Viu Review - See
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See

Elenco
Alfre Woodard, Jason Momoa, Sylvia Hoeks
Ano
2019
País
EUA

Ação AppleTV+ ml-violencia ml-epico ml-aventura ml-got ml-fantasia-rpg

See

"See" é uma série pós-apocalíptica com toques medievais! Sim, é contraditório mesmo, assim como é a nossa sensação ao assistir os episódios disponíveis na AppleTV+. Em alguns momentos você vai amar a série, em outros você vai achar uma tremenda perda de tempo! Do criador de "Peaky Blinders", Steve Knight, e com Jason Momoa como protagonista, "See" trazia a responsabilidade de ser uma espécie de "Game of Thrones" da Apple, com uma produção grandiosa e uma direção competente, tinha tudo para alcançar um patamar de respeito no gênero, porém o roteiro derrapa na sua própria pretensão e isso prejudica nossa experiência.

Quando a humanidade é atingida por um vírus mortal, deixando apenas dois milhões de pessoas vivas e sem a capacidade de enxergar, o retrocesso é tão grande que essa nova civilização precisa de séculos para se adaptar a cegueira e recomeçar com pouco conhecimento, nada de tecnologia e muita crença mitológica. Até que uma jovem aldeã dá a luz a um casal de gêmeos que nascem com a visão normal, porém essa condição passa a ser tratada como heresia pela Rainha desse novo Mundo, criando assim uma verdadeira caça as bruxas afim de eliminar todos que possuem o "dom de enxergar" e possam, de alguma forma, ameaçar o seu reinado. 

O universo de "See" é interessante, pois cria um contraponto muito bacana entre a época e a capacidade - é quase uma nova forma de "enxergar" o desenvolvimento da humanidade, que agora convive com uma limitação física importante e com uma condição precária de desenvolvimento. A série é original por trazer elementos medievais para um cenário pós apocalíptico e nisso o roteiro sai ganhando; o que complica é a falta de uma apresentação mais inteligente - até um lettering inicial estabelecendo aquele universo e suas peculiaridades poderia ajudar a resolver esse problema, desde que a mitologia também fosse desenvolvida e explicada pelos personagens durante os episódios, claro! A minha sensação é que se criou uma mitologia tão complexa que nem a história foi capaz de absorver! Um exemplo é o surgimento de personagens que caem de para-quedas e que somem com a mesma velocidade, deixando tantas brechas que incomoda - as "sombras" são um bom exemplo dessa falha de construção. Outra coisa que me incomodou foi a pressa em passar o tempo até que as crianças crescessem. Ok, isso fez a história andar, mas foi tão atropelado que até a caracterização falhou em estabelecer essa cronologia. Eu sei que a comparação é desleal, mas será inevitável: lembro que a geografia de "Game of Thrones" era extremamente difícil, mas já em toda abertura tínhamos informações de como aquele mundo estava disposto e o que estava mudando -  isso nos colocava dentro da história de cara; em "See" estou perdido até agora, pois nada criativo me guiou!

O fato dos personagens serem cegos cria uma certa angústia nas cenas (lembra de Bird Box?) e isso o time de diretores, sob o comando do Francis Lawrence (Jogos Vorazes), aproveitam muito bem. Tanto o dia a dia nas aldeias, quanto as batalhas, são impecáveis e trazem uma dinâmica extremamente original para o gênero - até quando o roteiro vacila: o "Haka" no episódio 1 é um bom exemplo, emocionante conceitualmente, mas com o passar do tempo, percebemos que não significa nada para aquele universo - é uma solução apenas visual! A produção também tem suas falhas (muito por causa do roteiro novamente), mas não podemos dizer que é ruim. O Desenho de Produção está impecável, com cenários e locações perfeitas (muito bem fotografada pelo Jo Willems), sem falar dos figurinos - digno de prêmios. Os atores não prejudicam em nada o desenvolvimento da história, mas ainda não dá para colocar a rainha Kaine no mesmo patamar de Cersei Lannister!

"See" é realmente inconstante, mas ainda tem algo que nos faz acompanhar aquela jornada mesmo sabendo que sua complexidade é muito mais por uma falta de ajuste dos roteiristas do que pelo mérito de nos provocar a construir um quebra-cabeça digno de RPG. Ok, talvez seja cedo e por isso me mantenho otimista pelo resultado dessa primeira temporada (uma segunda já foi confirmada), mas muita coisa precisa ser afinada para que sejamos surpreendidos e, principalmente, passamos a nos importar por alguns personagens, porque se for depender apenas das ótimas batalhas e das cenas de ação, "See" não vai se sustentar!

Eu gostei, só não sei até quando! Por enquanto, vale seu play.

Assista Agora

"See" é uma série pós-apocalíptica com toques medievais! Sim, é contraditório mesmo, assim como é a nossa sensação ao assistir os episódios disponíveis na AppleTV+. Em alguns momentos você vai amar a série, em outros você vai achar uma tremenda perda de tempo! Do criador de "Peaky Blinders", Steve Knight, e com Jason Momoa como protagonista, "See" trazia a responsabilidade de ser uma espécie de "Game of Thrones" da Apple, com uma produção grandiosa e uma direção competente, tinha tudo para alcançar um patamar de respeito no gênero, porém o roteiro derrapa na sua própria pretensão e isso prejudica nossa experiência.

Quando a humanidade é atingida por um vírus mortal, deixando apenas dois milhões de pessoas vivas e sem a capacidade de enxergar, o retrocesso é tão grande que essa nova civilização precisa de séculos para se adaptar a cegueira e recomeçar com pouco conhecimento, nada de tecnologia e muita crença mitológica. Até que uma jovem aldeã dá a luz a um casal de gêmeos que nascem com a visão normal, porém essa condição passa a ser tratada como heresia pela Rainha desse novo Mundo, criando assim uma verdadeira caça as bruxas afim de eliminar todos que possuem o "dom de enxergar" e possam, de alguma forma, ameaçar o seu reinado. 

O universo de "See" é interessante, pois cria um contraponto muito bacana entre a época e a capacidade - é quase uma nova forma de "enxergar" o desenvolvimento da humanidade, que agora convive com uma limitação física importante e com uma condição precária de desenvolvimento. A série é original por trazer elementos medievais para um cenário pós apocalíptico e nisso o roteiro sai ganhando; o que complica é a falta de uma apresentação mais inteligente - até um lettering inicial estabelecendo aquele universo e suas peculiaridades poderia ajudar a resolver esse problema, desde que a mitologia também fosse desenvolvida e explicada pelos personagens durante os episódios, claro! A minha sensação é que se criou uma mitologia tão complexa que nem a história foi capaz de absorver! Um exemplo é o surgimento de personagens que caem de para-quedas e que somem com a mesma velocidade, deixando tantas brechas que incomoda - as "sombras" são um bom exemplo dessa falha de construção. Outra coisa que me incomodou foi a pressa em passar o tempo até que as crianças crescessem. Ok, isso fez a história andar, mas foi tão atropelado que até a caracterização falhou em estabelecer essa cronologia. Eu sei que a comparação é desleal, mas será inevitável: lembro que a geografia de "Game of Thrones" era extremamente difícil, mas já em toda abertura tínhamos informações de como aquele mundo estava disposto e o que estava mudando -  isso nos colocava dentro da história de cara; em "See" estou perdido até agora, pois nada criativo me guiou!

O fato dos personagens serem cegos cria uma certa angústia nas cenas (lembra de Bird Box?) e isso o time de diretores, sob o comando do Francis Lawrence (Jogos Vorazes), aproveitam muito bem. Tanto o dia a dia nas aldeias, quanto as batalhas, são impecáveis e trazem uma dinâmica extremamente original para o gênero - até quando o roteiro vacila: o "Haka" no episódio 1 é um bom exemplo, emocionante conceitualmente, mas com o passar do tempo, percebemos que não significa nada para aquele universo - é uma solução apenas visual! A produção também tem suas falhas (muito por causa do roteiro novamente), mas não podemos dizer que é ruim. O Desenho de Produção está impecável, com cenários e locações perfeitas (muito bem fotografada pelo Jo Willems), sem falar dos figurinos - digno de prêmios. Os atores não prejudicam em nada o desenvolvimento da história, mas ainda não dá para colocar a rainha Kaine no mesmo patamar de Cersei Lannister!

"See" é realmente inconstante, mas ainda tem algo que nos faz acompanhar aquela jornada mesmo sabendo que sua complexidade é muito mais por uma falta de ajuste dos roteiristas do que pelo mérito de nos provocar a construir um quebra-cabeça digno de RPG. Ok, talvez seja cedo e por isso me mantenho otimista pelo resultado dessa primeira temporada (uma segunda já foi confirmada), mas muita coisa precisa ser afinada para que sejamos surpreendidos e, principalmente, passamos a nos importar por alguns personagens, porque se for depender apenas das ótimas batalhas e das cenas de ação, "See" não vai se sustentar!

Eu gostei, só não sei até quando! Por enquanto, vale seu play.

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