Viu Review - O Escândalo
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O Escândalo

Diretor
Jay Roach
Elenco
Charlize Theron, Nicole Kidman, Margot Robbie
Ano
2019
País
EUA

Drama Prime Video ml-real ml-politico ml-assedio ml-jornalismo ml-livro ml-oscar ml-gb

O Escândalo

Antes de mais nada é preciso dizer que "O Escândalo" é um filme difícil de digerir - é preciso ter estômago e, certamente, vai tocar mais em algumas pessoas do que em outras, mas posso garantir: é um grande filme! Ele é baseado na história real sobre as denúncias de assédio sexual contra o então presidente e fundador da Fox News, Roger Ailes (John Lithgow).

A história é contada pelo ponto de vista de três personagens-chaves: Megyn Kelly (Charlize Theron), Gretchen Carlson (Nicole Kidman) - âncoras do canal; e Kayla Pospisil (Margot Robbie) uma produtora, personagem criada para o filme, que representa (e até com um certo estereótipo) várias outras funcionárias da emissora que também sofreram algum tipo de assédio de Ailes. O fato é que tudo caminhava bem até que Gretchen Carlson, cansada dos seguidos ataques de assédio moral, resolve forçar sua demissão para iniciar um processo contra as várias investidas que sofreu de Roger Ailes no passado. Embora fosse um tiro no escuro, afinal Roger Ailes sempre foi um dos homens mais poderosos dos Estados Unidos, várias mulheres começam a se pronunciar contra o executivo, fortalecendo a iniciativa de Gretchen - mas faltava alguém de dentro da Fox News para dar o "tiro de misericórdia" e é aí que o Megyn Kelly e Kayla Pospisil ganham força no drama e o filme deslancha! 

O ponto forte do filme está no elenco: Charlize Theron é uma grande atriz e está perfeita como Megyn Kelly - é impressionante como as duas estão parecidas, o que só fortalece a chance de "O Escândalo" ganhar o Oscar na categoria "Cabelo/Maquiagem". Margot Robbie também está impecável e por mais que possa parecer que ela é a personificação do estereótipo da mulher bonita/ingênua/oportunista, seu trabalho vai muito além: ela transita por cada uma dessas características de uma forma muito introspectiva, causando uma enorme confusão na sua cabeça, porém quando tudo começa a fazer sentido, seus olhos falam mais do que qualquer diálogo que o roteirista pudesse ter escrito para explicar o que passa com uma mulher assediada daquela forma - é lindo de ver! Nicole Kidman também está incrível, mas o pouco tempo de tela prejudicou sua caminha até o Oscar - se a dúvida ficou entre ela e Margot Robbie, ficaria impossível tirar a chance da segunda! John Lithgow também está ótimo como Roger Ailes - um pecado ele não ter tido a chance de disputar os maiores prêmios da temporada. Merecia!

O roteiro do Charles Randolph (vencedor do Oscar por "A Grande Aposta") é bom, mas pode parecer confuso para quem não conhece dos bastidores da politica americana. Embora o prólogo nos ajude entender a dinâmica sócio-politica da Fox News, as quebras narrativas da linha temporal dificultam o entendimento logo de cara. Além disso, o roteiro trás alguns elementos sem a menor conceitualização dramática: a quebra da quarta parede e a exposição do pensamento funcionam bem, mas são usadas poucas vezes, parecendo ser muito mais uma solução pontual do que uma característica marcante da escrita! A direção do Jay Roach é ótima, embora tenha lido muitas críticas sobre suas escolhas - disseram, inclusive, que ele copiou o estilo de Adam McKay depois dos sucessos de "Vice" e a "Grande Aposta". Outro elemento que incomodou alguns críticos foi o tom que ele imprimiu no filme, parecendo menos preocupado com a seriedade das denúncias e mais em justificar as atitudes erradas de Ailes - a cena onde Kayla Pospisil vai até a sala de Roger Ailes pela primeira vez é o exemplo que justifica essa tese. Eu discordo!

"O Escândalo" foi indicado em 3 categorias do Oscar 2020 e, sinceramente, "Cabelo/Maquiagem" é sua única chance real. Margot Robbie e Charlize Theron, embora com excelentes performances, não tem chance pelo nível das concorrentes diretas pelo prêmio, porém isso não diminui em nada a qualidade e a importância delas no filme. "O Escândalo" funciona como entretenimento, mas é muito mais valoroso pela exposição de uma história que perecia ser tão usual nos corredores da Fox News e de vários outras lugares onde o poder parece estar acima de tudo! 

Up-date: "O Escândalo" ganhou em uma categoria no Oscar 2020: Melhor Cabelo e Maquiagem!

Assista Agora

Antes de mais nada é preciso dizer que "O Escândalo" é um filme difícil de digerir - é preciso ter estômago e, certamente, vai tocar mais em algumas pessoas do que em outras, mas posso garantir: é um grande filme! Ele é baseado na história real sobre as denúncias de assédio sexual contra o então presidente e fundador da Fox News, Roger Ailes (John Lithgow).

A história é contada pelo ponto de vista de três personagens-chaves: Megyn Kelly (Charlize Theron), Gretchen Carlson (Nicole Kidman) - âncoras do canal; e Kayla Pospisil (Margot Robbie) uma produtora, personagem criada para o filme, que representa (e até com um certo estereótipo) várias outras funcionárias da emissora que também sofreram algum tipo de assédio de Ailes. O fato é que tudo caminhava bem até que Gretchen Carlson, cansada dos seguidos ataques de assédio moral, resolve forçar sua demissão para iniciar um processo contra as várias investidas que sofreu de Roger Ailes no passado. Embora fosse um tiro no escuro, afinal Roger Ailes sempre foi um dos homens mais poderosos dos Estados Unidos, várias mulheres começam a se pronunciar contra o executivo, fortalecendo a iniciativa de Gretchen - mas faltava alguém de dentro da Fox News para dar o "tiro de misericórdia" e é aí que o Megyn Kelly e Kayla Pospisil ganham força no drama e o filme deslancha! 

O ponto forte do filme está no elenco: Charlize Theron é uma grande atriz e está perfeita como Megyn Kelly - é impressionante como as duas estão parecidas, o que só fortalece a chance de "O Escândalo" ganhar o Oscar na categoria "Cabelo/Maquiagem". Margot Robbie também está impecável e por mais que possa parecer que ela é a personificação do estereótipo da mulher bonita/ingênua/oportunista, seu trabalho vai muito além: ela transita por cada uma dessas características de uma forma muito introspectiva, causando uma enorme confusão na sua cabeça, porém quando tudo começa a fazer sentido, seus olhos falam mais do que qualquer diálogo que o roteirista pudesse ter escrito para explicar o que passa com uma mulher assediada daquela forma - é lindo de ver! Nicole Kidman também está incrível, mas o pouco tempo de tela prejudicou sua caminha até o Oscar - se a dúvida ficou entre ela e Margot Robbie, ficaria impossível tirar a chance da segunda! John Lithgow também está ótimo como Roger Ailes - um pecado ele não ter tido a chance de disputar os maiores prêmios da temporada. Merecia!

O roteiro do Charles Randolph (vencedor do Oscar por "A Grande Aposta") é bom, mas pode parecer confuso para quem não conhece dos bastidores da politica americana. Embora o prólogo nos ajude entender a dinâmica sócio-politica da Fox News, as quebras narrativas da linha temporal dificultam o entendimento logo de cara. Além disso, o roteiro trás alguns elementos sem a menor conceitualização dramática: a quebra da quarta parede e a exposição do pensamento funcionam bem, mas são usadas poucas vezes, parecendo ser muito mais uma solução pontual do que uma característica marcante da escrita! A direção do Jay Roach é ótima, embora tenha lido muitas críticas sobre suas escolhas - disseram, inclusive, que ele copiou o estilo de Adam McKay depois dos sucessos de "Vice" e a "Grande Aposta". Outro elemento que incomodou alguns críticos foi o tom que ele imprimiu no filme, parecendo menos preocupado com a seriedade das denúncias e mais em justificar as atitudes erradas de Ailes - a cena onde Kayla Pospisil vai até a sala de Roger Ailes pela primeira vez é o exemplo que justifica essa tese. Eu discordo!

"O Escândalo" foi indicado em 3 categorias do Oscar 2020 e, sinceramente, "Cabelo/Maquiagem" é sua única chance real. Margot Robbie e Charlize Theron, embora com excelentes performances, não tem chance pelo nível das concorrentes diretas pelo prêmio, porém isso não diminui em nada a qualidade e a importância delas no filme. "O Escândalo" funciona como entretenimento, mas é muito mais valoroso pela exposição de uma história que perecia ser tão usual nos corredores da Fox News e de vários outras lugares onde o poder parece estar acima de tudo! 

Up-date: "O Escândalo" ganhou em uma categoria no Oscar 2020: Melhor Cabelo e Maquiagem!

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