caso e para não estragar a sua experiência de descobertas, mas quero deixar claro que existem pontos obscuros, versões nebulosas sobre certas passagens e até algumas especulações que seriam impossíveis de se comprovar nesse momento - o que torna a série da Netflix viciante como todas as outras desse mesmo estilo - para quem gosta, claro!

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"A Mente do Assassino: Aaron Hernandez" é mais um daqueles documentários que nos fazem refletir sobre a verdadeira condição humana como reflexo de uma sociedade doente, onde os valores são facilmente subvertidos e uma família desestruturada só colabora para essa quebra de confiança e afeto. Claro que existia uma patologia, a encefalopatia traumática crônica - uma doença que causa trauma cerebral em jogadores de futebol americano, resultado de concussões repetidas na cabeça e que merece nossa atenção; mas o fato é que alguns (ou a combinação) desses fatores transformaram um jovem jogador da NFL em um frio assassino! Aaron Hernandez já era uma realidade do esporte com pouco mais de 20 anos, jogava no New England Patriots com Tom Brady e ao lado de Rob Gronkowski, tinha acabado de jogar um Super Bowl onde, inclusive, marcou um Touchdown, tinha um contrato de 40 milhões de dólares garantidos, uma esposa e uma filha recém nascida! Tudo caminhava bem até que o corpo de Ortiz Lloyd é encontrado em North Attleboro, próximo a mansão de Aaron. Lloyd era namorado da irmã de sua esposa e foi só a investigação começar que o jogador  já foi preso graças as inúmeras evidências que o colocavam como principal suspeito!

A série da Netflix, destrincha essas evidências ao mesmo tempo em que reconstrói a caminhada esportiva e social de Aaron Hernandez até o dia do seu suicídio. São três episódios de uma hora, com uma dinâmica bastante interessante que não se propõem em inocentar o atleta e sim tentar descobrir as razões que o levaram a cometer o crime! Olha, se você gostou de "O.J.: Made in America", não perca tempo, dê o play porque você não vai se arrepender! Confira o trailer:

O diretor de "A Mente do Assassino: Aaron Hernandez" é Geno McDermott, o produtor responsável por "The Murder Tapes". Ele foi muito inteligente em construir uma narrativa fácil de acompanhar, até para quem não conhece muito dos bastidores do futebol americano. Desde a infância de Aaron Hernandez em Connecticut, passando pela escolha de estudar (e jogar) na Universidade da Flórida, até seus últimos dias no melhor time da NFL, o New England Patriots; a série estabelece uma linha temporal que, embora não seja tão linear, equilibra muito bem vida pessoal e esportiva com depoimentos de fãs, colegas de trabalho, familiares, jornalistas e advogados, com imagens do julgamento, de reportagens da época e até uma ou outra cena dramatizada - o fato é que o documentário poderia ser um filme de ficção tranquilamente de tão potente que é a história - a dinâmica e o storytelling construído estão perfeitos! Algumas fotografias, vídeos, imagens de vigilância e até alguns telefonemas gravados enquanto Aaron Hernandez estava na prisão ajudam a construir um personagem extremamente complexo e uma história surreal, que nos convida ao julgamento a cada nova informação - muito na linha do que aprendemos a amar com "Making a Murderer". 

"A Mente do Assassino:Aaron Hernandez" é uma série documental para quem gosta do gênero. Não é um projeto tão complexo como o já citado "Making a Murderer" que acompanha a investigação, o julgamento e busca pela inocência do protagonista; também não tem tantas reviravoltas e, poucas vezes, a história nos deixa alguma dúvida, mas, certamente, tem um valor enorme como o relato de uma vida que se perde dentro das suas próprias conquistas. Tomei muito cuidado durante minha escrita para não entrar em detalhes do caso e para não estragar a sua experiência de descobertas, mas quero deixar claro que existem pontos obscuros, versões nebulosas sobre certas passagens e até algumas especulações que seriam impossíveis de se comprovar nesse momento - o que torna a série da Netflix viciante como todas as outras desse mesmo estilo - para quem gosta, claro!

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Acredite em Mim: A História de Lisa McVey

Mulheres vítimas de estupro são violentadas duas vezes: uma pelo agressor, e a outra quando precisam provar que foram realmente estupradas. Isso, quando denunciam, pois na maioria dos casos elas não se sentem encorajadas para expor a violência. A ficção, seja no formato de filmes, séries ou minisséries, possui um papel social muito importante, pois denuncia o problema, dando voz a essas mulheres, promovendo o debate público e revelando como a questão é muito sensível e traumática para as vítimas.

Na Netflix, o tema pode ser visto na minissérie “Inacreditável”e mais recentemente no filme “Acredite em Mim: A História de Lisa McVey”. As duas produções são certeiras ao provocar um sentimento de impotência e desconforto em quem assiste, pois escancara o despreparo da polícia em lidar com crimes de estupro e como isso afeta o psicológico da mulher para o resto da sua vida.

O filme apresenta um aterrorizante caso real de sequestro seguido de estupro ocorrido nos Estados Unidos, em 1984. A trama é dividida em duas partes: na primeira, mostra o rapto da adolescente Lisa McVey (Katie Douglas), e todo o tempo que ela ficou no cativeiro sendo ameaçada e violentada pelo serial killer Bobby Joe Long (Rossif Sutherland). Já na segunda parte, a história foca nos interrogatórios policiais e como a garota foi desacreditada por todos, inclusive pela própria avó (Kim Horsman). A única exceção é o detetive Larry Pinkerton (David James Elliott), que acredita no seu depoimento e decide seguir as pistas que ela deu para capturar o assassino. Confira o trailer (em inglês):

Dirigido por Jim Donovan, profissional que construiu sua carreira na TV, “Acredite em Mim: A História de Lisa McVey” possui certas limitações, tanto orçamentárias, quanto artísticas, já que foi produzido a toque de caixa e sem o mesmo esmero de uma atração feita para o cinema. No entanto, a produção não decepciona e transmite a sua mensagem de maneira satisfatória - atenção para o trabalho de Katie Douglas.

Por apresentar um caso verídico com o máximo de detalhes e realismo, o roteiro de Christina Welsh provoca nosso envolvimento com a obra de uma maneira bastante intensa. Afinal, tudo que presenciamos, infelizmente, aconteceu… A experiência é de fato impactante e a conclusão que se chega é que a realidade é muito mais chocante que a ficção!

Vale a pena!

Escrito por Lucio Tannure - uma parceria @dicas_pra_maratonar

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Mulheres vítimas de estupro são violentadas duas vezes: uma pelo agressor, e a outra quando precisam provar que foram realmente estupradas. Isso, quando denunciam, pois na maioria dos casos elas não se sentem encorajadas para expor a violência. A ficção, seja no formato de filmes, séries ou minisséries, possui um papel social muito importante, pois denuncia o problema, dando voz a essas mulheres, promovendo o debate público e revelando como a questão é muito sensível e traumática para as vítimas.

Na Netflix, o tema pode ser visto na minissérie “Inacreditável”e mais recentemente no filme “Acredite em Mim: A História de Lisa McVey”. As duas produções são certeiras ao provocar um sentimento de impotência e desconforto em quem assiste, pois escancara o despreparo da polícia em lidar com crimes de estupro e como isso afeta o psicológico da mulher para o resto da sua vida.

O filme apresenta um aterrorizante caso real de sequestro seguido de estupro ocorrido nos Estados Unidos, em 1984. A trama é dividida em duas partes: na primeira, mostra o rapto da adolescente Lisa McVey (Katie Douglas), e todo o tempo que ela ficou no cativeiro sendo ameaçada e violentada pelo serial killer Bobby Joe Long (Rossif Sutherland). Já na segunda parte, a história foca nos interrogatórios policiais e como a garota foi desacreditada por todos, inclusive pela própria avó (Kim Horsman). A única exceção é o detetive Larry Pinkerton (David James Elliott), que acredita no seu depoimento e decide seguir as pistas que ela deu para capturar o assassino. Confira o trailer (em inglês):

Dirigido por Jim Donovan, profissional que construiu sua carreira na TV, “Acredite em Mim: A História de Lisa McVey” possui certas limitações, tanto orçamentárias, quanto artísticas, já que foi produzido a toque de caixa e sem o mesmo esmero de uma atração feita para o cinema. No entanto, a produção não decepciona e transmite a sua mensagem de maneira satisfatória - atenção para o trabalho de Katie Douglas.

Por apresentar um caso verídico com o máximo de detalhes e realismo, o roteiro de Christina Welsh provoca nosso envolvimento com a obra de uma maneira bastante intensa. Afinal, tudo que presenciamos, infelizmente, aconteceu… A experiência é de fato impactante e a conclusão que se chega é que a realidade é muito mais chocante que a ficção!

Vale a pena!

Escrito por Lucio Tannure - uma parceria @dicas_pra_maratonar

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American Crime Story - 1ª Temporada

“American Crime Story” é uma série antológica, onde a cada temporada uma história é contada (com começo, meio e fim como uma minissérie), que derivou do grande sucesso que foi “American Horror Story”, criada pelo badalado Ryan Murphy (de “Halston”)  A diferença entre as duas, é que em "Crime Story”, como o próprio nome diz, cada temporada se baseia em um caso real, seja de assassinato ou não (tanto que o terceiro ano da série focou no escândalo envolvendo o ex presidente Bill Clinton e Mônica Lewinsky).

Nessa primeira temporada, acompanhamos o advogado Robert Shapiro (John Travolta) reunindo um time de estrelas para defender o ex-astro da NFL, OJ Simpson (Cuba Gooding Jr.). Os advogados foram chamados 13 dias depois dos assassinatos de Nicole Brown Simpson, ex-esposa de OJ e Ronald Lyle Goldman, um amigo que foi até a casa de Nicole para, supostamente, devolver um pertence da mãe dela. O interessante porém, é que depois do crime, todas as provas recolhidas pela policia não diziam outra coisa: OJ era culpado. Confira o trailer:

Embora fosse tão nítido a culpa do ex jogador de futebol americano, esse não era um caso comum - o envolvido era famoso, amado por todos e ainda era negro. A complexidade está em uma trama que conta uma história de maneira muito clara, não deixando dúvidas sobre quem foi o verdadeiro culpado, mas é na atuação de Cuba Gooding Jr., tão convincente, que por vezes você também pode ficar em dúvida se ele era realmente o assassino.

A trama frenética sempre está em movimento, afinal em um caso como esse não existiria tempo para respirar, tudo acontece muito rápido e toma proporções inimagináveis. É um turbilhão de emoções (e de discussões culturais) para todos os personagens envolvidos, e principalmente para nós como audiência. Para se ter uma ideia, uma revista foi capaz de  "embranquecer" a figura de O.J. Simpson em uma capa de revista como se isso radicasse sua inocência - é quase surreal, mas acreditem, tudo isso realmente aconteceu.

A atriz Sarah Paulson, também foi uma escolha mais que certa para interpretar a promotora de justiça Marcia Clark - ela sempre foi muito assediada pela mídia, pelos seus companheiros de trabalho, especialmente porque nunca se preocupava com a aparência como outras mulheres, e para esses homens isso era quase de outro mundo. Ao dar vida para uma mulher que não tinha uma vida fácil, nem profissional e muito menos pessoal, Paulson brilhou, carregando nuances necessárias para transmitir todas as inseguranças da personagem com muita sensibilidade - esse performance, inclusive, lhe rendeu o Emmy de Melhor Atriz em 2016.

“American Crime Story: O Povo Contra O.J. Simpson” é exemplar! Essa primeira temporada, responsabilidade de Scott Alexander e Larry Karaszewski, acerta em todos os quesitos possíveis: seja na adaptação do livro em que se baseou, "The Run of His Life: The People v. O.J. Simpson" de Jeffrey Toobin; na direção do próprio Ryan Murphy; no casting maravilhoso que proporcionou atuações seguras e competentes e até mesmo no ritmo que proporciona uma maratona mais que bem vinda, afinal essa história vai te prender do inicio ao fim.

PS: O documentário "O.J. Simpson Made in America", grande vencedor do Oscar de 2017, faz com que tenhamos uma percepção da série um pouco diferente, mas não por isso menos interessante. A sensação de torcer para que tudo fosse mentira quando se assiste ao documentário, dado o carisma (e a história de superação) do O.J., praticamente some na ficção, já que fica impossível não torcer para os promotores - talvez por uma visão mais romântica dos fatos e por acabar se envolvendo mais com a narrativa proposta pelo roteiro, onde o backstage do processo está mais presente, a vida dos promotores mais exposta, etc. São experiências diferentes, mas complementares. Sugiro conhecer a história pelo documentário (que também está disponível no Star+) e depois partir para o entretenimento dessa série.

Escrito por Mark Hewes - uma parceria @indiqueipraver

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“American Crime Story” é uma série antológica, onde a cada temporada uma história é contada (com começo, meio e fim como uma minissérie), que derivou do grande sucesso que foi “American Horror Story”, criada pelo badalado Ryan Murphy (de “Halston”)  A diferença entre as duas, é que em "Crime Story”, como o próprio nome diz, cada temporada se baseia em um caso real, seja de assassinato ou não (tanto que o terceiro ano da série focou no escândalo envolvendo o ex presidente Bill Clinton e Mônica Lewinsky).

Nessa primeira temporada, acompanhamos o advogado Robert Shapiro (John Travolta) reunindo um time de estrelas para defender o ex-astro da NFL, OJ Simpson (Cuba Gooding Jr.). Os advogados foram chamados 13 dias depois dos assassinatos de Nicole Brown Simpson, ex-esposa de OJ e Ronald Lyle Goldman, um amigo que foi até a casa de Nicole para, supostamente, devolver um pertence da mãe dela. O interessante porém, é que depois do crime, todas as provas recolhidas pela policia não diziam outra coisa: OJ era culpado. Confira o trailer:

Embora fosse tão nítido a culpa do ex jogador de futebol americano, esse não era um caso comum - o envolvido era famoso, amado por todos e ainda era negro. A complexidade está em uma trama que conta uma história de maneira muito clara, não deixando dúvidas sobre quem foi o verdadeiro culpado, mas é na atuação de Cuba Gooding Jr., tão convincente, que por vezes você também pode ficar em dúvida se ele era realmente o assassino.

A trama frenética sempre está em movimento, afinal em um caso como esse não existiria tempo para respirar, tudo acontece muito rápido e toma proporções inimagináveis. É um turbilhão de emoções (e de discussões culturais) para todos os personagens envolvidos, e principalmente para nós como audiência. Para se ter uma ideia, uma revista foi capaz de  "embranquecer" a figura de O.J. Simpson em uma capa de revista como se isso radicasse sua inocência - é quase surreal, mas acreditem, tudo isso realmente aconteceu.

A atriz Sarah Paulson, também foi uma escolha mais que certa para interpretar a promotora de justiça Marcia Clark - ela sempre foi muito assediada pela mídia, pelos seus companheiros de trabalho, especialmente porque nunca se preocupava com a aparência como outras mulheres, e para esses homens isso era quase de outro mundo. Ao dar vida para uma mulher que não tinha uma vida fácil, nem profissional e muito menos pessoal, Paulson brilhou, carregando nuances necessárias para transmitir todas as inseguranças da personagem com muita sensibilidade - esse performance, inclusive, lhe rendeu o Emmy de Melhor Atriz em 2016.

“American Crime Story: O Povo Contra O.J. Simpson” é exemplar! Essa primeira temporada, responsabilidade de Scott Alexander e Larry Karaszewski, acerta em todos os quesitos possíveis: seja na adaptação do livro em que se baseou, "The Run of His Life: The People v. O.J. Simpson" de Jeffrey Toobin; na direção do próprio Ryan Murphy; no casting maravilhoso que proporcionou atuações seguras e competentes e até mesmo no ritmo que proporciona uma maratona mais que bem vinda, afinal essa história vai te prender do inicio ao fim.

PS: O documentário "O.J. Simpson Made in America", grande vencedor do Oscar de 2017, faz com que tenhamos uma percepção da série um pouco diferente, mas não por isso menos interessante. A sensação de torcer para que tudo fosse mentira quando se assiste ao documentário, dado o carisma (e a história de superação) do O.J., praticamente some na ficção, já que fica impossível não torcer para os promotores - talvez por uma visão mais romântica dos fatos e por acabar se envolvendo mais com a narrativa proposta pelo roteiro, onde o backstage do processo está mais presente, a vida dos promotores mais exposta, etc. São experiências diferentes, mas complementares. Sugiro conhecer a história pelo documentário (que também está disponível no Star+) e depois partir para o entretenimento dessa série.

Escrito por Mark Hewes - uma parceria @indiqueipraver

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Areia Movediça

Desde o primeiro trailer de "Areia Movediça" algo me chamou muito a atenção, embora o "mistério" desse o tom daquela narrativa. Uma minissérie original sueca, produzida pela Netflix, com 6 episódios de 40 minutos cada, baseada em um best-seller, certamente viria com muito potencial!!! O livro de autor Malin Persson Giolito foi publicado em mais de 20 países e foi eleito o melhor romance nórdico de crimes de 2016. Depois de tudo que eu vi e li sobre a minissérie, eu só precisava confirmar se minhas expectativas iriam se comprovar e, posso te garantir: de fato, a história é muito interessante, envolvente e misteriosa! Típico projeto que tem tudo para agradar, mas as pessoas ainda precisam descobrir a enorme qualidade da produção sueca e tudo que envolve essa história.

Então vamos lá: a história é contada em duas linhas temporais diferentes. No presente Maja Norberg, uma jovem e linda estudante pré-vestibular, é acusada de matar seus colegas de escola à tiros, em plena sala de aula. No passado recente, vemos a mesma personagem envolvida com os estudos, se relacionando com a família e com os amigos da melhor forma possível, até que conhece o jovem Sebastian Fagerman - um garoto educado, bem nascido e apaixonado por ela. A primeira dúvida que surge é: como uma jovem tão educada e amorosa foi capaz de matar seus colegas de classe com tanto sangue frio?

Olha, é impossível não se envolver com a história logo de cara, pois "Areia Movediça" trás elementos de dois outros grandes sucessos da Netflix "The Sinner" e "13 Reasons Why"!!! A minissérie transita muito bem no universo dos jovens ao mesmo tempo que trás o mistério da transformação humana e as razões que nos fariam cometer loucuras. Me lembrou quando assisti "Breaking Bad" pela primeira vez - não entendia como um cara como Walter White poderia se transformar em um assassino (ou um traficante) como Heisenberg. Se "Areia Movediça" não tem a genialidade (e profundidade) de "Breaking Bad", merece elogios pela coragem de tocar em assuntos delicados como tiroteio nas escolas, estupro, relacionamento abusivo em vários níveis e o uso de drogas. Tenha em mente que, como o bom cinema sueco exige, é preciso ter estômago!

A Produção é excelente. As locações na Suécia e na França são incríveis. A minissérie é muito bem fotografada, muito bem dirigida e os atores que interpretam a Maja Norberg e o Sebastian Fagerman, respectivamente Hanna Ardéhn e Felix Sandman, dão um verdadeiro show: a maneira como eles vão se desconstruindo durante os episódios vale o "ingresso"! Em muitos momentos o diretor Per-Olav Sørensen usa de técnicas documentais para humanizar ainda mais as situações. Com as câmeras mais soltas e um trabalho genial com o zoom, o diretor trás uma realidade muito interessante para essa ficção que nos faz refletir se aquilo tudo não foi baseado em fatos reais... Poderia!!! 

"Areia Movediça" é um ótima surpresa que ainda não caiu nas graças da audiência por puro desconhecimento, pois é impossível não se relacionar com todas as situações que o roteiro propõe!!! Vale muito o play!!!!

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Desde o primeiro trailer de "Areia Movediça" algo me chamou muito a atenção, embora o "mistério" desse o tom daquela narrativa. Uma minissérie original sueca, produzida pela Netflix, com 6 episódios de 40 minutos cada, baseada em um best-seller, certamente viria com muito potencial!!! O livro de autor Malin Persson Giolito foi publicado em mais de 20 países e foi eleito o melhor romance nórdico de crimes de 2016. Depois de tudo que eu vi e li sobre a minissérie, eu só precisava confirmar se minhas expectativas iriam se comprovar e, posso te garantir: de fato, a história é muito interessante, envolvente e misteriosa! Típico projeto que tem tudo para agradar, mas as pessoas ainda precisam descobrir a enorme qualidade da produção sueca e tudo que envolve essa história.

Então vamos lá: a história é contada em duas linhas temporais diferentes. No presente Maja Norberg, uma jovem e linda estudante pré-vestibular, é acusada de matar seus colegas de escola à tiros, em plena sala de aula. No passado recente, vemos a mesma personagem envolvida com os estudos, se relacionando com a família e com os amigos da melhor forma possível, até que conhece o jovem Sebastian Fagerman - um garoto educado, bem nascido e apaixonado por ela. A primeira dúvida que surge é: como uma jovem tão educada e amorosa foi capaz de matar seus colegas de classe com tanto sangue frio?

Olha, é impossível não se envolver com a história logo de cara, pois "Areia Movediça" trás elementos de dois outros grandes sucessos da Netflix "The Sinner" e "13 Reasons Why"!!! A minissérie transita muito bem no universo dos jovens ao mesmo tempo que trás o mistério da transformação humana e as razões que nos fariam cometer loucuras. Me lembrou quando assisti "Breaking Bad" pela primeira vez - não entendia como um cara como Walter White poderia se transformar em um assassino (ou um traficante) como Heisenberg. Se "Areia Movediça" não tem a genialidade (e profundidade) de "Breaking Bad", merece elogios pela coragem de tocar em assuntos delicados como tiroteio nas escolas, estupro, relacionamento abusivo em vários níveis e o uso de drogas. Tenha em mente que, como o bom cinema sueco exige, é preciso ter estômago!

A Produção é excelente. As locações na Suécia e na França são incríveis. A minissérie é muito bem fotografada, muito bem dirigida e os atores que interpretam a Maja Norberg e o Sebastian Fagerman, respectivamente Hanna Ardéhn e Felix Sandman, dão um verdadeiro show: a maneira como eles vão se desconstruindo durante os episódios vale o "ingresso"! Em muitos momentos o diretor Per-Olav Sørensen usa de técnicas documentais para humanizar ainda mais as situações. Com as câmeras mais soltas e um trabalho genial com o zoom, o diretor trás uma realidade muito interessante para essa ficção que nos faz refletir se aquilo tudo não foi baseado em fatos reais... Poderia!!! 

"Areia Movediça" é um ótima surpresa que ainda não caiu nas graças da audiência por puro desconhecimento, pois é impossível não se relacionar com todas as situações que o roteiro propõe!!! Vale muito o play!!!!

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Big Little Lies

Não por acaso esperei terminar as duas temporadas de "Big Little Lies" para fazer esse review. A série (que nasceu como minissérie em 2017 na HBO) é daquelas imperdíveis, pois equilibra muito bem uma ótima produção, uma excelente direção e uma trama inteligente - principalmente na temporada 1. Vale dizer, inclusive, que se você já assistiu a primeira temporada, fizemos um "primeiras impressões" sobre essa última e você pode ler aqui. Pois bem, para quem ainda não teve o prazer de assistir os 14 episódios disponíveis, vai uma rápida sinopse que vou me aprofundar um pouco mais abaixo: A série tem como ponto de partida um possível assassinado que ocorreu na pequena cidade de Monterrey, na Califórnia. Como toda cidade pequena, fofocas e comentários tomam conta do dia a dia da comunidade que é mostrado em retrospectiva (com um show de edição) pelo ponto de vista de quatro mulheres: Madeline (Reese Witherspoon), Celeste (Nicole Kidman), Renata (Laura Dern) e Jane (Shailene Woodley). Tendo esse mistério como pano de fundo, "Big Little Lies" fala sobre conflitos de relacionamentos entre amigos, pares e filhos de uma forma muito direta. Ao mesmo tempo que expõe a fragilidade do ser humano com temas complexos como o de uma relação violenta e abusiva, também trata de casualidades como um desentendimento entre crianças na sala de aula.  O fato é que Big Little Lies trás o que tem de melhor em entretenimento disponível e vale muito (mas muito) à pena! Confira o trailer:

O ritmo fragmentado, completamente não linear, cheio de cortes bruscos e flashes aparentemente sem sentido pode assustar num primeiro momento. É compreensível, pois o diretor Jean-Marc Vallée usa de uma técnica extremamente clipada para criar uma série de sensações e expectativas - o fato é que, de repente, já estamos vidrados e imersos naquela trama cheia de mistérios. Embora "Big Little Lies" tenha uma divisão narrativa bastante clara ente uma e outra temporada, o conceito estético se mantém como um dos maiores acertos da produção - é realmente lindo o trabalho de concepção de Vallée que a diretora Andrea Arnold mantém na segunda temporada. Se engana quem acredita que a série tem como objetivo falar apenas sobre um possível crime onde não sabemos nada sobre a vítima e sobre o assassino, isso é só o gatilho para focar em temas espinhosos e cotidianos. Sim, no final da primeira temporada descobrimos quem matou e quem é a vítima e isso seria suficiente para finalizar a obra, mas com tanto sucesso a HBO resolveu arriscar uma continuação e, digamos, se deu bem, mas com um "porém". A segunda temporada continua tratando dos mesmos temas espinhosos, mas com uma pequena (mas importante) falha na identidade narrativa - ela muda de sub-gênero sem mais nem menos. No inicio tudo leva a crer que o pano de fundo será a consequência do crime e sua investigação, mas lentamente vai se perdendo ao dar mais valor à uma disputa familiar do tribunal. São 4 ou 5 episódios alinhados àquela trama consistente da primeira temporada e outros 2 episódios perdidos pelo caminho. Que fique claro que isso não torna a série ruim, menos intrigante ou dispensável, muito pelo contrario, assistir Meryl Streep como Mary Louise Wright é um enorme prazer, mas não se pode negar que a série se mostrou de uma forma e a entrega não acompanhou a expectativa inicial. Digamos que fugiu do tema!

É óbvio que a primeira temporada de "Big Little Lies" é melhor, mas não achei ruim a segunda não. Começa muito bem, dá a impressão que vai decolar, mas aí caí no comum, no caricato do sonho americano e não surpreende, mas diverte! Já a relação entre as personagens e seus problemas íntimos e sociais continuam bem consistentes como na temporada anterior - eu diria que é isso que segura a série, embora as soluções sejam incrivelmente mais rápidas que o seu desenvolvimento. O destaque positivo, para mim, foi o enorme crescimento da personagem Renata (Laura Dern) e o negativo foi a falta de protagonismo da personagem Jane (Shailene Woodley). Madeline (Reese Witherspoon) e Celeste (Nicole Kidman) continuam interessantes. A quinta do grupo e que, naturalmente, ganhou um pouco mais de destaque nessa temporada, Bonnie (Zoë Kravitz) não se encaixou - é possível entender seu arco, tem um final interessante, mas não tem o menor carisma e o plot sobrenatural da relação com sua mãe é completamente dispensável!

Como disse acima, "Big Little Lies" é imperdível. Tem uma primeira temporada digna das dezenas de prêmios que ganhou, com uma trama muito bem amarrada e um final interessante. Já aquele famoso receio de transformar uma minissérie em série se confirma, faz com que BLL perca força e tenha que se apoiar exclusivamente no talento das protagonistas. Fica ruim? Não, mas se perde dentro dos seus próprios méritos - me trouxe um pouco da ressaca de "Bloodline". Vale a pena? Muito! 

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Não por acaso esperei terminar as duas temporadas de "Big Little Lies" para fazer esse review. A série (que nasceu como minissérie em 2017 na HBO) é daquelas imperdíveis, pois equilibra muito bem uma ótima produção, uma excelente direção e uma trama inteligente - principalmente na temporada 1. Vale dizer, inclusive, que se você já assistiu a primeira temporada, fizemos um "primeiras impressões" sobre essa última e você pode ler aqui. Pois bem, para quem ainda não teve o prazer de assistir os 14 episódios disponíveis, vai uma rápida sinopse que vou me aprofundar um pouco mais abaixo: A série tem como ponto de partida um possível assassinado que ocorreu na pequena cidade de Monterrey, na Califórnia. Como toda cidade pequena, fofocas e comentários tomam conta do dia a dia da comunidade que é mostrado em retrospectiva (com um show de edição) pelo ponto de vista de quatro mulheres: Madeline (Reese Witherspoon), Celeste (Nicole Kidman), Renata (Laura Dern) e Jane (Shailene Woodley). Tendo esse mistério como pano de fundo, "Big Little Lies" fala sobre conflitos de relacionamentos entre amigos, pares e filhos de uma forma muito direta. Ao mesmo tempo que expõe a fragilidade do ser humano com temas complexos como o de uma relação violenta e abusiva, também trata de casualidades como um desentendimento entre crianças na sala de aula.  O fato é que Big Little Lies trás o que tem de melhor em entretenimento disponível e vale muito (mas muito) à pena! Confira o trailer:

O ritmo fragmentado, completamente não linear, cheio de cortes bruscos e flashes aparentemente sem sentido pode assustar num primeiro momento. É compreensível, pois o diretor Jean-Marc Vallée usa de uma técnica extremamente clipada para criar uma série de sensações e expectativas - o fato é que, de repente, já estamos vidrados e imersos naquela trama cheia de mistérios. Embora "Big Little Lies" tenha uma divisão narrativa bastante clara ente uma e outra temporada, o conceito estético se mantém como um dos maiores acertos da produção - é realmente lindo o trabalho de concepção de Vallée que a diretora Andrea Arnold mantém na segunda temporada. Se engana quem acredita que a série tem como objetivo falar apenas sobre um possível crime onde não sabemos nada sobre a vítima e sobre o assassino, isso é só o gatilho para focar em temas espinhosos e cotidianos. Sim, no final da primeira temporada descobrimos quem matou e quem é a vítima e isso seria suficiente para finalizar a obra, mas com tanto sucesso a HBO resolveu arriscar uma continuação e, digamos, se deu bem, mas com um "porém". A segunda temporada continua tratando dos mesmos temas espinhosos, mas com uma pequena (mas importante) falha na identidade narrativa - ela muda de sub-gênero sem mais nem menos. No inicio tudo leva a crer que o pano de fundo será a consequência do crime e sua investigação, mas lentamente vai se perdendo ao dar mais valor à uma disputa familiar do tribunal. São 4 ou 5 episódios alinhados àquela trama consistente da primeira temporada e outros 2 episódios perdidos pelo caminho. Que fique claro que isso não torna a série ruim, menos intrigante ou dispensável, muito pelo contrario, assistir Meryl Streep como Mary Louise Wright é um enorme prazer, mas não se pode negar que a série se mostrou de uma forma e a entrega não acompanhou a expectativa inicial. Digamos que fugiu do tema!

É óbvio que a primeira temporada de "Big Little Lies" é melhor, mas não achei ruim a segunda não. Começa muito bem, dá a impressão que vai decolar, mas aí caí no comum, no caricato do sonho americano e não surpreende, mas diverte! Já a relação entre as personagens e seus problemas íntimos e sociais continuam bem consistentes como na temporada anterior - eu diria que é isso que segura a série, embora as soluções sejam incrivelmente mais rápidas que o seu desenvolvimento. O destaque positivo, para mim, foi o enorme crescimento da personagem Renata (Laura Dern) e o negativo foi a falta de protagonismo da personagem Jane (Shailene Woodley). Madeline (Reese Witherspoon) e Celeste (Nicole Kidman) continuam interessantes. A quinta do grupo e que, naturalmente, ganhou um pouco mais de destaque nessa temporada, Bonnie (Zoë Kravitz) não se encaixou - é possível entender seu arco, tem um final interessante, mas não tem o menor carisma e o plot sobrenatural da relação com sua mãe é completamente dispensável!

Como disse acima, "Big Little Lies" é imperdível. Tem uma primeira temporada digna das dezenas de prêmios que ganhou, com uma trama muito bem amarrada e um final interessante. Já aquele famoso receio de transformar uma minissérie em série se confirma, faz com que BLL perca força e tenha que se apoiar exclusivamente no talento das protagonistas. Fica ruim? Não, mas se perde dentro dos seus próprios méritos - me trouxe um pouco da ressaca de "Bloodline". Vale a pena? Muito! 

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Borderliner

"Borderliner" (Grenseland) é uma minissérie norueguesa bem ao estilo "Forbrydelsen" mas com uma pegada mais "The Killing" - eu explico: a minissérie trás o tom sombrio da dinamarquesa "Forbrydelsen", mas com a narrativa um pouco mais dinâmica como da sua versão americana"The Killing".

Para proteger sua família, o detetive Nikolai (Tobias Santelmann) encobre um caso de assassinato. Mas quando sua parceira, a também investigadora Anniken (Ellen Dorrit Petersen) suspeita que algo está errado, Nikolai acaba ficando preso em um jogo perigoso de mentiras, tirando completamente sua percepção  entre o certo e o errado.

"Borderliner" estava na minha lista há algum um tempo e acabava sempre deixando de lado,.Não cometa esse erro, se você gosta de séries policiais, investigação, bem ao estilo "The Killing", "The Sinner"; assista "Borderliner"! Sua estrutura narrativa é bem interessante e a maneira como Nikolai vai se complicando a cada descoberta é angustiante. Seguindo o conceito nórdico de cinematografia, é impressionante como o conceito visual se apropria da história e provoca os nossos sentidos - reparem!

Minissérie em 8 episódios e sem previsão de uma segunda temporada... ainda bem!

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"Borderliner" (Grenseland) é uma minissérie norueguesa bem ao estilo "Forbrydelsen" mas com uma pegada mais "The Killing" - eu explico: a minissérie trás o tom sombrio da dinamarquesa "Forbrydelsen", mas com a narrativa um pouco mais dinâmica como da sua versão americana"The Killing".

Para proteger sua família, o detetive Nikolai (Tobias Santelmann) encobre um caso de assassinato. Mas quando sua parceira, a também investigadora Anniken (Ellen Dorrit Petersen) suspeita que algo está errado, Nikolai acaba ficando preso em um jogo perigoso de mentiras, tirando completamente sua percepção  entre o certo e o errado.

"Borderliner" estava na minha lista há algum um tempo e acabava sempre deixando de lado,.Não cometa esse erro, se você gosta de séries policiais, investigação, bem ao estilo "The Killing", "The Sinner"; assista "Borderliner"! Sua estrutura narrativa é bem interessante e a maneira como Nikolai vai se complicando a cada descoberta é angustiante. Seguindo o conceito nórdico de cinematografia, é impressionante como o conceito visual se apropria da história e provoca os nossos sentidos - reparem!

Minissérie em 8 episódios e sem previsão de uma segunda temporada... ainda bem!

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Bordertown

"Bordertown" é uma série finlandesa da Netflix muito inteligente e com um formato excelente para assistir em um final de semana. "Sorjonen" (título original) é uma co-produção da Finlândia com a França e foi apresentada para o Mercado Internacional na MIPTV de 2017. Validada pelo sucesso de audiência e alguns prêmios internacionais, a Netflix garantiu o direito de distribuição. Basicamente um detetive muda da capital para uma cidade pequena (divisa com a Russia) para se dedicar mais a família e cuidar da mulher que se recupera de um tumor no cérebro. Acontece que a cidade não é tão pacata quanto parece e alguns assassinatos começam acontecer. Kari Sorjonen então é chamado para ajudar a solucionar esses casos, porém seus métodos (completamente sensoriais) causam, naturalmente, certa estranheza na nova equipe.

Até aí nada de muito original, mas existem dois pontos muito interessantes. O primeiro é o clima da série, quase um "noir". Muito bem produzida pela Fisher King, a série tem uma direção muito interessante, pois usa exclusivamente da qualidade do roteiro para instigar nossa imaginação - ou seja, ela não mostra tudo; ela sugere - principalmente nas soluções dos casos. Não existe um grande final ou uma cena grandiosa para fechar o episódio; o processo em si, a investigação é muito mais importante que a identidade do assassino e isso é feito com muita elegância estética. A série tem uma certa granulação (mesmo produzida em digital) que fortalece o clima, trazendo a força da saudosa película para narrativa. As locações também merecem a destaque: são maravilhosas, uma melhor que a outra. Não é uma superprodução, mas parece - graças a uma direção muito inteligente! O outro ponto bem legal é que na 1ª Temporada (11 episódios de 55 minutos) é dividida em 5 casos - o primeiro leva três episódios e os demais dois, porém um arco maior existe e está tão bem inserido que você nem nota que é uma espécie de procedural (ou pelo menos uma nova leitura do formato de um caso por semana). Aquela ansiedade de terminar a temporada é diluída a cada 2, 3 horas e mesmo assim você não tem vontade de parar de assistir...rs.

"Bodertown" é daquelas preciosidades escondidas no catálogo da Netflix (como "La Casa de Papel" era antes de virar hype). Ótimo entretenimento, com qualidade, inteligente e uma grande atuação do Ville Virtanen (de "Sauna").

Uma última observação: é uma série que tem o seu tempo de adaptação, a língua causa estranheza e a narrativa começa um pouco devagar; depois que entendemos o ritmo, ela flui muito bem! Vale o play com certeza!!!!

PS: segunda temporada foi lançada em 2018 e a terceira em 2019. 

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"Bordertown" é uma série finlandesa da Netflix muito inteligente e com um formato excelente para assistir em um final de semana. "Sorjonen" (título original) é uma co-produção da Finlândia com a França e foi apresentada para o Mercado Internacional na MIPTV de 2017. Validada pelo sucesso de audiência e alguns prêmios internacionais, a Netflix garantiu o direito de distribuição. Basicamente um detetive muda da capital para uma cidade pequena (divisa com a Russia) para se dedicar mais a família e cuidar da mulher que se recupera de um tumor no cérebro. Acontece que a cidade não é tão pacata quanto parece e alguns assassinatos começam acontecer. Kari Sorjonen então é chamado para ajudar a solucionar esses casos, porém seus métodos (completamente sensoriais) causam, naturalmente, certa estranheza na nova equipe.

Até aí nada de muito original, mas existem dois pontos muito interessantes. O primeiro é o clima da série, quase um "noir". Muito bem produzida pela Fisher King, a série tem uma direção muito interessante, pois usa exclusivamente da qualidade do roteiro para instigar nossa imaginação - ou seja, ela não mostra tudo; ela sugere - principalmente nas soluções dos casos. Não existe um grande final ou uma cena grandiosa para fechar o episódio; o processo em si, a investigação é muito mais importante que a identidade do assassino e isso é feito com muita elegância estética. A série tem uma certa granulação (mesmo produzida em digital) que fortalece o clima, trazendo a força da saudosa película para narrativa. As locações também merecem a destaque: são maravilhosas, uma melhor que a outra. Não é uma superprodução, mas parece - graças a uma direção muito inteligente! O outro ponto bem legal é que na 1ª Temporada (11 episódios de 55 minutos) é dividida em 5 casos - o primeiro leva três episódios e os demais dois, porém um arco maior existe e está tão bem inserido que você nem nota que é uma espécie de procedural (ou pelo menos uma nova leitura do formato de um caso por semana). Aquela ansiedade de terminar a temporada é diluída a cada 2, 3 horas e mesmo assim você não tem vontade de parar de assistir...rs.

"Bodertown" é daquelas preciosidades escondidas no catálogo da Netflix (como "La Casa de Papel" era antes de virar hype). Ótimo entretenimento, com qualidade, inteligente e uma grande atuação do Ville Virtanen (de "Sauna").

Uma última observação: é uma série que tem o seu tempo de adaptação, a língua causa estranheza e a narrativa começa um pouco devagar; depois que entendemos o ritmo, ela flui muito bem! Vale o play com certeza!!!!

PS: segunda temporada foi lançada em 2018 e a terceira em 2019. 

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"Buscando..." é, por si só, um filme criativo - e é partindo desse princípio que o diretor russo Timur Bekmambetov nos provoca uma experiência angustiante, transformando a tela do computador em uma espécie de prisão, que trabalha tão perfeitamente a dicotomia entre a "esperança" e o "desespero" que não serão poucas as vezes que você vai se perguntar "o que eu faria em uma situação como essa e com acesso apenas a um laptop".

O filme acompanha a saga de David Kim (John Cho), um pai que se encontra numa redoma de mistérios depois que sua filha Margot (Michelle La) desaparece deixando apenas alguns poucos vestígios por meio dos rastros virtuais relacionados aos seus acessos nas redes sociais e caixa de mensagens. Ajudando nessa busca, Kim conta com o apoio do irmão Peter (Joseph Lee) e com o atendimento profissional de Vick (Debra Messing), uma detetive dedicada e responsável pelo caso, para juntos tentar encaixar as dezenas de peças e finalmente encontrar o paradeiro de Margot. Confira o trailer:

Há algum tempo histórias contadas sob o ponto de vista de computadores e smartphones, usando de interfaces de webcam, redes sociais e apps de troca de mensagem instantânea, já não são uma grande novidade - o próprio "Amizade Desfeita" (de 2014) usou muito bem algumas dessas ferramentas virtuais para contar uma história de terror bem construída e original (eu diria, inclusive, partindo da mesma essência criativa de "A Bruxa de Blair" de 1999 - mas com um certo "upgrade" tecnológico).

Ao se propor elaborar um conceito narrativo dinâmico, mas ao mesmo tempo não convencional, esse estilo conhecido como "screenlife" de "Buscando..." aproxima o hábito moderno de registrar nossa história virtualmente (ou o que queremos mostrar dela) de uma trama recheada de mistério policial com ótimos plots twists -característica tradicional do gênero. Quando já no prólogo somos apresentados a família Kin por meio de um "passo-a-passo" de instalação de algumas ferramentas do Windows, temos a exata ideia do potencial criativo que esse estilo pode entregar.

Além do drama investigativo (dos bons), o roteiro ainda discute temas muito pertinentes como a falta de privacidade, os impactos da tecnologia nos relacionamentos dos jovens e outras especificidades dessa cultura superficial da sociedade. John Cho mostra todo seu potencial como ator praticamente se apoiando em monólogos estruturados ou em ligações telefônicas bem orquestradas no estilo de "Calls".

Veja, são esses elementos narrativos que parecem simples, mas que na verdade são até mais complexos como processo cinematográfico - Bekmambetov, por exemplo, precisou de três diretores de fotografia para contar a história: Juan Sebastian Baron ficou responsável pelas cenas externas enquanto Will Merrick e Nicholas D. Johnson cuidaram das cenas virtuais. O desenho de produção de Angel Herrera é o que une tudo: são os ambientes íntimos dos personagens que trazem veracidade para uma jornada que soa irreal.

"Buscando..." é um drama com elementos policiais que usa do que o online tem de melhor (e de pior) para criar uma verdadeira e dinâmica imersão visual e narrativa.

Vale muito a pena!

Up Date: O filme foi duplamente premiado no Festival de Sundance em 2018 - inclusive como "Melhor Filme" escolhido pelo público.

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"Buscando..." é, por si só, um filme criativo - e é partindo desse princípio que o diretor russo Timur Bekmambetov nos provoca uma experiência angustiante, transformando a tela do computador em uma espécie de prisão, que trabalha tão perfeitamente a dicotomia entre a "esperança" e o "desespero" que não serão poucas as vezes que você vai se perguntar "o que eu faria em uma situação como essa e com acesso apenas a um laptop".

O filme acompanha a saga de David Kim (John Cho), um pai que se encontra numa redoma de mistérios depois que sua filha Margot (Michelle La) desaparece deixando apenas alguns poucos vestígios por meio dos rastros virtuais relacionados aos seus acessos nas redes sociais e caixa de mensagens. Ajudando nessa busca, Kim conta com o apoio do irmão Peter (Joseph Lee) e com o atendimento profissional de Vick (Debra Messing), uma detetive dedicada e responsável pelo caso, para juntos tentar encaixar as dezenas de peças e finalmente encontrar o paradeiro de Margot. Confira o trailer:

Há algum tempo histórias contadas sob o ponto de vista de computadores e smartphones, usando de interfaces de webcam, redes sociais e apps de troca de mensagem instantânea, já não são uma grande novidade - o próprio "Amizade Desfeita" (de 2014) usou muito bem algumas dessas ferramentas virtuais para contar uma história de terror bem construída e original (eu diria, inclusive, partindo da mesma essência criativa de "A Bruxa de Blair" de 1999 - mas com um certo "upgrade" tecnológico).

Ao se propor elaborar um conceito narrativo dinâmico, mas ao mesmo tempo não convencional, esse estilo conhecido como "screenlife" de "Buscando..." aproxima o hábito moderno de registrar nossa história virtualmente (ou o que queremos mostrar dela) de uma trama recheada de mistério policial com ótimos plots twists -característica tradicional do gênero. Quando já no prólogo somos apresentados a família Kin por meio de um "passo-a-passo" de instalação de algumas ferramentas do Windows, temos a exata ideia do potencial criativo que esse estilo pode entregar.

Além do drama investigativo (dos bons), o roteiro ainda discute temas muito pertinentes como a falta de privacidade, os impactos da tecnologia nos relacionamentos dos jovens e outras especificidades dessa cultura superficial da sociedade. John Cho mostra todo seu potencial como ator praticamente se apoiando em monólogos estruturados ou em ligações telefônicas bem orquestradas no estilo de "Calls".

Veja, são esses elementos narrativos que parecem simples, mas que na verdade são até mais complexos como processo cinematográfico - Bekmambetov, por exemplo, precisou de três diretores de fotografia para contar a história: Juan Sebastian Baron ficou responsável pelas cenas externas enquanto Will Merrick e Nicholas D. Johnson cuidaram das cenas virtuais. O desenho de produção de Angel Herrera é o que une tudo: são os ambientes íntimos dos personagens que trazem veracidade para uma jornada que soa irreal.

"Buscando..." é um drama com elementos policiais que usa do que o online tem de melhor (e de pior) para criar uma verdadeira e dinâmica imersão visual e narrativa.

Vale muito a pena!

Up Date: O filme foi duplamente premiado no Festival de Sundance em 2018 - inclusive como "Melhor Filme" escolhido pelo público.

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Candy

Se Vince Gilligan (de "Breaking Bad") tivesse dirigido "The Sinner", o resultado fatalmente seria algo como o que encontramos em "Candy" (que no Brasil ganhou o sugestivo, para não dizer expositivo, subtítulo de "Uma História de Paixão e Crime"). Além de ter a mesma protagonista, Jessica Biel, a minissérie do Hulu distribuída pelo Star+ por aqui, mistura muitos conceitos (do visual ao narrativo) de Gilligan para contar a história real de uma dona de casa comum que certo dia cometeu um crime terrivelmente bárbaro nada condizente com sua personalidade.

Baseado no livro "Evidence of Love", escrito por Jim Atkinson, "Candy" acompanha Candy Montgomery (Jessica Biel), uma dona de casa do Texas que parecia ter a vida perfeita: um marido amoroso com um bom emprego, filhos lindos e uma casa maravilhosa no subúrbio. Mas então o que a teria levado a matar sua amiga da igreja, Betty Gore (Melanie Lynskey), com um machado? Confira o trailer:

Seguindo uma linha menos dramática, "Candy" talvez fique no exato meio termo entre "The Thing About Pam" (também do Star+) e "The Undoing" (da HBO). O fato da história se passar em uma cidade pacata do Texas, no inicio dos anos 80, naturalmente já cria uma atmosfera bastante estereotipada da sociedade interiorana americana - porém, esse elemento exterior mais colorido esconde uma complexidade bastante interessante sobre os personagens, cheio de camadas, atormentados por aquela vida cotidiana sem expectativas, que certamente nos remete ao monocromático, ao escuro até. Essa dualidade é o ponto alto da minissérie e claramente bebe na mesma fonte de "Breaking Bad" - o desenho de som, os enquadramentos criativos (quase sempre brincado com as distorções tanto nos planos abertos como nos fechados) e o estilo de montagem em retrospectiva, fazem parte da identidade de Gilligan e foram perfeitamente absorvidas pelos quatro diretores que comandam os 5 episódios.

Desde a belíssima abertura (indicada ao Emmy de 2022) já temos a exata noção do emaranhado de situações que vamos precisar desconstruir para entender as motivações de Candy. Se inicialmente tudo parece um pouco fora de propósito, rapidamente o roteiro (e a montagem) trata de ir colocando as peças nos devidos lugares (olha o estilo Gilligan aqui de novo). Em nenhum momento você terá a sensação de estar perdido ou terá dificuldade de entender os personagens envolvidos no crime, não é esse o propósito da série. Nós sabemos quem matou Betty logo de cara, só não sabemos a razão e o que de fato aconteceu. O roteiro trata esse mistério com inteligência, com a direção dando pistas a todo momento (e que lá na frente farão todo o sentido) - ninguém rouba no jogo, então repare em todas as reações dos personagens desde o primeiro episódio.

Jessica Biel, Melanie Lynskey, Pablo Schreiber (como Allan, marido de Betty) e Timothy Simons (como Pat, marido de Candy) estão simplesmente perfeitos - o tom da performance de cada um deles briga sim com o conceito visual da minissérie e isso causa um certo descompasso, um proposital incomodo. Chega a ser surpreendente ninguém do elenco ter sido lembrado no Emmy, especialmente Lynskey. Ao melhor estilo "true crime", "Candy" pode parecer cadenciado demais em sua narrativa, mas essa dinâmica se justifica pela necessidade de apresentação dos personagens e do ambiente em que estão inseridos para que tudo faça mais sentido ao final da história - essa escolha pode cansar alguns, mas eu posso atestar que faz parte da experiência que, na minha opinião, entra naquela lista das melhores de 2022 até aqui.

Vale muito a pena!

PS: A HBO lançará em 2022 sua versão para a mesma história - "Love and Death"  também será inspirada no livro "Evidence of Love: A True Story of Passion and Death in the Suburbs", além de contar com os artigos do "Texas Monthly". O elenco também promete: Elizabeth Olsen será Candy Montgomery e para completar teremos Jesse Plemons, Lily Rabe, Patrick Fugit, Keir Gilchrist, Elizabeth Marvel, Tom Pelphrey e Krysten Ritter. 

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Se Vince Gilligan (de "Breaking Bad") tivesse dirigido "The Sinner", o resultado fatalmente seria algo como o que encontramos em "Candy" (que no Brasil ganhou o sugestivo, para não dizer expositivo, subtítulo de "Uma História de Paixão e Crime"). Além de ter a mesma protagonista, Jessica Biel, a minissérie do Hulu distribuída pelo Star+ por aqui, mistura muitos conceitos (do visual ao narrativo) de Gilligan para contar a história real de uma dona de casa comum que certo dia cometeu um crime terrivelmente bárbaro nada condizente com sua personalidade.

Baseado no livro "Evidence of Love", escrito por Jim Atkinson, "Candy" acompanha Candy Montgomery (Jessica Biel), uma dona de casa do Texas que parecia ter a vida perfeita: um marido amoroso com um bom emprego, filhos lindos e uma casa maravilhosa no subúrbio. Mas então o que a teria levado a matar sua amiga da igreja, Betty Gore (Melanie Lynskey), com um machado? Confira o trailer:

Seguindo uma linha menos dramática, "Candy" talvez fique no exato meio termo entre "The Thing About Pam" (também do Star+) e "The Undoing" (da HBO). O fato da história se passar em uma cidade pacata do Texas, no inicio dos anos 80, naturalmente já cria uma atmosfera bastante estereotipada da sociedade interiorana americana - porém, esse elemento exterior mais colorido esconde uma complexidade bastante interessante sobre os personagens, cheio de camadas, atormentados por aquela vida cotidiana sem expectativas, que certamente nos remete ao monocromático, ao escuro até. Essa dualidade é o ponto alto da minissérie e claramente bebe na mesma fonte de "Breaking Bad" - o desenho de som, os enquadramentos criativos (quase sempre brincado com as distorções tanto nos planos abertos como nos fechados) e o estilo de montagem em retrospectiva, fazem parte da identidade de Gilligan e foram perfeitamente absorvidas pelos quatro diretores que comandam os 5 episódios.

Desde a belíssima abertura (indicada ao Emmy de 2022) já temos a exata noção do emaranhado de situações que vamos precisar desconstruir para entender as motivações de Candy. Se inicialmente tudo parece um pouco fora de propósito, rapidamente o roteiro (e a montagem) trata de ir colocando as peças nos devidos lugares (olha o estilo Gilligan aqui de novo). Em nenhum momento você terá a sensação de estar perdido ou terá dificuldade de entender os personagens envolvidos no crime, não é esse o propósito da série. Nós sabemos quem matou Betty logo de cara, só não sabemos a razão e o que de fato aconteceu. O roteiro trata esse mistério com inteligência, com a direção dando pistas a todo momento (e que lá na frente farão todo o sentido) - ninguém rouba no jogo, então repare em todas as reações dos personagens desde o primeiro episódio.

Jessica Biel, Melanie Lynskey, Pablo Schreiber (como Allan, marido de Betty) e Timothy Simons (como Pat, marido de Candy) estão simplesmente perfeitos - o tom da performance de cada um deles briga sim com o conceito visual da minissérie e isso causa um certo descompasso, um proposital incomodo. Chega a ser surpreendente ninguém do elenco ter sido lembrado no Emmy, especialmente Lynskey. Ao melhor estilo "true crime", "Candy" pode parecer cadenciado demais em sua narrativa, mas essa dinâmica se justifica pela necessidade de apresentação dos personagens e do ambiente em que estão inseridos para que tudo faça mais sentido ao final da história - essa escolha pode cansar alguns, mas eu posso atestar que faz parte da experiência que, na minha opinião, entra naquela lista das melhores de 2022 até aqui.

Vale muito a pena!

PS: A HBO lançará em 2022 sua versão para a mesma história - "Love and Death"  também será inspirada no livro "Evidence of Love: A True Story of Passion and Death in the Suburbs", além de contar com os artigos do "Texas Monthly". O elenco também promete: Elizabeth Olsen será Candy Montgomery e para completar teremos Jesse Plemons, Lily Rabe, Patrick Fugit, Keir Gilchrist, Elizabeth Marvel, Tom Pelphrey e Krysten Ritter. 

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Capote

“Capote” é um belíssimo drama sobre o escritor Truman Capote e seu desejo de destrinchar todas as informações de um crime brutal.

No filme, Truman Capote (Philip Seymour Hoffman) lê um artigo no jornal sobre o assassinato de quatro integrantes de uma conhecida família de fazendeiros. Acompanhado por Harper Lee (Catherine Keener), sua amiga de infância, Capote viaja até lá e surpreende a sociedade local com sua voz infantil e seus maneirismos femininos. Logo, o escritor ganha a confiança de Alvin Dewey (Chris Cooper), o agente que lidera a investigação pelo assassinato. Pouco depois, os assassinos, Perry Smith (Clifton Collins Jr.) e Dick Hickock (Mark Pellegrino), são capturados,  julgados e condenados à morte, mas a relação com Capote não para por aí. Confira o trailer:

O roteiro de Dan Futterman (de "Foxcatcher") é muito inteligente em trabalhar a motivação do romancista (e repórter) a partir de sua vaidade em desenvolver o melhor livro de sua carreira e do vínculo direto com um dos agressores. Mas também fica implícito que além de estar exercendo sua profissão, Capote também poderia estar desenvolvendo algum laço maior com o criminoso. O fato é que, sem perceber, somos inseridos nesse quebra-cabeça que mexe com nossas emoções já que ora estamos julgando as escolhas do protagonista, depois somos norteados com revelações que nos fazem crer que estávamos errados, até descobrirmos que nem tanto assim.

A atuação de Philip Seymour Hoffman é responsável por expor com primor a ambiguidade de Truman Capote. A direção do talentoso Bennett Miller (de "Foxcatcher" e "O Homem que mudou o Jogo") conduz todo o drama com perfeição, explorando camadas intrínsecas dos seus complexos personagens e embora seja um drama criminal, existe um clima de suspense - aqui, também mérito da direção de fotografia de Adam Kimmel (de "Não me abandone jamais) que usa paletas de cores e tons escuros que nos remetem aos melhores dias e obras ficcionais de David Fincher.

Ambientado entre o final dos anos 50 e o inicio dos anos 60, o filme aborda justamente o período em que o autor trabalhou em cima de sua criação mais importante, aquela que traria a fama definitiva para ele: o romance "A Sangue Frio“. É com essa atmosfera que "Capote” não só conta uma história baseada em fatos reais, como explora um pouco dos relacionamentos interpessoais e laços familiares do protagonista. Sem cair no clichê de entregar todas as respostas, o filme nos convida para um interessante e profundo mergulho na psique humana.

Vale muito a pena!

"Capote" foi indicado em 5 categorias no Oscar de 2006, inclusive como "Melhor Filme" e acabou consagrando Philip Seymour Hoffman como o "Melhor Ator" daquele ano.

Escrito por Mark Hewes - uma parceria @indiqueipraver

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“Capote” é um belíssimo drama sobre o escritor Truman Capote e seu desejo de destrinchar todas as informações de um crime brutal.

No filme, Truman Capote (Philip Seymour Hoffman) lê um artigo no jornal sobre o assassinato de quatro integrantes de uma conhecida família de fazendeiros. Acompanhado por Harper Lee (Catherine Keener), sua amiga de infância, Capote viaja até lá e surpreende a sociedade local com sua voz infantil e seus maneirismos femininos. Logo, o escritor ganha a confiança de Alvin Dewey (Chris Cooper), o agente que lidera a investigação pelo assassinato. Pouco depois, os assassinos, Perry Smith (Clifton Collins Jr.) e Dick Hickock (Mark Pellegrino), são capturados,  julgados e condenados à morte, mas a relação com Capote não para por aí. Confira o trailer:

O roteiro de Dan Futterman (de "Foxcatcher") é muito inteligente em trabalhar a motivação do romancista (e repórter) a partir de sua vaidade em desenvolver o melhor livro de sua carreira e do vínculo direto com um dos agressores. Mas também fica implícito que além de estar exercendo sua profissão, Capote também poderia estar desenvolvendo algum laço maior com o criminoso. O fato é que, sem perceber, somos inseridos nesse quebra-cabeça que mexe com nossas emoções já que ora estamos julgando as escolhas do protagonista, depois somos norteados com revelações que nos fazem crer que estávamos errados, até descobrirmos que nem tanto assim.

A atuação de Philip Seymour Hoffman é responsável por expor com primor a ambiguidade de Truman Capote. A direção do talentoso Bennett Miller (de "Foxcatcher" e "O Homem que mudou o Jogo") conduz todo o drama com perfeição, explorando camadas intrínsecas dos seus complexos personagens e embora seja um drama criminal, existe um clima de suspense - aqui, também mérito da direção de fotografia de Adam Kimmel (de "Não me abandone jamais) que usa paletas de cores e tons escuros que nos remetem aos melhores dias e obras ficcionais de David Fincher.

Ambientado entre o final dos anos 50 e o inicio dos anos 60, o filme aborda justamente o período em que o autor trabalhou em cima de sua criação mais importante, aquela que traria a fama definitiva para ele: o romance "A Sangue Frio“. É com essa atmosfera que "Capote” não só conta uma história baseada em fatos reais, como explora um pouco dos relacionamentos interpessoais e laços familiares do protagonista. Sem cair no clichê de entregar todas as respostas, o filme nos convida para um interessante e profundo mergulho na psique humana.

Vale muito a pena!

"Capote" foi indicado em 5 categorias no Oscar de 2006, inclusive como "Melhor Filme" e acabou consagrando Philip Seymour Hoffman como o "Melhor Ator" daquele ano.

Escrito por Mark Hewes - uma parceria @indiqueipraver

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Case

"Case" é uma serie islandesa de 2015 que chegou na Netflix no final em 2018 com status de Produção Original, mas, mais uma vez, é aquele caso onde apenas os direitos de distribuição foram adquiridos. O drama gira em torno de uma investigação "não oficial" sobre um suposto suicídio de uma adolescente em um teatro da cidade. Embora a policia tenha dado o caso como encerrado, um escritório de advocacia continua a investigação, pois existe uma certa proximidade com os pais da vítima e logo uma cadeia de acontecimentos e descobertas vão, pouco a pouco, mostrando o que de pior existe dentro daquela sociedade e, claro, das pessoas que fazem parte dela.

Dito isso, já posso adiantar que "Case" é um série boa, mas limitada: tem uma produção sem grandes investimentos e um roteiro cheio de brechas, mas tem no desenvolvimento dos personagens principais seu grande trunfo. Tive a impressão que as falhas desses personagens foram muito mais exploradas do que suas qualidades - isso trouxe um certo ar de humanidade para a série. O fato do diretor, Baldvin Z (de Trapped), ter trabalhado com planos mais fechados devido as limitações de produção também ajudou - só acho que ele se apoiou muito em planos que deram certo em um determinado momento e acabou se tornando repetitivo demais: virou bengala! Algumas de suas escolhas conceituais também me soaram bastante duvidosas - como a cena onde uma das personagens está completamente desorientada por causa das drogas (vai ser fácil perceber quando assistir, porque, na minha opinião, ficou muito ruim).

Bom, por se tratar de um série policial, é natural a comparação entre produções recentes como "Perfume", "The Sinner" ou "True Detective" e é aí que a coisa começa a pegar! O fato é que "Case" é inferior a todas elas em vários aspectos, de produção ao conceito narrativo, mas isso não a qualifica como uma série ruim - são 9 episódios de uma hora, de um bom entretenimento! Não espere nem uma superprodução nórdica e muito menos um roteiro surpreendente ou um final espetacular - a minha impressão final foi que a série entregou menos do que tinha como potencial, mas divertiu! 

Resumindo: a série é boa!!!

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"Case" é uma serie islandesa de 2015 que chegou na Netflix no final em 2018 com status de Produção Original, mas, mais uma vez, é aquele caso onde apenas os direitos de distribuição foram adquiridos. O drama gira em torno de uma investigação "não oficial" sobre um suposto suicídio de uma adolescente em um teatro da cidade. Embora a policia tenha dado o caso como encerrado, um escritório de advocacia continua a investigação, pois existe uma certa proximidade com os pais da vítima e logo uma cadeia de acontecimentos e descobertas vão, pouco a pouco, mostrando o que de pior existe dentro daquela sociedade e, claro, das pessoas que fazem parte dela.

Dito isso, já posso adiantar que "Case" é um série boa, mas limitada: tem uma produção sem grandes investimentos e um roteiro cheio de brechas, mas tem no desenvolvimento dos personagens principais seu grande trunfo. Tive a impressão que as falhas desses personagens foram muito mais exploradas do que suas qualidades - isso trouxe um certo ar de humanidade para a série. O fato do diretor, Baldvin Z (de Trapped), ter trabalhado com planos mais fechados devido as limitações de produção também ajudou - só acho que ele se apoiou muito em planos que deram certo em um determinado momento e acabou se tornando repetitivo demais: virou bengala! Algumas de suas escolhas conceituais também me soaram bastante duvidosas - como a cena onde uma das personagens está completamente desorientada por causa das drogas (vai ser fácil perceber quando assistir, porque, na minha opinião, ficou muito ruim).

Bom, por se tratar de um série policial, é natural a comparação entre produções recentes como "Perfume", "The Sinner" ou "True Detective" e é aí que a coisa começa a pegar! O fato é que "Case" é inferior a todas elas em vários aspectos, de produção ao conceito narrativo, mas isso não a qualifica como uma série ruim - são 9 episódios de uma hora, de um bom entretenimento! Não espere nem uma superprodução nórdica e muito menos um roteiro surpreendente ou um final espetacular - a minha impressão final foi que a série entregou menos do que tinha como potencial, mas divertiu! 

Resumindo: a série é boa!!!

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Cenas de um Homicídio

"Cenas de um Homicídio" (ou "American Murder: The Family Next Door" - título original) é brutal! Não visualmente, pois nada do que assistimos na tela nos choca tanto quanto aquilo que não vemos - e esse talvez seja o maior mérito desse documentário que mais parece uma obra de ficção graças a uma construção narrativa impressionante (e marcante)! 

O filme acompanha a investigação do desaparecimento de uma mulher grávida, Shanann Watts, e de suas duas filhas: Bella de 4 anos e Celeste de 3. O principal suspeito: o marido. O problema é que tudo levava a crer que o casal, mesmo com alguns problemas, tinham uma vida tranquila, eram felizes e pareciam construir laços familiares cada vez mais fortes. Porém, o documentário, pouco a pouco, vai nos colocando em uma delicada posição, já que a investigação passa a mostrar alguns indícios difíceis de acreditar, transformando uma relação aparentemente normal em uma trama cheia de mentiras, segredos e traições. confira o trailer:

Para quem gosta do estilo "True Crime", "Cenas de um Homicídio" é uma ótima opção, pois não tem enrolação, não se trata de um crime tão complicado (embora possa parecer), porém é extremamente chocante em vários aspectos - e aqui a diretora Jenny Popplewell merece todo mérito: ela "brinca" com nossa incredulidade durante os dois primeiros atos e no momento mais marcante de uma possível confissão, ela ainda nos coloca uma pulga atrás da orelha! 

Olha, esse documentário é uma ótima pedida, mas vai te incomodar, pode acreditar!

A partir de cenas de arquivo, áudios gravados e vídeos (e fotos) postadas nas redes sociais, Popplewell reconstrói a linha temporal do desaparecimento de Shanann com uma precisão impressionante - é como se as câmeras estivessem lá desde o inicio do drama da família Watts e já soubesse exatamente o que captar e como nos provocar emocionalmente (por isso isso minha observação sobre parecer uma obra de ficção). A montagem do Simon Barker, um especialista do gênero, é incrível, já que é justamente ela que vai nos guiando e nos entregando as peças desse quebra-cabeça sem esconder nada (ou pelo menos, quase nada). 

Agora, é preciso dizer que "Cenas de um Homicídio" não é daqueles documentários cheios de reviravoltas surpreendentes ou investigações profundas que sempre acham uma testemunha escondida em algum lugar - a dúvida está, unicamente, nas costas do marido de Shanann, Chris. Não que seja um problema, mas realmente a narrativa perde um pouco do elemento surpresa e o drama parece ir perdendo sustentação com tempo. Um detalhe interessante é que a conclusão do caso foi rápida: 3 ou 4 dias, só que durante a investigação vemos muitas gravações antigas da vida pessoal do casal, principalmente da esposa desaparecida, mostrando uma personalidade forte, muitas vezes controladora e não muito, digamos, educada com quem não concordasse com ela. Isso foi o suficiente para que Chris acabasse se tornando, aos olhos de muitos, uma "vítima" de Shanann e aqui eu sugiro uma reflexão: reparem como julgamos os outros sem saber de toda a história, seja pela aparência ou pela forma que uma pessoa lida com suas emoções!

Para finalizar, eu gostaria de dar outro conselho: não busque nenhuma informação sobre o caso antes de assistir o filme - essa escolha vai impactar diretamente na sua experiência perante todas as revelações que você vai encontrar no documentário! "Cenas de um Homicídio" se aproxima mais de "The Staircase" do que "O Desaparecimento de Madeleine McCann", mas como as duas referências, já pode ser considerável imperdível! Vale seu play!

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"Cenas de um Homicídio" (ou "American Murder: The Family Next Door" - título original) é brutal! Não visualmente, pois nada do que assistimos na tela nos choca tanto quanto aquilo que não vemos - e esse talvez seja o maior mérito desse documentário que mais parece uma obra de ficção graças a uma construção narrativa impressionante (e marcante)! 

O filme acompanha a investigação do desaparecimento de uma mulher grávida, Shanann Watts, e de suas duas filhas: Bella de 4 anos e Celeste de 3. O principal suspeito: o marido. O problema é que tudo levava a crer que o casal, mesmo com alguns problemas, tinham uma vida tranquila, eram felizes e pareciam construir laços familiares cada vez mais fortes. Porém, o documentário, pouco a pouco, vai nos colocando em uma delicada posição, já que a investigação passa a mostrar alguns indícios difíceis de acreditar, transformando uma relação aparentemente normal em uma trama cheia de mentiras, segredos e traições. confira o trailer:

Para quem gosta do estilo "True Crime", "Cenas de um Homicídio" é uma ótima opção, pois não tem enrolação, não se trata de um crime tão complicado (embora possa parecer), porém é extremamente chocante em vários aspectos - e aqui a diretora Jenny Popplewell merece todo mérito: ela "brinca" com nossa incredulidade durante os dois primeiros atos e no momento mais marcante de uma possível confissão, ela ainda nos coloca uma pulga atrás da orelha! 

Olha, esse documentário é uma ótima pedida, mas vai te incomodar, pode acreditar!

A partir de cenas de arquivo, áudios gravados e vídeos (e fotos) postadas nas redes sociais, Popplewell reconstrói a linha temporal do desaparecimento de Shanann com uma precisão impressionante - é como se as câmeras estivessem lá desde o inicio do drama da família Watts e já soubesse exatamente o que captar e como nos provocar emocionalmente (por isso isso minha observação sobre parecer uma obra de ficção). A montagem do Simon Barker, um especialista do gênero, é incrível, já que é justamente ela que vai nos guiando e nos entregando as peças desse quebra-cabeça sem esconder nada (ou pelo menos, quase nada). 

Agora, é preciso dizer que "Cenas de um Homicídio" não é daqueles documentários cheios de reviravoltas surpreendentes ou investigações profundas que sempre acham uma testemunha escondida em algum lugar - a dúvida está, unicamente, nas costas do marido de Shanann, Chris. Não que seja um problema, mas realmente a narrativa perde um pouco do elemento surpresa e o drama parece ir perdendo sustentação com tempo. Um detalhe interessante é que a conclusão do caso foi rápida: 3 ou 4 dias, só que durante a investigação vemos muitas gravações antigas da vida pessoal do casal, principalmente da esposa desaparecida, mostrando uma personalidade forte, muitas vezes controladora e não muito, digamos, educada com quem não concordasse com ela. Isso foi o suficiente para que Chris acabasse se tornando, aos olhos de muitos, uma "vítima" de Shanann e aqui eu sugiro uma reflexão: reparem como julgamos os outros sem saber de toda a história, seja pela aparência ou pela forma que uma pessoa lida com suas emoções!

Para finalizar, eu gostaria de dar outro conselho: não busque nenhuma informação sobre o caso antes de assistir o filme - essa escolha vai impactar diretamente na sua experiência perante todas as revelações que você vai encontrar no documentário! "Cenas de um Homicídio" se aproxima mais de "The Staircase" do que "O Desaparecimento de Madeleine McCann", mas como as duas referências, já pode ser considerável imperdível! Vale seu play!

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