Viu Review - Physical
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Physical

Diretor
Stephanie Laing
Elenco
Rose Byrne, Rory Scovel, Paul Sparks
Ano
2021
País
EUA

Comédia AppleTV+ ml-dramedia ml-relacoes ml-vince-gilligan ml-familia

Physical

"Physical", série de 10 episódios da AppleTV+, é surpreendente desde o primeiro episódio, mas te garanto: assim que você entender o conceito narrativo e a forma como a história foi desenvolvida (e como os personagens se relacionam com ela), fica ainda mais claro que se trata de um produto com um requinte raro, inteligente ao mesmo tempo que é "desagradável" - como foi "Breaking Bad", por exemplo. Meu conselho então, é para que você não se guie apenas pelo primeiro episódio, pois não vai dar tempo de entender a dinâmica da série e assim se preparar para um drama extremamente profundo que será apresentado nos demais episódios que, aliás, vai tocar em assuntos bem desconfortáveis, duros e incômodos; mas que ao mesmo tempo vai chegar embrulhado em uma atmosfera nostálgica, colorida e, principalmente, irônica - e é isso que faz de "Physical" genial!

A série acompanha Sheila Rubin (Rose Byrne), uma típica dona de casa atormentada por suas escolhas, em uma San Diego cruel dos anos 80. Uma mulher que luta diariamente contra seus demônios pessoais - inclusive exteriorizado por um distúrbio alimentar gravíssimo, enquanto seu marido, Danny Rubin (Rory Scovel), um professor desempregado, ativista e muitas vezes machista, tenta se dar bem na carreira politica. Sheila busca se reencontrar como mulher e as coisas começam a mudar drasticamente quando ela descobre a aeróbica, mergulhando assim em uma jornada de empoderamento e de sucesso profissional. Confira o trailer:

Além de um conceito visual muito interessante, como comentei, "Physical" traz no seu DNA "elementos de transformação de personagem" que foram muito explorados em "Breaking Bad" por anos e que depois acabou virando uma marca registrada do Vince Gilligan, sendo transportada (em diferentes níveis, claro) para o universo feminino em outras duas séries que tem no subtexto irônico e corajoso, sua maior força (e que também merecem nossa atenção): "Good Girls" e "Mytho".

Veja, "Physical" tinha tudo para ser mais uma versão nostálgica dos anos 80 - dessa vez apoiada na febre das fitas VHS contendo exercícios aeróbicos ao melhor estilo "Jane Fonda". Ela também poderia ser um retrato romântico da jornada do herói (ou da heroína, como preferir) na busca pela independência e pelo sucesso muito além da sombra de um marido machista (mesmo fracassado). Tudo isso ainda inserido em um cenário praiano da Costa Oeste americana ao som do pós-disco da era Reagan. Pois bem, "Physical" até tem tudo isso, mas não "só" isso - o que a criadora e showrunner da série, Annie Weisman (Desperate Housewives), nos entrega é um mergulho muito mais profundo em uma história complicada, angustiante e bastante triste, onde as imperfeições do ser humano (maravilhosamente transformadas em uma sinceridade brutal pela "voz" do pensamento da protagonista) simplesmente explodem na tela.

Se Sheila Rubin diz ou age de uma forma, saiba que você nunca será surpreendido por sua motivação real já que essa "voz do pensamento" expõe exatamente todas as suas vontades - e aqui um ponto de originalidade que nos afasta da mesma empatia imediata que tivemos por Walter White, já que Sheila não foi criada para que a audiência torça por ela. Sheila, de fato, tem mais defeitos do que qualidades, mas com o passar do tempo pelo menos, vamos entendendo e até aceitando suas imperfeições. E aqui cabe um rápido, mas pertinente elogio: Rose Byrne está simplesmente fantástica e será nome certo nas premiações a partir de agora!

"Physical" vale por tudo isso e muito mais! A série não se apega a uma narrativa convencional, muito menos chega com o compromisso de ser engraçada (mesmo sendo) - se o trailer te passou isso, fique atento no que não é mostrado e interprete cada diálogo da maneira mais obscura que você conseguir, pois a série vai te provocar a ter essa atitude em todos os episódios da primeira temporada.

Vale muito a pena! 

Assista Agora

"Physical", série de 10 episódios da AppleTV+, é surpreendente desde o primeiro episódio, mas te garanto: assim que você entender o conceito narrativo e a forma como a história foi desenvolvida (e como os personagens se relacionam com ela), fica ainda mais claro que se trata de um produto com um requinte raro, inteligente ao mesmo tempo que é "desagradável" - como foi "Breaking Bad", por exemplo. Meu conselho então, é para que você não se guie apenas pelo primeiro episódio, pois não vai dar tempo de entender a dinâmica da série e assim se preparar para um drama extremamente profundo que será apresentado nos demais episódios que, aliás, vai tocar em assuntos bem desconfortáveis, duros e incômodos; mas que ao mesmo tempo vai chegar embrulhado em uma atmosfera nostálgica, colorida e, principalmente, irônica - e é isso que faz de "Physical" genial!

A série acompanha Sheila Rubin (Rose Byrne), uma típica dona de casa atormentada por suas escolhas, em uma San Diego cruel dos anos 80. Uma mulher que luta diariamente contra seus demônios pessoais - inclusive exteriorizado por um distúrbio alimentar gravíssimo, enquanto seu marido, Danny Rubin (Rory Scovel), um professor desempregado, ativista e muitas vezes machista, tenta se dar bem na carreira politica. Sheila busca se reencontrar como mulher e as coisas começam a mudar drasticamente quando ela descobre a aeróbica, mergulhando assim em uma jornada de empoderamento e de sucesso profissional. Confira o trailer:

Além de um conceito visual muito interessante, como comentei, "Physical" traz no seu DNA "elementos de transformação de personagem" que foram muito explorados em "Breaking Bad" por anos e que depois acabou virando uma marca registrada do Vince Gilligan, sendo transportada (em diferentes níveis, claro) para o universo feminino em outras duas séries que tem no subtexto irônico e corajoso, sua maior força (e que também merecem nossa atenção): "Good Girls" e "Mytho".

Veja, "Physical" tinha tudo para ser mais uma versão nostálgica dos anos 80 - dessa vez apoiada na febre das fitas VHS contendo exercícios aeróbicos ao melhor estilo "Jane Fonda". Ela também poderia ser um retrato romântico da jornada do herói (ou da heroína, como preferir) na busca pela independência e pelo sucesso muito além da sombra de um marido machista (mesmo fracassado). Tudo isso ainda inserido em um cenário praiano da Costa Oeste americana ao som do pós-disco da era Reagan. Pois bem, "Physical" até tem tudo isso, mas não "só" isso - o que a criadora e showrunner da série, Annie Weisman (Desperate Housewives), nos entrega é um mergulho muito mais profundo em uma história complicada, angustiante e bastante triste, onde as imperfeições do ser humano (maravilhosamente transformadas em uma sinceridade brutal pela "voz" do pensamento da protagonista) simplesmente explodem na tela.

Se Sheila Rubin diz ou age de uma forma, saiba que você nunca será surpreendido por sua motivação real já que essa "voz do pensamento" expõe exatamente todas as suas vontades - e aqui um ponto de originalidade que nos afasta da mesma empatia imediata que tivemos por Walter White, já que Sheila não foi criada para que a audiência torça por ela. Sheila, de fato, tem mais defeitos do que qualidades, mas com o passar do tempo pelo menos, vamos entendendo e até aceitando suas imperfeições. E aqui cabe um rápido, mas pertinente elogio: Rose Byrne está simplesmente fantástica e será nome certo nas premiações a partir de agora!

"Physical" vale por tudo isso e muito mais! A série não se apega a uma narrativa convencional, muito menos chega com o compromisso de ser engraçada (mesmo sendo) - se o trailer te passou isso, fique atento no que não é mostrado e interprete cada diálogo da maneira mais obscura que você conseguir, pois a série vai te provocar a ter essa atitude em todos os episódios da primeira temporada.

Vale muito a pena! 

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